Governo central tem déficit primário de R$48 bi em junho, e semestre registra pior saldo desde 2020

Publicado em 30/07/2026 15:51 e atualizado em 30/07/2026 16:28

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BRASÍLIA, 30 Jul (Reuters) - O governo central registrou um déficit primário de R$48,178 bilhões em junho, contribuindo para gerar um rombo de R$92,227 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde 2020, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira.

O dado de junho veio em linha com o esperado pelo mercado e foi pior do que o déficit de R$44,216 bilhões observado no mesmo mês de 2025.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$48 bilhões no mês passado.

O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas -- que excluem transferências para governos regionais -- de R$195,173 bilhões, um aumento real de 10,3% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$243,351 bilhões, alta real de 9,0%.

Do lado das receitas, o resultado mensal teve ganhos na maior parte dos tributos e fontes, mas foi impulsionado por elevações de R$5,3 bilhões em exploração de recursos naturais (+77,9%), R$4,1 bilhões em Cofins (+12,7%), R$3,7 bilhões em Imposto sobre Produtos Industrializados (+47,4%) e R$2,0 bilhões em Imposto de Importação (+24,2%).

Nas despesas, houve em junho uma alta de R$2,1 bilhões em benefícios previdenciários (+1,9%) e R$1,7 bilhão em abono e seguro-desemprego (+15,5%).

ACUMULADO

O déficit primário de R$92,227 bilhões acumulado no primeiro semestre é significativamente maior que o saldo negativo de R$11,277 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado é o segundo pior da série histórica iniciada em 1997, atrás apenas do primeiro semestre de 2020, quando o governo registrou rombo de R$599,8 bilhões em meio a fortes desembolsos relacionados à pandemia de Covid-19.

No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$144,1 bilhões, ou 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano, o governo tem uma meta fiscal de superávit primário de 0,25% do PIB, mas há uma tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto e algumas despesas que não são contabilizadas.

(Por Bernardo Caram, edição de Camila Moreira)

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Fonte:
Reuters

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