A Comissão da Morte está com a foice na mão e propõe legalizar aborto e eutanásia...

Publicado em 09/03/2012 00:13 e atualizado em 02/08/2013 15:57 1232 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A Comissão da Morte está com a foice na mão e propõe legalizar aborto e eutanásia; é o “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” em ação

Queridos, tive de fazer uma breve viagem. Na noite deste domingo, volto à luta. Peço que vocês leiam tudo o que houver a respeito e se informem, que o debate vai pegar fogo. A comissão que estuda mudanças no Código Penal decidiu, na prática, LEGALIZAR O ABORTO. E o fez da forma mais hipócrita e safada possível: dando à coisa um outro nome, para tentar enganar o Congresso e a população brasileira. Aos poucos, os partidários do “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” vão tentando aplicá-lo na prática. E eu vou demonstrar isso em outros textos.

Vamos ver quanto tempo vai demorar para que alguma legislação não-constitucional tente a censura à imprensa. Reparem: a) o direito de propriedade é, a cada dia, menos respeitado; b) recomeçou a perseguição aos crucifixos; c) comissão propõe a legalização do aborto… Estava tudo lá  no plano nacional-socialista. Não custa lembrar: ele tinha passado pela revisão final da Casa Civil, cuja titular era Dilma Rousseff. 

Voltarei obviamente ao caso. Eis aí uma boa lição para a hierarquia católica no Brasil, com sua conversinha mansa. Todo o entulho autoritário do plano nacional-socialista está voltando, pelas bordas… É bom ir à luta porque eles estão com tudo. O texto também legaliza a eutanásia.

Os progressistas emissários da morte estão assanhadíssimos. Já nem precisam mais do martelo. Estão com a foice na mão.

Só para encerrar este post : textos da imprensa que tratam do assunto continuam a afirmar que um milhão de abortos são feitos por ano no Brasil. É mentira! Esse número é do lobby pró-aborto. Não existe. Cobrem dos jornalistas dos veículos que vocês lêem a fonte desse número; exijam que eles digam em que base de dados confiável ele está. Se não vier resposta nenhuma, desista e vá ler algo honesto.

Preparem-se. Não se descartam passeatas de pelados - que não foram abortados, por suposto - em favor de causa tão humana, nobre e digna. E corajosa também!, já que o inimigo a ser eliminado é muito perigoso …

Por Reinaldo Azevedo

 

Sem Lula, tanto o governo como o PT vivem momento de desarticulação. Ou: Dilma toca mal o “feudalismo de coalizão”

O ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, homem de Lula no Planalto e figura mais influente no PT depois do ex-presidente, admitiu que o governo enfrenta dificuldades políticas. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto depois:

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu nesta quinta-feira que o Palácio do Planalto vive um “momento tenso” na relação com a base aliada. O governo sofreu sua primeira derrota no ano no Congresso Nacional, nesta quarta-feira, com a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo à direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por 36 votos contrários e 31 favoráveis. O movimento foi liderado pelo PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer - que, inclusive, foi chamado às pressas pela presidente para uma reunião emergencial no Planalto nesta quinta.

A articulação da base ocorreu mesmo depois de a presidente mandar liberar verbas na tentativa de agradar aliados insatisfeitos com o controle sobre gastos dos ministérios e com o aperto na liberação de emendas dos parlamentares. “As nossas relações com os partidos são duráveis, passam por momentos tensos, por momentos mais calmos”, disse Carvalho, após participar de seminário em Brasília. Questionado se esse era um dos momentos tensos, respondeu: “É um momento tenso, mas vamos dialogar, vamos conversar, vamos nos entender. Não é hora de nenhuma declaração precipitada, é hora de entender que a democracia implica em vitória, derrota e vamos avançando.”

Preocupação
Para o ministro, a relação do governo com os partidos da base aliada é “suficientemente madura” e “bem fundamentada” para a “gente não sair rasgando as roupas de preocupação”. “A gente vai com calma, conversar e recompor essa relação”, disse Carvalho.

Voltei
A rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, que foi articulada pelo PMDB, indica as dificuldades do governo Dilma — e do próprio PT — sem a gerência de Lula. O PMDB é o que é, e o PT sabia muito bem com quem estava se casando. Notem que o partido não viu nada de errado em aplicar uma derrota a Dilma quando o país, para todos os efeitos, estava sob o comando de Michel Temer. O vice-presidente da República, de uma maneira muito particular, não deixa de ser o único “oposicionista” que realmente preocupa o Planalto.

Mas por que a insatisfação? Reitero: o PMDB é o que é, mas até alguns petistas admitem que o estilo Dilma é mesmo exasperante. Lula lidava melhor com o “feudalismo de coalizão” que é a República brasileira, do que a sua sucessora. Em muitos aspectos, era mais parecido com FHC. Seus ministros tinham mais liberdade para agir. No limite, ele ajeitava tudo com uma piada, uma batatada qualquer, todos riam, e ficava por isso mesmo. Também operava com mais dinheiro no caixa.

Dilma, de fato, dizem seus apologistas em tom de elogio, quer saber de tudo. Só que tem dificuldade para decidir. O PMDB tem nas mãos ministérios fortes, mas não consegue aparecer, implementar programas que lhe permitam chegar adequadamente à clientela. Não raro, há um segundo escalão petista na pasta que trava tudo. Somam-se a isso dificuldades que o partido vem enfrentando para formar palanques municipais. O PT está disposto a tomar muitas cidades de seu “parceiro”.

Estivesse Lula na ativa, como antes, tudo seria resolvido no “governo paralelo”. Mas ele, efetivamente, não está em condições de atuar. Ainda que venha a ter alta nos próximos dias, não é e não será o mesmo. O governo se ressente disso. E, se querem saber, o partido também. A pré-candidatura de Fernando Haddad em São Paulo enfrenta algumas dificuldades. O que deveria ser um pré-lançamento retumbante começa a se parecer com um balão murcho.

Vivem todos à espera da volta do “chefe”. É claro que ele vai voltar — com que ânimo, é o que se verá. Uma coisa é certa, sem Lula, o governo desfalece, e o PT começa a bater biela.

Novos líderes
Dia desses, alguns “inteliquituais independentes” que querem Haddad na Prefeitura apontavam a falta de renovação no PSDB… Pois é! Vejam o caso do PT. Já lideraram os tucanos, em vários momentos, Franco Montoro, Sérgio Motta, Mário Covas, FHC, Alckmin, Serra… No PT, há 32 anos, existe um único líder, uma única voz, um único senhor, uma única orientação, uma única cabeça, uma só vontade: LULA! Tem sido importante para garantir a unidade do partido, que lhe deu musculatura para ser o que é hoje. Mas já deu pra perceber o que acontece na sua ausência.

Eu diria que o PT precisa se renovar. Quer dizer, não precisa, não — se é que me entendem…

Sem Lula, o “feudalismo de coalizão” vira “baguncismo de colisão”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Já são 851 os militares da reserva que endossam texto de protesto – 91 são oficiais-generais

Segundo atualização feita às 22h desta quinta, já são 1.437 as assinaturas no documento que protesta contra a pressão exercida pelo ministro Celso Amorim (Defesa) e pela presidente Dilma Rousseff para que os clubes militares retirassem um manifesto com críticas a declarações das ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Mulheres).

Entre esses 1.437, há 586 civis, incluindo um desembargador do TJ-RJ. Os outros todos são militares: 851 — 91 deles oficiais-generais. Quando Amorim resolveu dar o murro na mesa, havia apenas 98 assinaturas, com 13 generais. O ministro já deu sinais de recuo, afirmando que cabe a cada Força tomar suas respectivas medidas, num tom diferente do inicial. Vamos ver.

Essa foi, até agora, a maior tolice feita na área militar em pouco mais de nove anos de governo petista. Quem fez a diferença desta vez? Ora, o gigante Celso Amorim. Em uma semana, ele conseguiu multiplicar as adesões militares por quase nove! Um gênio da raça, uma verdadeira antena da civilização!

Por Reinaldo Azevedo

 

Os pitorescos do selim. Ou: A revolução dos pelados reacionários

Mas que gente pitoresca!

Como sabem todos, a minha única intenção no primeiro texto sobre os bikers, que pretendia ser o último, era lhes informar que eles não tinham o direito de parar a Avenida Paulista, que aquela era uma ação fascitoide. Já tinha ouvido falar e contatei bem de perto que os bikers mobilizados, os talibikers e fascisbikers, se querem mesmo pensadores da cultura, da democracia, da economia, da ecologia e da política. Ah, deixem-me atrair mais um pouquinho de ódio: aposto que a maioria vota na Marina Silva e jura entender o que ela diz. O obscurantismo costuma ser totalizante! Dada a qualidade da argumentação, nota-se que eles aprenderam tudo aquilo alisando o selim - já que não brota uma maldita referência técnica, nada! O maior pensador que eles conseguiram mobilizar foi Gilberto Dimenstein, que apóia a “Pedalada pelada”. O jogo de sílabas mexe com os meus instintos concretistas mais primitivos, mas vou me conter. Volto. Que gente pitoresca!

Fiz um texto até bem-humorado (sim, os “bikers” se querem pensadores sérios e não aceitam ser questionados - ou eles prometem até mesmo matá-lo; se for mulher, a coisa pode ser… pior!) sobre o apoio que Dimenstein resolveu emprestar aos que pretendem desfilar pelados de bicicleta, e a zanga foi imensa. Eles se sentiram ofendidos!!! Ameaçar de morte, pode! Chamar de bestalhão é ofensa inaceitável, punível com a… morte! Entenderam a, por assim dizer, “cabeça” de um talibiker? Ainda não sei quem é o Mulá Omar deles… Eu escrevi “mulá”!!!

