NA CAPA DA VEJA, O MENSALÃO E O RÉU. OU: O “PLANO D” DE JOSÉ DIRCEU ERA FUGIR DO BRASIL!

Publicado em 27/07/2012 23:39 e atualizado em 16/08/2013 12:06 1880 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

NA CAPA DA VEJA, O MENSALÃO E O RÉU. OU: O “PLANO D” DE JOSÉ DIRCEU ERA FUGIR DO BRASIL!

Esta é a capa da VEJA desta semana, com os seguintes destaques:

1 – “Os planos A, B e C de Dirceu – O D era sair do Brasil: ‘Sair clandestino de novo não custa nada’”

2 – “O julgamento de A a Z: um guia para seguir o processo e entender as manobras dos advogados”

3 – “O petista José Dirceu e mais 37 acusados no caso do mensalão começam a ter seu destino decidido nesta semana no ‘julgamento do século’ no Supremo Tribuna Federal, em Brasília.”

 

Por Reinaldo Azevedo

 

Toffoli tem de declarar a própria suspeição se não quer ser visto como suspeito. Ou: Cuidado, ministro! Lula ficará com as glórias; ao senhor, pode sobrar só o opróbrio! É peso demais para um homem ainda jovem!

Dias Toffoli: sua única decisão razoável é não participar do julgamento

Tem início na quinta-feira aquele que é, sem dúvida, o julgamento mais importante da história do Supremo Tribunal Federal. Em muitos aspectos, e voltarei ao tema em outros posts ao longo da semana, ele vai determinar que país teremos e quais métodos e instrumentos são e não são aceitáveis na luta política. Uma das figuras que chamam atenção nessa história é José Antonio Dias Toffoli, 45 anos, o mais jovem membro do STF. Se não mudar de ideia, tem mais longos 25 anos na Casa. Fui, e não é segredo pra ninguém, um crítico severo de sua indicação. Expus os meus motivos, e meus critérios não mudaram.

Lembro, no entanto, que já elogiei seus votos aqui mais de uma vez. E, obviamente, também não me arrependo. Para elogiar ou para criticar, baseava-me em fundamentos do estado democrático e de direito. Está tudo em arquivo. Já nos falamos ao telefone umas três ou quatro vezes, acho. Uma conversa lhana, amistosa, sem qualquer sombra de ressentimento por parte dele. Um bom sinal. Toffoli está, no entanto, prestes a fazer uma grande bobagem com a sua biografia. “Mas isso é problema dele, Reinaldo!” No que concerne à sua vida e à sua carreira, é mesmo, e eu não me atreverei a ser seu conselheiro. Só que a sua trajetória pessoal se enlaça, desta feita, à do país.

Não dá! O ministro já foi advogado do PT, assessor de José Dirceu e sócio de um escritório de advocacia que defendeu três mensaleiros. Caso não se declare suspeito para participar do julgamento, uma questão surge no meio jurídico brasileiro: o que é necessário, então, para caracterizar a suspeição? Existe a possibilidade de que, a despeito desses vínculos todos, ele surpreenda e condene os réus? Sempre há. Mas não há quem acredite nisso. E por motivos, eis a questão, que nada têm a ver com a qualidade da peças acusatória e de defesa.

“Mas ele tem necessariamente de condenar para provar sua independência, Reinaldo? Quer dizer que esse julgamento só pode ter um resultado?” Eis duas excelentes questões. O corpo de jurados não pode ter vínculos de qualquer natureza com os réus justamente para que não se duvide da natureza da decisão de cada um de seus membros. Toffoli sabe muito bem que, fosse num caso em que os réus vão a júri popular, seu nome seria de pronto recusado. Se não poderia, pois, dados os fatos, integrar um corpo de jurados saído da sociedade, por que pode, então, compor esse grupo especialíssimo? Minha pergunta não é meramente retórica. Gostaria mesmo de saber qual seria sua resposta.

Reportagem na VEJA desta semana, de autoria de Rodrigo Rangel, traz um emblema da proximidade de Toffoli com Dirceu: nada menos do que uma procuração que permitia ao agora ministro atuar numa causa em nome do agora réu. Reproduzo a imagem (ficou na dobra da revista…) e um trecho do texto. Volto depois:

 

“O ministro atuou diretamente como advogado do principal réu do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, como mostra a procuração acima. Na ocasião (o ano é 2000), Dirceu era deputado, e Toffoli foi encarregado por ele de mover uma ação popular contra a privatização do Banespa. A procuração concedia poderes legais a Dias Toffoli e a seu ex-sócio, o também advogado Luís Maximiliano Telesca Mota, para atuar no processo em nome de Dirceu. Por uma dessas reviravoltas da vida, José Dirceu hoje é réu, Luís Maximiliano é um dos advogados de defesa no mensalão, e Toffoli um dos responsáveis pelo julgamento que interessa a ambos.”

Advogado ter procuração de cliente é a coisa mais comum do mundo. Ser o juiz desse cliente por uma dessas vicissitudes da vida, aí já é coisa mais rara. 

É claro que o voto de Toffoli, de absolvição ou de condenação, pode não ser definidor do resultado. Mas é grande a possibilidade de que seja. Caso ele faça a balança pender para o lado dos mensaleiros, será muito difícil ignorar as informações contidas neste outro trecho da reportagem de VEJA:

“(…)
Até ser indicado para o STF, em 2009, Toffoli mantinha um escritório em sociedade com sua atual companheira, Roberta Rangel. Nesse período, a advogada foi contratada por três mensaleiros. Defendeu José Dirceu numa ação em que ele tentou barrar no Supremo a cassação de seu mandato. E. no próprio processo do mensalão, defendeu os ex-deputados petistas Paulo Rocha e Professor Luizinho, acusados de receber o dinheiro sujo do esquema. Ou seja, o ministro Dias Toffoli, caso não se considere suspeito, vai julgar o processo que já teve sua atual companheira como advogada dos réus, no período em que ele mesmo, Toffoli, era sócio dela no escritório. “A imparcialidade do julgamento passa necessariamente pela definição do ministro em relação a sua participação”, avalia Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República.

Por lei, juízes de quaisquer instâncias são impedidos de julgar uma causa quando forem parentes ou cônjuges de advogados de alguma das partes. Nesse caso, o impedimento é imperativo. Dias Toffoli argumenta que é apenas namorado de Roberta Rangel — muito embora, nas cerimônias oficiais do próprio Supremo, a advogada desfile solenemente pelos espaços reservados aos cônjuges dos ministros. Há, ainda, o outro dispositivo legal, o da suspeição, capaz de orientar o ministro em sua decisão de participar ou não do julgamento. Diz a lei que o juiz é suspeito quando tiver amigo íntimo entre os envolvidos no processo, quando alguma das partes for sua credora ou devedora, quando “receber dádivas” dos envolvidos antes ou depois de iniciada a causa ou mesmo quando tiver interesse no julgamento em favor de algum dos lados. Diz o jurista Luiz Flávio Gomes: “O juridicamente correto, o moralmente correto e o eticamente correto seria ele se afastar”.

Pois é…
O poder petista não é eterno. A história que Toffoli vai escrever nesse julgamento, queira ele ou não, é. Enquanto houver Brasil, será lembrada: pode ser um passo importante contra a impunidade; pode representar o mergulho de cabeça na lambança. Que se note: eu não estou aqui a exigir que o ministro vote contra seus amigos só para mostrar independência. Acho que seria essa uma postura até autoritária. Ele tem o direito de cultivar os seus afetos. Não é problema nosso! Quando, no entanto, esses afetos vão parar no banco dos réus, num caso que é do altíssimo interesse de todos os brasileiros, então, obviamente, isso nos diz respeito. Ele pode preservar as suas amizades e atender ao interesse público abstendo-se de participar.

