Lembram-se da faxina de Dilma e da Conab? Então vejam esta envolvendo o Jovair e o Evangevaldo…

Publicado em 21/01/2012 19:31 e atualizado em 30/07/2013 15:33 1057 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Eles sempre têm, ninguém sabe direito o motivo, nomes muito criativos. A prática é que varia pouco. Leiam o que vai na VEJA Online, por Rodrigo Rangel e Daniel Pereira, em reportagem da VEJA:

O presidente da Conab, Evangevaldo (à esq.), e o deputado Jovair Arantes, seu padrinho: o emissário e o mandante no pedido de dinheiro (Alan Marques/Folhapress e Carlos Moura/CB/DAPress)

O presidente da Conab, Evangevaldo (à esq.), e o deputado Jovair Arantes, seu padrinho: o emissário e o mandante no pedido de dinheiro (Alan Marques/Folhapress e Carlos Moura/CB/DAPress)

O deputado Jovair Arantes, de Goiás, é um dos principais generais do baixo clero, aquele exército de parlamentares de atuação inexpressiva no plenário, mas de apetite pantagruélico por benesses pagas com verbas públicas. Político experiente, com cinco mandatos de deputado federal no currículo, líder do PTB e presença constante em reuniões no Planalto nas quais é discutida a pauta do Congresso, Jovair se destaca pela luta incansável por cargos e emendas. Essa obstinação lhe rendeu a simpatia dos colegas e embala os sonhos dele de chegar à presidência da Casa ou ser escolhido ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de tais sonhos não se terem realizado, Jovair nem de longe é um fracassado. Muito pelo contrário. Braço direito do presidente do PTB, o mensaleiro Roberto Jefferson, o deputado é responsável pela indicação e avalista da nomeação do chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As indicações para cargos são praxe nos regimes presidencialistas em que o governo é apoiado por uma aliança de partidos, como ocorre no Brasil. Fazem parte do jogo - desde que, é claro, não sejam usadas para que políticos e legendas enriqueçam ou se financiem à custa do contribuinte. E é essa justamente a suspeita que pesa sobre Jovair Arantes. No escândalo que derrubou Wagner Rossi do Ministério da Agricultura, o líder petebista foi apontado como sócio de um consórcio montado em parceria com o PMDB para desviar dinheiro da Conab, estatal com orçamento anual de 6 bilhões de reais chefiada desde o ano passado por Evangevaldo Moreira, seu homem de confiança há mais de uma década.

Jovair também já foi investigado por envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, que desviava dinheiro destinado à compra de ambulâncias, e, mais recentemente, teve seu nome relacionado às fraudes com dinheiro de emendas do Ministério do Turismo. Isso sem falar nas denúncias que envolvem os órgãos controlados por seus apadrinhados no governo estadual de Goiás, que costuma apoiar sempre, qualquer que seja o governador. Trata-se, portanto, de um personagem recorrente da crônica político-policial.

Agora, o líder do PTB na Câmara é acusado por um ex-aliado de cobrar propina - descaradamente - para chancelar suas indicações. Quem acusa é Osmar Pires Martins Júnior, ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia e presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente até 2006.

Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. “O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público”, escreveu.

Ex-filiado ao PT, rompido com o grupo de Jovair por causa das conveniências políticas locais, Osmar Pires diz que o portador da proposta milionária foi justamente Evangevaldo Moreira - aquele que Jovair empurrou goela abaixo do governo federal e aboletou há um ano na presidência da poderosa Conab, onde permanece apesar da faxina no Ministério da Agricultura. O autor da acusação, ao que tudo indica, sabe do que está falando: ele próprio é alvo de quinze processos por malfeitos cometidos no serviço público. Por se tratar de uma suspeita de crime envolvendo um deputado federal, detentor de foro privilegiado, o Ministério Público de Goiás vai enviar os papéis para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Procurado por VEJA, primeiro Jovair Arantes disse conhecer bem Osmar Pires e teceu elogios ao ex-companheiro: “A gente vive na mesma cidade. Não temos amizade pessoal, de frequentar um a casa do outro, mas o conheço bem. É um quadro muito qualificado, um gestor competente, conhecedor profundo da gestão ambiental e uma pessoa de bem”. Informado da acusação, de repente ele mudou de tom: “Cada um fala o que quer. Se fez isso, agiu indevidamente e deve responder por isso”.

 

Acusador: Apontado por Jovair como “quadro qualificado”, Pires fez a denúncia ao MP em dezembro (Diomício Gomes/O Popular)

Acusador: Apontado por Jovair como “quadro qualificado”, Pires fez a denúncia ao MP em dezembro (Diomício Gomes/O Popular)

Evangevaldo negou que tenha sido o portador da proposta. “Nunca conversei isso com esse moço”, disse. Ao contrário de seu padrinho político, o presidente da Conab tentou desqualificar o denunciante: “Ele foi afastado da agência porque responde a vários processos. Uma pessoa assim não pode ter credibilidade para fazer denúncia contra ninguém”. Na ocasião do suposto pedido, Evangevaldo, ou Vange para os amigos, era o diretor financeiro da agência, especialmente interessante aos políticos por seu poder de autorizar ou proibir grandes empreendimentos. Ele ocupava o posto por indicação de Jovair, claro. Aliás, Evangevaldo sempre é o homem escolhido por Jovair para ocupar os cargos relevantes que lhe são disponibilizados. A Conab é o mais vistoso de todos, mas vários outros vieram antes. Como uma chefia do INSS em Goiás, de onde ele saiu debaixo de investigação da Polícia Federal. A partir da quebra de seu sigilo fiscal, os policiais concluíram que pelas contas de Evangevaldo passava mais dinheiro do que sua renda permitia - treze vezes mais. A investigação concluiu ainda que, depois que virou homem de confiança de Jovair, Vange teve uma estrondosa evolução patrimonial, também considerada incompatível com seus rendimentos. Nada, porém, que fosse suficiente para impedir que ele continuasse ocupando cargos públicos - ou que abalasse sua dobradinha com Jovair, o enrolado.

Por Reinaldo Azevedo

 

21/01/2012 às 6:45

Violência das manifestações, violência policial e violência jornalística. Ou: Escandalosa parcialidade

É… Governar São Paulo não é bolinho, né? Por aqui, maconheiros saem às ruas, em claro desafio à lei — é mentira que estivessem apenas se manifestando… —, fazem a apologia das drogas, são levemente reprimidos pela Polícia, e o caso vira um escândalo, ganha uma visibilidade imensa, as TVs deitam e rolam… A chamada “invasão da USP” — “invasores” eram os que ocupavam ilegalmente a Reitoria — rendeu tratados sobre a autonomia universitária, confundida com a soberania de alguns grupelhos que decidiram seqüestrá-la. A retomada da área conhecida como cracolândia mobilizou apologistas das drogas, esquerdistas, libertários os mais variados… A Secretaria Nacional de Direitos Humanos transformou-se em QG de resistência à ação…

Por que isso tudo?

Vi há pouco no Jornal Nacional que a Polícia Militar de Pernambuco reprimiu com energia — bala de borracha, bombas de gás, bombas de efeito moral, uns cassetetes — uma manifestação contra o reajuste da passagem de ônibus em Recife.

Huuummm…

Eduardo Campos, do PSB, governa Pernambuco em parceria com o PT, que está na Prefeitura de Recife. A PM pernambucana age como a piauiense, também gerida pela parceria PSB-PT, que também desceu o sarrafo na estudantada e pelo mesmo motivo. Hudson Christh Silva Teixeira, estudante de filosofia da UFPI (Universidade Federal do Piauí), ficou cego de um olho em razão de um estilhaço que o teria atingido, depois da explosão de uma bomba de efeito moral (aquelas que fazem barulho). Ninguém meteu o microfone na cara do governador Wilson Martins para que se explicasse.

O governador Geraldo Alckmin foi bombardeado pelos repórteres companheiros, embora ninguém tenha se machucado nem na USP nem na cracolândia. No Espírito Santo, governado por Renato Casagrande, igualmente do PSB em parceria com o PT, a PM enfrentou protestos idênticos e do mesmo modo.

ATENÇÃO!

Segundo andei lendo, os grupos contrários à elevação das tarifas estão recorrendo à violência. No caso do Piauí, ela é admitida pelos próprios promotores dos protestos. Não tenho elementos para avaliar se a polícia dos “companheiros socialista-petistas” exagerou ou não. O que sei é que não endosso atos violentos — tampouco uma polícia destrambelhada.

O meu ponto
O meu ponto é outro. Por que esses eventos interessam tão pouco às TVs. Por que interessam tão pouco aos jornais? Por que não costumam despertar nem a atenção da imprensa local? Imaginem… Um estudante que tivesse ficado cego de um olho no confronto com a PM de São Paulo, ainda que num acidente infeliz, levaria grupos de direitos humanos a denunciar o governo a entidades internacionais de direitos humanos. Maria do Rosário, a pressurosa, enviaria um representante do seu ministério para o estado.

Como se trata do governo dos companheiros, aí a imprensa trata o assunto com discrição, as tais entidades se calam (PORQUE QUASE TODAS SÃO FINANCIADAS PELO “PARTIDO”), e é como se nada tivesse acontecido.

Este não é um texto para denunciar a “violência policial” dos companheiros, não. Não sou irresponsável como os esquerdopatas. Antes de uma criteriosa avaliação, não julgo. Este é um texto para denunciar um esquema mental que faz inocentes e culpados segundo o partido a que pertencem, não segundo aquilo que fizeram ou deixaram de fazer.

As televisões e os jornais em particular têm de se perguntar por que uma “desinvasão” pacífica como a da USP, que não feriu uma só pessoa, seria mais importante do que um confronto que deixa um estudante cego de um olho; têm de se perguntar por que a ação destemperada de um único policial na universidade contra um invasor, que desrespeita a lei, merece uma reportagem em tom grave, que mobiliza até a OAB, e a pancadaria em três estados “companheiros” ganha um leve registro.

“E você, Reinaldo, também não varia seu juízo segundo o partido?” Eu não! Alguém me viu aqui condenar a PM desses três estados? Eu sou contra a violência de manifestantes e a violência policial em São Paulo, Pernambuco, Piauí, Espírito Santo…

E considero a indignação seletiva de parte da imprensa uma espécie de violência jornalística.

Texto originalmente publicado às 22h28 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

 

Clínicas para viciados são parte de nossa caridade; o verdadeiro trabalho de prevenção é a repressão ao tráfico e ao consumo

Aqui e ali, vejo tentativas de reproduzir ou sintetizar o que tenho escrito sobre a cracolândia e, mais genericamente, sobre as drogas — e a descriminação —, e constato sínteses absolutamente erradas. Acho que escrevo com razoável clareza. Mas o debate é mesmo complexo, e é grande o bombardeio de opiniões, informações e difamações. Tudo acaba na tal zona cinzenta. Vamos lá.

POLÍCIA PARA QUEM PRECISA
Eu não acho que a retomada do centro de São Paulo pelo Poder Público, devolvendo-o ao estado democrático e de direito, seja uma medida para combater o vício, socorrer os viciados ou liquidar com o tráfico de drogas. Eu considero que a retomada daquela área é apenas a retomada daquela área, a saber: o que é de todos não pode ser privatizado por um grupo que cultiva um hábito, um vício ou mesmo um conjunto de valores.

Se, amanhã, cinco mil apreciadores de Tubaína decidirem tomar um pedaço da cidade, hostilizando quem não é da grei, ameaçando, sitiando as pessoas em suas casas, emporcalhando a área, acho que a polícia tem de entrar em ação. A propósito: eu acho que nem mesmo os admiradores da Bíblia, da minha religião ou de qualquer outra, têm o direito de se impor, cerceando liberdades garantidas pela Constituição. Essa história de que drogado precisa de médico não de polícia é uma falácia, uma picaretagem. Para se livrar do vício, pode ser. Se ele estiver cerceando o direito de outros, precisa mesmo é de polícia, ora! Aliás, eu defendo que se faça o mesmo com quem estaciona seus carrões fora do local permitido. É preciso acabar com essa coisa estúpida, muito comum entre nós, de que “o público não é de ninguém”. É, sim! É de todos!

A REPRESSÃO E A PREVENÇÃO
Vocês sabem: sempre digo tudo, ainda que possa aborrecer. Mas há questões que me mobilizam mais e questões que me mobilizam menos.  Atenção para os passos seguintes.

Sou contrário — e não entrarei no mérito neste texto porque há dezenas neste blog a respeito — à descriminação das drogas. O crack, aliás, é o argumento “quase-vivo” de por que não. Acho que cabe ao estado reprimir, com dureza máxima, o tráfico de drogas e, sim, as, sei lá como chamar, “cidades dos viciados”, espetáculos deprimentes de crueldade. Traficar e consumir drogas devem ser atividades malvistas pela sociedade. Não há um só motivo para que o Poder Público seja um facilitador de uma coisa ou de outra. Mas atenção! Eu não sou exatamente um crente na estratégia da medicalização, não!

INÚTIL MEDICALIZAÇÃO
O que quero dizer com isso? As sociedades não vão se livrar de todos os seus viciados. Desde que o mundo é mundo, eles nos assombram. Na Bíblia, não há exemplos de comunidades reunidas para cultivar ou celebrar uma substância, mas Sodoma e Gomorra já são exemplos de uma organização contra os costumes, não? Sempre houve; sempre haverá! A melhor prevenção que se pode fazer — além, claro!, da educação (sem superestimá-la) — é criar dificuldades para que a droga chegue ao consumidor; vale dizer: é mesmo a repressão. Acreditar que vamos nos livrar de nossos viciados espalhando clínicas país afora é, se querem saber, uma ilusão. Não vamos, não!

Mas não darei este murro em ponta de faca. Dou muitos outros; este não! E digo por quê. Há, sim, a possibilidade de se curarem uns tantos gatos pingados nesse esforço. Sou cristão. Uma vida humana, qualquer uma, já me é muito cara. Se um homem se salvar, rejubilo-me. Como escolha de política pública, no entanto, trata-se de custeio, não de investimento. Vivemos dias em que se acredita que só os loucos e os doentes fazem escolhas erradas. Não é verdade! Convém que a gente lide com a hipótese de que muita gente só sabe viver daquele modo, experimentando aquele limite!

Qual seria a minha escolha? Reitero: reprimir o tráfico e deixar claro que nem viciados em crack nem viciados em tubaína imporão a sua (in)disciplina a terceiros. Garantido isso, que cada um viva segundo a sua escolha até o limite em que não passe a ser uma ameaça pública. O suicídio é uma abominação, mas nenhum estado é tão abominável a ponto de proibi-lo… Caso se leve mesmo a sério a proposta de espalhar clínicas país afora (duvido um pouco), veremos o óbvio: muito dinheiro será torrado, e o resultado será pífio. Sim, é verdade: neste momento, milhões de pessoas se entopem de barbitúricos, analgésicos etc. É uma forma do vício. Só que seus usuários não saem por aí ameaçando pessoas. “Ah, é só porque é legal!” Mentira! O crack não era (ou não é) reprimido nas cracolândias, e a gente viu no que se transforma aquilo.

Essas clínicas, como política pública contra as drogas, serão inúteis, e ainda há o risco — fiquemos atentos! — de estimular o consumo, sugerindo que há uma “cura” para o mal. Mais: a seguir a cartilha do Ministério Público, o viciado fura a fila até para conseguir uma moradia financiada pelo Estado. Pretende-se estupidamente que a droga encurte o caminho para benefícios sociais, o que é um acinte à inteligência. Volto à questão daqui a pouco, ao tratar das internações forçadas.

OS LIMITES DA EDUCAÇÃO
Muito se fala também de um trabalho amplo de “educação” contra o crack. É… Olhem aqui: fosse esse um fator realmente decisivo, não haveria mais transmissão do vírus da AIDS pela via sexual — aconteceria, eventualmente, em rincões de desinformação, e olhem lá! E, no entanto, a contaminação continua grande. Falta informação? Não! Falta conhecer os riscos? Não! Falta camisinha? Não! Não há política pública eficaz, lamento escrever, contra “o tesão de correr riscos”. Ora, bem pouca gente ignora os efeitos deletérios das drogas ou o perigo do sexo sem proteção. Não se inventou prevenção maior contra uma coisa e outra do que cultivar valores que sejam hostis a um e a outro.

E, nesse caso, cometem-se, com freqüência, verdadeiros crimes morais e educacionais. Lembro-me, por exemplo, de uma propaganda na TV contra AIDS que mostrava um grupo numa festa animada e tal. Corte! O rapaz dá um pulo de susto na cama, olha do lado, vê um desconhecido, apavora-se, mas relaxa ao ver o invólucro aberto de uma camisinha no criado-mudo. Isso é campanha contra AIDS? Não! Isso é uma campanha a favor! O VALOR que afasta a AIDS é o sexo responsável. A camisinha é só a barreira física. No caso, responsabilidade não havia. O sujeito nem mesmo tinha memória da transa.

Finalmente, trato das internações forçadas. Quando já não conseguem mais encontrar uma resposta, as famílias têm recorrido a esse expediente. Mas há, sim, casos em que o viciado já rompeu também esse vínculo — não raro, acometido de moléstias mentais as mais variadas. Como sociedade, podemos — e acho que devemos — retirá-los das ruas e procurar tratá-los. Mas é só uma medida de segurança e de caráter humanitário, não necessariamente para acabar com vício. Se ocorrer, muito bem — mas não sou exatamente um otimista nessa matéria, já disse. Creio que é preciso fazê-lo para que deixem de ser uma ameaça pública e para que possam receber um tratamento digno. Quanto estaremos dispostos a investir nisso?

CONCLUINDO
Considero as eventuais clínicas e centros de recuperação públicos, quando e se os houver em número significativo, uma expressão da CARIDADE, não de uma política de combate às drogas. A educação deve cuidar da informação. Em tese ao menos, quanto mais se sabe sobre um assunto, melhor é a escolha. Mas nenhum trabalho do estado é tão importante quanto a repressão ao tráfico e, sim!, ao consumo. Não será com o estado-babá que se vai manter a questão sob controle. A cada vez que alguém é flagrado com droga — ainda que apenas para seu consumo —, sem que isso gere alguma conseqüência ou obrigação junto ao estado, há um pequeno investimento no caos social e na calamidade. Nessa matéria, a verdadeira prevenção é a repressão eficaz.

Podemos — e até devemos — criar as tais clínicas como expressão da nossa caridade. Mas não podemos ser generosos com o vício. Vender droga será sempre um bom negócio, e é preciso meter em cana os traficantes. Mas consumi-la tem de ser um mau negócio. Cuidemos, sim, de nossos doentes. Mas não podemos e não devemos ser tolerantes com os viciados em transgredir as regras  e, pior, recompensá-los por isso.

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:25

D. Odilo, este sim, fala pela Igreja de Deus, que preza os homens!

Na Folha:
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, disse que a operação desencadeada na cracolândia neste início de ano é um “presente” para a cidade. Ele considerou como necessária a intervenção da Polícia Militar.

“Eu fico feliz que, neste ano, o aniversário da cidade possa ser coligado com este fato, com este presente à cidade”, disse. “Que o aniversário de 2012 possa ficar marcado por essa intervenção numa ferida. Nunca uma intervenção numa ferida é indolor, mas que seja para sua cura, para sua superação.” São Paulo completa 458 anos na quarta-feira que vem.

O religioso visitou ontem as obras do Complexo Prates, centro que atenderá dependentes, ao lado do prefeito Gilberto Kassab (PSD).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:21

Petralhas acham que eu é que tenho de explicar eventual aliança de Kassab com o PT? Eu??? Ora, eles é que devem explicações!!!

Petistas, em especial na sua versão petralha, são mesmo seres muito especiais. Se lógica fosse grama, eles seriam carnívoros. Como não é, os herbívoros se fartam, mas não conseguem, por óbvio, ficar mais inteligentes. O comando do partido, para o bem e para o mal, não reflete, acreditem, a estupidez da base. É “para o bem” porque seria temerário ter no poder tal grau de idiotia política. É “para o mal” porque o comando é mais “esperto” do que muitos admitem. Muito bem!

Os herbívoros estão assanhadíssimos. Enviam-me comentários às pencas com questões como as que seguem:
“E aí, Reinaldo, como é que você vê o Kassab querendo se juntar aos petistas? Você o defendeu tanto; não se sente traído? Como você explica que o prefeito esteja mudando de lado?”
E não poderiam faltar as onomatopéias em que cacarejam, relincham, guincham, zurram, grunhem, latem, grasnam: “quá-quá-quá, oinc-oinc, hauahdshshha…” — e por aí afora.

Kassab faça o que quiser, ora essa! O que eu tenho com isso? Eu defendi, sim, a sua gestão quando achei que era o caso de defender. E apontei algumas perseguições que eram fruto do mais escancarado preconceito ideológico de setores da imprensa. O que escrevi, como sempre, está em arquivo. Dito isso, adiante!

Ele que se explique com a opinião pública e com o eleitorado se fizer mesmo um acordo com o PT. E os petistas que façam o mesmo, já que passaram boa parte de seus cinco anos de mandato tentando sabotar a administração. Eu não tenho de explicar coisa nenhuma! Fui eu que decidi piscar para o PT, por acaso? Estou onde sempre estive: quando gosto aplaudo; quando não gosto, vaio. Eu é que tenho de fazer perguntas.

Então pergunto aos petistas, em especial aos petralhas:
CASO KASSAB SE JUNTE MESMO AO PT, QUAL A ALTERNATIVA CORRETA?
a: ele era bom, e vocês não percebiam;
b: você percebiam que era bom, mas o atacavam mesmo assim porque sempre sabotam quem não é da turma;
c: ele só começou a fica bom quando decidiu se juntar ao PT.

No episódio mais recente, o da cracolândia, por exemplo — atuação conjunta entre Prefeitura e governo do Estado —, eu, mais uma vez, não preciso explicar nada. Defendo que se faça o que está sendo feito há pelo menos 15 anos! Os petistas é que decidiram, a exemplo de Fernando Haddad, atacar as medidas. Caso estejam todos juntos na disputa, dirão o quê? O candidato a prefeito do PT continuaria a ser um crítico feroz da ação das administrações municipal e estadual (porque, afinal, é de esquerda), e o representante de Kassab na aliança iria defendê-la (porque, afinal, é de centro)?

Eu, definitivamente, não tenho nada a explicar. Continuarei a fazer o de sempre: quando gosto, aplaudo; quando não gosto, vaio.

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:19

Setores à esquerda do partido em SP não aceitam negociação entre o prefeito, do PSD, e os líderes petistas em torno da eleição na capital

Por Fernando Gallo e Roldão Arruda, no Estadão:
Preocupados com a aproximação do PSD atrás de uma possível composição nas eleições municipais, setores da base do PT-SP criticam a direção petista pela abertura das negociações e integrantes de tendências de esquerda até ameaçam deixar a legenda caso o acordo com a sigla dirigida pelo prefeito Gilberto Kassab prospere.

“Não admito acordo com esse prefeito e seu partido. Sou membro-fundador do PT e, caso isso ocorra, vou rasgar minha carteirinha e desfazer minha filiação”, afirma Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, vice-presidente da Central dos Movimentos Populares. “Não posso aceitar acordos espúrios da direção do partido sem consultar a base.”

Gegê afirma que vai defender o voto nulo se a aliança com o PSD se concretizar. “Vamos perder a eleição sem o apoio dele? Não importa. Prefiro perder conscientemente a ganhar e não governar. O PT já perdeu muito de seu projeto original por conta desse tipo de acordo.”

As tensões na base petista têm origem na desgastada relação entre a atual administração e os movimentos populares de moradia e saúde.

Em 16 de julho do ano passado, em reunião que contou com cerca de 450 filiados, o setorial de habitação do PT-SP decidiu declarar Kassab “inimigo número 1 dos movimentos de habitação e dos sem-teto em São Paulo” e “recomendar ao PT em todas as suas instâncias que não realize nenhum tipo de aliança com este prefeito”. O documento elaborado falava ainda em “encaminhar uma agenda de lutas para tirar este prefeito nefasto e seus aliados da prefeitura”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:17

Dilma é considerada ótima ou boa por 59% após um ano, diz Datafolha. E daí?

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
A presidente Dilma Rousseff atingiu no fim do primeiro ano de seu governo um índice de aprovação recorde, maior que o alcançado nesse estágio por todos os presidentes que a antecederam desde a volta das eleições diretas. Pesquisa Datafolha realizada na última semana mostra que 59% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa — um salto de 10 pontos percentuais em seis meses. Outros 33% classificam a gestão como regular, e 6% como ruim ou péssima — cinco pontos a menos que na pesquisa de agosto. Não responderam 2% dos entrevistados. A nota média do governo é 7,2. Os números atestam que a presidente não teve a imagem afetada pelos escândalos que marcaram o início de sua gestão. Ela demitiu sete ministros em 2011, seis deles sob suspeita de corrupção.

Ao completar um ano no Planalto, Fernando Collor tinha 23% de aprovação. Itamar Franco contava 12%. Fernando Henrique Cardoso teve 41% no primeiro mandato e 16% no segundo. Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 42% e 50%, respectivamente. De acordo com o novo levantamento, a avaliação de Dilma melhorou entre homens e mulheres e em todas as faixas de idade, renda familiar e escolaridade. Sua aprovação agora é de 62% no eleitorado feminino e de 56% no masculino.

A presidente alcançou um equilíbrio entre os eleitores da base e do topo da pirâmide social. Tem 61% de ótimo e bom entre os que estudaram até o ensino fundamental e 59% entre os que chegaram ao ensino superior. Na divisão por renda familiar, o maior avanço foi na faixa de cinco a dez salários mínimos: 16 pontos de melhora, atingindo 61% de aprovação. Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, a chave para entender a evolução dos números nos últimos meses está na economia.
(…)
A fatia de entrevistados que acredita que sua situação econômica vai melhorar subiu de 54% em junho passado para 60% neste mês. O otimismo sobre a economia do país foi de 42% para 46% no período. Em 2011, a inflação chegou a 6,5%, a maior em sete anos. A alta de preços atingiu o pico em setembro, mas agora segue tendência de queda. A imagem pessoal de Dilma também melhorou. Ela é considerada “decidida” por 72% dos brasileiros. Para 80%, ela é “muito inteligente”, e para 70%, “sincera”.
(…)

Comento
Os índices são formidáveis para presidente que teve de demitir seis ministros sob suspeita de corrupção — e só não demitiu mais porque achou que tinha capital político, e tem, para não arrumar mais confusão na base aliada. A economia deu uma discreta piorada para o consumidor na comparação com Lula, mas nada que assuste. Continua fortemente ancorada no consumo, e a percepção é a de que tudo vai bem.

A oposição, como discurso alternativo, neste primeiro ano de governo Dilma, mal existiu. Procurou repercutir denúncias feitas pela imprensa e coisa e tal, mas é preciso bem mais do que isso. Se, no passado, não soube cuidar dos seus acertos, hoje, não consegue cuidar dos erros do governo. É claro que há exceções, como, para citar um, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sempre muito atento.

Dilma deu a sua grande tacada quando se livrou da primeira leva de ministros-problema. É bem verdade que amplos setores da imprensa colaboraram, alimentando a imagem da presidente decidida, que é ombudsman do próprio governo. Ela é tratada como a gerente durona da máquina — 72% a consideram “decidida”.  A presidente não cumpriu, nem minimamente, as promessas feitas para o primeiro ano. E daí?

Anteontem, lemos nos jornais que Dilma, vejam vocês, se opõe a cortes no Orçamento que atinjam áreas sociais ou que acabem refletindo no consumo e no emprego. Tem-se a imagem da mulher destemida que luta por nós “lá junto aos homens”. É a nossa protetora. Assim como nos protegeu ao demitir aqueles seis — que ela havia nomeado. É evidente que essas construções têm menos chances de prosperar quando encontram pela frente um discurso organizado de combate a mitos e mitologias. Mas não há nada parecido.

Concorre, finalmente, para essa avaliação positiva em setores onde o próprio Lula nunca conseguiu avaliação tão expressiva o fato de a presidente ter escolhido o figurino da sobriedade — há o risco de escorregões em período eleitoral, vamos ver. Os mais exigentes nunca tiveram muita paciência para as bazófias de Lula. Dilma optou pelo caminho da discrição. Fala pouco e conseguiu plasmar a imagem de que está sempre muito ocupada, cuidando do Brasil.

De fato, seu governo é lento, fraco. Mas só 6% acham isso, e, para um político, é o que importa. A menos que a crise internacional dê um tombo na economia brasileira — e não há essa perspectiva — ou que venha à luz um escândalo avassalador (ainda existe?), caminha para a reeleição (sim, sei que é cedo e coisa e tal). Ora, perguntem-se: quem lidera o contraponto no país, tornando audível a sua voz?

Encerro lembrando que, se Dilma tivesse dado bola àquele bando de puxa-sacos pagos com dinheiro público, teria mantido no governo todos os suspeitos. Preferiu, ao contrário, atentar para o que informa a imprensa séria, que aqueles vagabundos chamam de “golpista”. Ao fazê-lo, captou um sentimento que a canalha a soldo já não reconhece: indignação. Fez algumas demissões e consolidou a sua imagem de durona e austera. Esse foi o seu maior acerto até agora. O resto é pífio. “E daí?”, pergunta o petralha. “Você está nos 6%, Reinaldo!” Claro que sim! Numa democracia se tolera a crítica da minoria, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:15

Obras de irrigação inacabadas no clã Coelho põem em xeque parceria privada

Por Marta Salomon, no Estadão:

Cabras vagueiam ao longo da obra inacabada do Perímetro de Irrigação Pontal, em Petrolina (PE), em meio aos carros-pipa que levam água de canais que nada irrigam para comunidades do semiárido. Perto dali, no reduto político da família de Fernando Bezerra Coelho, funciona o maior projeto de irrigação do País, o Nilo Coelho - nome de um tio do ministro da Integração Nacional -, que produz mangas e uvas para exportação.

Os dois perímetros já consumiram R$ 1,1 bilhão em verbas públicas, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). O governo prevê investimentos de mais R$ 160 milhões no Pontal e no Nilo Coelho até 2015, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento. Mais importante: os dois estão em primeiro lugar no plano do governo de busca de parceiros privados para levar adiante os projetos de irrigação do País, cuja sustentabilidade está posta em xeque, segundo constatou o Estado em visita à região.

Para produtores e potenciais investidores, a emancipação dos perímetros é possibilidade remota. O tema estará na pauta da reunião ministerial de amanhã com a presidente Dilma Rousseff.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:13

Canal exclusivo leva água até fazenda de irmão do ministro

No Estadão:
Duas placas, uma apontando a concessão de incentivos fiscais do Ministério da Integração Nacional, e outra, com o nome da empresa UPA - Umbuzeiro Produções Agrícolas Ltda., marcam a entrada da fazenda de propriedade de Caio Coelho, irmão do ministro Fernando Bezerra Coelho, no Perímetro de Irrigação Nilo Coelho. O principal aspecto na cena, no entanto, é o canal exclusivo de irrigação que serve a fazenda, com a entrada protegida pelo porteiro Valberto Silva.

“Nenhum canal é exclusivo de uma propriedade, mas neste trecho do perímetro de irrigação só tem ela”, explica Paulo Sales, gerente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho, empresa privada sem fins lucrativos que administra a área. “O canal secundário faz parte do projeto, foi sorte ele ter comprado aquela área”, completa Sales.

Além do canal exclusivo, a propriedade da UPA guarda uma das 39 estações de bombeamento de água do Nilo Coelho. Mas isso não representa nenhum tipo de vantagem, alega Caio Coelho, por escrito. “A UPA Agrícola apenas utiliza e paga pela água necessária à irrigação do seu plantio.”

A irrigação do Vale do Rio São Francisco é, para Caio, “sem a menor dúvida, o melhor investimento público nos últimos anos no Brasil”. O investimento é comandado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), presidida interinamente pelo irmão Clementino Coelho até 12 dias atrás, e subordinada desde o ano passado a outro irmão, o ministro.

A UPA começou a funcionar um ano depois do início de operação do Perímetro Nilo Coelho, segundo documentos da Junta Comercial. Na eleição de 2010, a empresa de produção de mangas doou R$ 100 mil para a campanha de deputado de Fernando Coelho Filho, sobrinho de Caio e filho do ministro da Integração. Outra empresa registrada no nome de Caio, a Transportadora Grande Rio, doou mais R$ 80 mil. Caio Coelho conta o início da produção de mangas para exportação no perímetro Nilo Coelho em 1996. A área de produção irrigada é de 2,2 quilômetros quadrados ou 220 hectares. O empresário diz que o custo de produção é de R$ 15 mil por hectare a cada mês, e que o gasto com água representa 10% desse valor.

Desigualdade. Para os pequenos produtores do Nilo Coelho, a conta é pesada. Os irmãos Jonas e Juvenal Idelfonso de Souza chegam a pagar até R$ 1.200 pela água consumida do cultivo de acerola, comprada por uma empresa japonesa para exportação de polpa ou concentrado da fruta, insumo na fabricação de vitamina C. “A maioria dos pequenos está aqui para viver, a gente paga mesmo quando chove, e a conta bancária está no vermelho há três anos”, conta Jonas, há 26 anos no Nilo Coelho. “Não é essa boniteza toda que mostram”, completa ele. Na contabilidade de Caio Coelho, o custo de produção só é viável quando a produtividade é “alta”.

Por Reinaldo Azevedo

 

22/01/2012 às 6:11

Gingrich vence na Carolina do Sul e embola prévias do Partido Republicano

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
O ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich venceu ontem as primárias republicanas do Estado da Carolina do Sul e embolou a disputa pela vaga de candidato do partido, que concorrerá contra o presidente Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro.

A votação na Carolina do Sul terminou ontem às 19h (22h de Brasília). Antes mesmo de a apuração começar, no entanto, as principais redes de TV dos EUA, como CBS, CNN e ABC News e Fox News, já anunciavam a vitória de Gingrich com base em projeções demográficas e pesquisas de boca de urna.

Segundo estimativas, o ex-presidente da Câmara dos Representantes venceu com cerca de 38% dos votos. Em segundo ficou o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, com uma votação prevista de 29%. Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, com aproximadamente 17% dos votos, deve garantir a terceira posição. O deputado Ron Paul, de acordo com projeções, obteria 13% dos votos. A apuração oficial só seria concluída na madrugada de hoje.

Em três primárias realizadas, os republicanos tiveram um vencedor em cada. Em Iowa, com a retificação dos resultados, que ocorreu na quinta-feira, Santorum terminou na frente. Em New Hampshire, Romney venceu. Agora, na Carolina do Sul, deu Gingrich. A próxima disputa será na Flórida, no dia 21, onde Romney é favorito, de acordo com sondagens - ele lidera com cerca de 30 pontos porcentuais à frente dos rivais.

Crescimento. A vitória de Gingrich, no entanto, deu-lhe um novo fôlego e deve acirrar a disputa na Flórida. A arrancada na Carolina do Sul veio em razão do grande apoio que ele recebeu de nos últimos dias de setores conservadores do Partido Republicano - há uma semana, ele chegou a ficar cerca de 10 pontos porcentuais atrás de Romney.

A primeira ajuda veio de Sarah Palin, musa do movimento ultraconservador Tea Party e ex-candidata a vice-presidente dos EUA em 2008. Na quarta-feira, ela declarou que se votasse na Carolina do Sul, votaria em Gingrich. No dia seguinte, o governador do Texas, Rick Perry, que até então disputava a nomeação do partido, desistiu e anunciou que também apoiava Gingrich.

A constituição demográfica estadual o favoreceu. O reduto político de Gingrich é o Estado vizinho da Geórgia, que também faz parte do chamado “Sul Profundo” dos Estados Unidos. A Carolina do Sul é majoritariamente branca e conservadora. Romney, um moderado, teve dificuldades para se manter à frente, especialmente após os ataques de Gingrich.

Críticas a Romney. Em anúncios de TV, o ex-presidente da Câmara dos Representantes questionou a vocação conservadora de Romney e tentou associá-lo à imagem de destruidor de empregos nos EUA, além de qualificá-lo como um sonegador de impostos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

21/01/2012 às 20:02

O que diz um leitor envolvido com a feitura do Enem: FALTAM QUESTÕES NO BANCO!

Recebo a seguinte mensagem de um leitor envolvido com o Enem:

Reinaldo,
Sou revisor de questões do Enem (BNI - Banco Nacional de Itens) e solicito anonimato por razões óbvias. A decisão do Ministério Público do Ceará, na verdade, livrou a cara do INEP de mais uma vergonha! O exame não seria realizado de uma forma ou de outra, pois não há, no Banco, um suficiente número de questões para fazer dois exames anuais. Isso elevaria o risco de se repetirem os fatos do Ceará, isto é, que questões pré-testadas caíssem nos exames. Portanto, é cascata que o cancelamento se deva à ação do Ministério Público do Ceará.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fernando Haddad começa bem: a verdade está de um lado, e ele, de outro. Ou: Pré-candidato tenta fazer blindagem prévia

Ontem vimos mais um pepelão de Fernando Haddad no Enem: foi obrigado a cancelar uma segunda jornada do Enem, rasgando portaria que ele próprio assinara. E ainda tentou culpar os outros. Posts abaixo, escrevo sobre o caso.

O já pré-candidato do PT à Prefeitura concedeu uma entrevista a Vera Rosa e Lisandra Paraguassu, no Estadão. Abaixo, publico trechos em vermelho e comento em azul.

(…)
O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo (PSDB), considerou “apavorante” sua idéia de reinventar São Paulo e foi irônico ao afirmar que nem pode imaginar o sr. usando na cidade a mesma técnica aplicada no Enem. Como o sr. responde a isso? 
Graças ao Enem, nós vamos conceder, na segunda-feira, a milionésima bolsa a alunos da escola pública pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Estamos promovendo a maior inclusão na educação superior da história do País. Eu não pretendo responder a agressões pessoais. A campanha de 2010 deve nos servir de lição para afastar a deselegância e o mau gosto. 
O sr. não teme ser conhecido como o candidato dos erros do Enem?
Pode ser que seja essa a linha dos nossos adversários. Há uma tentativa de desgastar um projeto que tem 80%, 90% de aprovação, como o Enem. Da mesma maneira que tentaram macular o Bolsa Família, o PAC, o ProUni, vão tentar macular o Enem. Agora, não há no mundo um exame nacional do ensino médio que não passe pelos problemas que enfrentamos aqui. As tentativas de fraude foram abortadas pela Polícia Federal. Na China houve problemas, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França. 

Vamos ver. A “oposição” a que ele se refere não teria por que “desgastar” o Enem já que foi ela que o criou. Ao fazer essa afirmação, Haddad finge que o exame é uma invenção do PT. O mesmo se diga do Bolsa Família. Quem chamava as bolsas de “esmola” era Lula. Quem garantia que as pessoas beneficiadas se tornavam preguiçosas e deixavam de “plantar macaxeira” era Lula.

Quanto ao PAC, lembre-se: já havia no governo FHC o núcleo de obras prioritárias. Dar nome a um ajuntamento de projetos é mera medida burocrática. E o ProUni? Está acima de qualquer avaliação? Não seja ridículo, candidato! Um dia saberemos direito os números dessa fabulosa máquina de repassar recursos públicos para mantenedoras privadas. Numa República, tudo é passível de crítica. Demonizá-la é coisa de gente autoritária.
(…)
Sua idéia é fazer um pacto de não agressão com os partidos aliados do governo Dilma?
Não preciso fazer pacto com ninguém. Eu não vou oferecer a São Paulo o espetáculo de difamação promovido em 2010 pelo PSDB. Destruir a reputação das pessoas não é minha prática, nunca foi. Por mais ataques pessoais que eu tenha recebido, não devolverei. 

O homem segue a máxima de atribuir a terceiros os métodos que conhece muito bem. Em 2010, houve, sim, tentativa de promover um espetáculo de difamação, e seus promotores foram os petistas, que tinham criado, mais uma vez, um bunker para produzir dossiês contra adversários. Eu desafio o petistaa a apontar uma só difamação contra Dilma. A que ele está se referindo?

À questão do aborto, por exemplo? Os tucanos não tiveram nada a ver com aquilo. Foi uma reação espontânea de igrejas cristãs. De resto, Dilma era mesmo favorável à legalização do aborto e já tinha deixado isso muito claro.

Criticar a sua incompetência no Enem é agora “ataque pessoal”? Na segunda, o governo usa a máquina pública para lançar oficialmente a campanha de Haddad. Seus feitos serão elogiados pela presidente — e deve haver ampla repercussão na imprensa. Certamente serão exaltados os supostos dotes do ministro. Deixem-me ver se entendi o ponto de vista do bruto: usar a sua experiência para ganhar votos é coisa de gente decente; usar essa mesma experiência par criticá-lo seria ataque pessoal. Eis Haddad. Esse é o político que considerou Stálin melhor do que Hitler porque, ao menos, lia livros antes de matar seus adversários… Prestem atenção ao que vem agora.

O julgamento dos réus do mensalão, previsto para este ano, pode atrapalhar sua campanha? 
Não acredito nisso. Hoje, as instituições funcionam livremente para apurar responsabilidades e dosar a pena de acordo com o erro cometido. Há denúncias para todo lado. Não gosto da expressão mensalão, mas tem o julgamento do mensalão do PSDB em Minas, do DEM no Distrito Federal. Não sei se haverá apuração dessas recentes denúncias sobre o processo de privatização, se o Ministério Público se envolverá nisso…

Viram? Gugu-dadá não gosta da expressão “mensalão”, mas ele próprio fala do “mensalão do PSDB” e do “mensalão do DEM”. Ele acha que a expressão é descabida para o… PT. E se refere às “recentes denúncias sobre o processo de privatização”, aquelê amontoado de calúnias que vem do chiqueiro dos difamadores, mobilizados justamente no período eleitoral. Ao tentar emprestar seriedade àquele lixo, Haddad revela, definitivamente, o seu real caráter. É inequivocamente um deles. E dos piores. Porque gosta de fingir ser outra coisa.

Por Reinaldo Azevedo

 

21/01/2012 às 6:41

Pressão dos juízes ressuscita auxílio para alimentação: conta é de R$ 82 milhões

Por Felipe Recondo, no Estadão:
O Tesouro vai gastar R$ 82 milhões de uma só vez com auxílio-alimentação para juízes federais e do Trabalho. O valor é referente a um longo período, desde 2004, quando a toga perdeu o benefício que nunca deixou de ser concedido a procuradores do Ministério Público Federal e à advocacia pública.

Ainda não há previsão orçamentária para o desembolso, mas os juízes pressionam pelo recebimento do que consideram direito constitucional. Eles repudiam que o “plus” seja privilégio. Estão na fila cerca de 1,8 mil juízes federais e 2,5 mil do trabalho.

O auxílio foi cortado há sete anos por decisão da cúpula do próprio Judiciário federal. Mas, em junho de 2011, acolhendo pleito das entidades de classe dos magistrados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Resolução 133, por meio da qual devolveu o bônus à classe.

Subscrita pelo presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, também presidente do Supremo Tribunal Federal, a resolução anota que “a concessão de vantagens às carreiras assemelhadas induz a patente discriminação, contraria ao preceito constitucional e ocasiona desequilíbrio entre as carreiras de Estado”. Peluso, porém, votou contra o benefício no CNJ. Subscreve a resolução por presidir o órgão.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

21/01/2012 às 6:39

Greve de fome causa morte de preso político e revolta dissidentes em Cuba

Por Guilherme Russo, no Estadão:

O preso político cubano Wilman Villar Mendoza, de 31 anos, morreu em um hospital de Santiago de Cuba na tarde da quinta-feira, sob a custódia do governo da ilha, durante uma greve de fome que fazia para protestar contra sua condenação. Ontem, enquanto o dissidente era velado, ONGs cubanas denunciaram uma nova onda de detenções, que impedia o funeral de se transformar numa manifestação.

Integrante da União Patriótica de Cuba (Unpacu), entidade que desde agosto busca reunir a dissidência nas províncias orientais do país, Villar cumpria 4 anos de prisão - condenado por “resistência, desacato e atentado” - na penitenciária de Aguaderos, segundo José Daniel Ferrer, o líder da Unpacu, relatou ao Estado.

Ferrer afirmou que Villar começou a greve de fome assim que foi condenado, em 24 de novembro. “Dez dias antes, ele tinha sido preso enquanto distribuía folhetos em Contramaestre. Na delegacia, disseram que se ele deixasse a dissidência, nada mais ocorreria. Mas ele não aceitou a oferta.”

Na prisão, considerada de “segurança máxima” pelos dissidentes cubanos, o estado de saúde de Villar deteriorou-se. Ferrer afirmou que “carcereiros enganadores” prometeram que ele seria libertado juntamente com outros opositores, caso suspendesse a greve de fome e, “no dia 23 (de dezembro), ele voltou a ingerir alimentos líquidos”. Nesse período, a mulher de Villar, Maritza Pelegrino Cabrales - integrante do grupo Damas de Branco -, organizou ao menos dois protestos diante da penitenciária, segundo Ferrer.

No dia 29, ao dar-se conta de que não ganharia a liberdade, Villar retomou o jejum, de acordo com o relato. Ferrer disse que os carcereiros de Aguaderos, dessa vez, puniram o protesto do ativista preso com o confinamento solitário. “Os guardas despem os detentos e os colocam nas celas de castigo, com ratos e baratas, para que o frio e a insalubridade os obrigue a parar com os protestos.”

Segundo Ferrer, a umidade e a baixa temperatura provocaram uma pneumonia em Villar, que evoluiu para uma infecção generalizada, em razão de seu estado de saúde já deteriorado pelo jejum. No dia 13, o dissidente preso foi levado ao hospital onde morreu, de acordo com o relato.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 21:24

Fernando Haddad, o mistificador, cancela uma das jornadas do Enem e evidencia uma mentira

É estupendo!

Foi Fernando Haddad, ele próprio, quem assinou uma portaria determinando a realização de duas jornadas do Enem neste ano. A primeira estava prevista para abril. Ocorre que, como já está claro, o governo não conseguiu se organizar para realizar nem a jornada única. Devemos a Haddad, este gigante da educação, a consideração de que é impossível até mesmo garantir o sigilo da prova.

Depois que vieram a público o baguncismo e a falta de critérios dos avaliadores — 129 estudantes já tiveram a sua pontuação alterada —, o Ministério Público recorreu à Justiça para que todos os estudantes tenham acesso à correção.

Muito bem! Antes mesmo que essa possibilidade existisse, o MEC discutia possibilidade de cancelar a segunda jornada do Enem. Tanto é assim que o ministério, ficou claro hoje, já estava consultando diversas entidades, inclusive privadas, envolvidas com a feitura dos exames. E elas foram unânimes no diagnóstico: a portaria assinada por Haddad não poderia ser cumprida porque o MEC não está preparado para fazer o exame duas vezes por ano.

Para que Aloizio Mercadante não fosse obrigado a “revogar” (ooopppsss!!!) a portaria, Haddad se encarregou de fazê-lo. Só haverá Enem em novembro. Logo, é mentirosa a história de que só tomou essa decisão por causa da possibilidade de a Justiça determinar que todos os estudantes tenham acesso à correção das redações.

HADDAD TENTOU TRANSFERIR OS FRUTOS DE SUA INCOMPETÊNCIA PARA OMBROS ALHEIOS.

Mas, vocês sabem, o homem que escreveu um livro sobre as virtudes do socialismo soviético pouco antes do sistema desabar é mesmo incorrigível. Ele, como sempre, preferiu fugir dos esclarecimentos e botou a assessoria para explicar a decisão. Mas explicar o quê? Restou uma saída, vamos dizer, literária. O pedido do Ministério Público teria criado um “ambiente de tumulto” que estaria dificultando a realização do segundo exame.

Confrontar Haddad com suas responsabilidades não é uma tarefa nem fácil nem difícil. É só uma tarefa inútil.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 20:36

O leitor pode desativar recurso de que não gosta

Caros, alguns leitores estão reclamando daqueles links que aparecem no pé da página remetendo a textos sobre os mais variados assuntos da VEJA Online. Não há por quê. Reparem (canto direito da faixa preta) que o recurso tanto pode ser ampliado como pode ser minimizado — nesse caso, as sugestões não aparecem.

Em suma: os que não gostam do recurso têm como desativá-lo.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 20:08

Assim caminha a humanidade. Obama, o rei do stand-up com charme, canta e encanta. O presidente é medíocre, mas o comunicador…

Assim caminha a humanidade. Obama, o rei do stand-up com molejo, canta e encanta….

Vejam isto:

Obama estrelou ontem um ato em favor de sua reeleição no Apollo Theater, em Nova York. Em cena transmitida ao vivo pela CNN, cantou um trecho de “Let’s Stay Together”, sucesso de Al Green na década de 70. Green, conhecido como “reverendo” em razão da conversão religiosa (comprou uma igreja) estava presente e havia aberto o evento.

Falando diretamente a seus assessores, Obama brincou: “Those guys didn’t think I would do it. I told you I was gonna do it.” Ou: “Aqueles caras não achavam que eu fosse fazer isso. Eu falei pra vocês que eu faria.” Tudo de improviso, como se vê… Referindo-se a Green, emendou: “Don’t worry Rev, I cannot sing like you, but I just wanted to show my appreciation.” “Não se preocupe, reverendo, eu não posso cantar como você; só queria demonstrar minha gratidão”.

Tudo ao vivo, na CNN.

É… Confronto isso com o ataque de fúria que teve Newt Gingrich na mesma emissora e no mesmo dia quando indagado sobre suposta proposta de “casamento aberto” que teria feito à ex-mulher: “Acho que a natureza perturbadora, maldosa e negativa da imprensa dificulta governar este país”. Imaginem o que poderia resultar do confronto entre Obama e alguém que diz que a imprensa dificulta a governança.

Não estou confrontando conteúdos, não. Estou tratando da guerra de imagens. Obama é um presidente medíocre. Mas continua a ser um comunicador sem igual. O modo como mescla ousadia e fingida timidez nessa pequena cena é fruto de muito trabalho, de muito treino, de muita esperteza. Governasse com a habilidade com que seduz a audiência, e teríamos quem apresentar ao ET quando ele nos pedisse: “Levem-me a seu líder”.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 19:27

MEC recorre para que aluno não tenha acesso à correção das redações do Enem

Na VEJA Online:
A Advocacia-Geral da União protocolou na manhã desta sexta-feira um recurso que tenta reverter a decisão da Justiça Federal no Ceará que obriga o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) a exibir a correção da prova de redação a todos os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. O pedido foi oficilizado pelo procurador Renato Rodrigues Vieira no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife.

De acordo com assessoria de imprensa do TRF-5, o recurso já está sendo analisado pelo presidente do Tribunal, desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima. Ainda não há previsão para anúncio da decisão do magistrado, mas é possível que isso aconteça na próxima semana.

O recurso da AGU é uma resposta à decisão proferida na última terça-feira pelo juiz Luís Praxedes Vieira da Silva. Ele acatou uma ação civil pública protocolada pelo Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE), determinando que todos os participantes do Enem tenham acesso à correção de suas redações.

Na manhã de quinta-feira, após participar do programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Fernando Haddad, titular da Educação, disse que o Inep, autarquia do MEC responsável pelo Enem, não se preparou tecnicamente para fornecer a correção para cerca de 4 milhões de participantes. “Vestibulares que têm 30, 40 anos não estão preparados (para isso). Por que o Enem, que tem três anos, estaria? É preciso um pouco de compreensão”, disse.

Haddad, que deixa o MEC na próxima semana, afirmou ainda que é improvável que o Inep tenha condições de realizar, pela primeira vez, duas edições do Enem por ano - a primeira prova deveria ser realizada em abril, segundo determinação do próprio Inep. O ministrou culpou a decisão judicial pelo eventual cancelamento. “Não podemos colocar a máquina em fadiga. Há uma questão tecnológica a ser resolvida. É um problema novo que foi colocado e que não é tão simples assim”, disse Haddad.

No entanto, antes mesmo da decisão da Justiça Federal no Ceará, Haddad já havia colocado em xeque a realização das duas edições do Enem em 2012. No último dia 11, o ministro havia declarado que o Inep enfrenta dificuldades para “dobrar o esforço da realização de uma prova de 5 milhões de pessoas”.

A nova orientação do ministro contraria portaria publicada no dia 20 de maio de 2011 no Diário Oficial da União. O texto determinava a realização do Enem “pelo menos duas vezes ano ano”, a partir de 2012, e definia até mesmo as datas de aplicação da avaliação federal no primeiro semestre: 28 e 29 de abril. De acordo com as declarações do ministro nesta manhã, a portaria, assinada pela presidente do Inep, Malvina Tuttman, corre sério risco de virar letra morta.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 19:22

O que está em debate nas leis antipirataria

Na VEJA Online:

• De acordo com os projetos de lei americanos, devem ser bloqueados nos EUA sites estrangeiros que abrigam conteúdos que infrinjam as leis de direitos autorais - como cópias ilegais de vídeos, músicas e fotos

• O bloqueio deve ser feito inclusive por serviços de busca, como o Google, e de pagamento eletrônico, como o PayPal. A publicidade nos sites estrangeiros infratores também deve ser cancelada

• Wikipedia, Google, Twitter, Facebook e Amazon se opõem ao projeto: eles alegam que o Sopa e o Pipa podem introduzir na rede censura e entraves à inovação

• Casa Branca: o governo americano defende o respeito aos direitos autorais, mas também diz que o Sopa e o Pipa podem prejudicar a liberdade de expressão e a inovação

•  O projeto de lei conta com o apoio da indústria de entretenimento (estúdios de cinema, gravadoras, conglomerados de mídia), que acusa os sites de violar direitos autorais e exibir ilegalmente seus conteúdos.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 19:16

Tramitação do projeto antipirataria Sopa é suspensa no Congresso dos EUA

Na VEJA Online:
O presidente do Comitê Judicial da Câmara dos Representantes americana, Lamar Smith, afirmou nesta sexta-feira que a tramitação do projeto antipirataria Stop Online Piracy Act (Sopa) na Casa legislativa está suspensa. De acordo com o republicano, a suspensão será mantida até que haja um acordo entre as partes envolvidas - detentores de direitos autorais, empresas de internet e instituições financeiras.

“Ouvi a opinião de diversos críticos e levo a sério suas preocupações em relação ao projeto”, disse Smith. “Precisamos revisitar o assunto e encontrar a melhor forma de lidar com o problema dos criminosos no exterior, que roubam e vendem criações dos americanos”, disse, referindo-se aos setores de propriedade intelectual, responsáveis pela geração de 19 milhões de empregos no país e 60% de suas exportações.

“O roubo desse conteúdo gera um prejuízo aproximado de 100 bilhões de dólares por ano, sem contar com os postos de trabalho que deixam de existir”, completou Smith. O representante apresentou a nova estratégia depois que o projeto de lei perdeu apoio no Congresso devido ao protesto on-line realizado nesta semana por sites como Google e Wikipédia.

Nesta sexta feira, o Senado americano também decidiu adiar a votação do Protect IP Act (Pipa) - que tenta legislar sobre o mesmo assunto. Entre os senadores, também caiu a adesão ao projeto. A decisão representa uma vitória parcial das empresas de tecnologia no embate contra as indústrias do cinema, música e editorial, produtoras de conteúdos e defensoras da aprovação das leis para conter a pirataria.

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 19:13

Quando se paga o auxílio-reclusão

Escreve o leitor Guilherme Ribeiro,

Reinaldo, boa tarde.
Sou leitor assíduo do blog. Compartilho de praticamente todas as opiniões aqui expostas e sei que, íntegro que é, aceitará uma correção no texto - e por consequência, de sua essência.

O auxílio-reclusão, benefício previdenciário de espécie 25, não assistencial, é devido ao conjunto de dependentes do segurado (contribuinte do INSS) que se encontrar em estado de reclusão total ou parcial (excluindo-se aqui os de regime aberto/condicional) cujas contribuições/vencimentos não excedam o teto de R$ 905,05 (atualizado agora de acordo com o salário mínimo vigente).

Se o segurado não contribui, a família não recebe. Se contribui, mas ganha mais de R$ 915,05, a família também não recebe.
Vale lembrar que este teto, de R$ 915, é o mesmo aplicado como critério para concessão do salário-família (este, sim, de cunho assistencial).

Espero ter contribuído para a desmistificação e esclarecimento desta situação, comumente interpretada de modo incorreto.
Um forte abraço!

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 18:57

As eleições nos EUA, a velha cobrança do ET — “Levem-me a seu líder” — e as orelhas de Obama

Demorei um pouco porque estava fazendo uma entrevista. Adiante. Os assuntos internos quase não deixam tempo para falar um tantinho do que vai pelo mundo. Vamos lá. No post anterior, há um texto sobre a disputa interna dos republicanos, nos EUA, pelo direito de enfrentar Barack Obama, que disputa a reeleição. Vamos ver: acho que Mitt Romney, dado o conjunto da obra, é, a um só tempo, a melhor e a pior chance que têm os republicanos. Não é só gosto pelo paradoxo, não. Já explico o que quero dizer. Antes, tenho algumas considerações.

Com raras, raríssimas mesmo!, exceções, as críticas que a imprensa liberal americana — secundada pela imprensa filoesquerdista ocidental — faz ao Tea Party, o movimento conservador existente dentro do Partido Republicano, traduz uma espécie de rancor à democracia. Uma coisa é discordar das teses do grupo; outra, distinta, é tratar seus partidários como se fossem bestas-feras dispostas a liquidar com a América. Essa é, na verdade, só expressão de uma das faces do “obamismo”. Quem quer que se apresente como seu crítico à direita é logo satanizado. A turma do Tea Party não deu bola para a patrulha e resolveu radicalizar o discurso — incorrendo, muitas vezes, em óbvios exageros retóricos, para a satisfação dos “progressistas”.

Essa patrulha, pra mim, não tem nenhuma importância. Os “progressistas” americanos, à semelhança dos daqui, são policias de consciência dedicados, mas, por lá, o jogo é mais equilibrado, e os conservadores também têm uma forte presença no debate. Não existe esse virtual monopólio da opinião que há no Brasil. O ponto que me interessa é outro. O Tea Party conseguiu a adesão de milhões de eleitores da base republicana, mas não conseguiu produzir um líder de dimensão nacional. Ocorreu, infelizmente para os republicanos, uma espécie de fratura interna. Forças tradicionais do partido vêem o Tea Party com desconfiança, e seus admiradores não se sentem representados pelo que consideram a elite partidária.

Por que digo que Mitt Romney é a melhor e a pior chance que têm os republicanos? Porque ele me parece o candidato mais preparado, mas, vejam só, não entusiasma a base que foi mobilizada pelo Tea Party. Parte da crítica que é feita a ele é curiosa: um de seus defeitos estaria em ser rico — e, portanto, integrar uma elite supostamente predadora. Esse discurso, que sensibiliza correntes progressistas, hoje é feita também por grupos ultraconservadores. Ele é a melhor chance porque é o mais preparado; também pode ser a pior chance porque não empolga.

A ser verdade o que apontam, no momento, as pesquisas, Romney pode ser ultrapassado por Newt Gingrich — e, nesse caso, Obama poderá encomendar o terno da reeleição sem muito esforço. No debate da CNN de ontem, sua vida amorosa conturbada foi evocada, o que o deixou furioso. Nos EUA, é besteira tentar ignorar esses aspectos. E, se querem saber, eles estão certos. Não há nada de errado que se cobre de um homem público que viva conforme o discurso que faz.

Momento infeliz
Os EUA vivem tempos um tanto infelizes no que diz respeito à política. Diga-se o que se disser, ver o presidente Barack Obama a discursar com o Castelo da Cinderela ao fundo, na Disney, é um bom retrato da época. “Sempre é agradável conhecer um líder mundial que tem orelhas maiores que as minhas”, disse o presidente, referindo-se a Mickey Mouse. Então tá.

Romney disse que o presidente vive mesmo na “Terra da Fantasia”. Gingrich foi na canela: Obama ao lado de Mickey e Pluto seria uma foto do gabinete presidencial. O conjunto da obra, em suma, parece pouco sério, embora o mundo viva uma crise grave. Se a Terra parar (lembram-se do filme?), e um ET cheio de bons propósitos humanistas (!) descer da nave e pedir “Levem-me a seu líder”, imaginem o embaraço.

Ademais, acho que as orelhas de Obama, simbolicamente falando, são imensamente maiores dos que as de Mickey. A realidade vivida hoje pelo Oriente Médio é a evidência do quão orelhudo é o atual presidente dos EUA…

Por Reinaldo Azevedo

 

20/01/2012 às 17:09

Pesquisas agora mostram favoritismo de Newt Gingrich entre republicanos

Publico abaixo trecho de um texto de Fernanda Godoy, de O Globo, com informações da Agência Reuters, sobre a disputa no Partido Republicano, nos EUA. Leiam. Volto no próximo post.
*
A pré-candidatura do ex-deputado Newt Gingrich ganhou força nos últimos dias e coloca em xeque o favoritismo do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney na corrida pela vaga republicana na disputa presidencial contra o democrata Barack Obama. No agregado de pesquisas do Real Clear Politics, Gingrich está com 32,5% das intenções e Romney, 31,5%. O analista político Nate Silver, do “New York Times”, está prevendo vitória de Gingrich, com probabilidade de 62%.

Os pré-candidatos republicanos à presidência dos EUA se digladiaram em um debate na quinta-feira à noite, e sobrou até para o moderador da TV CNN, na antevéspera da potencialmente decisiva eleição primária do Estado da Carolina do Sul. As duas horas de bate-boca encerraram um dos dias mais tumultuados da campanha, em que o governador do Texas, Rick Perry, desistiu da candidatura, e o Estado de Iowa indicou um novo vencedor da sua votação, feita há três semanas.

O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney continua sendo apontado como favorito na Carolina do Sul e em nível nacional, mas as pesquisas indicam uma redução da sua vantagem sobre o ex-deputado Newt Gingrich, que se ofendeu com uma pergunta feita pelo moderador John King sobre seu casamento anterior. “Acho que a natureza perturbadora, maldosa e negativa da imprensa dificulta governar este país”, fulminou Gingrich. “Estou horrorizado por você começar um debate presidencial com um assunto como esse.” A pergunta de King aludiu a uma declaração de Marianne Gingrich, ex-mulher do pré-candidato, que disse à ABC News que Gingrich propusera um “casamento aberto” quando estava tendo um relacionamento extraconjugal, na década de 1990. Gingrich negou que isso tenha ocorrido.

Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos mostrou Romney com 35% das intenções de voto entre os republicanos da Carolina do Sul, Gingrich com 23%, e o ex-senador Rick Santorum com 15%. Romney voltou a ser pressionado a divulgar seus rendimentos, após passar vários dias sendo criticado por pagar apenas 15% de imposto de renda. Ele foi vaiado ao dizer que “talvez” divulgue declarações de rendimentos abrangendo vários anos. Numa provocação ao líder nas pesquisas, o comitê de Gingrich divulgou a mais recente declaração de imposto dele horas antes do debate.
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Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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