Segundo o jornalista, pedalar pelado “é um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo”. Eu acho que a única coisa inteligente que a gente pode fazer pelado, quando acompanhado, é nheco-nheco, ué. Não posso achar? Ficar pelado por São Paulo? Qual é o lema? “Meu traseiro em benefício da cidade”? Sim, manguei, sim, e umas doidas aí me acusaram de machismo. Escrevi: “As pessoas que realmente valem a pena não ficam peladas, e as que ficam não valem a pena…” Ué… Machismo por quê? As mulheres e os gays devem achar o mesmo sobre os homens. Deixem-me arrumar mais uma confusão - até parece que me importo… Isso é como praia de nudismo. Ou junta gente disposta a demonstrar que não está nem aí “para os padrões burgueses de beleza” ou os tarados. Em qualquer caso… “Só gente bonita pode agora ficar pelada?” Eu não afirmei nada disso. Feios e bonitos podem ficar nus à vontade nos ambientes adequados. Se mostram a bunda na rua, facultam o direito de o outro comentar: “Mas que coisa deprimente!” Ou uma bunda feia deixa de ser uma bunda feia porque preocupada com o aquecimento do planeta?  “Então esse é seu critério, Reinaldo Azevedo?”

Ah, chegamos ao ponto. Querem falar a sério? Até os “bikers” merecem isso de vez em quando, e eu não me importo de lhes oferecer uma tábua de salvação para o mundo da cultura e da civilização. Nada é mais privado do que o corpo. O estatuto mais importante das democracias é justamente o “habeas corpus” - literalmente, “tenha o teu corpo”. O nosso primeiro e fundamental direito é a posse daquilo que entendemos ser a morada inteira do nosso espírito. Se desloco um protesto de natureza política, uma reivindicação de caráter coletivo, uma petição ao estado, para o meu corpo, fazendo dele o veículo dessa demanda, eu o exponho a uma politização perigosa, facultando ao outro - e toda mobilização se estabelece contra um dado statu quo - uma reação de que esse corpo pode ser obeto e alvo.

Ao contrário do que afirma Gilberto Dimenstein e do que possam pensar os eventuais pelados que desfilarem pelas ruas, tirar a roupa “por São Paulo” é uma péssima maneira de ficar nu porque nada exprime mais a individualidade, exacerbando-a (quando voluntária) ou humilhando-a (quando imposta), do que a nudez. A manifestação, diga-se, se acontecer, expõe mais do que qualquer outra atitude, a natureza da reivindicação e o caráter dos reivindicantes. Em nome de uma coletividade abstrata; eventualmente tocados por teorias escatológicas, finalistas, despregam-se dos homens comuns, daqueles que ficam às margens das ruas, nas calçadas, assistindo ao desfile, com ar entre irônico e incrédulo. São o que são: individualistas radicais (nada tem a ver com o individualismo dos liberais) que acreditam que a sociedade - da qual, no fundo, julgam não fazer parte - lhes é devedora.

Há mais: ao desfilar pelados, julgam também estar desafiando um padrão moral, ao qual estariam apegados, sei lá, os tradicionalistas, grupo aos quais eles julgam, obviamente, não pertencer - daí que se considerem também inimigos dos carros, que seria outra expressão do convencionalismo, de uma sociedade de valores ultrapassados. Gente como Dimenstein - que, afinal, é da “mídia” - lhe dá a ilusão de que esses postulados têm alguma substância e profundidade.

Imaginem o susto que essas pessoas podem levar se for estudar um pouco… Talvez um dia descubram - e não precisam parar de pedalar para isso; basta que não transformem esse ato num exercício intelectual - que as famosas “interdições” que o cristianismo criou relativas ao corpo foram, na sua origem, uma garantia de liberdade. Passaram por derivações, vamos dizer, moralmente teratológicas ao longo do tempo? Sim! Ocorre que, assim como o cristianismo foi o primeiro pensamento organizado de massa que protegeu a vida das mulheres ao criar a interdição do aborto, também foi o primeiro a proteger a integridade física dos fracos contra a vontade dos fortes. A sacralização do corpo protegia quem podia menos de quem podia mais. Não por acaso, sempre que esse equilíbrio se rompe - nas guerras, por exemplo -, o primeiro gesto do vencedor contra o vencido é o estupro - ou variações reduzidas da humilhação sexual máxima.

O que eu estou dizendo, seus bobalhões, se é para falar a sério, é que esse negócio de tirar a roupa para apresentar uma demanda ao estado nos remete, à diferença dos que vocês possam imaginar, para tempos que nenhum de nós gostaria de viver. O resguardo do corpo foi um fator essencial no avanço da civilização. Foi, sim, um ato de repressão: de repressão do violador contumaz. Ficar pelado para pedir uma ciclovia não é só contraproducente. É também estúpido e incivilizado - coerente, de toda sorte, com quem acha que tem o direito de paralisar a cidade e de demonizar pessoas nas redes sociais só porque não gostou de uma opinião.

Vão estudar! Há coisas que não se aprendem no selim, ainda que andar de bicicleta possa ser um exercício saudável para o corpo.

Por Reinaldo Azevedo

 

10/03/2012 às 5:03

Cúpula do PMDB também ameaça ficar pelada. É sério!

Estou preocupado!

Líderes do PMDB decidiram imitar os bikers e agora também prometem desfilar pelados em Brasília: Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros… Eles dizem não aguentar mais as humilhações impostas pelo PT e a paralisia do governo Dilma.

A exemplo dos “bikers”, eles queriam uma ciclovia só pra eles no governo, onde pudessem transitar livremente, sem enfrentar os engarrafamentos da base aliada. Esses bicicleteiros do PMDB estão com o saco cheio da falta de educação dos petistas, que vivem tirando fina deles na Esplanada dos Ministérios.

Tentaram de tudo. Falaram até com Ideli Salvatti! Foi então que apelaram a uma música do Rei, Roberto Carlos, que, de maneira algo pretensiosa, creio, fecha com chave de ouro: “Só me resta ficar nu pra chamar sua atenção”. Aliás, os peemedebistas, fui informado, vivem cantarolando a canção pelos corredores, em desconsolo, olhando a fotografia de Dilma Rousseff:

Todas as vezes que você passa e nem me vê
Fico pensando no que eu faria pra ter você
Fico pensando milhões de coisas
Qualquer loucura pra ter você
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção
O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome, mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção

O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Só me resta ficar nu pra chamar sua atenção

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 20:45

30 colégios tiveram acesso prévio a questões do Enem, e não apenas um. Obra do “traquejado” Fernando Haddad

Fernando Haddad (PT), a exemplo de Gabriel Chalita (PMDB), ainda não disse por que quer ser prefeito de São Paulo. Ele só sabe que não quer que José Serra seja. Respondendo a um artigo do tucano, que criticou os descaminhos da educação no país, o petista afirmou que “falta a Serra traquejo” na área.  Certo! Vai ver que sim. Traquejo é isto:

MPF-CE: 30 colégios tiveram acesso ao pré-teste do Enem

Por Paula Reverbel, na VEJA Online:
O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho, responsável pelo processo sobre o vazamento das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), afirmou nesta sexta-feira que funcionários de outras 30 escolas, além do Colégio Christus, de Fortaleza, tiveram acesso a pré-testes realizados para compor o exame 2011.

De acordo com as regras do Enem, os pre-teste são realizados em algumas escolas do país para que seja feita a avaliação das possíveis questões da prova nacional. Após os alunos responderem o teste, porém, todos os cadernos com as questões devem ser recolhidos. Nenhum desses cadernos deve ficar com diretores, funcionários ou alunos - justamente para que não haja vazamento.

A Procuradoria, porém, afirma que, de acordo com investigações da Polícia Federal, Evelina Eccel Seara, uma das pessoas acusadas de envolvimento no vazamento de 2011, repassou os cadernos de provas a coordenadores de outras 30 escolas.

Seara, que trabalhava como representante da Cesgranrio - fundação contratada pelo Inep para aplicar o pré-teste, de onde vazaram as questões do exame - organizou uma reunião em uma instituição de ensino onde estavam presentes funcionários de diversas escolas. De acordo com o MP, os cadernos foram distribuídos nesta ocasião.

“Sabemos que os coordenadores desses outros colégios tiveram acesso indevido às provas do pré-teste”, explicou Costa Filho. “Resta saber se esses coordenadores repassaram as questões aos estudantes e se os cadernos eram os mesmos aplicados no pré-teste do Colégio Christus”.

Procurada pela reportagem de VEJA, a Cesgranrio afirmou que, por ora, não vai se pronunciar a respeito. “Só estamos acompanhando as notícias pela imprensa”, diz comunicado da fundação. “Não temos nenhum comunicado oficial da Justiça ou do Ministério Público Federal.”

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 20:09

Dimenstein dá apoio a ciclistas pelados e diz que isso, sim, é tirar a roupa por bons motivos… Pois é… Sempre pensei numa causa melhor…

Pois é. Eu sei que há quem deteste essa minha mania de chamar as pessoas pelo nome. Questão de honestidade. Vamos lá. Eu espero que Gilberto Dimenstein, que se considera o síndico de São Paulo, jamais adira ao texto de humor. Quero que ele continue a escrever coisas com toda aquela seriedade característica. Porque assim se pode rir a valer.

