O desfile dos 15 pelados por um mundo melhor! Historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro...

Publicado em 12/03/2012 14:21 e atualizado em 29/02/2020 05:42 3414 exibições
por Reinaldo Azevedo (de veja.com.br)

O desfile dos 15 pelados por um mundo melhor! Historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro, não para expô-lo em praça pública!

Os talibikers e os fascisbikers, nas redes sociais, prometem não me deixar em paz. Ai, que medinho!!! Eu também não os deixarei. Se não sabem viver em sociedade, podem contar comigo. Eu lhes darei noções básicas de civilidade. E uma delas é esta: eles não têm o direito de parar a cidade porque julgam ter uma solução mágica para o trânsito. Não é solução, não é mágica, e eles são autoritários — expressão de um momento em que burguesotes desinformados resolvem exercer a sua cidadania à moda dos antigos mandonistas: privatizando o espaço público. E ainda pretendem falar em nome do povo e da democracia! Povo???

O make-up: dois cicloativistas se preparam para desfilar na Avenida Paulista

O make-up: dois cicloativistas se preparam para desfilar na Avenida Paulista - Foto Marlene Bergamo/Folhapress

 

A marcha dos pelados — aquela em que Gilberto Dimenstein enxerga o nascimento de uma nova aurora — reuniu no sábado à noite, segundo a Folha, 100 pessoas — pelados mesmo, havia 15. Seriam 15% os exibicionistas num grupo qualquer? Não sei. Desfilaram na Paulista. Pergunto de novo: “povo???” Por que não foram expor seus peruzinhos no Capão Redondo? Eles veriam o que faz “o povo” de verdade com gente amostrada.

Estão bravíssimos comigo. Acusam-me, parece, de não cultivar a “cicloemotividade”. Eu acho que eles têm o direito de andar de bicicleta, sim!, e de correr riscos. Podem até pedir que se criem em todas as avenidas de São Paulo pistas, que ficarão desertas, para suas bicicletas. Se as terão, aí é outra coisa. Eu contestei seus métodos — inicialmente ao menos. À medida que eles tentaram argumentar, passei a questionar também o mérito. Não é que eles acreditam mesmo que a cidade já pode, hoje, reservar um lugar só pra eles em todas as vias? Fazer o quê? Todo homem tem direito a um grãozinho de loucura. Não tem é o direito de impô-lo a terceiros.

Gente que não me conhece e que jamais leu o blog vitupera: “Você, dirigindo a sua SUV — um deles jura já ter me visto pilotando uma Porshe Cayenne branca!!! —, deve se sentir o dono do mundo!!!” Uau! Eu nunca nem liguei um carro! Nunca cheguei a sentar no banco do motorista! Jamais dirigi! Faço quase tudo aquilo de que preciso a pé porque o bairro em que moro permite isso. Produzo, com certeza, menos carbono — e besteira — do que esses valentes amigos da humanidade. Assim, não era eu naquela Cayenne — uma rápida pesquisa na Internet me obriga a acrescentar: “Infelizmente!”. Acho que me sentiria muito bem dentro de uma, hehe. Se algum admirador milionário quiser me dar uma de presente… Eu só não prometo escrever um livro em três horas como Chalita nem praticar salto duplo twist carpado retórico!

Isso tudo é de um ridículo atroz. Eu espero que motoristas, ciclistas e pedestres sejam mais civilizados. Acho, sim, que o trânsito de São Paulo é perverso — e há vários motivos que concorrem pra isso. Não haverá solução no curto prazo. Acreditar que se possam estrangular os carros num espaço ainda menor é tolice. O trânsito de Nova York é muito melhor do que o de São Paulo, e não se vêem bicicletas nas ruas — só pra turista, nas imediações do Central Park. A capital paulista não é Amsterdã.

Quinhentas pessoas pararam a cidade? Cem desfilaram nuas ou seminuas? Eis aí! Ainda que fossem 10 mil! Continuariam a formar uma minoria que merece respeito, sim, mas que tem de aprender a respeitar. Ou nada feito.

Lá no título, faço uma provocação. Digo que, historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro, não para expô-lo. Recorro a uma imagem jocosa, mas o assunto é sério. A banalização da nudez em reivindicações de protesto expressa uma visão deformada — lá vou eu comprar ainda mais briga! — do opressor, não do oprimido! É o opressor que considera que o corpo nu ofende e humilha. Por isso tantas fotos e filmes de prisioneiros nus em campos de concentração. Por isso, nas rebeliões em presídios, depois de vencido o motim, a ordem é esta: “Todo mundo sem roupa!” O corpo em pêlo deixa o homem sem qualquer defesa, diminui sua capacidade de reação e o expõe à expiação pública.

Não por acaso, esse “método de luta” não tem, vamos dizer, tradição revolucionária. Não se conhece uma só revolução socialista de pelados. Nada! Esse tipo de protesto ganha notoriedade em 1968 e nos anos posteriores, dodesbunde. Extremistas oriundos das classes superiores, pouco importava a causa, buscavam ofender o establishment, esfregando, então, a nudez na cara do poder. Um jogo curioso: o “corpo”, que a classe operária protegia — e que os pobres protegem ainda hoje —, passava a ser exposto como instrumento de ofensa. Pergunte ao homem comum o que pensa a respeito. Ele continua apegado a um valor que o protegeu da violência dos fortes: o corpo é inviolável e tem de ser preservado. Essa gente é, acima de tudo, deploravelmente desinformada. Talvez falte aos pelados isso a que de modo comezinho chamamos “vergonha na cara”. Mas lhes falta também um mínimo de cultura política.

Mandam-me uma foto ineressante, que também saiu no Blog do Aluizio Amorim. Mussolini, ele mesmo, passa em revista uma tropa de fascistas, todos nas suas bicicletas. É claro que é uma provocaçãozinha para esses talibikers e fascisbikers sem humor. São 100? São 500? Nas redes sociais, eles fingem ser milhões: xingam, vituperam, demonizam, ameaçam… E tudo porque, eles dizem, nada mais fazem do que lutar por um mundo melhor.

mussolini-bicicletas

Por Reinaldo Azevedo

 

O leninismo caboclo se rende ao imperialismo!

Como sabia Lênin, todo processo revolucionário tem o momento de

Como sabia Lênin, todo processo revolucionário tem o momento do "que fazer". A resposta, nesse caso, foi óbvia: "Vamos ao McDonald's"

 

Vi a foto no Blog do Aluizio Amorim. É claro que tem a sua graça. Um fila de companheiros do MST aguarda a sua vez para comer, sei lá, um McLanche Feliz, que dá brinde. João Pedro Stedile já foi mais cioso da integridade ideológica de seus pares. Quando vejo a revolução socialista fazendo fila para ser servida no McDonald’s,  expressão máxima do imperialismo, meu lado panfletário se atiça, hehe.

Mas eu compreendo. O atendimento é rápido, o socialismo não pode esperar, e só resta aos companheiros usar as armas do inimigo: os lanches!

Por Reinaldo Azevedo

 

QUEREM LEGALIZAR O ABORTO SEM QUE A POPULAÇÃO FIQUE SABENDO. OU: OS PROGRESSISTAS ADERIRAM À EUGENIA! FAZ SENTIDO: NA ORIGEM, SÃO IRMÃOS SIAMESES DO FASCISMO!

A cada vez que se pensa em fazer reformas no Brasil, é bom botar as barbas de molho. O risco de que as coisas piorem é gigantesco. Vejam o caso da reforma política. O que se gestou é muito pior do que o que se tem hoje.  O debate sobre a atualização do Código Penal segue por essa trilha infeliz. De maneira sorrateira, vigarista, a tal Comissão de Juristas, que elaborou uma proposta para ser debatida no Senado, propôs a legalização do aborto, ainda que dê à coisa outro nome. Os valentes querem o Artigo 128 com esta redação:

Art. 128. Não há crime se:
I - se houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II - a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III - comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV - por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.
§ 1º Nos casos dos incisos II e III, e da segunda parte do inciso I, o aborto deve ser precedido de consentimento da gestante,
 ou quando menor, incapaz ou impossibilitada de consentir, de seu representante legal, do cônjuge ou de seu companheiro.

A Constituição garante a proteção à vida desde a concepção. A proposta dos bacanas a nega. Logo, ela transgride a Constituição. E daí? Não nos faltariam feiticeiros para afirmar, sei lá, que “o espírito da Carta” autoriza tal prática. Vocês sabem o que penso sobre o aborto. É claro que outras pessoas têm o direito de defender o contrário.  Que, então, defendam! Mas aí lhes falta coragem. Querem meter a mudança goela abaixo da população sem nem mesmo ter o trabalho de defender um ponto de vista.

Ora, releiam o texto acima. Basta que a mulher queria abortar e seja convincente ao demonstrar “que não tem condições psicológicas”, tudo bem! O aborto será feito.

Atenção para a malandragem: o argumento mais forte dos abortistas é o chamado “direito que a mulher tem sobre seu corpo”. É o valor implícito no texto acima.Reparem que não existe homem na jogada; não existe pai. Bastaria que a mulher se entendesse com os médicos.

O Supremo vai decidir sobre os casos de anencefalia em breve. Afirmei aqui há dias, podem procurar no arquivo, que isso abriria o caminho para toda sorte de horrores. E abrirá. O conceito de “vida independente” é muito vago. Sob muitos aspectos, um indivíduo com Síndrome de Down, por exemplo, não tem uma “vida independente”. Precisará sempre de um monitoramento. Curioso, não? Os “progressistas” chegaram bem depressa à eugenia. Faz sentido. A história demonstra que são irmãos siameses dos fascistas.

Noves fora, o que vai acima se reduz ao seguinte: se a mulher falar que não quer a gravidez de jeito nenhum, faz-se o aborto. Ou será que caberia aos médicos e psicólogos esta improvável decisão: “Bem, ela rejeita a gravidez, não quer o filho de jeito nenhum, deixou claro que o bebê será um transtorno em sua vida, mas nós achamos que ela tem condições psicológicas, sim!”? Acho que isso não acontecerá.

Luiz Carlos Gonçalves, relator da Comissão do Código Penal, que já havia chamado outro dia o aborto de “método contraceptivo”, o que é um absurdo, falou ao Jornal Nacional. Prestem atenção:
 ”O médico diagnostica essa situação de desespero, de extrema gravidade, na qual a gestante não teria a menor condição de levar à frente a gravidez ou a maternidade em razão dessas situações psicológicas. Imagine, por exemplo, a pessoa que é viciada em crack e que nem sabe como engravidou…”

Imagino, sim! Acho que isso abre as portas não só para o aborto, não é? Por que não esterilizá-las, de vez, como os nazistas faziam com os fracos, os idiotas, os doentes?

Aborto pós-nascimento
Há dias, fizemos aqui um debate sobre uma proposta de dois especialistas, que defendem a legalização do infanticídio. Chamam a isso de “aborto pós-nascimento”. Como escrevi aqui, eles não deixam de ter razão quando afirmam que o status moral do feto e do recém-nascido é o mesmo; se um pode ser morto (e eles acham que pode), por que não o outro? Feto é coisa! Recém-nascido é coisa!

Goela abaixo
Aos poucos, as propostas contidas no “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” vão sendo apresentadas. Pretende-se legalizar o aborto no país sem que a sociedade seja chamada a dizer o que pensa a respeito.

Atenção, caras e caros, isso é uma tática para ganhar a opinião pública. Aos poucos, os “progressistas” pretendem deslocar uma posição majoritariamente contrária ao aborto para um ponto de maior tolerância — até que haja, tudo dando certo, uma maioria a favor do aborto.

Por um tempo ao menos, caso essa mudança seja aceita, viveremos a situação esdrúxula de ter uma lei que criminaliza o aborto — exceto no caso de a grávida querer o… aborto! Logo… A propósito: e se uma mulher quiser, a todo custo, interromper a gravidez, mas não o pai da criança? Ora… O pai só passa a ter direito a uma opinião depois de nascida a criança… E isso num país em que a paternidade irresponsável é um problema grave.

Este será um excelente debate. Vamos ver como vão se posicionar os digníssimos parlamentares. Neste exato momento, existem ONGs, lobbies e especialistas em opinião pública fartamente financiados por entidades estrangeiras pró-aborto encarregados de plantar notícias favoráveis à mudança do Código. Tentarão evitar ao máximo a palavra “aborto” — “legalização do aborto”, então, nem pensar! Falarão na “saúde da mulher” e na “proteção à gestante”. O feto será apenas uma “coisa”; é preciso retirar dele quaisquer atributos humanos para que se possa eliminá-lo sem polêmicas — tática usada pelos apologistas do infanticídio.

Notem que já há alguns dias a ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) aparece como vítima no noticiário, pobrezinha! Na ONU, ela teria levado uma carraspana de “especialistas”, que estariam a exigir, como se pudessem fazê-lo, que o Brasil modernize a sua legislação sobre o assunto. Agora, será tratada como alguém silenciada por Marcelo Crivella, que seria a garantia, junto à bancada evangélica, de que o governo não tomará medidas para legalizar o aborto.

Na ONU, a propósito, Eleonora disse que caberia ao Congresso tomar as medidas. Este mesmo Congresso que agora passa a ser pressionado por essa reforma do Código Penal, que conta com apoio maciço da imprensa. Para variar, essa gente não percebeu que do mesmo manancial de que sai a legalização do aborto (e do qual derivou a perseguição aos crucifixos) pode sair a censura à imprensa. Debate-se um projeto de sociedade, não uma medida pontual. Os fetos não vão protestar. Este será sempre um confronto entre não-abortados, não é?, pouco importa de que lado se esteja. 

Por Reinaldo Azevedo

 

A Comissão da Morte está com a foice na mão e propõe legalizar aborto e eutanásia; é o “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” em ação

Queridos, tive de fazer uma breve viagem. Na noite deste domingo, volto à luta. Peço que vocês leiam tudo o que houver a respeito e se informem, que o debate vai pegar fogo. A comissão que estuda mudanças no Código Penal decidiu, na prática, LEGALIZAR O ABORTO. E o fez da forma mais hipócrita e safada possível: dando à coisa um outro nome, para tentar enganar o Congresso e a população brasileira. Aos poucos, os partidários do “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” vão tentando aplicá-lo na prática. E eu vou demonstrar isso em outros textos.

Vamos ver quanto tempo vai demorar para que alguma legislação não-constitucional tente a censura à imprensa. Reparem: a) o direito de propriedade é, a cada dia, menos respeitado; b) recomeçou a perseguição aos crucifixos; c) comissão propõe a legalização do aborto… Estava tudo lá  no plano nacional-socialista. Não custa lembrar: ele tinha passado pela revisão final da Casa Civil, cuja titular era Dilma Rousseff. 

Voltarei obviamente ao caso. Eis aí uma boa lição para a hierarquia católica no Brasil, com sua conversinha mansa. Todo o entulho autoritário do plano nacional-socialista está voltando, pelas bordas… É bom ir à luta porque eles estão com tudo. O texto também legaliza a eutanásia.

Os progressistas emissários da morte estão assanhadíssimos. Já nem precisam mais do martelo. Estão com a foice na mão.

Só para encerrar este post : textos da imprensa que tratam do assunto continuam a afirmar que um milhão de abortos são feitos por ano no Brasil. É mentira! Esse número é do lobby pró-aborto. Não existe. Cobrem dos jornalistas dos veículos que vocês lêem a fonte desse número; exijam que eles digam em que base de dados confiável ele está. Se não vier resposta nenhuma, desista e vá ler algo honesto.

Preparem-se. Não se descartam passeatas de pelados - que não foram abortados, por suposto - em favor de causa tão humana, nobre e digna. E corajosa também!, já que o inimigo a ser eliminado é muito perigoso …

Por Reinaldo Azevedo

 

Ainda o padre Paulo Ricardo e as hostes da difamação. Ou: “Ou falem ou se calem”

Escrevi na sexta-feira um post sobre a perseguição covarde ao padre Paulo Ricardo. O texto está aqui. Deixei claro, inclusive, que não concordo com todas as suas opiniões, análises e abordagens. E daí? Sei reconhecer uma perseguição quando diante de uma — e é o caso. Alguns leitores me advertem: “Cuidado! O padre é polêmico!”. É? E daí? Já fui chamado de “polêmico” também simplesmente porque não conseguem um bom contra-argumento. Esse adjetivo é uma gaveta: cabe tudo nele.

Falo sobre o que vejo e leio. A carta em que pedem a cabeça do padre é uma das coisas mais pusilânimes em que já pus os olhos, inclusive por causa da covardia cínica: pedem que seu sacerdócio seja suspenso e que ele seja afastado do ensino, mas o fazem com uma linguagem muito pia, sugerindo que é para seu bem. Se Paulo Ricardo cometeu algum erro, não apareceu naquela carta.

Atenção! Eu raramente defendo pessoas — quando isso acontece, certamente se deve a alguma razão afetiva, mas deixo claro. EU DEFENDO IDÉIAS, PONTOS DE VISTA, PENSAMENTOS, meus e de terceiros. Pessoas pecam e cometem erros; os princípios que defendo, não! (lá vai petralha não entender nada, Deus do Céu!). Se os julgasse errado, escolheria outros, ora essa!

Se o padre, em algum momento, transgrediu algum princípio da Igreja, que digam com clareza. Submetê-lo a uma corrente meramente difamatória, acusando-o, parece, de excesso de ortodoxia (!?), numa linguagem que apela claramente à ideologia??? Aí não dá!!!

Assim, sou grato aos que me dedicam seu zelo (”cuidado, Reinaldo, afinal vocês não sabe etc…”), mas ele não é necessário. Seguirei dizendo “sim” àquilo que me agrada e “não” ao que não me agrada. Se eu souber alguma coisa sobre o padre Paulo Ricardo que o desabone, direi — sem que isso mude uma linha do que escrevi a respeito da carta que pede a sua punição.

Se têm alguma coisa objetiva contra o padre, que o digam! Pedir que ele seja punido porque não gostam de sua pregação — que referenda, diga-se, a posição da Igreja, aí não!Eu tenho verdadeiro horror desse método, que convoca a torcida para destruir uma reputação, sem apontar objetivamente o que, no outro, incomoda. Alguns bananas espalham por aí que ofendo esse ou aquele. Uma ova! O que faço é pegar determinadas falas, esmiuçá-las e demonstrar, eventualmente, seu fundo falso. Os que me detestam até folgam com algum eventual exagero que eu possa cometer — sou humano… Folgam porque lhes dá a chance de declarar: “Olhem como ele é bruto!”. Mas não é do “Reinaldo bruto” que não gostam; eles detestam mesmo é aquele que eventualmente os deixa sem contra-argumentos — a exemplo do texto sobre o aborto, em que demonstro, sem chance para réplica, que estão propondo a legalização da prática e ponto final. Mas volto a Paulo Ricardo.

Se seus detratores têm algo de concreto que o torne incompatível com as funções sacerdotais e com o ensino, que o digam! O que vi naquela carta foram ressentimento, brutalidade, cinismo e perseguição ideológica. O que li naquela carta reforça, entendo, as posições do padre, em vez de fragilizá-lo. Se e quando houver algo que evidencie o contrário, então direi o contrário. Na carta, o que se vê e se lê são apenas manifestações de esquerdistas infiltrados na Igreja Católica tentando difamar um desafeto. E eu não vou me calar diante disso. Ponto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Conforme eu sempre quis demonstrar, bandidos do Rio foram assaltar em outros lugares. Quem está surpreso?

Que coisa, né!?
Apanhei tanto, até de alguns leitores que costumam gostar de mim, por causa das minhas críticas às UPPs do governador Sérgio Cabral e do mago José Mariano Beltrame - que alguns cariocas entusiasmados queriam candidato ao Nobel da Paz (eu juro!!!)! Minha crítica tinha um centro: a tática espalha-bandido. A UPP chega, ninguém é preso, os marginais mais perigosos dão no pé — os menos continuam a operar o tráfico. De vez em quando, pegam um figurão ou outro do crime para que a vício honre a virtude, e tudo fica por isso mesmo.

Virou modelo! O governo federal vive a elogiar o modo que o Rio tem de combater o crime. Gabriel Chalita, aquele que estreita os albinos da Tanzânia com Castro Alves “num abraço insano” (como diria o poeta), exaltou, nos EUA, o modelo Cabral. Os petistas da academia preferem acusar São Paulo (capital: 27º lugar no ranking de homicídios - isto é, último; estado: 26º lugar - penúltimo) de prender demais!

Pois bem. Leiam o que publicou o Globo na quinta. Volto depois.

Por Antônio Werneck:
Logo na entrada, um cheiro forte de queimado dominava o ambiente, mas era apenas quando se deparavam com a porta giratória trancada em pleno expediente bancário que os clientes eram informados por seguranças armados: o banco não abriu na quarta-feira para que dois caixas eletrônicos, arrombados com maçaricos em mais uma ação ousada de bandidos em Niterói, fossem trocados. O caso aconteceu em um banco na Rua Gavião Peixoto, em Icaraí, um dos bairros mais nobres da cidade dividida agora por duas quadrilhas de traficantes que fugiram para morros do município, expulsos do Rio pela expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Segundo policiais civis e militares de Niterói, traficantes do Morro da Mangueira tomaram a favela do Morro do Preventório, no bairro da Charitas, enquanto criminosos das favelas do complexo da Maré, expulsos pela chegada de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e de Senador Camará, onde a Polícia Militar tem atuado constantemente, ocuparam o Morro do Cavalão, no Centro de Niterói. Pelo menos 30 bandidos já estariam agindo na cidade e seriam os responsáveis pela onda de violência. Assaltos com reféns, arrastão e roubos de veículos se tornaram normais nos últimos três meses em bairros como Icaraí, Ingá e São Francisco.

O GLOBO procurou a assessoria do governador Sérgio Cabral e do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para que falassem sobre o assunto, mas eles preferiram não comentar o caso. A Polícia Militar informou que o policiamento será reforçado com a chegada de novos policiais e recrutas. Desde o início da semana, o coronel Maurício Santos de Moraes, do 4 Comando de Policiamento de Área (CPA), vem tratando do assunto pessoalmente. “Pelas informações que dispomos, os traficantes não estão conseguindo os lucros que tinham com a venda de drogas no Rio. Por isso teriam passado a atuar em assaltos violentos”, disse um policial da cidade.

Os reflexos da presença de bandidos do Rio em Niterói já começam a aparecer nas estatísticas de violência. Em Icaraí, por exemplo, em janeiro do ano passado nenhum assalto a residência havia sido registrado na 77 DP, responsável pelo policiamento do bairro. Este ano, também em janeiro, os registros pularam para seis casos, como revelam números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança. Também subiram em Icaraí os casos de assaltos no interior de ônibus em janeiro: de quatro, no ano passado, para nove este ano. As ações são sempre violentas, com o uso de armas de guerra, como fuzis e metralhadoras.

No bairro do Ingá, a violência é percebida em qualquer esquina: restaurantes, bares e pedestres viraram alvos dos criminosos. Um estabelecimento frequentado por promotores, empresários, políticos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) já foi assaltado três vezes este ano. Na última, 60 clientes ficaram sob mira de quatro criminosos fortemente armados enquanto eram saqueados. O bairro fica na jurisdição da 76 DP (Centro). Pela estatística do ISP, subiram os registros na região de roubos e furto de veículos. Os casos de roubo a pedestres cresceram 45%, pulando de 64 registros em janeiro do ano passado para 93 este ano. “Eles chegaram num carro e uma motocicleta. Eram cerca de seis, todos armados fortemente. Renderam o segurança e invadiram o restaurante. Os clientes foram mantidos reféns, com armas apontadas para a cabeça. Foram muito violentos e fugiram”, afirmou o dono do estabelecimento pedindo para não ser identificado.

Em São Francisco, bairro tradicionalmente residencial, os relatos de assaltos a comércio, invasão de residência e roubo de pedestres são muitos. “Aqui a situação é muito grave. Existe um paradoxo: as pessoas estão deixando de sair e com medo de ficar em casa”, contou um empresário morador de São Francisco.

Na última sexta-feira, um outro restaurante foi assaltado por três homens armados com pistolas, que renderam o segurança e, em poucos minutos, dominaram cerca de 30 pessoas que jantavam. Sob a mira de armas e a todo instante ameaçadas, todas entregaram bolsas, celulares, relógios e dinheiro. O arrastão terminou com uma violenta troca de tiros nas ruas do Ingá. Os assaltantes em fuga teriam tentado roubar o carro de um policial - não identificado - que passava na hora. No tiroteio, um dos bandidos foi baleado e fugiu ferido, buscando refúgio no Morro do Estado, que está ocupado pela Polícia Militar. Até agora ele não foi localizado.

Niterói tem cerca de 500 mil habitantes e lidera pesquisas de qualidade de vida: é a terceira cidade com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) do país. Em dez anos, saltou da quinta para a primeira colocação no ranking das cidades que têm a maior renda média domiciliar per capita do país: R$ 2.031,18, segundo o Censo 2010. Apesar disso, o investimento em segurança parece diminuir ano a ano: o batalhão da Polícia Militar do município passou de cerca de 1.200 homens, na década de 80, para 700 atualmente.

Voltei
É claro que eu sou favorável a favelas pacificadas, ora! É claro que eu acho que é preciso haver bases da PM — e, se preciso, Forças Armadas — nas favelas. Mas atenção:
a) militares não podem atuar como se fossem seguranças dos traficantes; pacificação que convive com bandidagem é pilantragem;
b) o governo do Rio precisa prender os bandidos; se ficam soltos, cometem crimes. Foi o que sempre escrevi aqui. Considerando que eles não vão arrumar emprego só porque a UPP chegou, se não puderem atuar no Rio, vão buscar outras cidades. Quem está surpreso?

Por Reinaldo Azevedo

 

Ihhh, as “chalitetes” resolveram invadir o meu blog!

Publiquei aqui um post crítico ao pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, que afirmou em palestra a brasileiros e latinos nos EUA que as favelas do Rio podem se comparar às encostas das ilhas turísticas da Grécia… Trata-se de uma daquelas bobagens enfatuadas deste rapaz, capaz de dizer as maiores asnices naquele tom que pretende conciliar seriedade e “amor ao próximo”. No jogo político, no entanto, ele não é assim tão gugu-dadá, não! Basta ver como foi pulando de galho em galho, até chegar ao PMDB de Sarney e Renan Calheiros… Mas escrevo este post para tratar de outro aspecto.

Um monte de “chalitetes” — os apelidos, ao menos eram femininos — entraram no blog para me acusar de ter “inveja” do Chalita. Pô, aí é sacanagem comigo!

Nos dons do pensamento, como diria Bocage, se eu tivesse de invejar alguém, convenham, não seria Chalita. “Ah, queria ser o Machado de Assis, o Edmund Burke; o outro Edmund — o Wilson —, o Fernando Pessoa, o Auden… Invejar Gabriel Chalita???

Se fosse na belezura — eu ainda acho que ele tenta parecer mais bonito do que inteligente… —, aí teria de ser um padrão, assim, que deixasse as moças mais, como posso dizer?, eriçadas. Não, queridas (uma delas entrou cinco vezes com apelidos diferentes; já disse que tenho como detectar)! Não tenho inveja de Chalita. É que o senso de humor involuntário dele não me agrada…

Um tal Luciano Pires escreve:
“Engraçado… Há uns anos atrás, o Chalita era o deus da educação aqui em SP. Agora porque saiu do ninho tucano virou motivo de chacota (…)”
Com o seu ”há uns anos atrás”, o Luciano também está pronto para escrever 9785 livros, correndo o risco de esbarrar no trocadilho… Mas sigamos. Não aqui, Zé Mané! Ache um elogio que eu tenha feito a Chalita no PSDB, no PSB ou no PMDB, e eu paro de escrever. Já disse que as pessoas me importam menos do que as idéias. E eu não reconheço em Chalita uma única que, de fato, lhe pertença. A verdade é bem outra: ele era objeto, sim, da chacota de boa parte da imprensa quando estava no PSDB. Depois que migrou para o lulo-dilmismo, virou “fonte confiável” dos jornalistas que mangavam dele antes por causa da impressionante coleção de batatadas que reúne naquelas coisas que chama “livros”.

Eu ainda não me recuperei de uma entrevista que ele concedeu à Folha de S.Paulo, em que revelou seu método criativo. Duas passagens merecem destaque: ele conta como escreve tanto e por que é tão… criativo!

Folha - Só no ano de 2010 foram oito livros. Como consegue ser tão prolixo? Trabalha com “ghost writer”?
Chalita -
 É que deve ter muito livro infantil aí. O livro que fiz com o Mauricio de Sousa, por exemplo, escrevi no avião em uma viagem de São Paulo a Natal. O “Pedagogia do Amor”, escrevi em 15 dias. “A Ética do Menino” foi no Réveillon. Estava na casa de Ângela Gutierrez em Salvador. A Milu Vilella sentou ao meu lado e disse: “Deixe-me ver como você escreve”.

Reproduzo comentário que já fiz a respeito:
É um potentado! Se Chalita fosse um ginasta, Milu pediria: “Chalita, dê uma pirueta!” E ele daria pirueta. “Agora uma estrela!” Pimba! Lá estaria o Chalitinha encantando as senhoras com sua agilidade. Como é escritor, alguém se acerca e pede: “Deixe-me ver como você escreve”. E lá vai ele, segundo entendi, com uma variante da escrita automática, lançando no papel tudo o que lhe vem à mente, segundo o método da livre associação. É verdadeiramente mágico!

Mas não é essa passagem que me tira o sono. O Chalita verdadeiramente revolucionário está aqui:
Folha - Como funciona seu processo de criação?
Chalita -
 Faço associações. Por exemplo, os rituais macabros com albinos na Tanzânia que menciono em um livro. Fiquei sabendo disso no Congresso. E eu adoro o “Navio Negreiro”, daí eu pego a coisa da Tanzânia, e penso no pássaro que o Castro Alves imaginava sobre aquela nau, vendo aquele sofrimento. Então, eu vou buscar o Castro Alves e coloco lá.

Esse “eu vou buscar Castro Alves e coloco lá” é a prova de seu rigor intelectual. Sentir o quê? Inveja??? Não é por acaso que ele anda a confundir José Sarney com Platão e Michel Temer com Aristóteles…

O que Chalita não tem mesmo, convenham, é senso de ridículo. As chalitetes que segurem a franga aí. Vão saber onde os albinos sacrificados da Tanzânia se encontram com a poesia de Castro Alves (Santo Deus!) e não percam tempo me enviando insultos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os pitorescos do selim. Ou: A revolução dos pelados reacionários

Mas que gente pitoresca!

Como sabem todos, a minha única intenção no primeiro texto sobre os bikers, que pretendia ser o último, era lhes informar que eles não tinham o direito de parar a Avenida Paulista, que aquela era uma ação fascistoide. Já tinha ouvido falar e constatei bem de perto que os bikers mobilizados, os talibikers e fascisbikers, se querem mesmo pensadores da cultura, da democracia, da economia, da ecologia e da política. Ah, deixem-me atrair mais um pouquinho de ódio: aposto que a maioria vota na Marina Silva e jura entender o que ela diz. O obscurantismo costuma ser totalizante! Dada a qualidade da argumentação, nota-se que eles aprenderam tudo aquilo alisando o selim - já que não brota uma maldita referência técnica, nada! O maior pensador que eles conseguiram mobilizar foi Gilberto Dimenstein, que apóia a “Pedalada pelada”. O jogo de sílabas mexe com os meus instintos concretistas mais primitivos, mas vou me conter. Volto. Que gente pitoresca!

Fiz um texto até bem-humorado (sim, os “bikers” se querem pensadores sérios e não aceitam ser questionados - ou eles prometem até mesmo matá-lo; se for mulher, a coisa pode ser… pior!) sobre o apoio que Dimenstein resolveu emprestar aos que pretendem desfilar pelados de bicicleta, e a zanga foi imensa. Eles se sentiram ofendidos!!! Ameaçar de morte, pode! Chamar de bestalhão é ofensa inaceitável, punível com a… morte! Entenderam a, por assim dizer, “cabeça” de um talibiker? Ainda não sei quem é o Mulá Omar deles… Eu escrevi “mulá”!!!

Segundo o jornalista, pedalar pelado “é um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo”. Eu acho que a única coisa inteligente que a gente pode fazer pelado, quando acompanhado, é nheco-nheco, ué. Não posso achar? Ficar pelado por São Paulo? Qual é o lema? “Meu traseiro em benefício da cidade”? Sim, manguei, sim, e umas doidas aí me acusaram de machismo. Escrevi: “As pessoas que realmente valem a pena não ficam peladas, e as que ficam não valem a pena…” Ué… Machismo por quê? As mulheres e os gays devem achar o mesmo sobre os homens. Deixem-me arrumar mais uma confusão - até parece que me importo… Isso é como praia de nudismo. Ou junta gente disposta a demonstrar que não está nem aí “para os padrões burgueses de beleza” ou os tarados. Em qualquer caso… “Só gente bonita pode agora ficar pelada?” Eu não afirmei nada disso. Feios e bonitos podem ficar nus à vontade nos ambientes adequados. Se mostram a bunda na rua, facultam o direito de o outro comentar: “Mas que coisa deprimente!” Ou uma bunda feia deixa de ser uma bunda feia porque preocupada com o aquecimento do planeta?  “Então esse é seu critério, Reinaldo Azevedo?”

Ah, chegamos ao ponto. Querem falar a sério? Até os “bikers” merecem isso de vez em quando, e eu não me importo de lhes oferecer uma tábua de salvação para o mundo da cultura e da civilização. Nada é mais privado do que o corpo. O estatuto mais importante das democracias é justamente o “habeas corpus” - literalmente, “tenha o teu corpo”. O nosso primeiro e fundamental direito é a posse daquilo que entendemos ser a morada inteira do nosso espírito. Se desloco um protesto de natureza política, uma reivindicação de caráter coletivo, uma petição ao estado, para o meu corpo, fazendo dele o veículo dessa demanda, eu o exponho a uma politização perigosa, facultando ao outro - e toda mobilização se estabelece contra um dado statu quo - uma reação de que esse corpo pode ser objeto e alvo.

Ao contrário do que afirma Gilberto Dimenstein e do que possam pensar os eventuais pelados que desfilarem pelas ruas, tirar a roupa “por São Paulo” é uma péssima maneira de ficar nu porque nada exprime mais a individualidade, exacerbando-a (quando voluntária) ou humilhando-a (quando imposta), do que a nudez. A manifestação, diga-se, se acontecer, expõe mais do que qualquer outra atitude, a natureza da reivindicação e o caráter dos reivindicantes. Em nome de uma coletividade abstrata; eventualmente tocados por teorias escatológicas, finalistas, despregam-se dos homens comuns, daqueles que ficam às margens das ruas, nas calçadas, assistindo ao desfile, com ar entre irônico e incrédulo. São o que são: individualistas radicais (nada tem a ver com o individualismo dos liberais) que acreditam que a sociedade - da qual, no fundo, julgam não fazer parte - lhes é devedora.

Há mais: ao desfilar pelados, julgam também estar desafiando um padrão moral, ao qual estariam apegados, sei lá, os tradicionalistas, grupo aos quais eles julgam, obviamente, não pertencer - daí que se considerem também inimigos dos carros, que seria outra expressão do convencionalismo, de uma sociedade de valores ultrapassados. Gente como Dimenstein - que, afinal, é da “mídia” - lhes dá a ilusão de que esses postulados têm alguma substância e profundidade.

Imaginem o susto que essas pessoas podem levar se forem estudar um pouco… Talvez um dia descubram - e não precisam parar de pedalar para isso; basta que não transformem esse ato num exercício intelectual - que as famosas “interdições” que o cristianismo criou relativas ao corpo foram, na sua origem, uma garantia de liberdade. Passaram por derivações, vamos dizer, moralmente teratológicas ao longo do tempo? Sim! Ocorre que, assim como o cristianismo foi o primeiro pensamento organizado de massa que protegeu a vida das mulheres ao criar a interdição do aborto, também foi o primeiro a proteger a integridade física dos fracos contra a vontade dos fortes. A sacralização do corpo protegia quem podia menos de quem podia mais. Não por acaso, sempre que esse equilíbrio se rompe - nas guerras, por exemplo -, o primeiro gesto do vencedor contra o vencido é o estupro - ou variações reduzidas da humilhação sexual máxima.

O que eu estou dizendo, seus bobalhões, se é para falar a sério, é que esse negócio de tirar a roupa para apresentar uma demanda ao estado nos remete, à diferença dos que vocês possam imaginar, para tempos que nenhum de nós gostaria de viver. O resguardo do corpo foi um fator essencial no avanço da civilização. Foi, sim, um ato de repressão: de repressão do violador contumaz. Ficar pelado para pedir uma ciclovia não é só contraproducente. É também estúpido e incivilizado - coerente, de toda sorte, com quem acha que tem o direito de paralisar a cidade e de demonizar pessoas nas redes sociais só porque não gostou de uma opinião.

Vão estudar! Há coisas que não se aprendem no selim, ainda que andar de bicicleta possa ser um exercício saudável para o corpo.

Por Reinaldo Azevedo

 

10/03/2012 às 5:03

Cúpula do PMDB também ameaça ficar pelada. É sério!

Estou preocupado!

Líderes do PMDB decidiram imitar os bikers e agora também prometem desfilar pelados em Brasília: Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros… Eles dizem não aguentar mais as humilhações impostas pelo PT e a paralisia do governo Dilma.

A exemplo dos “bikers”, eles queriam uma ciclovia só pra eles no governo, onde pudessem transitar livremente, sem enfrentar os engarrafamentos da base aliada. Esses bicicleteiros do PMDB estão com o saco cheio da falta de educação dos petistas, que vivem tirando fina deles na Esplanada dos Ministérios.

Tentaram de tudo. Falaram até com Ideli Salvatti! Foi então que apelaram a uma música do Rei, Roberto Carlos, que, de maneira algo pretensiosa, creio, fecha com chave de ouro: “Só me resta ficar nu pra chamar sua atenção”. Aliás, os peemedebistas, fui informado, vivem cantarolando a canção pelos corredores, em desconsolo, olhando a fotografia de Dilma Rousseff:

Todas as vezes que você passa e nem me vê
Fico pensando no que eu faria pra ter você
Fico pensando milhões de coisas
Qualquer loucura pra ter você
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção
O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome, mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Preciso dar um jeito de chamar sua atenção

O meu melhor sorriso eu dei, você não viu
Gritei seu nome mas nem assim você me ouviu
Por mais que eu faça não adianta
Você nem nota minha existência
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
E os dias passam correndo, vou acabar te perdendo
Só me resta ficar nu pra chamar sua atenção

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 20:45

30 colégios tiveram acesso prévio a questões do Enem, e não apenas um. Obra do “traquejado” Fernando Haddad

Fernando Haddad (PT), a exemplo de Gabriel Chalita (PMDB), ainda não disse por que quer ser prefeito de São Paulo. Ele só sabe que não quer que José Serra seja. Respondendo a um artigo do tucano, que criticou os descaminhos da educação no país, o petista afirmou que “falta a Serra traquejo” na área.  Certo! Vai ver que sim. Traquejo é isto:

MPF-CE: 30 colégios tiveram acesso ao pré-teste do Enem

Por Paula Reverbel, na VEJA Online:
O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho, responsável pelo processo sobre o vazamento das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), afirmou nesta sexta-feira que funcionários de outras 30 escolas, além do Colégio Christus, de Fortaleza, tiveram acesso a pré-testes realizados para compor o exame 2011.

De acordo com as regras do Enem, os pre-teste são realizados em algumas escolas do país para que seja feita a avaliação das possíveis questões da prova nacional. Após os alunos responderem o teste, porém, todos os cadernos com as questões devem ser recolhidos. Nenhum desses cadernos deve ficar com diretores, funcionários ou alunos - justamente para que não haja vazamento.

A Procuradoria, porém, afirma que, de acordo com investigações da Polícia Federal, Evelina Eccel Seara, uma das pessoas acusadas de envolvimento no vazamento de 2011, repassou os cadernos de provas a coordenadores de outras 30 escolas.

Seara, que trabalhava como representante da Cesgranrio - fundação contratada pelo Inep para aplicar o pré-teste, de onde vazaram as questões do exame - organizou uma reunião em uma instituição de ensino onde estavam presentes funcionários de diversas escolas. De acordo com o MP, os cadernos foram distribuídos nesta ocasião.

“Sabemos que os coordenadores desses outros colégios tiveram acesso indevido às provas do pré-teste”, explicou Costa Filho. “Resta saber se esses coordenadores repassaram as questões aos estudantes e se os cadernos eram os mesmos aplicados no pré-teste do Colégio Christus”.

Procurada pela reportagem de VEJA, a Cesgranrio afirmou que, por ora, não vai se pronunciar a respeito. “Só estamos acompanhando as notícias pela imprensa”, diz comunicado da fundação. “Não temos nenhum comunicado oficial da Justiça ou do Ministério Público Federal.”

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 20:09

Dimenstein dá apoio a ciclistas pelados e diz que isso, sim, é tirar a roupa por bons motivos… Pois é… Sempre pensei numa causa melhor…

Pois é. Eu sei que há quem deteste essa minha mania de chamar as pessoas pelo nome. Questão de honestidade. Vamos lá. Eu espero que Gilberto Dimenstein, que se considera o síndico de São Paulo, jamais adira ao texto de humor. Quero que ele continue a escrever coisas com toda aquela seriedade característica. Porque assim se pode rir a valer.

O homem escreve um texto intitulado “Pelados por São Paulo”, em que empenha todo seu apoio a uma passeata de ciclistas nus. Reproduzo seu texto em vermelho e comento em azul. Num momento espantosamente inteligente, Dimenstein chama o carro de “praga urbana”, o que deve levar os talibikers e os fascisbikers ao delírio — menos quando eles têm de pegar o carrão e se mandar para o Litoral Norte, é claro. Vamos rir um pouco.
*
É um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo. Neste final de semana, um grupo de ciclistas desfila pelas ruas de São Paulo no protesto batizado de Pedalada Pelada. É uma manifestação que já vem ocorrendo faz algum tempo, mas, neste ano, tem um significado mais forte.
Atenção para a seguinte frase, senhores: “É um inteligente jeito de tirar a roupa para ajudar a cidade de São Paulo.” Isso nos leva, por império da lógica, a supor que:
a) há um jeito não inteligente de tirar a roupa por São Paulo. Qual?
b) tirar a roupa ajuda, de fato, a consertar São Paulo;
c) outros modos de tirar a roupa — inclusive para o nheco-nheco — são menos nobres do que… por São Paulo.

O evento ocorre num momento especial. A morte da bióloga Juliana Dias, na avenida Paulista, deu origem a uma manifestação nacional. A cidade viveu o pânico da falta de combustível nos postos, revelando a dependência doentia do carro. A chantagem dos caminhoneiros mostrou nossa fragilidade. Os congestionamentos cada vez maiores, apesar de todas as obras, fazem com que ideias difíceis de engolir como o pedágio urbano sejam mais ventiladas. Vemos como o rodízio está perdendo o efeito.
É inacreditável. É esse tipo de raciocínio que alimenta os talibikers e os fascisbikers. Ainda que São Paulo tivesse um décimo dos carros que tem, a chantagem dos caminhoneiros seria igualmente inadmissível. Este senhor posa pra cá e pra cá de “especialista”, converte seus achismos em solução técnica e alimenta a militância de outros mais ignorantes do que ele próprio em questões urbanas e de economia.

Crescem as campanhas contra a violência contra o pedestre. Começamos a memorizar quantas pessoas são mortas ou acidentadas por dia.
É preciso uma, inclusive, contra a violência dos ciclistas.

Cada vez mais pessoas vão percebendo que o carro é uma praga urbana e deve ser combatido, limitado, em nome de um mínimo de civilidade. E, assim, todos devem ser treinados a andar mais a pé, metrô, ônibus, bicicleta. Ou compartilhar o táxi ou veículo particular.
Sua fala é uma estultice. POR QUE GILBERTO DIMENSTEIN, ESTE SÁBIO, NÃO ESCREVEU UM TEXTO CONTRA O GOVERNO LULA QUANDO ESTE DECIDIU BAIXAR OS IMPOSTOS DOS CARROS E AMPLIAR O CRÉDITO? Onde estava Dimenstein? Por que não usou o tempo que tem na CBN e suas colunas na Internet para dizer algo assim:
“Pô, eu compreendo que o país precisa proteger empregos na crise e que isso beneficia os mais pobres; eu entendo que temos de manter aquecido o consumo nesse momento, mas o carro é uma praga urbana. Presidente Lula, presidente Dilma, zerem o imposto das bicicletas. Lancem o programa ‘Minha Bicicleta Minha Vida’. Sei que haverá desemprego, mas é tudo pelo bem do planeta”.

O poder público é demandado a tomar mais medidas para um trânsito menos violento. Daí que, neste ano, a Pedalada Pelada tem um significado ao mostrar que, na violência cotidiana do trânsito, estamos todos nus.
Nooosssaaaa! Não é que eu arrepiei com esse fecho, gente?! Eu jamais recomendaria a alguém com tanto entusiasmo uma passeata a que eu não fosse… Gilberto Dimenstein ameaça pedalar pelado?
*
É a segunda vez que São Paulo mostra, neste ano, como tirar a roupa com inteligência por uma causa. Um grupo de amigos deixou-se fotografar sem roupa em solidariedade a uma amiga que teve a privacidade invadida e as fotos divulgadas na internet.

Só se falou em outra coisa! Exibicionistas sempre buscam um pretexto para ficar pelados. Nem que seja salvar vidas…

Evidentemente, há leis que podem impedir o desfile dos pelados. Ruas são espaços públicos onde crianças transitam, por exemplo. Dá pra enquadrar esses Manés de várias formas, a começar pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que Dimenstein deve apoiar. Mas eu defendo que deixem os pelados à vontade, curtindo o seu selim em público (imagino o desconforto tanto de homens como de mulheres, por razões distintas, mas combinadas). Cada um com o seu prazer. Não julgo!  É mais uma chance que a sociedade brasileira tem de conhecer estes valentes, que querem mudar o mundo. Num dia, eles paralisam São Paulo. No outro, transformam seus pingolins e pererequinhas em categoria de pensamento.

A única coisa chata disso tudo — no Brasil e no mundo (e uma turma que costumava tirar a roupa da UnB foi a prova dos noves) —é a seguinte: as pessoas que realmente valem a pena não ficam peladas, e as que ficam não valem a pena…

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 18:00

“Cristianismo stalinista” do Mato Grosso pede a cassação do padre Paulo Ricardo. Entendi que seu pecado é ser católico demais! Cadê a solidariedade de Chalita?

Padre Paulo Ricardo -

Padre Paulo Ricardo - "Vermelhos" da Igreja tentam revestir ódio político de questão teológica para cassá-lo

O stalinismo, quando não mandava matar — às vezes depois de uma farsa judicial —, internava seus opositores em hospícios. Afinal, só os conspiradores e os loucos poderiam se opor a seus desígnios. É o que faz hoje um grupo de “católicos progressistas” — vocês sabem, a tal “Escatologia da Libertação” — de Cuiabá. A turma decretou que o padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é louco e infeliz. Sendo assim, ele teria de ser afastado da Igreja.

Mas quem é Paulo Ricardo. Segue resumo do seu perfil que está no site da Canção Nova:
“Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso - Brasil), onde é atualmente Vigário Judicial. Nasceu no dia 7 de novembro de 1967 e foi ordenado sacerdote no dia 14 de junho de 1992, pelo Papa João Paulo II. É bacharel em teologia e mestre em direito canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Atualmente, leciona nos cursos de Filosofia e Teologia. Foi durante quinze anos reitor do Seminário Arquidiocesano de Cuiabá. Desde 2002, a Santa Sé o nomeou membro do Conselho Internacional de Catequese (Coincat), da Congregação para o Clero. É autor de diversos livros e apresenta semanalmente o programa “Oitavo Dia”, pela Rede Canção Nova de Televisão”

Ele tem sua própria página na Internet (aqui), onde diz o que pensa sobre os mais variados assuntos. Muito bem! Não concordo com tudo o que diz o padre Paulo Ricardo ou com alguns recursos retóricos ao qual apela. E daí? Mas tachá-lo de doido por quê? Eu respondo:
1- porque ele é um crítico severo do marxismo, muito especialmente, do que tomou conta da Igreja;
2 - porque combate o aborto com a dureza que cabe a um sacerdote fazê-lo;
3 - porque não demonstra grande simpatia pelo… PT!;
4 - porque critica o excesso de liberalidades a que se entregam alguns sacerdotes,

Não! Paulo Ricardo não é do tipo que se abraçaria a Fidel Castro, por exemplo.

É por isso que ele está sendo combatido. Os tais “progressistas” resolveram enviar uma carta asquerosa a autoridades católicas e religiosos em geral que deixaria Stálin morrendo de inveja. É um texto longo. Há trechos em negrito, destacados pelo site “Sentinela Católico”, que evidenciam quão piedosas são estas almas. Paulo Ricardo é chamado de “homem amargurado, fatigado, raivoso, compulsivo, profundamente infeliz e transtornado”. E dizem os signatários, hipocritamente, nutrir por ele, “como cristãos e como sacerdotes, um profundo sentimento de compaixão e misericórdia.” Vai ver é por isso que pedem, de maneira peremptória, que ele seja afastado de suas funções, já que exerceria “influência nefasta”,  ”dividindo o clero e o povo de Deus na arquidiocese de Cuiabá e no Regional Oeste II.” Também o querem longe do ensino e pedem seu afastamento do seminário.

Segundo esses valentes, padre Paulo Ricardo divide a Igreja. Eles só não disseram por que a não-divisão significaria a adesão a seus princípios. REITERO! Eu não concordo com todos os postulados do padre Paulo Ricardo, mas foi lendo a espantosa carta dos que o denuciam que entendi que não são as questões teológicas que levam seus detratores à luta para destruí-lo, mas os embates políticos e ideológicos. Ora vejam: ou se está de acordo com a esquerda católica — este fabuloso oximoro —, ou se é doido. Não conseguiram vencê-lo na teologia, então pedem que seja calado.

Há uma petição na Internet de apoio ao padre. Para maiores informações, clique aqui. A propósito: o hoje petistófilo Gabriel Chalita pescou boa parte do seu eleitorado na Canção Nova, no tempo em que não saía por aí tentando explicar o que Dilma realmente teria querido dizer quando se declarava favorável ao aborto. Chalita, este homem corajoso, não vai se solidarizar com o padre Paulo Ricardo?

Abaixo, segue a carta dos progressistas stalinistas incrustados na Igreja Católica. Que pena que eles não podem pedir que eu seja destituído de minhas funções sacerdotais, não é mesmo??? A carta segue em vermelho, claro!, em consonância com a ideologia que a inspira e com seu provável inspirador (vade retro!!!), se é que me entendem…
*
27 de fevereiro de 2012
Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores
Bispos, Padres e Povo de Deus
CNBB, ANP, /CNP, CRB, Regional Oeste II
Estado de Mato Grosso

Excelências Reverendíssimas, sacerdotes e povo de Deus

Consternados dirigimo-nos aos senhores para levar a público nossos sentimentos de compaixão e constrangimento com relação ao nosso co-irmão no sacerdócio, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, do clero arquidiocesano de Cuiabá. O que nos move é nosso desejo de comunhão, unidade, amor à Igreja e ao sacerdócio e a busca de verdadeira justiça, reconciliação e perdão.

Diante de um homem amargurado, fatigado, raivoso, compulsivo, profundamente infeliz e transtornado toma-nos, como cristãos e como sacerdotes, um profundo sentimento de compaixão e misericórdia. Diante de suas reiteradas investidas contra o Concílio vaticano II, contra a CNBB e, sobretudo, contra seus irmãos no sacerdócio invade-nos um profundo sentimento de constrangimento e dor pelas ofensas, calúnias, injúrias, difamação de caráter e conseqüentes danos morais que ele desfere publicamente e através dos diversos meios de comunicação contra nós, sacerdotes e bispos empenhados plenamente na construção do Reino de Deus.

Exporemos aqui estas duas questões com o máximo possível de objetividade na esperança que esta carta aberta seja acolhida com o mesmo espírito com que foi redigida e, mais ainda, na esperança de que encontraremos, com a intervenção segura e consciente de nosso querido Dom Milton Antônio dos Santos, arcebispo de Cuiabá, uma solução definitiva para esta questão e que seja sempre para a maior glória do Reino de Deus e para retomarmos o bom caminho.

Somos padres diocesanos e religiosos da Arquidiocese de Cuiabá e das demais dioceses do estado de Mato Grosso. Há décadas, dedicamo-nos, todos nós, com afinco, zelo e dedicação apostólica à instrução do povo nos caminhos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, não merecemos as calúnias, injúrias e difamação de caráter que Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior desfere contra nós.

Vinde e Vede 2012
Há vinte e seis anos a Arquidiocese de Cuiabá organiza, patrocina e realiza, no período do carnaval, uma grande concentração religiosa, de massa, denominada “Vinde e Vede”. A este encontro acorrem milhares de pessoas do país inteiro, mas particularmente das paróquias da Arquidiocese de Cuiabá e dioceses vizinhas. Entre momentos festivos e momentos celebrativos, o encontro é também agraciado com oradores sacros dos mais diversos nortes do país. Entre estes oradores está também Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, homem de verbo fácil, de muitos artifícios oratórios e também de muitas falácias e sofismas. Suas pregações sempre derrapam para denúncias injuriosas e caluniosas contra os bispos, os padres e o povo de Deus em geral. Com o advento das novas tecnologias da comunicação adotadas com maestria pelos organizadores deste grande evento, as lástimas de Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior ressoam em todo o mundo.

Leiam com paciência. Transcreveremos aqui parte de sua palestra proferida na última edição do “Vinde e Vede”. Intitulada “Totus tuus, Maria!”

“O espírito mundano entrou dentro da Igreja. E entrou onde? Entrou o espírito mundano de que jeito dentro da Igreja? Pelos leigos? Entrou o espírito mundano de que jeito dentro da Igreja? Foi nos catequistas? Foi (sic) os ministros da comunhão? Foi através dos cenáculos do Movimento Sacerdotal Mariano que entrou o espírito mundano dentro da Igreja? NÃO! Nossa Senhora diz como foi que o espírito mundano entrou dentro da Igreja: ‘quantas são as vidas sacerdotais e religiosas que se tornaram áridas pelo secularismo que as possui completamente’. Deixa eu explicar o que Nossa Senhora está dizendo porque às vezes Nossa Senhora fala na linguagem que a gente não entende. Gente, ela tá falando de padres. Vidas sacerdotais aqui é PADRE! Quantos padres foram tomados COM-PLE-TA-MEN-TE pelo espírito do mundão. Tá entendendo? Caíram no mundão, no mundo. Ela fala espírito do secularismo. Quer dizer que estão no mundão, tão na festança, tão no pecado. Não querem mais ser padres. Querem ser boy. Querem tar na moda. Tá entendendo? Querem ser iguais a todo mundo. Padre que quer ser igual ao mundo! É isto que Nossa Senhora tá falando! O espírito… Vejam: Nossa Senhora está dizendo que a Igreja tá sofrendo um calvário. E por quê? Porque entrou dentro da Igreja o espírito do mundo. E entrou como? Entrou por causa de padre! Por causa de padre que não é padre! Por causa de padre que não honra a batina porque, aliás, nem usa a batina! (aplausos). ‘a fé se apagou em muitas delas.’ Deixa eu falar aqui claro pra vocês porque Nossa Senhora fala mas ocê num entende. A fé se apagou em muitas vidas sacerdotais, deixa eu dizer em português claro pra vocês. Tem padre que deixou de ter fé. É isso que Nossa Senhora tá dizendo. Está dizendo isto no dia em que o Papa João Paulo II estava aqui em Cuiabá. ‘A fé se apagou em muitos padres por causa dos erros que são sempre mais ensinados e seguidos. A vida da graça já está sepultada pelos pecados que se praticam, se justificam e não são mais confessados.’ O que que Nossa Senhora ta dizendo? Vamos trocar em miúdos aqui! Nossa Senhora está dizendo que a vida da graça de muitos padres - o padre tem que viver uma vida da graça. A vida da graça de muitos padres está SE-PUL-TA-DA! Posso dizer mais claro? Morreu! A vida da graça de padres pode morrer também. Como? Nossa Senhora diz: ‘pelos pecados’. Os pecados que praticam, aí depois que eles praticam, justificam: Não… não é pecado. Antigamente é que era pecado, agora não é mais pecado. (com ar de deboche). Entendeu? Nós temos que ser, nós temos que mostrar pra o mundo que a Igreja tem um rosto aberto, que a igreja está aberta pro mundo. Aí lá vai o padre pular carnaval, no meio de mulher pelada. Aí lá vai o padre fazer festa na arruaça, beber, encher a cara até cair. Pra dizer o quê? Ahh, o mundo… eu tenho que pregar o evangelho pro povo, pros jovens… O jovem tem que acreditar na Igreja, então eu tenho que ir lá, eu tenho que ficar junto com o jovem. Eu tenho que viver a vida que todo mundo vive. Gente, eu não sou melhor do que ninguém e Deus sabe os meus pecados [...]“.

Pobre em espírito e conteúdo, esta palestra escamoteia um texto não oficial, escrito pelo fundador e personalidade maior do Movimento Sacerdotal Mariano, Padre Stefano Gobbi. Lembremos apenas as palavras do Papa Bento XVI na exortação apostólica Verbum Domini: [...] “a aprovação eclesiástica de uma revelação privada indica essencialmente que a respectiva mensagem não contém nada que contradiga a fé e os bons costumes; é lícito torná-la pública, e os fiéis são autorizados a prestar-lhe de forma prudente a sua adesão. [...] É uma ajuda, que é oferecida, mas da qual não é obrigatório fazer uso.” (Verbum Domini, n. 14).

É desastrosa e danosa à reputação de milhares de sacerdotes à “tradução” e “interpretação” que padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior dá às supostas palavras de Nossa Senhora ao Padre Stefano Gobbi.

Ainda Bento XVI, por ocasião da Conferência de Aparecida nos advertia: “Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a uma bagagem, a um elenco de algumas normas e de proibições, a práticas de devoções fragmentadas, a adesões seletivas e parciais da verdade da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou crispados que não convertem a vida dos batizados. Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” [...]. (DAp. N. 12).

moralismo crispado e falso de Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior reduz a rica tradição da Igreja a um pequeno número de normas e restrições, com uma verdadeira obsessão de traços patológicos pelo uso da batina, fato que provocou recentemente um grande desgaste ao clero e ao povo da Arquidiocese de Cuiabá e volta a provocar agora, na 26ª edição do “Vinde e Vede”.

Interpreta ele erroneamente o Cânon 284 do Código de Direito Canônico (do qual se diz mestre) - “os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.” - e também as normas estabelecidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que observam: “nas determinações concretas, porém, devem levar-se em conta a diversidade das pessoas, dos lugares e dos tempos.”

Colocando-se talvez no lugar de Deus, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior julga e condena inúmeros irmãos no sacerdócio que levam vida ilibada e que são reconhecidamente compromissados com o Evangelho, com a Igreja e com o Reino de Deus. Ele espalha discórdia e divisões desnecessárias e prejudiciais ao crescimento espiritual do clero e do povo de Deus. De forma indireta, condena nosso arcebispo emérito Dom Bonifácio Piccinini e nosso atual arcebispo, Dom Milton Antônio dos Santos. Ambos, dedicados inteiramente, com generosidade e abnegação ao Reino de Deus e à Igreja, não usam batina, como observou em junho passado uma fiel leiga presente a uma dessas contendas levadas a cabo por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior e seus sequazes.

Ademais, o uso que ele faz da batina é puramente ideológico. Não a usa como veste, pois não a usa sempre. Usa-a apenas como instrumento de ataque àqueles que elegeu como seus desafetos. Essencial seria ele perguntar-se a si mesmo: “o que quero esconder ou o que quero mostrar com o uso da batina?” Não somos contra o uso da batina. Entendemos que identidade sacerdotal, bem construída, se expressa no testemunho pessoal e nas obras apostólicas e não na batina. Somos contra o uso ideológico que se faz dela e a condenação daqueles que “levam em conta a diversidade das pessoas, dos lugares e dos tempos.”

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior: uma pessoa controversa
Muitos dos problemas enfrentados pela Arquidiocese de Cuiabá têm origem, continuação e fim na pessoa do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, dono de uma personalidade no mínimo controversa.

Apesar de todos os esforços de nosso querido Dom Milton Antônio dos Santos em busca da unidade, pouco se tem alcançado. Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior continua exercendo sua influência nefasta e dividindo o clero e o povo de Deus na arquidiocese de Cuiabá e no Regional Oeste II. E, mais importante, no SEDAC e nos seminaristas de todos os seminários do estado de Mato Groso.

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior ultrapassa os limites do fanatismo quando se trata de questões teológicas, eclesiais e pastorais. Não é um teólogo e nunca foi um homem de pastoral. É apenas um polêmico, capaz de julgar e condenar a todos que não se submetem aos seus ditames e interesses de carreira.

Guardião de ortodoxias e censor de plantão, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior costuma ser pouco honesto. Honestidade intelectual é proceder com humildade, modéstia, cautela nas críticas, observou recentemente o Papa Bento XVI em homilia ao clero da Diocese de Roma. A impetuosidade e o açodamento característicos da personalidade do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior terminam por levá-lo a pecar contra a objetividade. Condena antes de saber de que se trata. Tem mais faro que inteligência, mais instinto que razão, mais paixão que serenidade, mais zelo doentio que honestidade.

Por ocasião da campanha eleitoral para a presidência da república, enfurnou-se em um cordão de calúnias, ameaças e difamação contra candidatos, contra o povo e contra a própria CNBB. A coisa se agravou a tal ponto que o arcebispo de Cuiabá teve que publicar uma carta proibindo o uso da missa e do sermão para campanhas político-partidárias.

Na mesma ocasião, Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior publicou na rede mundial de computadores uma carta difamatória contra os bispos, chamando-os de cachorros. “Cachorros que latem, mas não mordem.” A atitude de Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior deixou muitos bispos do Regional Oeste II profundamente consternados.

Ultimamente, tem difamado a CNBB, os bispos do Brasil e o Concílio Vaticano II na rede de TV Canção Nova. Este fato foi denunciado na última Assembléia Geral da CNBB.

Não obstante os já mencionados esforços de nosso arcebispo em busca da unidade, nossa Arquidiocese se aprofunda mais e mais em divisões, inúteis, desnecessárias e nocivas ao crescimento humano e espiritual da parcela do povo de Deus que nos foi confiada.

Solicitamos, portanto, de Vossas Excelências Reverendíssimas que Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior seja imediatamente afastado das atividades de magistério no Sedac e das demais atividades por ele desenvolvidas nas diversas instituições formativas sediadas na Arquidiocese e fora dela tais como direção espiritual de seminaristas, palestras, conferências e celebrações, pois não tem saúde mental para ser formador de futuros presbíteros. Pedimos também que seja afastado de todos os meios de comunicação social em todo e qualquer suporte, isto é, meios eletrônicos, meios impressos, mídias sociais e rede mundial de computadores.

Pedindo a bênção de Vossas Excelências Reverendíssimas, despedimo-nos com o coração cheio de esperança de que muito em breve será encontrada uma solução para esta constrangedora situação que tem se consolidado em nossa Arquidiocese.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 17:01

Em dois vídeos, Carlinhos Cachoeira aparece como abastecedor de caixa dois de deputado petista

Vejam o que publicou Lauro Jardim, na página Radar, aqui do lado:

Carlinhos Cachoeira, preso na semana passada em uma operação da Polícia Federal contra jogos de azar, abasteceu o caixa dois de uma campanha petista em Goiás.

É o que revelam dois vídeos que circulam desde o início da semana entre políticos de Goiás com o flagrante de uma conversa entre o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) e o bicheiro.

No primeiro diálogo, Cachoeira oferece 100 000 reais para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra oportunidade.

Na segunda conversa, a negociação do caixa dois de campanha fica ainda mais nítida. Cachoeira ensina ao petista - que concorda com todas as frases ditas - como proceder com o dinheiro:

- Eu não posso aparecer não. (…) E o 100 000, não declara não.

De fato,  tal quantia nunca foi declarada ao TRE por Otoni.

Procurado, Otoni afirma que a conversa filmada aconteceu em 2004, quando lançou-se candidato a prefeito de Anápolis (GO). Na ocasião, o petista conta que lideranças políticas e empresariais de Goiás o procuraram para ajudar Cachoeira a reerguer a Vitapan, sua empresa de produtos farmacêuticos.

Como não ajudou Cachoeira durante aquele período, Otoni diz que virou desafeto do bicheiro. Há anos, o petista diz ser chantageado com a possibilidade de divulgação dos vídeos.

Sobre o dinheiro oferecido para a campanha, no entanto,

o deputado não esclarece porque aparece no vídeo aceitando a oferta do bicheiro.

- Não recebi um real dele. Isso é perseguição.

Na semana passada,  uma investigação da PF revelou grampos com conversas do bicheiro com vários políticos. Entre eles, Demóstenes Torres (DEM/GO),  que tem 300 horas de diálogos com o Cachoeira gravados.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:36

Dilma, o “Minha Casa Minha Vida”, as mulheres e o governo de SP

A falta de memória na imprensa, na hipótese de que não seja alinhamento político, contribui para criar o mito de que o PT é realmente um partido inovador. Vejam um caso. A presidente Dilma Rousseff anunciou, no Dia Internacional da Mulher, que, em caso de divórcio ou fim da união estável, o imóvel do programa “Minha Casa Minha Vida”, na faixa de financiamento de até três salários mínimos, fica com a mulher — exceto se o homem ficar com a guarda dos filhos.

Não se lembrou em quase lugar nenhum que essa é, por exemplo, prática adotada em São Paulo desde o governo Mário Covas e mantida nas gestões de seus sucessores. O que parece ser uma medida que só “poderia ser adotada por uma presidenta” está em prática, em São Paulo há mais de 12 anos.

Alguns leitores perguntam o que acho a respeito e se penso que isso pode ser considerado uma discriminação ilegal. Eu apóio a medida. A razão é simples. Dados objetivos de que dispõem o governo federal e o governo de São Paulo indicam que, na esmagadora maioria dos lares desfeitos, as crianças ficam com a mãe. Não é raro que o pai simplesmente dê no pé. Nesse caso, o que importa é a segurança da criança. E que se note: trata-se de dar a melhor destinação a um dinheiro que é público. Não faria sentido adotar essa prática quando os recursos são privados.

Há casos em que as mulheres é que são as irresponsáveis. É evidente que sim. Cuida-se aqui, no entanto, de saber onde está a maioria para otimizar o dinheiro público. A decisão é correta e deveria ter sido adotada pelo governo há muito mais tempo, a exemplo do que se faz em São Paulo.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:19

Não, os caminhoneiros de combustíveis não podem chantagear a sociedade brasileira!

Os caminhoneiros que transportam combustíveis ameaçam agora transformar o movimento iniciado em São Paulo em algo de alcance nacional. É mesmo, é? A capital paulista não é a única do Brasil com restrições à circulação de caminhões e está longe de ser uma exceção no mundo. Parece-me evidente que as lideranças da categoria perceberam que a capital era, no entanto, aquela mais suscetível à baixa exploração política. A Prefeitura de São Paulo está certa. Os “talibikers” e “fascisbikers” certametne diriam que nada disso seria necessário se todos andassem de bicicleta… Pois é. É um ponto de vista. Eles têm em comum com os tais caminhoneiros a convicção de que podem impor aos outros a sua vontade. Não podem. Nem uns nem outros.

Se esses caminhoneiros têm toda essa importância e podem, em dois ou três dias, deixar São Paulo — ou outra capital qualquer  sem combustível, ameaçando a cidade com o colapso, então é bom começar a pensar em alternativas e numa legislação específica para o setor. Como ninguém é obrigado a entrar nesse ramo — entra porque quer — e como ele se mostra, obviamente, essencial à segurança coletiva, é preciso que essa coletividade se proteja de sua chantagem.

Qualquer reivindicação tem sempre um fundamento ou um pretexto, como queiram, econômico. Ninguém admite que faz isso ou aquilo só para chantagear o Poder Público, ainda que aja assim. É evidente que os caminhoneiros que transportam combustíveis passaram a ser uma questão que diz respeito à segurança da sociedade brasileira — logo, é questão federal.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 16:06

Comentários, comentaristas e tropa de choque do partido

Caros, sei que está havendo demora na mediação de comentários. No momento, há 381 na fila. Peço compreensão. Ainda estou sem ajuda para essa tarefa, e há muita coisa. Alguns me perguntam por que não liberar a área e pronto! Porque “eles” tomariam conta, a exemplo do que fazem nos portais e sites dos jornais. O “partido” já anunciou que contrataria uma tropa de choque para monitorar a Internet. E o fez. Cada “soldado” cria 10, 20, 30 apelidos diferentes, e a turma se finge de maioria, expulsando os verdadeiros leitores, que não têm paciência para enfrentar a quadrilha. Isso não é democracia, mas coisa de fascistóides. Não dá para abrir.

No fim, a gente sempre acaba se acertando, vocês sabem, ainda que demore um pouco. Esse não deixa de ser um bom problema. Chata é a vida daquela escória que precisa inventar comentaristas ou que depende da tal tropa de choque para fingir que tem leitores…

Por Reinaldo Azevedo

 

09/03/2012 às 15:43

Em palestra nos EUA, Chalita compara as favelas do Rio à costa grega, que atrai os milionários. Entendi: a Rocinha, um dia, será Mykonos!

Estava sem Internet! Alô, Telefonica! Tá tudo bem por aí? Desde ontem, o Sppedy está uma porcaria!
*

Poucos políticos são tão apaixonados por si mesmos e falam tanta bobagem quanto o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Atrás daquela fala doce, daquele discurso cute-cute, estão Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros e patriotas do mesmo jaez. Leio na Folha que ele deu uma palestra para brasileiros e latinos em Nova York e que elogiou políticas do PT e criticou o pré-candidato tucano José Serra. Não me digam! Mas qual é o lead? Ah, encontrei: Chalita comparou as favelas brasileiras com a costa turística da Grécia. Santo Deus! É provável que Chalita esteja indo muito a Mykonus e pouco à Rocinha. No mundo ideal, todo político deveria ter direito a uma TMB (Taxa Mensal de Besteira). Esgotou, acabou. Só voltaria no mês seguinte. Num momento de rasgo poético, delirou:
“Algumas favelas se localizam nas áreas mais bonitas da cidade, então as pessoas estão comprando esses barracos e transformando em casas. Analistas dizem que várias dessas favelas estão parecendo com a Grécia pela beleza do oceano, pela montanha e [por] como as casas vão ficando bonitas.”

Um sonho de Chalita - Um dia a Rocinha será assim, como Mykonos, na Grécia! É só a gente amar!

Um sonho de Chalita - Um dia a Rocinha será assim, como Mykonos, na Grécia! É só a gente amar!

 

Que coisa mais bilu!!! Que “pessoas” estão comprado? Quais “analistas” dizem? Para onde estariam indo os que vendem os barracos? Que importa? É Chalita! Ele não está aqui para explicar nada. Seu negócio é fabricar metáforas. Se duvidar, chega em casa e escreve um livro sobre o assunto.

Do mesmo partido do governador Sérgio Cabral, do Rio, Chalita também falou da necessidade de melhorar a segurança de São Paulo. E usou como exemplo virtuoso a cidade do Rio. É uma agressão estúpida, ainda que com bico doce, àquele que vive elogiando para ver se leva a cizânia ao PSDB: o governador Geraldo Alckmin. São Paulo é hoje a capital com o menor número de homicídios por cem mil habitantes — abaixo de 10. No Rio, é quase o triplo.

Na palestra, voltou a falar de sua origem pobrezinha… Seu passado é um verdadeiro “work in progress”. Ele é um pouco confuso sobre o seu passado.Escrevi a respeito em março do ano passado. Ora foi um pobre menino que vendia geladinho em estádio de futebol para sobreviver, ora recebeu uma fabulosa fortuna do pai, o que lhe permitiu comprar uma cobertura no bairro de Higienópolis de 1.000 m² — que teria deixado uma banqueira (dona de banco mesmo!) de queixo caído: “Nem eu tenho uma assim”.

Chalita é um gênio. Em 11 anos, seu patrimônio cresceu 1.925%, mais do que dobrou (crescimento de 115%) só entre 2008 e 2011. No ano passado, a VEJA tentou saber como se operou este milagre.Vejam o que conseguiu. Seguem trechos da reportagem de Fernando Mello então publicada.
*
Esso, esso, esso, Gabriel Chalita é um sucesso. Na literatura, ele é tão prolífico que deixa na lanterna gigantes como Machado de Assis e Honoré de Balzac. Machado produziu 38 obras em 69 anos de vida e o novelista francês, 89 em 51 anos. Chalita já deixou os dois para trás: aos 42 anos, publicou 54 títulos, todos com um estilo marcado pelo forte apego às frases feitas e por um fraquinho pelos diminutivos. Como político, sua trajetória não tem sido menos espetaculosa: eleito vereador aos 19 anos por Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, ele se tornou o terceiro deputado mais votado do Brasil no ano passado, logo atrás do palhaço Tiririca. Hoje, é pré-candidato a prefeito de São Paulo.
(…). A controvérsia e a incógnita marcam as duas faces do deputado e escritor.

Saber, por exemplo, quantos livros Chalita vendeu é uma tarefa árdua. Perguntado, o escritor responde sempre: “Pelos meus cálculos, foram uns 10 milhões”. A marca o colocaria à frente de J.K. Rowling, autora da série Harry Potter (3,6 milhões de exemplares vendidos no Brasil), e próximo de Augusto Cury, fenômeno editorial da década (11 milhões de livros vendidos desde 2002). A pedido de Chalita, suas editoras também não divulgam os seus números de venda. Uma espiada nas planilhas da rede de livrarias Saraiva, no entanto, autoriza a suspeita de que o cálculo não é o forte de Chalita. Considerada um termômetro do mercado editorial, a Saraiva negociou apenas 70.000 exemplares do autor nos últimos três anos.

Se não é bom com números, Chalita tampouco consegue ser preciso em suas citações. No ano passado, ao reeditar “Cartas entre Amigos” - escrito em parceria com o padre Fábio de Melo, seu amigo do peito -, a editora Globo teve de extirpar da versão original duas passagens erroneamente atribuídas a Machado de Assis e Cora Coralina. Infelizmente, para os leitores do deputado, outras escaparam aos olhos dos revisores. Usuário obsessivo do Twitter, Chalita escreve mensagenzinhas a cada quinze minutinhos, em mediazinha. São, em geral, frases de conteúdo “literário-filosófico”, como ele gosta de classificá-las, algumas vezes retiradas de seus próprios livros (”Eu te amo”. Se tiver dúvida, não diga. Se tiver certeza, não economize” ou “Matérias-primas de que somos feitos são duas, paradoxalmente duas: pó e amor! O pó nos iguala. O amor nos identifica”). Sem maldade, pessoal: o pó de Chalita é, no máximo, o de pirlimpimpim.

O deputado não bebe e não sai muito à noite, mas é festeiro à sua moda. Gosta de celebrar cada compra de um imóvel ou reforma de apartamento. Em 2004 (…), convidou seis assessores para uma “inauguração-surpresa” em seu dúplex no bairro de Higienópolis. “Quando chegamos lá, soubemos que a inauguração era da nova banheira de hidromassagem dele”, conta um dos convidados. Vestido com um robe de chambre, Chalita levou o grupo à sua suíte. onde a banheira estava instalada. Lá, anunciou que iria mostrar “como se banha um homem de estado”. Em seguida, tirou o robe e, tchibum-tchibum, de sunga, deslizou para dentro d”água. Para sua decepção, um curto-circuito impediu o funcionamento da hidromassagem e pôs um fim abrupto à celebração.

Católico, Chalita conta que na juventude queria ser padre, mas, com a entrada na política, trocou a batina pelo terno (hoje, ele prefere os Armani). Vaidoso, orgulha-se da “barriga tanquinho”, conquistada à base de muuuita malhação. Um assessor que ele considerou “fora de forma” já teve de acompanhá-lo em uma de suas habituais caminhadas aceleradas de 5 quilômetros em São Paulo - e nem o fato de estar trajando roupa e sapatos sociais o salvou da vigorosa experiência estética.

Na política, guardadas as devidas proporções, Chalita troca de partido quase com a mesma frequência com que lança um livro novo. Até agora, foram três mudanças de sigla. Começou no PDT, foi para o PSDB, passou pelo PSB e acaba de filiar-se ao PMDB. Trata-se de uma união de mútuas e significativas vantagens, em que o deputado já chega com status de pré-candidato a prefeito da maior cidade do país e na qual o PMDB poderá ganhar do PT e do governo federal algo que o interesse - e todo mundo sabe que algo é esse - em troca da desistência da candidatura Chalita.
(…)
Os 741.000 reais em bens que declarava possuir em 2000 transformaram-se em 7 milhões de reais em 2008 e hoje chegam a 15 milhões, uma variação de 1925%. Chalita atribui a prosperidade galopante às palestras que ministra pelo Brasil, aos 10 milhões de livros que “estima” ter vendido e ao “salário impressionante” que recebeu como diretor de escolas e professor de faculdades particulares até o fim da década de 90 (”Uns 20.000 dólares mensais, pelos meus cálculos”). O dúplex onde ele mora em São Paulo está avaliado em 6 milhões de reais. Tem 1.000 metros quadrados, piscina coberta com teto retrátil, oito vagas na garagem e uma academia de ginástica, montada com a orientação de Fabio Sabá, seu ex-personal trainer alçado a secretário adjunto de Educação de São Paulo quando Chalita era titular da pasta.

Há um mês, ele adquiriu um novo apartamento, também no bairro de Higienópolis. A compra do bem lhe custou 4,5 milhões de reais e foi paga à vista. Para fechar o negócio, nem precisou vender seus outros dois imóveis (além do dúplex, tem um apartamento no Rio de Janeiro, cujo preço é 1,5 milhão de reais). Como conseguiu a façanha? “Vendi um apartamento que eu tinha em Santos”, explicou, com a tinta da melancolia no semblante. O flat negociado pelo deputado valia 200.000 reais no ano passado. Como conseguiu multiplicar esse capital por vinte é só mais um dos mistérios de Chalita. Ele é a Capitu da política brasileira.
*
PS - Comentem com moderação!

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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