Após seis meses de alta, vendas de perecíveis no varejo alimentar recuaram -4,3%, puxadas pelas proteínas
O varejo alimentar apresentou retração em setembro, com o faturamento caindo -5,4% em relação a agosto, acompanhada por queda de -4,9% nas unidades vendidas e redução de -0,7% nos preços. Além da desaceleração no consumo, o desempenho do mês foi impactado pelo calendário: setembro teve um dia e um final de semana a menos em comparação a agosto, que contou com cinco finais de semana completos.
Na análise por cesta, os perecíveis registraram resultado negativo após seis meses de crescimento, com queda de -6% no faturamento e -4,3% nas unidades vendidas, mesmo diante da redução de -1,9% no preço médio. As proteínas foram as principais responsáveis pela retração: carne bovina (-9%), frango (-7,1%), linguiça (-10,9%) e carne suína (-9,6%). A carne bovina apresentou leve queda de -0,6% no preço por unidade, enquanto o frango teve aumento de 1,9%.
“Nos últimos meses, o consumo de proteínas pelos brasileiros esteve fortemente atrelado à queda nos preços. Em setembro, no entanto, observou-se um cenário diferente: o consumidor adquiriu menos proteínas, mesmo com a redução de preços, indicando que pode estar fazendo substituições no carrinho para adequar as compras ao orçamento do fim do mês. É necessário acompanhar como será o desempenho da cesta de perecíveis nos próximos meses para entender se esse comportamento do consumidor se consolidará”, comenta Felipe Passareli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
A cesta de Mercearia também apresentou retração, com queda expressiva de -7,4% em unidades e faturamento. Dentro desse grupo, o recuo foi puxado principalmente por categorias ligadas à indulgência, como chocolates (-11%), biscoitos (-7,1%), petiscos e snacks (-6,9%) e leite condensado (-11,8%).
Desempenho por canais e regiões
Entre os canais, os atacarejos mostraram maior resiliência na análise de curto prazo, com retração de -4% em unidades e -2,9% em faturamento, enquanto os supermercados registraram queda de -5,3% nas vendas e 6,7% no valor, reflexo da redução no volume por ticket.
Em termos regionais, todas as áreas do país apresentaram retração nas unidades vendidas, variando entre -4% e -5%. No faturamento, as maiores quedas ocorreram em São Paulo (-6,4%), Sul (-6,2%) e Norte (-4,9%).
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