Fed inicia "era Warsh" mantendo juros inalterados e prevê aumento ainda este ano

Publicado em 17/06/2026 15:24 e atualizado em 17/06/2026 16:29

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Por Howard Schneider

17 Jun (Reuters) - O Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros estável nesta quarta-feira, e os formuladores de política monetária esperam um aumento na taxa ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação, que permanece acima da meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.

Novas projeções trimestrais mostraram que nove autoridades do Fed agora preveem uma alta de juros até o fim de 2026, e o comunicado de política monetária atualizado removeu a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de novas reduções de taxas em 2026.

De fato, o comunicado, em um sinal inicial da influência do novo chair do Fed, Kevin Warsh, removeu completamente qualquer orientação sobre movimentos futuros dos juros. O novo formato simplesmente informou a decisão sobre a taxa e reafirmou a intenção do banco central de manter "reservas abundantes no sistema bancário".

O documento mais curto, um retorno a um formato semelhante ao usado pelo ex-chair do Fed Alan Greenspan, foi aprovado por votação unânime de 12 a 0.

A declaração do Fed mostrou outros sinais da influência inicial de Warsh, que assumiu o cargo após ter sido nomeado no início deste ano pelo presidente Donald Trump, com a expectativa de que entregasse os cortes de juros exigidos pelo republicano.

A descrição da economia abordou temas enfatizados por Warsh, mencionando que "o crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes".

Embora reconhecesse que a inflação estava "elevada em relação à meta de 2% do Comitê", isso foi atribuído em parte a "choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo energia".

As novas projeções mostram a inflação desacelerando acentuadamente no próximo ano.

"O Comitê entregará estabilidade de preços", disse o documento.

COLETIVA DE ESTREIA

Warsh vai conceder uma entrevista coletiva às 15h30 (horário de Brasilia), encerrando sua primeira reunião desde que tomou posse para substituir o ex-chair do Fed, Jerome Powell, em 22 de maio.

Apenas 18 dos 19 formuladores de política monetária apresentaram projeções para os juros e, embora o "ponto" ausente não seja identificável, presume-se que ele tenha sido omitido por Warsh, que está há apenas cerca de três semanas no cargo e tem sido crítico do Resumo das Projeções Econômicas.

A declaração marca um ponto de virada não apenas na liderança do Fed, mas também na perspectiva da política monetária, que desde o outono de 2024 vinha sendo orientada para reduzir os custos dos empréstimos a partir dos níveis elevados de juros usados para ajudar a conter a inflação, que atingiu máximas de 40 anos durante a pandemia de Covid-19.

As projeções das autoridades mostraram que a taxa básica de juros, definida na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, subiria até o fim deste ano.

A perspectiva para a inflação foi revisada para cima, de 2,7% para o fim de 2026 para 3,6%, antes de cair para 2,3% no próximo ano. Tudo isso sem um aumento de juros -- consistente com a linguagem da declaração que atribui os preços altos a interrupções de oferta, que normalmente se espera que sejam passageiras.

O crescimento foi revisado ligeiramente para baixo, com a taxa de desemprego no fim do ano projetada em 4,4%, o mesmo nível das projeções de março do Fed.

(Reportagem de Howard Schneider)

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Fonte:
Reuters

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