O homem escreve um texto intitulado “Pelados por São Paulo”, em que empenha todo seu apoio a uma passeata de ciclistas nus. Reproduzo seu texto em vermelho e comento em azul. Num momento espantosamente inteligente, Dimenstein chama o carro de “praga urbana”, o que deve levar os talibikers e os fascisbikers ao delírio — menos quando eles têm de pegar o carrão e se mandar para o Litoral Norte, é claro. Vamos rir um pouco.
*
É um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo. Neste final de semana, um grupo de ciclistas desfila pelas ruas de São Paulo no protesto batizado de Pedalada Pelada. É uma manifestação que já vem ocorrendo faz algum tempo, mas, neste ano, tem um significado mais forte.
Atenção para a seguinte frase, senhores: “É um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo.” Isso nos leva, por império da lógica, a supor que:
a) há um jeito não inteligente de tirar a roupa por São Paulo. Qual?
b) tirar a roupa ajuda, de fato, a consertar São Paulo;
c) outros modos de tirar a roupa — inclusive para o nheco-nheco — são menos nobres do que… por São Paulo.

O evento ocorre num momento especial. A morte da bióloga Juliana Dias, na avenida Paulista, deu origem a uma manifestação nacional. A cidade viveu o pânico da falta de combustível nos postos, revelando a dependência doentia do carro. A chantagem dos caminhoneiros mostrou nossa fragilidade. Os congestionamentos cada vez maiores, apesar de todas as obras, fazem com que ideias difíceis de engolir como o pedágio urbano sejam mais ventiladas. Vemos como o rodízio está perdendo o efeito.
É inacreditável. É esse tipo de raciocínio que alimenta os talibikers e os fascisbikers. Ainda que São Paulo tivesse um décimo dos carros que tem, a chantagem dos caminhoneiros seria igualmente inadmissível. Este senhor posa pra cá e pra cá de “especialista”, converte seus achismos em solução técnica e alimenta a militância de outros mais ignorantes do que ele próprio em questões urbanas e de economia.

Crescem as campanhas contra a violência contra o pedestre. Começamos a memorizar quantas pessoas são mortas ou acidentadas por dia.
É preciso uma, inclusive, contra a violência dos ciclistas.

Cada vez mais pessoas vão percebendo que o carro é uma praga urbana e deve ser combatido, limitado, em nome de um mínimo de civilidade. E, assim, todos devem ser treinados a andar mais a pé, metrô, ônibus, bicicleta. Ou compartilhar o táxi ou veículo particular.
Sua fala é uma estultice. POR QUE GILBERTO DIMENSTEIN, ESTE SÁBIO, NÃO ESCREVEU UM TEXTO CONTRA O GOVERNO LULA QUANDO ESTE DECIDIU BAIXAR OS IMPOSTOS DOS CARROS E AMPLIAR O CRÉDITO? Onde estava Dimenstein? Por que não usou o tempo que tem na CBN e suas colunas na Internet para dizer algo assim:
“Pô, eu compreendo que o país precisa proteger empregos na crise e que isso beneficia os mais pobres; eu entendo que temos de manter aquecido o consumo nesse momento, mas o carro é uma praga urbana. Presidente Lula, presidente Dilma, zerem o imposto das bicicletas. Lancem o programa ‘Minha Bicicleta Minha Vida’. Sei que haverá desemprego, mas é tudo pelo bem do planeta”.

O poder público é demandado a tomar mais medidas para um trânsito menos violento. Daí que, neste ano, a Pedalada Pelada tem um significado ao mostrar que, na violência cotidiana do trânsito, estamos todos nus.
Nooosssaaaa! Não é que eu arrepiei com esse fecho, gente?! Eu jamais recomendaria a alguém com tanto entusiasmo uma passeata a que eu não fosse… Gilberto Dimenstein ameaça pedalar pelado?
*
É a segunda vez que São Paulo mostra, neste ano, como tirar a roupa com inteligência por uma causa. Um grupo de amigos deixou-se fotografar sem roupa em solidariedade a uma amiga que teve a privacidade invadida e as fotos divulgadas na internet.

Só se falou em outra coisa! Exibicionistas sempre buscam um pretexto para ficar pelados. Nem que seja salvar vidas…

Evidentemente, há leis que podem impedir o desfile dos pelados. Ruas são espaços públicos onde crianças transitam, por exemplo. Dá pra enquadrar esses Manés de várias formas, a começar pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que Dimenstein deve apoiar. Mas eu defendo que deixem os pelados à vontade, curtindo o seu selim em público (imagino o desconforto tanto de homens como de mulheres, por razões distintas, mas combinadas). Cada um com o seu prazer. Não julgo!  É mais uma chance que a sociedade brasileira tem de conhecer estes valentes, que querem mudar o mundo. Num dia, eles paralisam São Paulo. No outro, transformam seus pingolins e pererequinhas em categoria de pensamento.

A única coisa chata disso tudo — no Brasil e no mundo (e uma turma que costumava tirar a roupa da UnB foi a prova dos noves) —é a seguinte: as pessoas que realmente valem a pena não ficam peladas, e as que ficam não valem a pena…

Por Reinaldo Azevedo

 

Em dois vídeos, Carlinhos Cachoeira aparece como abastecedor de caixa dois de deputado petista

Vejam o que publicou Lauro Jardim, na página Radar, aqui do lado:

Carlinhos Cachoeira, preso na semana passada em uma operação da Polícia Federal contra jogos de azar, abasteceu o caixa dois de uma campanha petista em Goiás.

É o que revelam dois vídeos que circulam desde o início da semana entre políticos de Goiás com o flagrante de uma conversa entre o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) e o bicheiro.

No primeiro diálogo, Cachoeira oferece 100 000 reais para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra oportunidade.

Na segunda conversa, a negociação do caixa dois de campanha fica ainda mais nítida. Cachoeira ensina ao petista - que concorda com todas as frases ditas - como proceder com o dinheiro:

- Eu não posso aparecer não. (…) E o 100 000, não declara não.

De fato,  tal quantia nunca foi declarada ao TRE por Otoni.

Procurado, Otoni afirma que a conversa filmada aconteceu em 2004, quando lançou-se candidato a prefeito de Anápolis (GO). Na ocasião, o petista conta que lideranças políticas e empresariais de Goiás o procuraram para ajudar Cachoeira a reerguer a Vitapan, sua empresa de produtos farmacêuticos.

Como não ajudou Cachoeira durante aquele período, Otoni diz que virou desafeto do bicheiro. Há anos, o petista diz ser chantageado com a possibilidade de divulgação dos vídeos.

Sobre o dinheiro oferecido para a campanha, no entanto,

o deputado não esclarece porque aparece no vídeo aceitando a oferta do bicheiro.

- Não recebi um real dele. Isso é perseguição.

Na semana passada,  uma investigação da PF revelou grampos com conversas do bicheiro com vários políticos. Entre eles, Demóstenes Torres (DEM/GO),  que tem 300 horas de diálogos com o Cachoeira gravados.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:36

Dilma, o “Minha Casa Minha Vida”, as mulheres e o governo de SP

A falta de memória na imprensa, na hipótese de que não seja alinhamento político, contribui para criar o mito de que o PT é realmente um partido inovador. Vejam um caso. A presidente Dilma Rousseff anunciou, no Dia Internacional da Mulher, que, em caso de divórcio ou fim da união estável, o imóvel do programa “Minha Casa Minha Vida”, na faixa de financiamento de até três salários mínimos, fica com a mulher — exceto se o homem ficar com a guarda dos filhos.

Não se lembrou em quase lugar nenhum que essa é, por exemplo, prática adotada em São Paulo desde o governo Mário Covas e mantida nas gestões de seus sucessores. O que parece ser uma medida que só “poderia ser adotada por uma presidenta” está em prática, em São Paulo há mais de 12 anos.

Alguns leitores perguntam o que acho a respeito e se penso que isso pode ser considerado uma discriminação ilegal. Eu apóio a medida. A razão é simples. Dados objetivos de que dispõem o governo federal e o governo de São Paulo indicam que, na esmagadora maioria dos lares desfeitos, as crianças ficam com a mãe. Não é raro que o pai simplesmente dê no pé. Nesse caso, o que importa é a segurança da criança. E que se note: trata-se de dar a melhor destinação a um dinheiro que é público. Não faria sentido adotar essa prática quando os recursos são privados.

Há casos em que as mulheres é que são as irresponsáveis. É evidente que sim. Cuida-se aqui, no entanto, de saber onde está a maioria para otimizar o dinheiro público. A decisão é correta e deveria ter sido adotada pelo governo há muito mais tempo, a exemplo do que se faz em São Paulo.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:19

Não, os caminhoneiros de combustíveis não podem chantagear a sociedade brasileira!

Os caminhoneiros que transportam combustíveis ameaçam agora transformar o movimento iniciado em São Paulo em algo de alcance nacional. É mesmo, é? A capital paulista não é a única do Brasil com restrições à circulação de caminhões e está longe de ser uma exceção no mundo. Parece-me evidente que as lideranças da categoria perceberam que a capital era, no entanto, aquela mais suscetível à baixa exploração política. A Prefeitura de São Paulo está certa. Os “talibikers” e “fascisbikers” certametne diriam que nada disso seria necessário se todos andassem de bicicleta… Pois é. É um ponto de vista. Eles têm em comum com os tais caminhoneiros a convicção de que podem impor aos outros a sua vontade. Não podem. Nem uns nem outros.

Se esses caminhoneiros têm toda essa importância e podem, em dois ou três dias, deixar São Paulo — ou outra capital qualquer  sem combustível, ameaçando a cidade com o colapso, então é bom começar a pensar em alternativas e numa legislação específica para o setor. Como ninguém é obrigado a entrar nesse ramo — entra porque quer — e como ele se mostra, obviamente, essencial à segurança coletiva, é preciso que essa coletividade se proteja de sua chantagem.

