Setor elétrico em pane e Juro para pessoa física atinge recorde de 43% em junho

Publicado em 29/07/2014 15:22 246 exibições
em veja.com.br

Setor elétrico em pane

xxx

Empréstimo de “operação complexa”

A Aneel adiou mais uma vez o pagamento do governo às distribuidoras de energia. O prazo vencia na quinta-feira. A agência jogou-o para o dia 28 de agosto. A justificativa oficial é que o atraso ocorre devido “à complexidade da operação de empréstimo”. Não explicou que complexidade é essa, no entanto.

Na prática, é mais um calote temporário nas distribuidoras. E, como consequência, afeta a credibilidade do governo.

O empréstimo não pago refere-se à liquidação dos gastos com a compra de energia feitos em maio. Teriam que ser quitados nos dias 10 e 11 de julho. Não foram. Adiou-se para o dia 31. Agora, empurra-se novamente com a barriga por falta de caixa.

Por Lauro Jardim

A volta da “exportação”

Plataforma: exportação para inglês ver

Plataforma: exportação para inglês ver

As exportações aumentaram 1,7% na terceira semana de julho em relação à semana anterior devido principalmente à exportação de manufaturados.

O item que mais pesou nesse resultado foi a “exportação” de mais uma plataforma de petróleo e gás.

Essa plataforma, no entanto, nunca saiu do Brasil. Ela foi comprada de fornecedores brasileiros por subsidiárias no exterior, num expediente que é legal, conhecido como Repetro.

Em 2013, o Repetro acabou inflando a balança comercial em bilhões de reais. Neste ano, o expediente ainda não fora usado.

Apesar da a contabilidade criativa para melhorar os números da balança comercial, o vermelho até agora  em 2014 é de 1,9 bilhão de dólares.

Indústria

Confiança da indústria é a menor desde abril de 2009 

Indicador divulgado pela FGV caiu 3,2% em julho, em sua sétima queda consecutiva

Setor tem se mostrado pessimista com a economia nacional nos últimos sete meses

Setor tem se mostrado pessimista com a economia nacional nos últimos sete meses (Divulgação)

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) brasileira caiu 3,2% em julho na comparação com o final de junho, registrando a sétima queda seguida, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Leia mais: Dilma admite efeito da crise internacional no Brasil

Com isso, o indicador foi a 84,4 pontos, menor nível desde abril de 2009 (82,2 pontos), ante 87,2 pontos no mês anterior, quando havia recuado 3,9%.

"O resultado de julho acende uma luz amarela em relação ao terceiro trimestre. Ainda que a diminuição do número de feriados possa influenciar favoravelmente a produção, a demanda continua sendo um fator limitativo a este crescimento", disse Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV/Ibre.

O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 4,8% em julho, para 85,8 pontos, influenciado principalmente pelo indicador que mede o grau de satisfação com o nível de demanda.

Já o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,8%, a 82,9 pontos, com destaque para as expectativas quanto à tendência dos negócios nos seis meses seguintes.

Ainda segundo a FGV, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada foi a 83,2% em julho, queda de 0,3 ponto percentual sobre junho, atingindo o menor patamar desde outubro de 2009 (82,6%).

A produção industrial do Brasil recuou 0,6% em maio no terceiro mês seguido no vermelho, marcado mais uma vez pela fraqueza dos investimentos, conforme os números oficiais mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

BNDES vendeu um terreno em Brasília por 234 milhões a menos do que vale. Como um prejuízo desse tamanho aos cofres públicos é aprovado?

(Foto: Cristiano Mariz)

ESTRANHO — O terreno está localizado numa das áreas mais nobres de Brasília. Laudos em poder do Tribunal de Contas atestam que o imóvel foi vendido a um preço equivalente a 18% do de mercado (Foto: Cristiano Mariz)

O QUE ESTÁ POR TRÁS DISSO?

O TCU suspende a venda de um terreno do BNDES em Brasília. Avaliado em 285 milhões de reais, o imóvel foi negociado por 51 milhões – um prejuízo aos cofres públicos que pode superar 230 milhões de reais

Reportagem de Hugo Marques publicada em edição impressa de VEJA

No Banco Nacional de Desen­vol­vimento Econômico e Social ­(BNDES) tudo é superlativo, a começar pelas cifras. Para este ano, o banco estatal reservou 150 bilhões de reais para financiar empreendimentos em diversas áreas, da agricultura à indústria de ponta. É dinheiro público, dos cofres do Tesouro Nacional, injetado diretamente em empresas de pequeno, médio e grande porte para fomentar o crescimento do país.

A ideia é fazer com que os empréstimos, a juros mais baixos que os de mercado, banquem iniciativas capazes de girar mais e mais a roda da economia. Mas até mesmo quando erra na mão o portentoso BNDES é capaz de produzir excelentes negócios.

No início do ano, o banco decidiu se desfazer de um valioso terreno no centro de Brasília. Aparentemente, seguiu o protocolo: contratou um avaliador para fixar o preço, publicou o edital convocando eventuais interessados e promoveu a licitação pública. As empresas se apresentaram e venceu a que ofereceu o melhor preço. O negócio, porém, é mais complicado do que parece.

Localizado na zona central de Brasília, uma das regiões mais valorizadas do país, o terreno tem 9 000 metros quadrados. No espaço vazio, um dos poucos disponíveis para construção no centro da capital, o BNDES planejou um dia erguer sua sede. O terreno está cercado por prédios importantes da burocracia federal e fica a apenas cinco minutos de carro do Palácio do Planalto.

