Preço do feijão dispara no Brasil: consumidor já sente a alta no supermercado?

Publicado em 12/03/2026 06:39 e atualizado em 12/03/2026 07:29
O Indicador CNA/Cepea aponta forte valorização do feijão carioca nas últimas semanas, enquanto analistas relatam mercado mais lento no início de março diante dos preços elevados

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A resposta é sim. A alta do preço do feijão já começa a chegar ao bolso do consumidor brasileiro. Impulsionadas pela oferta restrita e por atrasos na colheita em importantes regiões produtoras, as cotações do grão avançaram nas últimas semanas e levaram o mercado a operar em níveis historicamente elevados, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o indicador CNA/Cepea, a valorização do feijão ganhou força ao longo de fevereiro, com destaque para o feijão carioca. Os preços médios do grão atingiram os maiores patamares da série histórica do indicador, iniciada em setembro de 2024. O movimento de alta foi observado tanto para lotes de melhor qualidade, classificados com nota 9 ou superior, quanto para grãos entre 8,0 e 8,5.

A oferta limitada no mercado físico é um dos principais fatores por trás da valorização. A conclusão da colheita da primeira safra no Paraná, aliada às chuvas em áreas do Cerrado brasileiro, reduziu a disponibilidade de feijão em um momento de demanda ativa por reposição.

Entre as regiões acompanhadas pelo indicador, o Leste Goiano registrou uma das maiores altas. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, os preços do feijão carioca avançaram 12,6%, movimento associado principalmente ao atraso na colheita provocado pelas chuvas.
Outras importantes praças produtoras também observaram valorização nas cotações, como o Noroeste de Minas Gerais, Curitiba (PR) e Itapeva (SP), onde a disponibilidade de grãos de melhor padrão segue restrita.

No caso do feijão preto tipo 1, o cenário também é de valorização, mas com intensidade menor. Segundo a CNA e o Cepea, o abastecimento relativamente mais confortável reduz a pressão compradora da indústria, embora os preços já tenham alcançado os níveis mais elevados desde março de 2025.

Apesar das cotações firmes, o mercado começou março com negociações mais lentas. De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, os preços elevados reduziram a liquidez no mercado físico, levando compradores a adotarem postura mais cautelosa nas aquisições.

Segundo o especialista, o início do mês foi marcado por menor volume de negócios em importantes centros de comercialização, reflexo da dificuldade de repassar os preços mais altos ao consumidor final. Esse cenário tem levado parte da indústria e do varejo a reduzir o ritmo de reposição.

Diante desse quadro, o mercado pode entrar em um período de ajuste. Enquanto a oferta restrita ainda sustenta as cotações, a reação do consumo será um fator decisivo para determinar o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Analistas destacam que o avanço da colheita da próxima safra e as condições climáticas nas regiões produtoras também seguirão no radar do mercado, podendo influenciar diretamente a disponibilidade do produto e o ritmo das negociações no país.
 

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Por:
Priscila Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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