No Ratinho, Lula rói a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro, o bom senso… É o passado que insiste em não passar;

Publicado em 01/06/2012 16:07 e atualizado em 05/03/2020 00:41 1150 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

No Ratinho, Lula rói a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro, o bom senso… É o passado que insiste em não passar; é a rabada privada paga com a rabada pública!

Caros, o texto ficou longo (grande novidade!!!), mas acho que dá conta de quase todos os aspectos daquele grotesco espetáculo de ontem à noite. Avaliem. Se gostarem, espalhem.
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Há dias a transgressão à Lei Eleitoral estava anunciada. Lula daria a sua primeira entrevista depois de deixar a Presidência da República ao Programa do Ratinho, do SBT. O SBT é a emissora do empresário e ex-banqueiro Silvio Santos, cujo banco, o Panamericano, quebrou, deixando um rombo de R$ 4,3 bilhões na praça. Isso deveria lhe ter custado o patrimônio pessoal e empresarial. Mas saiu ileso, sem gastar um centavo. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um jeitinho. Foi um dos maiores escândalos financeiros do país. Voltarei ao ponto mais abaixo. Pois bem: os petistas anunciavam, e a imprensa noticiava: a “entrevista” ao apresentador Ratinho será a primeira de uma série de aparições do ex-presidente em programas de TV para tentar catapultar a candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. Ou por outra: o desrespeito à Lei Eleitoral estava sendo, por espantoso que pareça, anunciado. Fazia-se a crônica do crime antes mesmo de ele acontecer. E assim se deu. Só não se esperava que pudessem ir tão longe — aposta sempre perdida quando se trata de Lula. E foram! Haddad, em pessoa, apareceu a tiracolo, para ter suas virtudes exaltadas por Lula e para tentar, ele mesmo, com peculiar ruindade, vender o seu peixe. Um escracho! Um acinte! Um deboche! A maracutaia que livrou a cara e o bolso de Silvio Santos vivia ali mais um capítulo das compensações, da política do “é dando que se recebe”.

Ataque boçal e antidemocrático
Lula — com o concurso do SBT, é evidente! — não foi além do aceitável apenas quando apareceu com seu candidato, um notável desajeitado, que mal escondia a condição de boneco de mamulengo. A certa altura do programa, Ratinho perguntou — com aquela falsa espontaneidade que, admita-se, o apresentador encarna muito bem — se o petista admitia voltar a se candidatar à Presidência da República. Depois de afirmar, obviamente, que Dilma tentará a reeleição, que está fazendo um trabalho extraordinário, não se conteve: “Se ela não quiser ser candidata, vou ser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Ainda que a resposta pareça banal na sua boca e, até certo ponto, esperada, é bom que se destaque: não há democracia respeitável no mundo que aceite uma intervenção como essa. Lula transforma um dos partidos de oposição num anátema, como se, na Presidência, tivesse feito um mal ao Brasil. É essa abordagem verdadeiramente criminosa que o petismo tem da política que me causa — a mim e a quantos possam prezar o regime democrático — repúdio. Ratinho, com Haddad ali presente, numa programa que tinha justamente o objetivo de tirá-lo da obscuridade eleitoral, não perdeu tempo. Olhou para as câmeras e disparou:
— Zé Serra, cê tá ralado!

O empresário Ratinho, dono de concessões de emissoras de televisão, de tonto só tem o andado e o jeitão. É espertíssimo. Sabe que o tucano José Serra é candidato à Prefeitura de São Paulo e, pois, adversário de Haddad, não à Presidência. Mas estava ali prestando um serviço. Lula havia dado a Silvio Santos, afinal, quando fez a maracutaia do Panamericano, bem mais do que aquilo. A dívida, aliás, é impagável!

Pagando a rabada de Ratinho com a rabada do povo
Lula está com a aparência doentia, ainda bastante inchado e rouco, mas o caráter, o que ele tem, já está cem por cento. Nos primeiros instantes de programa, contou que havia prometido a entrevista ao apresentador porque eram amigos pessoais: “Já comi rabada na casa do Ratinho, e o Ratinho comeu rabada na Granja do Torto”. O valor de uma e de outra é certamente irrisório, mas não o simbolismo. O apresentador pagou a iguaria que ofereceu a Lula com seu próprio dinheiro, e Lula pagou a que ofereceu a seu amigo com o nosso. Mutatais mutandis (e põe uma montanha de “mutandis” aí…), o acordão do Panamericano foi uma rabada pública de dimensões pantraguélicas! Mas ainda não é a hora de falar disso. Sigamos.

O país de Lula é assim, fraterno, feito de amizades, compadrios, arranjos, acertos, conversas ao pé do ouvido, transgressões legais, artimanhas, manhas, arranjos à socapa, ilegalidades à sorrelfa, cochichos… À guisa ainda do troca-troca de rabadas, repetiu uma das divisas da República da Companheirada:
“Eu costumo dizer que um irmão nem sempre é um grande companheiro, mas que um companheiro é sempre um grande irmão”.
Na plateia, o irmão Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo (com os cabelos tingidos, mais negros do que as asas da graúna) e, claro!, Haddad, que logo seria chamado para uma das cadeiras dos entrevistados.

O câncer e o ataque a quem tem plano de saúde privado
Aí chegou a hora da exploração eleitoreira do câncer. Lula fez digressões sobre a sua boa saúde até então, sem tomar remédios — no máximo, disse, ingeria uns Engovs para minimizar os efeitos da “marvada pinga” —, até que recebeu a notícia da doença. Fez um resumo até bem-humorado das dificuldades para, ora se não faria isto!, atacar aqueles que votaram contra a CPMF e, pasmem!, os brasileiros que têm plano privado de saúde! O homem que se tratou num dos hospitais mais equipados e caros do mundo — teria sido tudo pago por seu plano de saúde??? — tem clara noção do contraste entre o tratamento que ele recebe e aquele dispensado por seu governo à população pobre, certo? Quem é o responsável por isso? Ora, os que votaram contra a CPMF! “Se a gente quiser que o povo tenha o tipo de tratamento que eu tive, tem de ter dinheiro”.Não! Lula não foi se tratar no SUS — que ele chegou a declarar “perto da perfeição” e a oferecer como modelo a Obama. Preferiu o Sírio-Libanês. E afirmou, de modo um tanto oblíquo, que o conjunto dos brasileiros só não tem um Sírio-Libanês para chamar de seu por culpa dos adversários.

A mentira escandalosa sobre os planos de saúde
Está, sim, um tanto alquebrado, mas, afirmei, o caráter continua o mesmo. É o que sempre digo: doença não é categoria de pensamento, não melhora ninguém. Aproveitou, ainda, para fazer caricatura dos brasileiros que pagam plano privado de saúde, que seriam uns reclamões injustos: “Quem paga o plano de saúde dele? É o estado brasileiro, que não recebe imposto!” Trata-se de uma falsificação grosseira da verdade. Lula sabe muito bem o que é Imposto de Renda e como funciona — o governo petista bate sucessivos recordes de arrecadação. Quando o contribuinte declara os gastos de saúde está apenas — atenção! — deixando de ser tributado sobre aquele valor, mas é mentira que o estado esteja pagando alguma coisa! O coitado está efetivamente tirando um dinheiro do bolso para financiar a sua saúde e a da família. A afirmação é uma mentira, uma vigarice! Terá a oposição prestado atenção que o petista hostilizou, com essa afirmação, milhões de brasileiros obrigados a aderir à saúde privada para fugir do “sistema quase perfeito” de Lula? Se fosse ágil, estaria amanhã nas redes sociais fazendo esse debate. Mas até acordar do sono eterno…

Aí chegou a hora de Haddad
Aí chegou a hora de Haddad. Como quem não quer nada, como se a pergunta tivesse acabado de lhe ocorrer, Ratinho indagou por que ele escolhera o ex-ministro da Educação como candidato à Prefeitura de São Paulo. E o ApeDELTA explicou que queria alguém com uma cara nova, que tinha criado o ProUni e 14 universidades federais (mais um número mentiroso!). O candidato, então, foi chamado a integrar a mesa, como entrevistado. Tudo estava tão organizado, que havia até uma “reportagem” com uma estudante do quarto ano de medicina, financiada pelo ProUni. Ela, claro, estava gratíssima aos dois petistas. Setenta por cento das universidades federais estão em greve. Algumas delas não contam nem com sistema de esgoto. Aulas estão sendo ministradas em barracões e prédios improvisados. E isso é apenas um fato. Em 2010, formaram-se menos estudantes em universidades públicas do quem em 2004!

Exibindo notável falta de treino, um tanto desenxabido, Haddad engrolou ali um discurso segundo o qual os críticos do Bolsa Família (???) acusavam o programa de assistencialista — o que, atenção!, é falso! Lula roubou o programa do governo FHC, como já provei aqui. Antes de adotá-lo como seu, quem dizia que programas de bolsa deixava o pobre preguiçoso, “sem vontade de plantar macaxeira”, era o próprio Lula. E já estava na Presidência da República. Indagado por que quer ser prefeito, Haddad afirmou que pretende melhorar a vida das pessoas do portão para fora — tarefa que seria da Prefeitura — porque, do portão para dentro, tudo o que aconteceu de bom aos brasileiros é obra de Lula e, vá lá, de Dilma. E teve a cara de pau de falar justamente sobre  saúde, como se o governo do PT não administrasse o país, estados e cidades em que a área vive em petição de miséria. O atendimento na rede municipal de São Paulo é muito superior àquele dispensado pelo governo federal.

Lula retomou a palavra. Pelo visto, está disposto a ressuscitar a sua pantomima do arranca-rabo de classes — justo o homem que comandou o arranjo de mais de R$ 4 bilhões do Panamericano… Já chego lá! “Muita gente diz que o Lula só cuida dos pobres”… Meus Deus! Que calúnia! Muita gente diz que eu me pareço com o Brad Pitt, e eu não me ofendo… Ora, quem diz isso? Desconheço. Eu acho que o Lula cuida é mal dos pobres. O ProUni, por exemplo, com raras exceções, é o quê? Faculdade ruim, paga com dinheiro público, para os… pobres! Os ricos vão para as universidades públicas. Mas isso fica para outra hora.

SBT X Record e os evangélicos
Ali pelo fim da entrevista, algo curioso se deu. Ratinho anunciou que o Ibope do seu programa estava maior do que “o da emissora do bispo”, referindo-se à Record, de Edir Macedo, que concorre com o SBT no esforço de puxar o saco de Lula e do PT. E disse ao ApeDELTA: “Eu estive com o apóstolo Valdomiro [na verdade, é "Valdemiro"], e ele te mandou um abraço. E Lula: “Eu quero falar com ele!”. Ratinho responde: “Posso marcar?”. O petista disse que sim.

Pois é… Haddad é amplamente rejeitado, por enquanto, pelos cristãos, tanto católicos como evangélicos, por causa do kit gay preparado para as escolas e da defesa fanática que o PT faz da descriminação do aborto. Valdemiro, originalmente um desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, de Macedo, é dono da Igreja Mundial do Poder, uma das pentecostais que mais crescem. E esse crescimento tem-se dado justamente sobre a Universal, tomando-lhe fiéis e pastores. Os dois donos de igreja travam uma batalha feroz, com pesadas acusações mútuas. Macedo já pôs o, por assim dizer, “jornalismo” da Record para atacar o adversário do mercado da fé. É bem possível que Lula queira falar com o concorrente de seu amigo Macedo para promover a paz religiosa… O dono da Universal também é proprietário (!) de um partido político, o PRB, que tem, por enquanto, um candidato à prefeitura de São Paulo: Celso Russomano. Nada, certamente, que o Babalorixá de Banânia não possa resolver.

Agora o Panamericano
Em 2008, o Banco Panamericano já estava quebrado. Mesmo assim, em 2010, a Caixa Econômica Federal comprou 49% das ações da instituição. Um ano depois, estava quebrado, com um rombo de R$ 4,3 bilhões. A única saída seria Silvio Santos arcar, conforme a lei, com os seus bens pessoais e os das suas empresas. A menos que aparecesse um super-Lula no meio do caminho, como apareceu. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ficou com o espeto. Luiz Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, contou tudo à Folha numa entrevista no dia 11 de março. A história de que o FGC é só dinheiro privado é conversa para boi dormir. A “sociedade” com a CEF rendeu a ignominiosa reportagem da “bolina de papel” em 2010, lembram-se? A operação salva-Silvio, rende agora a campanha eleitoral arreganhada para Haddad. Dado o tamanho do socorro — R$ 4,3 bilhões —, vem mais coisa por aí.

Os truques
É quase certo que a patranha desta quinta será lavada com convites aos demais candidatos à Prefeitura. Aposto que Serra e alguns outros serão convidados, sob o pretexto de garantir condições iguais a todos. Eles irão, claro! Mas se trata de um truque. Não haveria nada de errado em Lula conceder uma entrevista e elogiar fartamente as gestões petistas. Do mesmo modo, o candidato Haddad poderia ter sido entrevistado (outros teriam a sua chance). A malandragem está na operação casada, no uso de um programa de TV para que Lula faça proselitismo em favor do outro, transformando uma suposta entrevista em horário eleitoral gratuito. Ratinho e o SBT puseram um programa da emissora a serviço do lançamento de uma candidatura. A propósito: caso os demais candidatos sejam convidados, devem exigir da produção “reportagens” com pessoas gratas à sua atuação pública.

“Vamos bater nos jornalistas”
Ratinho encerrou o programa fazendo um gracejo, convidando Lula para um programa em conjunto, na televisão. Seria o certo. Finalmente, a vocação de animador de auditório! O apresentador emendou: “Tem muito jornalista que bateu em você; vamos bater neles”. E Lula respondeu: “Vamos entrevistá-los“. Trata-se de um gracejo revelador, a exemplo do troca-troca das rabadas. Políticos não entrevistam jornalistas porque estes, na sua profissão, não se candidatam a cargos públicos nem são sustentados pelo povo — há alguns que são, mas não são jornalistas, e sim paus-mandados. Lula nunca entendeu direito o trabalho da imprensa, não é? Daí que se dedique, com frequência, a tentativas de censura e intimidação.

