Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã

Publicado em 08/04/2026 17:21

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 8 Abr (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, no menor patamar em quase dois anos, depois de os Estados Unidos acertarem na véspera um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, que aceitou reabrir o Estreito de Ormuz.

Após oscilar abaixo dos R$5,10 durante boa parte da sessão, o dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,00%, aos R$5,1035, o menor valor de fechamento desde 17 de maio de 2024, quando atingiu R$5,1031.  

No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,02%.  

Às 17h17, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,98% na B3, aos R$5,1275.

Na noite de terça-feira, menos de duas horas antes do fim do prazo final para um acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, sujeito à suspensão do bloqueio de transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse em um comunicado que Teerã vai interromper os contra-ataques e fornecer uma passagem segura por Ormuz. Uma autoridade sênior iraniana disse à Reuters que a passagem pode ser aberta na quinta ou na sexta-feira, antes das negociações de paz, se os países concordarem com uma estrutura para o cessar-fogo.

A expectativa de que o transporte de petróleo e gás possa ser normalizado fez o petróleo tipo Brent despencar, enquanto os ativos de maior risco dispararam ao redor do mundo.

Nos mercados de moedas, isso se traduziu na queda do dólar ante as demais divisas, entre elas as de países emergentes como o real, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

O dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,0659 (-1,73%) às 10h25, em meio à euforia dos investidores com o cessar-fogo.

Durante a tarde, a divisa norte-americana recuperou parte da força, mas ainda assim encerrou com baixa firme.

Em evento do Bradesco BBI pela manhã, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, abordou o fato de o dólar ter avançado ante o real logo após o início da guerra que opõe EUA e Israel ao Irã.

Em sua visão, o movimento de desvalorização do real "não foi tão diferente dos pares", sendo que o Brasil já enfrentou momentos de ruídos maiores no câmbio, como o visto na virada de 2024 para 2025.

De acordo com David, o real tende a acompanhar os ciclos de altas e baixas das demais moedas no mundo, mas a divisa brasileira tem um "beta" elevado -- o que significa dizer que em muitos momentos sua variação é maior.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,335 bilhões em março, o primeiro mês da guerra no Oriente Médio.

No exterior, no fim da tarde o dólar seguia em queda ante boa parte das demais divisas, mas já exibia alguns ganhos ante outras moedas fortes. Às 17h20, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,11%, a 99,028.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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