Integrante da equipe de transição de Bolsonaro é crítica severa do agronegócio

Publicado em 13/11/2018 05:38 e atualizado em 14/11/2018 21:42
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Por Antonio Pinho, publicado pelo Instituto Liberal (no blog de Rodrigo Constantino)

Um dos principais setores da economia que apoiou a candidatura de Bolsonaro desde o início foi o agronegócio. Nos últimos anos, repetidas vezes, em eventos agropecuários, os produtores rurais demonstraram estar em peso com Bolsonaro. Não é por menos. Na era PT houve uma total relativização do direito de propriedade, com o governo até incentivando invasões de terra pelo MST e por índios. Houve uma indiscriminada criação de reservas indígenas e áreas quilombolas com base, muitas vezes, em laudos antropológicos fraudados. Tudo isso levou a uma repulsa dos setores agropecuários em relação à esquerda e ao PT em especial.

Contudo, uma ação de Bolsonaro vai na contramão do discurso que o elegeu. O presidente eleito colocou na sua equipe de transição a militar indígena Sílvia Nobre Waiãpi, que é uma crítica mordaz do agronegócio.

Num vídeo de 2016, em seu canal pessoal no YouTube, Sílvia faz graves declarações sobre a atividade agropecuária, afirmando que “ainda estamos em 1500” na forma como os produtores rurais tratam os indígenas. A militar diz que para plantar arroz, feijão, banana e soja, os produtores rurais “invadem” as terras e matam os índios. E mais: todos estes alimentos, segundo Sílvia Nobre no vídeo em questão, estão “manchados de sangue”.

Enquanto há quem diz, como Sílvia Nobre, que os produtores rurais invadem terras indígenas, o que acontece à luz dos fatos é justamente o contrário. Produtores rurais da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão são as verdadeiras vítimas das invasões de propriedades, tendo como base o discurso ideológico da senhora Sílvia Nobre.

Claro que no passado houve violência, mas nada parecido com um “genocídio” como pregam certas leituras ideológicas da formação do Brasil. Na verdade, houve miscigenação entre o indígena e o português e não um extermínio em massa; mas, no discurso de Sílvia Nobre – agora estranhamente aliada de Bolsonaro –, houve só massacre e invasão perpetrada pelos europeus. Ela nega totalmente as contribuições do elemento europeu na nossa constituição como nação.

O movimento universitário “UFSC Conservadora” denunciou em sua página de Facebook (confira aqui) o agressivo discurso de Sílvia Nobre contra aqueles que produzem alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. Uma boa parte do mundo depende do Brasil para comer. Sem o agro brasileiro não será só o Brasil que passará fome, mas uma boa parte do mundo.

Resta saber da senhora Sílvia Nobre como os brasileiros iriam comer e sobreviver sem o agronegócio. Será que ela defende uma volta ao neolítico?

Pelo visto, Sílvia Nobre não mudou de pensamento, pois o vídeo com este discurso virulento contra a agropecuária brasileira continua – até a conclusão deste texto – em seu canal no YouTube.

Queremos saber se Bolsonaro sabe que uma integrante de sua equipe ainda pensa na velha lógica do “nós contra eles” – “brancos contra índios” -, discurso típico da era PT que o presidente eleito prometeu deixar no passado.

Também precisamos saber se a Funai será comandada por alguém com o pensamento de Sílvia Nobre.

* Antonio Pinho é professor, jornalista e Doutorando em Letras.

 

Privatização, prioridade de Paulo Guedes, terá forte resistência: Mas não é impossível, principalmente se Bolsonaro apoiar mesmo

Por RODRIGO CONSTANTINO

Como autor do livro Privatize Já, nem preciso dizer o quanto aprecio o fato de que uma pauta agressiva de privatizações é prioritária para o futuro governo Bolsonaro, sob o comando do economista liberal Paulo Guedes. Conheço muitos dos envolvidos no projeto, e sei o quanto estão trabalhando para reverter o conceito de “estado empresário”, responsável por muitos dos problemas que temos hoje, não só com corrupção, mas com ineficiência e cabide de emprego.