Indagado, finalmente, e de forma indireta, sobre o caso Gilmar Mendes, o petista afirmou que não falaria a respeito se limitou a dizer: “Quem acusou que prove”!. Pois é! Só se Gilmar Mendes estivesse com um microfone na lapela. O relevante é que todo mundo sabe o que aconteceu. Não estivesse Lula ali a roer a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro e o bom senso, talvez um ou outro ainda pudessem ter direito à dúvida. Mas como duvidar?

Como acreditar num Lula que se dizia respeitador da lei enquanto a desrespeitava uma vez mais? O passado não quer passar. O passado quer ficar. A tradição de todas as gerações mortas insiste em oprimir como um pesadelo o cérebro dos vivos, como disse aquele…

Ave, Lula! As instituições, que hão de sobreviver, o espreitam!

Texto publicado originalmente às 5h10

Por Reinaldo Azevedo

 

ApeDELTA, controle çoçial da mídia pra quê?

Depois de ver Lula no papel de Ratinho das instituições, da Lei Eleitoral, do decoro e do bom senso, eu me pergunto: por que os petistas e os “pogreçista” alimentados com o nosso dinheiro falam tanto em controle social — quero dizer, “çoçial” — da mídia, hein?

É preciso, sim, investigar o uso de dinheiro público na compra de elogios e, sobretudo, de ataques aos adversários do lulo-petismo. Quando essa gente fala em “controlar a mídia”, certamente não pensa nas emissoras de TV, nas revistas, nos sites e nos blogs que servem à causa, certo? Esses já estão devidamente “controlados”, certo?

O “jornalismo” de que Lula gosta é aquele feito pelos Ratinhos, no diminutivo, no neutro ou no aumentativo. Ontem, por exemplo, não ficaria bem o apresentador fazer perguntas ao ApeDELTA ou a Fernando Haddad sobre as greves nas universidades federais. Seria uma deselegância com os “convidados”.

Ao contrário: o Brasil de Lula que apareceu no programa do SBT não tem defeitos. O candidato à Prefeitura do partido o caracterizou como perfeito. Tudo o que há de bom no país, ele sustentou, foi criado nas gestões petistas. Os problemas são obra da oposição.

É dessa “imprença” que Lula gosta! É dessa “imprença” que Haddad gosta! Por isso a brincadeira de Ratinho, segundo a qual eles deveriam se unir para “bater nos jornalistas” soa tão natural, tão doce, tão aceitável.

Controle social? Quando pensam nessa expressão, têm em mente, por exemplo, a VEJA, a Rede Globo e mais uns três ou quatro veículos. O resto, de um modo ou de outro, já está devidamente “controlado”. O que eles querem, em suma, é censurar a independencia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Brasil

Ibope do Ratinho

Lula e Ratinho: entrevista e propaganda eleitoral

A aparição de Lula ontem para uma longa entrevista – a primeira na TV desde o tratamento do câncer – não mexeu nos ponteiros de audiência do Programa do Ratinho.

No horário, o SBT regisstrou os habituais oito pontos na Grande São Paulo, de acordo com números prévios do Ibope. A Globo alcançou 39 pontos e a Record, consolidando sua terceira posição, cinco pontos.

Para Ratinho, portanto, Lula não deu um telespectador a mais – apesar do inegável sucesso de marketing  e de exposição da entrevista, repercutida por jornais, blogs e portais.

Resta ver agora o efeito do programa na candidatura Fernando Haddad, que foi uma espécie de co-protagonista da noite, com direito a lançar plataformas de campanha à prefeitura de São Paulo.

Será que o ponteiro de Haddad, que parece preso nos 3% como um paralelepipedo, mexe nas próximas pesquisas?

Por Lauro Jardim

 

7:01 \Economia

Tá feia a coisa

Crise?

De um banqueiro que normalmente é otimista sobre o Brasil:

- Os próximos seis meses serão só de notícias ruins na economia.

Por Lauro Jardim

 

Aos meus leitores, que me ensinaram a ser uma pessoa melhor!

Há muita coisa quente para ler na VEJA desta semana. Logo mais, comento algumas. O texto que segue, deste escriba, está na edição que começa a chegar hoje aos leitores e que já está nas bancas. Anuncio também o lançamento do meu quarto livro.
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O pão nosso da alegria

Neste mês, o blog que mantenho na VEJA Online completa seis anos. A página é acessada entre 100 000 e 150 000 vezes por dia - com um pico de 234.640. Nesse tempo, já foram ao ar quase 35 000 posts e 1,8 milhão de comentários. Acusam-me algumas pessoas  de obsessivo e os números não as deixam mentir. Tornei-me dependente do diálogo cotidiano que mantenho com milhares de leitores Brasil afora - e um bom tanto espalhado aí por esse mundão. Se não posso, a exemplo de Mário de Andrade, compor um “Lundu do Escritor Difícil”, sei que não sou muito fácil, especialmente porque gosto de escrever textos longos, de intercalar frases, de coordenar orações subordinadas que se distanciam perigosamente da principal, de explorar recursos já emperrados da sintaxe, de brincar com o meu apreço pela ordem.

Diziam-me nos primórdios: “Assim você não vai longe; internautas não têm tempo e paciência para esse estilo”. Sou grato pela confiança até dos que odeiam a minha página com comovente dedicação. Não raro, o amor pode se distrair e cair presa, ainda que por um lapso, de outros encantos. Mas o ódio é fiel porque dedicado escravo do ressentimento. O amor é altivo e, liberto, esquiva-se às vezes para ser reconquistado. O ódio se oferece todos os dias ao desprezo para se nutrir do bem que não pode alcançar. Aos que amam, tenho de lhes fazer todos os dias a corte com textos novos e primícias, como o enamorado cativo. Os que odeiam me pedem bem menos: basta que eu exista para que tenham razão de ser.

Os que amam não buscam apenas a minha luta cotidiana com as palavras, que o poeta Carlos Drummond de Andrade já chamou de “a luta mais vã”. Também se alimentam da minha paixão, que é a deles, pela divergência, pelo debate, pelo contraditório. E o amor pode ser flamejante e se fazer fogo que arde pra se ver, sim! E recorre a paradoxos para expor todos os relevos de seu contentamento descontente. Escrevo páginas para os que têm sede de justiça e para os que apreciam a lógica com método. Conquistei - digo-o com um orgulho maior do que possa abrigar - leitores que me pegam pelo braço, que são os meus Virgílios nos círculos do inferno e os anjos que me livram de diabólicos ardis, como a alma de Fausto, resgatada pelos céus na hora final. Os meus leitores me ensinaram a ser uma pessoa melhor.

É possível que outro veículo pudesse abrigar o blog ou este texto, mas é a VEJA que faz uma coisa e outra. Nestes seis anos, ainda que a vanguarda do retrocesso tentasse avançar e vencer, clamando, como a Rainha de Copas, “cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça”, constatei que, nesta revista, a liberdade de pensamento não é mera dama de companhia da história: presente, mas servil; educada, mas obediente; altiva, mas com autonomia não mais do que derivada. Os fundamentos do estado democrático e de direito é que têm a tutela de nossos pensamentos, de nossas utopias, de nossas prefigurações.

Nada excita mais a fúria dos vampiros morais do stalinismo e do fascismo que a liberdade que se exerce sem pedir licença a aiatolás da ideologia. Uns estão convictos de que sua leitura de mundo foi alçada à condição de uma teologia que não pode ser confrontada. Outros entendem que ganharam nas urnas o direito de solapar os fundamentos daquilo mesmo que lhes deu expressão: as garantias democráticas. Satanizam, então, a divergência e a convicção alheia como expressões do sectarismo, do preconceito e do ódio. Atribuem a seus adversários aquilo que eles próprios prodigalizam. Quantas vezes já não fui acusado de “intolerante” não porque excitasse a fúria de eventuais algozes de meus adversários de pensamento, mas porque, ao discordar de uma falsidade influente vendida como verdade, desafinei o coro dos contentes.

Escrevi em 2006 um artigo para o Globo em que citava uma epígrafe que está na edição inglesa (Penguin Books)  do livro “The Captive Mind”, do poeta polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura der 1980. Relembro-a aqui. É um ditado ou, talvez, um aforismo espichado, atribuído a um velho judeu da Galícia: “Quando alguém está 55% certo, isso é muito bom e não há discussão. Se alguém está 60% certo, isso é maravilhoso, é uma grande sorte, ele que agradeça a Deus. Mas o que dizer sobre estar 75% certo? Os prudentes já acham isso suspeito. Bem, e sobre estar 100% certo? Quem quer que diga estar 100% é um fanático, um facínora, o pior tipo de velhaco.”

Os que se arvoram em donos do pensamento tentam nos fazer duvidar de nossas convicções não porque tenham os melhores argumentos ou porque dotados de uma razão científica superior, que desmoraliza nossos preconceitos ou nossas impressões, mas porque dominam o que chamo “aparelhos sindicais do pensamento”. Ainda que os fatos e a verdade da ciência possam estar do nosso lado, tentam se impor porque supostamente mais humanistas do que nós, mais justos do que nós, mais sonhadores do que nós, mais bondosos do que nós, mais “amigos do povo” do que nós.

Há quase três meses, as harpias do oficialismo mais subserviente, da imoralidade mais chã, da prepotência mais rastaquera têm exibido as suas garras financiadas para tentar intimidar o jornalismo independente, que não deve vassalagem aos donos do poder, que está comprometido com os fatos, que busca a verdade, anseio de milhões de pessoas, ainda que uns poucos não queiram. São prestadores de serviço que se disfarçam de jornalistas; amantes do dinheiro vivo que se alimentam de ideias mortas; reputações que encontram no limo a justa recompensa moral por sua vileza intelectual, pelo baixo propósito de seus anseios, pela estupidez falastrona de suas predições. Trata-se, em suma, de uma variante do poder arbitrário formada por gente paga pelo erário para assediar moralmente o jornalismo e os jornalistas que estão comprometidos com os fatos e com o conjunto de valores que definem o estado democrático e de direito.

É claro que meu blog não poderia escapar ao radar desses seres trevosos. Na periferia do pensamento, não raro ignorados pela relevância, esmagados pela própria pequenez, gritam, sem que possam apontar um só texto que justifique a sua inútil histeria: “Vejam como ele odeia em vez de debater! Cortem-lhe a cabeça!” O fazem sem contestar uma só das teses ou das evidências que apresento, exibindo uma assombrosa ignorância e excitando, eles sim, uma súcia de outros ignorantes e truculentos, que tentam transformar a vulgaridade, o baixo calão, a ignomínia e a ofensa em categorias de pensamento. São os zumbis de um passado que tenta não passar. Mas sabem que já morreram.

Em outubro de 2008, a Editora Record convidou-me para lançar um livro com uma coletânea de artigos do blog, que resultou em “O País dos Petralhas”, que vendeu mais de 50 000 exemplares. Em 2010, foi a vez de “Máximas de Um País Mínimo”, um livrinho de frases, que chegou à marca dos 20 000. Acabo de assinar um contrato para fazer “O País dos Petralhas II”. Ainda não sei se o subtítulo será “A Luta Continua” ou “O Inimigo agora é o Mesmo”, parafraseando, pelo avesso, o  “Tropa de Elite II”. Nos mais de 400 (!) artigos do Volume I - e assim será no II -, o debate de ideias, o exercício da divergência, o prazer da discordância.

Quero dizer à vanguarda do atraso que ela nem avança nem vence. É de Rosa Luxemburgo, uma socialista intelectualmente honesta dentro do seu equívoco - e isso quer dizer “ingênua” -, uma das frases que tomo como divisa: “Liberdade é, apenas e exclusivamente, a liberdade dos que pensam de modo diferente”. Rosa Luxemburgo esfregou a frase nas fuças de Lênin e Trotsky ao perceber que o primeiro ato dos facinorosos travestidos de libertários seria golpear a Assembleia Constituinte.

Não, não, caras e caros! Não tomei borrachada nas ruas em defesa da democracia nem me expus tão cedo a riscos consideráveis para que agora intolerantes viessem a cobrar caro por aquilo que a Constituição (que eles se negaram a homologar) me dá de graça: o direito à divergência e à verdade. A verdade que quero não é patrocinada pelo estado nem definida por comissário com atestado de pureza ideológica.

Quero a verdade precária do suceder dos dias.
Quero a verdade eterna reforçada pelas verdades novas.
Quero a verdade que nasce do exercício da liberdade.
A liberdade é o “Pai Nosso” do civilismo, o pão nosso da alegria!

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 6:05

O PT DÁ UM TIRO NO PÉ

A capa da VEJA desta semana. Logo mais, comento algumas reportagens de leitura obrigatória.

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Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:55

Baixo investimento sepulta meta do governo para o PIB

Por Gustavo Patu e Pedro Soares, na Folha:
Com queda dos investimentos das empresas e do governo, o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre ficou abaixo das expectativas mais pessimistas -e os dados não prenunciam uma aceleração tão cedo. Segundo divulgou o IBGE, a produção nacional, reunindo indústria, agricultura e serviços, praticamente não cresceu no período e se mantém perto da estagnação desde a metade do ano passado, a despeito da queda dos juros e da sucessão de pacotes oficiais de estímulo.

Tudo somado, o Produto Interno Bruto -ou seja, toda a renda gerada no país- medido de janeiro a março foi apenas 0,2% superior ao dos três meses anteriores. As previsões mais comuns no mercado e em Brasília variavam de 0,3% a 0,6%. O resultado não só é incompatível com a meta do governo Dilma Rousseff de um crescimento de 4,5% neste ano, já sepultada, como põe em risco até o prêmio de consolação de uma taxa acima dos modestos 2,7% de 2011.

