Com a redução das compras da Turquia, exportações de gado vivo brasileiro registram queda 40,8%

As exportações de gado vivo seguiram um caminho diferente do que foi observado nos embarques de carne bovina in natura, que foram impulsionadas pela a demanda chinesa. No acumulado de janeiro a novembro de 2020, o Brasil embarcou 317 mil cabeças, ou seja, um recuo de 40,8% frente ao mesmo período do ano passado.
Se comparar os dados atuais com o ano de 2018, o melhor ano das exportações nesse setor, o recuo foi ainda maior, chegando a ser 59%. De acordo com o Analista de Mercado da Scot Consultoria, Rodrigo Queiroz, essa queda nas exportações se deve a ao recuo das compras da Turquia, que é o principal comprador nesse setor.
“O Brasil vinha de uma crescente no volume exportado desde 2016, impulsionado pela Turquia, visto que o país se tornou o nosso principal importador desse produto, depois que a Venezuela (principal país importador de 2007 a 2015) entrou em uma crise política e financeira grave, em que a Venezuela importava, em média, no período de 2007 a 2016, 70% dos animais.”, informou analista.
A expectativa do mercado era que a Turquia fosse "nova" Venezuela, visto que, em 2016 importou 158 mil cabeças, importando 40% mais em 2017 e, em 2018, o ápice das importações turcas, subindo 157% referente ao ano anterior, conforme divulgou o analista da Scot.
A partir de 2018, a Turquia entrou em uma crise política e cambial e as importações recuaram expressivamente. “A redução no volume exportado foi de 63,4% em 2019 e 47,4% em 2020, se comparado o acumulado de jan-nov 2019/2020”, reportou Queiroz em entrevista ao Notícias Agrícolas.
Apesar na queda significativa no volume importado de gado do Brasil, a Turquia continua sendo o nosso principal cliente, seguido por Egito e Iraque. “O Iraque foi o grande destaque no ano passado, onde importou 207% a mais do que em 2018, mas como dito anteriormente, esse ano, comparando com o mesmo período do ano passado, as importações iraquianas caíram 57% esse ano”, disse o analista da Scot Consultoria.
Diante de uma pandemia mundial, causada pelo o coronavírus, as negociações de gado vivo foram impactadas já que o isolamento causou uma crise econômica que afetou somente os países emergentes, mas sim os desenvolvidos também, ou seja, a crise financeira foi global, diminuindo o poder de compra dos países importadores.
“O que mais afetou as exportações foi o menor poder de compra dos países importadores. O setor pecuário estava com uma baixa oferta de animais, mas caso a Turquia quisesse importar mais animais o mercado corresponderia à demanda”, destacou Queiroz.
As estimativas apontam que a crise econômica ocasionada pela pandemia perdurará por mais algum tempo e que a retomada da economia deve ser até 2023 em alguns países. “Devemos ficar atentos a retomada da economia dos nossos principais compradores e devemos sofrer alguns impactos nos próximos anos diante da pandemia que ocorreu neste ano”, apontou o analista da Scot Consultoria.
Perspectiva para 2021
A Scot Consultoria aponta que a perspectiva para o próximo ano ainda será de oferta restrita de animais no Brasil, apesar da maior retenção de fêmeas nesse ano. A oferta de animais de reposição mais erados (boi gordo e garrote), não ocorrerá de maneira expressiva o ano que vem, mas sim com maior força em 2022.
Abrir novos mercados internacionais seria fundamental para evitar quedas mais expressivas nas exportações, visto que o Brasil compete somente com a Austrália e ambos países exportam esse produto via marítima. Por outro lado, o Canadá e México exportam via terrestre, principalmente para o principal país Norte Americano.
Ainda de acordo com o analista da Scot Consultoria, se a recuperação econômica da Turquia, tanto pelo covid como pela crise cambial e política ocorrida em 2018, ocorra antes do previsto poderemos ter um volume maior de gado vivo embarcado em 2021, não só pela Turquia, mas pelo Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita.
“Só por curiosidade, a Arábia Saudita era um país inexpressivo nesse setor, em 2020, se tornou o nosso 3° maior cliente, importando aproximadamente 48 mil cabeças no acumulado desse ano”, disse o Queiroz.
Em seu relatório de perspectiva para 2021, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apontou que os embarques de gado vivo devem manter o desempenho estável para o ano 2021, sendo mais uma opção para os produtores de boi magro e de bezerros.
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