Na Folha: Rodeados de policiais, opositores protestam com panelas vazias em Caracas

Publicado em 08/03/2014 19:46 500 exibições
com informações da France Press

Em meio ao barulho de golpes em panelas vazias e rodeados por policiais, mais de 2.000 opositores, em sua maioria mulheres, se manifestaram em Caracas neste sábado (8) contra a escassez, uma das queixas nos protestos que sacodem a Venezuela há cerca de um mês com saldo de 20 mortos.

"Não há, não há, não há", se lia em um dos cartazes que se referia à aguda escassez de alimentos e produtos essenciais como leite, açúcar, óleo, manteiga, detergente, papel higiênico, entre outros.

Miguel Gutierrez/EFE
Opositores protestam com panelas vazias
Opositores protestam com panelas vazias

A concentração, convocada pela opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) com o tema "o protesto das panelas vazias", foi realizada ao meio-dia no entorno do Ministério da Alimentação, no centro de Caracas, desafiando o prefeito do município de Liberador, o oficialista Jorge Rodríguez, que advertiu que não havia autorização para a marcha.

O Ministério da Alimentação estava cercado desde muito cedo por tanques da Guarda Nacional enquanto cerca de 300 homens uniformizados, tanto guardas como policiais federais, protegiam a região obrigando os manifestantes a se amontoar em uma avenida e algumas ruas.

Entre os manifestantes e os uniformizados foram registrados momentos de discussão e empurrões, mas depois de uma negociação a polícia concordou em se afastar alguns metros para abrir mais espaço para a multidão, constatou a AFP.

"Não consigo leite, nem manteiga, nem fraldas, nem farinha, nem açúcar, nem arroz. Não posso sair à rua por medo da insegurança e a minha filha não quer ir ao banheiro porque tem medo que cheguem os ladrões", relata à AFP Alexandra Fernández, uma dona de casa de 39 anos que mora no centro de Caracas.

A insegurança que afeta a Venezuela foi um detonador dos protestos, iniciados em 4 de fevereiro por estudantes em San Cristóbal (região oeste) que se manifestaram após uma tentativa de estupro no campus.

Desde então, os protestos se multiplicaram em outros lugares e se somaram reclamações contra a crise econômica, a escassez de alimento, a repressão policial e a prisão de ativistas.

A manifestação foi promovida principalmente pelo líder opositor Henrique Capriles, governador de Miranda (região norte), e um discurso seu era esperado diante da multidão.

A equipe da AFP no local constatou a presença de uma dezena de homens a bordo de motocicletas que revistavam aleatoriamente participantes e jornalistas, e que segundo opositores são membros dos denominados "coletivos", grupos de partidários do Governo que estariam armados.

A manifestação foi replicada em cidades como San Cristóbal, Maracaibo (leste), Valencia (norte), entre outras.

Vários fatos sobre os protestos, denunciados pelo presidente Nicolás Maduro como um "golpe de Estado em desenvolvimento", deixaram ao menos 20 mortos.

No G1: Governo chavista impede marcha opositora 

contra falta de alimentos na Venezuela

Manifestantes tentavam chegar ao Ministério de Alimentação, em Caracas.
Centenas protestaram contra escassez de produtos básicos no país.

O governo venezuelano impediu neste sábado (8) uma marcha organizada por mulheres da plataforma opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) que planejava chegar até o Ministério de Alimentação para protestar contra o desabastecimento de produtos básicos nos supermercados.

As ruas de Caracas amanheceram hoje fechadas com um grande dispositivo da Polícia Nacional e da Guarda Nacional que impediram que as centenas de manifestantes munidas com panelas e colheres marchassem pelo centro de Caracas para protestar contra o governo de Nicolás Maduro.

Além disso, três estações de metrô próximas ao local foram fechadas.

Mulher bate em panela vazia diante de membros da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto em Caracas, na Venezuela (Foto: Fernando Llano/AP)Mulher bate em panela vazia diante de membros da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto em Caracas, na Venezuela (Foto: Fernando Llano/AP)

"Todo este esquema militar demonstra o enorme medo de Nicolás e seu governo frente ao protesto com conteúdo, contra os graves problemas que hoje vivem os venezuelanos", disse o líder opositor Henrique Capriles, que chegou a ir durante uns minutos à concentração para acompanhar as manifestantes.

"Aposto que esse governo tem até as esposas dos militares com as panelas vazias. Em vez de escutar os venezuelanos, enviam aos funcionários e a grupos paramilitares armados, por eles mesmos, para dissolver as manifestações", disse Capriles segundo um comunicado sobre suas impressões no local.

"Como têm medo do povo unido contra a escassez! Disso têm medo! Têm pavor de panelas vazias porque são os culpados", havia comentado em sua conta no Twitter.

"Não temos produtos, não temos remédios, não temos alimentos para comer, nem farinha, nem leite, nem café, nem carne (...) as prateleiras estão todas vazias, a insegurança reina", disse Susa Rodríguez, vendedora de café, ao listar os motivos pelos quais foi à passeata.

"Estou aqui defendendo meus direitos como jovem e como estudante porque quero viver em um país onde meu futuro seja ter os insumos todo dia e não ter que fazer filas imensas desde a madrugada para poder conseguir coisas básicas", defendeu a estudante Emily Chávez como algum de seus motivos para participar do protesto.

O desabastecimento é um dos principais problemas enfrentados pelo governo venezuelano.

A Defensoria Pública informou hoje que contabilizou 21 mortes em atos de violência ligados aos protestos que desde 12 de fevereiro acontecem na Venezuela pró e contra o governo.

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Fonte:
Folha de S. Paulo / France Press

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