Não há um cenário de alarme, porque o desemprego se mantém baixo, preserva o consumo das famílias e atenua o desgaste político. Mas a estagnação ameaça as promessas de um caminho mais curto rumo ao desenvolvimento: desde o início do mandato da presidente, foram cinco trimestres consecutivos de expansão abaixo de 1%, o que não acontecia desde o final dos anos 90.

PIOR FORA DA EUROPA
Entre as maiores economias que já divulgaram os resultados do trimestre, o desempenho brasileiro é o pior fora da Europa. Detalhados, os números evidenciam o impacto da crise global sobre um dos calcanhares de aquiles da economia nacional: a escassez de investimentos para ampliar a capacidade produtiva.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:51

Ritmo de expansão do Brasil perde até para nações em crise

Por Ronaldo D’Ercole, no Globo:
Quando se toma o ritmo de expansão das economias no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o Brasil figura apenas na 22ª posição entre os 33 países que já divulgaram os seus dados. E se distancia de seus pares do Brics (grupo das cinco maiores economias emergentes, Rússia, Índia, China e África do Sul), aproximando-se das economias mais afetadas pela turbulência europeia, como os Estados Unidos (2,1%) e Alemanha (1,7%). A China, que cresceu 8,1% de janeiro a março, aparece no topo do ranking, com a Índia em quarto (5,3%) e a Rússia em quinto (4,9%). Com expansão de 2,1%, a África do Sul é a 14 no ranking, oito postos à frente do Brasil.

 

No fim da lista, que tem a Grécia como lanterna (em 33 lugar, com retração de 6,2% no PIB trimestral), estão ainda Portugal (32 colocação e queda de 2,2%), a Itália (31 lugar e PIB negativo de 1,3%) e a Holanda (30 colocação, cujo PIB encolheu 1,1%).”O Brasil é um país com características semelhantes às dos grandes emergentes mas que cresce no ritmo dos europeus”, compara Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, que compilou os dados para o ranking dos PIBs do primeiro trimestre. “Isso é reflexo dos problemas estruturais (Previdência, estrutura tributária, inexistência de planejamento de longo prazo) que persistem no país, cuja solução é adiada governo após governo”.

Mesmo com a economia quase estagnada no primeiro trimestre, o Brasil conseguiu se manter à frente do Reino Unido como a sexta maior economia do mundo. Mas a diferença conseguida no fim do ano passado, quando deslocou os britânicos para a sexta posição, agora é bem pequena: enquanto o PIB brasileiro acumulado nos quatro trimestres encerrados em março somava US$ 2,483 trilhões, o do Reino Unido era de US$ 2,417 trilhões. O cálculo é do banco WestLb e leva em conta o dólar médio do primeiro trimestre. Com a alta da moeda americana ante o real nos últimos dois meses, ressalva o banco, o país muito provavelmente voltaria para a sétima posição. “Não houve alteração no ranking comparando-se com o resultado fechado de 2011, apesar da diferença em relação ao Reino Unido ter diminuído. Mas o efeito do câmbio depreciado deve ser maior neste segundo trimestre”, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do WestLb.

Estados Unidos se mantêm como maior economia
No agregado dos quatro trimestres até março, os Estados Unidos se mantêm com folga no posto de maior economia do mundo, com PIB de US$ 15,4 trilhões, seguidos da China (US$ 7,56 trilhões), e do Japão (US$ 5,95 trilhões). Apesar do agravamento da crise na Europa, a Alemanha se mantém como a quarta economia, com geração de riquezas de US$ 3,5 trilhões. O PIB de US$ 2,76 trilhões garante a permanência da França em quinto.

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:49

Dados negativos adiam retomada global

Por Lucuana Coelho e Fabiano Maisonnave, na Folha:
Uma confluência de dados negativos anunciados ontem nos EUA, na Europa e na China assustou os mercados financeiros e levou analistas a questionarem suas perspectivas para a economia global, após vislumbrarem uma melhora nos últimos meses. O desemprego nos EUA cresceu em maio pela primeira vez em um ano, voltando a 8,2% e dando outro sinal de que a recuperação na maior economia do mundo é mais tímida e menos confiável do que dados anteriores -ontem revistos para pior- sugeriam. Na Europa, o mercado de trabalho da zona do euro está em sua pior forma desde que surgiu a moeda única, enquanto na China, o motor da retomada global, a produção industrial exibiu o pior resultado deste ano. As Bolsas mundo afora reagiram mal ao noticiário.

“Os problemas no mercado de trabalho levaram tempo fermentando e não serão resolvidos da noite para o dia”, disse o chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Alan Krueger, em comunicado que depois seria ecoado pelo presidente Barack Obama. “Nossa economia ainda enfrenta contratempos graves, como a crise na Europa e o preço da gasolina”, acrescentou, dizendo que o país ainda tenta “sair do buraco”. Krueger saiu em defesa de Obama, cuja reeleição neste ano depende da performance da economia.

O Departamento do Trabalho americano informou que 69 mil vagas foram criadas no mês passado, número amplamente classificado por economistas como “decepcionante” -e insuficiente para a expansão de 0,2% na força de trabalho ocorrida no mês. Assim, o desemprego foi de 8,1% a 8,2%. O setor de construção, maior obstáculo à retomada, continuou a demitir.

O cenário se agrava porque os dados anteriores foram revisados para baixo. Em abril, haviam sido criados 77 mil postos, e não 115 mil como antes dito, e em março, 143 mil em vez dos 154 mil estimados. A fragilidade americana se soma a outras nuvens negras no horizonte global, que há dois meses parecia se abrir. A zona do euro anunciou o maior índice de desemprego desde sua origem: 11% em abril -estável sobre o de março, mas 1,1 ponto acima do de abril de 2011. Na União Europeia, o índice foi a 10,3%. O caso mais grave é o da Espanha, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada. A Grécia, pivô da crise, não atualiza dados desde fevereiro, quando registrou 21,7%.

CHINA
Pequim, por sua vez, registrou o pior resultado para a produção industrial em cinco meses, alimentando mais dúvidas sobre a capacidade de a segunda economia mundial fazer um “pouso suave”. No mês passado, o índice de compra de produtos manufaturados ficou em 50,4, queda de 2,9 pontos percentuais em relação a abril, informou a Federação Chinesa de Logística e Compra.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:47

Marconi Perillo diz que PT sempre o quis sozinho na CPI

Por Carolina Freitas, no VEJA Online:
O governador de Goiás, Marconi Perillo, afirmou nesta sexta-feira ver com tranquilidade sua convocação para depor na CPI do Cachoeira. A fala dele no Congresso Nacional está marcada para 12 de junho. O tucano prometeu levar à comissão provas de que não tem qualquer envolvimento com o grupo criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Desde que vieram à tona escutas da Polícia Federal (PF) que mostram o governador e integrantes da administração estadual em conversas com o contraventor, Perillo vem se oferecendo para ser ouvido e investigado pela Justiça e pela CPI. Na terça-feira, ele foi a Brasília entregar aos parlamentares uma carta em que pede para prestar depoimento.   “Eu já esperava ser convocado”, afirmou nesta sexta no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia. “Afinal, houve sempre uma articulação muito forte por parte do PT para que eu fosse ouvido sozinho. O PT só não esperava que outras pessoas também pudessem ser ouvidas.” A CPI aprovou requerimento para ouvir também o governo do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, no dia 13. A proposta de convocar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no entanto, foi rejeitada pelos parlamentares. Cabral aparece em fotos e vídeos confraternizando com o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, epicentro do escândalo Cachoeira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

02/06/2012 às 5:45

Uma das empresas de Cachoeira tinha contrato com o governo de Goiás

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, mostra que uma das empresas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, recebia dinheiro do governo de Goiás entre o primeiro e o segundo mandatos do governador Marconi Perillo (PSDB), que administrou o Estado de 1999 a 2002, reelegendo-se para o período de 2003 a 2006.

Suspeita de existir como empresa de fachada para evasão de divisas e lavagem de dinheiro, a BET Capital obteve R$ 1,3 milhão em depósitos da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) entre 2002 e 2005. A CPI do Cachoeira pretende apurar se os recursos têm como origem serviços efetivamente prestados ao governo goiano.

Dono de participação societária da BET por meio da Teclogic Tecnologia Eletrônica, Cachoeira era o representante legal da empresa. As escutas da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal já no terceiro mandato de Perillo (a partir de janeiro de 2011), mostram que o contraventor tinha influência na Agetop. Num dos grampos, ele informa ter feito empréstimo de R$ 600 mil ao presidente do órgão, Jayme Rincon, que nega ter recebido dinheiro.

A BET incorporou em 2003 a Capital Construtora e Limpeza Ltda., cujos sócios eram Lenine Araújo de Souza e Sebastião de Almeida Ramos Júnior, irmão de Cachoeira. Os dois são acusados de participação no esquema do contraventor.

De acordo com a Agetop, a Capital Construtora tocou duas obras para o órgão. A primeira, de 1999 a 2003, para a pavimentação da rodovia GO-338, ao custo de R$ 2,2 milhões. A segunda, entre 2001 e 2003, para a construção de uma ponte na GO-347, por R$ 1 milhão. A agência sustenta que os contratos foram firmados após concorrência e que os serviços foram prestados e pagos em sua integralidade.

O relatório do Coaf diz que a BET realizou movimentações financeiras incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica e a capacidade financeira. Além disso, foram identificadas operações em paraíso fiscal usado por empresas que querem lavar dinheiro. Entre 2002 e 2005, a empresa recebeu R$ 5,3 milhões em transações do exterior. Sua sócia majoritária, a BET CO., tem sede na Coreia do Norte.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:55

Um presente do leitor Marcelo Pinheiro

O leitor Marcelo Pinheiro fez um simpático cronômetro para comemorar os seis anos de blog. Vejam aqui.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:14

Delta recorre ao STF para tentar impedir quebra de sigilo nacional na CPI

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Suspeita de utilizar empresas laranjas para alimentar o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a empreiteira Delta recorreu nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O fim da confidencialidade dos dados foi aprovado nesta semana pela CPI que investiga, no Congresso Nacional, as relações de cooptação e corrupção entre o bicheiro e agentes públicos e privados.

Conforme depoimento do delegado da Polícia Federal (PF) Matheus Mela Rodrigues à comissão de inquérito, a construtora Delta teria se beneficiado em contratos a partir de ligações de seus dirigentes com Cachoeira e transferido 39 milhões de reais para três empresas - JR, Brava e Alberto&Pantoja - utilizadas pelo contraventor para lavagem de dinheiro e evasão de divisas a paraísos fiscais no Caribe.

No mandado de segurança encaminhado à Suprema Corte, os advogados da empreiteira argumentam que a CPI não fundamentou a decisão de violar os sigilos da empresa. “A citação de reportagens jornalísticas sobre o suposto crescimento financeiro da empresa Delta, por si só, não é fundamento para se devassar as ligações telefônicas efetivadas pelos 30 mil funcionários”, diz a defesa.

“As consequências da imotivada ordem de quebra de sigilo serão prejudiciais para a empresa, que terá violada sua privacidade”, completa a empresa. Para os advogados, como o elo entre Cachoeira e a construtora se limitaria ao ex-diretor da companhia, Cláudio Abreu, que atuava na filial do Centro-Oeste, não haveria razão para a quebra de sigilo dos dados nacionais da empreiteira.

“Os requerimentos de quebra de sigilo informam que o objeto da apuração são as relações de Carlos Cachoeira com o ex-diretor da região Centro-Oeste, não existindo nenhum indício de ilicitudes praticadas em âmbito nacional. A instauração da própria CPI é restrita ao propósito de averiguação dos atos de Carlos Cachoeira e pessoas de seu relacionamento”, completa a empresa na ação encaminhada ao STF. A devassa dos dados, conforme os requerimentos aprovados na CPI, abrange informações de 2002 até os dias de hoje.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 21:08

MAIS COMISSÃO DA VERDADE - LULA NA CADEIA

Lula, está posto, se considera acima das leis, a exemplo do que se viu ontem no SBT — e a própria direção da emissora, por óbvio, pensa o mesmo. Estão todos mal-acostumados, não é mesmo? Silvio Santos saiu da quebra do Panamericano, com um rombo no mercado de R$ 4,3 bilhões, sem ter de gastar nem uma daquelas notas de R$ 50 que costuma distribuir a suas “colegas de trabalho” nas gincanas dominicais. Lula, mais de uma vez, mandou a lei às favas para fazer negócios que eram do interesse de seus aliados. O caso da compra do Brasil Telecom pela Oi foi a evidência mais escandalosa. O BNDES entrou para garantir no negócio quando a lei ainda proibia a operação. Não aconteceu nada!

Quero aqui corrigir uma expressão que empreguei em texto anterior — vou corrigir o original —, em que afirmei que Lula, por conta do assédio a Gilmar Mendes, tem de ser processado por “obstrução da Justiça”. A essência da coisa está correta e o artigo do Código Penal também: o 344. Alertaram-me um amigo advogado e muitos leitores que o nome não é “obstrução da Justiça”, não, mas “coação no curso do processo”. O condenado — pela Justiça, não por mim — pode pegar de um a quatro anos de cadeia. Aliás, na denúncia feita ao Ministério Público, esse foi um dos crimes apontados pelas oposições.

