Evo toma empresa de energia elétrica dos espanhóis. E o assalto feito à Petrobras na Bolívia uma semana depois de Dirceu...

Publicado em 01/05/2012 21:53 e atualizado em 01/08/2013 16:56 1028 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Evo toma empresa de energia elétrica dos espanhóis. E o assalto feito à Petrobras na Bolívia uma semana depois de Dirceu se encontrar com o índio de araque

O presidente da Bolívia, Evo Morales, o índio de araque — o nativo de gibi —, nacionalizou a empresa Rede Elétrica Espanhola (REE). A decisão ocorre duas semanas depois de Cristina Kirchner ter dado uma rasteira nos espanhóis no caso da Repsol. Ambas as ações têm tecnicalidades distintas, mas são diferenças que não fazem diferença. Nos dois casos, a brincadeira é a seguinte: “Nossos governos estão encalacrados, e temos de achar um jeito de botar a culpa em alguém…” Como reza velho adágio de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

A imprensa tem lembrado que à ação de Cristina se segue a de Morales. Mas também pode ser o contrário. Quem inaugurou a moda de tomar pelas armas o que pertence aos outros foi Evo, quando tungou, no dia 1º de maio de 2006, as duas refinarias da Petrobras na Bolívia. Elas tinham sido compradas em 1999 por US$ 104 milhões. No período, receberam investimentos de US$ 30 milhões. Oficialmente, o governo boliviano ofereceu pela nacionalização US$ 112 milhões. Mas nunca ninguém viu a cor do dinheiro. O Petrobras foi roubada e ponto.

E como reagiu o governo brasileiro ao ver parte do patrimônio de seu povo ser tungado? Deu o maior apoio ao índio de araque e ainda lhe abriu as portas do BNDES para financiar uma estrada  — aquela que acabou em rolo com indígenas — que só serve ao transporte de folha de coca, que depois vira o pó que inunda o Brasil e alimenta o narcotráfico. Evo foi compreensivo com os brasileiros por tamanha generosidade. Pesquisem: incentivou a criação de novos campos de cultivo da planta mais perto da fronteira com o nosso país. A variedade plantada não serve para mascar (o tal “consumo ritual”). Só serve mesmo, depois de processada, para… cheirar!

Um dos “consultores” ouvidos pelo governo boliviano dias antes de Evo anunciar que roubaria as duas refinarias da Petrobras foi… José Dirceu. Isso mesmo: o valente viajou à Bolívia no dia 23 de abril de 2006, encontrou-se com o presidente e retornou no dia seguinte. Uma semana depois, as refinarias não pertenciam mais à Petrobras, e o governo Lula aplaudiu a decisão e deu crédito barato ao “querido Evo”. O Zé viajou num jatinho Citation 7 registrado em nome da siderúrgica MMX, de Eike Batista.

O governo espanhol precisa aprender a ser bonzinho, como diria aquela antiga personagem de Kate Lyra, como é o brasileiro. Em vez de reclamar quando alguém lhe rouba alguma coisa, deve aplaudir. E ainda enviar “assessores” especiais para instruir os ladrões.

Por Reinaldo Azevedo

 

Jornalista Fábio Pannunzio demole a farsa dos subjornalistas da “BESTA” em um texto exemplar

Já escrevi aqui algumas vezes que os defensores da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão formam, sim, um grupo: são unidos pela diversidade. Seu prazer maior está na divergência. Só podem ser considerados um grupo por isto: não querem estado ou partido controlando o pensamento. Não formam uma ordem unida. O resto é pura divergência.

Abaixo, reproduzirei um post publicado em seu blog pelo jornalista Fábio Pannunzio. Temos amigos em comum, sim, mas nunca nos falamos. Não tenho nem sequer seu telefone. Leio sua página com frequência. Já discordei de muita coisa. Concordei com outras. O reino dos homens livres é assim. O que sei a seu respeito? Que ele escreve o que pensa. Para agradar a quem? À sua consciência! Isso é o que me interessa. Leria, se os houvesse, até blogueiros de esquerda que eventualmente não estivessem ocupados em justificar crimes “em nome do povo” ou que não estivessem agarrados às tetas do governo. Mas não os há.

Publicarei um texto de Pannunzio. Isso me impede de discordar dele em outro assunto qualquer amanhã ou depois? Não!!! As pessoas livres são assim. De resto, dá gosto republicar um post como o que segue porque ele escreve bem — coisa cada vez mais rara hoje em dia, com o triunfo do analfabetismo militante e supostamente bem-intencionado que invadiu o jornalismo.

Chamo aquela gente asquerosa, financiada por dinheiro publico, de JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista). Pannunzio crava um outro nome excelente: BESTA (Blogosfera Estatal). Leiam.

*

As penas alugadas ao petismo e a máquina de demolir reputações

O leitor que se quer bem-informado deve estar atônito com a lama que escorre no entorno da CPI do Cachoeira. A imprensa brasileira - aí compreendidas todas as publicações, nos veículos formais e também na internet - parece ter sido tomada por escribas ora a serviço da quadrilha do bicheiro Cachoeira, ora a serviço da quadrilha do mensaleiro Zé Dirceu.  A disputa nas várias mídias parece ser em torno de quem representa melhor os interesses espúrios das hordas de bandidos que se acercaram do Poder.

O grande esforço da BESTA (Blogosfera Estatal), neste momento, é para comprovar que a Revista Veja, na pessoa de seu editor Policarpo Jr., estava a serviço do submundo da espionagem e à disposição da interface parlamentar da organização, capitaneada pelo ainda senador Demóstenes Torres.

Do outro lado, jornalistas de grandes veículos e blogues a eles vinculados (chamados de PIG pela BESTA) tentam desmontar o jogo de manipulação de colegas regiamente pagos - e isso é inquestionável - pelo dinheiro público para mover uma campanha de desmonte da “velha mídia”, ou do jornalismo formal, como queiram.

Em meio a essa confusão, surgem outros atores, que passam a duelar publicamente, difundindo informações que põe em xeque a lisura das apurações e das intenções de seus contendores. Na contradita, os injuriados do outro lado apresentam argumentos de que seus novos desafetos estão igualmente comprometidos com uma ou outra vertente derivada do problema. E isso faz com que todos os jornalistas pareçam iguais aos olhos do público, o que não é verdade.

Vou tratar aqui do caso Policarpo. Há cerca de um mês o editor de Veja em Brasília está sob fogo cerrado. Primeiro, falava-se que ele tinha trocado cerca de 200 telefonemas com os arapongas de Carlinhos Cachoeira. Se não serviu para condená-lo definitivamente, a quantidade de conversas apresentadas o incriminava de maneira contundente. Nada, além de suposições perniciosas, demonstrava que havia algo errado na relação entre o jornalista e suas fontes.

Quando a íntegra do inquérito contra Demóstenes vazou, uma vez mais não havia ali qualquer indício de anomalia nessas relações. O que ficou comprovado, então, foi que Policarpo recebeu informações dos arapongas de cachoeira e as utilizou em benefício do interesse público. Foi assim com a cena da propina paga a um dirigente dos Correios que despertou a fúria de Roberto Jefferson, e que serviu para desbaratar a quadrilha dos mensaleiros arregimentada por José Dirceu. Foi assim mais tarde, quando se descobriu que o “chefe da quadrilha” havia transformado a suíte de um hotel de Brasília em gabinete do governo paralelo que, sob Lula, o mesmo Dirceu continuava comandando.

A esta altura, sabe-se que os arapongas de Cachoeira comentavam em suas conversas pornográficas os resultados que esperavam advir da publicação do material que haviam fornecido ao jornalista. Isso, nem de longe, leva a qualquer indício de atrelamento entre o repórter e o esquema que os inimigos da liberdade de imprensa pretendem implodir. Apesar disso, a BESTA continua tentando colecionar elementos que possam referendar sua teoria conspiratória com recortes das gravações vazadas do inquérito da PF.

Ao mesmo tempo, o que se pode comprovar é que o time que ataca o jornalismo formal - ele mesmo composto por jornalistas que perderam espaço da grande imprensa e ocupam hoje posições terciárias em veículos aparelhados pelo pior do petismo - está claramente comprometido com um lado do problema.

