Óleo de palma tem maior alta em quatro anos após EUA aumentar estimativa de uso de biocombustível para 2017

Publicado em 24/11/2016 13:12
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Os futuros do óleo de palma da Malásia subiram cerca de 4%, representando os maiores níveis em quatro anos, acompanhando um rally do óleo de soja que ocorreu no dia interior, após os Estados Unidos aumentarem sua meta para o uso de biodiesel, que é feito a partir de óleos vegetais.

Para fevereiro, os futuros na Malásia atingiram 3.098 ringgits (US$694) por tonelada em Kuala Lumpur, o maior nível por contrato de referência desde setembro de 2014, antes de baixar para 3.004 (US$673) ringgits por tonelada em negócios finais, o que gerou um ganho de 1,7% no dia.

O salto se deu logo após o anúncio da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos durante a noite, que aumentou para 4,18 bilhões de galoes a sua previsão para o uso de biodiesel no país em 2017, 280 milhões de galões a mais do que a última estimativa, feita em maio.

"A nova meta de biocombustíveis está acima das expectativas e foi bastante inesperada, especialmente durante o feriado de Ação de Graças", disse Edward Hugo, analista da VSA Capital.

"Isso fez com que os preços do óleo de soja nos Estados Unidos subissem. Como o óleo de palma é um substituto para a soja, também acompanhou o movimento", acrescentou.

Comerciantes pegos de surpresa

Os futuros para o óleo de soja em dezembro subiram, nesta quinta-feira, 6,9% após as notícias da EPA. Este foi o movimento mais alto para um contrato spot desde julho de 2014.

O movimento da agência foi uma surpresa, especialmente porque foi lançado um dia antes de uma grande festa nos Estados Unidos, disse Terry Reilly, da corretora norte-americana Futures International.

Tobin Gorey, do Commonwealth Bank of Australia, disse que a estimativa acima do esperado alimenta ideias de que o abastecimento de óleo vegetal, que já está apertado, se tornaria ainda mais apertado em 2017.

Agricultores beneficiados

O governo dos Estados Unidos tenta encorajar as empresas de energia a utilizarem maior quantidade de biocombustível, o que é bom para os produtores do Meio Oeste, que fornecem etanol e também para os ativistas ambientais.

Este movimento está alinhado com o programa de combustível renovável padrão assinado pelo ex-presidente George W. Bush em 2005, que projetava frear emissões de gases que provocam o efeito estufa, promover a independência de energia e impulsionar economias rurais a partir desta demanda.

A estimativa levantada, segundo Hugo, é muito boa para os agricultores, além de também seguir regulamentos de mudança climática.

Maior consumo de combustível

Depois de fechar os olhos para os biocombustíveis em 2013, o governo Obama volta a promovê-los, graças a um nível muito mais elevado de consumo de combustível nos dois últimos anos.

A questão, no entanto, é se o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar nesse caminho. Hugo acredita que sim, pois o presidente eleito possui o apoio de muitos fazendeiros que votaram nele. "Ele não vai querer perturbá-los", diz.

Ele também lembra que Trump voltou atrás com muitos de seus discursos feitos anteriormente. "Mais cedo, ele chamou o aquecimento global de um mito por parte da China. Agora, ele reconhece a sua correlação com a ação humana", conclui.

Tradução: Izadora Pimenta

Fonte:
Agrimoney

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