A inovação do agronegócio brasileiro mora em Piracicaba (SP)

Publicado em 20/10/2017 15:26 e atualizado em 24/10/2017 15:26 1783 exibições
Startups e empresas localizadas no AgTech Valley (Vale do Piracicaba) são consideradas o futuro do desenvolvimento do agro a nível global e nacional

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Como alimentar, com qualidade, uma população mundial que deve chegar a 9 bilhões de habitantes em 2050? Esse é o desafio que a agricultura terá nos próximos anos. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), será preciso em médio e longo prazos elevar a produção de alimentos em até 70%. Sem muitas alternativas, é nesse contexto que surgem as iniciativas de inovação no setor. No Brasil, a maioria se fixou em Piracicaba (SP), a cerca de 50 km da capital.

A cidade do interior do estado, em menos de dois anos, deixou de ser somente o corpo do agronegócio brasileiro – já que abriga a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Campus da USP (Universidade de São Paulo), que é uma das maiores universidades de Engenharia Agrícola do país – e passou a ter também a cara da inovação brasileira no setor. O AgTech Valley (Vale do Piracicaba) é tido como o “Vale do Silício” do agronegócio no país, com iniciativas bem parecidas ao que se tornou o “Vale” americano com a área tecnológica por meio da Universidade de Stanford. Piracicaba reúne atualmente quase 40% das startups  do agro no estado de São Paulo, segundo levantamento próprio.

“Nossa ideia, em 2016, era de sistematizar o empreendedorismo na agricultura em Piracicaba porque havia uma demanda de fora para isso, já que exportávamos tecnologia para o mundo, mas não nos enxergavam. Notamos que não estávamos organizados o suficiente para apresentar a região para aceleradores como um Polo. Então montamos um site, cadastramos as primeiras empresas e, em pouco tempo, passamos a ter um ecossistema estruturado e totalmente orgânico”, explica o presidente do conselho deliberativo da incubadora EsalqTec, Mateus Mondin.

Assim como no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, o “Vale” do agro brasileiro também não tem um espaço definido. Ele engloba toda uma área ao redor da cidade de Piracicaba, mas o que conta mesmo, segundo o executivo da Esalq, é que uma marca foi formada e a identidade da mesma passou a ser reconhecida por todos. “Se você for aos Estados Unidos e perguntar onde está o “Vale”, ninguém vai saber te explicar, porque ele não tem uma localização bem definida. Mas está ali. A região foi identificada dessa forma e as pessoas passaram a reconhecê-la assim", afirma Mondin.

Mateus Mondin - ESALQTec
Mateus Mondin é presidente do conselho deliberativo da incubadora EsalqTec e professor da Esalq/USP (Foto: Gerhard Waller)

As startups do agro que se fixaram em Piracicaba, em sua maioria, são compostas por jovens empreendedores egressos de universidades brasileiras e dividem espaço com grandes corporações já tradicionais do setor na cidade, como a Raízen, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), entre outras. Mas elas contam com pelo menos um diferencial: conseguiram criar soluções, ou estão em processo de desenvolvimento delas, para o futuro do agronegócio brasileiro e mundial. Uma verdadeira revolução. Uma pesquisa mundial realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em 2015, apontou o Brasil como o país mais empreendedor do mundo.

É o caso da Brazil Beef Quality (BBQ), uma startup que pretende desenvolver soluções para garantir carne bovina com qualidade cientificamente comprovada para o consumidor.  “Hoje é uma loteria quando você vai comprar uma carne no Brasil. Às vezes, se paga um preço alto por um produto que nem sempre é, de fato, de qualidade, mesmo sendo considerado um bom tipo”, explica o diretor da empresa e pesquisador em Ciência Animal, Marcelo Coutinho. A ideia é inédita no país e foi inspirada no trabalho já realizado há vários anos em países como a Austrália e Estados Unidos.

"Estamos trabalhando, em uma primeira fase, para provar a viabilidade tecnológica dessa nossa proposta com o financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), de até R$ 200 mil por nove meses. Com bons resultados, estaremos aptos a desenvolver o produto por até 24 meses, com aporte de até R$ 1 milhão. Estamos no caminho certo e bem confiantes. Somente a pecuária bovina brasileira movimenta cerca de R$ 100 bilhões ao ano. Um mercado gigantesco que é composto por mais de 40 milhões de pessoas das classes A e B. Esses seriam os nossos primeiros clientes”, diz Coutinho.