Qualquer reivindicação tem sempre um fundamento ou um pretexto, como queiram, econômico. Ninguém admite que faz isso ou aquilo só para chantagear o Poder Público, ainda que aja assim. É evidente que os caminhoneiros que transportam combustíveis passaram a ser uma questão que diz respeito à segurança da sociedade brasileira — logo, é questão federal.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:06

Comentários, comentaristas e tropa de choque do partido

Caros, sei que está havendo demora na mediação de comentários. No momento, há 381 na fila. Peço compreensão. Ainda estou sem ajuda para essa tarefa, e há muita coisa. Alguns me perguntam por que não liberar a área e pronto! Porque “eles” tomariam conta, a exemplo do que fazem nos portais e sites dos jornais. O “partido” já anunciou que contrataria uma tropa de choque para monitorar a Internet. E o fez. Cada “soldado” cria 10, 20, 30 apelidos diferentes, e a turma se finge de maioria, expulsando os verdadeiros leitores, que não têm paciência para enfrentar a quadrilha. Isso não é democracia, mas coisa de fascistóides. Não dá para abrir.

No fim, a gente sempre acaba se acertando, vocês sabem, ainda que demore um pouco. Esse não deixa de ser um bom problema. Chata é a vida daquela escória que precisa inventar comentaristas ou que depende da tal tropa de choque para fingir que tem leitores…

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 15:43

Em palestra nos EUA, Chalita compara as favelas do Rio à costa grega, que atrai os milionários. Entendi: a Rocinha, um dia, será Mykonos!

Estava sem Internet! Alô, Telefonica! Tá tudo bem por aí? Desde ontem, o Sppedy está uma porcaria!
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Poucos políticos são tão apaixonados por si mesmos e falam tanta bobagem quanto o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Atrás daquela fala doce, daquele discurso cute-cute, estão Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros e patriotas do mesmo jaez. Leio na Folha que ele deu uma palestra para brasileiros e latinos em Nova York e que elogiou políticas do PT e criticou o pré-candidato tucano José Serra. Não me digam! Mas qual é o lead? Ah, encontrei: Chalita comparou as favelas brasileiras com a costa turística da Grécia. Santo Deus! É provável que Chalita esteja indo muito a Mykonus e pouco à Rocinha. No mundo ideal, todo político deveria ter direito a uma TMB (Taxa Mensal de Besteira). Esgotou, acabou. Só voltaria no mês seguinte. Num momento de rasgo poético, delirou:
“Algumas favelas se localizam nas áreas mais bonitas da cidade, então as pessoas estão comprando esses barracos e transformando em casas. Analistas dizem que várias dessas favelas estão parecendo com a Grécia pela beleza do oceano, pela montanha e [por] como as casas vão ficando bonitas.”

Um sonho de Chalita - Um dia a Rocinha será assim, como Mykonos, na Grécia! É só a gente amar!

Um sonho de Chalita - Um dia a Rocinha será assim, como Mykonos, na Grécia! É só a gente amar!

 

Que coisa mais bilu!!! Que “pessoas” estão comprado? Quais “analistas” dizem? Para onde estariam indo os que vendem os barracos? Que importa? É Chalita! Ele não está aqui para explicar nada. Seu negócio é fabricar metáforas. Se duvidar, chega em casa e escreve um livro sobre o assunto.

Do mesmo partido do governador Sérgio Cabral, do Rio, Chalita também falou da necessidade de melhorar a segurança de São Paulo. E usou como exemplo virtuoso a cidade do Rio. É uma agressão estúpida, ainda que com bico doce, àquele que vive elogiando para ver se leva a cizânia ao PSDB: o governador Geraldo Alckmin. São Paulo é hoje a capital com o menor número de homicídios por cem mil habitantes — abaixo de 10. No Rio, é quase o triplo.

Na palestra, voltou a falar de sua origem pobrezinha… Seu passado é um verdadeiro “work in progress”. Ele é um pouco confuso sobre o seu passado.Escrevi a respeito em março do ano passado. Ora foi um pobre menino que vendia geladinho em estádio de futebol para sobreviver, ora recebeu uma fabulosa fortuna do pai, o que lhe permitiu comprar uma cobertura no bairro de Higienópolis de 1.000 m² — que teria deixado uma banqueira (dona de banco mesmo!) de queixo caído: “Nem eu tenho uma assim”.

Chalita é um gênio. Em 11 anos, seu patrimônio cresceu 1.925%, mais do que dobrou (crescimento de 115%) só entre 2008 e 2011. No ano passado, a VEJA tentou saber como se operou este milagre.Vejam o que conseguiu. Seguem trechos da reportagem de Fernando Mello então publicada.
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Esso, esso, esso, Gabriel Chalita é um sucesso. Na literatura, ele é tão prolífico que deixa na lanterna gigantes como Machado de Assis e Honoré de Balzac. Machado produziu 38 obras em 69 anos de vida e o novelista francês, 89 em 51 anos. Chalita já deixou os dois para trás: aos 42 anos, publicou 54 títulos, todos com um estilo marcado pelo forte apego às frases feitas e por um fraquinho pelos diminutivos. Como político, sua trajetória não tem sido menos espetaculosa: eleito vereador aos 19 anos por Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, ele se tornou o terceiro deputado mais votado do Brasil no ano passado, logo atrás do palhaço Tiririca. Hoje, é pré-candidato a prefeito de São Paulo.
(…). A controvérsia e a incógnita marcam as duas faces do deputado e escritor.

Saber, por exemplo, quantos livros Chalita vendeu é uma tarefa árdua. Perguntado, o escritor responde sempre: “Pelos meus cálculos, foram uns 10 milhões”. A marca o colocaria à frente de J.K. Rowling, autora da série Harry Potter (3,6 milhões de exemplares vendidos no Brasil), e próximo de Augusto Cury, fenômeno editorial da década (11 milhões de livros vendidos desde 2002). A pedido de Chalita, suas editoras também não divulgam os seus números de venda. Uma espiada nas planilhas da rede de livrarias Saraiva, no entanto, autoriza a suspeita de que o cálculo não é o forte de Chalita. Considerada um termômetro do mercado editorial, a Saraiva negociou apenas 70.000 exemplares do autor nos últimos três anos.

Se não é bom com números, Chalita tampouco consegue ser preciso em suas citações. No ano passado, ao reeditar “Cartas entre Amigos” - escrito em parceria com o padre Fábio de Melo, seu amigo do peito -, a editora Globo teve de extirpar da versão original duas passagens erroneamente atribuídas a Machado de Assis e Cora Coralina. Infelizmente, para os leitores do deputado, outras escaparam aos olhos dos revisores. Usuário obsessivo do Twitter, Chalita escreve mensagenzinhas a cada quinze minutinhos, em mediazinha. São, em geral, frases de conteúdo “literário-filosófico”, como ele gosta de classificá-las, algumas vezes retiradas de seus próprios livros (”Eu te amo”. Se tiver dúvida, não diga. Se tiver certeza, não economize” ou “Matérias-primas de que somos feitos são duas, paradoxalmente duas: pó e amor! O pó nos iguala. O amor nos identifica”). Sem maldade, pessoal: o pó de Chalita é, no máximo, o de pirlimpimpim.

O deputado não bebe e não sai muito à noite, mas é festeiro à sua moda. Gosta de celebrar cada compra de um imóvel ou reforma de apartamento. Em 2004 (…), convidou seis assessores para uma “inauguração-surpresa” em seu dúplex no bairro de Higienópolis. “Quando chegamos lá, soubemos que a inauguração era da nova banheira de hidromassagem dele”, conta um dos convidados. Vestido com um robe de chambre, Chalita levou o grupo à sua suíte. onde a banheira estava instalada. Lá, anunciou que iria mostrar “como se banha um homem de estado”. Em seguida, tirou o robe e, tchibum-tchibum, de sunga, deslizou para dentro d”água. Para sua decepção, um curto-circuito impediu o funcionamento da hidromassagem e pôs um fim abrupto à celebração.

Católico, Chalita conta que na juventude queria ser padre, mas, com a entrada na política, trocou a batina pelo terno (hoje, ele prefere os Armani). Vaidoso, orgulha-se da “barriga tanquinho”, conquistada à base de muuuita malhação. Um assessor que ele considerou “fora de forma” já teve de acompanhá-lo em uma de suas habituais caminhadas aceleradas de 5 quilômetros em São Paulo - e nem o fato de estar trajando roupa e sapatos sociais o salvou da vigorosa experiência estética.

Na política, guardadas as devidas proporções, Chalita troca de partido quase com a mesma frequência com que lança um livro novo. Até agora, foram três mudanças de sigla. Começou no PDT, foi para o PSDB, passou pelo PSB e acaba de filiar-se ao PMDB. Trata-se de uma união de mútuas e significativas vantagens, em que o deputado já chega com status de pré-candidato a prefeito da maior cidade do país e na qual o PMDB poderá ganhar do PT e do governo federal algo que o interesse - e todo mundo sabe que algo é esse - em troca da desistência da candidatura Chalita.
(…)
Os 741.000 reais em bens que declarava possuir em 2000 transformaram-se em 7 milhões de reais em 2008 e hoje chegam a 15 milhões, uma variação de 1925%. Chalita atribui a prosperidade galopante às palestras que ministra pelo Brasil, aos 10 milhões de livros que “estima” ter vendido e ao “salário impressionante” que recebeu como diretor de escolas e professor de faculdades particulares até o fim da década de 90 (”Uns 20.000 dólares mensais, pelos meus cálculos”). O dúplex onde ele mora em São Paulo está avaliado em 6 milhões de reais. Tem 1.000 metros quadrados, piscina coberta com teto retrátil, oito vagas na garagem e uma academia de ginástica, montada com a orientação de Fabio Sabá, seu ex-personal trainer alçado a secretário adjunto de Educação de São Paulo quando Chalita era titular da pasta.

