Selic deve ser mantida hoje, mas impacto financeiro vai muito além do número
Hoje, 17 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para anunciar o novo patamar da taxa básica de juros da economia, a Selic. As expectativas são de que a taxa seja mantida em 15% ao ano, sem alterações em relação à última reunião, realizada nos dias 29 e 30 de julho.
Mas, para Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente da DSOP Educação Financeira, muitas pessoas escutam sobre a variação dessa taxa, mas poucas pessoas realmente entendem o impacto desse número. O que realmente interfere no dia a dia dos brasileiros é como a Selic impacta as finanças de cada pessoa, seja na hora de quitar dívidas, planejar compras ou investir.
“Não adianta focar apenas no sobe e desce da Selic. O essencial é entender o impacto dessa taxa na sua vida financeira. Quem tem dívidas precisa ter cuidado redobrado, e quem consegue poupar deve avaliar com atenção as oportunidades de investimento”, explica Reinaldo Domingos.
Dívidas e consumo: cuidado redobrado
O especialista alerta que, mesmo com a Selic estável, o custo de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito continua alto. “A taxa básica influencia diretamente outras taxas do mercado. Quem parcelou compras, tem financiamento ou utiliza cheque especial e cartão de crédito precisa entender que os juros dessas dívidas permanecem altos. A manutenção da Selic não significa que o bolso vai ficar mais leve”, diz Domingos.
Para famílias e consumidores, o momento exige planejamento e disciplina. Organizar o orçamento, priorizar pagamentos e evitar compras parceladas sem necessidade são atitudes que podem fazer diferença no final do mês.
Investimentos: oportunidade para quem poupa
Para quem consegue economizar, a Selic estável pode ser uma boa notícia. Produtos de renda fixa, como CDBs pós-fixados, fundos DI e títulos do Tesouro Direto, continuam atrelados à taxa e podem oferecer rentabilidade interessante.
“Mesmo que a Selic não suba, é importante analisar o próprio perfil de investimento e definir objetivos claros. Não existe receita única: investimentos de curto, médio ou longo prazo precisam ser pensados de forma estratégica, levando em conta risco, liquidez e retorno esperado”, explica Domingos.
Ele reforça ainda que a poupança, apesar de limitada, ainda tem papel importante. “O rendimento da poupança não acompanha totalmente a Selic, mas continua sendo uma opção segura para quem está começando a organizar a vida financeira. É melhor guardar dinheiro nela do que deixá-lo parado ou em risco em casa.”
Educação financeira: a chave para decisões conscientes
Para Domingos, o mais importante é que os brasileiros entendam o impacto real da Selic, sem se perder nos números. “A Selic é apenas um indicador. Quem se prepara financeiramente e entende como suas decisões influenciam a vida cotidiana consegue lidar melhor com juros altos ou baixos”, afirma.
Segundo ele, o momento é de reflexão e planejamento. “Mais do que acompanhar notícias sobre a Selic, cada pessoa deve conhecer sua situação financeira, organizar gastos e investimentos, e tomar decisões conscientes. Isso faz muito mais diferença do que qualquer anúncio do Banco Central.”
Resumo das recomendações de Reinaldo Domingos:
- Quem tem dívidas: organize o orçamento, priorize pagamentos e evite novas dívidas.
- Quem investe ou poupa: reveja objetivos, diversifique investimentos e pense no prazo de aplicação.
- Todos: busque educação financeira para tomar decisões mais conscientes e seguras.
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