Ovos: Mercado tende a seguir firme e marca retomada importante para o avicultor após pressão recente

Publicado em 20/01/2026 12:15 e atualizado em 20/01/2026 13:04
Na primeira quinzena de janeiro, valorização foi de quase 60% nas principais regiões produtoras do país

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Os preços dos ovos registraram forte alta na primeira quinzena de janeiro, com valorização de até quase 60% em apenas uma semana nas principais regiões produtoras do país, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Cepea. O movimento reflete a combinação de maior demanda interna, avanço das exportações e ajuste na oferta, criando um cenário de mercado mais firme e positivo para o produtor rural.

De acordo com o Cepea, entre os dias 7 e 14 de janeiro, a valorização da proteína chegou a quase 60%. Em Bastos, principal polo produtor de São Paulo, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos foi cotada a R$ 114,34 no dia 16 de janeiro, alta de 27% desde o início do mês. Já em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, o preço alcançou R$ 120,14 por caixa, avanço de 45% no mesmo período.

Segundo a engenheira agrônoma Josi Prado, os fatores de mercado explicam a forte valorização em curto espaço de tempo. De acordo com a agrônoma, essa valorização intensa se deve, principalmente, por conta do aumento das exportações. “O Brasil aumentou as exportações e teve um recorde finalizando o ano de 2025, principalmente por conta de importação dos Estados Unidos, que teve uma crise no abastecimento devido a surtos de gripe aviária”. afirma. 

Prado destaca ainda o avanço do consumo interno neste período do ano. “Houve um crescimento da demanda interna. Isso é uma demanda, normalmente, que acontece nesse período de transição de ano, férias, retorno às aulas, quando as famílias têm um custo de vida mais elevado e acabam optando por uma proteína mais barata, que é o caso do ovo e do frango”. Ela acrescenta que há também uma mudança no perfil alimentar do consumidor, que busca uma alimentação mais saudável, com ovos.

Ovo 16:9


A engenheira agrônoma também alerta para possíveis reflexos macroeconômicos. “O ovo é um item frequentemente consumido por muitas famílias, se seus preços sobem de forma consistente, isso tende a pressionar índices de inflação alimentar”, afirma. Segundo ela, quando ovos e frango sobem simultaneamente, há efeitos acumulativos no agregado de alimentos, no índice geral de preços no IPCA e outros indicadores de inflação.

Na avaliação da analista de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Juliana Pila, o movimento atual marca uma recuperação após uma virada de ano marcado por pressão nos preços, devido a uma combinação de fatores como produção acima da demanda, elevadas sobras, calor excessivo, férias escolares e uma indústria mais passiva no período, o mercado aparenta estar ganhando fôlego.

Juliana lembra que, no período mais crítico, a negociações abaixo da referência ocorreram em muitos casos, com ofertas de até R$ 40,00 por caixa abaixo do mercado. No entanto, segundo ela, os preços derretidos, o escoamento no varejo começou a mostrar resultado e o mercado iniciou um processo de regularização das disponibilidades.

De acordo com a analista da Scot Consultoria, o comportamento atual indica maior disciplina na oferta. “No momento, há certa disposição dos produtores em manter o mercado fortalecido, operando com ofertas curtas para atender à demanda contínua”. A expectativa, segundo Juliana Pila, é de continuidade do cenário positivo, com mercado firme no curto prazo.

O avanço dos preços dos ovos reforça um ambiente mais favorável ao produtor rural, ao mesmo tempo em que mantém o setor atento ao equilíbrio entre oferta, demanda e aos desdobramentos do mercado internacional.

“Os preços dos ovos encerram a primeira quinzena de janeiro com fortes altas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, a retomada do consumo na ponta final, com melhora no ritmo de vendas, contribuiu para elevar as cotações – só na última semana (de 7 a 14 de janeiro), a valorização da proteína chegou a quase 60%. Apesar das recentes reações, levantamentos do Cepea mostram que os valores médios de janeiro seguem abaixo dos verificados no mês anterior e também inferiores aos observados um ano atrás”, trouxe o Cepea nos últimos dias.

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Por:
Priscila Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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