Não custa lembrar que Luiz Marinho, atual prefeito de São Bernardo, futuro candidato do PT ao governo de São Paulo e atual porta-voz informal de Lula, já se manifestou sobre a decisão de Toffoli: “Ele não tem o direito de não participar”. Marinho, um dos capas-pretas do petismo, falava como quem cobrasse o pagamento de uma fatura.

Sim, ministro Toffoli! O único voto seu que provaria a sua independência seria o de condenação, ainda que, independentemente de quaisquer afinidades, considerasse a inexistência de fundamentos técnicos para tanto. E é precisamente esse aspecto que revela, mais do que qualquer outro, que o senhor tem de ficar longe desse julgamento.

Não fique, ministro Toffoli, com a pior parte da história do petismo no poder! Não se engane. A Lula, reservarão as glórias; ao senhor, a depender do que aconteça, sobrará o opróbrio. Com essa idade, é uma escolha pesada e precoce.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/07/2012 às 6:27

Até senador petista aponta a pilantragem a que deu curso a revista de Mino Carta e a tentativa de interferência no julgamento dos mensaleiros

Santo Deus!

A Carta Capital, Mino Carta e aquela gente asquerosa da Internet financiada por dinheiro público, desta feita, exageraram na farsa. A revista conferiu ares de coisa séria a uma lista obviamente falsa, que traz nomes de pessoas que teriam recebido dinheiro do chamado “mensalão de Minas”. O bandido que fez o trabalho sujo tentou conferir verossimilhança à picaretagem incluindo até o nome de um petista. E escolheu o senador Delcídio Amaral (MS), que é do partido, mas não pertence, digamos, ao núcleo da sigla envolvida com a sujeira dos mensaleiros. Na verdade, ele presidiu a CPMI do Correios, e muita gente do seu partido considera que não agiu direito: teria sido imparcial demais…

Como sabem, um dos acusados de ter recebido dinheiro é ninguém menos do que Gilmar Mendes, hoje ministro do STF. O “documento” é datado de 28 de março de 1999. Junto ao nome de Mendes, aparece a sigla “AGU” (Advocacia Geral da União). É coisa de bandido, sim, mas de bandido vagabundo. Nem teve a preocupação de fazer uma pesquisa no Google. Mendes só foi nomeado para a AGU em janeiro de 2000. Em março de 1999, era subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

É mais um esforço da bandidagem para tirar o ministro do julgamento do mensalão. Já haviam tentado passar essa sujeira para a imprensa séria. Ninguém deu crédito, claro! Mino não teve dúvida: transformou a farsa em capa de revista e ainda escreveu um daqueles editoriais furibundos a respeito. E os blogs sujos completaram o serviço. E, vocês sabem, “serviço compreto é mais caro”…

Pois bem. Delcídio, o senador petista, divulgou uma nota, reproduzida no site do Senado. Denuncia a farsa e acusa o óbvio: tentativa canhestra de interferir no julgamento do mensalão. Como se vê, o esquema não perdoa ninguém. Até gente do próprio partido pode cair na rede de difamação caso não se comporte direitinho….

 Leiam a nota do senador petista:

Em relação à matéria publicada na edição 708 da revista Carta Capital, onde meu nome é levianamente citado como suposto beneficiário de pagamentos efetuados há 14 anos, em Minas Gerais, esclareço, indignado, o seguinte:

1 – A reportagem se baseia em “documento” de um suposto esquema de caixa 2 que teria ocorrido na campanha eleitoral de 1998, época em que eu não desenvolvia nenhuma atividade político-partidária, nem em Minas Gerais nem em qualquer outro lugar do país. Disputei o primeiro cargo público em 2002, quando, com muito orgulho, me tornei o primeiro senador eleito pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul.

2 – Se essa “suposta” lista fosse verdadeira, seguramente teria sido utilizada durante a CPMI dos Correios, até para desqualificar os seus integrantes. O próprio advogado do acusado a quem a revista atribui a elaboração do abominável documento nega, com veemência, que seu cliente seja o responsável pelo mesmo, atribuindo sua autoria a um conhecido psicopata e estelionatário, recorrente em fraudes diversas em Minas Gerais, que já foi preso e continua respondendo criminalmente por esses mesmos motivos.

3 – Orgulha-me, e não poderia ser diferente, a imparcialidade, a isenção, o equilíbrio e a serenidade que Deus me concedeu para presidir a CPMI dos Correios, fato que incomodou e, ao que parece, ainda incomoda, muita gente em diferentes pontos do país.

4 – É estranho – ou talvez não — que a reportagem seja publicada justamente às vésperas do julgamento do “mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal, o que, para mim, demonstra o inequívoco propósito diversionista de suas intenções, subestimando a inteligência do povo brasileiro.

5 – Aos patrocinadores desse malfadado “documento”, que lembram a famigerada “Lista de Furnas”, outra desastrada trama engendrada por quem tenta confundir a opinião pública em benefício próprio, deixo um conselho: se os fatos apurados pela CPMI dos Correios lhes açoitam, tomem banho de sal grosso!

6 – Estou tomando as providências jurídicas que o caso requer, não só em relação aos autores dos “documentos” e também à revista, mas, eventualmente, às suas indevidas repercussões.

Campo Grande (MS) , 28 de julho de 2012
Delcídio do Amaral Senador (PT/MS)

Por Reinaldo Azevedo

 

29/07/2012 às 6:23

Mensalão – Nos EUA, o povo tem levado a melhor na luta contra os larápios; no Brasil, tem sido o contrário. Ou: O dia em que Delúbio chamou R$ 5 milhões de “mixaria”!

Na série de reportagens relacionadas ao mensalão, a VEJA desta semana traz um texto de André Petry sobre a malandragem política nos EUA e as consequências para os malandros. Naquele país, o povo tem levado sistematicamente a melhor na luta contra os larápios. No Brasil, tem sido o contrário. Reproduzo um trecho. Volto seguida:

Larry Seabrook tem 61 anos e viveu as últimas três décadas como estrela na política de Nova York. Foi deputado, senador estadual e vereador eleito pelo Bronx. Agora, depois de ser apanhado desviando milhares de dólares de dinheiro público através de uma fundação, passará a velhice na cadeia. No julgamento realizado na semana passada, a defesa de Seabrook não contestou a existência da rede de corrupção. A tese dos seus advogados é que Seabrook não sabia de nada. Familiar? Era o chefe, contratou todos os envolvidos, mas não sabia de nada. Não colou. O caso de Seabrook, que demorou dois anos do começo da investigação à sentença da semana passada, não tem nada de especial. Ele é apenas o mais recente político corrupto a ser mandado para a cadeia — mas é exatamente por isso, por ser apenas mais um caso entre vários, que sua condenação tem valor pedagógico.