E os interesses podem ser vistos a olhos nus, sem a necessidade de lentes ideológicas ou doutrinárias. É o caso notório do chefe da claque da BESTA na internet, Paulo Henrique Amorim, cujo discurso paranoico é financiado por empresas estatais como o Banco do Brasil, a CEF e a PETROBRAS. A respeito disso, o Blog do Pannunzio descobriu que, só em contratos  firmados com a CEF, o governo Tarso Genro e os Correios, Paulo Henrique Amorim se transformou num gênio financeiro da “nova mídia”, com faturamento de quase R$ 1 milhão desde o ano passado. As informações foram confirmadas por fontes oficiais e não houve nenhuma contestação ou desmentido.

O trabalho a que se propõem os arautos do fim do jornalismo, no entanto, não se limita ao ataque institucional. Para demolir a Imprensa, é preciso dinamitar reputações. É a isso que se dedicam com muito afinco os atores secundários do esquema da BESTA nesse dias de conturbação absoluta.

A investida não constitui propriamente uma novidade. O método é o mesmo de 2009, quando a organização que chamo de BESTA criou seu know-how de injuriar em série. A estratégica consiste em repercutir ao máximo “informações reveladoras” que um dos militantes “descobre” invariavelmente na internet, em investigações pífias e cheias de problemas éticos, até que o assunto “denunciado”se transforme em “verdade absoluta” e, em seguida, em fato político. É sempre assim, não importando se o objeto da denúncia é ou não verdadeiro - ou quiçá verossímil.

Uma das primeiras vítimas do esquema dos detratores profissionais da BESTA foi o jornalista Heraldo Pereira. Em maio de 2009, ele ocupou a posição em que hoje está Policarpo Jr. A história vem sendo contada por este blog desde então. Sinteticamente, Heraldo foi acusado de trabalhar para o então presidente do STF, Gilmar Mendes, que era a quem se pretendia atingir. As “provas”contra ele foram coletadas pelo site Cloaca News, organizadas em formato de reportagem por Luis Carlos Azenha e, na sequência, passaram a servir como munição para Paulo Henrique Amorim atacá-lo até a insanidade das injúrias raciais, que já lhe custaram uma indenização de R$ 30 mil e um recalcitrante pedido de desculpas publicado em dois grandes jornais brasileiros.

Para construir a série de injúrias, a BESTA ignorou pressupostos elementares do Código de Ética dos jornalistas, como ouvir o outro lado. Isso apesar de Heraldo ter sido muito próximo de um de seus detratores - foi ele quem indicou Azenha para a Rede Manchete,  onde consolidou sua carreira. A história é contada pelo próprio Azenha, em julho de 2010, conforme o trecho que reproduzo abaixo:

Um dia, estudante em São Paulo e desempregado, passei pela entrada do Hospital das Clínicas, onde Tancredo Neves estava moribundo, e encontrei o Heraldo Pereira, então repórter da TV Manchete, que me disse que a emissora tinha vaga para repórter (àquela altura eu já tinha quatro anos de experiência em TV, o que incluía longos meses cobrindo férias na Globo de São Paulo, com muitas reportagens em jornais de rede e algumas no Jornal Nacional).

Fui contratado.

Vinte e cinco anos depois, nem a gratidão motivou Azenha a cumprir o dever ético de ouvir o outro lado antes de condenar o colega. Em seu blog, depois de apresentar como verdades as denúncias falsas dos outros blogues coligados à BESTA, Azenha escreveu o seguinte:

“Tendo em vista que Gilmar Mendes teve participação direta e decisiva na polêmica que levou ao afastamento de Paulo Lacerda da ABIN, você considera que Heraldo Pereira deveria ter revelado que é funcionário de Gilmar antes ou depois do comentário que fez a respeito de Lacerda no Jornal da Globo?”

Aí está a soma de mentiras rematadas transformada em verdade absoluta pelos inimigos da imprensa livre. O post sumiu do site de Azenha, mas ainda pode ser lido no webarchive.org. O link está aqui. As aleivosias jamais foram objeto de um desmentido. Heraldo suportou um período terrível de provações até conseguir a primeira reparação - a sentença que obrigou PHA a se retratar e a indenizá-lo. E ainda aguarda a condenação do editor do Conversa Afiada por crime de racismo, que deve acontecer antes do recesso forense.

Hoje, é Policarpo Jr. quem está no alvo das penas alugadas da BESTA. Contra ele erguem-se suspeitas infundadas construídas sobre falaciosos recortes da investigação. Até agora, no entanto, não há uma evidência sequer de que o editor de Veja tenha oferecido qualquer contrapartida a suas fontes, muito menos que tenha de alguma forma auferido qualquer  tipo de vantagem pessoal a partir das relações com o submundo da espionagem de Cachoeira.

Para quem prometia revelações bombásticas nos “200 telefonemas”, o resultado do frenético CTRL-C/CTRL-V nos inquéritos vazados é pífio. Onde estão os elementos que levam à suposição de que Veja planejava golpear o governo Lula ? Onde estão as provas de que Policarpo era parte do esquema Cachoeira, como muitas vezes a BESTA tem sugerido e afirmado em suas copiosas páginas de aleivosias ? Simplesmente não há.

Em compensação, repito, há evidências de sobra de que a Blogosfera Estatal acumula privilégios e vantagens no acesso aos cofres da União e seus prepostos. Vantagens checadas e confirmadas por fontes limpas, que não foram nem serão objeto de contestação porque simplesmente não podem ser contestadas. Ao contrário dos sofismas da BESTA, as informações sobre o comprometimento dos escribas a mando de José Dirceu são verdadeiras e cristalinas.

Ao leitor, antes de entrar em desespero com tantas versões antagônicas sobre os mesmos fatos políticos, recomendo que façam uma triagem dessas fontes de informação. Antes de elaborar juízos de valor a partir do que se escreve, é preciso saber quem escreve e com que propósitos escreve.

Só assim será possível separar o joio da imprensa de aluguel do trigo da informação genuína.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 19:54

Brizola Neto no Ministério do Trabalho: Seria ele o Einstein do trabalhismo, o Rimbaud da política, o Mozart na negociação?

A presidente Dilma Rousseff nomeou para o Ministério do Trabalho um rapaz que vai fazer 34 anos em outubro: Brizola Neto. Nem está ainda na categoria daqueles brasileiros que podem exercer qualquer cargo público: para a Presidência da República e para o Senado, exige-se a idade mínima de 35 anos. O estrago que a inexperiência pode fazer num ministério é infinitamente superior à que pode provocar no Senado Federal, onde há mais 80 para eventualmente controlar certos ímpetos.

Juventude, em si, não é o problema a depender do assunto. Com a idade de Brizola Neto, Einstein já tinha doutorado havia 8 anos, e Rimbaud tinha parado de escrever havia… 17!!! E Mozart então? Estava a apenas um ano da morte e já havia feito tudo aquilo… Brizola Neto, como é notório, não é o Einstein do trabalhismo, o Rimbaud da política, o Mozart da negociação. É o quê?

Um rapaz que se elegeu em razão do nome do avô. Tem uma carreira política curta e, como se viu pela reação que se seguiu a seu nome, está longe de ser unanimidade em seu próprio partido. Tanto é assim que Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, teve de vir a público nesta terça para lembrar que nomear ministros é prerrogativa da presidente da República. Claro que é! Ao fazer tal afirmação, endossa, na prática, ainda que com outro viés, a crítica de parcela significativa do PDT. que afirma que ele não representa o partido.

Um ministro de estado é o braço operativo do presidente da Repúbica, executa a sua política. Mas seu estilo pessoal faz a diferença. Dá-se de barato que uma de suas atribuições é resolver conflitos, em vez de criá-los. Quem já leu uma vez ou outra os “tijolaços eletrônicos” de Brizola Neto — as suas diatribes na Internet, tentando mimetizar os longos textos que o avô publicava nos jornais como matéria paga — vai constatar que Dilma botou no ministério, como posso dizer?, um dos blogueiros do JEG… Não sei porque não os leio, mas devem estar animadíssimos.

Quem queria a sua nomeação era o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. “Paulinho da Força” se dizia um possível pré-candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Especula-se que Dilma nomeou Brizola Neto em troca do apoio da legenda à candidatura do petista Fernando Haddad em São Paulo. Vamos ver. A ser assim, seria a segunda concessão feita pela presidente de olho na disputa da capital paulista. Também Marcelo Crivella, ministro da Pesca (PRB) — aquele sobrinho de Edir Macedo que anunciou que aprenderia a pôr minhoca no anzol… Já terá aprendido? —, teria o objetivo de fazer diminuir a rejeição dos evangélicos ao nome de Haddad. A Igreja Universal representa apenas parcela minoritária dos evangélicos. De resto, o fato de a igreja ser parceira do PT não implica que os fiéis também o sejam. Duvido que mesmo os frequentadores da Universal endossem algumas escolhas feitas pelo ex-ministro da Educação… Mas volto a Brizola Neto.

A menos que esse rapaz mude radicalmente de postura — para falar a verdade, duvido muito! —, Dilma está mais levando o conflito para dentro do Ministério do que uma solução. Mesmo como arranjo político, parece coisa manca. No que concerne, então, às especificidades da pasta, aí estamos no mais absoluto escuro. O que pensa Brizola Neto? Qual é sua intimidade com a área? Qual é o seu pensamento? Ninguém sabe! Dilma nomeou o neto de Brizola, que escrevia tijolaços eletrônicos.

Até a nomeação, o feito mais notável desse rapaz era atacar com fúria bucéfala qualquer um, na imprensa ou fora dela, que “ousasse” fazer uma crítica ao governo, por mais modesta que fosse. Criticar a crítica, digamos assim, é parte do jogo. Pode-se fazê-lo de modo inteligente ou boçal. Brizola Neto sempre escolheu o segundo caminho, excitando a bile de petralhas e associados. Se mantiver o estilo, Dilma terá levado a briga de rua e a polêmica vazia e barulhenta para dentro do Ministério do Trabalho.

Para encerrar: Brizola Neto não tem quadros para compor sua equipe. Na prática, o ministério será comandado por Paulinho.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 18:35

Do capítulo “Para Cabral, Paris é uma festa”: “Let´s win some money in the casino!!!”

Vejam este video e leiam o que segue:

Do Radar, de Lauro Jardim:
Um trecho inédito do mesmo pacote de vídeos já levado ao ar por Anthony Garotinho traz uma nova e curiosa informação sobre a viagem de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish pela Europa. Na agora famosa mesa do restaurante Le Louis XV-Alain Ducasse em que o casamento de Cavendish foi marcado e Adriana Ancelmo comemorou o aniversário, um dos convidados diz em inglês:

- Let´s win some money in the casino.

A frase - em português, “vamos ganhar algum dinheiro no cassino” - sugere que, além de shows, jantares e passeios, o grupo de Cabral (que incluiu ainda o secretário Sérgio Côrtes) pode ter gasto algumas horas (e bons trocados) se divertindo na jogatina.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Vitória da liberdade de expressão — Juiz extingue ação contra pastor Malafaia e deixa claro: ele não foi homofóbico, e a Constituição brasileira não comporta a censura sob nenhum pretexto

O juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível de São Paulo, extinguiu ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, contra a TV Bandeirantes e também contra a União. Vocês se lembram do caso: no programa “Vitória em Cristo”, Malafaia criticou duramente a parada gay por ter levado à avenida modelos caracterizados como santos católicos em situações homoeróticas. Já escrevi alguns posts a respeito. Aquele em que em exponho detalhes do caso está aqui . Ao defender que a Igreja Católica recorresse à Justiça contra o deboche, Malafaia afirmou o seguinte:
“É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!”

Acionado por uma ONG que defende os direitos dos gays, o Ministério Público Federal recorreu à Justiça, acusando o pastor de estar incitando a violência física contra os homossexuais. Demonstrei por que se tratava de um despropósito. E o que queria o MPF? Na prática, como escrevi e também entendeu o juiz Victorio Giuzio Neto, a volta da censura. Pedia que o pastor e a emissora fizessem uma retratação e que a União passasse a fiscalizar o programa.

A decisão é primorosa. Trata-se de uma aula em defesa da liberdade de expressão. Fico especialmente satisfeito porque vi no texto muitos dos argumentos por mim desfiados neste blog — embora tenha sido esculhambado por muita gente: “Você não entende nada de direito”. Digamos que fosse verdade. De uma coisa eu entendo: de liberdade. O juiz lembra que o Inciso IX do Artigo 5º da Constituição e o Parágrafo 2º do Artigo 220 impedem qualquer forma de censura, sem exceção. De maneira exemplar, escreve:
Permite a Constituição à lei federal, única e exclusivamente: “… estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no artigo 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente”.
Estabelecer meios legais não implica utilização de remédios judiciais para obstar a veiculação de programas que, no entendimento pessoal, individual de alguém, ou mesmo de um grupo de pessoas, desrespeitem os “valores éticos e sociais da pessoa e da família” até porque seria dar a este critério pessoal caráter potestativo de obstar o exercício de idêntica liberdade constitucional assegurada a outrem.

Mais adiante, faz uma síntese brilhante:
Proscrever a censura e ao mesmo tempo permitir que qualquer pessoa pudesse recorrer ao judiciário para, em última análise, obtê-la, seria insensato e paradoxal.

Excelente!

Afirma ainda o magistrado:
Através da pretensão dos autos, na medida em que requer a proibição de comentários contra homossexuais em veiculação de programa, sem dúvida que se busca dar um primeiro passo a um retorno à censura, de triste memória, existente até a promulgação da Constituição de 1988, sob sofismático entendimento de ter sido relegado ao Judiciário o papel antes atribuído à Polícia Federal, de riscar palavras ou de impedir comentários e programas televisivos sobre determinado assunto.”

O juiz faz, então, uma séria de considerações sobre a qualidade dos programas de televisão, descartando, inclusive, que tenham influência definidora no comportamento dos cidadãos. Lembra, a meu ver com propriedade, que as pessoas não perdem (se o tiverem, é óbvio) o senso de moral porque veem isso ou aquilo na TV; continuam sabendo distinguir o bem do mal. Na ação, o MPF afirmava que os telespectadores de Malafaia poderiam se sentir encorajados a sair por aí agredindo gays. Lembrou também o magistrado que sua majestade o telespectador tem nas mãos o poder de mudar de canal: não é obrigado a ver na TV aquilo que repudia.

Giuzio Neto  analisou as palavras a que recorreu o pastor e que levaram o MPF a acionar a Justiça:
As expressões proferidas não são reveladoras de preconceito se a considerarmos como manifestação de condenação ou rejeição a um grupo de indivíduos sem levar em consideração a individualidade de seus componentes, pois não se dirigiu a uma condenação generalizada através de um rótulo, ao homossexualismo, mas, ao contrário, a determinado comportamento ocorrido na Parada Gay (….) no emprego da imagem de santos da Igreja Católica em posições homoafetivas.
Diante disto, não pode ser considerado como homofóbico na extensão que se lhe pretende atribuir esta ação, no campo dos discursos de ódio e de incentivo à violência, pois possível extrair do contexto uma condenação dirigida mais à organização do evento - pelo maltrato do emprego de imagens de santos da igreja católica - do que aos homossexuais.
De fato não se pode valorar as expressões dissociadas de seu contexto.
E, no contexto apresentado, pode ser observado que as expressões “entrar de pau” e “baixar o porrete” se referem claramente à necessidade de providências acerca da Parada Gay, por entender o pastor apresentador do programa, constituir uma ofensa à Igreja Católica reclamando providências daquela.
(…)
É cediço que, se a população em geral utiliza tais expressões, principalmente na esfera trabalhista, para se referir ao próprio ajuizamento de reclamação trabalhista (…) “vão meter a empresa no pau”. Outros empregam a expressão “cair de pau” como mera condenação social; “entrar de pau” ou “meter o pau”, por outro lado, estaria relacionado a falar mal de alguém ou mesmo a contrariar argumentos ou posicionamentos filosóficos.
Enfim, as expressões empregadas pelo pastor réu não se destinaram a incentivar comportamentos como pode indicar a literalidade das palavras no sentido de violência ou de ódio implicando na infração penal, como pretende a interpretação do autor desta ação.