Claro, porém, que mexer nesse vespeiro não seria moleza. São grupos de interesses fortes e organizados que vão chiar, espernear e usar todos os instrumentos – legais e ilegais – para tentar impedir o avanço. A equipe de Guedes não deve recuar, até porque entende como é importante não só livrar essas empresas do controle estatal, como usar os recursos provenientes da venda para abater endividamento público.

Uma reportagem do GLOBO retrata algumas das dificuldades que o governo terá para levar adiante essa agenda, que mira em R$ 700 bilhões de receitas. O segredo talvez seja não vender o controle todo no começo, mas sim vários ativos e subsidiárias, o que poderia driblar a necessidade de aprovação pelo Congresso. Sem esse “atalho” realmente a coisa não vai andar rapidamente, pois são muitos os obstáculos, conforme aponta o jornal:

O programa de Bolsonaro prevê que a desmobilização de ativos poderia resultar numa arrecadação de mais de R$ 700 bilhões, capaz de reduzir o estoque da dívida pública em 20%. No entanto, a modelagem de privatizações costuma demorar meses e precisa passar por avaliação de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), além de sofrer resistência com ações de sindicatos na Justiça.

Das 138 empresas sob comando do governo federal, algumas têm posições estratégicas e não devem ser privatizadas. Elas poderiam, no entanto, diminuir de tamanho e fazer operações como abertura de capital ou parcerias público-privadas. É o caso, por exemplo, da Infraero e dos Correios. Para os técnicos, essas empresas não poderiam ser totalmente entregues nas mãos da iniciativa privada. Também deveriam ser preservadas com estatais a Embrapa (de pesquisa agropecuária) e hospitais públicos federais.

As principais estatais do país — Petrobras, Eletrobras, Caixa, Banco do Brasil e BNDES — são as que têm maior potencial de arrecadação. Elas têm patrimônio líquido elevado, de R$ 545,3 bilhões. No entanto, todas precisam do aval do Congresso para chegar às mãos do setor privado.

Ninguém achou que seria fácil. Mas o tamanho do desafio é diretamente proporcional ao ganho que a sociedade brasileira teria com tais privatizações. Por isso é fundamental que Guedes e sua equipe contem com todo apoio não só do presidente eleito, como também da sociedade civil. Diz-se que a maioria dos brasileiros é contra privatizações, mas não estou tão certo disso. Há, sim, um resquício da mentalidade nacionalista e estatizante, mas com a devida explicação muitos podem ser persuadidos, até porque os escândalos infindáveis de corrupção e os péssimos serviços prestados mostraram os defeitos do modelo atual.

Um editorial do mesmo jornal hoje mostra, por exemplo, o fracasso completo e definitivo da PDVSA, estatal de petróleo venezuelana. Uma empresa que senta numa das maiores reservas de petróleo do mundo conseguiu ir à bancarrota, restando algo como $80 bilhões de dívidas impagáveis. O calote será a única opção. É o risco de manter uma estatal tão poderosa em mãos políticas, principalmente se políticos populistas de esquerda chegam ao poder. O PT seguia na mesma trilha no Brasil. Diz o jornal:

Chega ao epílogo o enredo da Petroleos de Venezuela (PDVSA), terceira maior empresa pública da América Latina depois da Petrobras e da mexicana Pemex. O governo Nicolás Maduro começou a debater a extinção da estatal, que se encontra em virtual falência, com dívidas acumuladas de US$ 80 bilhões, superiores ao seu patrimônio.

A história dessa empresa se tornou um clássico da literatura política. É caso exemplar de como uma cleptocracia é capaz de subtrair integralmente um valioso patrimônio público via manipulação político-eleitoral de uma sociedade. No caso, pelo hábil manejo propagandístico de uma promessa paradisíaca, o “Socialismo do Século XXI” .

A PDVSA nasceu há 42 anos para administrar uma das maiores reservas de petróleo do mundo, encontrada na bacia do Rio Orinoco. Chegou a se destacar entre as 50 maiores empresas globais. Na década passada, quando o coronel Hugo Chávez assumiu o governo, passou a financiar um projeto político populista baseado no culto à imagem do carismático líder. Chávez adotou uma retórica anticapitalista, plasmada nos velhos discursos do cubano Fidel Castro, e hipnotizou parte das forças de esquerda latino-americanas, incluindo partidos brasileiros como PT e PSOL.

Quem culpar apenas a esquerda pelo mal, porém, não terá compreendido a principal lição: é justamente porque populistas de esquerda sempre podem chegar ao poder pelas urnas que não pode haver estatal alguma nas mãos do estado. Se não houver o instrumento, o poder de estrago dessa gente será menor. Não basta, portanto, colocar um quadro técnico quando for um governo de direita, mais responsável e honesto, pois em política as coisas são cíclicas. É necessário extirpar o mecanismo de uma vez. E isso só com a privatização.

Bolsonaro precisa entender isso e abandonar de vez o ranço estatizante, que fala em setor estratégico e proteção dos recursos nacionais. Deve escutar Guedes sobre isso, e comprar junto a briga pelas privatizações. Não vai ser trivial nem com todo apoio do presidente eleito e sua força popular. Sem isso, será impossível. (Por Rodrigo Constantino).

Esse caos tem responsáveis (por Percival Puggina)

Insegurança generalizada, permanentes riscos de lesão física e patrimonial, indisciplina nos colégios, baixíssimo rendimento escolar, desrespeito a pais e professores, promiscuidade, gravidez na adolescência, drogas, falta de referências morais e perda da noção de limites, corrupção em variados níveis e modos… Como tudo isso pode acontecer em tão curto espaço de tempo, no espaço de tempo de uma geração, da minha geração? Quando nasci, o Brasil não era assim e pude observar a degradação da sociedade brasileira, saindo praticamente do ponto zero, chegar ao quadro atual. Cavalheiros e damas dos anos 30, 40, 50! Nós vimos o Brasil ir assumindo essa face sinistra.

Não se diga que é tudo fruto do acaso. De fatalidades e coincidências. O caos tem seus responsáveis! Exatamente porque a tudo assisti, sei como tudo começou, mediante a propagação de ideias erradas, perversas, desorientadoras! Muitas delas hoje quebram pratos revoltadas com a vitória de Jair Bolsonaro, consagrado nas urnas por afirmar enunciados conservadores.

Terrível audácia, a desse sujeito que ousa falar em Deus mais de uma vez no mesmo discurso! Tipo repulsivo esse que fala em autoridade, em respeito aos mais velhos, em responsabilidade, em combater a impunidade e prender bandidos. Em proteger a inocência infantil e a instituição familiar. Sujeito impertinente esse que quer estudante estudando e professor ensinando, que não vai legalizar drogas e não confunde liberdade com libertinagem.

É tudo relação de causa e efeito! O caos que se instalou na sociedade brasileira resulta de uma série de estratégias políticas revolucionárias que relativizam o bem e a verdade porque precisam disso para prosperar. São estratégias viabilizadas por professores que, enquanto nada ensinam, cultivam a rebeldia adolescente ao ponto de ruptura com as referências familiares e, de lambuja, promovem a imagem “missionária” de Che Guevara. São estratégias que, quanto mais criticas faziam à TV Globo, mais se valiam dos desarranjos morais promovidos em suas novelas para produzir uma geração de pais irresponsáveis, moderninhos, “progressistas”. São estratégias que precisam da CNBB, dos padres de passeata, da teologia da libertação e de suas más parcerias para a incrível esterilização voluntária da missão evangelizadora da Igreja e de tantos educandários católicos. Tudo isso é o avesso do que a sociedade precisa para seu desenvolvimento econômico, para a efetiva harmonia social, para o efetivo pluralismo e para a efetiva superação de preconceitos.