A repetida punição de corruptos que atuam nos níveis inferiores da política — nas prefeituras e câmaras de vereadores, nas assembleias e governos estaduais — é o anteparo que preserva Washington, a capital federal, do cotidiano de escândalos de corrupção. Como as instituições estaduais e municipais funcionam e a vigilância é incessante, é mais difícil que ladrões, mensaleiros e criminosos diversos consigam chegar ao Congresso americano. Quando chegam, o braço da lei revela-se longo.
(…)
Leia a íntegra do texto na edição impressa. Abaixo, segue uma lista de figurões americanos que foram pegos com a boca da botija. Peço que vocês prestem atenção aos valores envolvidos nas malandragens. Tudo muito modesto se comparado com o que fazem os larápios brasileiros. Vejam (se preciso, clique nas imagens para ampliá-las e facilitar a leitura). Volto para encerrar


 

Encerro: Delúbio e a mixaria
Prestaram atenção aos valores? No dia 2, começa o julgamento do mensalão. Uma das estrelas que estão no banco dos réus é Delúbio Soares. Num depoimento à CPI dos Correios, em 2005, indagado por um parlamentar sobre o valor de uma determinada operação irregular, o ex-tesoureiro do PT afirmou: “Era mixaria, deputado,  coisa de cinco milhões de reais”.

Nos EUA, um país pobre, quaisquer US$ 65 mil dólares podem levar um político a ficar oito anos na cadeia — e ainda obrigado a devolver aos cofres públicos o mesmo valor da transação considerada ilegal. No Brasil, um país rico, R$ 5 milhões (mais ou menos US$ 2,5 milhões) são considerados “mixaria”. E é grande a possibilidade, claro!, de que Delúbio fique solto.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/07/2012 às 6:21

“God” é padrinho de 5 dos 11 ministros que participarão do julgamento e tem pelo menos 10 discípulos entre os defensores dos réus

Vejam esta imagem. Ela ilustra uma reportagem na VEJA desta semana.

Uma das personalidades do julgamento que começa na quinta não é nem réu nem juiz. Trata-se Márcio Thomaz Bastos, cujo apelido, em certos círculos, é nada menos do que “Deus” — sim, Ele Mesmo, mas pronunciado na versão em inglês: “God”. Bastos não está bem certo de que o Outro esteja à altura da comparação, entendem?

No dia 23 de maio, publiquei um texto afirmando que nunca antes na história destepaiz houve alguém como ele. Reproduzo trecho e volto e seguida:

Olhem aqui: todos têm direito a um advogado. É fundamento do estado de direito. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo ou a se autoincriminar. É outro fundamento do estado de direito. Advogados criminalistas não devem atender apenas freirinhas do convento das carmelitas descalças e probos professores de educação moral e civismo. Muito provavelmente eles não precisem de… advogados criminalistas. Isso também é um apanágio do estado de direito.

Márcio Thomaz Bastos é, sem dúvida, um dos maiores criminalistas do país. Fez fama e grande fortuna nesse ramo. Que o advogado provavelmente mais rico do país atue justamente na área criminal, eis um emblema da vida pública brasileira, não é? Ao mesmo tempo, Bastos sabe cuidar de sua reputação politicamente correta. O militante lulo-petista falou, por exemplo, como “amicus curiae” no STF em defesa das cotas raciais. Curiosamente, pronunciava-se em nome da Associação dos Advogados Afrodescendentes. Adiante.

Não! Não serei eu aqui a julgar doutor Márcio em razão da qualidade de seus clientes. Isso não faz sentido. Seria o mesmo que dizer que o estado se torna copartícipe de crime quando nomeia, por força de lei, um defensor para o pior dos homicidas. O ponto definitivamente não é esse. O problema de Márcio Thomaz Bastos não é sua expertise de criminalista, mas a sua inserção na vida política. Eu duvido que exista em qualquer outra democracia do mundo alguém como ele. É militante partidário; é um dos principais conselheiros e interlocutores de Lula (dentro e fora do poder formal) — o mesmo Lula que tenta, a todo custo, manipular a CPI; foi ministro da Justiça; guarda os arcanos da República e do PT…

Essa condição lhe rendeu hoje, durante a CPI do Cachoeira, muitos elogios, salamaleques e rapapés. Ora, foi durante a sua gestão no Ministério da Justiça, com a Polícia Federal sob o seu comando, que se estabeleceu no país a República do Grampo. Foi sob o seu comando que setores da PF decidiram brincar de luta de classes, com algumas operações espetaculosas para demonstrar que “os ricos também choram”. Sob os seus auspícios, prisões, digamos, midiáticas ganharam o noticiário. O preso poderia até ser solto logo depois, mas a notícia já estava garantida. E se criou então um mito: acabou a impunidade, acabou a festa!

Acabou? Como criminalista no Ministério da Justiça, foi dele a tese de que mensalão era mero caixa dois de campanha. O esquema Delta, diga-se, tem tudo para ser um mensalão de dimensões pantagruélicas. Não venham me dizer que devemos encarar como coisa corriqueira o fato de Dr. Márcio ora estar de um lado do balcão, tentando coibir o crime, ora estar do outro, oferecendo seus préstimos profissionais a criminosos. Não há nada de errado numa coisa. Não há nada de errado na outra. Uma e outra são parte do jogo democrático. Quando as duas condições, no entanto, se juntam num homem só, há algo de errado é na República.
(…)

Voltei
Leiam trecho da reportagem de VEJA desta semana, de Otávio Cabral e Laura Diniz:
Os banhos do advogado Márcio Thomaz Bastos têm sido mais demorados nos últimos dias. É embaixo do chuveiro que ele ensaia a defesa que apresentará no plenário do Supremo Tribunal Federal. Seu cliente é José Roberto Salgado, um dos 38 réus do mensalão. Mas a participação de Thomaz Bastos no julgamento do mensalão vai muito além dele. De longe o mais ilustre dos advogados que atuarão no caso, o ex-ministro da Justiça do governo Lula é “padrinho” de cinco dos onze ministros que participarão do júri, uma vez que avalizou suas indicações nos anos em que esteve à frente da pasta. Além disso, designou ao menos dez advogados, todos seus discípulos, para trabalhar para os mensaleiros. Por fim, foi também ele o autor da estratégia de defesa urdida quando do estouro do escândalo, em 2005 e que pretendeu reduzir o crime a um simples caso de caixa dois.

A estratégia, crucial para que Lula não fosse implicado no escândalo e corresse o risco de impeachment, vem sendo sustentada até hoje. O julgamento a colocará à prova. Chamado de God (Deus, em inglês) pelos colegas, Thomaz Bastos atuará dentro e fora do tribunal, articulando as estratégias dos colegas, avaliando a disposição dos ministros e informando as tendências de condenação ou absolvição a Lula e à presidente Dilma Rousseff.

Thomaz Bastos é a estrela mais reluzente do julgamento, mas não a única. Há outro ex-ministro da Justiça (José Carlos Dias), um ex-presidente da OAB-SP (Antônio Cláudio Mariz de Oliveira), o principal advogado de Brasília (Antônio Carlos de Almeida Castro) e uma estrela da nova geração (José Luis de Oliveira Lima). Todos têm ligação profissional e pessoal com Thomaz Bastos. Especula-se que, juntos, os decanos receberão mais de 20 milhões de reais em honorários. No último mês, eles se reuniram pelo menos três vezes para combinar os principais movimentos da defesa. Há duas linhas conjuntas de ação. A primeira é postergar o julgamento ao máximo, a fim de evitar o voto de Cezar Peluso, que se aposenta em 3 de setembro. Sem ele, os advogados afirmam que precisam de apenas cinco votos para absolver seus clientes, um a menos do que se o quorum estiver completo. Além disso, suspeitam que Peluso se inclina pela condenação da maioria dos réus. O segundo movimento será o de restringir a defesa a questões técnicas, sem entrar em polêmicas políticas.
(…)
Leiam a íntegra na revista. Abaixo, alguns dos discípulos de Bastos que defendem os mensaleiros:

 

Por Reinaldo Azevedo

 

Serra, Lula, a UNE e a normalização do absurdo na política brasileira

Vamos começar essa história com aquele “ai, ai…” A UNE (União Nacional dos Estudantes) convidou para um mesmo evento o tucano José Serra, candidato à Prefeitura de São Paulo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Caso Serra ceda à eventual tentação, já sabe o que o espera… Leiam o que informa Daiene Cardoso, no Estadão Online. Volto depois:

Após o convite ao candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, nesta sexta, foi a vez de os dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) convidarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar do ato de início das obras da nova sede da entidade, no Rio de Janeiro. Em um encontro que durou quase duas horas na sede do Instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente não garantiu presença ao evento do dia 11 de agosto. “Ele disse que está com muita vontade de ir, mas é uma questão de saúde que se impõe em qualquer agenda que ele marque”, explicou Daniel Iliescu, presidente da UNE.

Na última quarta-feira (25), os dirigentes estudantis convidaram José Serra para o evento, mas o tucano também não confirmou presença. Serra foi presidente da entidade em 1964, época em que o prédio que abrigava a UNE foi incendiado por agentes da ditadura militar. Segundo Iliescu, mais de 30 ex-presidentes da entidade estudantil foram convidados para o ato por “fazerem parte da história da UNE” e, independentemente dos vínculos com o movimento estudantil dos convidados, Lula é considerado um “amigo” da entidade e uma figura acima dos que lideraram a UNE. “Lula tem um papel incomparável com qualquer outra liderança que o Brasil produziu neste período”, argumentou o dirigente. “A UNE identifica o Lula como uma pessoa fundamental para a história do Brasil e para os avanços na educação, na valorização da nossa gente”, completou.

Iliescu disse que a UNE é uma entidade suprapartidária e que vê com naturalidade o desconforto entre os petistas após o convite a Serra. “Assim como o Serra foi convidado e isso desagradou muitas pessoas, a notícia que o Lula foi convidado pode desagradar outras pessoas. Mas a UNE é muito maior que tudo isso, não é uma entidade de um só partido, da esquerda ou da direita”, afirmou.

No final de seu mandato, em dezembro de 2010, Lula autorizou a liberação de R$ 40,6 milhões para a construção de uma nova sede da UNE. “Ele foi o presidente que teve a dignidade de reconhecer os crimes cometidos pelo Estado contra a UNE”, justificou Iliescu.

Voltei
A política no Brasil chegou a um tal grau de delinquência intelectual e se perderam de tal sorte os referenciais que o fato de a UNE, uma entidade que deveria ser suprapartidária, convidar José Serra para uma solenidade é tratado como notícia, algo a provocar espécie, como se alguma contradição estivesse no ar…

Por que estaria? Serra era o presidente da UNE quando houve o golpe. Teve de se exilar porque seria preso. Fugiu para o Chile, onde foi colhido por outro golpe, o de Pinochet, em 1973. Foi preso e foi parar no Estádio Nacional, de onde muitos partiram para a morte. Seria o seu destino certo, não tivesse conseguido fugir — uma fuga quase impossível, mas que aconteceu.

Não fossem a degradação de valores e a depredação da história e de biografias a que o PT submeteu, respectivamente, o país e as lideranças que não se submeteram ao seu tacão, é evidente que o convite seria considerado mais do que normal, obrigatório até. Afinal, dadas as bandeiras históricas da UNE e a biografia de Serra, quem mereceria estar lá mais do que ele? Mas notem: o presidente da UNE, que é do PCdoB, tem de se ajoelhar no milho e de declarar a superioridade de Lula, sua quase santidade. Vale por um pedido de desculpas!!!

Serra vai?
Só vai se quiser ser vaiado e ver a imagem cair imediatamente na rede financiada por pelos governos petistas e pelas estatais.

Vivemos a era da normalização dos absurdos. Ou não vimos a presidente Dilma, em Londres, tratando da eleição do prefeito de São Paulo numa reunião com o dono de uma emissora de TV?

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 21:46

“Você está assistindo ao “Jornal da Globo”… Na Record???

Já havia acontecido antes. E, agora, de novo! Parece que Ana Paula Padrão ainda não, como direi?, introjetou o fato de trabalhar na TV Record. Vejam isto.

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 21:17

Ameaçado de cassação, governador do Acre reclama de fiscalização eleitoral

Por Freud Antunes, na Folha Online:
Ameaçado de perder o mandato em razão de processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o governador do Acre, Tião Viana (PT), ficou irritado com ação da Polícia Federal para coibir irregularidades nas eleições deste ano. Segundo o secretário de Segurança do Estado, Ildor Graebner, o governador ficou incomodado com a presença muito próxima de um grupo de supostos agentes da PF que realizavam filmagens de sua comitiva em um evento do governo há 15 dias, em Cruzeiro do Sul (640 km de Rio Branco). O delegado da PF Alexandre Silveira confirmou a realização no Estado de “acompanhamento velado” de todas as reuniões políticas e eventos eleitorais, para evitar irregularidades.

O governador Tião Viana disse que houve um mal-entendido por parte dos agentes que estavam realizando as imagens do evento em Cruzeiro do Sul. ”É assunto tranquilo. Foi, no máximo, imaturidade dos agentes”, afirmou. O petista disse ser favorável à fiscalização e afirmou ter recebido esclarecimentos do Ministério Público. 
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 21:10

O Crepúsculo dos Deuses

Há uma boa chance de o mundo já ter acabado, e ninguém ter nos avisado — a mim ao menos. Com esse negócio de redes sociais, foi impossível o caso, como é mesmo?, Robert Pattinson/Kristen Stewart não saltar na tela do meu computador. É o casal da, como se diz, “saga Crepúsculo”, um troço qualquer ligado a vampiros, não sei bem e não vou pesquisar. A foto da dupla está em todo canto. Parece que a moça lhe pôs uns cornos vistosos, para todo mundo e todo o mundo ver, com um diretor de cinema (a imagem do Ricardão sugere muitos miligramas a mais de testosterona do que a do titular). Leio na VEJA Online que ela se arrependeu, mas o traído se sentiu humilhado e pensa em exigir desculpas públicas. Ah, bom! Com desculpas, vá lá… O mundo, segundo entendi, está profundamente dividido a respeito.

O que aconteceu com a humanidade, hein?

“Crepúsculo?” Só se for o “dos deuses”, nome em português do magnífico “Sunset Boulevard”, de Billy Wilder. O filme é de 1950. E isso quer dizer que, há 62 anos, já se disse no cinema tudo o que poderia ser dito sobre fama, glória, decadência e misérias íntimas. O roteirista Joe Gillis (William Holden) se acoita, fugindo de credores, na casa da atriz Norma  Desmond (Gloria Swanson), uma ex-estrela do cinema mudo que alimenta o sonho de voltar ao topo. Quem viu sabe por quê. Quem não viu tenha a chance: dá tudo errado — vejam como.

Ninguém foi tão duro com a fama e com a cultura da celebridade como… Hollywood, e isso num tempo em que ela durava mais do que 15 minutos.

Vamos ver se Pattinson acolhe o chifre e perdoa Kristen etc e tal. Depois do que vi hoje na abertura dos Jogos Olímpicos… Começou com Shakespeare e quase acaba tudo num rap, assim, multiculturalista, não fosse Paul McCartney… É o Shakespeare possível.

