Congresso aprova projeto que cria Licença Ambiental Especial e texto segue para sanção
O Congresso Nacional concluiu, nesta quarta-feira (3), a votação do Projeto de Lei de Conversão (PLV 11/2025), originado da Medida Provisória 1.308/2025, que institui a Licença Ambiental Especial (LAE) para empreendimentos estratégicos. Após a aprovação na Câmara dos Deputados na terça-feira (2) e a confirmação pelo Plenário do Senado nesta quarta-feira (3), o texto segue agora para sanção presidencial. A proposta estabelece um rito claro, com prazos definidos e maior segurança jurídica, preservando as exigências ambientais e modernizando procedimentos essenciais para o desenvolvimento do país.
O PLV 11/2025 havia sido aprovado pela Comissão Mista do Senado antes de chegar ao Plenário da Câmara. Na ocasião, a presidente do colegiado e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), destacou que a medida “estabelece um rito claro, com previsibilidade e segurança jurídica, sem flexibilizar exigências ambientais”.
Segundo o relator, deputado Zé Vitor (PL-MG), o texto resgata discussões realizadas durante a tramitação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e corrige lacunas que permitiam interpretações divergentes. Entre os pontos enfatizados está a explicitação da lista de atividades que não podem ser enquadradas na Licença por Adesão e Compromisso (LAC).
“Não houve, em momento algum, previsão de que atividades como mineração pudessem ser licenciadas por LAC. Fizemos questão de deixar isso expresso para evitar distorções e garantir segurança jurídica”, afirmou o relator.
O texto aprovado mantém a exigência de EIA/Rima para empreendimentos de significativo impacto ambiental, simplifica etapas específicas — como procedimentos de dragagem de manutenção — e promove a integração eletrônica dos processos. O parecer também reconhece a constitucionalidade do PLV e acata parcialmente sugestões apresentadas por parlamentares.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), ressaltou o papel da LAE na retomada do crescimento econômico. “A LAE é mais uma oportunidade que o Congresso Nacional oferece para tirar do papel os projetos estratégicos que o Brasil precisa para voltar aos trilhos do crescimento, com segurança e preservação ambiental”, afirmou o parlamentar.
Avanço para o setor produtivo
Ex-presidente da FPA, o deputado Sérgio Souza (MDB-PR) afirmou que a modernização do licenciamento representa “um grande destravamento para o Brasil”. Ele lembrou que a discussão se arrasta há mais de 20 anos no Congresso e elogiou o trabalho do relator.
“Não haverá vida humana sem alimentos, assim como não haverá sem um meio ambiente ecologicamente equilibrado”, disse. “A lei concilia o melhor do setor produtivo com a necessária proteção ambiental, em uma convergência responsável, técnica e madura.”
Para Souza, o PLV 11/2025 coloca o Brasil em posição de liderança ao mostrar que desenvolvimento econômico e preservação ambiental são compatíveis. “Com essa modernização, o Brasil se torna ainda mais gigante na produção de alimentos e na produção ambiental.”
Relator da Lei Geral do Licenciamento em legislaturas anteriores, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) reiterou críticas ao que classificou como “campanha de destruição de reputação” promovida por setores do governo.
“Quando esta Casa aprovou o projeto, desafiei qualquer parlamentar a apontar onde estaria a ‘devastação’. Até hoje ninguém indicou um único artigo que promovesse destruição ambiental”, afirmou.
O deputado também destacou pontos reforçados pelo relator no PLV:
– impossibilidade de uso da LAC em casos de supressão de vegetação;
– obrigatoriedade de conhecimento prévio sobre condições ambientais e localização do empreendimento;
– aplicação restrita a atividades corriqueiramente licenciadas.
“Auto-licenciamento é uma contradição em termos. A licença continua sendo concedida pelo órgão ambiental, que também fiscaliza”, afirmou.
O que disseram os integrantes da FPA
“Discutir licenciamento ambiental é tratar de um tema fundamental para o desenvolvimento do país. Por anos convivemos com um arcabouço ultrapassado, que atrapalhava a vida de quem produz. Hoje entregamos ao Brasil uma resposta concreta, moderna e necessária”, disse Zé Trovão (PL-SC).
“O relatório desburocratiza e torna o processo mais ágil e eficiente. Ninguém está banalizando licenças ambientais. Estamos criando condições reais para que empreendedores, agricultores e gestores públicos possam avançar com segurança jurídica e previsibilidade”, afirmou Ricardo da Zaeli (PL-MT).
“Esta medida é essencial para destravar o país. Não é possível que produtores rurais esperem anos por autorizações. O relatório do deputado Zé Vitor simplifica o licenciamento de forma responsável e dá ao Brasil a chance de crescer com eficiência e equilíbrio”, declarou Coronel Assis (União-MT).
“O que vimos na COP30 foi um desastre diplomático e ambiental, um episódio que expôs fragilidades da política ambiental do governo. Enquanto setores do governo atacam o licenciamento ambiental responsável, seguimos defendendo o desenvolvimento, a infraestrutura e aqueles que mais precisam. A oposição continuará lutando por um Brasil que avance com segurança jurídica, eficiência e respeito à população”, disse Rodolfo Nogueira (PL-MS).
“A população indígena sofre com a dificuldade de acesso à saúde, à educação e a condições básicas de desenvolvimento. Este projeto não resolve tudo, mas representa um avanço importante ao agilizar licenciamentos que podem transformar realidades. O Brasil importa 90% do potássio que consome, enquanto temos reservas a serem exploradas — assim como terras raras no sul do Amazonas. O Amazonas não é problema; o Amazonas é solução para o país”, concluiu Capitão Alberto Neto (PL-AM).
0 comentário
Ibovespa fecha em queda com realização de lucros antes do Carnaval
Dólar sobe ante o real com busca por proteção antes do Carnaval
Ministros suspeitam que reunião sobre Master foi gravada clandestinamente
Wall Street caminha para perdas semanais, com quedas em tecnologia compensando alívio inflacionário
Suzano vai fazer novo reajuste de preços em todos os mercados em março
Chefe da OMC pede reforma do sistema comercial global