Rentabilidade do produtor estimula comercialização antecipada de fertilizantes para 2021, diz Stonex

Publicado em 11/08/2020 11:12 140 exibições
Mais de 30% dos fertilizantes das lavouras brasileiras no primeiro semestre do ano que vem - período de semeadura do milho safrinha - já foram comercializados

Mais de 30% dos fertilizantes a serem utilizados nas lavouras brasileiras no primeiro semestre do ano que vem - período de semeadura do milho safrinha - já foram comercializados, mostra pesquisa da consultoria StoneX, obtida com exclusividade pelo Broadcast Agro. "A alta rentabilidade do produtor, com o dólar forte ante o real somada aos níveis historicamente baixos dos preços dos insumos levaram à antecipação das compras de adubos tanto para o primeiro semestre quanto já para a safra 2021/22”, aponta o analista de mercado de fertilizantes da consultoria, Marcelo Mello, sobre o período que começa em julho do ano que vem. Segundo ele, esse movimento de antecipação de compras para a safrinha não é “comum” no mercado brasileiro neste período do ano, o que mostra um avanço positivo frente ao observado em igual período do ano passado.

O ritmo de comercialização de insumos para o ano que vem se acelerou a partir de maio, revela a pesquisa. Até o fim de julho, 31% do volume já havia sido comprado, índice que chegou a 41% na região Centro-Oeste. O levantamento foi feito pela consultoria no mês de julho com misturadoras, distribuidoras, cooperativas, médios e grandes produtores de todas regiões do País e considera as vendas de adubos por meio da fixação de preços e fechamento de contratos para entrega futura.

Na avaliação de Mello, mesmo com o dólar sendo negociado acima de R$ 5,00, que torna a importação de insumos agrícolas mais onerosa, os baixos preços dos adubos mantiveram a relação de troca favorável ao produtor brasileiro. “A relação de troca de determinados adubos com soja e milho, por exemplo, era a melhor dos últimos 10 anos”, observa o analista, citando a quantidade necessária de determinada commodity para compra de uma tonelada de adubo.

Contudo, o viés baixista foi revertido, com a forte demanda dos principais países produtores. Dados divulgados pela StoneX mostram alta de 10% no preço dos fosfatados no Brasil nos últimos dois meses e de 30% de incremento nas cotações dos nitrogenados. “A tendência é de recuperação dos preços dos insumos no curto e no médio prazo. Desde fim de maio, fosfatados subiram 25% e nitrogenados 30% nos Estados Unidos - referência para os preços internacionais. Diante dessa tendência, o produtor capitalizado antecipou as compras”, projeta Mello.

Já a comercialização dos adubos a serem utilizados nas lavouras no segundo semestre deste ano está em ritmo normal com 77% dos fertilizantes vendidos até o fim de julho, ante 47% do fim de abril, mostra a pesquisa. O índice é maior nas grandes regiões produtoras de grãos de verão 2020/21, que são semeados a partir de setembro, como o Centro-Oeste, onde 81% dos adubos já foram contratados, e no Sul, em que a comercialização atinge 84%. “É um volume semelhante ao observado no mês de julho de safras anteriores. Agora em agosto, o produtor se concentra nas entregas. A região que ainda precisa adquirir algum volume de fertilizantes é o Sudeste, porque geralmente as compras para lavouras de cana-de-açúcar e café são diluídas ao longo do ano”, pontua Mello.

Entregas - Com a previsão de crescimento na área plantada de grãos e cenário otimista para as demais culturas brasileiras, o consumo de fertilizantes no Brasil neste ano pode ter um incremento ainda maior que o esperado, segundo o analista da StoneX. “Até o fim do ano, as entregas devem crescer cerca de 2,5% na comparação com o volume consumido no ano passado de 36,2 milhões de toneladas”, prevê o analista. No relatório de 28 de maio, o mais recente, a StoneX previa aumento de 1% nas entregas totais de fertilizantes no País, para 36,6 milhões de toneladas. "Imaginávamos que a alta seria limitada pelas culturas de açúcar e algodão, que foram prejudicadas pelos reflexos econômicos da pandemia da covid-19. Mas agora estão em recuperação e devem aplicar um volume normal de insumos", explica Mello.

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Por:
Aleksander Horta
Fonte:
Notícias Agrícolas

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