Os investimentos da Fapesp começaram há pouco tempo na BBQ. O projeto foi aprovado pela Fundação em agosto deste ano e só foi possível graças ao ambiente em que a empresa está inserida: a EsalqTec, uma incubadora tecnológica que atua junto à ESALQ/USP, em Piracicaba, no apoio às iniciativas empreendedoras ligadas ao agronegócio. São mais de 100 empresas acompanhadas pelo órgão e 10 residentes – que depois de terem seus projetos aprovados em Conselho passam a ter espaço reservado em um prédio anexo à universidade por período determinado, podendo utilizar laboratórios, sendo acompanhadas por consultores e tendo a validação de tecnologias, mediante o pagamento de um valor simbólico.

"A ideia é que esse espaço sirva como uma área de intercâmbio para os envolvidos de todas as áreas do conhecimento. Temos empresas de todos os setores na incubadora, desde manejo integrado de pragas, produção de proteínas, até biotecnologia. O prazo de uso do local pelas startups é de até quatro anos, mas elas acabam caminhando por conta própria até antes disso. A cada projeto de incubada da EsalqTec, a gente consegue converter em uma empresa em até quatro anos”, pontua Mondin. A maioria dos projetos recebidos pelo órgão ainda é de egressos da universidade, mas a organização tem trabalhado para mudar esse cenário. Afinal, o chamado “Vale do Piracicaba” abrange uma área que ultrapassa os muros do Campus Luiz de Queiroz.

ESALQTec
Prédio da EsalqTEC fica anexo à universidade no Campus Luiz de Queiroz (Foto: Gerhard Waller)

“Temos na EsalqTec um ecossistema de inovação, onde trocamos experiências e podemos desenvolver melhor as ideais de cada empresa. A possibilidade de um financiamento da Fapesp veio graças a esse ambiente. Com o dinheiro, conseguimos iniciar o projeto, contratar pessoas para equipe e fazer viagens que nos ajudam a desenvolver melhor nossa proposta”, conta Coutinho. Ele agora é empreendedor, com a Brazil Beef Quality, e tem sua primeira formação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), com mestrado e doutorado na área de Ciência Animal pela Esalq/USP.

A incubadora EsalqTec, como é conhecida atualmente, foi inaugurada em 2006 a partir de um convênio entre a universidade e diversas instituições parceiras. A iniciativa já chegou a ser apresentada para representantes da ONU pela coordenação da escola da USP. São várias as empresas incubadas pelo órgão, dos mais diversos setores do agronegócio brasileiro, e a seleção da dezena de startups residentes tem ficado mais concorrida a cada ano, tanto que um novo prédio está sendo construído, ainda sem previsão de inauguração, para abrigar pelo menos mais 15 empresas.

"A Esalq é simplesmente o centro de gravidade de todo o projeto. É a quinta melhor universidade de agricultura do mundo. Mas ela sozinha, talvez, não seria capaz de auto-organizar um “Vale”. Piracicaba forma um complexo educacional grande, com desenvolvimento intelectual muito alto, que complementa o que a Esalq faz e fecha o ecossistema", afirma Mondin, que também é professor no Departamento de Genética da universidade. A Esalq tem atualmente mais de 50% dos alunos de graduação matriculados no curso de Engenharia Agronômica, de acordo com dados próprios. Seu orçamento de 2016, apenas o dispêndio repassado pelo Governo do Estado de São Paulo, soma mais R$ 200 milhões, ou 5,55% do total da USP, conforme mostra o Portal da Transparência da universidade.

O agronegócio tem segurado as pontas da economia brasileira nos últimos anos, com crescimento acelerado. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário cresceu impressionantes 14,9% no segundo trimestre de 2017 ante o mesmo período do ano passado – bem à frente do que qualquer outro setor –, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), diante de alta na safra e aumento da produtividade de algumas culturas. A agricultura é o maior empregador único no mundo e proporciona meios de subsistência para 40% da população global atualmente, segundo a ONU.

A Prefeitura de Piracicaba apoia o AgTech Valley, mas ainda não tem levantamentos sobre os impactos do agronegócio e das iniciativas empreendedoras na cidade. De acordo com Francisco Crocomo, professor do curso de Ciências Econômicas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), esses dados, de fato, ainda são inexistentes no município, mas o emprego é um indicador que mostra um pouco da influência do setor na região.  "Se você pegar a participação da agricultura, ela é bem pequena, porque temos poucos produtores de fato, mas o agronegócio  mesmo é forte, com indústrias, empresas, usinas e processadoras do setor alcooleiro, principalmente. As indústrias, como um todo, comportam 5,7% do emprego formal na cidade, segundo o Ministério do Trabalho”, ressalta.