Bem, meus caros, acho que vocês já haviam lido algo semelhante aqui, não?, escrito por este “não-especialista em direito”, como sempre fazem questão de lembrar os petralhas. Caminhando para a conclusão de sua decisão,  observa:
Por tudo isto e diante da clareza das normas acima transcritas, impossível não ver na pretensão de proibição do pastor corréu de proferir comentários acerca de determinado assunto em programa de televisão, e da emissora de televisão deixar de transmitir, uma clara intenção de ressuscitar a censura através deste Juízo.”

Mas e quem não se conforma com fim da censura na TV? O juiz dá um conselho sábio, com certo humor e uma pitada de ironia:
Para os que não aceitam seu sepultamento - e de todas as normas infraconstitucionais que a previram - restam alternativas democráticas relativamente simples para a programação da televisão: a um toque de botão, mudar de canal, ou desliga-la. A queda do IBOPE tem poderosos efeitos devastadores e mais eficientes para a extinção de programas que nenhuma decisão judicial terá.

Caminhando para o encerramento
Sábias palavras a do juiz federal Victorio Giuzio Neto! Tenho me batido aqui, como vocês sabem, contra certa tendência em curso de jogar no lixo alguns valores fundamentais da Constituição em nome de alguns postulados politicamente corretos que nada mais são do que os “preconceitos do bem” de grupos de pressão influentes. Os gays têm todo o direito de lutar por suas causas. Mas precisam aprender que não podem impor uma agenda à sociedade que limite a liberdade de expressão, por exemplo, ou a liberdade religiosa.

No caso em questão, a ação era, em essência, absurda. É claro que o contexto deixava evidente que o pastor recorria a uma linguagem metafórica — de uso corrente, diga-se. Se alguém foi vítima de preconceito nessa história, esse alguém foi Malafaia. Não fosse um líder evangélico — e, pois, na cabeça de alguns, necessariamente homofóbico —, não teria sido importunado por uma ação judicial. Há um verdadeiro bullying organizado contra os cristãos, pouco importa a denominação religiosa a que pertençam. Infelizmente, a “religião” que mais cresce no mundo hoje é a cristofobia.

Eu, que tenho criticado com certa frequência a Justiça, a aplaudo desta vez.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:17

Dilma e os bancos: presidente resolveu dar uma de “presidenta Cristina Kirchner”. Certamente um mau momento

Levante a mão quem não acha os juros bancários no Brasil escandalosamente altos! Creio que nem os banqueiros se dignaram a mover o braço. São, sim! Quais as razões? Os especialistas se dividem quanto às causas. Deve haver, porque é da natureza, certa cupidez dos “companheiros banqueiros” etc e tal. Apelo a alguma ironia porque esse é um debate antigo, que nunca chegou a um consenso. Costuma marcar fronteiras entre pensamentos econômicos. Sem me alinhar com grupos, alinho-me com aqueles, no entanto, que não veem motivos técnicos para o estratosférico spread vigente no país. Muito bem! Governos interferem, sim, nessas coisas. Afinal, são também a autoridade monetária, e suas ações são decisivas na formação dos preços — muito especialmente do preço do próprio dinheiro. Dito isso, quem era aquele que vimos ontem na TV? Parecia Dilma, mas se comportava como Cristina Kirchner.

O governo vem de uma escalada de pressão contra os bancos, tentando forçar a queda do spread. Dilma não quer ver repetido em 2012 o baixo crescimento do ano passado. Considera que o governo está fazendo a sua parte (não é bem verdade), inclusive por intermédio dos bancos públicos, mas que os privados estão sabotando esse esforço. Muito bem! Digamos que tudo isso fosse assim mesmo. Será que cabe à presidente, abusando de sua altíssima popularidade (segundo as pesquisas), satanizar os bancos em rede nacional? Ora, nem bancos nem setor nenhum da economia ou da sociedade!

Tratou-se de um discurso completamente fora do lugar. Claramente, o que se via ali era a líder conclamando o povo a pressionar os bancos. “Por que, Reinado, bancos não podem ser pressionados?” Ora, claro que sim! Para tanto existem os partidos, as lideranças políticas, as entidades sindicais, os tais “movimentos sociais”… Escolham aí os agentes. Uma coisa eu sei: não cabe ao governante fazer uma intervenção daquela natureza, muito especialmente no discurso do Dia do Trabalho. A mensagem foi clara: trabalhador de um lado (e ela junto) contra banqueiros do outro.

Não deixa de ser uma ironia da história. Em 2010, escrevi aqui, o PT usou o “discurso do medo” contra o então adversário, José Serra. Nos bastidores, o partido explorou a valer, num recado aos banqueiros, o suposto viés intervencionista do tucano. Por irônico que possa parecer, o partido de Lula dizia aos “companheiros” do sistema financeiro, ainda que com outras palavras, o seguinte: “Cuidado! Serra é muito… esquerdista!!!” Nao é segredo para ninguém que os bancos fizeram uma escolha: Dilma! Um pragmático poderia dizer que eles fizeram muito bem, do seu ponto de vista, em escolher o PT: vivem nove anos verdadeiramente dourados.

Mas sabem como é… O PT, cedo ou tarde, sempre volta à sua natureza. E Dilma foi para o confronto, na hora errada, com uma fala errada. “Tá com peninha dos banqueiros, Reinaldo Azevedo?” Eu? Como disse uma conhecida certa feita, em matéria financeira (em outras áreas tudo bem!), é indecente ter pena de alguém mais rico do que você… O que estou criticando é a inoportunidade do discurso, o tom, a escolha. Qual é efetividade daquilo?

Corrupção
Dilma também aproveitou o pronunciamento para demonstrar que o governo está acima das lambanças da política — que ela voltou a chamar de “malfeitos”; os corruptos e corruptores foram tratados como “malfeitores”. Com a popularidade nas nuvens — e é evidente que as lambanças no Congresso contribuem para isso —, tratou aquele rolo como “coisa dos outros”, como se a Delta não fosse  um problema do governo federal. Tanto é  que os petistas e o próprio governo se esforçam para tirá-la da CPÌ, do noticiário, do mundo se possível…

Terá Dilma inaugurado ontem uma nova fase, mais — não vai dar para evitar a palavra — populista? Uma liderança política com elevadíssima popularidade que vai à TV, por ocasião do Dia do Trabalho, e decide satanizar banqueiros e atacar os “malfeitores”  pode estar fazendo uma escolha política. Uma má escolha. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:15

E começa o processo de compra do, acreditem!!!, Aerodilma…

Por Igor Gielow, na Folha:
O governo federal reabriu a compra de um novo avião presidencial, processo que estava parado desde que Dilma Rousseff tomou posse, no ano passado. O futuro avião, apelidado informalmente de Aerodilma, será maior e terá maior autonomia do que o atual Aerolula, e poderá custar quase seis vezes mais. No mês passado, a FAB emitiu dois pedidos de informação, a primeira etapa da compra: um para a aquisição de um avião de transporte VIP e outro para uma aeronave de reabastecimento aéreo. Três empresas poderão fazer ofertas: a Airbus europeia, a Boeing norte-americana e a IAI israelense, que não fabrica aviões, mas adapta modelos usados. Segundo a Folha apurou, não há decisão final sobre a compra no Planalto.

O custo é o problema: tanto o avião-tanque quanto o VIP novos podem sair por quase US$ 300 milhões (R$ 570 milhões) cada; modelos usados, um terço do preço. Enquanto a decisão política não sai, a FAB adianta o processo, como publicou ontem o jornal “Valor Econômico”. Além disso, a Força espera para este semestre a definição da compra dos seus novos caças, um negócio que pode chegar a R$ 10 bilhões. A troca do avião presidencial é tema sensível. No fim de 2010, a Folha revelou que a FAB havia feito um pedido de informações para um avião-tanque que também tivesse uma área VIP.

Assim, o governo tentava dissimular a compra do substituto do Airbus-A319 presidencial, conhecido como Aerolula por ter sido comprado pelo então presidente Lula. O favorito para aquele negócio era o modelo Airbus-A330MRTT, que deverá ser oferecido novamente agora para a função de reabastecimento. À época, Lula disse que o Brasil era “humilhado” pela necessidade de escalas do Aerolula no exterior.  Não deixou de ser uma ironia, dado que o governo gastara US$ 56 milhões (R$ 106 milhões ontem) com o Airbus alegando que aviões mais baratos da Embraer não teriam capacidade intercontinental.

Com 8.500 km de autonomia, o A319 não voa com conforto de Brasília à Europa, necessitando de uma escala. Para a Ásia, são duas paradas. Versões de transporte VIP dos jatos Boeing-777 e Airbus-A340, que têm custo similar ao A330MRTT, mas não são aviões-tanque, podem chegar a 17 mil km sem escalas, ligando quase todos os aeroportos do mundo diretamente.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:07

PMDB tenta evitar convocação de Cabral na CPI do Cachoeira

Por Maria Lima, no O Globo:
Tranquilos até poucos dias atrás com o tiroteio entre PT e oposição, que mantinha o PMDB distante do alvo central da CPI do caso Cachoeira, integrantes da cúpula do partido começaram a se mobilizar no fim de semana para tentar blindar o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e evitar que seja aprovada sua convocação para depor logo no início dos trabalhos. Dirigentes peemedebistas não escondiam nesta segunda-feira o desconforto e a preocupação com a superexposição das relações de Cabral com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em fotos divulgadas pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ).

A avaliação feita em conversas reservadas era de que a CPI começa a caminhar com as próprias pernas, e que a cúpula do PMDB terá que rever sua estratégia inicial de se manter à margem da CPI que nunca quis. Por isso, apesar do feriado de hoje, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), chega a Brasília para uma reunião com o presidente licenciado do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e com o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), para discutir como conduzir o caso e não deixar que o foco da CPI extrapole o objeto de sua criação: o esquema Carlinhos Cachoeira, Delta e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

A preocupação é com o descontrole das investigações além dos limites dos negócios da Delta no Centro-Oeste - que podem atingir os governadores Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF). O governador do Distrito Federal é o único que já tem pedido de inquérito aberto pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sob a alegação de que assessores receberam propina para facilitar contratos em seu governo. Marconi Perillo é acusado de relações estreitas com o grupo de Cachoeira e Demóstenes, que teriam indicado servidores em postos de alto escalão em seu governo. Mas não há ainda inquérito ou gravações que o incriminem diretamente.

Um dos representantes do PMDB na CPI, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse, num primeiro momento, que seria inevitável a convocação de Cabral.

” Será uma oportunidade para ele se explicar sobre as denúncias de que privilegiou a Delta por ser amigo do Fernando Cavendish. Não faria sentido chamarmos outros governadores acusados de envolvimento na teia da CPI, como o Perillo e o Agnelo, e deixarmos o Cabral de fora só porque pertence ao PMDB ou porque governa o Rio”, declarou Ferraço no domingo ao site IG.

Nesta segunda-feira, depois da mobilização da cúpula peemedebista, Ferraço estava mais cauteloso, alegando que Garotinho estava fazendo disputa política: “O Renan me deu liberdade para agir de acordo com minhas convicções. E minha convicção é que não vou ser instrumento de lutas regionais. Pode tirar o Garotinho da chuva!”, disse Ferraço, ontem, ao GLOBO.

Preferindo manter-se no anonimato, um deputado do PMDB faz a mesma avaliação que Ferraço: “A CPI começa a ganhar rumo próprio. Quem é que vai convocar o Perillo e o Agnelo e depois botar a cara lá para defender o Cabral? Quem defender Cabral vira alvo. Como que o Renan, que quer ser presidente do Senado, vai defender isso? Só por baixo dos panos”.

Nas conversas de bastidores, peemedebistas avaliaram que a situação de Cabral se complicou muito no final de semana com a divulgação dos vídeos e fotos. Mas a ordem interna é não alimentar essa polêmica. “A CPI é para investigar o Cachoeira e as investigações das operações da Polícia Federal. Se tem outras ramificações, lá na frente a CPI terá que investigar. Temos que aguardar o plano de trabalho da comissão para ver onde e o que tem de ligação com Cachoeira”, disse ex-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ressaltando que não é da CPI.

Cabral, que não tem relação estreita com seus partidários no Congresso, está procurando aproximação maior e sondou pessoas do partido para refutar suspeitas de que privilegiou a Delta.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:05

CPI do Cachoeira convidará Gurgel para ir à comissão

Por Ricardo Brito, noEstadão:
O presidente e o relator da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e deputado Odair Cunha (PT-MG), vão fazer um convite na quarta-feira para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, compareça à comissão parlamentar que tem por objetivo investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. O encontro de Vital e Cunha está marcado para as 10h na sede do Ministério Público Federal, em Brasília.

A dupla pretende fazer o convite para que Gurgel explique posteriormente à CPI, entre outros assuntos, o motivo pelo qual demorou três anos para abrir uma investigação contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) por envolvimento com Cachoeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão da dupla é um gesto político que procura evitar que a comissão vote requerimentos que pretendem convocar o chefe do Ministério Público.

No caso do convite, ele pode ser declinado. Já uma convocação para uma CPI não pode ser recusada. Na semana passada, durante a primeira reunião de trabalho da comissão, o senador Fernando Collor (PTB-AL) quis convocar Gurgel. Petistas demoveram-no da ideia de pedir a votação do requerimento. “Vamos fazer um convite para ele esclarecer as razões para abrir o inquérito no STF”, explicou Vital do Rêgo.

Às 10 horas da quarta-feira, a comissão deve receber os autos do STF relativos a Demóstenes. Em seguida, Vital deve se reunir com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para convidar os delegados da PF que participaram das investigações.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:03

PF apura ligação do grande patriota e agora colunista Delúbio Soares com fraude no ES

Por Marco Antônio Martins, na Folha:
Em Presidente Kennedy, no litoral sul do Espírito Santo, a Justiça determinou no mês passado a prisão do prefeito e afastou o vice e quatro dos nove vereadores da Câmara. A decisão foi o primeiro resultado de uma operação da Polícia Federal, batizada de Lee Oswald (assassino do presidente norte-americano John Kennedy em 1963), contra esquema de fraude a licitações e desvio de verbas que envolveria empresários e administradores da cidade.

As investigações da PF e do Ministério Público estadual encontraram indícios, no entanto, que Presidente Kennedy -distante 150 quilômetros de Vitória- seria apenas a ponta de um esquema que se espalha por outros municípios do Espírito Santo, Goiás, Bahia, Minas e São Paulo. Em dado momento, apareceu nas investigações o nome do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos réus do processo do mensalão, conforme revelou a coluna Painel. Delúbio teria discutido formas de vender a outras cidades lousas digitais, um dos focos de fraude apontados.

LOUSAS
De acordo com denúncia do Ministério Público, os atos criminosos eram liderados pelo prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), 65. Os vereadores afastados seriam responsáveis por evitar que os contratos fossem fiscalizados. A CGU (Controladoria Geral da União) calcula que R$ 55 milhões foram desviados.Um dos casos diz respeito a contrato de pouco mais de R$ 1 milhão para instalar três lousas digitais nas três escolas do município, mediante aluguel mensal de R$ 101 mil.

O contrato foi fechado pela secretária de Educação, Geovana Costalonga, sobrinha do prefeito, com Jurandy Nogueira Júnior, sócio da Matrix Sistemas e Tecnologia. Quando as lousas foram instaladas não havia internet na cidade, nem os professores receberam treinamento. Na época da licitação, a empresa, especializada em moda, mudou sua razão social. Sua proposta foi apresentada 15 minutos antes da abertura dos envelopes. A Matrix tem como endereço um terreno baldio. O empresário fez o mesmo negócio em Anchieta (ES).
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 7:01

Deputado usou cargo para agilizar vistos do grupo de Cachoeira

Por Leandro Colon, na Folha:
Gravações feitas pela Polícia Federal apontam que o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) usou o prestígio do cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara para agilizar a emissão de vistos internacionais a pedido do grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal, acionou Leréia para conseguir um visto para sua sogra Meire Alves Mendonça e uma babá viajar aos EUA no ano passado.

O tucano também teria obtido vistos para familiares do ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), apontado como operador do esquema. Leréia é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura suas ligações com Cachoeira. As gravações obtidas pela Folha mostram Cachoeira celebrando a posse do deputado como presidente da comissão de Relações Exteriores em 2 de março de 2011: “Você agora é o homem dos vistos, é?”.

O deputado brinca e cita o episódio envolvendo os passaportes aos filhos do ex-presidente Lula. “Rapaz, o primeiro que quero chamar é o Lula pra depor. Aquele negócio dos vistos dos filhos dele. Vou falar ‘o Lula vem cá, vamos fazer um acordo’. O pessoal perguntou se falo inglês, falei ‘estudei junto com o Lula, somos colegas de turma’”. Às 17h10 de 27 de abril, Leréia e Cachoeira comentam a emissão do visto de Meire Mendonça, mãe de Andressa, sua mulher. “Quando que ela tem a viagem dela, tá previsto pra quando?”, questionou Leréia. “Você põe aí Leréia a viagem dela quando liberar o visto aí”, disse Cachoeira.

O deputado disse: “Vou antecipar pra ela aqui. 9 de maio não sei se dou conta, vou viajar. A data do dia 20 de maio dou conta. Tá bom né?”. No mesmo diálogo o deputado cita o visto da filha de Wladimir Garcez: “A do Wladimir também tô resolvendo dele aqui”. Cachoeira respondeu que, como a filha de Garcez já tinha conseguido o documento, era preciso cuidar do visto de sua sogra e da babá Elisângela. Leréia deixou a presidência da comissão no mês passado.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 1:34

Deputado diz que Cachoeira, Delta e Agnello se juntaram para grampeá-lo

Do Globo:
O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentou nesta segunda-feira gravações de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal que, segundo ele, provam que o governador do Distrito Federal, Agnello Queiroz, a construtora Delta e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, atuaram juntos para grampeá-lo ilegalmente. “Agnello pediu, a Delta executou e o Cachoeira pagou”, resumiu o deputado, que integra a CPI do Cachoeira. “As conversas divulgadas hoje mostram que interceptaram minhas ligações e que foi o Cachoeira quem pagou, por solicitação da Delta, serviço feito por um policial federal do mal, que deveria estar preso e demitido”, afirma o deputado, que é delegado federal.

As escutas apresentadas registram conversas telefônicas gravadas na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, nos dias 30 e 31 de janeiro e no dia 4 de fevereiro.

As conversas são entre Cachoeira; Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, braço-direito de Cachoeira; o policial federal de nome Tomé, que teria grampeado Francischini, e o ex-policial civil Marcelo de Oliveira Lopes, que era assessor do chefe de Gabinete do governador do Distrito Federal. Giovanni Pereira da Silva, contador de Cachoeira que está foragido, é citado nas conversas, quando Dadá diz a Tomé que vai “cobrar mais tarde do Giovanni lá, que é o menino do pagamento, ver se ele fez o depósito”.

Segundo Francischini, o interesse em grampeá-lo era a busca de informações, pela Delta e pelo governo do DF, sobre investigações da liberação de um terreno nos arredores de Brasília, para a Delta fazer um lixão.

A empresa teria pago propina pela liberação do uso do terreno. O grupo que fez e pagou as escutas ilegais teria interesse também em informações de Francischini sobre investigação de pagamento de propina por uma empresa farmacêutica a Agnello, quando ele diretor da Anvisa. “Tenho certeza de que o governador Agnello Queiroz está envolvido”, afirmou o parlamentar.

O deputado federal abriu guerra contra 50 perfis fakes nas redes sociais que publicam informações falsas sobre suas relações com Cachoeira. Ele identificou e pediu a quebra do sigilo de 50 perfis à Delegacia de Crimes Cibernéticos de Curitiba. Um blog atribui a Francischini envolvimento na morte de um juiz no Espírito Santo. “Essas mentiras vão sendo republicadas na internet e você fica indefeso”, lamenta.

No domingo, Francischini denunciou ter sofrido ameaça de morte, depois que um tweet com a marcha fúnebre foi postado no perfil dele. “Não me afeta ouvir a marcha fúnebre, tocada quando um policial é sepultado, mas isso aflige minha família”, disse nesta segunda-feira.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 0:59

Delegado da PF é suspeito de firmar sociedade com grupo de bicheiro

Do Portal G1, com informações do JN:
Um delegado da Polícia Federal é suspeito de ter firmado uma sociedade com integrantes do grupo ligado ao bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela polícia em fevereiro. Deuselino Valadares dos Santos e sua mulher utilizaram o carro que, segundo a polícia, pertencia à organização criminosa. O delegado não foi encontrado para falar sobre as denúncias.

Segundo relatório da Polícia Federal, entre março e junho do ano passado, o carro ficou com o delegado. Deuselino é suspeito de ter firmado uma sociedade com integrantes da quadrilha na empresa Ideal Segurança. De acordo com a polícia, a empresa tinha Cachoeira e o ex-diretor da Deltra Cláudio Abreu como sócios ocultos. O delegado Deuselino dos Santos pode agora ser expulso da Polícia Federal por causa da ligação com a quadrilha.

A situação de Deuselino é semelhante a de outro delegado da PF, Fernando Byron, que também era considerado ótimo policial até que a Operação Monte Carlo revelou o envolvimento dele com o grupo de Carlinhos Cachoeira. Os dois delegados foram presos na operação da polícia, mas já estão em liberdade. O delegado também não foi localizado para falar sobre as denúncias.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 0:51

Cachoeira articulou compra da seção goiana do partido do homem do aerotrem…

Por Alana Rizzo e Fábio Fabrini, no Estadão Online:
Definido pela mulher como “preso político”, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preparava uma ofensiva política em Goiás. Conversas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo mostram Cachoeira negociando a compra de um partido. Os áudios da PF indicam que seria a seção goiana do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), cujo presidente nacional Levy Fidelix é citado em diversas escutas.

As conversas sobre a compra do partido começam em maio de 2011, quando Cachoeira questiona um aliado sobre a direção da legenda em Goiás. A ideia era tirar do cargo Santana Pires, presidente regional da sigla. Dois dias depois, o contraventor pede a Wladimir Garcêz que envie uma mensagem para alguém, cujo codinome entre o grupo é “nosso maior”, questionando se valia a pena “pegar” o PRTB.

A PF identificou que o sargento aposentado da Aeronáutica, Idalberto Matias Araújo, o Dadá, também fazia parte da negociação. Em um grampo, Dadá diz a Cachoeira que falou com o advogado (possivelmente do partido) e que ele teria pedido R$ 300 mil. “Já aumentou aquele valor que falei para você. Falou que era R$ 200 mil, passou para R$ 300 mil”, diz Dadá. “Tá roubando. Que garantia que tem?”, pergunta Cachoeira. “Disse que faz na hora. O presidente vem e faz tudo e vai para o TRE. Resolve tudo”, explica o araponga.

Cachoeira então quer saber quanto custa a manutenção anual do partido e Dadá diz que ele não falou sobre o assunto. “Falou que fica com o Estado todo na mão e nomeia os municípios.” Cachoeira anima-se e diz que é para fechar o negócio por R$ 150 mil: “Até R$ 200 mil dá para fazer. Fecha logo, mas tem que ter garantia”.

Segundo a PF, em agosto o grupo continuava discutindo o assunto. No início do mês, Dadá liga para Cachoeira perguntando se ele ainda estava interessado “naquele negócio do partido?” Ele confirma e pergunta qual era a legenda. Dadá responde que é o mesmo partido do Levy, o PRTB.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/05/2012 às 0:38

Dilma faz um duro ataque aos bancos em pronunciamento do Dia do Trabalho

Estou de volta. Tive de cuidar de algumas assuntos familiares. Dilma Rousseff resolveu usar o pronunciamento tradicional dos presidentes em homenagem ao Dia do Trabalho para mandar um duro recado aos bancos. Mais tarde, escreverei a respeito. Falaremos sobre intenções, adequação de discurso etc. Leiam o que vai no Estadão Online:

Por Tânia Monteiro:
O governo elevou o tom na briga contra os juros altos cobrados pelos bancos. A presidente Dilma Rousseff aproveitou um pronunciamento nesta segunda-feira, 30, em cadeia nacional de rádio e televisão, para orientar os clientes a exigirem “melhores condições” de financiamento.

No novo ataque do Planalto contra o sistema financeiro, Dilma classificou de “inadmissível” o custo dos empréstimos no Brasil e recomendou às instituições privadas seguirem o “bom exemplo” dos bancos estatais, que já fizeram pelo menos duas rodadas de corte de juros nas principais linhas de financiamento.

“É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, desabafou a presidente, em seu pronunciamento aos trabalhadores, em comemoração ao 1º de maio. Apesar de os maiores bancos privados terem anunciado cortes nos custos dos financiamentos por conta da pressão que o governo vem fazendo nas últimas semanas, Dilma deixou claro que há mais espaço para cortes e recomendou às instituições privadas que sigam o “bom exemplo” da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que já cortaram em pelos menos duas ocasiões as taxas de juros de várias linhas de empréstimo.

“A Caixa e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado provando que é possível baixar os juros cobrados dos seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado”, afirmou Dilma.

Briga
O ataque da presidente na TV é mais um capitulo na luta que o governo resolveu travar com os bancos privados. O governo considera inaceitável a grande diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para pegar recursos e o que é cobrado dos clientes que vão tomar um empréstimo, o chamado spread bancário.

Outro fator que tem incomodando bastante a equipe econômica e o Palácio do Planalto é que o Banco Central iniciou em agosto do ano passado um ciclo de corte da taxa básica de juros - que está atualmente em 9% ao ano -, mas o custo do financiamento para os clientes bancários não tem acompanhado esse movimento, pelo menos não na velocidade e na magnitude esperada.

“Os bancos não podem continuar cobrando os mesmo juros para empresas e para o consumidor enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável, e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos”, disse Dilma. “O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de credito não diminuem.”

Para demonstrar que o governo está preocupado com as denúncias que têm surgido a cada dia antes mesmo do início do funcionamento da CPI de Carlos Cachoeira e mostrar que o governo não compactua com desvios, Dilma encerrou o pronunciamento falando que combaterá a corrupção. “Garanto às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros que vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores, e cada vez mais estimular as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”, declarou a presidente, avisando que não vai abrir mão de “cobrar com firmeza, de quem quer que seja, que cumpra o seu dever”.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/04/2012 às 20:08

Moradia não basta para combater miséria

Por Cida Alves, na VEJA Online:
O governo federal decidiu mudar os critérios de escolha dos projetos do programa Minha Casa, Minha Vida para cidades com até 50.000 habitantes, passando a priorizar os municípios onde os índices de pobreza são maiores. Como justificativa para a mudança, o Ministério das Cidades afirmou que considera a habitação “importante para melhorar a vida das pessoas e combater a miséria”.

Para os especialistas, o governo é coerente na mudança, pois nas cidades de pequeno e médio porte a pobreza é um problema maior que o déficit habitacional - critério que era utilizado anteriormente. “Como solução para a miséria, entretanto, o Minha Casa, Minha Vida tem efeito temporário”, afirma o economista Mansueto Almeida. O problema está, segundo o economista, em construir casas em locais onde falta estrutura em outras áreas, como saneamento, saúde e emprego. “Não adianta dar casa para uma família onde, por exemplo, não há oportunidade de trabalho”, explica. “Eles vão acabar vendendo a casa e migrando para outros lugares”.

O Minha Casa, Minha Vida só funcionará efetivamente no combate à miséria caso seja feito um planejamento para integrá-lo a outros programas, afirma Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. “Contudo, hoje não há um alinhamento dos programas de governo”, diz Monteiro. “No nosso último levantamento, eram mais de 300 programas, distribuídos entre os ministérios com diferentes focos e geridos de acordo com a lógica burocrática e ministerial que faz com as ações não conversem entre si”.

Atraso
A mudança no critério de seleção do Minha Casa, Minha Vida para cidades de até 50.000 habitantes atrasou em quase três meses a divulgação do resultado da oferta pública que possibilitará a construção de mais de 107.000 unidades habitacionais em todo o país. O prazo foi adiado três vezes e, por fim, anunciado em 12 de abril. Entretanto, as cotas de unidades habitacionais tiveram que ser redistribuídas por causa do novo critério, processo que deve atrasar o início das obras nos municípios - o que deixou alguns secretários de habitação e prefeitos insatisfeitos.

“O melhor que o governo poderia ter feito era conduzir essa última oferta pública da forma já estabelecida e realizar outra especificamente para atender à questão da miséria”, acredita o presidente do Fórum Nacional de Secretários de Habitação, Carlos Marun. “Inclusive, poderia ser feita uma seleção com um subsídio maior para as famílias beneficiadas, a fim de minimizar a necessidade de contrapartidas, pois vamos tratar com alguns municípios que já são miseráveis e que não têm como colocar mais dinheiro no projeto”, acrescentou.

Com o novo critério, a Região Nordeste passará de 43.000 para 60.000 unidades habitacionais, concentrando mais da metade das moradias que serão construídas nesta fase do programa. Já o Sudeste passará de 29.000 para 12.000 unidades habitacionais. Cada família beneficiada pelo programa receberá um subsídio do governo de 25.000 reais para erguer sua casa.

Por meio de nota, o Ministério das Cidades disse que não houve mudança no critério na seleção dos projetos do Minha Casa, Minha Vida, e sim “uma priorização dos municípios com maior índice de domicílios em situação de extrema pobreza”. No caso das cidades com mais de 50.000 habitantes, a seleção continuará sendo feita pelo déficit habitacional.

O ministério afirmou que o governo assumiu como prioridade o combate à miséria e, para alcançar essa meta, “vários programas têm sido utilizados”. “Ter habitação é um dos compromissos que se incorporou a essa estratégia”, conclui a nota.

Gasto recorde
No ano das eleições municipais, o governo teve um gasto recorde com seu programa-vitrine nos primeiros três meses. Foram 5 bilhões de reais gastos com o Minha Casa, Minha Vida, segundo um levantamento feito com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) pela ONG Contas Abertas.

O montante é cinco vezes maior que o gasto no mesmo período de 2011 - ano em que a execução orçamentária do programa foi quase nula - e aproximadamente metade de tudo o que foi desembolsado nos últimos três anos com o Minha Casa, Minha Vida: cerca de 10,6 bilhões de reais.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/04/2012 às 18:42

Cúpula do PDT não endossa Brizola Neto no Trabalho e desconfia de acordo eleitoral em favor de Haddad

Por Luciana Marques, na VEJA Online:
Por mais inusitado que pareça, integrantes do PDT estão revoltados com aindicação do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) para o Ministério do Trabalho. Eles avaliam que a decisão da presidente Dilma Rousseff foi pessoal e que, por isso, a legenda não precisa assumir nenhum compromisso com o governo nas eleições de 2012 e de 2014. “A decisão agradou a poucos”, disse um parlamentar da legenda que preferiu não se identificar.

O próprio presidente do PDT, Carlos Lupi, que se reuniu com Dilma nesta segunda-feira, havia comentado recentemente que era melhor o partido abrir mão do cargo caso o escolhido fosse mesmo Brizola Neto. Mesmo contrariado, Lupi teve de aceitar a imposição da presidente. Além dele, reprovaram a indicação o deputado Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral da sigla, Manoel Dias, ambos cotados para assumir a vaga. Segundo um parlamentar do PDT, o líder da legenda na Câmara, André Figueiredo (CE), ficou “furioso” com a decisão do Planalto.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) avalia que o partido cometeu um erro ao aceitar uma pasta na Esplanada dos Ministérios. “A decisão é um risco para o partido, porque o impede de procurar espaço próprio em 2014″, afirmou. “O PDT estará a reboque do PT”. Integrantes do PDT desconfiam que o deputado Paulo Pereira da Silva (SP) fez um acordo com o Planalto para deixar sua candidatura à prefeitura de São Paulo em troca da nomeação de Brizola Neto - e, claro, apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad.

Paulo Pereira da Silva, que preside a Força Sindical, defendeu com unhas e dentes a nomeação do neto de Leonel Brizola para o Ministério do Trabalho. O Planalto nega a suposta troca. “Em nenhum momento a decisão envolveu a eleição municipal”, garante um interlocutor de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/04/2012 às 18:35

Garotinho e o estrago na imagem de Sérgio Cabral e do governo do Rio. Ou: Mais considerações sobre as fontes e suas intenções

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O ex-governador Anthony Garotinho segue fazendo estragos na imagem de Sérgio Cabral e do primeiro escalão de seu governo. Em seu blog, continua a publicar fotos e vídeos que retratam a impressionante intimidade da cúpula do governo fluminense, inclusive e muito especialmente o governador, com o dono da Construtora Delta — unha e carne com Carlinhos Cachoeira, fica mais evidente a cada dia.

Nas fotos acima, vemos o secretário de governo Wilson Carlos a manusear (no alto) a enciclopédica carta de vinhos do restaurante La Tour d’Argent, em Paris (segundo o blog do ex-governador). Na outra, em companhia de Cavendish. Há também um vídeo demonstrando o doce convívio e conversas amenas. Vejam. Volto em seguida.

Voltei
O conjunto da obra suscita várias questões. Garotinho não chega a ser exatamente uma figura, serei bem genérico, acima de qualquer polêmica, não é mesmo? Ninguém teria dúvida em acusar que está usando as imagens que provam a perniciosa intimidade entre Sérgio Cabral e Fernando Cavendish de olho nas eleições deste 2012, de 2014, 2016, 2018… Está, em suma, fazendo política. Ou terá ele, agora, como costumo brincar nesses casos, virado professor de Educação Moral e Cívica e referência de ética na política?

Mas se pergunta igualmente: foi ele que produziu as imagens? Acho que não! Foi ele que “armou” para Cavendish, Cabral e a cúpula do governo fluminense se entregarem ao “desregramento sistemático dos sentidos” — para citar o poeta francês Rimbaud em homenagem às folias parisienses da turma? Também não!

Mais curioso ainda: PRATICAMENTE TODAS AS FOTOS SÃO POSADAS. Os vídeos que vieram a público foram feitos por alguém que estava à mesa. Tudo teria sido enviado por e-mail a pessoas de confiança e depois vazado? Duvido! Há fotos bestas, sem importância. Há vídeos até bobocas. Não evidenciam crime em si, claro! Só a escandalosa intimidade e a falta de fronteiras entre o público e o privado. Cabral disse que pagou a farra com  o seu próprio dinheiro. O seu salário de governador faz milagres. Permite-lhe ter casa em recanto de alguns milionários e se divertir a valer em Paris.

Garotinho, está claro, quer queimar Sérgio Cabral politicamente. Ok. Isso é sabido. O material, no entanto, deveria ser amoitado ou ignorado? Acho que não! A pessoa que fornece essas preciosidades a Garotinho estaria interessada apenas em proteger os cofres do Estado do Rio de Janeiro? Huuummm… Tenho razões para duvidar, não? Se estava lá… Mas, se estava lá e agora divulga essas imagens incômodas, por que o faz? Terá tido interesses contrariados? Rompeu com a turma? Vai saber…

Esses aspectos e indagações têm a sua relevância no conjunto da obra. Mas se deve ignorar o que está à vista de todos por isso? A qualidade da “fonte” muda a importância da informação?

Por Reinaldo Azevedo

 

30/04/2012 às 17:46

A confissão descarada do PT: CPI tem é de pegar só a oposição. Ou: A Operação Salva-Agnelo. Ou ainda: Cachoeira tem de explodir, mas de um lado só!

Em outros tempos, a notícia seria um escândalo em si; nestes, não! Ao contrário até: há quem a tome como evidência de esperteza e prova de que o partido é mesmo organizado. A que me refiro? Manchete do Estadão de hoje informa que o governo tenta tomar as rédeas da CPI para que ela não “perca o foco”. A expressão “manter o foco” vem sempre carregada de valor positivo, não é? Confunde-se com coisa boa. Não nesse caso. Com isso, o governo e os governistas pretendem, de forma declarada, duas coisas:
a) manter a Delta longe das investigações; a ordem é impedir que diretores da empresa, com a exceção de um que está preso e de outro que está foragido, sejam convocados;
b) concentrar a artilharia em Marconi Perillo, governador de Goiás (PSDB).

Lendo a reportagem do Estadão, a gente vê que os petistas não escondem seu intento, não. Eles consideram que se trata de algo absolutamente legítimo. É evidente que confrontos entre governistas e oposicionistas não desaparecem numa CPI; também nelas as diferenças se manifestam etc e tal. Mas um mínimo de decoro se faz necessário, não é? A revelação, a céu aberto, sem subterfúgios ou considerações oblíquas, de que o governo atua para livrar a cara da Delta é tão escandalosa quanto as lambanças de que a empresa participa.

Reportagem de O Globo demonstra que era tal a proximidade de Carlinhos Cachoeira com a construtora que o contraventor se fez presente no apoio a Fernando Cavendish mesmo num momento dramático de sua vida, quando um acidente de helicóptero matou pessoas de sua família. Não se tratava, já está mais do que evidente, de esbarrões aqui e ali no chamado “mundo dos negócios”; ao contrário: eram relações sistemáticas, mediadas por dinheiro público.

Mesmo assim, os petistas anunciam: a ordem é tirar a Delta das investigações. Por quê? A resposta é uma só: porque a construtora é a empresa privada que mais recebe recursos do PAC e porque isso pode gerar um terremoto em vários estados — o Rio poderia ser, assim, ma espécie de epicentro do sismo Ninguém chega a ser Cavendish na vida acumulando poucas informações. Mais: ele já está “fazendo a sua parte”, retirando a construtora de alguns empreendimentos e se afastando, oficialmente ao menos, do comando da operação. Mas há um limite para o esmagamento.

Acreditem: o PT está decidido a impedir que Cavendish fale à CPI. Se vai conseguir ou não, aí vamos ver. O governismo tem maioria para convocar quem bem entender — e, pois, para impedir convocações também.

Tudo por Agnelo
A matéria do Estadão informa o que chegou a ser verdade até o fim de semana: o PT estaria disposto a entregar a cabeça de Agnelo desde que possa produzir o que considera um estrago maior na oposição: degolar  Perillo. Não é mais assim. Agnelo já avisou o comando do partido que não aceita ir para o sacrifício coisa nenhuma! Desde que migrou do PC do B para o PT, considera que prestou relevantes serviços ao partido e ao governo petista — com destacada atuação nos bastidores da operação que desmantelou a quadrilha de José Roberto Arruda no Distrito Federal. Agnelo atuou segundo seus métodos, que o PT nunca ignorou.

Há, sim, um pedaço do partido que avalia que, cedo ou tarde — e esse grupo teme que se dê mais tarde do que seria prudente —, Agnelo cairá em desgraça. Mas Lula, José Dirceu e Rui Falcão (esses dois são corpos distintos numa só cabeça) acham que é preciso fazer “a luta política” para preservar o governador do Distrito Federal, denunciando uma suposta conspiração contra esse verdadeiro herói da ética.

Há uma falsa questão na qual o PT e os subjornalistas a serviço do petismo se fixam: a gangue de Cachoeira estaria chantageando Agnelo Queiroz. É mesmo? Digamos que fosse apenas isso, pergunta-se: a chantagem se deveria exatamente a quê? Por que Agnelo estaria sendo intimidado pelo bando?

Fatoir Márcio Thomaz Bastos
O PT está deixando claro, sem qualquer reserva, que não quer investigar coisa nenhuma! Obedecendo ao comando inicial de Lula e de José Dirceu, o partido luta para que a comissão de inquérito se limite ao linchamento da oposição e da imprensa. Em ano de eleição e de provável julgamento do mensalão, os petistas acham que está de boníssimo tamanho. Também não escondem, nas conversas que mantêm nos bastidores, que pretendem fazer valer a sua maioria na comissão. Mais ainda: consideram que o fato de o petista Márcio Thomaz Bastos ser advogado de Carlinhos Cachoeira representa uma segurança e tanto. Bastos, já escrevi aqui, não é um criminalista qualquer — a partir dos honorários… É um estrategista. O partido tem a convicção de que nada virá de Cachoeira que agrave a situação dos companheiros. Na verdade, apostam que, se Cachoeira explodir, será uma explosão do lado de lá da linha.

É o que temos.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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