O preço dos alimentos e o Código Florestal

Publicado em 20/03/2011 07:09 e atualizado em 20/03/2011 19:34 650 exibições
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) passa a assinar, a partir desta sábado, uma coluna quinzenal no caderno “Mercados” da Folha. Segue um trecho do artigo de estréia.

O PREÇO dos alimentos está em alta em todos os mercados há alguns meses. Em consequência, a agricultura começa a entrar na agenda política. Essa súbita atenção deve ser bem apreciada por todos, uma vez que produtores rurais, salvo em épocas de crise, são quase sempre negligenciados pelos governos. A experiência, contudo, recomenda precaução. A crise não é boa conselheira, mas campo propício a medidas improvisadas, que buscam aplausos, mas não produzem soluções.

Antes de qualquer coisa, devemos indagar por que os preços estão subindo. Se quisermos respostas precisas, temos de ignorar os suspeitos habituais. É o caso dos mercados futuros de produtos agrícolas. A exemplo dos mordomos de filmes policiais, eles podem até parecer, mas não são os culpados. Por uma razão elementar: com exceção de períodos curtos, as cotações ali não se descolam dos fundamentos que regem a oferta e a demanda dos produtos.

Mercados futuros, na verdade, ajudam a dar transparência ao processo de formação dos preços. Outro suspeito são as ocorrências climáticas, em especial secas e inundações. O papel desses fatores é real, mas grãos e carnes são produzidos hoje em tantas latitudes diferentes que essas ocorrências influem de forma bem mais limitada.

A elevação do custo da comida afeta a todos e temos de lidar com o problema de forma objetiva. Nesse sentido, o primeiro passo é reconhecer sua causa. Os preços estão subindo em virtude da elevação da demanda nas regiões pobres do mundo, em especial na Ásia, onde centenas de milhões de pessoas estão saindo da miséria e comendo mais, comendo melhor.

A solução então é produzir mais grãos, mais carnes e mais frutas. Afinal, seria desumano, para dizer o mínimo, desejar que os pobres comam menos. Controle de preços, formação de estoques e outras modalidades de intervenção de governos na atividade privada não funcionam. E a história mostra que a agricultura e o agricultor só precisam de liberdade para acomodar preços de forma a remunerar o produtor, sem punir o consumidor.

Os últimos governos compreenderam a questão e não cederam às tentações intervencionistas. No entanto, leis anteriores à revolução agrícola dos anos 1970 continuam sendo obstáculos à expansão da produção rural. É o caso do Código Florestal, que veio à luz na década de 1960, quando o Brasil tinha agricultura incapaz de abastecer até o pequeno mercado doméstico de então.

Se não incomodavam a agricultura estagnada e sem futuro de antes, alguns aspectos dessa legislação são nocivos aos interesses do país hoje. E sem nenhuma vantagem para a natureza. O fato é que o Código Florestal precisa ser revisto e atualizado. Do contrário, ficará seriamente comprometida a capacidade da nossa agropecuária de responder aos aumentos da demanda interna de alimentos. Não será possível, tampouco, atender as novas demandas do mundo emergente. Aqui

Reproduzido por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Um dos grandes motivos que provocam uma aparente escassez de alimentos no mundo é que os OBESOS comem a sua própria quota e mais a quota de algum vizinho. Isto, aliado a cerca de 40 (EU DISSE Q U A R E N T A) % de desperdicio, tornam a disponibilidade muito ajustada.

    Não podemos ter uma lider que combate os preços BONS para os agricultores.

    O mundo produz mais de 2.400.000.000 de t de grãos, considerando o arroz já descascado. Dividindo-se este MONTE por 6.500.000.000 de habitantes, resulta em mais de 365 kg por habitante ou seja, UM (1,0) kg de grãos por dia. Ninguém NORMAL dá conta de comer tanto assim.

    Além disso temos todas as frutas, todas as verduras e legumes, todo leite, os ovos, os peixes e a carne bovina produzidas SEM Ração, o açúcar, o sal, o mel, a mandioca, cobras, calangos, lagartos e até cachorros que comem alhures.

    Portanto EU DESAFIO que se apresente um humano NORMAL que seja capaz de consumir durante sete (7) dias seguidos a quota de alimentos que a agricultura mundial coloca à sua disposição.

    Sorte dos Agricultores que os americanos utilizarão este ano cerca de 125 milhões de t de milho para fazer etanol (A produção brasileira de milho nesta safra está estimada em 52 milhões de t), os franceses utilizarão um bocado de trigo com a mesma finalidade e 40% dos alimentos são desperdiçados, não fosse isto o AVILTAMENTO causaria enormes prejuizos.

    Ah! dirão alguns, os grãos são utilizados para o araçoamento animal. É verdade. A conversão alimentar por estes animais está alcançando a elevada proporção de 2,5 X 1 ou seja, 2,5 kg de grãos produzem 1,0 kg de carne em suinos e aves e um pouco menos em peixes e bovinos.

    Portanto, em troca de 1,0 kg de grãos da sua quota, o humano disposto a fazer a substiuição terá que comer diariamente 400 g de carne além da carne de Boi à pasto já disponivel para ele.

    Tem também o milho e o trigo para etanol, que estão sendo utilizados para a finalidade para evitar a formação de MONTANHAS de estoque.

    Óleo vegetal para biodiesel, quanto mais for produzido, mais farelo teremos. O residuo de 300 kg chamado DDG (27 % de proteina) que sobra produzindo-se cerca de 400 litros de álcool de uma (1,0) t de milho (que contém 9,0 % de proteina), é utilizado no confinamento de gado nos EUA.

    Eu fico impressionado com o elevado número de "POETAS" agricolas, economicos, politicos e educacionais que temos que ouvir diariamente. Pode uma Lider do Setor ser contra os preços bons para a nossa produção?

    Codigo Florestal: Porque somente aqui? Internacionalizaçao já!!!

    Att, Telmo Heinen - Formosa (GO)

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