Atividade econômica cai mais do que o esperado em março mas tem alta de 1,3% no 1º tri, mostra BC
![]()
Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 18 Mai (Reuters) - A atividade econômica do Brasil registrou desempenho positivo no primeiro trimestre deste ano mesmo depois de ter recuado mais do que o esperado em março, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio, apontaram dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou em março queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado.
Foi o primeiro recuo mensal neste ano e o mais intenso desde maio de 2025, além de ter sido pior que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,2%.
Ainda assim, o índice registrou expansão de 1,3% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2025. Dados do PIB mostraram que a economia brasileira cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025.
O IBGE divulgará os dados do PIB do primeiro trimestre em 29 de maio.
O mês de março foi marcado por incertezas geopolíticas após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que fechou o Estreito de Ormuz e elevou os preços do petróleo.
Isso por sua vez levantou preocupações com a inflação em todo o mundo. No Brasil, o IPCA de março já mostrou o impacto da guerra com alta de 0,88% diante do aumento dos preços de transportes e alimentos. Em abril, a alta do IPCA desacelerou a 0,67%.
O BC decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, mas pregou cautela dizendo que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente.
A abertura dos dados do BC nesta segunda-feira mostra que em março houve perdas generalizadas na atividade econômica frente ao mês anterior, com quedas de 0,2% na agropecuária e na indústria e de 0,8% dos serviços.
No mês, dados separados do IBGE mostraram que o setor de serviços teve a maior queda desde novembro de 2024, de 1,2%, enquanto a produção industrial desacelerou com um crescimento de 0,1%.
Por outro lado, as vendas no varejo cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando o recorde da série histórica com alta de 0,5%, de acordo com o IBGE.
Os dados do IBC-Br mostraram que, no primeiro trimestre, a indústria avançou 1,3%, enquanto a agropecuária e os serviços tiveram ambos expansão de 1,0%.
Na comparação com março do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 3,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,8%, segundo números não dessazonalizados.
A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,85%, indo a 1,77% em 2027.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
(Por Camila Moreira; edição de Isabel Versiani)
0 comentário
O que as novas compras agrícolas da China nos EUA significam para o comércio global?
Endividamento de R$ 10,8 bi coloca agro do Paraná em risco, alerta Sistema FAEP
EUA concordaram em suspender sanções ao petróleo do Irã durante negociações, diz agência iraniana
Dólar cai ante real com exterior, política local e dados de atividade no radar
Atividade econômica cai mais do que o esperado em março mas tem alta de 1,3% no 1º tri, mostra BC
Paquistão entrega aos EUA proposta revisada do Irã para acabar com a guerra