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 19:39

Mensaleiros em ação – Gilmar Mendes: “Pensei que eles fossem me acusar de ter matado Celso Daniel…” Ou: Atenção, ministros do STF: A quadrilha os está chantageando! Ou vocês fazem o que ela quer ou ela promete difamá-los

O jogo é pesado! Aquele negócio que se confunde com imprensa e que hoje atua a serviço do petismo, do governismo e dos mensaleiros perdeu a noção de qualquer limite. Nadando na dinheirama de governos petistas e das estatais e certa da impunidade — apostando, de resto, na lentidão da Justiça —, essa gente publica qualquer coisa, o que lhe der na telha, o que o chefe mandar.

A Carta Capital, comandada pelo notório Mino Carta, cuja independência é conhecida, certo? — resolveu anunciar a existência de uma suposta lista de beneficiários do chamado “mensalão mineiro”. Nela estariam o ministro Gilmar Mendes (claro!), a Abril (por que não? Duas parcelas de R$ 49,5 mil!!!), ministros de FHC e o próprio ex-presidente.

É estupefaciente! Há indícios de que o papelório foi forjado pela mesma quadrilha que falsificou a lista de Furnas. Saibam os senhores: bandidos estavam tentando emplacar essa nojeira na imprensa séria faz algum tempo. Todos sentiram o cheiro da farsa e caíram fora. Menos a “Carta Capital”, que, afinal, tem uma missão. Exatamente porque conhece o cheiro da farsa.

O jogo é conhecido. A revista lança a porcaria,  a rede suja na Internet, igualmente financiada por dinheiro público, encarrega-se de pôr a coisa pra circular, a difamação se espalha, gera movimento e, depois, ninguém mais fala do assunto. Trata-se de um último esforço para tentar tirar Mendes do julgamento do mensalão.

Eu não sei qual será o voto do ministro. Só ele sabe. Se Zé Dirceu tem motivos para temê-lo — daí o esforço para tirar o ministro do julgamento —, não deve ser diferente com Marcos Valério, certo? Nessa perspectiva, ele próprio poderia desejar o mesmo. Não obstante, sua defesa divulgou uma nota, que reproduzo abaixo. Volto em seguida:

NOTA À IMPRENSA
A defesa de Marcos Valério Fernandes de Souza manifesta sua perplexidade com o teor de matéria publicada nesta data pela Revista Carta Capital. Trata-se, lamentavelmente, de reportagem baseada em documentos e informações falsas. Ao que tudo indica, documentos provavelmente produzidos por pessoa notoriamente conhecida por seu envolvimento em fraudes diversas em Minas Gerais, que recentemente esteve preso acusado de estelionato e que, inclusive, seria beneficiado, de forma no mínimo curiosa, no próprio documento falsificado.

A defesa de Marcos Valério reitera seu respeito e confiança no Poder Judiciário, especialmente no Supremo Tribunal Federal, manifestando seu repúdio a qualquer dúvida que seja levantada sobre a credibilidade, a capacidade jurídica e a imparcialidade do Ministro Gilmar Mendes. Trata-se de magistrado que exerce suas funções de forma exemplar, dignificando seu exercício no Pretório Excelso.

Repita-se: a matéria baseia-se em documentos e informações falsas, cujo teor são veementemente rechaçados por Marcos Valério Fernandes de Souza. Os dois documentos constantes da publicação não foram produzidos ou assinados pelo mesmo, parecendo ser mais uma montagem do conhecido falsário.

Marcos Valério aguarda, com serenidade, o início do julgamento da Ação Penal nº 470 pelo Supremo Tribunal Federal.

Belo Horizonte, 27 de julho de 2012
Marcelo Leonardo
Advogado Criminalista e defensor de Marcos Valério

Voltei
O curioso é que a lista reproduzida na revista não traz o nome do ministro, apresente só na peça difamatória que circula na Internet. Até onde essa gente pode ir, alimentada com dinheiro público? Eis uma boa questão. Falei há pouco com o ministro. Não resta outra reação que não a ironia:
“Nossa! Que coisa! Cheguei a pensar que eles fossem me acusar de ter matado o prefeito Celso Daniel… Mas acho que eles sabem que não fui eu, como sabem que essa lista é uma farsa, coisa de bandidos!”

STF refém
A quadrilha que faz essas coisas está mandando um recado aos ministros do Supremo: aqueles que não votarem “direitinho” poderão ser vítimas da rede de difamação. E, como a gente vê, eles não distinguem verdade de mentira.

Que coisa asquerosa!

Esse mercado deve operar mais ou menos com a lógica vigente no submundo dos matadores de aluguel, cangaceiros e pistoleiros. A depender do serviço, sobe o preço. Tudo bem! O dinheiro público dá conta do recado. É um saco sem fundo. Tudo vale a pena se a grana não é pequena.

De resto, havendo uma condenação na Justiça, tem quem paga: nós!

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 18:24

Abertura dos Jogos Olímpicos é uma das coisas mais horrorosas de todos os tempos. O bom é que os locutores da Record ficam em silêncio…

Estava vendo a abertura dos Jogos Olímpicos. Estava. Parei. Não me lembro de nada tão horroroso no gênero. Vibre quem quiser. O Ocidente acabou, ao menos na Inglaterra. É, assim, a apologia da cultura da Internet com o multiculturalismo bocó. Segundo entendi, o rap é hoje a grande manifestação cultural do país. Ao fim de uma coreografia que inaugura a cafonice pós-moderna, aparece Tim Berners-Lee, que é considerado o criador da Internet. Huuummm… A mensagem é esta: o mundo está em rede. Bacana! Há ameaça de processo para quem transmitir imagens dos jogos pelas redes sociais. A transmissão da Record tinha ao menos uma coisa positiva enquanto estava vendo: faz-se de grandes silêncios. Como parece que a turma não está entendendo nada, então nada se diz, nem para tentar explicar aquelas alegorias. Quando se resolveu falar, ouvi algo assim: “A Grécia espera ter um bom resultado na Olimpíada porque vive uma crise econômica sem precedentes, e isso ajudaria a elevar o astral da população”.

Entenderam por que o silêncio é um poema?

Mas volto. Estou certo de que, na abertura ao menos, o Brasil vai fazer bonito quando chegar a sua vez — desde que renuncie à tentação da bundalização. A gente tem experiência em Carnaval. Ninguém nos vence no samba do crioulo doido. Para lembrar um trechinho:

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 17:38

Na Economist, a Justiça e as ratazanas. Ou: O mensalão e a questão da impunidade. Ou ainda: Atenção, senhores ministros!

Sempre que a revista inglesa The Economist deu alguma notícia positiva sobre o Brasil, os petistas saíram por aí batendo bumbo. Desta vez, eles ficaram caladinhos. A publicação traz um texto sobre o julgamento do mensalão. Segundo diz, o impacto político imediato é pequeno, mas o evento contribui para diminuir a cultura da impunidade. Huuummm… Depende. Se for todo mundo inocentado, pode-se ter o contrário, não é mesmo?

De cara, a Economist lembra que a má reputação (“sleazy”, também “sujo”) não tem sido empecilho para que políticos se elejam no Brasil. Cita os ocaso de Fernando Collor, o impichado, que voltou ao Senado, e de Paulo Maluf, que, “acusado de roubo (…), é agora congressista”. A revista atribui a impunidade ao fato de que o Parlamento precisa dar licença para que seus membros sejam processados e à prerrogativa de foro (são julgados pelo supremo). Pode não ser bem assim, mas é fato que a impunidade existe.

Dado esse contexto, a revista classifica de “raridade” o julgamento do mensalão. E sintetiza o caso: “o PT desviou dinheiro de verba oficial de publicidade e de fundos de pensão controlados por estatais para pagar parlamentares de partidos aliados, em troca do seu apoio”. A revista lembra que o escândalo veio à tona em 2005 e está no Supremo desde 2007. E assim encerra o parágrafo: “Only now are the judges ready to try it.” Ou: “Só agora os juízes estão prontos para julgá-lo”. É uma constatação de espanto pela demora, é claro!

O caso relatado em língua estrangeira parece nos envergonhar de modo especial porque fica faltando aquela melodia com que, “nestepaiz”, já se naturalizou o escândalo. Leiam este trecho:
“The defendants face a range of charges including corruption, conspiracy, embezzlement, money-laundering and misusing public funds. Some admit they helped finance political parties off the books, which is illegal but common in Brazil. Others deny any role in the illicit payments.” Ou: “Os acusados enfrentam acusações como corrupção, formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. Alguns admitem ter ajudado a financiar partidos com caixa dois, o que é ilegal, mas muito comum no Brasil. Outros negam qualquer relação com os pagamentos ilegais”. Olhe aí, Delúbio: tente a expressão em inglês para “recursos não-contabilizados”: “off the books”…

É evidentemente desagradável a gente ter de se deparar com o olhar estrangeiro — e preciso! — sobre o nosso país: “o que é ilegal, mas muito comum no Brasil” (which is illegal but common in Brazil). Vale quase como um emblema.

A Economist observa que o julgamento do mensalão não terá grandes consequências políticas, especialmente para a presidente Dilma porque ela não é próxima dos acusados. Sua virtude seria contribuir para diminuir a cultura da impunidade, já que os políticos, diz, abusam de sua imunidade para cometer crimes. Faz sentido. Mas é claro que isso depende do resultado, não é?

O texto não deixa de ser otimista com o país, que estaria mais transparente hoje do que antes, Trata-se de uma afirmação controversa, acho eu, não ancorada em fatos. Será mesmo mais difícil ser corrupto hoje do que há 15 anos, como afirma um dos entrevistados pela Economist? O caso Delta parece demonstrar que não! Ou este não é o país que inventou uma lei especial só para tocar as obras da Copa e do PAC, que estão praticamente imunes à investigação?

Pois é… O mundo está de olho no Supremo. É óbvio que o julgamento, por si, não significa nem avanço nem recuo da impunidade. É o seu resultado que vai definir uma coisa e outra. Os 11 do Supremo estarão decidindo se existe ou não pecado entre o Oiapoque e o Chuí.

Vamos ver se será a Justiça a vencer as ratazanas ou o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 16:23

Dilma admite que tratou, em Londres, de eleição em SP com dono de emissora de TV. “Eu estava brincando.” Ela tem um conhecido senso de humor

Não fosse o país estar narcotizado há muito pela droga do petralhismo, que destrói a inteligência, o bom senso e, com frequência, a vergonha na cara, é claro que o assunto mereceria o tratamento de escândalo. Dilma Roussef está em Londres em visita oficial. Lá chegou como presidente da República. Embarcou no avião presidencial para cuidar dos interesses do país.

Decidiu visitar as instalações da Rede Record, que transmite os jogos. Reuniu-se com o dono da emissora, Edir Macedo, que também tem uma igreja — a Universal do Reino de Deus — e um partido: o PRB, cujo presidente estava presente. E tratou do quê? Da eleição em São Paulo, conforme revela a Folha na edição de hoje. E como o fez? Recomendando que o partido do dono da emissora e da igreja não se aliasse, de modo nenhum, à oposição.

E a muitos a coisa toda pareceu corriqueira. Imaginem, sei lá, um presidente da República de um outro partido que mantivesse esse tipo de conversa com algum dos acionistas da Rede Globo. Os batráquios a soldo saíram clamando pelo “controle social da mídia”.

A própria Dilma sabe que foi muito além do razoável. Tanto é assim que decidiu falar sobre o assunto nesta sexta. Leiam trecho do que informa Leandro Colon, na Folha Online. Volto depois:

A presidente Dilma Roussef confirmou nesta sexta-feira (27) que, em uma reunião privada ontem em Londres, fez uma recomendação ao presidente do PRB, Marcos Pereira, para não fazer acordo com a oposição nas eleições municipais. Incomodada com o vazamento da conversa, a presidente tentou minimizar o episódio, e disse que o diálogo foi em tom de brincadeira.

“Ele introduziu a questão dizendo que preferia fazer acordo com os partidos da minha base. Eu falei ‘ótimo, você não faça acordo com a oposição’, e ri pra ele. Foi uma conversa absolutamente fora do contexto, era uma brincadeira”, disse, em entrevista coletiva em Londres.

“Não estávamos discutindo isso. Foi comentado e eu brinquei com ele. Eu não faço nenhum pedido neste sentido, ele que faça o acordo com quem ele achar que deve”, disse. “Porque eu tenho que discutir quem faz aliança com quem?”.
(…)

Comento
O senso de humor de Dilma Rousseff é um troço famoso, conhecido, não é mesmo? Eles perderam completamente a noção de limites. O estado é, definitivamente, tratado como assunto privado do petismo.

É claro que lá entre eles também há divergências. Mas que fique claro: são sempre divergências sobre a melhor maneira de manter esse estado capturado. Uma emissora de televisão é uma concessão pública, que recebe alguns milhões de verba oficial de propaganda. Trata-se de uma relação absolutamente imprópria. Nunca antes na história nem do lulismo se viu algo assim…

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 15:52

Dirceu, o socialista-revolucionário que virou “consultor” dos capitalistas, manda imprimir opúsculo em papel cuchê para distribuir aos simples de espírito

Eu quero dizer pra vocês que José Dirceu, o chefe de quadrilha (segundo a PGR), não é, como se diz lá em Dois Córregos, pouca porcaria, não, viu? Ainda bem que este socialista revolucionário de linha cubana do Molipo (Movimento de Libertação Popular) se tornou especialista em capitalismo e virou um “consultor de empresas privadas” de ascensão meteórica e sucesso estratosférico. Certamente conseguiu juntar à fama que já tinha também a fortuna. Afinal, um “parecer” de José Dirceu é um parecer, né?

Pois bem. O Zé mandou imprimir um opúsculo de 16 páginas (imagem acima), em papel cuchê, caro pra chuchu, com uma versão reduzida de sua defesa. É, assim, uma espécie de “Catecismo Dirceuzista para os Simples”. Quem não sabe direito do que se está falando ali pode até se impressionar. Se algum ministro do STF se deixar tocar, estejam certos que não é por causa do que vai ali,

Num dado momento, como evidência da inocência do agora consultor, lê-se o seguinte:
“A ação foi aceita [pelo Supremo Tribunal Federal], mas com a ressalva de que caberia ao Ministério Público provar as graves acusações”.

Huuummm…

É uma tentativa de enganar o desavisado. Quando o STF aceita ou recusa uma denúncia, ele o faz analisando apenas os chamados indícios de crimes. Se fosse um juízo sobre as “provas”, a sessão de acolhimento ou recusa já seria um julgamento.

Isso é retórica malandra. O trecho sugere, pois,  que a denúncia foi aceita sem provas quando não se cuidou disso, numa fase em que se analisava apenas se havia ou não indícios. Não houvesse, tudo teria morrido na saída, e o inquérito nem teria sido instaurado.

Nada como tentar usar a ignorância alheia como aliada. 