CAMPUS ESALQ (Foto: Gerhard Waller)
Prédio principal do Campus Luiz de Queiroz, em Piracicaba (SP) (Foto: Gerhard Waller)

Investidores atentos ao “Vale”

As startups do agro em Piracicaba têm chamado a atenção de investidores, sejam eles públicos, da iniciativa privada ou os chamados investidores-anjo – aqueles que aplicam o próprio capital em empresas que acreditam. Os grandes fundos costumam acelerar as empresas que já estão mais desenvolvidas porque os riscos são menores, mas existem exceções. A SP Ventures, gestora de fundos de investimento paulistana, é considerada uma das 10 investidoras globais que mais acreditam nas AgTechs. A empresa tem priorizado há alguns anos iniciativas que estão no ecossistema do “Vale”, com investimentos no setor que já passam de R$ 70 milhões.

“Há cerca de dois anos, intensificamos nossos investimentos nas empresas ligadas ao agronegócio e, logo depois, tomamos a decisão de nos juntar ao AgTech Valley. Hoje, passo a maior parte do tempo em Piracicaba. Sei que ainda temos um longo caminho, mas vejo que estamos em um início muito parecido com o do Vale do Silício mesmo. Acredito que, nos próximos cinco anos, podemos ter grandes cases globais que surgiram na cidade”, afirma Thiago Lobão, sócio da SP Ventures e responsável pela carteira agrícola da empresa.


O "Vale do Piracicaba" localizado no mapa

Mais de 15 empresas ligadas ao agronegócio contam atualmente com o capital da SP Ventures – 10 estão em Piracicaba. Diante do otimismo com as iniciativas empreendedoras já presentes no município, esse número só tende a crescer. "Como todo ecossistema, ele só tende a movimentar mais pessoas e exponencializar, promover uma maior integração, tanto em marketing como comercial. Muita gente tem vindo para a região, como pessoas da área de tecnologia, por exemplo, e se juntando aos profissionais que têm conhecimento no agro”, conta Lobão.

Mondin afirma que os investimentos na região de Piracicaba nas iniciativas de empreendedorismo só comprovam a hipótese inicial que motivou a criação do “Vale do Piracicaba”. “Quando os investidores conseguem identificar a região e, agora, muitos estão indo pra lá, só mostra que realmente faltava uma identidade. Tivemos pelo menos cinco grandes eventos nos últimos anos. Isso mostra que o ecossistema está funcionando”, diz.

De dentro da porteira para o mundo

Com todas essas iniciativas surgindo para beneficiar o agronegócio brasileiro, logo fica a dúvida: e os produtores, onde estão nessa história? Como é que essa inovação tecnológica pode chegar ao meio rural e ajudar efetivamente a cadeia? Se depender do que ocorre no estado do Mato Grosso, cuja capital fica a mais de 1000 km de Piracicaba, a inovação também pode surgir das próprias necessidades do dia a dia do campo.

É o que conta Daniel Latorraca Ferreira, superintendente do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA) e um dos líderes por detrás do AgriHub, uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) que pretende discutir todo esse processo de inovação na agricultura e pecuária identificando, primeiramente, os problemas dos produtores, para conectá-los com todos os agentes que possam desenvolver soluções. A ideia é que haja um melhor ajuste desses projetos com o perfil do produtor e com o perfil do agronegócio. "A gente sabe que algumas startups não têm a oportunidade de ter acesso aos produtores. Com isso, nós levamos ao mercado esses problemas que estão dentro da porteira", destaca Latorraca.

Daniel Latorraca Ferreira IMEA e AgriHub (Foto: Divulgação)
Daniel Latorraca Ferreira é superintendente do IMEA e um dos idealizadores do AgriHub (Foto: Lucas Ninno)

Parceiro do AgriTech Valley, o AgriHub tem o objetivo de aumentar a renda dos produtores rurais – utilizando o mínimo de recursos, contribuir para o desenvolvimento sustentável com a renovação tecnológica e para o aumento de oferta de alimentos até 2050. Em um ano de trabalho, foram levantados os principais problemas com os produtores de quatro regiões do estado, cadastrando aqueles que possuíam o objetivo de colaborar continuamente com o projeto – denominados Produtores Alfa – que observam, validam e oferecem mentoria para as startups do agro.

O AgriHub também investe em maratonas de programação, as denominadas hackatons, que apresentam um desafio e contam com grupos interessados em buscar uma solução para desenvolvê-lo. No próximo ano, a intenção é realizar um evento em abril para apresentar os resultados, o diagnóstico do ambiente de informação no Mato Grosso e aumentar a conexão entre a tecnologia e o campo.

