Biodiesel avança no debate da transição energética e ganha força como motor da industrialização do agro na Fenagra 2026
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O primeiro dia do 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene (SAF): Tecnologia e Inovação, realizado durante a Fenagra 2026, foi marcado por debates sobre segurança energética, transição para combustíveis renováveis e o papel estratégico da soja brasileira na expansão do biodiesel. Representantes da indústria, governo, entidades do agro e especialistas reforçaram que o Brasil reúne capacidade produtiva, tecnologia e disponibilidade de matéria-prima para ampliar o uso dos biocombustíveis nos próximos anos.
Ao longo dos painéis, um dos principais pontos defendidos foi a necessidade de garantir previsibilidade regulatória para o avanço da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel fóssil. Vice-presidente do Grupo Potencial e vice-presidente de Relações Associativas e Institucionais da Ubrabio, Carlos Eduardo Hammerschmidt, afirmou que o país já possui estrutura suficiente para ampliar os percentuais de mistura.
“O Brasil está preparado, em capacidade industrial, para atender até 22% de mistura. Hoje temos capacidade para produzir cerca de 17 bilhões de litros de biodiesel e uma estrutura robusta de biorrefinarias espalhadas pelo país”, afirmou.
Segundo o executivo, além de reduzir a dependência externa do diesel fóssil, a ampliação do biodiesel fortalece a soberania energética e reduz custos logísticos, especialmente em um país com predominância do transporte rodoviário.
Durante sua participação na Mesa 4 — Complexo Biodiesel: Biorrefinaria e Coprodutos — Hammerschmidt também destacou os ganhos econômicos gerados pela industrialização da soja dentro do Brasil.
“Quando o país industrializa o grão, multiplica a geração de riqueza, cria empregos, amplia a produção de coprodutos e fortalece toda a cadeia econômica”, destacou.
O painel reuniu ainda representantes da cadeia produtiva e do setor agroindustrial, entre eles Fabrício Rosa, que reforçou os impactos positivos do aumento do esmagamento da soja para os produtores rurais.
“Para o produtor de soja, ampliar o esmagamento é extremamente positivo. Hoje, cerca de um quarto do óleo já é destinado ao biodiesel. Defendemos que as autoridades cumpram o que está previsto na Lei do Combustível do Futuro”, afirmou Rosa.
Já o CEO da Binatural, André Lavor, ressaltou que o biodiesel vai além da descarbonização do transporte e possui impactos diretos sobre geração de renda, alimentos e desenvolvimento social.
“Cada ponto percentual de aumento na mistura representa cerca de 3 milhões de toneladas adicionais de soja esmagada no Brasil, gerando valor agregado, empregos e fortalecendo a cadeia de proteína animal”, afirmou.
Lavor também destacou o papel social do setor por meio da agricultura familiar. Segundo ele, mais de 300 mil agricultores familiares já são beneficiados pelo Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Semiárido.
“A cada 1% de incremento na mistura, aproximadamente 25 mil novos agricultores familiares passam a integrar o programa. É um impacto econômico e social extremamente relevante para regiões que precisam de desenvolvimento”, explicou.
O executivo ainda defendeu a ampliação do uso do biodiesel em setores como geração termoelétrica, mineração, transporte ferroviário e navegação marítima.
“O biodiesel já se consolidou como uma solução pronta, escalável e estratégica para a segurança energética brasileira. Além da redução das emissões, ele diminui nossa dependência da importação de diesel e fortalece a economia nacional”, afirmou.
Outro tema recorrente ao longo do fórum foi a implementação da Lei do Combustível do Futuro. Representantes da indústria defenderam maior agilidade na definição dos próximos passos para o avanço da mistura obrigatória, considerada fundamental para garantir segurança jurídica e estimular novos investimentos no setor.
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