Sem dúvida, o melhor sinal no horizonte deste ano que já vai terminando foi o renascimento de um conservadorismo ainda embrionário, buscando modo, voz e expressão. Parcela significativa da sociedade percebeu, finalmente, as relações de causa e efeito entre ideias e estilos de vida propagados entre nós e o estrago que acabaram produzindo. A permissividade geral nos trouxe a este ponto. Os que criaram o caos social constrangendo toda divergência, agora se agitam para defendê-lo nos jornais, microfones e telinhas de sempre. (Percival Puggina).

 

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Fonte: Blog Rodrigo Constantino

1 comentário

  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Bem nosso amigo Edmilson de Palotina com a palavra sobre a madame que desce a ripa nos produtores rurais...aproveita Edmilson e informa o dia mês e ano que a frimesa vai abater 15 mil suínos dia..fala Edmilson..

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    • AMERICO CARDOSO FERNANDESJESUÍTAS - PR

      Não quero comprar briga de ninguém, e tampouco defender alguém aqui neste espaço do Noticias Agrícolas, mas... moro aqui no oeste do Paraná perto de onde estão construindo a nova Planta da Frimesa, e também sou associado da Copacol, que é uma das donas da Frimesa, e o que se diz aqui na nossa região é... que será o maior e o mais moderno frigorifico de abate de suínos da América do Sul..., para quem passa pela rodovia que vai de Assis Chateaubriand para Toledo pode ver com os próprios olhos a terraplenagem bem adiantada..., dizem que vai gerar 15.000 novos empregos..., quanto ao dia da inauguração eu não sei informar, mas que na região nota-se um grande rebuliço, com compra de terrenos, e até um posto de gasolina já está terminando a sua construção perto da nova unidade da Frimesa.....

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    • EDMILSON JOSE ZABOTTPALOTINA - PR

      Sr. Dalzir , o Sr. AMERICO, que reside em Jesuítas PR, foi modesto e educado no seu comentário para te informar que a obra está em execução, e vai, ao final da conclusão da planta, abater 15.000 suínos dias . Como já mencionei neste espaço, conforme as obras forem sendo executadas eu irei postar aqui neste site. Quanto a sua inauguração e início de abate , fique tranquilo. Assim que forem anunciadas pelos presidentes do Grupo , como seu Américo falou ( são várias cooperativas ) estarei informando-o. Mas lembrando sempre, você não será convidado... Com certeza o Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro será convidado , como foi o Presidente Michel Temer que veio para a inauguração do Frigorífico de Peixes ( Tilápia ) de Palotina . Portanto aqui fala-se , projeta-se e executa-se....

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    • EDMILSON JOSE ZABOTTPALOTINA - PR

      Sr. Dalzir , esqueci de comentar , sobre seu questionamento com relação à equipe de transição (que diz ter uma pessoa que é crítica feroz do Agro), eu em particular não vi nada que tenha vindo da sua boca nas mídias. Fora isso estou contente por enquanto com a equipe e a forma que está sendo conduzida a transição de Governo . Volto a lhe informar que ele, Bolsonaro, ainda não assumiu , não está dando ordens . Somente após dia 01/01/19 ele realmente será o Presidente . E aí sim iremos observar e avaliar ( aliás não só eu , mas todos os que votaram nele, que não é o seu caso) . Portanto não se preocupe , caso não der certo não é culpa sua . Nisso você vai levar vantagem.

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Edmilson... sobre uma pessoa que criticou o agro...veja na mídia..se não me engano é uma mulher descendente de índio que esta ligada a área militar..e o que ela fala no video é uma bofetada no que prega o borsanada...sobre as balelas do frigorifico só estou te cobrando uma promessa neste espaço...se o borsanada ganhasse a frimesa anunciaria a obra...estou esperando você informar dia mês e ano do abate de 15 mil porco dia..

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