Há um mês, ele adquiriu um novo apartamento, também no bairro de Higienópolis. A compra do bem lhe custou 4,5 milhões de reais e foi paga à vista. Para fechar o negócio, nem precisou vender seus outros dois imóveis (além do dúplex, tem um apartamento no Rio de Janeiro, cujo preço é 1,5 milhão de reais). Como conseguiu a façanha? “Vendi um apartamento que eu tinha em Santos”, explicou, com a tinta da melancolia no semblante. O flat negociado pelo deputado valia 200.000 reais no ano passado. Como conseguiu multiplicar esse capital por vinte é só mais um dos mistérios de Chalita. Ele é a Capitu da política brasileira.
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PS - Comentem com moderação!

Por Reinaldo Azevedo

 

Fim da picada! Eis o Brasil: ou segue a lei e se torna ingovernável, ou se ignora a lei para governá-lo!

O Supremo Tribunal Federal acabou sendo protagonista ontem — ainda que não lhe restasse outro papel — de um vexame que há de entrar para a história. Um dia depois de ter declarado inconstitucional a MP que criou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, teve de voltar atrás. O que tinha determinado a primeira decisão e o que determinou a segunda? Vamos lá.

Desde a aprovação da Emenda Constituição nº 32, em 2001, o Parágrafo 9º do Artigo 62 da Constituição ganhou esta redação:
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional.

O texto poderia ser mais claro? Acho que não! Ocorre que, desde 2001, a Constituição é simplesmente ignorada, e não há comissão mista nenhuma para avaliar as MPs. Se aquela que criou o Instituo Chico Mendes teve uma tramitação inconstitucional e está sem validade, todas as outras que a antecederam, de 2001 a esta data, também - mais de 500. Hoje, há 50 tramitando no Congresso que simplesmente não obedeceram a essa determinação. Restou ao Supremo voltar atrás no caso específico e decidir, então, que o que vai na Carta Magna só vale a partir de agora. As novas Medidas Provisórias precisarão passar pela tal comissão.

Problema resolvido? Não sei! Digam-me aqui: qual é a função de um tribunal constitucional? É fazer valer a Constituição. Existe a possibilidade, mesmo com a decisão de hoje, de o tribunal ser inundado por ações de pessoas, empresas, grupos e entidades que se sentiram lesados por MPs que, a rigor, não valem?? Existe.

O tribunal certamente dará um jeito de encontrar uma saída em nome da paz social, já que é impensável declarar a invalidade de mais de 500 MPs. Corresponderia a jogar o país na anomia. Nos últimos 17 anos, as Medidas Provisórias deram o tom da governança no país. De 2001 para cá, a tramitação de todas elas feriu a Carta. Vejam que coisa: fôssemos seguir a Constituição, todas elas deveriam ser declaradas sem efeito; se forem, o país se torna ingovernável.

Há algo de profundamente errado num país que se tornaria ingovernável caso seguisse a letra da lei. Assim, coube à nossa Corte Constitucional decidir contra a Constituição.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 6:05

O PT da desindustrialização - Participação da indústria no PIB recua aos anos 50

Por Aguinaldo Brito, na Folha:
A participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou aos níveis de 1956, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) deu impulso à industrialização do país ao lançar seu Plano de Metas, que prometia fazer o Brasil avançar “50 anos em 5″. Desde então, jamais a fatia da indústria manufatureira do país na formação do PIB havia alcançado nível tão baixo quanto o apurado em 2011. No ano passado, a indústria de transformação -que compreende a longa cadeia industrial que transforma matéria-prima em bens de consumo ou em itens usados por outras indústrias- representou apenas 14,6% do PIB.

Patamar menor só em 1956, quando a indústria respondeu por 13,8% do PIB. De lá para cá, a indústria se diversificou, mas seu peso relativo diminuiu. O auge da contribuição da indústria para a geração de riquezas no país ocorreu em 1985: 27,2% do PIB. Desde então, tem caído. “Temos energia cara, spreads bancários dos maiores do mundo, câmbio valorizado, custo tributário enorme e uma importação maciça. A queda da indústria no PIB é a prova do processo de desindustrialização”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, aponta dois fatores que explicam o declínio da indústria na formação do PIB: o avanço dos serviços e da agricultura; e o crescimento das importações. “A importação pode modernizar o país, mas dependendo do que se importa prejudica a indústria. E esse setor é importante por ofertar boa parte dos empregos mais qualificados”, disse.

O governo diz que tem monitorado o comportamento da indústria, e reconhece que há um processo de “desintegração de alguns elos” da cadeia industrial, mas evita falar em desindustrialização. Heloísa Menezes, secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, acha que o Programa Brasil Maior, -lançado pelo governo Dilma no ano passado para socorrer alguns setores da indústria- pode ajudar as empresas a enfrentar a valorização do real em relação ao dólar, que favorece os importados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 6:03

Trem-bala ainda nem saiu da estação do delírio e já dá problema:Itália bloqueia contas Brasil

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
A Justiça da Itália condenou o governo brasileiro a pagar 15,7 milhões (R$ 36,4 milhões) e bloqueou contas bancárias que servem ao Itamaraty no país, a última na quarta-feira, para cobrir o rombo de um suposto calote aplicado pela Valec - estatal que cuida das ferrovias - em empresa italiana que elaborou projetos para o trem-bala Rio-São Paulo. A condenação, numa ação judicial que discute um débito de 261,7 milhões (R$ 607,8 milhões), partiu do Tribunal de Arezzo, na Toscana, e impede o uso de recursos pela Embaixada do Brasil em Roma e seus consulados, o que impõe restrições ao pagamento de pessoal e despesas de custeio.

Segundo os autos, o Brasil não apresentou defesa à sentença que lhe impôs o débito, em setembro do ano passado, o que poderia ter revertido a decisão. Como não pagou o valor em 60 dias após a notificação, a Justiça expediu mandato de bloqueio e penhora dos recursos, o que vem ocorrendo desde janeiro. Diante do problema de repercussões diplomáticas, o Itamaraty preferiu não pressionar politicamente o governo italiano. O Estado apurou que, devido ao desgaste do caso Cesare Battisti, a opção, por ora, foi por fazer apenas gestões para resolver o assunto no âmbito da Justiça.

Sediada em Terranuova Bracciolini, a Italplan Engineering alega nos autos que recebeu da Valec em 2005, após processo de seleção, a tarefa de elaborar o projeto básico, o estudo de avaliação econômico-financeira e o projeto ambiental para o trem de alta velocidade. Nos autos, obtidos pelo Estado, a empresa apresenta atos do Ministério dos Transportes publicados no Diário Oficial da União e ofícios da Valec supostamente comprobatórios da requisição dos serviços. Seus advogados alegam que um escritório foi montado em Brasília e que as equipes italianas foram postas quase que integralmente a serviço do trem-bala, mas, ao ser apresentada a conta, em 2009, a Valec havia desistido de usar os projetos e se negou a pagar por eles.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 6:01

PMDB no ataque: “Todo mundo ficou à míngua”, reclama líder peemedebista

Por João Domingos, no Estadão:
A rebelião do PMDB contra a presidente Dilma Rousseff deve dar resultados. Chegaram à legenda recados de que as queixas serão ouvidas, depois da divulgação de um manifesto de deputados contra os avanços do PT sobre bases do PMDB e da derrota do governo no Senado na votação da proposta de recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

 

“Ficamos numa situação muito difícil”, disse ao Estado o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Ministros do PT que dirigem ministérios com muito dinheiro, como o da Saúde e o da Educação, visitam as cidades nessa fase pré-eleitoral, juntam petistas e eleitores, e anunciam obras para isso e para aquilo, piso salarial para os professores, novas unidades de saúde. Isso só vinha ajudando o PT.”

A partir de agora, informou Alves, a orientação é de que os ministros chamem também todos os aliados para a festança. “Nossos ministérios não dispõem de dinheiro para anunciar convênios. E alguns, como o do Turismo e o da Agricultura, que podem fazer isso com o pouco que têm, são tutelados pelo governo. Em um ano eleitoral não temos o que dizer aos prefeitos do PMDB. E eles cobram”, continuou Henrique Alves.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Agora sindicatos de caminhoneiros ameaçam com greve nacional

Leiam o que informa Cida Alves, na VEJA Online. Pois é… Mais tarde, vou contar pra eles como toca a música da democracia…

No mesmo dia em que a greve dos caminhoneiros fez uma trégua em São Paulo e o abastecimento dos postos de combustível começou a voltar ao normal, o presidente estadual do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens (Sindicam), Norival de Almeida Silva, disse que as entidades que representa a categoria estão organizando um movimento nacional. A greve na capital paulista foi motivada pela restrição de horário da circulação de caminhões pela Marginal Tietê. A paralisação durou três dias e provocou uma corrida aos postos de gasolina, que chegaram a ficar sem combustível para vender.


Segundo Silva, a greve nacional seria um protesto contra restrições parecidas a adotada em São Paulo que estão sendo implementadas em outras cidades, como Osasco, Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Para ele, as medidas podem tornar o frete para São Paulo financeiramente desinteressante para os caminhoneiros autônomos, por demandar mais tempo para entrega de produtos. De acordo com o sindicalista, 23 entidades de caminhoneiros no Brasil estariam dispostas a participar do movimento nacional.

Abastecimento
O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, informou nesta quinta-feira que os caminhoneiros devem trabalhar neste final de semana para normalizar o fornecimento de combustíveis na Grande São Paulo - o que deve acontecer na terça-feira.

O Ministério Público abriu inquérito na noite de quarta-feira para apurar eventuais irregularidades na paralisação ocorrida em São Paulo. A falta de combustível nos postos também resultou na prática de preços abusivos em alguns estabelecimentos. Até esta quinta-feira, onze gerentes haviam sido detidos. Eles tiveram de assinar um termo circunstanciado por crime contra a economia popular antes de serem liberados.

