Moagem de cana no Norte e Nordeste segue em queda, mas produção de anidro está mantida
A moagem de cana na safra 2025-2026 nas regiões Norte e Nordeste até 15 de dezembro de 2025 totalizou 36,5 milhões de toneladas, recuo de 8,5% na comparação com o montante de 39,9 milhões de toneladas processado em igual intervalo da temporada anterior. A queda, que reflete o desempenho tanto no Norte quanto no Nordeste, é baseada em dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e compilados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).
Na avaliação do presidente da NovaBio, Renato Cunha, os resultados apurados até 15 de dezembro de 2025 confirmam os desafios que o setor enfrenta na safra 2025-2026: “São dificuldades climáticas e de origem internacional, que devem resultar em números menores quando concluirmos a safra, mas é importante frisar que apesar disso, a produção de etanol anidro segue estável, garantindo o esforço para reduzir emissões”, completa.
Números em queda
Na Região Norte, a moagem recuou 11,9%, caindo de 7,3 milhões para 6,4 milhões de toneladas, enquanto que no Nordeste a queda foi de 7,7%, de 32,6 milhões para 30,1 milhões de toneladas no mesmo período da safra anterior. O volume menor de cana processada refletiu diretamente na cadência de uma melhor produção de açúcar, que apresentou redução de 22,4% considerando o total das duas regiões, com 1,948 milhão de toneladas produzidas ante 2,511 milhões de toneladas do ciclo anterior.
No etanol, a produção total nas regiões Norte e Nordeste chegou a 1,52 milhão de metros cúbicos, 6,9% abaixo do apurado no mesmo período da temporada passada. Mais uma vez o etanol hidratado foi o principal responsável pelo recuo, com redução de 10,7% no acumulado até 15 de dezembro de 2025. Já o etanol anidro apresentou estabilidade, com recuo marginal de apenas 0,4%, mas no recorte do Nordeste registrou alta de 6,2%, reafirmando a mudança no perfil produtivo da safra atual.
Os dados de ATR – Açúcar Total Recuperável, principal indicador de qualidade da cana-de-açúcar, também refletem o impacto da menor moagem. O ATR total nos produtos finais caiu 14,2% nas regiões Norte e Nordeste, com o indicador por tonelada de cana recuando 6,3% no consolidado regional, pressionado principalmente pelo desempenho do Nordeste, que registrou queda de 9,1%, enquanto a Região Norte apresentou avanço de 6,8%.
No comparativo entre projeção e realização da safra 2025-2026, até 15 de dezembro de 2025, o setor alcançou 61,9% da moagem estimada de cana-de-açúcar no total das regiões. A Região Norte, que em dezembro praticamente encerrou a moagem na atual safra, apresentou execução mais avançada, com 89,8% da previsão, enquanto o Nordeste atingiu 58,1%. No etanol total, o índice de realização foi de 60,3% no consolidado regional, com destaque para o Norte, que já alcançou 97,5% da estimativa prevista para o período.
Estoques de etanol
Os estoques físicos de etanol nas Regiões Norte e Nordeste também apresentaram queda na comparação entre as safras. Na posição até 15 de dezembro de 2025, o estoque total somou 310,3 mil metros cúbicos, recuo de 34,1% em relação aos 471,4 mil metros cúbicos registrados na mesma data de 2024. O etanol anidro apresentou redução de 32%, já apresentando indícios de estímulo pela vigência da nova mistura de 30% de etanol na gasolina, enquanto o hidratado teve queda ainda mais acentuada, de 35,9%.
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