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Soja – A prática dos preços médios, por Liones Severo

Publicado em 05/03/2013 16:17 2025 exibições
Por definição, média é o valor que aponta para onde mais se concentram os dados de uma distribuição. Pode ser considerada o ponto de equilíbrio das frequências, num histograma (wikipédia). Então, uma completa caracterização que existem valores superiores e inferiores. Em todas as atividades econômicas, ou mesmo escolares, as médias nunca foram sinônimo de plena aceitação ou aceitar o resultado médio em uma determinada atividade, nunca resultou em maximização de aproveitamento ou excelência de grandeza.

Média de avaliação acadêmica, não tem a mesma implicação de média dos preços de um mercado, porque a média deve ser registro dos preços praticados no mercado aberto, mas não existe práticas de preço médio para negócios que estão por acontecer. Quando concentramos nossos negócios sobre supostos preços médios, automaticamente estamos conspirando contra a possibilidade de preços superiores, porque tudo que se realiza nesta suposta média, indica concordância que o preço é satisfatório, mais do que isto, indica completo abandono dos prováveis preços superiores.

Tudo o que deve existir numa atividade econômica, assim como a atividade agrícola, deve perseguir a margem de resultado. Iniciar uma escalada de vendas em busca de uma média de resultado, já indica que o objetivo de resultado começa a ser prejudicado. O valor de um produto decorre da relação de oferta e demanda, de um determinado mercado, de valor presente. 

Não é por acaso, o grande destaque que se concentra nas condições climáticas, porque juntamente com o preço, são os 2 fatores de risco das receitas da atividade agrícola. A projeção de preços futuros para uma safra que ainda está por plantar, nada significa, porque não existe medidas efetivas de oferta e demanda à valor futuro, ou seja, nunca haverá registros de preços elevados para o mercado de longo prazo, não existe escassez a mercado futuro. Entretanto, durante o desenvolvimento de uma safra futura, poderá sim, haver impacto nos preços, por ameaça de redução da produção, ou ameaça à integridade da oferta.

Muito se comenta sobre a próxima safra de soja recorde americana, a ser plantada a partir  do próximo mês de abril, mas não se comenta que, mesmo uma produção na ordem de 92 milhões de tons, com estoque de passagem estimado em 250 milhões de bushels, equivalente a 6,8 milhões de tons de soja, ainda, medido e considerado como estoque de risco ou em níveis críticos. Portanto não existe ameaça alguma de preços incompatíveis resultando da próxima safra de soja americana.

Inadvertidamente somos muito pródicos para medir a oferta, mas extremamente ineficientes quando medimos a demanda, que é fugaz, sorrateira e nada transparente. A propósito, nós operadores sempre dizemos que estamos em um mercado do vendedor, caracterizado por preços firmes, que se auto-define pela dependência exclusiva de quem produz. A principal característica do desempenho desses mercados concentra-se na capacidade do produtor, de administrar o preço e o tempo da venda, enquanto o consumo não pode esperar por cobertura em qualquer tempo.

Atualmente estamos assistindo uma nova escalada de preços para a soja, na Bolsa de Chicago. Não deve ser surpresa para nossos leitores, desde que, o colapso logístico dos transportes e portos brasileiros foi uma catástrofe anunciada que já há 2 meses atrás vinhamos prevendo que essas dificuldades nos esperava. Esta situação detonou uma forte demanda para soja e produtos de embarque imediato nos Estados Unidos, cujos excedentes exportáveis, principalmente soja, estão virtualmente vencidos. Os embarques americanos de soja física somam 31 milhões de tons, para uma uma exportação total programada de 36,6 milhões de tons até 31 de agosto próximo, enquanto que no ano passado, no mesmo período, os embarques físicos estavam em 24 milhões de tons para uma exportação efetiva de 40 milhões de tons.

Os atrasos de embarque de soja do Brasil, não é o único motivo das exportações recordes americanas, mas sim, as quebras das safras sulamericanas no ano de 2012, quando os mercados de consumo se recorreram ao Estados Unidos para o suprimento de soja que o Brasil e a Argentina não puderam embarcar no 2º. Semestre do ano passado.

Existe uma situação extremamente construtiva para as commodities agrícolas até a recomposição de estoques de garantia a nível mundial, que nos parece ainda distante.

Vendas Semanais para Exportação dos Estados Unidos:

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Embarques Semanais dos Estados Unidos:

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China Importação de Soja:

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Fonte:
Liones Severo

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3 comentários

  • Luciane Possan Weber guaíra - PR

    Obrigada !

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Caro Vilson Ambrozi, tenho certeza que este texto vem bem ao encontro de sua performance de atuação neste mercado. forte abraço

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  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Obrigado,Liones Severo.

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