Alguns vagabundos estão dizendo que defendi a prisão sumária de Lula. Não conseguindo contestar o que escrevo, resolvem me atribuir o que não escrevi — sob as ordens de quem manda: José Dirceu. Prisão fora da lei é coisa do tempo em que Mino Carta defendia a ditadura. Acho que Lula tem de estar sujeito às consequências previstas para qualquer um que transgrida o Artigo 344 do Código Penal, a saber:
Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Bala paulistinha e tratamento VIP
Só para lembrar. Lula foi preso nos estertores da ditadura, em 1980. Ficou 30 dias no Dops. Felizmente, a polícia não encostou a mão nele, nos seus companheiros ou no “Menino do MEP”. Abaixo, segue uma entrevista que concedeu a Augusto Nunes em 1997. Ele dá detalhes dos dias que passou na prisão. Revela que foi tratado de “forma excepcional”; que “havia um tratamento humano”, que o então delegado Romeu Tuma, contra a lei, o tirava da cadeia de madrugada para visitar a mãe doente; que o policial arrumou para ele um dentista de madrugada e que o pobre profissional estava muito nervoso, com receio de alguma imperícia que pudesse lhe render alguma acusação por parte da imprensa…

Que bom que foi assim! Por conta desses 30 dias — e a criação do PT já estava adiantada —, Lula recebe hoje uma pensão mensal de quase R$ 7 mil. Na entrevista, o folgazão também conta como furava uma greve de fome marcada pelos companheiros: tinha escondido um pacote de balas Paulistinha.

Isso é apenas a verdade, contada pelo próprio Lula. Ele é, sob qualquer critério que se queira, um milionário — especialmente num país em que um rendimento de R$ 301 mensais já confere a alguém a condição de “classe média”. Um pouco de decoro e bom senso o obrigaria a doar esses R$ 7 mil a crianças pobres. Mas quê!!! O homem tem o que eu chamaria de concupiscência do heroísmo.

Caso Lula seja processado e condenado por “coação no curso do processo”, segundo a lei, que seja preso, a exemplo do que aconteceria a qualquer brasileiro. E sem privilégios. Segue entrevista feita pelo meu caríssimo amigo Augusto Nunes.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 20:19

PSDB e PPS vão à Justiça eleitoral contra PT, Haddad, Lula, Ratinho e o SBT

O PSDB e o PPS anunciaram que vão entrar com representação na Justiça Eleitoral contra Lula, Fernando Haddad, Ratinho, SBT e a pré-camapanha do candidato petista à Prefeitura por campanha eleitoral antecipada, uso indevido de um meio de comunicação e abuso de poder.

Ontem, como sabem, Lula e Haddad foram entrevistados pelo apresentador, em campanha eleitoral aberta, sem subterfúgios ou ambiguidades. Aliás, Lula não se furtou nem mesmo a tratar de 2014. Anunciou que, caso Dilma não queira concorrer à reeleição em 2014, será, sim, candidato para “impedir que um tucano volte a governar o Brasil”.

Não se me lembro de flagrante igual de desrespeito à Justiça Eleitoral. Se aquilo pode, então tudo pode.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 19:32

É difícil renunciar subitamente a um grande amor!

Pô, gente, virou festa da uva, agora?

Àqueles que adoram me detestar em suas páginas com fanática dedicação, um recado: é preciso ter alguma altura até para tomar um tapões metafóricos na orelha! Dispensem-se de me enviar, como se fossem meus admiradores, as ofensas que vocês mesmos escrevem! Que coisa mais aborrecida! Que truque mais barato!

Volta e meia, chega o comentário: “Olhe o que fulano falou de você…” E me enviam o link. No mais das vezes, ignoro. Às vezes, por curiosidade, tento saber do que se trata. E caio lá na página de um Zé Mané qualquer, que coleciona, post após post, “zero comentários”. A mãe do cara não comenta. A mulher não comenta. Os filhos não comentam. Os amigos não comentam. Por que eu iria comentar?

Até para tomar uma carraspana é preciso crescer um pouco no mundo da delinquência virtual. Não dá para responder a páginas de trombadinhas do JEG! Quanto aos trombadões, ah, já conheço todas as ofensas. Que coisa obsessiva! Parecem estar numa corrida para ver quem consegue ser mais abjeto!

Entendo. Como disse o grande Catulo, “difficile est longum subito deponere amorem“. É difícil renunciar subitamente a um grande amor. Calma, assanhadas! Há Reinaldo de sobra para todas odiarem!

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 18:36

Economia brasileira avança 0,2% no trimestre

Por Anna Carolina Rodrigues, na VEJA Online:
A economia brasileira avançou 0,2% no primeiro trimestre de 2012, em relação ao quarto trimestre do ano passado, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Produto Interno Bruto (PIB) do país alcançou a marca de 1,033 trilhão de reais no período. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado - entre 0,3% e 0,7%.

No primeiro trimestre de 2011, a economia brasileira havia crescido 1,3% na mesma base de comparação. Contra o primeiro trimestre de 2011, o PIB brasileiro cresceu 0,8% na medição divulgada nesta sexta. Nos últimos quatro trimestres, o PIB brasileiro acumulou crescimento de 1,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Diante do desempenho frustrante da economia brasileira em um período em que o governo lança todos os seus esforços para estimular o consumo, a expectativa dos analistas é de que mais medidas sejam anunciadas para acordar a adormecida pujança do PIB nacional. Entre elas estão a redução do compulsório dos bancos e novos cortes de juros nos próximos meses. Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pelo corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, levando-a ao patamar mais baixo da história: 8,5% ao ano.

Agropecuária espanta alta
Na relação deste primeiro trimestre com o último do ano passado, a indústria mostrou franca recuperação e cresceu 1,7%, enquanto o setor de serviços desacelerou para 0,6%. Contudo, foi o setor agropecuário que exerceu o maior peso sobre o resultado ruim dos três primeiros meses do ano: caiu 7,3%. Entre as causas da queda está a crise internacional, que ocasionou a redução da demanda mundial por grãos, além da queda generalizada no preço das commodities agrícolas.  

O consumo da administração pública subiu 1,5% e o das famílias, 1,0% no período. A formação bruta de capital fixo, que reflete os investimentos no setor produtivo e infraestrutura, caiu 1,8%.  No que se refere ao setor externo, as importações de bens e serviços cresceram em ritmo superior ao das exportações: 1,1% contra 0,2%. Em valores correntes, o consumo das famílias contribuiu com a maior parcela do PIB, ao somar 658,9 bilhões de reais, seguido pelos setores de serviços (602,0 bilhões de reais) e industrial (229,5 bilhões de reais). 

Opinião
Segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, apesar da recuperação do trimestre, a indústria ainda sofre os efeitos da crise internacional e não se beneficiou, até agora, da desvalorização do real. O dado da produção industrial divulgado nesta quinta-feira mostrou queda de 0,2% em abril frente a março. Trata-se da segunda queda consecutiva e a terceira variação negativa mensal no ano. 

Para Tatiana Pinheiro, economista do Santander, o setor de serviços deve crescer de maneira estável e manter-se acima da média da economia, enquanto os setores industrial e agropecuário deverão permanecer mais sensíveis ao cenário externo.  ”Olhando pelo lado da demanda, em termos de renda, o crescimento, ainda que baixo, ocorre devido ao bom desempenho do consumo das famílias. Ele é prejudicado, sobretudo, pelo ambiente internacional incerto, que espanta investimentos”, afirma. Para ela, o cenário ainda é positivo porque é reflexo do aumento do salário mínimo e de um mercado de trabalho aquecido. “Olhando friamente os números, é uma evolução positiva”, afirma.

Analistas avaliam que, a partir do segundo semestre, a economia brasileira volte a se movimentar, considerando que a redução dos juros tem defasagem de 6 a 9 meses para impactar o mercado. A surpresa - e preocupação - virá se no segundo semestre os dados continuarem fracos. “A melhora deve vir especialmente nesse período como impacto das medidas de estímulo que o governo têm adotado. Mas isso não vai ser suficiente para que o PIB cresça acima de 3% este ano”, avalia Flávio Serrano, economista sênio do BES Investimento

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 18:30

“Lula não anda bem da cabeça”, diz presidente do PSDB

Por Márcio Falcão, na Folha Online:
Ao reagir a uma declaração do ex-presidente Lula, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse nesta sexta-feira que as últimas movimentações políticas do petista mostram que ele “não anda bem da cabeça”. Guerra ficou irritado com a fala de Lula sustentando que não pode “deixar que um tucano volte a governar” o Brasil, ontem durante participação no “Programa do Ratinho”, do SBT.

Para o tucano, Lula tem dado seguidas demonstrações de autoritarismo e ataques à democracia. Ele citou a recente polêmica entre Lula e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Segundo o ministro, o ex-presidente o procurou e defendeu o adiamento do julgamento do mensalão, previsto para ocorrer este ano. Lula nega.

“Essa declaração de que ele não deixará um tucano ser presidente do Brasil é antidemocrática, autoritária e reforça a ideia de que o ex-presidente Lula não anda bem da cabeça. Quem escolhe o presidente é o povo. É bom que o Lula fique atento que o Hugo Chavez e a Venezuela não andam nada bem e o Brasil não vai entrar nessa”, afirmou.
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Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 18:19

Holding J&F desiste de comprar a Delta Construção

Na VEJA Online:
A holding dos irmãos Batista, a J&F Participações, acaba de anunciar a desistência da compra da construtora Delta - empreiteira líder em obras do PAC, fundada pelo empresário Fernando Cavendish e que está envolvida nas denúncias que mostram as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos de todo o país. A companhia também comunicou que está de saída da gestão da construtora.

Em 8 de maio, o grupo havia anunciado a entrada na administração da Delta e apenas a intenção de adquiri-la. Uma decisão de compra definitiva só ocorreria após a conclusão de um processo de auditoria, conduzido na companhia pela KPMG, cujo objetivo era fazer um levantamento completo da situação financeira e dos contratos da Delta. No mercado, há rumores de que a desistência guarda relação com a quebra do sigilo fiscal da empreiteira, determinada pela CPI do Cachoeira. A assessoria de comunicação da Delta, contudo, nega a informação.

O comunicado da J&F explica que a desistência deve-se à própria deterioração dos negócios da Delta, sobretudo nos últimos dias. “O prolongamento da crise de confiança sobre a Delta tem deteriorado o cenário econômico-financeiro da construtora, gerando um fluxo financeiro negativo e alterando substancialmente as condições inicialmente verificadas”, diz o documento.

O texto também destaca que a holding dos irmãos Batista não está sujeita a multa por rejeitar o negócio. “Conforme estabelecido no contrato preliminar assinado entre a J&F e o controlador da Delta, a ocorrência de eventos inesperados ou adversos permite à J&F o direito de rescindir o memorando de entendimentos sem aplicação de multas ou penalidades”, ressalta o comunicado. Segundo a J&F, outros negócios no setor de construção e infraestrutura serão avaliadas oportunamente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 18:14

Mino Carta, o ressentido, resolve choramingar porque provei que a Capitu da Rua da Glória já estava naquela da de Mata-Cavalos!

Demorei um pouco para voltar. Estava fazendo uma entrevista. Não foi Mino Carta que me deu trabalho, não. Isso é café pequeno. A ele.
*
Mino Carta descobriu que algo terrível o espreita: seu passado! Bastaram uns três ou quatro textos — meus, de Fábio Pannunzio e de Demétrio Magnoli — relembrando quem ele foi, o que explica quem ele é, para que o aiatolá do suposto “progressismo” viesse espernear explicações que não resistem aos fatos, aos textos que assinou e às decisões que tomou. Produziu mais uma de suas catilinárias ressentidas, abraçado a seu rancor, em que a memória seletiva é posta a serviço da glorificação do herói. E, como não poderia deixar de ser, o cavaleiro sem mácula deste gigante do jornalismo é o próprio Mino Carta.

No texto em que tenta, inutilmente, se defender das evidências, um trecho brilha como síntese, a saber: “Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam.” Entendi. Mino chama a história de “calúnia” — palavra cujo sentido parece ignorar — para reivindicar a condição de intocável. Assim, todo e qualquer indivíduo pode e deve ser submetido ao escrutínio dos fatos e da memória, menos ele próprio. Não é por acaso que tenha sugerido aqui e ali ter sido ele o verdadeiro criador de Lula. Um acredita ter inventado o país; o outro está certo de que inventou o inventor.

Por que Mino está bravo comigo? Porque relembrei um texto seu, assinado, em que o hoje sedizente crítico da ditadura e do regime militar; o ficcionista que criou para si mesmo uma trajetória de resistência; o que se esforça para dar relevo a um heroísmo altivo e triunfante, chamava os militares de “único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção”. E a subversão e a corrupção, por sua vez, eram realidades “nascidas e criadas à sombra dos erros voluntários e involuntários de líderes civis”. Em pleno abril de 1970, quando a linha dura já tinha triunfado, e o país vivia sob os auspícios do AI-5 havia 16 meses, Mino destaca que os militares assumiram “o poder com a relutância de quem cultiva vocações e tradições legalistas”. Quem o obrigou a escrever essas coisas? Algum general? Algum patrão? Não! Fê-lo porque o quis… Ou devemos escoimar a pena de Mino Carta das passagens que ele considera incômodas para exaltar a têmpera única do herói? Ora, senhor Mino Carta…

Não ficou por aí. Aprendemos com o mestre, em texto publicado sob o seu comando e inspiração, que não era a “Revolução que legitimava o Parlamento e, portanto, não cabia ao Parlamento legitimar a revolução”.Fiquei tentado a buscar diatribe parecida na crítica que Marx faz a Luís Bonaparte, no “18 Brumário”, mas evento bem posterior, ocorrido em terras brasileiras, explica com mais propriedade e simbolismo esse notável pensamento cartiano. Sibá Machado, então suplente de senador alçado a titular na vaga aberta com a ida de Marina Silva para o Ministério, deixou suas pegadas na história do estado de direito com uma intervenção célebre, numa CPI, que cito de memória (posso pecar por uma palavra ou outra, mas a essência é esta): “Se formos ficar com legalidade A, B, ou C, não vamos avançar. Este é um tribunal político”. Certo…

O texto de Mino Carta é diversionista. Ele finge ignorar a natureza da crítica que lhe fiz — não escrevo em nome de outros porque não represento um grupo; cada um fale por si. Ressuscitei uma pequena parte de sua produção pregressa — há muito mais — para explicar o Mino presente, este que está aí hoje, de braços dados com o poder de turno, generosamente aquinhoado com publicidade oficial, fanaticamente dedicado a depredar, segundo critérios que passam muito longe da objetividade, a reputação de lideranças da oposição, autoridades do Judiciário das quais discorda e, obviamente, o que chama, em tom de desdém, “imprensa nativa” — que vem a ser aquela que não deve mesuras ao poder porque não depende dele para existir. Bentinho, em Dom Casmurro, encerra suas reflexões com uma dúvida: saber se a Capitu da Praia da Glória, que ele julgava adúltera, já estava dentro daquela menina da infância, a da rua de Mata-Cavalos, ou se uma havia se transformado na outra em razão de algum “incidente”. O que afirmei, e é este o ponto do texto que escrevi sobre Mino Carta, é que incidente nenhum determinou as suas escolhas. O sabujo de agora já estava no sabujo de antes. Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades, mas Mino mantém uma impressionante coerência. Por mais que tente romancear a própria vida, não pode mudar o que está escrito.

Gramsci
No que especificamente me diz respeito, Mino comete uma barbeiragem teórica que evidencia não só o mau biógrafo de si mesmo, mas também o mau leitor — de Reinaldo Azevedo e de Gramsci. Num dado momento de seu texto, escreve:
“No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.
Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. (…)”

Trata-se de um apanhado de tolices. Ao atacar, certa feita, um adversário seu, Mino escreveu um troço assim para evidenciar os supostos maus bofes do outro: “Em algum lugar na área que separa o fígado do cérebro”… Pois é. Quis a natureza física que, em Mino, fígado e cérebro fossem regiões quase fronteiriças, de sorte que a bile, em sua pena, se confunde frequentemente com pensamento. Aproveitando-se, ele sim, da ignorância militante do pequeno séquito que o endeusa, publica bobagens como a que vai acima. Já afirmei muita coisa sobre Gramsci — certamente, nenhuma delas lisonjeira —, mas jamais o chamaria “terrorista” porque corresponderia a ignorar a essência do seu pensamento, como, fica claro!, Mino ignora.

Ao contrário de Mino Carta, não temo que recuperem os textos que escrevi. Eu mesmo faço isso. Num post do dia 5 de março de 2008, por exemplo, citei Gramsci. Justamente num texto sobre imprensa. Afirmei então:
“Tentar desmoralizar a chamada grande imprensa, usando, se for o caso, instrumentos secundários, como seitas religiosas ou pistoleiros aposentados, é o ato de desespero de quem tem como pauta permanente contaminar todos os controles de que dispõem a democracia e a sociedade civil para garantir a expressão de uma vontade independente da vontade ‘do’ partido. Que luta armada o quê, mané! No Brasil, a luta que eles fazem é outra: estão envolvidos com a guerra gramsciana de valores. É claro que este ou aquele pistoleiros mal sabem quem foi Gramsci. É coisa complexa demais para eles. Eles são apenas os Coriscos do cangaço oficial. Não precisam ser letrados - na verdade, seu analfabetismo chega a ser constrangedor.”

Ouso afirmar que Mino Carta — e até eu mesmo o supunha um pouco mais culto — não conhece a obra de Gramsci. Ao me atribuir o que eu jamais escreveria, curiosamente, revela a própria ignorância. Se ler, é bem provável que goste. Quanto a ter trabalhado na Europa… Santo Deus! Este senhor me obriga a uma arqueologia pela qual não tenho gosto particular: a dos fulanos. Mino, pintor frustrado (essa coisa de pintores frustrados pode ser um perigo para a humanidade!!!), nunca passou de um mero foca do jornal italiano Il Messaggero. Cresceu à sombra do pai, este, sim, profissional respeitado (honra a quem merece) e teve a sorte de ser acolhido pela “elite nativa” que tanto despreza — desprezo, diga-se, que se estende ao Brasil. Não é raro que se refira ao país como “um esgoto”, fazendo a mímica de quem enfia o dedo na goela para vomitar. E ele sabe que é verdade. E os que trabalharam com ele sabem que é verdade.

No que chama, então, “esgoto”, fez-se o melhor biógrafo de si mesmo e pôde até ressuscitar as suas pretensões artísticas, com telas, assim, coladas da gramática de um Francis Bacon, mas sem a angústia genuína daquele. Trata-se de pastiche à carbonara do falso carbonário alçado por si mesmo à condição de falso aristocrata num país que ele considera de bárbaros. Orestes Quércia, diga-se, em quem ele enxergou excepcional talento durante anos — e deixou isso registrado em textos igualmente memoráveis —, era um dos compradores de seus quadros. Mino sugere que meu emprego não se deve a meu talento. Ainda que assim fosse — há contravérsias, hehe —, não pago as minhas contas com o dinheiro roubado dos desdentados.

Os adoradores de Mino Carta continuem a adulá-lo. Não escrevo para conquistá-los. Aliás, não escrevo para ser querido. Eu só demonstrei que a Capitu da Rua da Glória já estava presente naquela da rua do… Adora-Cavalos!!!

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 15:57

A reação do gigante

Mino Carta reage a fatos expostos neste blog e escreve uma longa catilinária com ataques a este escriba. Daqui a pouquinho, refresco a sua memória. Aguardem um pouquinho.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 14:45

Brincando com a Justiça: BESTA pirateou declaração de Ayres Britto em encontro de blogueiros

Do Blog do Pannunzzio:
A BESTA, organização de blogueiros autoproclamados progressistas, pirateou uma frase atribuída ao ministro Ayres Britto durante encontro de blogueiros ocorrido em Salvador no último fim-de-semana.  Apesar de formalmente desautorizada pelo Presidente do STF, a frase foi exibida num telão ao lado de outra, do ministro Lewandovski, com o propósito de dar uma legitimidade aparente à causa defendida pelo grupo - a volta da censura mascarada com o rótulo de ‘Ley de Medios’.

O assédio da BESTA constrangeu Ayres Britto desde que Paulo Henrique Amorim pediu uma audiência para fazer-lhe o convite. O apresentador da TV do bispo Edir Macedo foi recebido  pelo ministro no dia 2 de abril. Levou seu advogado Marcos Cesar Klouri, que aproveitou o encontro para tecer considerações acerca do mérito de processos contra seu cliente, réu em mais de 40 ações por calúnia, injúria e difamação. O episódio  teve a mesma natureza do encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes. O Blog do Pannunzio tratou do assunto no post Constrangido por Paulo Henrique Amorim, Ayres Britto recusa convite para abrir encontro da BESTA, publicado no dia 6 de abril.

Dias depois da conversa, diante da recusa do ministro Ayres Britto ao convite para participar  do evento, um dos organizadores do simpósio da BESTA escreveu um e-mail à Presidência do STF solicitando o envio da frase que deveria ilustrar a abertura do encontro. Na resposta, enviada também por e-mail, a assessoria de Ayres Britto desautorizou a menção à frase em função da “excessiva judicialização” da atuação dessa estirpe de blogueiros. O veto foi desconsiderado e a frase, como se pode ver na foto acima, foi utilizada como se houvesse autorização.

Curiosamente, o encontro terminou com a indicação de que os blogueiros da BESTA desconheçam as sentenças de primeira instância, num movimento de desobediência civil que representa uma verdadeira afronta ao Judiciário. “Não teria nenhum sentido o Ayres Britto patrocinar mais este ataque à instituição da Justiça”, diz a fonte do Blog do Pannunzio.

O pirata virtual e a pirataria
A iniciativa de convidar Ayres Britto para o encontro da BESTA foi de Paulo Henrique Amorim. A divulgação de informações desencontradas dando conta de que o ministro do STF havia aceitado o convite aconteceu primeiro no site dele e foi reproduzida por dezenas de blogues associados. Na antevéspera do evento, PHA postou em seu blog informações que sabia não serem verdadeiras.

Ele afirmou em seu blog que “o presidente do Supremo (…) também contribuirá para ilustrar a abertura do encontro”. A citação que aparece no post (”A liberdade de imprensa não só mais para os donos da imprensa”), no entanto, é bem diferente de um dos bordões de Ayres Britto. A frase originalmente mencionada na conversa com o ministro, publicada no próprio blog de PHA dias antes, era “A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”. E foi essa que, a despeito da negativa, acabou sendo transformada em emblema do evento.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 14:36

ApeDELTA, controle çoçial da mídia pra quê?

Depois de ver Lula no papel de Ratinho das instituições, da Lei Eleitoral, do decoro e do bom senso, eu me pergunto: por que os petistas e os “pogreçista” alimentados com o nosso dinheiro falam tanto em controle social — quero dizer, “çoçial” — da mídia, hein?

É preciso, sim, investigar o uso de dinheiro público na compra de elogios e, sobretudo, de ataques aos adversários do lulo-petismo. Quando essa gente fala em “controlar a mídia”, certamente não pensa nas emissoras de TV, nas revistas, nos sites e nos blogs que servem à causa, certo? Esses já estão devidamente “controlados”, certo?

O “jornalismo” de que Lula gosta é aquele feito pelos Ratinhos, no diminutivo, no neutro ou no aumentativo. Ontem, por exemplo, não ficaria bem o apresentador fazer perguntas ao ApeDELTA ou a Fernando Haddad sobre as greves nas universidades federais. Seria uma deselegância com os “convidados”.

Ao contrário: o Brasil de Lula que apareceu no programa do SBT não tem defeitos. O candidato à Prefeitura do partido o caracterizou como perfeito. Tudo o que há de bom no país, ele sustentou, foi criado nas gestões petistas. Os problemas são obra da oposição.

É dessa “imprença” que Lula gosta! É dessa “imprença” que Haddad gosta! Por isso a brincadeira de Ratinho, segundo a qual eles deveriam se unir para “bater nos jornalistas” soa tão natural, tão doce, tão aceitável.

Controle social? Quando pensam nessa expressão, têm em mente, por exemplo, a VEJA, a Rede Globo e mais uns três ou quatro veículos. O resto, de um modo ou de outro, já está devidamente “controlado”. O que eles querem, em suma, é censurar a independencia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um certo Paulo Nogueira pede a minha cabeça à Editora Abril. Ou: O bravo quer sair da obscuridade às minhas custas. Pois não!

Caras e caros, espero que vocês se divirtam lendo este texto. E me diverti bastante ao escrevê-lo. Estou gostando da minha “Comissão da Verdade”…
*
Paulo Nogueira tem um blog — e lá vou eu tirá-lo da indigência fornecendo-lhe alguns leitores — chamado “Diário do Centro do Mundo”, nada menos. Claramente não leu Horácio, o meu predileto, tantas vezes exaltado aqui. Nogueira lê mesmo é sua turma de confidentes, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Leonardo Attuch, da sua mesma estirpe de bravos. “Caelum, non animum mutant qui trans mare currunt”. Ou: “Mudam de céu, mas não de espírito, os que cruzam o mar”. Ou por outra: a paisagem não muda o caráter do homem. O de Nogueira segue sendo o mesmo.

Ele tem a ambição de fazer um “Diário do Centro do Mundo” porque está morando em Londres.  Quanta originalidade!  Bem antes, Paulo Francis, de quem ele tem a pretensão de ser um crítico, escrevia, de Nova York, a coluna “Diário da Corte”. Francis, obviamente, fazia uma ironia. Nogueira pretende se levar a sério. Londres era o centro do mundo até o século 19, mas ele nem tem noção do que estou falando.

E quem, santo Deus!, é Paulo Nogueira? Em seu blog, lê-se o resumo de sua biografia profissional: “É jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.” A exemplo de Lula, mas muito mais malsucedido do que o ApeDELTA, ele não se conforma em ser “ex”. E tenta voltar ao debate pela porta dos fundos.

Quis ser diretor de redação da VEJA. Não conseguiu em razão de seus atributos. É mais uma dessas almas penadas que andam por aí a acreditar que a direção da revista é tão importante que deveria ser decidida por eleição direta entre os… inimigos do jornalismo! Frustrada a sua ambição, migrou para a Editora Globo na esperança de que lá, finalmente, pudesse exercer plenamente um talento reconhecido sobretudo por si mesmo.

Enquanto exerceu o cargo naquela empresa, para incômodo dos que o cercavam e dos que o chefiavam, era crítico impiedoso da Editora Abril. Não existe sentimento mais mesquinho, ordinário, servil e escravo do que ficar descendo a língua em ex-patrão. Coisa de almas menores, que transformam ressentimento em categoria de pensamento. Passou a ser também a fonte original de algumas das delinquências que os blogs sujos, o JEG, passaram a disparar contra a Abril e a VEJA. Alimentava a vã esperança de desestabilizar a direção da revista para se apresentar como o Savonarola da nova ordem.

Foi chutado da Globo, embora, nesses casos, os patrões, sempre elegantes, deixem de barato que foi o fim de uma relação amigável. Parece que agora faz alguns “frilas” para revistas da Abril. Não estou bem certo. Não fossem alguns leitores me enviarem dois links de posts seus (e com que atraso!), nem teria tomado conhecimento de sua soberba mediocridade. Num deles — em que puxa o saco de Roberto Civita —, ataca Roberto Marinho. Sob o pretexto de contestar a afirmação delinquente de uma outra minoridade, Mino Carta, segundo a qual Civita seria o “Murdoch brasileiro”, elogia a Abril, que era atacada por ele quando estava na Globo, e diz que Marinho, sim, era o Murdoch nacional. Nogueira é assim: vai escolhendo o Roberto da hora segundo quem lhe paga o salário. Vai mudando de Roberto segundo a conveniência; vai elogiando o Roberto segundo o interesse do momento.

Nos dois posts que me enviaram, esse senhor se refere a mim, pedindo, de maneira oblíqua e covarde, a minha cabeça. Num deles, afirma que meu blog é “movido a ódio, não a ideias”. No outro, repetindo palavras de Leonardo Attuch — a quem devota grande admiração e enche de elogios em seu blog —, escreve: “Há uma métrica boa para aferir o progresso do Brasil no campo do debate educado. Quando expressões gastas e chulas como ‘pig’, ‘besta’ e ‘petralhas’ sumirem, é porque avançamos.”