Especialistas no mercado imobiliário brasiliense calculam que a área, do jeito que está, vale no mínimo 285 milhões de reais. O BNDES, porém, vendeu o imóvel por 51 milhões, quase um sexto do valor de mercado. De tão estranha que foi, a operação virou alvo de uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). Por ordem do ministro Augusto Sherman, a transferência do terreno para o novo dono foi embargada até que sejam esclarecidas as condições do negócio.

Os auditores do TCU estão analisando a transação com lupa. Ao decidir pela suspensão da venda, o ministro Sherman chama a atenção para a possibilidade de o negócio representar um prejuízo de mais de 230 milhões de reais aos cofres públicos.

O ponto de partida da investigação é um laudo, encomendado pelo próprio BNDES, que estipulou o valor mínimo da transação. No documento, o terreno foi avaliado em 107 milhões. Mas havia nele uma ressalva: se houvesse necessidade de vendê-lo às pressas, o que não era o caso, o preço poderia ser reduzido para 45 milhões. Foi justamente esse valor que o banco adotou como base para a licitação.

O lote foi arrematado pela AJS Empreendimentos e Participações, cujo dono é o empresário Álvaro José da Silveira, membro do conselho de administração da Brasil Pharma, conglomerado que reúne algumas das maiores redes de farmácias do país. Uma coincidência, em especial, intriga os auditores: o engenheiro que assina o laudo encomendado pelo BNDES, Ricardo Caiuby Salles, é irmão de uma diretora da mesma Brasil Pharma.

O caso é conduzido pelo ministro Augusto Sherman (Foto: Cristiano Mariz)

O caso é conduzido pelo ministro Augusto Sherman (Foto: Cristiano Mariz)

“Se o BNDES optou pelo preço menor, é decisão do banco”, defende-se o engenheiro. Ele diz ser apenas coincidência o fato de o terreno ter sido comprado pelo chefe da sua irmã. A AJS Empreendimentos informou que está enviando ao TCU todas as explicações sobre o negócio. O BNDES limitou-se a dizer que seguiu a lei e que está prestando todas as informações ao TCU.

“É brincadeira o BNDES vender esse lote por 51 milhões de reais. Quem comprou por esse preço ganhou cinco ou seis vezes na Mega-Sena”, diz Antonio Bartasson, diretor da Câmara de Valores Imobiliários de Brasília, entidade acostumada a fazer avaliação de terrenos na capital.

Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Distrito Federal, Geraldo Nascimento, a transação evidencia um fenômeno que vem ocorrendo em Brasília: por um lado, órgãos do governo se desfazem de imóveis próprios a preços abaixo dos de mercado, em operações muitas vezes obscuras, e por outro o próprio governo gasta milhões comprando ou alugando outros imóveis para abrigar repartições públicas.

“O governo vende alguns imóveis a preço de banana e compra e aluga outros a preço de ouro”, diz. No terreno vendido pelo BNDES, há espaço suficiente para a construção de quatro prédios de até 21 andares. O lucro de um empreendimento dessa magnitude pode ultrapassar facilmente a casa do bilhão.

Quem está por trás da estranha operação ainda é um mistério, mas uma coisa é certa: fomentar bons negócios é mesmo uma especialidade do BNDES – depende, é claro, do ponto de vista do observador.

(por Ricardo Setti)

Política monetária

Juro para pessoa física atinge recorde de 43% em junho

Segundo dados do BC, somente as taxas do cheque especial subiram 3 pontos porcentuais em comparação com maio

Estoque total de crédito no Brasil subiu 0,9%

Estoque total de crédito no Brasil subiu 0,9% (Marcelo Sayão/EFE)

Em sua nota de Crédito e Política Monetária, o Banco Central (BC) informa que a taxa média de juros do crédito para pessoas físicas atingiu em junho 43%, contra 42,5% em maio. Este é o maior número desde o início da série histórica, em março de 2011. Segundo o relatório divulgado nesta terça-feira, entre maio e junho, as modalidades de cheque especial e crédito pessoal tiveram aumento de 3 e 0,6 pontos porcentuais, respectivamente, para 171,5% ao ano e 45,5% ao ano. Em comparação a junho de 2013, o juro médio do cheque especial subiu impressionantes 34,7 pontos, enquanto o do crédito pessoal (consignado e não consignado) aumentou 7,5 p.p.. Com juros altos, as pessoas ficam cada vez mais endividadas, ou seja, sua renda fica mais comprometida com pagamento de taxas e sobra menos recursos para o consumo e a poupança.  

Segundo o BC, para pessoa jurídica, ainda em recursos livres, a taxa caiu de 22,2% para 22,6% entre maio e junho. Ainda neste segmento, levando em consideração pessoas e empresas, a média permaneceu em 32%.

No período, o spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final) foi de 20,9 pontos porcentuais também neste segmento, acima dos 20,6 vistos em maio.

A boa notícia do relatório divulgado nesta terça é que a inadimplência ainda está baixa. Entre maio e junho, os calotes superiores a 90 dias no mercado de crédito brasileiro, também no segmento de recursos livres, passaram de 5% para 4,8%. 

Ainda segundo informou o BC, o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,9% em junho ante maio, chegando a 2,830 trilhões de reais, ou 56,3% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado em 12 meses, o estoque brasileiro cresceu 11,8%. O saldo dos empréstimos a pessoas físicas totalizou 1,324 trilhão, avanço de 1% ante maio e de 14,3% em relação a junho de 2013. No caso do crédito destinado a pessoas jurídicas, o estoque fechou o mês passado em 1,506 trilhão, após aumentos de 0,9% e 9,7%, na mesma base de comparação. 

Na sexta-feira passada, o BC anunciou mudanças na regra do compulsório - contribuição obrigatória que os bancos fazem junto ao BC. O objetivo é liberar pelo menos 30 bilhões de reais em crédito no mercado. 

Tags:
Fonte:
veja.com.br

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário