Petrobrás: Sai Gabrieli, o presidente de estatal que fez terrorismo eleitoral sem medo de parecer terrorista

Publicado em 23/01/2012 11:52 e atualizado em 29/08/2013 11:18 1301 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

No post abaixo, trato da heterodoxia, para dizer pouco, que significa o fato de a família de Maria das Graças Foster, futura presidente da Petrobras, manter relações comerciais com a estatal — na verdade, uma empresa de economia mista. Esse tipo de relação é malvista na maioria das empresas privadas, é bom destacar. Há outros aspectos, no entanto, a serem considerados na troca.

Dilma nunca gostou de José Sérgio Gabrielli. Tentava ter controle da empresa desde que era ministra das Minas e Energia e nunca conseguiu. Na chefia da Casa Civil, como a tal gerentona, seguiu no mesmo esforço, também inútil. Gabrielli tinha e tem um padrinho muito forte: Luiz Inácio Lula da Silva. Quais são exatamente as divergências técnicas entre a agora presidente da República e o ainda presidente da Petrobras?  Nunca ficaram muito claras. Quando ministra, Dilma reclamava que não conseguia ter acesso a dados da empresa que considerava essenciais à sua atividade. Maria das Graças é, sem sombra de dúvida, sua “mulher de confiança”.

E Gabrielli? Sempre foi um político, não um homem de empresa. A área teve um avanço importante nos últimos anos, especialmente com o pré-sal — esforço que vem de muito antes do governo Lula, é evidente —-, mas o petista-propagandista foi um grande alimentador do mito de que o PT redescobriu a Petrobras. Nunca distinguiu os limites limites entre a sua responsabilidade técnica e sua irresponsabilidade política.

Em 2010, em plena campanha eleitoral, entre o primeiro e o segundo turno, Gabrielli teve a desfaçatez de conceder entrevistas afirmando que FHC tentara, sim!, privatizar a Petrobras, o que é um afirmação escandalosamente mentirosa. Tratava-se de mero terrorismo eleitoral. O PT queria; Gabrielli fazia. Sempre foi um político, um militante. Agora, deve integrar o governo da Bahia, consolidando seu espaço para disputar a sucessão de Jaques Wagner pelo PT.

Sai o homem de Lula da Petrobras, entra a mulher de Dilma. Sem conhecer direito o trabalho de Maria das Graças Foster e sem ignorar o marido inconveniente — isso é, sim, relevante — , tendo a achar que se ganha um pouco mais de técnica e se perde um pouco de pirotecnia. Vamos ver. Afinal, é impossível ser menos técnico do que Gabrielli e mais fanfarrão do que ele.

Por Reinaldo Azevedo

 

Maria das Graças e seu marido. Ou: A família do petróleo & gás

Em novembro de 2010, reportagem de Fernanda Odilla, da Folha, informava — e não houve contestação — que, desde 2008, a C.Foster, de propriedade de Colin Vaughan Foster, marido de Maria das Graças, futura presidente da Petrobras, havia assiando 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção a diferentes unidades da estatal. À época, ela cotada para o Ministério das Minas e Energia.

Huuummm… Talvez a C.Foster seja mesmo a melhor da área. Também entendo o fato de o casal ter interesse comum em petróleo, gás e coisa e tal. É comum os casais partilharem de certos gostos. O que é incomum — e seria em qualquer país democrático do mundo — é a mulher (ou o marido) presidir a principal empresa do Estado que compra serviços fornecidos pelo cônjuge. Collin e Maria das Graças podem ser dois franciscanos, dois Caxias, mais honestos e retos do que as freiras dos pés descalços. E daí? Isso é diferente da, por exemplo, “Rede Bezerra Coelho”?

Na própria base aliada, fosse outro o partido de Maria das Graças, que não o PT, e já haveria um enorme bochicho. Como é com petistas, sabem como é… A regra é a seguinte: os não-petistas, especialmente se oposicionistas, são sempre culpados ainda que não haja nem indícios contra eles. Já os companheiros são sempre inocentes, até mesmo contra as provas.

Eu olho para esse ar, vamos dizer, severo de Maria das Graças e só consigo pensar em sua dedicação aos derivados de petróleo. Gente que sabe fazer cara de brava sempre leva alguma vantagem sobre os de aparência mansa. Mas e daí? Ela terá de arbitrar, sim — ou algum subordinado dependente de suas graças o fará por ela — questões que dirão respeito aos negócios do marido. Se ele já mudou de ramo, não sei. Mas é claro que seria o caso, né?

A Petrobras até chegou a fazer uma investigação interna para saber se havia alguma incompatibilidade entre a atuação do marido de Maria das Graças e a da própria. Não se encontrou nada. No máximo, constatou-se que ela não era muito querida pela equipe porque parece compartilhar com Dilma certo gosto por, como direi?, dar um esculachos nos subordinados. Braveza de chefe, que deixa a equipe triste ou ressentida, é coisa do mundo da fofoca e de publicações de auto-ajuda. Para mim, é o de menos. Acho que Maria das Graças tem de ser, segundo reza o clichê ainda válido, como a mulher de César: não basta ser honesta; tem também de parecer honesta.

Ora, se o marido dela pode, por que os demais maridos e demais mulheres não podem? Não há de ser porque ela tem esse ar de quem só pensa em derivados de petróleo e gás.

Segue reportagem da Folha de novembro de 2010. Volto para encerrar.
A empresa do marido de Maria das Graças Foster, nome forte para o primeiro escalão do governo Dilma Rousseff, multiplicou os contratos com a Petrobras a partir de 2007, ano em que a engenheira ganhou cargo de direção na estatal. Nos últimos três anos, a C.Foster, de propriedade de Colin Vaughan Foster, assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção a diferentes unidades da estatal. Entre 2005 e 2007, apenas um processo de compra (sem licitação) havia sido feito com a empresa do marido de Graça, segundo a Petrobras. A C.Foster, que já vendeu R$ 614 mil em equipamentos para a Petrobras, começou na década de 1980 com foco no setor de óleo e gás, área hoje sob a responsabilidade de Graça Foster.

Funcionária de carreira da Petrobras, Graça é cotada para um cargo no primeiro escalão do governo dilmista, como a presidência da Petrobras, a Casa Civil, a Secretaria-Geral da Presidência ou outro posto próximo da presidente eleita, de quem ganhou confiança. Foi por indicação de Dilma que Graça ganhou, a partir de 2003, posições de destaque no Ministério de Minas e Energia, Petroquisa e BR Distribuidora e, há três anos, assumiu a diretoria de Gás e Energia da Petrobras. Antes de a C.Foster firmar esses 42 contratos com a Petrobras, a relação de Graça com a empresa do marido, Colin Vaughan Foster, já havia gerado mal-estar. Em 2004, uma denúncia contra a engenheira, relacionada ao suposto favorecimento à empresa do marido, foi encaminhada à Casa Civil.

O então ministro José Dirceu pediu esclarecimentos ao Ministério de Minas e Energia, sob o comando de Dilma. A fonte da denúncia não é identificada nos documentos obtidos pela Folha. Na ocasião, foram listados dois contratos da C. Foster com a estatal: um de 1994, e outro, de 2000. Coube à própria Petrobras elaborar um ofício com explicações sobre duas investigações internas envolvendo Graça no período em que ela era gerente do Cenpes (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras).
(…)

O ofício diz que “não ficou caracterizada a existência de prática de crime ou improbidade administrativa”, mas enfatizava o temperamento difícil da engenheira. “Cumpre agregar que nas declarações prestadas, verificou-se que Maria das Graças era objeto de restrições por grande parte do pessoal de seu setor, dado principalmente, como veio externar a comissão, “o modo com que tratava seus subordinados’”, diz o ofício da Petrobras para a Casa Civil.

Encerro
Não sei o regime de união do casal. Sendo um casamento ou uma união estável, na prática, Maria das Graças terá negócios privados com a empresa pública que ela preside. E por que o PT vai adiante? Porque está convencido de que pode tudo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pinheirinho – Petistas sentiram cheiro de sangue de pobre e resolveram apostar no confronto e na violência. Ou: Dilma vai ordenar que ministros seus parem de tentar promover o baguncismo em SP ou é conivente com ação deletéria?

Vocês conhecem uma parte do que vou relatar sobre a tal área chamada “Pinheirinho”. Mas há outra que vocês não conhecem. Vamos lá?

No Estado democrático e de direito, respeitam-se as várias esferas de competência da Justiça. No Estado democrático e de direito, as determinações judiciais são cumpridas. No Estado democrático e de direito, o governo federal não procura fazer uma espécie de intervenção branca na área de segurança numa unidade da federação governada por um partido adversário só porque adversário — especialmente quando essa unidade pode dar lições a esse mesmo governo federal. A presidente Dilma Rousseff deveria chamar seus ministros de Estado e sugerir que parem de incentivar o baguncismo em São Paulo — a menos que ela seja conivente com essas ações deletérias. Refiro-me, obviamente, AO CUMPRIMENTO DE UMA DETERMINAÇÃO JUDICIAL, de que a Polícia Militar não pode declinar, que resultou na desocupação da chamada “Área do Pinheirinho”, em São José dos Campos, em São Paulo.

Na operação, 18 pessoas foram presas e depois liberadas, houve três feridos, e oito carros foram incendiados, entre eles um veículo da TV Vanguarda, afiliada da Globo. Vou tratar do imbróglio — ou do falso imbróglio — judicial. Quero arrematar este parágrafo lembrando que, na retomada da antiga área da cracolândia, armou-se na Secretaria dos Direitos Humanos, cuja titular é a petista Maria do Rosário, o bunker de resistência contra a lei. Neste domingo, os petistas Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e José Eduardo Cardozo, ninguém menos do que o ministro da Justiça, decidiram investir na desinformação e no proselitismo para tentar caracterizar como ato autoritário ou intempestivo o que é CUMPRIMENTO DA LEI. Se dois dos principais auxiliares da Presidência da República entendem que a lei, em particular as determinações judiciais, não devem ser cumpridas, então que a Soberana, popular como é, vá à TV, em rede nacional, e declare o triunfo da anarquia. Faremos a luta de todos contra todos, e os vencedores, ao término da luta, refazem o Brasil desde o fim.

Qual é o ponto?
Mil e quinhentas famílias — estima-se que houvesse lá cinco mil pessoas — ocupavam ilegalmente uma área reclamada na Justiça desde 2004. Ela pertence à massa falida do grupo Selecta, do investidor Naji Nahas. A juíza Márcia Faria Mathey Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, havia emitido a ordem de reintegração de posse da área, atenção!, em julho de 2011.PETISTAS SENTIRAM CHEIRO DE SANGUE DE POBRE EM ESTADO ADVERSÁRIO, E ISSO SEMPRE LHES ASSANHA A SEDE. Passaram a acompanhar o caso de perto — até porque pretendem usá-lo também na eleição municipal. A hipocrisia do governo federal é tal que poderia, por exemplo, ter apelado, então, à Justiça Estadual para tentar mudar a decisão. Não o fez. Preferiu convocar a imprensa e declarar que tinha interesse numa solução pacífica… Não me digam!

Na terça passada, a ação de reintegração foi suspensa pela juíza federal Roberta Monza Chiari. A liminar, no entanto, foi cassada no mesmo dia pelo também juiz federal Carlos Alberto Antônio Júnior, substituto da 3ª Vara Federal em São José dos Campos. Na sexta, o desembargador federal Antonio Cedenho revalidou a decisão de Monza Chiari. E aí? Reproduzo abaixo a mensagem enviada à juíza Márcia Faria Methey (a que tinha determinado a reintegração de posse) e ao comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Alvaro Camilo. Leiam com atenção:

MMª. Juíza de Direito e Ilmo. Sr. Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo
Por determinação do Excelentíssimo Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça, transmito-lhes, para integral cumprimento, a ordem por ele proferida em relação à consulta formulada pelo juízo da 6ª. Vara Cível de São José dos Campos.
Rodrigo Capez
Juiz Assessor da Presidência
*
“A decisão proferida pelo juízo da 6ª Vara Cível de São José dos  Campos, ora em fase de execução, somente pode ser suspensa por ordem deste Tribunal de Justiça, do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal. Decisões que tais não existem, mesmo porque negada a liminar no agravo de instrumento contra ela interposto perante este Tribunal de Justiça.

Então, o ato judicial concorrente do Tribunal Regional Federal não tem qualquer efeito para esta Justiça do Estado de São Paulo, que é absolutamente independente e não tem relação com aquele outro ramo do Judiciário.

Também não houve manifestação de interesse jurídico da União neste feito, de modo que fosse deslocada a competência para a Justiça Federal.Por isso que sem nenhum valor o processo concorrente naquela Justiça em oposição ao presente.

Nesse contexto, e para preservar a autoridade da decisão deste Tribunal de Justiça, instruo V. Exa. a prosseguir na execução do decisório estadual, por conta e responsabilidade desta Presidência.

Autorizo, para tanto, requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste.

Designo o juiz de direito assessor da Presidência Rodrigo Capez para, em nome desta Corte, prestar todo o auxílio necessário a V. Exa., com vistas ao cabal cumprimento de sua determinação”.
IVAN RICARDO GARISIO SARTORI
PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Voltei
O governo de São Paulo e a Polícia Militar não podem escolher cumprir ou não o que determina a Justiça. Se pudessem, seriam entes soberanos —- na verdade, ditatoriais. O STJ decidiu que a competência era mesmo da Justiça estadual e que a Federal se equivocou. Logo, os invasores do Pinheirinho teriam de sair. E a PM atuou. Dentro da lei.

Chamo a atenção de vocês para um trecho da decisão de Garisio Sartori:“Também não houve manifestação de interesse jurídico da União neste feito, de modo que fosse deslocada a competência para a Justiça Federal. Por isso que sem nenhum valor o processo concorrente naquela Justiça em oposição ao presente.” Ou por outra: o governo federal escolheu fazer proselitismo contra a desocupação, mas sem mover uma palha no terreno jurídico: ficou só na conversa mole. Eu provo o que digo com outra evidência.

A juíza Márcia Faria Methey, a que decidiu pela reintegração, enviou ao presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo uma consulta, a saber:
Informalmente, tomei ciência de que, nesta data, foi proferida decisão pelo Desembargador Federal Antonio Cedenho, no agravo de instrumento nº 2012007143, tirado contra decisão do Juiz Federal Carlos Alberto Antonio Junior, da 3ª Vara Federal de São José dos Campos, restabelecendo a liminar da Juíza Federal Substituta que, em regime de plantão, às 4h20m do dia 17 de janeiro p.p., “deferiu liminar em ação cautelar inominada para determinar que a Polícia Civil e Militar do Estado de São Paulo e a Guarda Municipal de São José dos Campos se abstenham de efetivar qualquer desocupação na gleba de terras do Pinheirinho”, desocupação esta deferida por mim na Ação de Reintegração de Posse que a Massa Falida Selecta moveu contra Esbulhadores ligados ao Movimento dos Sem Teto (Processo nº 0273059-82.2005.8.26.0577), ajuizada em 19.8.2004.

Esclareço que a reintegração foi deferida por mim em julho de 2011,desafiou agravo de instrumento nº 0276288-25.2011.8.26.0000, recebido apenas no efeito devolutivo pelo Excelentíssimo Desembargador Relator Cândido Alem, da 16ª Câmara de Direito Privado do Egrégio Tribunal de Justiça, em 11.11.2011.

Outrossim, informo que em nenhum momento houve intervenção da União nos autos do processo da reintegração, manifestando interesse ou solicitando o deslocamento da competência para a Justiça Federal.

Diante da manutenção da minha ordem pelo Egrégio Tribunal de Justiça, consulto Vossa Excelência, se haverá suporte para a execução da liminar de reintegração na posse da área denominada “Pinheirinho”, haja vista que no dia 17 p.p., a Polícia Militar, comandada pelo Coronel Manoel Messias, teve que recuar sua tropa composta de mais de 1.700 homens, diante da dúvida que a liminar da Juíza Federal Substituta causou sobre a validade da minha ordem.

Márcia Faria Mathey Loureiro
Juíza de Direito da 6ª Vara Cível
São José dos Campos

Retomo
Também na mensagem da juíza a evidência de que, desde julho do ano passado, quando foi determinada a reintegração de posse, a União não moveu uma palha no terreno jurídico para, então, tentar impedir a reintegração de posse. A movimentação dos petista se deu apenas na área política. Mais do que isso: na prática, investiram num confronto de competências da Justiça, como se houvesse uma relação de subordinação entre a Justiça Federal e a Justiça de São Paulo.

Proselitismo
Eis que, uma vez em curso a desocupação, vem a público Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, responsável, como dizem lá, pela “interlocução com os movimentos sociais” para afirmar que a ação da PM “atropelou” negociações feitas com o governo federal para a desocupação pacífica da área. Quais negociações?

Uma pergunta ao senhor Carvalho: a “interlocução” era feita só com os invasores, mas não com a Justiça de São Paulo, que é quem tinha a competência para decidir? Gilberto Carvalho emprenha os jornalistas pelo ouvido, sustentando que a desocupação era desnecessária porque os moradores estão lá há oito anos… Nem vou entrar no mérito de tão formidável entendimento sobre a propriedade privada agora. Eu me pergunto por que a União não tentou, então, convencer disso a Justiça. Que alternativa aponta este homem de Estado? Mandar a decisão judicial às favas?

Ele não foi o único a pescar em águas turvas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, saiu-se com uma declaração estupefaciente, depois de ter dito aos jornalistas que havia conversado com o governador Geraldo Alckmin: “O Alckmin me disse que tinha de atender a decisão judicial e que a tropa era preparada.” COMO??? O “Alckmin disse que tinha de atender”??? É questão de opinião, de gosto? Por quê? Cardozo acha que o governador a tanto não estaria obrigado? Alckmin disse que tem de se cumprir. E Cardozo, o que diz?

O resumo da ópera é o seguinte: os petistas não moveram uma palha para evitar a remoção, mobilizaram seus estafetas para fazer proselitismo, investiram num choque de competências entre as várias esferas da Justiça e agora tentam obter dividendos políticos jogando com a sorte dos miseráveis. E isso ainda não é tudo.

Reitero: Ou Dilma puxa as orelhas de seus ministros ou se mostra conivente com a promoção do baguncismo. Ao menos enquanto os petistas não vencerem as eleições, vai vigorar em São Paulo o estado democrático e de direito. Nesse modelo, as leis e as decisões da Justiça podem e devem ser debatidas, mas são sempre cumpridas. Se e quando eles ganharem, então que tentem um modo alternativo de governar.

Ah, sim: para a decepção de muitos, o sangue não jorrou. A polícia também não cegou, felizmente, nenhum manifestante, a exemplo do que aconteceu no Piauí, governado por PSB-PT, sob o silêncio de Gilberto Carvalho, José Eduardo Cardozo, Maria do Rosário, Paulo Teixeira, Eduardo Suplicy e, bem…, Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Líder” do Pinheirinho não mora na área, tem casa própria e carro, é dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos e filiado ao PSTU

O mais encantador nos esquerdistas de maneira geral é sua sinceridade. Em nome do que chamam “solidariedade de classe”, acham que tudo lhes é permitidos. O principal líder do Pinheirinho, como vocês verão abaixo, não mora na área, é um militante do PSTU — que ajudou a armar aquela tropa de choque informal — e recebe cerca de R$ 3 mil mensais do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, aparelhado por seu partido. Leiam mais detalhes em reportagem do jornal O Vale:
*
A principal liderança do movimento sem-teto do Pinheirinho, Valdir Martins, o Marrom, tem casa própria, carro, e é remunerado mensalmente pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José, mesmo dedicando todo o seu tempo à ocupação, sem dar expediente no sindicato. Marrom é proprietário de uma casa no Jardim Morumbi, segundo ele mesmo declarou à Justiça Eleitoral em 2008, ano em que concorreu a uma cadeira na Câmara pelo PSTU. Na época, ele informou que o imóvel era avaliado em R$ 90 mil. A casa é ocupada hoje pela ex-mulher e pelo filho de Marrom, que diz ser separado judicialmente.

Em 2008, o líder sem-teto também declarou ser proprietário de um Pálio ano 1998, de R$ 13 mil. Hoje, dirige um Gol, geração 5. Além dos bens declarados, Marrom mora em uma casa no Parque Interlagos, onde ele costuma pernoitar. Trata-se de uma chácara, com uma casa de alvenaria. No sindicato, Marrom é diretor, “representante dos trabalhadores da Tecsat”. Já que a Tecsat não mantém mais planta em São José, a permanência de Marrom como diretor é condicionada a um acordo. Marrom teria sido demitido da Tecsat durante uma ação do sindicato. Enquanto o processo por indenização não chega ao fim, a entidade o mantém como diretor, remunerando com o salário que ele recebia na empresa -o valor não foi informado.

Politização
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Vivaldo Moreira, afirmou que é de praxe manter diretores no cargo quando eles são demitidos “durante lutas”. “Quando ele ganhar a ação e for ressarcido, ele devolve os valores que recebeu no período da ação”, afirmou Vivaldo. O metalúrgico afirma que, como Marrom sempre se envolveu com movimentos sociais e tem uma ligação forte com o Pinheirinho, é natural que ele assumisse, dentro do sindicato, um papel próximo à ocupação. “Enquanto sindicato, nós também nos envolvemos com movimentos sociais”, disse.

Na prática, porém, a função de Marrom seria manter um bom relacionamento entre os ocupantes do Pinheirinho, o sindicato e o PSTU - na avaliação de algumas pessoas, manter o controle político. Hoje, o PSTU controla o Sindicato dos Metalúrgicos e patrocina a luta pró-regularização do Pinheirinho.

Ajuda 
Enquanto sindicato e PSTU dão força às ações do Pinheirinho, os sem-teto se juntam em coro em atos políticos do PSTU ou em protestos organizados pelos metalúrgicos. “Nós damos suporte à luta do Pinheirinho, e eles [sem-teto] nos dão força política, colaboram nas portas das fábricas, quando precisamos. Somos uma unidade”, disse Vivaldo. Durante os protestos contrários à aprovação dos supersalários de R$ 15 mil dos vereadores de São José, no ano passado, por exemplo, o PSTU, que contestava o reajuste, lotou o plenário da Câmara, semanalmente, com os invasores do Pinheirinho.
Marrom, que se declara como técnico em mecatrônica e mecânica, nega que sua liderança na ocupação tenha objetivos políticos. O presidente do PSTU em São José, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, advogado dos sem-teto, também nega que a população sem-teto possa ser usada politicamente.

Por Reinaldo Azevedo

 

Grupo invade casa após reintegração e faz família refém; coquetéis molotov são apreendidos; dois se preparavam para explodir depósito de gás

Por Juliana Granjeia, na Folha Online:
A polícia militar deteve 10 pessoas por volta das 0h30 desta segunda-feira dentro de uma casa na Avenida dos Evangélicos no bairro campo dos alemães, que é vizinho ao Pinheirinho. Dessas 10 pessoas, 4 são menores, e um era procurado pela Justiça. Há 3 dias, essas 10 pessoas haviam invadido a casa, onde mora uma família (mulher, marido, duas crianças e uma senhora de idade). Eles obrigaram a família a abrigá-los durante esses três dias. Essa casa fica a uma quadra de onde a polícia montou uma barreira com a tropa de choque foi também o mesmo quarteirão onde fizeram uma barricada com um carro queimado na tarde deste domingo. De dentro da casa, eles jogavam pedras nos policiais que faziam a segurança do local.

À noite, com a passagem da viatura da polícia, eles, que estavam na frente da casa, saíram correndo para o seu interior. Estranhando a movimentação, a polícia entrou dentro da casa e encontrou a família ameaçada. “Eles eram do Pinheirinho. Com a notícia da reintegração de posse, muitos criminosos saíram antes e invadiram casas de famílias dos bairros Campos do Alemães e Parque Dom Pedro”, afirmou o tenente Geraldo Leite Rosa Neto.

Também na noite de hoje foram apreendidos um Corsa vinho e um Chevette amarelo com coquetéis molotov dentro, na Rua 9, no Pinheirinho. Um desses carros atirou bombas em uma creche, que acabou sendo totalmente incendiada nesta noite. O outro foi usado por pessoas que incendiaram a padaria de um vereador conhecido como Robertinho da Padaria. A polícia informou que não houve feridos na creche, mas não soube informar se houve feridos no incêndio da padaria.

Outros dois homens foram presos em frente a um depósito de gás no Campo dos Alemães no momento em que se preparavam para jogar um coquetel molotov no local. Eles estavam a pé e foram presos em flagrante pela polícia antes de jogar o coquetel. O mais encantador nos esquerdistas de maneira geral é sua sinceridade. Em nome do que chamam “solidariedade de classe”, acham que tudo e qualquer coisa lhes são permitidos. O principal líder do Pinheirinho, como vocês verão abaixo, não mora na área, é um militante do PSTU - que ajudou a armar aquela tropa de choque informal - e recebe cerca de R$ 3 mil mensais do Sindicato dos Metalúrgicos de São José.

Por Reinaldo Azevedo

 

PT usa Pinheirinho para fazer pré-campanha eleitoral em São José dos Campos. Ou: Suplicy já se ligou a causas piores

Marrom e Toninho em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos: ele tem carro, ele casa, ele tem grana...

Marrom e Toninho em discurso no Sindicato dos Metalúrgicos: ele tem carro, ele casa, ele tem grana...

Adivinhem a que partido pertence o prefeito de São José dos Campos… Acertou quem respondeu PSDB. E isso também explica a ação deletéria do governo federal nesse caso. O conflito do Pinheirinho remonta a 2004, mas a eleição é neste ano. É por isso que petistas como o deputado Paulo Teixeira (SP) e o senador Eduardo Suplicy (SP) ficaram tão assanhados, tentando “negociar” com o governador Geraldo Alckmin e com o prefeito, Eduardo Cury. Negociar o quê? A decisão judicial? Era só uma tentativa de atribuir ao governador uma responsabilidade que ele não tinha. Só o PT?

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José, ligado ao PSTU, já convocou um protesto contra a correta ação da PM e contra o prefeito. Ora, por que não se manifestam contra a Justiça? Por que não vão a público dizer que petistas e “pesseutistas” são contrários ao cumprimento de decisões judiciais?

O PT levou um sério revés em Campinas. Vencer a eleição em São José dos Campos é considerado “estratégico” nos planos do partido. Os petistas estão empenhados é nessa tarefa. Por isso viram cheios de satisfação a “tropa de choque” informal, composta por agitadores disfarçados de moradores, para resistir à eventual ação da Polícia Militar — ainda que a turma mais, digamos, dura esteja sob influência do PSTU. Como escrevo no post acima, aquilo tinha o cheiro doce do sangue dos pobres, historicamente usados como massa de manobra por essa turma.

A Polícia Militar não enfrentou resistência dos moradores do local, não. O tumulto começou estimulado por pessoas que nem mesmo eram do Pinheirinho. São os profissionais de sempre do confronto. Dado o número de pessoas que estavam por ali, a ação da força policial foi serena e bem-sucedida. É preciso encontrar um lugar para os moradores? É, sim! Isso terá de ser feito num ambiente de lei e de ordem - e não jogando no lixo uma decisão judicial. A questão é óbvia: se essa podia ser desrespeitada, por que não todas as outras?

Ontem, houve manifestação da Avenida Paulista contra a ação da PM, a que compareceu, entre outros, o senador Suplicy. Considerando o seu histórico de solidariedades — seqüestradores de empresários e um terrorista condenado —, é forçoso admitir que, nesse particular, ele até melhorou um pouquinho…

Por Reinaldo Azevedo

 

O Pinheirinho e os “culpados de sempre” da imprensa “progressista”

Eu não acompanho o noticiário de certos escroques disfarçados de jornalistas ou mesmo de certas emissoras de TV — a não ser, claro, como parte da guerra política e da disputa pelo poder. Interessa-me o jornalismo sério de gente séria. Por isso comento a reportagem do “Bom Dia Brasil”, da Globo. Não em tempo real porque estou, nessa hora, perseguindo o rastro de Hipnos, o pai de Morfeu… Vejo depois, no site do programa.

Há muito tempo, no que se refere a distorções ideológicas de fatos relatados pela imprensa, eu me importo até menos com a adesão consciente a um ponto de vista ou ideologia do que com a adesão inconsciente, aquela determinada por uma esfera de valores da qual as pessoas nem se dão conta. Se vocês clicarem aqui , terão acesso à integra da reportagem do “Bom Dia Brasil” e ao vídeo sobre o Pinheirinho. Verão, é fatal em temas assim, histórias tristes de pessoas que foram desalojadas, denúncias de maus-tratos que, embora não confirmadas, são alardeadas e coisa e tal. Digamos que essas coisas possam funcionar até como uma prevenção a eventuais exageros da força legal. Até aí, vá lá… Mas há coisas que não são aceitáveis.

Na reportagem do “Bom Dia Brasil”, lemos:
“Dois mil policiais foram chamados para participar da operação de guerra montada para a reintegração da área conhecida como Pinheirinho”
O que é “operação de guerra”? A retirada, obrigatória, de cinco a seis mil pessoas da área se fez de modo até pacífico, convenham — não fossem os carros incendiados pelos invasores. “Operação de guerra”, se houve, não foi a promovida pela PM. A reportagem não faz a menor alusão ao fato, já noticiado em jornais da própria Globo, de que extremistas de esquerda infiltrados no Pinheirinho haviam montado a sua própria tropa de choque, convidando a PM para a um confronto.

“O acampamento funcionava como uma minicidade, com casas, igrejas e pontos comerciais. Os moradores foram surpreendidos com a chegada da polícia.”
Faltou informar, tratarei disso em outro post, que esta “minicidade” tinha donos, que funcionavam como uma milícia. Não! Os moradores não foram “surpreendidos”! Tanto é assim que havia até a tal tropa de choque paralela. A ordem de reintegração de posse é de julho do ano passado, o que também não se informa. E teve início a pendência judicial.

O advogado do movimento, Toninho Ferreira, foi chamado às pressas. “Não sabia. Isso aqui é uma loucura, porque tinha uma ordem para não fazer. Nós vamos atrás do comandante para ver”, afirmou.
Não sabia??? Ordem para não fazer? Havia, isto sim, um conflito de competências, que o advogado do movimento, se competente, acompanhava de perto. Eu publiquei nesta manha a mensagem do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo à PM. A Justiça do Estado não é subordinada à federal, que se meteu indevidamente na questão.

“Ele não aceitou a decisão. Falou que só recebe a decisão do Tribunal de Justiça e que vai continuar a reintegração”, afirmou a oficial de Justiça Aparecida Trindade.
Esse “ele” é comandante da PM que cuidava da operação. Ora, isso vai para o ar, assim, e fica parecendo que o policial pode escolher que determinação seguir. Não pode, não! Ele só poderia seguir a dada pelo órgão competente no caso: o Tribunal de Justiça. Ora, se eu, tão “solito”, tenho aqui a ordem expressa dada pelo TJ, é inaceitável que a reportagem do “Bom Dia Brasil” não a tenha. Reproduzo um trecho: “Autorizo, para tanto, requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal”. É inequívoco!

“Nessa área que o poder público chama de invadida tinha luz, asfalto e ônibus circulando, como qualquer bairro.”
Quem é o “poder público” que chama a área de “invadida”, como se ela não fosse, de fato, uma invasão? É! Não é a única no país, sabemos todos, que, embora ilegal, recebe serviços públicos (falarei a respeito em outro post). É tudo lamentável e coisa e tal? É, sim! Mas é preciso que se informe o óbvio:
- não cabe à Polícia Militar escolher se cumpre ou não uma ordem judicial;
- a desocupação era iminente.

O que é lamentável nisso tudo, e aí vale para praticamente toda a imprensa, é a resistência em informar o óbvio: o problema de moradia existe, sim, é grave, ninguém nega. Mas a invasão do Pinheirinho tem um comando: o do PSTU. O seu principal líder, o notório “Marrom”, é assalariado do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Não mora no local. Ele só é um “abnegado”, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo 

 

VOCÊ NÃO VERÁ NA IMPRENSA POLITICAMENTE CORRETA - Pinheirinho era dominado por milícia ideológica que cobrava taxa de moradores e comerciantes

Você não lerá da imprensa politicamente correta, mas é fato. Se os chefes de reportagem — ainda os há nas redações, ou agora o jornalismo é uma soma de mônadas destrambelhadas? — tiverem algum interesse, devem instruir seus repórteres a manter uma conversa frança com os antigos moradores do Pinheirinho.

A área estava submetida a um rígido controle, como direi?, ideológico. Tudo ali tinha preço. Para morar no Pinheirinho, era preciso pagar uma taxa aos “donos do pedaço”, uma espécie de adesão de caráter político, entendem? E variava de acordo com a área, a qualidade do barraco, essas coisas. Não era exatamente um aluguel, mas uma espécie de taxa de “condomínio” — nunca menos de R$ 100 mensais, segundo fiquei sabendo.

Mas não só. Os comerciantes também precisavam pagar uma “taxa” de administração aos leninistas que administravam aquele conjunto — no mínimo, R$ 500. E, vejam que coisa!, nunca o Ministério Público se interessou por isso. Era uma forma de milícia, evidentemente, só que com horizonte redentor. Basta colocar os repórteres para ouvir, e a verdade virá à tona.

Mas isso não vai acontecer. Sabem por quê? Porque boa parte dos jornalistas acredita que, se contar essa verdade, estará fazendo o jogo dos “reacionários”, entendem? Não pega bem! Então se contenta, e alguns se fartam, com as histórias inequivocamente tristes. É uma prática antiga. Sartre, na fase idiota, achava que era necessário esconder os crimes do comunismo para não tirar as esperanças da classe operária. O resultado dessa postura? O comunismo matou bem uns 150 milhões de pessoas sob o silêncio cúmplice da maioria dos intelectuais “progressistas”.

A verdade liberta, sempre. A mentira mata em silêncio.

Por Reinaldo Azevedo 

 

Partido discute contrato com empresário antes de licitação

Por Leandro Colon, na Folha:
Integrantes da cúpula do PP discutiram no ano passado com uma empresa de informática sua participação num projeto milionário do Ministério das Cidades antes que fosse aberta licitação pública para sua contratação. O assunto foi tratado em reuniões no apartamento funcional do deputado João Pizzolatti (SC), ex-líder do PP na Câmara e aliado do ministro Mário Negromonte, único representante do partido no primeiro escalão do governo.

O próprio ministro participou de um dos encontros. Eles permitiram que a empresa, a Poliedro Informática, fizesse contato com a equipe de Negromonte e discutisse o assunto com o governo antes de outros interessados. Também estiveram nas reuniões o secretário-executivo do ministério e braço direito de Negromonte, Roberto Muniz, o lobista Mauro César dos Santos e o ex-deputado Pedro Corrêa, cassado por conta de seu envolvimento no escândalo do mensalão.

A reconstituição desses encontros cria novo embaraço para Negromonte, um dos ministros cotados para ser demitido pela presidente Dilma Rousseff na reforma ministerial atualmente em curso. No ano passado, Negromonte foi acusado de favorecer aliados e a própria mulher na distribuição de verbas do ministério e de oferecer dinheiro a deputados do PP em troca de apoio numa disputa pelo controle do partido.

As discussões com a Poliedro tiveram início no dia 12 de abril de 2011, quando o dono da empresa, Luiz Carlos Garcia, encontrou o ex-deputado Corrêa num leilão de pôneis em Brasília e discutiu o projeto das Cidades. O ministério quer contratar uma empresa para gerenciar suas redes de computadores e monitorar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O valor do contrato é estimado em R$ 12 milhões, mas o dono da Poliedro diz que ele pode alcançar R$ 60 milhões.

Embora não tenha cargos no governo, Corrêa continuou exercendo grande influência no PP mesmo após a cassação de seu mandato, que ocorreu em 2006. Corrêa levou Garcia à casa de Pizzolatti e participou de todos os encontros que eles tiveram.

GINÁSTICA
As três reuniões foram realizadas entre maio e julho de 2011, sempre em dias de semana. Uma delas ocorreu na academia de ginástica que o deputado montou em um dos cômodos do apartamento. “Quando o Pizzolatti está malhando, a gente entra e bate papo”, disse o lobista Santos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Governo federal já tem 22 mil cargos de confiança

Por Cristiane Jungblut, no Globo:
Mesmo vitoriosa na elaboração do Orçamento da União de 2012, quando impediu reajustes para o Judiciário e outras categorias de servidores, a presidente Dilma Rousseff vai arcar este ano com uma folha de pessoal e encargos sociais acima de R$ 203 bilhões, além de contar com mais funcionários em cargos de confiança. Antes mesmo de fechar o primeiro ano de seu governo, em outubro, os chamados DAS (cargos de Direção e Assessoramento Superior) já somavam 22 mil, uma barreira que nunca havia sido alcançada. Desde o segundo ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, as funções comissionadas no Executivo federal só crescem.

Em 2003, primeiro ano do governo Lula, foi registrada uma queda no total de cargos de confiança, dos 18.374 do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002, para 17.559 no final do ano seguinte. Mas, depois, o número só cresceu. No final de 2011, foi de 21.870 para 22 mil - cifra que, apesar de pequena, contraria o princípio do rigor fiscal do primeiro ano de Dilma.

O governo se defende: diz que hoje mais de 70% dos DAS são ocupados por servidores públicos de carreira, que as nomeações políticas são minoria e que há um esforço de “profissionalização” do serviço público. Os cargos de confiança com livre provimento, ou seja, de pessoas de fora do serviço público, são os DAS-6, categoria mais alta, e costumam ser ocupados por indicações políticas. Eles têm remuneração média de R$ 21,7 mil e, em 2011, somaram 217 vagas, contra 209 de 2010.

Em 2005, para evitar as acusações de aparelhamento, o governo implantou uma regra. Os DAS de nível 1, 2, 3 e 4 passariam a ser preenchidos, em sua maioria, por servidores de carreira. Em 2007, os DAS ganharam reajuste de até 139,75%, mas há pressão por novo aumento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Governo do Irã sente falta de Lula

Por Samy Adghirni, na Folha:
O embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, disse em recente entrevista que a relação com o Brasil continua tão boa no governo de Dilma Rousseff quanto foi na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o tom que predomina em Teerã é bem diferente. Autoridades iranianas enxergam claro distanciamento e já há sinais pouco amistosos em direção ao Brasil.

“A presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito. Ela destruiu anos de bom relacionamento”, disse à Folha na quarta-feira, por telefone, Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente Mahmoud Ahmadinejad e chefe da agência de notícias estatal Irna. “Lula está fazendo muita falta”, afirmou, numa referência à opção de Dilma, no cargo desde janeiro de 2011, de dar menos ênfase ao Irã.

Javanfekr corre risco de ser preso por supostas ofensas ao líder supremo, Ali Khamenei. Mas o porta-voz ainda é descrito pelo “New York Times” como “uma das mais fortes figuras para divulgar recados [do Irã].”

BARREIRAS
A irritação iraniana também se nota nas recentes barreiras contra exportadores de carne brasileira. A União Brasileira de Avicultura afirma que as vendas de frango para o Irã, em alta até outubro, passaram a ser vetadas sem justificativa. Já a multinacional brasileira JBS relata ter tido milhares de toneladas de carne bovina retidas por três semanas num porto iraniano.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Clínicas para viciados são parte de nossa caridade; o verdadeiro trabalho de prevenção é a repressão ao tráfico e ao consumo

Aqui e ali, vejo tentativas de reproduzir ou sintetizar o que tenho escrito sobre a cracolândia e, mais genericamente, sobre as drogas — e a descriminação —, e constato sínteses absolutamente erradas. Acho que escrevo com razoável clareza. Mas o debate é mesmo complexo, e é grande o bombardeio de opiniões, informações e difamações. Tudo acaba na tal zona cinzenta. Vamos lá.

POLÍCIA PARA QUEM PRECISA
Eu não acho que a retomada do centro de São Paulo pelo Poder Público, devolvendo-o ao estado democrático e de direito, seja uma medida para combater o vício, socorrer os viciados ou liquidar com o tráfico de drogas. Eu considero que a retomada daquela área é apenas a retomada daquela área, a saber: o que é de todos não pode ser privatizado por um grupo que cultiva um hábito, um vício ou mesmo um conjunto de valores.

Se, amanhã, cinco mil apreciadores de Tubaína decidirem tomar um pedaço da cidade, hostilizando quem não é da grei, ameaçando, sitiando as pessoas em suas casas, emporcalhando a área, acho que a polícia tem de entrar em ação. A propósito: eu acho que nem mesmo os admiradores da Bíblia, da minha religião ou de qualquer outra, têm o direito de se impor, cerceando liberdades garantidas pela Constituição. Essa história de que drogado precisa de médico não de polícia é uma falácia, uma picaretagem. Para se livrar do vício, pode ser. Se ele estiver cerceando o direito de outros, precisa mesmo é de polícia, ora! Aliás, eu defendo que se faça o mesmo com quem estaciona seus carrões fora do local permitido. É preciso acabar com essa coisa estúpida, muito comum entre nós, de que “o público não é de ninguém”. É, sim! É de todos!

A REPRESSÃO E A PREVENÇÃO
Vocês sabem: sempre digo tudo, ainda que possa aborrecer. Mas há questões que me mobilizam mais e questões que me mobilizam menos.  Atenção para os passos seguintes.

Sou contrário — e não entrarei no mérito neste texto porque há dezenas neste blog a respeito — à descriminação das drogas. O crack, aliás, é o argumento “quase-vivo” de por que não. Acho que cabe ao estado reprimir, com dureza máxima, o tráfico de drogas e, sim, as, sei lá como chamar, “cidades dos viciados”, espetáculos deprimentes de crueldade. Traficar e consumir drogas devem ser atividades malvistas pela sociedade. Não há um só motivo para que o Poder Público seja um facilitador de uma coisa ou de outra. Mas atenção! Eu não sou exatamente um crente na estratégia da medicalização, não!

INÚTIL MEDICALIZAÇÃO
O que quero dizer com isso? As sociedades não vão se livrar de todos os seus viciados. Desde que o mundo é mundo, eles nos assombram. Na Bíblia, não há exemplos de comunidades reunidas para cultivar ou celebrar uma substância, mas Sodoma e Gomorra já são exemplos de uma organização contra os costumes, não? Sempre houve; sempre haverá! A melhor prevenção que se pode fazer — além, claro!, da educação (sem superestimá-la) — é criar dificuldades para que a droga chegue ao consumidor; vale dizer: é mesmo a repressão. Acreditar que vamos nos livrar de nossos viciados espalhando clínicas país afora é, se querem saber, uma ilusão. Não vamos, não!

Mas não darei este murro em ponta de faca. Dou muitos outros; este não! E digo por quê. Há, sim, a possibilidade de se curarem uns tantos gatos pingados nesse esforço. Sou cristão. Uma vida humana, qualquer uma, já me é muito cara. Se um homem se salvar, rejubilo-me. Como escolha de política pública, no entanto, trata-se de custeio, não de investimento. Vivemos dias em que se acredita que só os loucos e os doentes fazem escolhas erradas. Não é verdade! Convém que a gente lide com a hipótese de que muita gente só sabe viver daquele modo, experimentando aquele limite!

Qual seria a minha escolha? Reitero: reprimir o tráfico e deixar claro que nem viciados em crack nem viciados em tubaína imporão a sua (in)disciplina a terceiros. Garantido isso, que cada um viva segundo a sua escolha até o limite em que não passe a ser uma ameaça pública. O suicídio é uma abominação, mas nenhum estado é tão abominável a ponto de proibi-lo… Caso se leve mesmo a sério a proposta de espalhar clínicas país afora (duvido um pouco), veremos o óbvio: muito dinheiro será torrado, e o resultado será pífio. Sim, é verdade: neste momento, milhões de pessoas se entopem de barbitúricos, analgésicos etc. É uma forma do vício. Só que seus usuários não saem por aí ameaçando pessoas. “Ah, é só porque é legal!” Mentira! O crack não era (ou não é) reprimido nas cracolândias, e a gente viu no que se transforma aquilo.

Essas clínicas, como política pública contra as drogas, serão inúteis, e ainda há o risco — fiquemos atentos! — de estimular o consumo, sugerindo que há uma “cura” para o mal. Mais: a seguir a cartilha do Ministério Público, o viciado fura a fila até para conseguir uma moradia financiada pelo Estado. Pretende-se estupidamente que a droga encurte o caminho para benefícios sociais, o que é um acinte à inteligência. Volto à questão daqui a pouco, ao tratar das internações forçadas.

OS LIMITES DA EDUCAÇÃO
Muito se fala também de um trabalho amplo de “educação” contra o crack. É… Olhem aqui: fosse esse um fator realmente decisivo, não haveria mais transmissão do vírus da AIDS pela via sexual — aconteceria, eventualmente, em rincões de desinformação, e olhem lá! E, no entanto, a contaminação continua grande. Falta informação? Não! Falta conhecer os riscos? Não! Falta camisinha? Não! Não há política pública eficaz, lamento escrever, contra “o tesão de correr riscos”. Ora, bem pouca gente ignora os efeitos deletérios das drogas ou o perigo do sexo sem proteção. Não se inventou prevenção maior contra uma coisa e outra do que cultivar valores que sejam hostis a um e a outro.

E, nesse caso, cometem-se, com freqüência, verdadeiros crimes morais e educacionais. Lembro-me, por exemplo, de uma propaganda na TV contra AIDS que mostrava um grupo numa festa animada e tal. Corte! O rapaz dá um pulo de susto na cama, olha do lado, vê um desconhecido, apavora-se, mas relaxa ao ver o invólucro aberto de uma camisinha no criado-mudo. Isso é campanha contra AIDS? Não! Isso é uma campanha a favor! O VALOR que afasta a AIDS é o sexo responsável. A camisinha é só a barreira física. No caso, responsabilidade não havia. O sujeito nem mesmo tinha memória da transa.

Finalmente, trato das internações forçadas. Quando já não conseguem mais encontrar uma resposta, as famílias têm recorrido a esse expediente. Mas há, sim, casos em que o viciado já rompeu também esse vínculo — não raro, acometido de moléstias mentais as mais variadas. Como sociedade, podemos — e acho que devemos — retirá-los das ruas e procurar tratá-los. Mas é só uma medida de segurança e de caráter humanitário, não necessariamente para acabar com vício. Se ocorrer, muito bem — mas não sou exatamente um otimista nessa matéria, já disse. Creio que é preciso fazê-lo para que deixem de ser uma ameaça pública e para que possam receber um tratamento digno. Quanto estaremos dispostos a investir nisso?

CONCLUINDO
Considero as eventuais clínicas e centros de recuperação públicos, quando e se os houver em número significativo, uma expressão da CARIDADE, não de uma política de combate às drogas. A educação deve cuidar da informação. Em tese ao menos, quanto mais se sabe sobre um assunto, melhor é a escolha. Mas nenhum trabalho do estado é tão importante quanto a repressão ao tráfico e, sim!, ao consumo. Não será com o estado-babá que se vai manter a questão sob controle. A cada vez que alguém é flagrado com droga — ainda que apenas para seu consumo —, sem que isso gere alguma conseqüência ou obrigação junto ao estado, há um pequeno investimento no caos social e na calamidade. Nessa matéria, a verdadeira prevenção é a repressão eficaz.

Podemos — e até devemos — criar as tais clínicas como expressão da nossa caridade. Mas não podemos ser generosos com o vício. Vender droga será sempre um bom negócio, e é preciso meter em cana os traficantes. Mas consumi-la tem de ser um mau negócio. Cuidemos, sim, de nossos doentes. Mas não podemos e não devemos ser tolerantes com os viciados em transgredir as regras  e, pior, recompensá-los por isso.

Por Reinaldo Azevedo

 

D. Odilo, este sim, fala pela Igreja de Deus, que preza os homens!

Na Folha:
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, disse que a operação desencadeada na cracolândia neste início de ano é um “presente” para a cidade. Ele considerou como necessária a intervenção da Polícia Militar.

“Eu fico feliz que, neste ano, o aniversário da cidade possa ser coligado com este fato, com este presente à cidade”, disse. “Que o aniversário de 2012 possa ficar marcado por essa intervenção numa ferida. Nunca uma intervenção numa ferida é indolor, mas que seja para sua cura, para sua superação.” São Paulo completa 458 anos na quarta-feira que vem.

O religioso visitou ontem as obras do Complexo Prates, centro que atenderá dependentes, ao lado do prefeito Gilberto Kassab (PSD).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Petralhas acham que eu é que tenho de explicar eventual aliança de Kassab com o PT? Eu??? Ora, eles é que devem explicações!!!

Petistas, em especial na sua versão petralha, são mesmo seres muito especiais. Se lógica fosse grama, eles seriam carnívoros. Como não é, os herbívoros se fartam, mas não conseguem, por óbvio, ficar mais inteligentes. O comando do partido, para o bem e para o mal, não reflete, acreditem, a estupidez da base. É “para o bem” porque seria temerário ter no poder tal grau de idiotia política. É “para o mal” porque o comando é mais “esperto” do que muitos admitem. Muito bem!

Os herbívoros estão assanhadíssimos. Enviam-me comentários às pencas com questões como as que seguem:
“E aí, Reinaldo, como é que você vê o Kassab querendo se juntar aos petistas? Você o defendeu tanto; não se sente traído? Como você explica que o prefeito esteja mudando de lado?”
E não poderiam faltar as onomatopéias em que cacarejam, relincham, guincham, zurram, grunhem, latem, grasnam: “quá-quá-quá, oinc-oinc, hauahdshshha…” — e por aí afora.

Kassab faça o que quiser, ora essa! O que eu tenho com isso? Eu defendi, sim, a sua gestão quando achei que era o caso de defender. E apontei algumas perseguições que eram fruto do mais escancarado preconceito ideológico de setores da imprensa. O que escrevi, como sempre, está em arquivo. Dito isso, adiante!

Ele que se explique com a opinião pública e com o eleitorado se fizer mesmo um acordo com o PT. E os petistas que façam o mesmo, já que passaram boa parte de seus cinco anos de mandato tentando sabotar a administração. Eu não tenho de explicar coisa nenhuma! Fui eu que decidi piscar para o PT, por acaso? Estou onde sempre estive: quando gosto aplaudo; quando não gosto, vaio. Eu é que tenho de fazer perguntas.

Então pergunto aos petistas, em especial aos petralhas:
CASO KASSAB SE JUNTE MESMO AO PT, QUAL A ALTERNATIVA CORRETA?
a:
 ele era bom, e vocês não percebiam;
b: você percebiam que era bom, mas o atacavam mesmo assim porque sempre sabotam quem não é da turma;
c: ele só começou a ficar bom quando decidiu se juntar ao PT.

No episódio mais recente, o da cracolândia, por exemplo — atuação conjunta entre Prefeitura e governo do Estado —, eu, mais uma vez, não preciso explicar nada. Defendo que se faça o que está sendo feito há pelo menos 15 anos! Os petistas é que decidiram, a exemplo de Fernando Haddad, atacar as medidas. Caso estejam todos juntos na disputa, dirão o quê? O candidato a prefeito do PT continuaria a ser um crítico feroz da ação das administrações municipal e estadual (porque, afinal, é de esquerda), e o representante de Kassab na aliança iria defendê-la (porque, afinal, é de centro)?

Eu, definitivamente, não tenho nada a explicar. Continuarei a fazer o de sempre: quando gosto, aplaudo; quando não gosto, vaio.

Por Reinaldo Azevedo

 

Setores à esquerda do partido em SP não aceitam negociação entre o prefeito, do PSD, e os líderes petistas em torno da eleição na capital

Por Fernando Gallo e Roldão Arruda, no Estadão:
Preocupados com a aproximação do PSD atrás de uma possível composição nas eleições municipais, setores da base do PT-SP criticam a direção petista pela abertura das negociações e integrantes de tendências de esquerda até ameaçam deixar a legenda caso o acordo com a sigla dirigida pelo prefeito Gilberto Kassab prospere.

“Não admito acordo com esse prefeito e seu partido. Sou membro-fundador do PT e, caso isso ocorra, vou rasgar minha carteirinha e desfazer minha filiação”, afirma Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, vice-presidente da Central dos Movimentos Populares. “Não posso aceitar acordos espúrios da direção do partido sem consultar a base.”

Gegê afirma que vai defender o voto nulo se a aliança com o PSD se concretizar. “Vamos perder a eleição sem o apoio dele? Não importa. Prefiro perder conscientemente a ganhar e não governar. O PT já perdeu muito de seu projeto original por conta desse tipo de acordo.”

As tensões na base petista têm origem na desgastada relação entre a atual administração e os movimentos populares de moradia e saúde.

Em 16 de julho do ano passado, em reunião que contou com cerca de 450 filiados, o setorial de habitação do PT-SP decidiu declarar Kassab “inimigo número 1 dos movimentos de habitação e dos sem-teto em São Paulo” e “recomendar ao PT em todas as suas instâncias que não realize nenhum tipo de aliança com este prefeito”. O documento elaborado falava ainda em “encaminhar uma agenda de lutas para tirar este prefeito nefasto e seus aliados da prefeitura”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma é considerada ótima ou boa por 59% após um ano, diz Datafolha. E daí?

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
A presidente Dilma Rousseff atingiu no fim do primeiro ano de seu governo um índice de aprovação recorde, maior que o alcançado nesse estágio por todos os presidentes que a antecederam desde a volta das eleições diretas. Pesquisa Datafolha realizada na última semana mostra que 59% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa — um salto de 10 pontos percentuais em seis meses. Outros 33% classificam a gestão como regular, e 6% como ruim ou péssima — cinco pontos a menos que na pesquisa de agosto. Não responderam 2% dos entrevistados. A nota média do governo é 7,2. Os números atestam que a presidente não teve a imagem afetada pelos escândalos que marcaram o início de sua gestão. Ela demitiu sete ministros em 2011, seis deles sob suspeita de corrupção.

Ao completar um ano no Planalto, Fernando Collor tinha 23% de aprovação. Itamar Franco contava 12%. Fernando Henrique Cardoso teve 41% no primeiro mandato e 16% no segundo. Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 42% e 50%, respectivamente. De acordo com o novo levantamento, a avaliação de Dilma melhorou entre homens e mulheres e em todas as faixas de idade, renda familiar e escolaridade. Sua aprovação agora é de 62% no eleitorado feminino e de 56% no masculino.

A presidente alcançou um equilíbrio entre os eleitores da base e do topo da pirâmide social. Tem 61% de ótimo e bom entre os que estudaram até o ensino fundamental e 59% entre os que chegaram ao ensino superior. Na divisão por renda familiar, o maior avanço foi na faixa de cinco a dez salários mínimos: 16 pontos de melhora, atingindo 61% de aprovação. Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, a chave para entender a evolução dos números nos últimos meses está na economia.
(…)
A fatia de entrevistados que acredita que sua situação econômica vai melhorar subiu de 54% em junho passado para 60% neste mês. O otimismo sobre a economia do país foi de 42% para 46% no período. Em 2011, a inflação chegou a 6,5%, a maior em sete anos. A alta de preços atingiu o pico em setembro, mas agora segue tendência de queda. A imagem pessoal de Dilma também melhorou. Ela é considerada “decidida” por 72% dos brasileiros. Para 80%, ela é “muito inteligente”, e para 70%, “sincera”.
(…)

Comento
Os índices são formidáveis para presidente que teve de demitir seis ministros sob suspeita de corrupção — e só não demitiu mais porque achou que tinha capital político, e tem, para não arrumar mais confusão na base aliada. A economia deu uma discreta piorada para o consumidor na comparação com Lula, mas nada que assuste. Continua fortemente ancorada no consumo, e a percepção é a de que tudo vai bem.

A oposição, como discurso alternativo, neste primeiro ano de governo Dilma, mal existiu. Procurou repercutir denúncias feitas pela imprensa e coisa e tal, mas é preciso bem mais do que isso. Se, no passado, não soube cuidar dos seus acertos, hoje, não consegue cuidar dos erros do governo. É claro que há exceções, como, para citar um, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sempre muito atento.

Dilma deu a sua grande tacada quando se livrou da primeira leva de ministros-problema. É bem verdade que amplos setores da imprensa colaboraram, alimentando a imagem da presidente decidida, que é ombudsman do próprio governo. Ela é tratada como a gerente durona da máquina — 72% a consideram “decidida”.  A presidente não cumpriu, nem minimamente, as promessas feitas para o primeiro ano. E daí?

Anteontem, lemos nos jornais que Dilma, vejam vocês, se opõe a cortes no Orçamento que atinjam áreas sociais ou que acabem refletindo no consumo e no emprego. Tem-se a imagem da mulher destemida que luta por nós “lá junto aos homens”. É a nossa protetora. Assim como nos protegeu ao demitir aqueles seis — que ela havia nomeado. É evidente que essas construções têm menos chances de prosperar quando encontram pela frente um discurso organizado de combate a mitos e mitologias. Mas não há nada parecido.

Concorre, finalmente, para essa avaliação positiva em setores onde o próprio Lula nunca conseguiu avaliação tão expressiva o fato de a presidente ter escolhido o figurino da sobriedade — há o risco de escorregões em período eleitoral, vamos ver. Os mais exigentes nunca tiveram muita paciência para as bazófias de Lula. Dilma optou pelo caminho da discrição. Fala pouco e conseguiu plasmar a imagem de que está sempre muito ocupada, cuidando do Brasil.

De fato, seu governo é lento, fraco. Mas só 6% acham isso, e, para um político, é o que importa. A menos que a crise internacional dê um tombo na economia brasileira — e não há essa perspectiva — ou que venha à luz um escândalo avassalador (ainda existe?), caminha para a reeleição (sim, sei que é cedo e coisa e tal). Ora, perguntem-se: quem lidera o contraponto no país, tornando audível a sua voz?

Encerro lembrando que, se Dilma tivesse dado bola àquele bando de puxa-sacos pagos com dinheiro público, teria mantido no governo todos os suspeitos. Preferiu, ao contrário, atentar para o que informa a imprensa séria, que aqueles vagabundos chamam de “golpista”. Ao fazê-lo, captou um sentimento que a canalha a soldo já não reconhece: indignação. Fez algumas demissões e consolidou a sua imagem de durona e austera. Esse foi o seu maior acerto até agora. O resto é pífio. “E daí?”, pergunta o petralha. “Você está nos 6%, Reinaldo!” Claro que sim! Numa democracia se tolera a crítica da minoria, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

 

Obras de irrigação inacabadas no clã Coelho põem em xeque parceria privada

Por Marta Salomon, no Estadão:

Cabras vagueiam ao longo da obra inacabada do Perímetro de Irrigação Pontal, em Petrolina (PE), em meio aos carros-pipa que levam água de canais que nada irrigam para comunidades do semiárido. Perto dali, no reduto político da família de Fernando Bezerra Coelho, funciona o maior projeto de irrigação do País, o Nilo Coelho - nome de um tio do ministro da Integração Nacional -, que produz mangas e uvas para exportação.

Os dois perímetros já consumiram R$ 1,1 bilhão em verbas públicas, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). O governo prevê investimentos de mais R$ 160 milhões no Pontal e no Nilo Coelho até 2015, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento. Mais importante: os dois estão em primeiro lugar no plano do governo de busca de parceiros privados para levar adiante os projetos de irrigação do País, cuja sustentabilidade está posta em xeque, segundo constatou o Estado em visita à região.

Para produtores e potenciais investidores, a emancipação dos perímetros é possibilidade remota. O tema estará na pauta da reunião ministerial de amanhã com a presidente Dilma Rousseff.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Canal exclusivo leva água até fazenda de irmão do ministro

No Estadão:
Duas placas, uma apontando a concessão de incentivos fiscais do Ministério da Integração Nacional, e outra, com o nome da empresa UPA - Umbuzeiro Produções Agrícolas Ltda., marcam a entrada da fazenda de propriedade de Caio Coelho, irmão do ministro Fernando Bezerra Coelho, no Perímetro de Irrigação Nilo Coelho. O principal aspecto na cena, no entanto, é o canal exclusivo de irrigação que serve a fazenda, com a entrada protegida pelo porteiro Valberto Silva.

“Nenhum canal é exclusivo de uma propriedade, mas neste trecho do perímetro de irrigação só tem ela”, explica Paulo Sales, gerente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho, empresa privada sem fins lucrativos que administra a área. “O canal secundário faz parte do projeto, foi sorte ele ter comprado aquela área”, completa Sales.

Além do canal exclusivo, a propriedade da UPA guarda uma das 39 estações de bombeamento de água do Nilo Coelho. Mas isso não representa nenhum tipo de vantagem, alega Caio Coelho, por escrito. “A UPA Agrícola apenas utiliza e paga pela água necessária à irrigação do seu plantio.”

A irrigação do Vale do Rio São Francisco é, para Caio, “sem a menor dúvida, o melhor investimento público nos últimos anos no Brasil”. O investimento é comandado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), presidida interinamente pelo irmão Clementino Coelho até 12 dias atrás, e subordinada desde o ano passado a outro irmão, o ministro.

A UPA começou a funcionar um ano depois do início de operação do Perímetro Nilo Coelho, segundo documentos da Junta Comercial. Na eleição de 2010, a empresa de produção de mangas doou R$ 100 mil para a campanha de deputado de Fernando Coelho Filho, sobrinho de Caio e filho do ministro da Integração. Outra empresa registrada no nome de Caio, a Transportadora Grande Rio, doou mais R$ 80 mil. Caio Coelho conta o início da produção de mangas para exportação no perímetro Nilo Coelho em 1996. A área de produção irrigada é de 2,2 quilômetros quadrados ou 220 hectares. O empresário diz que o custo de produção é de R$ 15 mil por hectare a cada mês, e que o gasto com água representa 10% desse valor.

Desigualdade. Para os pequenos produtores do Nilo Coelho, a conta é pesada. Os irmãos Jonas e Juvenal Idelfonso de Souza chegam a pagar até R$ 1.200 pela água consumida do cultivo de acerola, comprada por uma empresa japonesa para exportação de polpa ou concentrado da fruta, insumo na fabricação de vitamina C. “A maioria dos pequenos está aqui para viver, a gente paga mesmo quando chove, e a conta bancária está no vermelho há três anos”, conta Jonas, há 26 anos no Nilo Coelho. “Não é essa boniteza toda que mostram”, completa ele. Na contabilidade de Caio Coelho, o custo de produção só é viável quando a produtividade é “alta”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gingrich vence na Carolina do Sul e embola prévias do Partido Republicano

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
O ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich venceu ontem as primárias republicanas do Estado da Carolina do Sul e embolou a disputa pela vaga de candidato do partido, que concorrerá contra o presidente Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro.

A votação na Carolina do Sul terminou ontem às 19h (22h de Brasília). Antes mesmo de a apuração começar, no entanto, as principais redes de TV dos EUA, como CBS, CNN e ABC News e Fox News, já anunciavam a vitória de Gingrich com base em projeções demográficas e pesquisas de boca de urna.

Segundo estimativas, o ex-presidente da Câmara dos Representantes venceu com cerca de 38% dos votos. Em segundo ficou o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, com uma votação prevista de 29%. Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, com aproximadamente 17% dos votos, deve garantir a terceira posição. O deputado Ron Paul, de acordo com projeções, obteria 13% dos votos. A apuração oficial só seria concluída na madrugada de hoje.

Em três primárias realizadas, os republicanos tiveram um vencedor em cada. Em Iowa, com a retificação dos resultados, que ocorreu na quinta-feira, Santorum terminou na frente. Em New Hampshire, Romney venceu. Agora, na Carolina do Sul, deu Gingrich. A próxima disputa será na Flórida, no dia 21, onde Romney é favorito, de acordo com sondagens - ele lidera com cerca de 30 pontos porcentuais à frente dos rivais.

Crescimento. A vitória de Gingrich, no entanto, deu-lhe um novo fôlego e deve acirrar a disputa na Flórida. A arrancada na Carolina do Sul veio em razão do grande apoio que ele recebeu de nos últimos dias de setores conservadores do Partido Republicano - há uma semana, ele chegou a ficar cerca de 10 pontos porcentuais atrás de Romney.

A primeira ajuda veio de Sarah Palin, musa do movimento ultraconservador Tea Party e ex-candidata a vice-presidente dos EUA em 2008. Na quarta-feira, ela declarou que se votasse na Carolina do Sul, votaria em Gingrich. No dia seguinte, o governador do Texas, Rick Perry, que até então disputava a nomeação do partido, desistiu e anunciou que também apoiava Gingrich.

A constituição demográfica estadual o favoreceu. O reduto político de Gingrich é o Estado vizinho da Geórgia, que também faz parte do chamado “Sul Profundo” dos Estados Unidos. A Carolina do Sul é majoritariamente branca e conservadora. Romney, um moderado, teve dificuldades para se manter à frente, especialmente após os ataques de Gingrich.

Críticas a Romney. Em anúncios de TV, o ex-presidente da Câmara dos Representantes questionou a vocação conservadora de Romney e tentou associá-lo à imagem de destruidor de empregos nos EUA, além de qualificá-lo como um sonegador de impostos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O que diz um leitor envolvido com a feitura do Enem: FALTAM QUESTÕES NO BANCO!

Recebo a seguinte mensagem de um leitor envolvido com o Enem:

Reinaldo,
Sou revisor de questões do Enem (BNI - Banco Nacional de Itens) e solicito anonimato por razões óbvias. A decisão do Ministério Público do Ceará, na verdade, livrou a cara do INEP de mais uma vergonha! O exame não seria realizado de uma forma ou de outra, pois não há, no Banco, um suficiente número de questões para fazer dois exames anuais. Isso elevaria o risco de se repetirem os fatos do Ceará, isto é, que questões pré-testadas caíssem nos exames. Portanto, é cascata que o cancelamento se deva à ação do Ministério Público do Ceará.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lembram-se da faxina de Dilma e da Conab? Então vejam esta envolvendo o Jovair e o Evangevaldo…

Eles sempre têm, ninguém sabe direito o motivo, nomes muito criativos. A prática é que varia pouco. Leiam o que vai na VEJA Online, por Rodrigo Rangel e Daniel Pereira, em reportagem da VEJA:

O presidente da Conab, Evangevaldo (à esq.), e o deputado Jovair Arantes, seu padrinho: o emissário e o mandante no pedido de dinheiro (Alan Marques/Folhapress e Carlos Moura/CB/DAPress)

O presidente da Conab, Evangevaldo (à esq.), e o deputado Jovair Arantes, seu padrinho: o emissário e o mandante no pedido de dinheiro (Alan Marques/Folhapress e Carlos Moura/CB/DAPress)

O deputado Jovair Arantes, de Goiás, é um dos principais generais do baixo clero, aquele exército de parlamentares de atuação inexpressiva no plenário, mas de apetite pantagruélico por benesses pagas com verbas públicas. Político experiente, com cinco mandatos de deputado federal no currículo, líder do PTB e presença constante em reuniões no Planalto nas quais é discutida a pauta do Congresso, Jovair se destaca pela luta incansável por cargos e emendas. Essa obstinação lhe rendeu a simpatia dos colegas e embala os sonhos dele de chegar à presidência da Casa ou ser escolhido ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar de tais sonhos não se terem realizado, Jovair nem de longe é um fracassado. Muito pelo contrário. Braço direito do presidente do PTB, o mensaleiro Roberto Jefferson, o deputado é responsável pela indicação e avalista da nomeação do chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As indicações para cargos são praxe nos regimes presidencialistas em que o governo é apoiado por uma aliança de partidos, como ocorre no Brasil. Fazem parte do jogo - desde que, é claro, não sejam usadas para que políticos e legendas enriqueçam ou se financiem à custa do contribuinte. E é essa justamente a suspeita que pesa sobre Jovair Arantes. No escândalo que derrubou Wagner Rossi do Ministério da Agricultura, o líder petebista foi apontado como sócio de um consórcio montado em parceria com o PMDB para desviar dinheiro da Conab, estatal com orçamento anual de 6 bilhões de reais chefiada desde o ano passado por Evangevaldo Moreira, seu homem de confiança há mais de uma década.

Jovair também já foi investigado por envolvimento com a chamada máfia dos sanguessugas, que desviava dinheiro destinado à compra de ambulâncias, e, mais recentemente, teve seu nome relacionado às fraudes com dinheiro de emendas do Ministério do Turismo. Isso sem falar nas denúncias que envolvem os órgãos controlados por seus apadrinhados no governo estadual de Goiás, que costuma apoiar sempre, qualquer que seja o governador. Trata-se, portanto, de um personagem recorrente da crônica político-policial.

Agora, o líder do PTB na Câmara é acusado por um ex-aliado de cobrar propina - descaradamente - para chancelar suas indicações. Quem acusa é Osmar Pires Martins Júnior, ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia e presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente até 2006.

Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. “O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público”, escreveu.

Ex-filiado ao PT, rompido com o grupo de Jovair por causa das conveniências políticas locais, Osmar Pires diz que o portador da proposta milionária foi justamente Evangevaldo Moreira - aquele que Jovair empurrou goela abaixo do governo federal e aboletou há um ano na presidência da poderosa Conab, onde permanece apesar da faxina no Ministério da Agricultura. O autor da acusação, ao que tudo indica, sabe do que está falando: ele próprio é alvo de quinze processos por malfeitos cometidos no serviço público. Por se tratar de uma suspeita de crime envolvendo um deputado federal, detentor de foro privilegiado, o Ministério Público de Goiás vai enviar os papéis para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Procurado por VEJA, primeiro Jovair Arantes disse conhecer bem Osmar Pires e teceu elogios ao ex-companheiro: “A gente vive na mesma cidade. Não temos amizade pessoal, de frequentar um a casa do outro, mas o conheço bem. É um quadro muito qualificado, um gestor competente, conhecedor profundo da gestão ambiental e uma pessoa de bem”. Informado da acusação, de repente ele mudou de tom: “Cada um fala o que quer. Se fez isso, agiu indevidamente e deve responder por isso”.

 

Acusador: Apontado por Jovair como “quadro qualificado”, Pires fez a denúncia ao MP em dezembro (Diomício Gomes/O Popular)

Acusador: Apontado por Jovair como “quadro qualificado”, Pires fez a denúncia ao MP em dezembro (Diomício Gomes/O Popular)

Evangevaldo negou que tenha sido o portador da proposta. “Nunca conversei isso com esse moço”, disse. Ao contrário de seu padrinho político, o presidente da Conab tentou desqualificar o denunciante: “Ele foi afastado da agência porque responde a vários processos. Uma pessoa assim não pode ter credibilidade para fazer denúncia contra ninguém”. Na ocasião do suposto pedido, Evangevaldo, ou Vange para os amigos, era o diretor financeiro da agência, especialmente interessante aos políticos por seu poder de autorizar ou proibir grandes empreendimentos. Ele ocupava o posto por indicação de Jovair, claro. Aliás, Evangevaldo sempre é o homem escolhido por Jovair para ocupar os cargos relevantes que lhe são disponibilizados. A Conab é o mais vistoso de todos, mas vários outros vieram antes. Como uma chefia do INSS em Goiás, de onde ele saiu debaixo de investigação da Polícia Federal. A partir da quebra de seu sigilo fiscal, os policiais concluíram que pelas contas de Evangevaldo passava mais dinheiro do que sua renda permitia - treze vezes mais. A investigação concluiu ainda que, depois que virou homem de confiança de Jovair, Vange teve uma estrondosa evolução patrimonial, também considerada incompatível com seus rendimentos. Nada, porém, que fosse suficiente para impedir que ele continuasse ocupando cargos públicos - ou que abalasse sua dobradinha com Jovair, o enrolado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Violência das manifestações, violência policial e violência jornalística. Ou: Escandalosa parcialidade

É… Governar São Paulo não é bolinho, né? Por aqui, maconheiros saem às ruas, em claro desafio à lei — é mentira que estivessem apenas se manifestando… —, fazem a apologia das drogas, são levemente reprimidos pela Polícia, e o caso vira um escândalo, ganha uma visibilidade imensa, as TVs deitam e rolam… A chamada “invasão da USP” — “invasores” eram os que ocupavam ilegalmente a Reitoria — rendeu tratados sobre a autonomia universitária, confundida com a soberania de alguns grupelhos que decidiram seqüestrá-la. A retomada da área conhecida como cracolândia mobilizou apologistas das drogas, esquerdistas, libertários os mais variados… A Secretaria Nacional de Direitos Humanos transformou-se em QG de resistência à ação…

Por que isso tudo?

Vi há pouco no Jornal Nacional que a Polícia Militar de Pernambuco reprimiu com energia — bala de borracha, bombas de gás, bombas de efeito moral, uns cassetetes — uma manifestação contra o reajuste da passagem de ônibus em Recife.

Huuummm…

Eduardo Campos, do PSB, governa Pernambuco em parceria com o PT, que está na Prefeitura de Recife. A PM pernambucana age como a piauiense, também gerida pela parceria PSB-PT, que também desceu o sarrafo na estudantada e pelo mesmo motivo. Hudson Christh Silva Teixeira, estudante de filosofia da UFPI (Universidade Federal do Piauí), ficou cego de um olho em razão de um estilhaço que o teria atingido, depois da explosão de uma bomba de efeito moral (aquelas que fazem barulho). Ninguém meteu o microfone na cara do governador Wilson Martins para que se explicasse.

O governador Geraldo Alckmin foi bombardeado pelos repórteres companheiros, embora ninguém tenha se machucado nem na USP nem na cracolândia. No Espírito Santo, governado por Renato Casagrande, igualmente do PSB em parceria com o PT, a PM enfrentou protestos idênticos e do mesmo modo.

ATENÇÃO!

Segundo andei lendo, os grupos contrários à elevação das tarifas estão recorrendo à violência. No caso do Piauí, ela é admitida pelos próprios promotores dos protestos. Não tenho elementos para avaliar se a polícia dos “companheiros socialista-petistas” exagerou ou não. O que sei é que não endosso atos violentos — tampouco uma polícia destrambelhada.

O meu ponto
O meu ponto é outro. Por que esses eventos interessam tão pouco às TVs. Por que interessam tão pouco aos jornais? Por que não costumam despertar nem a atenção da imprensa local? Imaginem… Um estudante que tivesse ficado cego de um olho no confronto com a PM de São Paulo, ainda que num acidente infeliz, levaria grupos de direitos humanos a denunciar o governo a entidades internacionais de direitos humanos. Maria do Rosário, a pressurosa, enviaria um representante do seu ministério para o estado.

Como se trata do governo dos companheiros, aí a imprensa trata o assunto com discrição, as tais entidades se calam (PORQUE QUASE TODAS SÃO FINANCIADAS PELO “PARTIDO”), e é como se nada tivesse acontecido.

Este não é um texto para denunciar a “violência policial” dos companheiros, não. Não sou irresponsável como os esquerdopatas. Antes de uma criteriosa avaliação, não julgo. Este é um texto para denunciar um esquema mental que faz inocentes e culpados segundo o partido a que pertencem, não segundo aquilo que fizeram ou deixaram de fazer.

As televisões e os jornais em particular têm de se perguntar por que uma “desinvasão” pacífica como a da USP, que não feriu uma só pessoa, seria mais importante do que um confronto que deixa um estudante cego de um olho; têm de se perguntar por que a ação destemperada de um único policial na universidade contra um invasor, que desrespeita a lei, merece uma reportagem em tom grave, que mobiliza até a OAB, e a pancadaria em três estados “companheiros” ganha um leve registro.

“E você, Reinaldo, também não varia seu juízo segundo o partido?” Eu não! Alguém me viu aqui condenar a PM desses três estados? Eu sou contra a violência de manifestantes e a violência policial em São Paulo, Pernambuco, Piauí, Espírito Santo…

E considero a indignação seletiva de parte da imprensa uma espécie de violência jornalística.

Texto originalmente publicado às 22h28 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • João Marino Delize Maringá - PR

    Eu não senti nenhum cheiro de sangue o que eu senti foi uma grande injustiça provocada por juizes que ganham rios de dinheiro e mandam destruir as casas

    de gente pobre que não tem onde morar para agradar um cara que já deu um grande golpe na Bolsa de valores e agora com o seu dinheiro sujo põe na rua milhares de pessoas indefesas. Esta é a podre justiça brasileira muitas vezes acobertada pela mídia das Elites.

    0