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 15:25

Caminhada no Rio convoca sociedade para acompanhar julgamento do mensalão

Uma manifestação marcada para o domingo, no Rio, tentará chamar a atenção da sociedade para acompanhar o julgamento do mensalão. O ato é organizado pelo Movimento 31 de Julho contra a Corrupção e a Impunidade. Estão previstas uma caminhada no calçadão do Leblon e de Ipanema, na zona sul, e a distribuição de um bolo que comemora o início do julgamento.

A concentração para a caminhada será em frente à rua Rita Ludolf, no início da praia do Leblon, às 10h. A marcha começa às 11h e seguirá até o Arpoador.

Fundado há um ano, o Movimento 31 de Julho criou um blog para acompanhar o julgamento, o De Olho no Mensalão” (http://deolhonomensalao.wordpress.com/). A página na internet vai reproduzir artigos, publicações relevantes sobre o julgamento e os movimentos principais do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao longo do ano, o grupo participou das manifestações contra a corrupção e pela aprovação da Lei da Ficha Limpa. O Movimento 31 de Julho comemora o início do julgamento e avalia que, no último ano, “a 
sociedade brasileira perdeu a paciência com a corrupção e a impunidade”.

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 15:20

A construtora companheira – Laranja da Delta movimentou R$ 9,2 milhões em três anos

Por Hugo Marques e Gabriel Castro, na VEJA Online:

Novos dados em poder da CPI do Cachoeira mostram que uma empresa de fachada usada pela construtora Delta recebeu, entre 2008 e 2010, 9,2 milhões de reais. A GM Comércio de Pneus, com sede em Goiânia, só existe no papel. As informações em poder da Comissão Parlamentar de Inquérito também revelam que de 2008 a 2010 saíram das contas da GM 13,9 milhões de reais.

No mês passado, VEJA revelou como a companhia obteve da Delta, ligada ao contraventor Carlinhos Cachoeira, mais de 6 milhões de reais entre novembro de 2009 e maio de 2010. 

A GM pertence ao policial civil aposentado Alcino de Souza, que encaminhava os recursos a Fabio Passaglia. O empresário é ligado aos ex-governadores Íris Rezende e Maguito Vilela, as duas maiores lideranças do PMDB em Goiás. Alcino afirmou a VEJA receber 1 500 reais por mês para manter em seu nome a empresa laranja. Ele disse que sacava os valores em nome da empresa, colocava o dinheiro em malas e entregava para Passaglia.

Fabio Passaglia também é dono da Terra Pneus e Lubrificantes, uma pequena loja em Goiânia. A movimentação financeira da companhia chama a atenção: entre 2007 e 2010, a companhia recebeu 25 milhões de reais e gastou 30 milhões – a maior parte desses valores apareceu de forma misteriosa nas contas da empresa, já que a receita bruta da Terra no período foi de mais de 12 milhões de reais. 

As informações repassadas pela Receita Federal à CPI do Cachoeira são resultado de um pedido de quebra do sigilo fiscal da empresa, solicitado pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR). Os dados reforçam a suspeita de que a GM e a Terra eram algumas das dezenas de comphias usadas pela Delta para esconder o destino de parte dos recursos arrecadados pela construtora.

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 8:15

LEIAM ABAIXO

— Saibam quem é a musa das esquerdas, particularmente do petismo, que comanda o achincalhamento da Polícia Militar de SP, com a colaboração de setores da imprensa paulistana e TVs;
— 
Olhem aí, paulistas e brasileiros! A isto foi reduzida uma das polícias mais eficientes do país! Ou: Flagrantes de um linchamento com ares de campanha eleitoral;
— 
Segundo presidente do PRB, Dilma debateu eleição de SP com Edir Macedo em Londres; o alvo era… Serra! E a imprensa brasileira tenderá a achar isso normal, querem apostar?;
— 
Secretário de Segurança de SP recorre à Corregedoria contra procurador. E faz muito bem! Inédito: o tal procuradores “dá prazo” para governador fazer o que ele quer. É espantoso!;
— 
Que tal usar com a Cracolândia de SP o mesmo critério com que se analisa a instalação de UPPs no Rio?;
— A carta do comandante-geral da PM de SP e as verdades que a imprensa engajada tenta omitir. Ou: 100 mil jornalistas seriam, no conjunto, mas decentes do que 100 mil policiais?;
— 
Em defesa, Dirceu nega o mensalão e faz de Delúbio, mais uma vez, o cobre de plantão;
— Drogas – O Brasil não é o “Posto 9” de Ipanema, senhores do “É Preciso Mudar”! Ou: Campanha tem de deixar claro o que pretende e parar de enganar os telespectadores;
— Mensalão – Roberto Jefferson é internado para cirurgia de retirada de tumor;
— 
Em ano eleitoral, PAC 2 aumenta ritmo de investimentos;
— 
Os Amigos do Marcola – Petralhas, setores da imprensa, Ministério Público, Defensoria e, indiretamente, governo federal se juntam para atacar Segurança Pública de SP. Eles têm preconceitos e agenda política; eu tenho os números e os fatos;
— 
Petralha comemora homicídios em SP; demonstro com dados que estado e sua capital apresentam os melhores números do país;
— 
Conforme eu queria demonstrar: EUA e Al Qaeda atuam do mesmo lado na Síria… Não é bom, garanto!;
— 
Meu coração quase sai aplaudindo Erenice Guerra, como fez aquela gente estranha… Ainda bem que decidi, antes, pensar um pouco…;
— 
Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo tem uma pergunta para os advogados do PT:  “Cuma, inselenças?” E Mussum mangaria: “Só no forévis!!!”

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 7:49

Saibam quem é a musa das esquerdas, particularmente do petismo, que comanda o achincalhamento da Polícia Militar de SP, com a colaboração de setores da imprensa paulistana e TVs

Vamos lá! Como é mesmo? O segredo de aborrecer é dizer tudo, certo? Então sigamos o que parecia ser mais do que uma constatação de Voltaire: tratava-se mesmo de uma recomendação. Uma das mais severas críticas da Polícia Militar de São Paulo é a defensora pública Daniela Skromov. Aquilo que os petralhas chamam “mídia” gosta dela. No post abaixo deste, vocês leem uma síntese sobre a audiência pública de achincalhamento da Polícia Militar realizada ontem. A moça tem vocação para estrela. E agora entendo melhor por quê. Já explico.

Na ação da Prefeitura e do governo do Estado para devolver a região conhecida como “Cracolândia” aos paulistanos, a defensora pública Daniela agigantou-se como crítica da operação. Foi mais longe: tentou mesmo impedi-la legalmente. Uma rápida pesquisa da Internet — e como esta ferramenta me ajudou nesta madrugada! — demonstra o que fez e o que pensa a moça. E demonstra mais do que isso! Sim, paulistas, ela é paga para defender os seus direitos. Mas tem uma agenda!

Daniela era e é contra a retirada dos viciados daquela região, que havia sido privatizada pelos viciados. Leiam o que ela afirmou e vejam se este sotaque ideológico lembra alguma coisa ou algum partido:
“A ação não traz nenhuma novidade operacional. Não é uma prática nova, isso que vimos aqui. É uma reinvenção da roda. Na verdade, o que existe é a intenção de uma valorização imobiliária da região central, e isso é um dos fatores que move essa ação de limpeza social”.  “Limpeza social”? No local, foi criado o maior centro de atendimento a viciados em crack do país.