Latorraca enfatiza que, até o momento, mais de 100 problemas foram identificados, para os quais três pontos são fundamentais: uma previsão de clima mais assertiva, focada também no microclima do produtor; pragas e suas relações com a aplicação e a compra dos insumos; e, por último, o compartilhamento de informações entre produtores. Além desses, há um problema maior, que tange toda a questão da agricultura digital: "Precisamos resolver o problema da Internet. Ela está nas cidades, mas no campo, ainda há uma presença fraca. Ela está presente apenas nas sedes ou, então, é inexistente", alerta o superintendente.

Participantes antigos, novas potencialidades

As histórias de conexão com o Vale do Piracicaba também podem surgir de dentro, por parte daqueles que indiretamente já fazem parte deste movimento e começam a observar as novas potencialidades. Este foi o caso da Raízen. A empresa, que já atuava na cidade, decidiu participar no fortalecimento desse ecossistema de inovação de maneira direta. Foi, portanto, neste contexto, que surgiu o Pulse, um hub de inovação que é tido como um "ponto de encontro para startups", como conta a gestora do projeto, Fabiana Tarabal.

O espaço de 500m2, próximo à sede da empresa, conta com 14 startups - entre aceleradas e associadas - e uma agenda de eventos que pretende promover a interação entre elas com demais instituições. Neste espaço, o hub também oferece acesso a palestras, workshops e mentorias. Para Tarabal, estes pontos são fundamentais para que "os negócios floresçam".

A aplicação dos projetos desenvolvidos na agricultura brasileira, contudo, foi levada em consideração como prioridade da empresa na hora de selecionar as tecnologias participantes, em um processo concorrido, com mais de 400 startups inscritas. De acordo com a gestora, as iniciativas escolhidas são as "mais transversais possíveis para aplicação no agronegócio". Em um primeiro momento, também foram priorizadas as iniciativas que possam ser aplicadas a diversas culturas.

Na hora de estes projetos saírem dos computadores e irem para o campo, a Raízen também tem papel decisivo, já que muitas dessas inovações poderão ser testadas nos cerca de 1 milhão de hectares de cana de açúcar da companhia, entre terras próprias e de fornecedores. Além disso, o contato com cooperativas que visitam o hub abrem o caminho para que negócios sejam feitos com produtores do Brasil todo.

Conforme destaca Tarabal, ainda há, contudo, um desafio de integração entre as opções disponíveis no mercado. Uma convergência, segundo ela, facilitaria para os produtores não terem que utilizar diversos softwares para tomar uma só decisão. A gestora observa que este processo está, porém, começando, com startups começando a pensar em soluções conjuntas.

Iniciativa que rompe fronteiras

Mondin concedeu entrevista ao Notícias Agrícolas direto dos Estados Unidos. Ele foi até o Colorado a convite do professor da área de inovação tecnológica, empreendedorismo e agricultura da Universidade do Estado do Colorado, Dr. Gregory D. Graff, para uma troca de experiências até fevereiro de 2018.

Localizada entre a região metropolitana de Denver e ao norte do Corredor Urbano Front Range, que é uma megarregião dos Estados Unidos que envolve 18 condados dos estados de Colorado e Wyoming, a área norte-americana vem de um longo histórico de inovação na economia ligada à agricultura, à alimentação e também ao setor de bebidas.

Ao longo dos anos de 1990 e 2012, os pesquisadores do Colorado publicaram cerca de 14,913 trabalhos e registraram 5,003 patentes relacionados ao setor. As informações são de um relatório técnico publicado pelo Prof. Dr. Graff em conjunto com duas colegas da Universidade.

“Essa região, chamada de Front Range é parecida com o “Vale do Piracicaba”. Ela tem startups e grandes empresas do agro que se instalaram de forma espontânea. O professor Gregory estuda esse fenômeno há cerca de cinco anos e concluiu que as pessoas da região não se identificaram com a iniciativa. Como ele soube que no Brasil isso aconteceu, vamos tentar entender essa realidade aqui. Em contrapartida, ele me dará subsídios para que possamos verificar os impactos do “Vale” na cidade de Piracicaba”, afirma Mondin.

Existem outros dos grandes “Vales” do agronegócio no mundo: mais um nos Estados Unidos, em São Francisco, e outro em Israel. Porém, de acordo com Mondin, é difícil saber qual é maior ou menor e seus impactos de fato para o futuro do setor. Mas o AgTech Valley brasileiro já tem chamado bastante a atenção do mundo. “Existe uma grande pressão para abrirmos um Polo internacional dentro da EsalqTec para que talvez empresas internacionais se tornem associadas, mas ainda estamos amadurecendo a ideia”, ressalta Mondin.

Saiba mais:
EsalqTec - http://www.esalqtec.com.br
Vale do Piracicaba - http://www.valedopiracicaba.org
AgriHub - https://www.facebook.com/AgriHubBr/

Por:
Izadora Pimenta e Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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