Na FOLHA: Agronegócio apoia Marina só com novo programa

Publicado em 20/09/2014 11:12 e atualizado em 21/09/2014 00:59 810 exibições
Afirmação é do ex-titular do Ministério da Agricultura Roberto Rodrigues

Um dos pontos em que há discordância é sobre a elevação do índice de produtividade das propriedades rurais

por FERNANDO RODRIGUES, da FOLHA DE S. PAULO de BRASÍLIA

O coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, diz ainda haver desconfiança a respeito de Marina Silva. Para que a candidata a presidente pelo PSB dissipe dúvidas, terá de "reescrever" parte do seu programa até o fim da campanha.

Rodrigues foi ministro da Agricultura de 2003 a 2006, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Folha e ao UOL, aponta dois aspectos principais que considera necessários para Marina conquistar o apoio mais amplo do setor de agronegócio.

Primeiro, esclarecer que a meta de "desmatamento zero" no programa de governo do PSB se refere a "desmatamento ilegal zero". Para ele, zerar o desmatamento é "um pouco utópico". Acredita que seja necessário "abrir algum cerrado" no Brasil para garantir o suprimento de alimentos no futuro.

Segundo, que o índice de produtividade de propriedades rurais (usado em casos de desapropriações) sirva para premiar quem consegue bons resultados, e não punir os que ficam para trás.

Rodrigues diz ter expressado essas condições a Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina Silva. "Ele concorda que o tema [desmatamento] deve ser trabalhado na linha da legalidade (...) [Sobre o índice de produtividade], foi mais enfático: disse que houve uma má interpretação. Falou que o objetivo é dar prêmios aos mais produtivos, em vez de castigo aos menos. O índice de produtividade será um bônus, não um ônus ao produtor".

Seria "ótimo" se Marina vocalizasse essas propostas, mas insuficiente para convencer o setor, diz Rodrigues. Para ele, "tem que reescrever o programa".

No primeiro turno da eleição presidencial, Roberto Rodrigues afirma que votará em Aécio Neves (PSDB). No segundo turno, se a disputa ficar entre Marina e Dilma Rousseff (PT), não revela sua preferência. Dá a entender que ele e muitos empresários do agronegócio vão aguardar mais compromissos de ambas as candidatas.

Diz que Dilma "não é" campeã de popularidade do setor. E que a petista e Marina Silva "têm que olhar para o setor com especificidades". Acha que a candidata do PSB parece ter demonstrado "uma disposição ao diálogo muito maior que no passado. (...) As pessoas aprendem mais, isso é possível, todo mundo vai para a frente". Mas ressalta: "É importante que a candidata [Marina] diga de maneira clara o que ele [Beto Albuquerque] está dizendo".

Com mais de 50 anos de atuação no agronegócio, Roberto Rodrigues defende fundir os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, da Pesca e do Meio Ambiente em apenas um: o Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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1 comentário

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Falou a vaca sagrada em nome dos produtores novamente. Apoia Marina Silva desde que ela pronuncie duas promessas bem singelas. Hoje mesmo vi Marina Silva na TV defendendo Lula, disse que è uma ótima relação, fiquei admirado com a fala da missionária da floresta, afirmando que Lula è um sujeito que presta. Mensalão? Nada. Petrolão? Nada. O sujeito è gente boa. E hà quem acredite na nova política Marineira. Quem afirmou que se eleito irà criar um super ministério para os agricultores e pecuaristas foi Aècio Neves, quem afirmou que vai descentralizar a gestão dos portos públicos para diminuir o custo dos portos mais caros do mundo foi Aècio Neves, quem falou que vai acabar com o bolsa empresário foi Aècio Neves, e por ai vai... Aècio Neves è o candidato que tem as melhores e mais alinhadas propostas com aquilo que pensa a maioria dos produtores brasileiros, e as lideranças apóiam Marina Silva? Em nome de quem falam e quem representam de fato?

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