Nogueira gostaria que eu sumisse, não a palavra. “Petralha”, de resto, vai ficar porque já foi parar num dicionário. Ele tenta me colocar como o outro extremo de um Paulo Henrique Amorim, por exemplo, apresentando-se, não por acaso, como o centro, o bom senso, o equilíbrio. Truque barato!

Naquele texto em que volta a cantar as glórias de Civita (depois de tê-lo satanizado quando na Editora Globo), critica a VEJA. Escreve sobre a relação da revista com Lula: “(…) Na minha interpretação pessoal, a Veja imaginou estar diante de um novo Collor — uma percepção que se acentuaria com o caso do Mensalão. (…) A revista demorou a perceber que Lula não é Collor. (…)”. Que mimo, não é?  Nogueira, todo faceiro, está a dizer: “Olhe, Abril, fosse eu na direção da VEJA, tal erro jamais teria sido cometido, tá? Não se esqueça, estou por aí. Liga pra mim, não liga pra ele”. Nogueira não está no “centro do mundo”; está dando pinta na avenida…

Não por acaso — não mesmo! — sua crítica repete um mantra do petismo. Falo eu, não a VEJA; escrevo eu, não a VEJA; afirmo eu, não a VEJA: em vários aspectos, com efeito, Lula não era Collor, mas muito pior. À parte um primeiro arreganho autoritário, quando mandou invadir a sede da Folha pretextando razões fiscais, o presidente impichado nunca tentou criar mecanismos de intimidação da imprensa. Vendo repudiada de forma clara e inequívoca aquela iniciativa, não voltou ao assunto. E olhem que, desde o primeiro dia (por bons motivos, diga-se), a imprensa foi muito mais crítica com ele do que com o petista.

Collor era um destrambelhado, sim, mas não tentou mudar a, vamos dizer, codificação genética da democracia, recorrendo a instâncias do próprio estado de direito para solapá-lo. Collor não tinha a mais remota ideia do que fazer no poder, mas não recorreu ao dinheiro público para financiar pistoleiros na imprensa. Collor liderou, como ficou evidente, um cleptogoverno (e, por isso, mereceu o destino que teve), mas não tentou transformar o assalto aos cofres públicos numa forma de resistência política.  Seu papel tem sido, nessa área, mais deprimente hoje em dia, transformado de caçador de marajás em caçador de jornalistas.

De fato, Lula não era Collor e, recorrendo à minha memória de leitor, noto que a revista sempre apoiou, ancorada nos fatos, as medidas responsáveis de um Antônio Palocci, por exemplo. E considerou que ele havia chegado ao fim da linha quando, como homem de estado — não como aquele que havia sido gestor da economia —, enrolou-se com a quebra ilegal do sigilo de um caseiro. A crítica de Nogueira às escolhas feitas por VEJA seria apenas injusta se fosse intelectualmente honesta, mas é só mais uma manifestação da guerra suja empreendida por petralhas, JEG, BESTA, com cujas páginas ele colabora com textos e como “informante”.

“Pô, Reinaldo, por que tirar mais um banana da irrelevância?” Porque me deu vontade. À sua maneira, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Leonardo Attuch são mais honestos do que Paulo Nogueira porque, ao menos, não têm o mau gosto adicional de recorrer à lisonja barata e ao puxa-saquismo para ver se realizam o seu intento. São o que são e não tentam disfarçar. Ninguém tem o direito de confundi-los. Já Nogueira tenta disfarçar suas escolhas parafraseando textos de quem pensou melhor do que ele e primeiro.

Devo ser o brasileiro que mais escreve — avaliem vocês. E certamente estou entre os que mais argumentam, o que é questão de fato. Se gostam ou não do que escrevo, aí são outros quinhentos. Tomo o cuidado, quando é o caso, de recorrer a textos legais que embasam o meu ponto de vista, seja para endossá-los, seja para dizer que já não servem. Quando contesto alguém, digo qual é a tese do outro que me incomoda, qual é a afirmação de que discordo. Nogueira e sua turma fazem o contrário. A eles basta a acusação genérica. Meu blog já rendeu dois livros, muito bem-sucedidos. Renderá um terceiro. O que Nogueira tem a oferecer além do seu trabalho de colaboração às claras — e escondida — com a esgotosfera?

Comigo, não! Quer marcar um debate público, mas sem claque, vamos lá. Eu topo. Aceito confrontar o que ambos entendemos por jornalismo e quais são as referências intelectuais que guiam cada um. Aceito confrontar os meus textos com os de Nogueira para saber quem, afinal de contas, argumenta com objetividade e quem se dedica a impressionismos. Aceito, inclusive, a comparação de origens e destinos. O que fazia esse mico tardiamente amestrado nas artes do “progressismo” durante a ditadura?  Ser de esquerda quando ela persegue em vez de ser perseguida é coisa de covarde. O confronto dará audiência porque os meus “tijolaços” são lidos diariamente por milhares de pessoas. Nogueira é mais uma irrelevância perdida no que acredita ser o “centro do mundo”.

Para encerrar
A Abril é a quinta empresa jornalística com a qual trabalho — antes de atuar nessa área, fui professor de duas escolas. São sete, vá lá, “patrões”. De quatro, ao menos, sou amigo pessoal — amizade boa mesmo, fraterna, de peito aberto. Com outros três, mantenho relações cordialíssimas. Nunca ninguém me pegou ou vai me pegar descendo o sarrafo em empresas nas quais trabalhei. Poucas posturas são tão repulsivas quanto essa. Outro ridículo que não passo — e eles todos sabem disso — é tentar lhes ensinar o seu ofício, a se comportar como… patrões! Jamais dou dicas a alguém mais rico do que eu sobre como ganhar dinheiro, por exemplo… Tampouco tento dizer ao dono de uma escola como se faz uma escola, ao dono de um jornal como se faz um jornal ou ao dono de uma editora como se faz uma editora. Isso é coisa de quem, trazendo a servidão na alma, acha que deveria ser o que nunca será: senhor! Nem mesmo senhor de si mesmo!

Finalmente, noto que Nogueira repete, quando se refere a mim, o clichê habitual das esquerdas e dos “progressistas”, a saber: “Ah, conservador bom era Nelson Rodrigues; conservador bom era José Guilherme Merquior; conservador bom era…”. Já entendemos: conservadores bons são os conservadores mortos. É o que essa gente do JEG deseja para aqueles que são considerados seus opositores. É vigarice intelectual considerar que “petralhas” é um termo grosseiro, que rebaixa o debate. “Padre de passeata”, de Nelson, é grosseiro? E olhem que, naquele caso, havia um regime discricionário em curso. Eu confronto ideias numa democracia. E confrontei a ditadura, fisicamente mesmo, quando foi necessário. Onde estava Nogueira? Antes como agora, escondido em alguma trincheira, esperando o clarim da vitória para saber a que lado aderir.

Texto publicado originalmente às 5h49

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:49

Gilmar questiona uso de dinheiro público por blogs e sites para atacar instituições

Da Rádio do Moreno:
O ministro Gilmar Mendes acaba de informar à Rádio do Moreno que vai entrar com uma ação na Procuradoria-Geral da República, solicitando o substrato das empresas estatais que usam o dinheiro público para o financiar blogs que atacam as instituições. “É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.

(Eu sei bem de quem o ministro está falando, mas, como me disse Jobim sobre essa confusão toda, “eles que são brancos que se entendam”). Jobim, Heraldo, FH e eu vamos ficar na nossa. No caso, Heraldo, não é pra menos, quer distância desse blogueiro. Eu só não sabia que a Caixa Econômica patrocinava esse tipo de blog.)

O ministro explicou que, nem de longe, sua decisão visa atingir a liberdade de expressão. Pelo contrário, é em defesa que se luta — contra as pessoas que não se acostumaram a viver dentro de um regime democrático. “O direito de crítica, de opinião, deve ser respeitado. Mas o ataque às instituições é intolerável”, acrescentou o ministro Gilmar Mendes.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:47

Love is in the air… “Haddad, manda um beijão para o Chalita”

Na Folha:
Os pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) trocaram amabilidades ontem em estúdio da TV Record. O petista chegou a dizer que é chamado de “irmão gêmeo” do futuro rival. Eles se encontraram em sabatinas da Record News e do portal “R7″. Chalita saía do palco quando Haddad chegou. Abraçaram-se e, aos risos, tiveram breve conversa.

“Esse aqui nasceu pronto”, elogiou o petista, acrescentando que algumas pessoas pensam que eles são gêmeos. O peemedebista confirmou a semelhança. Disse já ter ouvido na rua: “Haddad, manda um beijão para o Chalita!”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:45

Novo tombo da indústria reforça sinais pessimistas

Por Pedro Soares, na Folha:
A produção da indústria brasileira voltou a se contrair em abril, constrangida pelas restrições na oferta de crédito ao consumidor e pelo esfriamento da atividade econômica nos principais parceiros comerciais do país. Estatísticas divulgadas ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a produção da indústria caiu 0,2% em abril, atingindo nível 2,9% inferior ao de um ano atrás.

O novo tombo da indústria amplia o pessimismo sobre o desempenho da economia brasileira, que desacelerou no segundo semestre do ano passado e encontra dificuldades para voltar a crescer. O IBGE divulga hoje os números do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre do ano. Projeções de bancos e consultorias sugerem que a economia cresceu algo em torno de 0,5% no período.

O que mais contribuiu para a queda na indústria foi o desempenho da produção de bens duráveis como carros, eletrodomésticos e celulares, que dependem especialmente da oferta de crédito. A produção dessa categoria caiu 10,3% nos primeiros quatro meses deste ano, contraindo-se num ritmo mais intenso do que o observado nos últimos quatro meses do ano passado, segundo o IBGE. “Há claramente uma trajetória de declínio da produção, num movimento bastante disseminado entre os setores”, disse André Macedo, gerente responsável pela pesquisa industrial do IBGE.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:43

Bovespa tem em maio o pior mês desde outubro de 2008

Na VEJA Online:
O agravamento da crise na zona do euro, com a possível saída da Grécia do bloco e os riscos de contágio para a região, trouxe pânico aos mercados financeiros e atingiu em cheio o principal índice da bolsa paulista, que amargou em maio seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008, mês em que ocorreu a quebra do banco americano Lehman Brothers, deflagrando a maior crise financeira mundial desde 1929.

O Ibovespa até conseguiu emplacar um movimento de correção nesta quinta-feira e fechou em alta de 1,29%, a 54.490 pontos, segundo dados preliminares. O giro financeiro foi de 10,3 bilhões de reais.

Ainda assim, o índice acumulou queda de perto de 12% em maio, a pior baixa mensal desde outubro de 2008, quando o tombo foi de 24,8%. “Maio foi um mês recheado de notícia péssima, um mês ruim para a bolsa, muita gente perdeu dinheiro”, disse o chefe da divisão de corretagem na Mirae Securities, Pablo Spyer, em São Paulo.

“As incertezas ainda estão na mesa, ninguém sabe o que vai acontecer na zona do euro, por isso o elevado nível de estresse e volatilidade deve continuar em junho”, afirmou.

Estados Unidos
Os principais índices acionários dos Estados Unidos seguiram o mesmo movimento da Europa e do Brasil e fecharam em baixa nesta quinta-feira. Segundo dados preliminares, o índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, recuou 0,21%, para 12.393 pontos. O índice Standard & Poor’s 500 teve desvalorização de 0,23% e o termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 0,35%. 
(…)

No mês, o Dow Jones acumulou perda de 6,2%, o S&P 500 recuou 6,3% e o Nasdaq teve oscilação negativa de 7,2%.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:41

Cheques que pagaram casa vendida por Perillo são de conta que recebeu depósito da Delta

Por Leandro Colon, na Folha:
Os cheques que remuneraram o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pela venda de uma casa em 2011 saíram de uma conta bancária que recebeu dinheiro da empreiteira Delta, segundo peritos da Polícia Federal.Ao vender o imóvel, Perillo recebeu três cheques da Excitant Confecções oriundos de uma conta na Caixa Econômica Federal em Anápolis (GO). Dois eram de R$ 500 mil e um era de R$ 400 mil.

Segundo a PF, a Delta depositou pelo menos R$ 250 mil nessa conta por meio de uma empresa fantasma chamada Alberto e Pantoja Construções, criada pelo grupo do empresário Carlinhos Cachoeira só para receber dinheiro da empreiteira. A Excitant controla uma grife de roupas de adolescentes chamada Babioli e pertence a uma cunhada de Cachoeira, Rosane Puglisi.

Os três cheques, nominais a Perillo, têm datas de 2 de março, 2 de abril e 2 de maio de 2011. Nesse período, a Delta repassou dinheiro para a Pantoja. No dia 30 de março, por exemplo, houve um repasse de R$ 1 milhão. Quatro dias depois, a Pantoja transferiu R$ 250 mil para a Excitant, a confecção titular dos cheques que pagaram Perillo.
(…)
Perillo, que foi convocado para depor na CPI do Cachoeira, alega que não observou os emitentes dos cheques na transação. Ele diz que vendeu a casa ao empresário Walter Paulo, dirigente da Faculdade Padrão, sob intermediação do ex-vereador Wladimir Garcez, também preso e apontado como um dos operadores de Cachoeira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:39

Jornalista diz que recebeu de Cachoeira por serviço eleitoral prestado a Perillo; governador diz desconhecer caso

Por Fernando Gallo, no Estadão:
Responsável pela propaganda eleitoral de Marconi Perillo (PSDB) no rádio em 2010, o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirma que uma empresa do esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira foi usada para pagar os serviços de publicidade que ele prestou para a campanha do governador goiano. Segundo Bordoni, o pagamento, feito pela Alberto e Pantoja, empresa fantasma que segundo a PF era controlada por Cachoeira, foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo.