Por Reinaldo Azevedo

 

A Era dos Boçais! Três décadas de petismo geraram os “fascistas” cheios de “consciência social”, que trazem a ditadura na alma!

A minha página do Facebook foi invadida por “fascisbikers” e “talibikers” tomados de fúria assassina — não é por acaso que eles vivem atropelando pessoas nas calçadas Brasil afora! — e por supostos militantes do atéismo. As brutalidades, os xingamentos, as boçalidades, as cretinices, o conjunto da obra, em suma, diz bem qual é a utopia desses caras e dá uma pista de como seria o mundo caso eles estivessem no poder. Ali se vê a capacidade de argumentação, o pensamento largo, o descortino, a delicadeza, a profundidade de argumentos e, acima de tudo, a tolerância! É constatando o que andam fazendo por ali que estou ainda mais convicto de que, de fato, sair pedalando por aí — melhor ainda se for em defesa de uma sociedade laica que destrói até obras de arte com referências cristãs — é lutar por um mundo melhor!

Estão tão certos de sua crença, tão imersos em sua militância, tão dedicados à sua causa que falam abertamente em matar. “Gente como esse Reinaldo não merece viver!”, dizem muitos. Por que não? Porque não defendo o mundo que eles defendem; porque não acredito em suas soluções fáceis e burras para problemas difíceis; porque, em suma, penso de modo diferente. Sempre lembrando que meu texto inicial criticando os bikers os censurava por paralisar a cidade em nome de sua causa. Os fanáticos acreditam firmemente que têm esse direito. Os bikers bocudos são apenas uns burraldos cuja fineza de pensamento é estimulada pelo selim. Já os que se pretendem ateus militantes — ao menos aquela escória que entrou no Facebook (já que os há decentes e sensatos) — padecem daquela ignorância propositiva que faz a certeza dos estúpidos. Que dias estes!

A Internet é uma maravilha! Nestes cinco anos e pouco de blog, tenho entrado em contato — por meio dos comentários e quando, eventualmente, faço uma palestra ou outra por aí — com pessoas muito especiais, com gente que escreve bem, que tem uma cultura sólida, que se dedica à leitura e à pesquisa. Mas há também o lado tenebroso da coisa. Rematados idiotas, cujo pensamento não seria externado antes nem para os familiares, cujas opiniões seriam ignoradas até pelos amigos, ganham voz. É inequívoco que a rede ajuda a reunir a inteligência. Mas também torna a boçalidade visível como nunca antes na história deste mundo.

E não há escapatória: quanto mais cretina e desinformada é a opinião, mais convicto e intolerante é o sujeito com o contra-argumento. Não está interessado em ouvir, mas apenas em sentenciar. Se alguém lhe dá uma referência bibliográfica que conteste a sua convicção, o bruto fica zangado e acha que estão tentando enganá-lo. Duas frases costumam preparar o terreno para a cusparada vertida como opinião: “Não venha me dizer que…” ou “Então quer dizer que…”. Invariavelmente, a oração que ele usa como complemento é algo que ele próprio acusa o outro de dizer, mas que jamais foi dito.

Há dias escrevi aqui um texto lembrando que as mulheres foram as primeiras a aderir ao cristianismo no mundo helênico porque a interdição do aborto as protegia da morte. E citei um livro com um sólido estudo a respeito: “The Rise of Christianity: a Sociologist Reconsiders History”, do americano Rodney Stark. “Ah, então quer dizer que não morrem mulheres por abortos malfeitos no Brasil?” Heeeinnn??? Ontem, escrevi um post demonstrando a conta falaciosa dos tais “milhões de mortos” da Santa Inquisição. E lá veio: “Não venha me dizer agora que a Inquisição não matou ninguém!” Heeeinnn??? É uma coisa muito impressionante!

Trinta anos de petização das escolas — públicas e privadas, em todos os níveis — criaram esses idiotas cheios de opinião, incapazes de refletir dois minutos sobre um argumento. No caso da retirada dos crucifixos, confundem-se abertamente herança e formação cultural com proselitismo religioso; entende-se o estado laico como sinônimo de um estado que deva promover o ateísmo. Os mais radicais não tem dúvida: Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, está certo, e duas obras de arte devem, sim, ser violadas no Supremo para arrancar de lá aquele crucifixo. Não são capazes de dizer por que, então, não devemos revogar outras heranças do cristianismo, aa começar do feriado do Natal.

Na espetacular entrevista concedida ao jornal português “Público”, Josph Weiler, o advogado judeu que defendeu na Corte Européia o direito de as escolas italianas exibirem crucifixos, fez uma brilhante síntese do pensamento tolerante:
“Não podemos permitir que a liberdade de [ter ou não] religião ponha em causa a liberdade religiosa. Temos que descobrir a via média. E essa é dizer “não” se alguém quiser forçar outro a beijar ou a genuflectir perante a cruz. Mas, se houver uma cruz na parede, direi aos meus filhos que vivemos num país cristão. Somos acolhidos, não somos discriminados. A Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Vamos pedir que, por causa da liberdade religiosa, tirem a cruz das bandeiras? Absurdo!…”

Minha religião?
Alguns tontos sustentam que só me atenho a essa questão porque sou católico! Voltaram a me acusar de ser membro do Opus Dei! Se fosse, não haveria nada de ilegal nisso. Feio é paralisar avenidas, ameaçar pessoas, propor a destruição do patrimônio… Mas não sou” Olhem aqui: talvez eu tenha lá minhas contradições — nada do que é humano é estranho a mim… —, mas é difícil me pegar em certas coisas porque penso segundo princípios, o que me livra de ficar me perguntando a toda hora: “O que é mesmo que eu acho disso?” No dia 23 de junho de 2009, escrevi um texto criticando a proibição do véu islâmico nas escolas francesas. Não só do véu. É proibido também exibir um crucifixo no pescoço. O modo francês — e não é por acaso que a Marselhesa é aquele banho de sangue em forma hino! — de garantir a liberdade religiosa é proibindo a expressão de qualquer religiosidade. Acho que isso não só invade direitos individuais como comete o crime cultural de igualar véu e crucifixo —  para a França, são coisas muito distintas, não?

Mas estes são os tempos. Os valores universais estão em baixa. Em seu lugar, entram as vozes das tais minorias organizadas, dos grupos de pressão, que impõem a sua pauta, os seus valores, porque dispõem dos canais de expressão. E ai daquele que reivindicar aquela coisa besta, como o direito de ir e vir, ou que lembrar que a história não pode ser submetida a uma espécie de revisão permanente, como se só pudéssemos viver num presente eterno. É claro que boçais não são todos os ciclistas, mas os que pretendem fazer terrorismo sobre duas rodas. É evidente que há ateus e agnósticos que compreendem a democracia. Boçais são os que não compreendem

Ainda estou lhes devendo o texto em que prometi voltar àquela questão do infanticídio. Foi espantosa a quantidade de pessoas que condescenderam com a idéia porque, disseram, há mesmo muita gente no planeta, e a Terra está correndo riscos. Acho que entendi a utopia deles: um planeta lindo, vagando nas esferas, sem a presença pestilenta do homem, com a natureza intacta. Não haveria nem mesmo um Stanley Kubrick para filmá-lo…

Por Reinaldo Azevedo

 

Euclides da Cunha descreve os “bikers”, antes de tudo, uns chatos!

Olhem aqui: eu não ataquei ciclistas coisa nenhuma nem sou contra as bicicletas. Eu critiquei, sim, os fascistóides que acreditam que podem parar a Avenida Paulista. Sabia que a reação seria violenta porque já havia percebido que essa gente acha que pode fazer o que lhe dá na telha.  A agressividade e a falta de humor, no entanto, chegam a ser surpreendentes. Ah, sim: eu produzo menos carbono do que a maioria. Não dirijo. Detesto sair de casa. Quase tudo o que me interessa está aqui, em papel e palavras…

Apóio bicicletas, ciclovias, o que for. Não apóio fascistas sobre duas rodas. Abaixo, segue um texto inteligente e engraçado do leitor que se assina “Viva Galt!”. Não é para todos os ciclistas, claro!, apenas para os ativistas que operam segundo a lógica dos terroristas: “Temos o direito de impor danos à sociedade para defender nossas idéias”. Eles são “cicloativistas”, e eu, “democrático-ativista”; eles são “cicloafetivos”, e eu, “democrático-afetivo”.

“Viva Galt!” imaginou Euclides da Cunha descrevendo os “bikers” nos sertões éticos das ruas de São Paulo. Tenham humor, senhores “bikers”! Venham para a luz!
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“O cicloativista é, antes de tudo, um chato! Não tem a ranhetice exaustiva dos sinistros neurastênicos da militância global.” (…) É intelectualmente desgracioso, visionariamente desengonçado, torto na ilusão. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica das mafaldinhas e remelentos. O pedalar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação das idéias de jerico desarticuladas. Agrava-o a postura normalmente curvada, a cueca suada, num manifestar de xumbregância que lhe dá um caráter de humildade deprimente. (…). É um homem permanentemente fatigado de tanta pedalada. Combate a preguiça invencível a garrafinha cheia de isotônicos, espantando a dorzinha muscular perene…. Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude. Naquela organização combalida de cicloativistas operam-se, em segundos, transmutações completas do Tico e do Teco. Basta o aparecimento de qualquer manifestação na Paulista exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se; pega a sua bike e a sua garrafinha bacteriana (…), e corrigem-se-lhe,  prestes, numa descarga nervosa instantânea orgástica, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro, reponta inesperadamente o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias: salvarão a humanidade com suas cuequinhas de lycra, seus capacetinhos ridículos, luvinhas furadas e selinzinhos peludos”.
Euclides da Cunha.

Encerro
Não ligo para os Antônios Conselheiros sobre duas rodas e suas correntes nas redes sociais. Enfrentei autoritários piores aos 16 anos, quando havia uma ditadura no Brasil. E o fiz para que houvesse democracia. Aprendam a se comportar com civilidade, seguindo as regras da democracia, e aí vamos ver se é o caso de levá-los a sério.

Por Reinaldo Azevedo

 

Assistam a mais um vídeo que prova a coerência de Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim exerce uma profissão um pouco complicada para alguém com o seu, como a gente chama?, perfil! Hoje, ele é um grande parceiro de Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), aquele deputado-delegado que se elegeu com os votos do palhaço Tiririca e que está a salvo, por enquanto, do indiciamento da própria Polícia Federal por causa da imunidade parlamentar. Até agora não se viu palhaçada… de Tiririca! Muito bem! Hoje Paulo Henrique trata Protógenes como herói, grande homem, ínclito, honesto a mais não poder etc. Passaram a compartilhar amigos e inimigos. Ambos devem saber por quê. Mas foi sempre assim?

Sabem como é Amorim… Em 1998, ele moveu uma verdadeira campanha contra Lula, como vocês já viram aqui. Hoje é lulista roxo. Até outro dia, adivinhem quem era objeto de seus ataques ferozes… Sim, o herói, o ínclito, o fabuloso… Protógenes! Trata-se, para não variar em seu samba de uma nota só, de mais um ataque à Globo e coisa e tal. A obsessão de sempre! Notem que o delegado — agora magnífico, incorruptível! — é visto como um mero empregado da emissora. Assistam.. Volto em seguida.

Então… Vamos brincar com a lógica de Paulo Henrique Amorim. Se, quando tratava Protógenes como inimigo, aquele rapaz era capacho da Globo, como ele sugere, a gente deve concluir que o delegado-deputado mudou de emissora e agora pertence à Record? Como se nota, Protógenes já teve a sorte de ser atacado por Amorim. Hoje é fartamente elogiado. Os dois devem saber os motivos.

Por favor, nada de acusações! Digam só palavras de incentivo a esta bela amizade!

Por Reinaldo Azevedo

 

E líder do PMDB, “com Temer na Presidência”, diz que só ministros do PT têm visibilidade…

Por Nathalia Passarinho, do Portal G1
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou nesta quarta-feira (7) que os ministros do partido não têm “visibilidade”, o que prejudica a “capitalização” de votos nas eleições municipais. As insatisfações do PMDB com o governo da presidente Dilma Rousseff foram discutidas nesta tarde durante reunião da Executiva da legenda. “Nossos ministérios estão sem visibilidade, sem ações visíveis. Num ano eleitoral, nossas bases dentro do governo estão sem visibilidade”, afirmou. Alves afirmou que a presidente Dilma deveria dar mais “autonomia” aos ministros peemedebistas para tocar projetos de interesse da população. O partido comanda quatro ministérios: Agricultura, Minas e Energia, Turismo e Previdência Social.

“É preciso dar autonomia aos ministros, ações para desenvolver no Ministério do Turismo e da Agricultura”, afirmou. Para o deputado, o governo federal só dá espaço e “prestígio” a ministros petistas, como o da Educação, Alozio Mercadante, e o da Saúde, Alexandre Padilha. “O ministro Mercadante, por exemplo, como ministro do PT, anuncia um bocado de coisas. Aí vem o Padilha e anuncia uma série de coisas da Saúde. Como são ministros do PT, é visibilidade e ação do PT”, criticou.

Mais de 50% dos deputados do PMDB assinaram na semana passada um manifesto no qual se dizem “excluídos” da tomada de decisões do governo federal. Henrique Alves garantiu, contudo, que o descontentamento entre os parlamentares peemedebistas não irá prejudicar as votações de projetos de interesse do governo. “Nós sempre separamos as questões políticas das votações de projetos importantes no Congresso”, disse.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Com “tsunami monetário”, Copom corta Selic em 0,75 ponto porcentual

Na VEJA Online:
Na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2012, o Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 9,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo efetuado pelo Copom durante o governo da presidente Dilma e o maior desde junho de 2009. Ao contrário das reduções anteriores, que não representaram surpresa alguma para o mercado, a de hoje levantava algumas dúvidas.

Até poucos dias atrás, a maior parte dos analistas apontava para um corte de 0,5 ponto porcentual. Segundo o comunicado do BC, a decisão teve cinco votos a favor e dois votos pela redução da Selic em 0,5, o que mostra que o corte maior é visto com ressalvas até mesmo entre os próprios diretores do órgão. A autoridade monetária afirmou, em comunicado, que o corte dá “seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias” - o mesmo discurso usado para justificar as decisões anteriores.

Como o câmbio voltou a ser foco de ataque do Planalto, com direito até mesmo à criação de uma metáfora por parte da presidente - o “tsunami monetário” -, o mercado começou a considerar a possível intenção do BC de anunciar um corte  maior para a Selic. Tanto que, na manhã desta quarta-feira, o mercado futuro de juros mantinha apostas majoritárias em um corte de 0,75 p.p. Enquanto alguns arriscavam esse palpite, outros mais vorazes já apostavam na redução de um ponto. A escola mais ortodoxa e menos desenvolvimentista, no entanto, não via razão ainda para um corte maior. “O Brasil não tem hoje fundamentos econômicos que justifiquem um corte de 0,75. A única justificativa é a intenção do governo de tirar a força do real”, afirma o economista Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU).

Na avaliação do mercado, o corte de 0,75 é motivado não só pelo aumento da entrada de dólares no país - tema que vem causando a ira do governo nas últimas semanas - mas também pelo pífio resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, divulgado na terça-feira, e que apontou crescimento de 2,7% para a economia brasileira. Outro número levado em consideração na decisão, na avaliação do mercado, é o dado da produção industrial de janeiro, divulgado na manhã desta quarta, e que apresentou retração de 2,1% - número abaixo do esperado para o período.

Por Reinaldo Azevedo

 

PMDB manda recado e ajuda a rejeitar recondução de indicado de Dilma para agência reguladora

O PMDB mandou ver. Deu um recado forte ao governo. Tudo foi organizado, digamos assim, durante o “mandato” de Michel Temer . Leiam o que informam Chico de Gois, Gerson Camarotti e Cristiane Jungblut, no Globo:

Por 36 votos contra 31 a favor e uma abstenção, o plenário do Senado rejeitou nesta quarta-feira a recondução de Bernardo Figueiredo para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Considerado um homem do staff da presidente Dilma Rousseff, com quem trabalhou diretamente por dois anos na Casa Civil, o resultado é uma derrota de Dilma no Senado. Integrantes da base aliada avaliaram que o resultado reflete a insatisfação de senadores com o governo. E o Planalto foi pego de surpresa com o resultado da votação.

O núcleo palaciano já tinha identificado a insatisfação na base. Mas não esperava essa derrota. A votação foi recebida por interlocutores diretos da presidente como uma advertência dos partidos aliados no Senado. “Hoje, os aliados estão usando uma votação secreta para mandar um recado. O problema maior será se essa rebelião acontecer numa votação aberta”, reconheceu um auxiliar direto da presidente Dilma.

Ainda na avaliação do governo, houve uma junção de insatisfações no caso. No encaminhamento da votação, mais cedo, o recado fora dado pelo PMDB. Foi apresentado um requerimento para adiamento da votação, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), conseguiu manter a votação por apenas cinco votos de vantagem. Ao encaminhar, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), avisou que iria manter a votação, mas que a indicação não era pacífica dentro do partido, numa senha para a votação seguinte.

Interlocutores do Planalto disseram que avisaram que haveria problemas. O PR, que queria manter o controle da agência, estava irritado com a situação. Outros, inclusive dentro do PT, comentaram que foi uma derrota da presidente, devido sua ligação com o indicado.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também avaliou que o resultado da votação secreta traduziu a insatisfação de alguns senadores com o governo. “Existe insatisfação em vários partidos e isso foi manifestado no voto secreto”, concluiu.

Para ele, é preciso aprofundar as relações políticas entre o governo e a base para acabar com traições. A insatisfação, de acordo com o líder, tem a ver com os problemas de sempre: falta de liberação de emendas, indicações políticas, falta de atenção dos ministros. “Juntou a insatisfação com os problemas com o nome do indicado. O relatório do TCU deu combustível”, observou. A oposição comemorou. “As irregularidades eram flagrantes, e as denúncias, gravíssimas. Prevaleceu o bom-senso e o Senado agiu com independência”, disse o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR).
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Por Reinaldo Azevedo

 

Não, nem todo ciclista pertence à “tropa de choque dos bikers”; suponho que essa gente que odeia a democracia seja a minoria

Publiquei alguns comentários me esculhambando por causa da crítica que fiz à decisão de alguns “bikers” de paralisar a cidade. A coisa pega fogo nas redes sociais. Eles estão lá, dando plantão, me xingando com todos os palavrões de “A” a “Z”. É o jeito como sabem argumentar. Suponho, ademais, que boa parte deva ser desocupada, vivendo de renda — talvez a do pápi —, daí o tempo que dedicam à difamação. Sabem como é, traseiro no selim e cabeça desocupada são a morada do ofensa.

O fato, no entanto, é que existem ciclistas — INDIVÍDUOS QUE ANDAM DE BICICLETA, E NÃO GENTE QUE SE ORGANIZA EM BANDO PARA OFENDER, AMEAÇAR, DESQUALIFICAR — que entenderam a natureza da crítica que fiz. Seguem algumas opiniões, de um monte que chegou.
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Valdomiro
Enviado em 07/03/2012 às 4:47:56pm
Reinaldo, sou seu leitor desde 2007, fui ciclista de competição na adolescência e voltei a pedalar recentemente para ir ao trabalho (cerca de 30 km diários).
Posso dizer com bastante propriedade: uma parcela razoável da comunidade de ciclistas não concorda e deplora abertamente esse tipo de mobilização.
Assisti a discussões violentas entre ciclistas por conta desse método para chamar atenção.
Independente do tamanho da gritaria, posso afirmar que algumas dezenas, talvez centenas de ciclistas concordam com o cerne dos teus comentários: reivindicar direitos através do cerceamento dos direitos alheios é errado.
Um abraço!

Edson Block
Enviado em 07/03/2012 às 5:22:54pm
Sou ciclista, não apenas urbano, mas também de estrada, de fazer o percurso de Curitiba até Florianópolis. Andar de bike é verdadeiramente uma delícia. Mas um aspecto sempre ficou patente para mim: a minha segurança sobre uma bike, sempre dependeu muito mais de mim do que dos outros veículos que transitavam junto comigo. Pelo simples fato da bike ser uma veículo tipo corpo estranho no tumultuado aglomerado que são nossa ruas e estradas, sempre tomei para mim a necessidade da minha integridade física, nunca deixando essa responsabilidade para os outros. Nunca emparelhei com um ônibus para discutir sua invasão na minha faixa ou coisas do gênero, também nunca fui tolo o suficiente para ficar provocando motoristas, mesmo quando éramos em maior número. Sobre uma bike, somos o elo frágil, e não adianta regatear, somos muito vulneráveis. Acidentes acontecem a todo instante, muitos deles causados por perfeitos idiotas motorizados, como a imprensa tem bem mostrado. Este artigo coloca as coisas em seus devidos lugares. Aqueles que são os mais frágeis no sistema, devem sempre usar as prerrogativas da lei ao seu favor (como todo e qualquer cidadão, diga-se de passagem). De nada adianta afrontar o restante da sociedade, impondo a sua revolta. Os bikers deveriam isto sim, estar mostrando toda a sua civilidade protestando de forma ordeira, distribuindo material de educação no transito para os motoristas. Somente com educação e a prática da civilidade saudável é que vai mudar hábitos perniciosos, que nos colocam em risco. Civilidade, Civilização, Cidadania……Democracia. Esse é o único caminho!

Erik
Enviado em 07/03/2012 às 5:37:06pm
Reinaldo,
Moro em Brasília e sou ciclista. Já li em vários lugares que temos o trânsito mais civilizado do país, obviamente me orgulho muito disso. Aqui, basta você pedestre dar o sinal em uma faixa e os carros irão parar para dar a vez. Conseguimos isso com educação e correção, nesta ordem. Talvez a única coisa boa do governo Cristovam Buarque (ainda PT naquela época), ele teve a “revelação” de colocar, praticamente, um agente público (Policial Militar ou fiscal do DETRAN) em cada faixa de pedestre na cidade para fiscalizar, em uma última análise cumpriu com a sua obrigação de estado. Teve inclusive um efeito não esperado, a cidade ficou mais segura com tanto agente da lei nas ruas.
Não foi preciso interromper o trânsito das avenidas em protesto exigindo alguma coisa (como se não bastassem para nós os protestos dos sem terras, sem casas, índios e por aí vai), apenas uma campanha, acima de tudo, educativa, inclusive com o apoio do jornal Correio Braziliense.
Pela lógica, é um absurdo ter um carro de 600 kg para carregar, no mais das vezes, o motorista de 80 kg, mas faltam alternativas. Como foi dito, a facilitação para a aquisição dos milhares de carros que foram vendidos teve o único propósito de manter os milhares de empregos da indústria automobilística. Os empregos foram mantidos ao custo de um trânsito mais caótico, pois faltou o planejamento. Talvez se o estado tivesse investido o suficiente no transporte público alguns deixariam o carro na garagem para ir e voltar do trabalho, ao menos.
Voltemos à bicicleta: quanto comecei a pedalar (há uns sete anos), levava muita fechada de ônibus, caminhão tirava fino de propósito e os carros de passeio nem pensavam em dar preferência. Então resolvemos partir para uma nova campanha, desta vez nas garagens das empresas de ônibus (palestras para os motoristas e cobradores), escolas (aulas educativas), adesivamos nossos carros (sim, ciclista também tem carro) e de nossos familiares com mensagens pontuais (”dou preferência para o ciclista”, “mantenha a distância de 1,5m do ciclista” e por aí vai) e por fim organizamos um passeio ciclístico (ou bicicletada) no domingo pela manhã, acho que o passeio acontece a cada seis meses, tem muita família no evento ocupamos apenas uma faixa de rolamento em todo o percurso (em alguns lugares, as pistas tem seis faixas de rolamento - eixo monumental por exemplo). Não que hoje a situação esteja a ideal mas há muito mais respeito e consciência por parte dos automóveis. Ainda ocorrem acidentes fatais nas pistas, mas é preciso encontrar o verdadeiro culpado, nem sempre o motorista pode levar a culpa.
Temos pena consciência de que a educação e respeito às leis de trânsito é um processo de longo prazo e que deve ser encarado como uma conquista e não uma imposição. Existe um código de trânsito que estipula diretos e deveres, uma constituição que estipula direitos e deveres e uma convivência social que estipula direitos, deveres e bom senso. Com toda a certeza, esses manifestantes de ontem falharam em tudo, se havia alguém dentro dos carros e ônibus que estavam sensibilizados com a morte da ciclista, com toda a certeza mudou de idéia no meio do caminho.

Pinduca
Enviado em 07/03/2012 às 5:43:01pm
Juro que ainda não acredito que estão ocorrendo todas essas manifestações agressivas contra Reinaldo Azevedo por conta desse assunto de bicicleta. Esse povo é doente? Eu sou ciclista, usei muito tempo a bicicleta como meio de locomoção, mas nunca misturei as coisas. Existem motoristas ignorantes, assim como existem pedestres ignorantes e ciclistas ignorantes. Se cada um respeitasse as regras do seu quadrado, não haveria tantos acidentes.
Mas continuo sem entender a agressividade desses bikers. Fascistas versão duas rodas?

Luiz Antonio
Enviado em 07/03/2012 às 5:56:49pm
Sou ciclista e realmente o Reinaldo está correto. Não se pode usar a lei do mais forte, não é desrespeitando que seremos respeitados. Alguém ai nutre amor pelo motociclista que chuta o retrovisor alheio? Alguém respeita os ideais do motorista que pratica a “fina educativa”? E porque havemos de ter simpatia daqueles que nós prejudicamos?
Queremos uma guerra? Temos mais direito que os demais? Só porque nossa ideologia manda? Isso é sim fascismo.

Rodrigo Aú
Enviado em 07/03/2012 às 5:45:22pm
Sou muito ciclista, mas nada ativista, é claro que fico fulo quando sou fechado no trânsito, mas quem não fica, também sou motorista…Quero ver morar em Belford Roxo, trabalhar no centro do Rio e ir de bike.

Leo Gavio
Enviado em 07/03/2012 às 6:53:49pm
Calma, pessoal, sou ciclista e essa estória da compressão nos testículos não existe, tudo depende do tipo do selim e da inclinação. Eu mesmo sofria com a pressão do selim no peritônio (região das fáscias), que seria a base do pênis, atrás do saco escrotal. Apenas comprei um selim mais largo, inclinei o bico para baixo, e ao invés de montar no selim eu sento na base mais larga do selim que também possui molas para amortecer. Isso resolveu meu problema.
Sobre São Paulo ser apropriada ao ciclismo, eu acho que só se for dia de domingo e feriado, São Paulo tem de investir em transporte coletivo como New York. Ainda tem a questão das chuvas, é um lugar de ruas apertas e transito pesado, fica difícil aventurar-se em meio a um transito caótico.

W Araujo
Enviado em 07/03/2012 às 7:21:49pm
Caro Reinaldo, eu sou ciclista em Brasília e concordo plenamente com você. Tem muito ciclista irresponsável na Capital, alguns preferem andar na faixa de rolamento a utilizar a ciclovia construída recentemente aqui no meu baixo. Alguns acham que é radical andar junto dos carros, desafiando, xingando, discutindo, verdadeiros suicidas. Tô fora, quero viver.

Sergio L
Enviado em 07/03/2012 às 7:01:07pm
Tenho minha magrela, possuo todos os trastes politicamente necessários para montar e trafegar com ela, e só a monto…nas ciclovias!!
Com treze anos, usava minha Monark 68, que comprei do “Seo” José Encanador, antiga porém forte, para entregar o Diario do Grande ABC. Nas madrugadas eu já estava montado e trabalhando. Por essas e outras “aventuras” digo com convicção: SEI montar uma bicicleta no trafego pesado.
Já fui assaltado por outro ciclista…na ciclovia.
Eu lhes digo, do alto de meus …enta anos: Bicicleta é um veiculo como outro qualquer, sujo, perigoso, danoso ao meio-ambiente e etc. e tal.
Tolice o “biker” imaginar-se salvador do Universo!
Nós, os ciclistas somos e seremos … meras pessoas que nos machucamos ao cair, que somos assaltados, que desejamos a ciclista gostosa que nos ultrapassa e demais coisas tida…humanas.
As magrelas já existem a mais tempo que o motor a vapor e o veiculo auto-propelido, por que nunca vingaram como meio de transporte de massa?
Resumindo: Esses ciclistas que fecham uma avenida para fazer pressão são uns trouxas. Daqui a alguns meses, nenhum deles nem se lembrará de que um dia teve uma “magrela”!!!!

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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