O depósito de R$ 45 mil, referente à metade do total de R$ 90 mil que o jornalista diz ter ficado pendente de pagamento após as eleições, foi feito pela Alberto e Pantoja na conta da filha de Bordoni, Bruna Bordoni, em 14 de abril de 2011, e consta dos autos da Operação Monte Carlo. Segundo o jornalista, o pagamento saiu depois de ele ter cobrado o staff de Perillo da dívida, que já perdurava seis meses. Quem cuidou da operação foi o assessor do governador.

“O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja”, sustentou Bordoni, em entrevista exclusiva ao Estado. “O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010.”
(…)
Negativa
Procurado para se manifestar, o governo goiano afirmou que “a Alberto e Pantoja não pagou nenhuma despesa de campanha do governador Marconi Perillo” e que cabe ao jornalista Luiz Carlos Bordoni provar o que diz. Em nota, o governo diz também que “o sr. Lúcio Fiúza Gouthier não participou de contratação nem de pagamento de nenhum profissional na campanha de 2010″. Sobre o tipo de relação que Perillo e Bordoni mantêm, o documento afirma que “o jornalista Luiz Carlos Bordoni é um profissional muito conhecido em Goiás” e que o governador Marconi Perillo conhece Bordoni “há muitos anos”. A assessoria do governador não informou, no entanto, se Perillo tinha alguma ciência da dívida alegada por Bordoni. O jornalista trabalhou durante o ano de 2011 como comentarista político na TBC, televisão do governo goiano, posto que deixou há 30 dias.

Por Reinaldo Azevedo

 

01/06/2012 às 6:37

Dá com uma das mãos e tira com a outra — Os novos aumentos de impostos para compensar a redução no setor automotivo

Por Lorenna Rodrigues e Priscilla Oliveira, na Folha:
Como forma de compensar as perdas que terá com a redução de impostos para setores como o automobilístico, o governo aumentou os tributos cobrados na produção de cerveja, água e refrigerantes. Segundo a Receita Federal, como resultado da taxação maior, o consumidor pagará em média um preço 2,85% maior nesses produtos a partir de outubro. Conforme a Folha antecipou na semana passada, foi aumentado também o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre motos, ar-condicionado e micro-ondas.

A medida é mais uma tomada com o objetivo de proteger a indústria nacional, pois deve afetar basicamente os produtos importados -os fabricantes da Zona Franca de Manaus, isentos do tributo, respondem por mais de 90% do mercado do país. Além de reajustar a tabela de preços médios sobre os quais é calculado o imposto pago por fabricantes de bebidas -o que ocorre todos os anos-, o governo decidiu elevar também a carga tributária do setor e ampliou a parcela do preço sobre a qual incide o tributo.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), isso resultará em um aumento de 27% no total de impostos pagos por produtores de cerveja e de 10% pelos de refrigerante. A Receita não detalhou qual o aumento da carga tributária. “O volume de vendas deve ser prejudicado, obrigando as empresas a rever os investimentos previstos. As empresas do setor planejavam aportar R$ 7,9 bilhões este ano no país, o que geraria 300 mil novos empregos em toda a cadeia produtiva e um incremento de arrecadação da ordem de R$ 1,2 bilhão”, afirmou a entidade em nota.

O subsecretário de Tributação da Receita, Sandro Serpa, admitiu o caráter arrecadatório do aumento. “Temos um resultado prático, sem dúvida nenhuma, de aumentar a arrecadação. Mas temos, sim, uma realidade do setor hoje, que tem uma carga aquém de outros setores.” Em março do ano passado, o governo já havia anunciado o aumento na tributação de bebidas para compensar a perda de arrecadação com outras desonerações.

Por ano, isso significará R$ 2,4 bilhões a mais recolhidos aos cofres públicos. Devem compensar os R$ 2,7 bilhões em impostos dos quais o governo abriu mão com a redução da carga tributária do setor automotivo, adotada para estimular a economia, que vem tendo resultados muito abaixo do esperado neste início de ano.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 20:15

O PT, que sabe muito bem como o dinheiro público financia o JEG, decide perseguir uma revista, acusada de ser… tucana!

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Não é segredo para ninguém que existe hoje uma rede de blogs, sites e revistas financiados com dinheiro público, certo? Ou o dinheiro tem origem em administrações petistas (incluindo o governo federal) ou nas estatais. Apelando à vulgaridade, ao baixo calão, às acusações mais estrambóticas, a grana do cidadão comum é usada para achincalhar as oposições, seus líderes, um ministro do Supremo e o jornalismo independente. E os petistas não só acham isso normal como promovem reuniões com alguns de seus representantes, a exemplo do que fez Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Pois bem. Leiam o informa o Estadão Online. Volto em seguida.

Por Ricardo Chapola:
O diretório estadual do PT comunicou nesta quinta-feira, 31, que entrará com uma representação contra a revista Free São Paulo por suposta difamação e calúnia veiculadas na matéria de capa da última edição, cujo título é “Muito além da morte”. A reportagem trata a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), assassinado em 2002, como pano de fundo para encobrir esquemas de corrupção que, segundo a revista, manteriam o PT no poder até os dias de hoje.

Em nota, o PT reitera que “denúncias envolvendo o nome do Partido são infundadas e todas as medidas cabíveis já estão sendo adotadas para que os responsáveis respondam pelo festival de calúnias e difamações”. A revista semanal, com tiragem de 100 mil exemplares, é distribuída gratuitamente nos metrôs de São Paulo - equipamento da coordenação do PSDB, do governo estadual, desde 2005. Líderes do PT suspeitam que a revista tenha vínculos com os tucanos. O diretor de redação da Free São Paulo, Ernesto Zanon, negou às acusações feitas sobre o material, por “se basearem em fatos, em depoimentos”, dentre eles até o do promotor de justiça, Márcio Friggi, titular do caso Celso Daniel. Ele também negou qualquer vínculo partidário com o PSDB.

Voltei
Não li a revista e não sei se ela poderia ser acusada de fazer com o PT o que o PT faz com seus adversários por meio dos blogs, sites e revistas que integram o JEG. Também ignoro se estatais paulistas ou administrações tucanas de estados e municípios são anunciantes da revista, a exemplo do que acontece com os veículos que difamam aqueles que os petitas consideram adversários ou inimigos. Mas estou cá achando com os meus botões que não.

Ainda que houvesse plena correspondência (mas eu duvido), com sinal trocado, entre essa revista e os blogs sujos, os petistas estariam reclamando de quê? A propósito: já que o governo federal segue financiando aquela sujeira, por que as oposições, alvos permanentes da canalhice, não poderiam fazer o mesmo? Se os petistas consideram aquilo legítimo para si mesmos, por que considerariam ilegítimo para os outros? Sei a resposta… Porque eles são petistas, afinal de contas, e devem ter o monopólio da ofensa e do direito de se sentir ofendidos.

Reitero: não conheço a revista. Duvido que seja a mera versão tucana da sujeira petralha.

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 19:46

Deputado petista recorre a vocabulário de jagunço e pistoleiro para se referir a ministro do STF

Falei num dos posts abaixo sobre a operação contra Gilmar Mendes, que os petistas estão tentando liderar nas redes sociais. No Radar, informa Lauro Jardim o que segue. Volto em seguida:

Um dos principais incentivadores da mobilização petista contra Gilmar Mendes nas redes sociais, o deputado Amauri Teixeira falava grosso, ontem, no plenário da Câmara, ao defender Lula dos “ataques” de Mendes:
- O Gilmar Mendes não tem bala na agulha para atirar no Lula. É ao contrário: ele é que vai sair baleado dessa história toda.

Voltei
Amauri Teixeira é deputado do PT da Bahia. Reparem o verbo a que recorre: “balear”. A palavra costuma frequentar o vocabulário de jagunços e pistoleiros. Assassinar a honra de pessoas que considera adversárias ou inimigas tem sido um dos esportes prediletos do petismo nos últimos, deixem-me ver…, TRINTA E UM ANOS!!!

Mas não se esqueçam: o partido não só mata, também colabora para a ressurreição dos mortos. Collor é um exemplo.

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 19:35

A ministra Menicucci, aquela do “faça você mesma o seu aborto”, e o apoio à “marcha das vadias”

Ai, ai…

Quando começo com esse lamento, vocês sabem que é porque a galhofa e a melancolia se estreiam num abraço insano, para citar, a um só tempo, Machado de Assis e Castro Alves (fiquem frios que não juntarei os albinos da Tanzânia, como faria Gabriel Chalita…). Sabem a Eleonora Menicucci, a ministra das Mulheres? É aquela que foi aprender em clínicas clandestinas da Colômbia a fazer aborto com as próprias mãos, segundo seu próprio testemunho… É aquela que integrava uma ONG para ensinar às mulheres o, atenção!, “autoaborto”. É aquela que se diz avó de um neto e avó do… aborto. Não sei se o que mais me encanta no seu desempenho à frente da pasta são os rigores da inteligência ou os relevos do decoro. Pois bem.

Há dias, ocorreu em várias cidades do país a tal Marcha das Vadias. Uma vadia chegou a invadir um templo católico com os seios à mostra, pregando a descriminação do aborto —aquela coisa em que Menicucci, segundo ela própria, se especializou como leiga praticante. Pois é. Informa Denise Menchen, na Folha Online o que segue. Volto depois.

Ministra das Mulheres diz que Marcha das Vadias é importantíssima

A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, manifestou apoio nesta quinta-feira à Marcha das Vadias, realizada no último fim de semana em 14 cidades do país. O movimento tem causado polêmica nas redes sociais - usuários que publicaram fotos de mulheres com os seios à mostra na manifestação chegaram a ter suas contas bloqueadas pelo Facebook.

Segundo os organizadores, o nome Marcha das Vadias faz alusão à declaração de um policial canadense que insinuou em uma palestra em Toronto, em 2011, que as mulheres acabam incentivando a violência sexual por se vestirem como vadias. Esse acabou sendo o mote da marcha, que tem como objetivo defender a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo e protestar contra a tendência de alguns setores de culpar as vítimas de violência pelas agressões que sofrem.

Questionada pela reportagem sobre o que achava do movimento, a ministra afirmou que o considera “importantíssimo”. A declaração foi dada durante o evento “Mulheres rumo à Rio+20″, realizada na manhã desta quinta no Jardim Botânico, na zona sul do Rio. “O bonito dela [da Marcha das Vadias] é que é feita por jovens. Homens e mulheres jovens que despertaram para questionar a violência contra a mulher, no corpo da mulher. Eu acho importantíssimo e acho que ela merece a divulgação que está tendo”, afirmou Eleonora.

A ministra também afirmou que a questão dos direitos das mulheres estará presente na declaração final da Rio+20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que ocorre de 13 a 22 de junho na cidade. “A questão de gênero está de forma prioritária na questão da sustentabilidade, porque não existe sustentabilidade sem a inclusão das mulheres e não existe um mundo sustentável com violência contra as mulheres, seja ela doméstica ou sexual”, afirmou. Segundo ela, a declaração da conferência também abordará a necessidade de acabar com a “divisão sexual do trabalho” e de promover a inclusão das trabalhadoras rurais, além de garantir às mulheres acesso à saúde e à educação.

Voltei
Dizer o quê? Se o movimento é assim tão benigno, só nos resta esperar para ver a ministra liderando esse evento “importantíssimo”. Os mensaleiros e seus defensores prometem criar a versão masculina dessa manifestação: “A marcha dos vadios”.

Já tenho um candidato a orador turma como chefe da quadrilha dos vadios.

COMENTÁRIOS - Por favor, ajudem a preservar a ministra de si mesma. Os crentes rezem por sua alma. Os agnósticos e ateus torçam para que ela encontre o juízo perdido em algum ponto da trajetória. A notícia, sei bem, acaba açulando os piores instintos. Mas deixem a baixaria para a esgotosfera!

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 19:01

A pornográfica disputa no PT de Recife. Ou: O que ocorre quando a herança leninista é interpretada por Lula e Humberto Costa, sob os auspícios de Eduardo Campos

Escrevi um post na sexta passada sobre o confronto no PT de Recife. A direção nacional e estadual do partido e o governador Eduardo Campos, que é do PSB, querem  o atual prefeito, João da Costa, fora da disputa. Ele venceu as prévias disputadas contra Maurício Rands, mas a Executiva Nacional do PT anulou o processo, embora tenha negado ter havido fraude. Anulou, então, por quê? João começou a se indispor com o establishment petista de Pernambuco por causa do contrato milionário de coleta de lixo. O primeiro a puxar o seu tapete foi o antecessor, João Paulo, que o fez candidato. Observei, então, que não é raro que os confrontos nesse partido comecem no lixo - e quase sempre acabam lá também.

Muito bem! Ao anular as prévias, é claro que João foi vítima de um golpe, desfechado pela direção nacional, com o endosso de Lula — curiosamente, a coisa tem franjas até em São Paulo, já digo como. Mas o imbróglio ainda não estava completo. Depois de um encontro com o Babalorixá de Banânia, Rands decidiu renunciar à pré-candidatura. O pressuposto era que o prefeito fizesse o mesmo — e tal intenção chegou a ser anunciada à sua revelia — em benefício de outro Costa, o Humberto. O golpe completo, então, é este: os dois postulantes caem fora em benefício do senador Humberto Costa, que surgiria como um tertius— um estranho tertius, já que sempre esteve ao lado de Rands. O senador é um que sempre atuou contra o prefeito de seu próprio partido. Como é bastante influente no Estado e tem “contatos” na imprensa local, a vida do prefeito, que já não faz uma administração brilhante, virou um inferno.

Isso é o que o PT faz com aliados incômodos. Dá uma medida de como costuma tratar adversários. Não tenho a menor simpatia pelo atual prefeito. Embora seja certamente uma falha, confesso saber pouco da política recifense em particular. Mas entendo que um prefeito, no exercício do mandato, havendo reeleição, tem a prerrogativa de disputar o cargo novamente, a menos que pese contra ele uma séria acusação ou de desvio de conduta ou de desvio dos objetivos partidários. O PT não acusa o atual prefeito nem de uma coisa nem de outra. A sua gestão, diga-se, é uma das financiadoras de uma página que abre seus comentários para os ataques mais abjetos contra mim — é o chorume do lixo. Não estou nessa atividade para praticar vinganças pessoais. Interessam-me os procedimentos institucionais.

O PT está associado ao PSB do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco e em muitos outros estados e cidades. Campos não aceita apoiar o atual prefeito. Queria Rands, que foi seu secretário e com quem tem alguns laços familiares. A intervenção em Recife era uma das exigências para o PSB apoiar Fernando Haddad em São Paulo. Lula entrou na parada com a delicadeza habitual, com aquela mesma com que esmagou a pré-candidatura de Marta, que agora, pelo menos, vai ter tempo de ler Maquiavel…

Faz algum tempo, ironizei alguns “politicólogos” supostamente independentes, mas que, na verdade, são petistas. Sustentavam esses valentes que o PT é mais moderno que os outros partidos porque aposta na renovação e na novidade. O método empregado em São Paulo e em Recife, na base do dedaço, indica bem que modernidade é essa. A direção nacional do PT, saibam, tem a prerrogativa de referendar ou vetar as candidaturas em cidades com mais de 200 mil habitantes. É uma herança, ainda, do “Centralismo Democrático” leninista, esse delicioso oximoro, dos antigos partidos comunistas. Segundo o centralismo, “a base” pode decidir o que bem entender, desde que o Comitê Central do partido concorde.

Convenham: não dá para ser sério e esquerdista ao mesmo tempo. O que não quer dizer, é claro, que todos os direitistas liberais sejam sérios. Quer dizer apenas que eles têm, ao menos, alguma chance!

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 18:01

Violência retórica na CPI e estrelismo só colaboram com os acusados

Há determinadas atitudes que colaboram para o mundo do espetáculo, mas com pouco ou  nenhum efeito prático — isso quando não são contraproducentes; vale dizer: produzem o efeito contrário ao pretendido. É o caso do destempero de hoje do deputado Silvio Costa (PTB-PE), que decidiu vituperar contra o senador Demóstenes Torres na sessão da CPI. Conforme o esperado e o anunciado, Demóstenes optou por ficar calado. Costa mandou ver, em sessão que sabia televisionada, para a galera:
“O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Esse seu silêncio escreve em letras garrafais: ‘eu, Demóstenes Torres, sou, sim, membro da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Eu, senador Demóstenes Torres, sou, sim, o braço legislativo da quadrilha do senhor Cachoeira. Se o céu existir, e tenho certeza que o céu existe, o senhor não vai pro céu, porque o céu não é lugar de mentiroso, de gente hipócrita”.

Todos temos a vontade de dizer a mesma coisa? E daí? O ponto é outro. O senador Pedro Taques (PDT-MT), que tem tido uma atuação muito firme na CPI contra a quadrilha de Cachoeira — e não consta que esteja interessado em proteger qualquer dos lados envolvidos — protestou contra a linguagem do deputado e lembrou que Demóstenes estava usando uma prerrogativa legal e que o exercício de humilhação era desnecessário. Costa voltou, então, a metralhadora contra Taques, acusando-o de estar comprometido com Demóstenes. Fora do microfone, disparou: “Seu demagogo, seu merda, seu merda”. Por que alguém seria um demagogo pedindo o devido respeito a Demóstenes, eis um mistério.

Ao discursar mais tarde no Senado, Taques reiterou sua reprovação ao comportamento de Costa e afirmou que Demóstenes foi desnecessariamente humilhado, embora tenha reiterado suas críticas ao senador acusado de envolvimento com Cachoeira. E obteve a solidariedade de representantes do PP (Ana Amélia), do PT (Eduardo Suplicy), do PSDB (Álvaro Dias) e do PSOL (Ranfolfe Rodrigues). Mais suprapartidário, quase impossível.

Contraproducente
Vamos ver. Não há a menor e a mais remota razão para desconfiar de que Pedro Taques esteja mancomunado com Demóstenes. Ao contrário: a menos que estejamos diante de mais um caso de “Dr. Jekyll e Mr. Hyde” (já basta um, né?), ele está atuando no polo contrário. A solidariedade que obteve ao discursar no Senado dá conta da bobagem que fez o deputado Silvio Costa.

E aqui lhe faço uma advertência, por mais que estivesse sinceramente indignado: ainda que o senhor tivesse combinado a sua atuação com Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, advogado de Demóstenes, a coisa não teria saído tão a contento do acusado, deputado! A imagem de vítima, de alguém humilhado, que está passando por um linchamento, só faz bem à defesa. Mesmo o pior facínora, quando humilhado, desperta simpatias. A gritaria também mobiliza o espírito de corpo do Senado. Faz com que cada parlamentar se sinta, ainda que não tenha motivos para isso, no lugar do colega. No depoimento prestado no Conselho de Ética, Demóstenes soube exercer a humildade decorosa. Seguiu o script. O que o senhor conseguiu, deputado Silvio Costa, foi criar um contraste entre a civilidade de um fórum e a suposta barbárie de outro.

Resista à tentação, deputado! O seu estrelismo desta tarde só colabora… com os acusados!

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 16:45

Está em curso uma operação para tentar desestabilizar Mendes e forçá-lo a se declarar impedido de julgar o mensalão. Ou: Desavergonhados, petistas proclamam por aí ter quatro votos certos pela absolvição da súcia

Está em curso, e não chega a ser exatamente uma novidade, uma operação de desestabilização do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma ação ampla, que encontra eco até mesmo dentro do tribunal. O JEG não esconde o propósito, escancara-o em suas páginas financiadas com dinheiro público: querem que ele se declare impedido de participar do julgamento dos mensaleiros, na suposição — sem lastro na realidade! — de que estaria praticando prejulgamento. É uma falácia. Nada no histórico de votos do ministro no STF indica antipetismo militante. Ao contrário até: Mendes foi um dos que inocentaram — e deixei clara, então, a minha discordância — Palocci no caso da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo. Por se tratar de questão de natureza criminal, entendeu que não poderia condenar sem a prova provada, a ordem explícita para que um subordinado executasse a tarefa. Como essa evidência documental não existia,  optou, então, pela absolvição. A questão, claro!, tem mais meandros do que isso. Faço uma síntese.

E por que agora todo esse barulho em relação ao mensalão em particular? Medo do suposto preconceito anti-PT? Uma ova! Medo das evidências que estão nos autos, isso sim! Os petistas não fazem segredo de que têm os “seus ministros” — aqueles cujos votos dão como favas contadas. Não listo aqui porque poderia apenas estar dando curso a uma difamação. O fato é que eles não escondem de ninguém que consideram que QUATRO VOTOS ESTÃO GARANTIDOS.

Certos ou errados, os petistas avaliam que Mendes e Cezar Peluso votarão contra os mensaleiros. E acham que Ayres Britto pode seguir o mesmo caminho. Assim, Lula quer adiar o julgamento para 2013 porque estes dois últimos já não estariam na corte. Para inocentar a súcia, bastam 6 votos — no caso de o tribunal estar completo.

Ganhar de goleada
Lula pôs na cabeça que não basta vencer, não! Ele quer ganhar de goleada. Acha que uma vitória apertada, por um voto, deixaria no ar a suspeita de arranjo. Tem de ser um placar convincente. Um julgamento sem Peluso e Britto e com um Mendes impedido seria um sonho.

É esse o pano de fundo dessa baixaria. A canalha tenta desmoralizar Mendes, mas está, na prática, é desmoralizando todo o Supremo. A cada vez que petistas dão como líquido e certo o voto de ao menos quatro ministros, tratam o tribunal como se fosse mera extensão ou franja do partido, dando a entender que passou a existir um critério para integrar a corte. Não por acaso, os setores mais extremistas do petismo tratam Joaquim Barbosa e Peluso como traidores e Britto como um possível ingrato. Mendes, por óbvio, está no radar desde sempre porque indicado para o tribunal por FHC.

Trabalho sujo
Os setores da imprensa que não dividem espaço no lixão financiado do lulo-petismo que dão curso às críticas a Gilmar Mendes — indo além da notícia, censurando o seu ato de coragem — estão contribuindo, na prática, para desmoralizar o Supremo. Engrossam a corrente daqueles que querem fazer do tribunal um quintal do Executivo, a exemplo do que se vê na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia ou na Nicarágua, esses notáveis exemplos de cultura democrática.

Por Reinaldo Azevedo

 

31/05/2012 às 15:25

Eu quero debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy; parece que ela fez uma leitura muito particular do autor

Eu quero, e modestamente me ofereço — dando a ela a prerrogativa de marcar hora e local — debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy (PT-SP). E me proponho a tanto porque ela própria, nesta quinta, sugeriu que o florentino tem algo a esclarecer sobre a tentativa de chantagem de que foi vítima o ministro Gilmar Mendes.

Está em curso uma operação desfechada por petistas, pela subjornalismo financiado por dinheiro público e por setores da imprensa paulista — mesmo aquela que não integra oficialmente o lixão, a esgotosfera, o JEG. Trato do assunto daqui a pouco.

Com aquela ligeireza que tão bem a caracteriza, a petista comentou o confronto Gilmar Mendes-Lula  nestes termos: “Se ocorreu ou não, existem versões. Eu acho que ficou um ponto de interrogação mais para o lado do ministro do que para o presidente Lula”. Segundo ela, o fato de o ministro ter denunciado a iniciativa destrambelhada do ex-presidente “fez muito mal para o Brasil”. Indagada das possíveis motivações, então, de Mendes, disparou com, desta vez, ignorância elegante: “Se a gente ler bem Maquiavel talvez encontre algumas explicações”.

Qual Maquiavel? Qual trecho e de que livro?

A única passagem que talvez se aplique ao caso explica mais Lula do que Mendes. Deve o Príncipe ser amado ou ser temido? Entre os dois, é certo que o melhor é ser temido, considera, Vejam lá por quê. Discursando ontem numa solenidade oficial, o ApeDELTA disse, no entanto, que é amado por muitos e que só uns poucos não gostam dele — e com estes, afirmou, precisa tomar cuidado.

Na prática, dá para saber como funcionam as coisas. Lula quer, sim, ser amado, e isso excita a sua benevolência, mas já deixou claro mais de uma vez que os que não gostam dele têm razões de sobra para temê-lo. Entre ser amado e temido, ele fica com os dois.

Marta Suplicy é vice-presidente do Senado. A exemplo de Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, é mais uma que ignora a instituição para servir ao chefão decadente de um partido.

Por Reinaldo Azevedo

 

Brincando com a Justiça: BESTA pirateou declaração de Ayres Britto em encontro de blogueiros

Do Blog do Pannunzzio:
A BESTA, organização de blogueiros autoproclamados progressistas, pirateou uma frase atribuída ao ministro Ayres Britto durante encontro de blogueiros ocorrido em Salvador no último fim-de-semana.  Apesar de formalmente desautorizada pelo Presidente do STF, a frase foi exibida num telão ao lado de outra, do ministro Lewandovski, com o propósito de dar uma legitimidade aparente à causa defendida pelo grupo - a volta da censura mascarada com o rótulo de ‘Ley de Medios’.

O assédio da BESTA constrangeu Ayres Britto desde que Paulo Henrique Amorim pediu uma audiência para fazer-lhe o convite. O apresentador da TV do bispo Edir Macedo foi recebido  pelo ministro no dia 2 de abril. Levou seu advogado Marcos Cesar Klouri, que aproveitou o encontro para tecer considerações acerca do mérito de processos contra seu cliente, réu em mais de 40 ações por calúnia, injúria e difamação. O episódio  teve a mesma natureza do encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes. O Blog do Pannunzio tratou do assunto no post Constrangido por Paulo Henrique Amorim, Ayres Britto recusa convite para abrir encontro da BESTA, publicado no dia 6 de abril.

Dias depois da conversa, diante da recusa do ministro Ayres Britto ao convite para participar  do evento, um dos organizadores do simpósio da BESTA escreveu um e-mail à Presidência do STF solicitando o envio da frase que deveria ilustrar a abertura do encontro. Na resposta, enviada também por e-mail, a assessoria de Ayres Britto desautorizou a menção à frase em função da “excessiva judicialização” da atuação dessa estirpe de blogueiros. O veto foi desconsiderado e a frase, como se pode ver na foto acima, foi utilizada como se houvesse autorização.

Curiosamente, o encontro terminou com a indicação de que os blogueiros da BESTA desconheçam as sentenças de primeira instância, num movimento de desobediência civil que representa uma verdadeira afronta ao Judiciário. “Não teria nenhum sentido o Ayres Britto patrocinar mais este ataque à instituição da Justiça”, diz a fonte do Blog do Pannunzio.

O pirata virtual e a pirataria
Ayres Britto para o encontro da BESTA foi de Paulo Henrique Amorim. A divulgação de informações desencontradas dando conta de que o ministro do STF havia aceitado o convite aconteceu primeiro no site dele e foi reproduzida por dezenas de blogues associados. Na antevéspera do evento, PHA postou em seu blog informações que sabia não serem verdadeiras.

Ele afirmou em seu blog que “o presidente do Supremo (…) também contribuirá para ilustrar a abertura do encontro”. A citação que aparece no post (”A liberdade de imprensa não só mais para os donos da imprensa”), no entanto, é bem diferente de um dos bordões de Ayres Britto. A frase originalmente mencionada na conversa com o ministro, publicada no proprio blog blog de PHA dias antes, era “A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”. E foi essa que, a despeito da negativa, acabou sendo transformada em emblema do evento.

Por Reinaldo Azevedo.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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