A moça, que voltou ontem a espancar a PM — acusando a instituição de praticar assassinatos de maneira metódica —,  foi coautora de um habeas corpus preventivo de um viciado em crack para que ele não pudesse nem mesmo ser abordado pela PM. E, acreditem!, foi bem-sucedida! E ela foi se animando. Aliás, deveria ser eleita também a musa daquela campanha, como é mesmo?, “É Preciso Mudar”. Daniela é contra tirar os viciados da cracolândia e também é contra a internação compulsória.

Ela explica por quê, poetizando, sempre de braços dados com a causa social e com a culpa da sociedade — menos dela própria, suponho. Leiam:
“Computamos na conta da droga o que a ela não poderia ser creditado: miséria, esfacelamento de laços, incapacidade de diálogo, desestruturas familiares, omissão estatal na implementação de políticas públicas contínuas. As causas são erroneamente tomadas como efeito da droga, que, não poucas vezes, é a saída colocada à disposição do indivíduo para a dor de uma realidade dura e nua.”

Libertária, ela vai além e considera o direito de o drogado se drogar — e, é óbvio, a obrigação de o Estado lhe dar casa, comida e roupa lavada. Leiam este grande pensamento:
“A autonomia de toda e qualquer pessoa, inclusive da pessoa que usa, abusa ou é dependente de drogas, é premissa no Estado Democrático de Direito. O mito de que o ‘viciado’ é alguém que não sabe o que quer se presta a legitimar invasões violentas. O autoritarismo se traveste de salvacionismo: é necessário proteger a pessoa dela mesma, importando menos o custo humano e psíquico que isso implica. A pessoa é usada como meio ‘para o seu próprio benefício’ e em especial a socialmente vulnerável é vista como uma constante ameaça contra os outros e contra si própria, numa visão paternalista típica de regimes autoritários, na contramão do imperativo da autodeterminação do sujeito e da dignidade humana, bases da ordem democrática.
Em nome da defesa social, o direito penal é o único ramo do Direito, num Estado Democrático, legitimado a cercear gravemente a liberdade alheia contra a vontade do individuo.
A histórica omissão dos poderes públicos se transformou em histeria social: na busca para uma rápida solução para a chaga exposta, qualquer solução parece servir, desde que afaste o problema de nosso campo de visão.”

Respondam
Daniela, afinal, acha que se droga quem quer e ponto final, e o estado não tem nada com isso, ou acha que o drogado é fruto da “omissão do poder público”? Ela acha as duas coisas, pelo visto, ainda que sejam, em si, contraditórias. Foi a pessoa mais ativa na mobilização da imprensa paulistana contra a ação na cracolândia. A mesma imprensa que tomava a região como símbolo do descaso do poder público. Agora, ela se notabiliza por, ao lado do promotor Matheus Baraldi, comandar o trabalho de difamação da PM.

Mas eu entendo…
A nossa defensora de pensamento tão singularmente esquizofrênico pertence a uma linhagem de bravos. Uma escarafunchada na Internet me rendeu coisas bem interessantes. Se vocês clicaremaqui, entrarão numa página da Fundação Perseu Abramo, do PT, e encontrarão lá a reprodução de uma entrevista concedida por Paulo Skromov à revista “Teoria e Debate nº 63”. É tio de Daniela, irmão de sua mãe. Foi fundador do PT. E não um qualquer. Presidiu a mesa na solenidade que oficializou a existência do partido, no Colégio Sion. Hoje, o Skromov é coordenador do PT na macrorregião de Bauru (sim, inclui Dois Córregos, onde o partido não se cria…)

Lá vai o Reinaldo pegar no pé da moça porque o tio pertence ao núcleo fundador do PT e é um dos coordenadores da legenda no interior de São Paulo… Calma, gente apressada! O pai de Daniela, o pediatra Ernesto Ferreira Albuquerque, o Dr. Ernesto,  é filiado ao PT, desde 1992.  É vereador em segundo mandato na cidade de Avaré. Elegeu-se a primeira vez em 2000 e, depois, em 2008. A filiação de sua mãe ao partido é ainda mais antiga, quase junto com o irmão: desde 1983. Já concorreu à Câmara Municipal de Avaré duas vezes, mas não se elegeu.

“Reinaldo, isso ainda não quer dizer nada… Tá, sobrinha de um medalhão do PT, filha de um vereador petista e de uma militante do partido…” Vejam a foto abaixo, que encontrei no jornal “Avaré Urgente”. Pai e mãe ladeiam a filha ilustre, premiada na Câmara Municipal de São Bernardo, por iniciativa de petistas, por conta da atuação da moça na… Cracolândia. ORA, GENTE, É CLARO QUE FAZ SENTIDO, NÃO? UMA DEFENSORA NASCIDA EM AVARÉ SER PREMIADA NA CÂMARA DE SÃO BERNARDO, POR INCIATIVA DE PETISTAS, POR CONTA DE SUA ATUAÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO é a coisa mais comum do mundo. Mais corriqueiro do que isso só mesmo jabuti em cima da árvores cantando: “Eu quero tchu, eu quero tchá, eu quero tchu, tchá, tchu, tchá, tchá…”

 

Mas como sei que existem almas que sempre querem mais, eu fui além. No dia 4 de fevereiro, foi a estrela do lançamento de mais um site petista, participando de um debate ao lado do vereador Jamil Murad, do PCdoB, e do padre Julio Lancelotti, aquele… O tema? Cracolândia, ora essa!

No dia 18 deste mês, foi protagonista do debate “Violência de Estado, Extermínio da Juventude Negra e Genocídio da Juventude Negra”, promovido pelo Fórum do Hip Hop, da ONG petista “Nossa São Paulo”. E disse ali aquela que certamente é a maior de todas as suas barbaridades:
“São Paulo mantém um média oficial que gira em torno de 500 a 600 mortes cometidas por policiais anualmente, número maior que o total de mortes oficiais cometidas por agentes do Estado durante todo o período da ditadura, isso no Brasil”.

Preciso ver se o número é esse mesmo. De todo modo, no ano passado, a PM realizou 35 milhões de intervenções, 12 milhões de abordagens e efetuou 128 mil prisões em flagrante. Qual é o índice dos outros estados? A comparação com os mortos do Regime Militar, lamento, é evidência de delinquência intelectual sem par. Posso entender que Daniela considera que o governo de São Paulo é mais nefasto do que a ditadura? Ela já não é tão jovem. Aos 37 anos, não tem mais o direito de ser tão tola.

O governo daquela gente que ela aplaude e com a qual a sua família — e, tudo indica, ela própria — mantém afinidades eletivas assiste a 50 mil homicídios dolosos por ano! Cinquenta mil, moça! Lembro de novo: se os índices do Brasil fossem iguais aos de São Paulo, salvar-se-iam 30 mil vidas por ano. Mas ela não quer saber. Afinal, como resta claro, tem uma agenda.

Alguém duvida do que está em curso em São Paulo? Poderia ser com o silêncio cúmplice da imprensa, e já seria grave. Mas é com a sua conivência barulhenta.

PS – Nada de ofensas pessoais à dona Daniela Skromov! Deixemos para ela e seus companheiros de audiência pública as acusações irresponsáveis. É possível dizer o que tem de ser dito sem recorrer à baixaria que tão bem caracteriza o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista).

Texto publicado originalmente às 7h20

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 7:45

Olhem aí, paulistas e brasileiros! A isto foi reduzida uma das polícias mais eficientes do país! Ou: Flagrantes de um linchamento com ares de campanha eleitoral

Baixaria, estupidez, ilegalidade, maluquice, violência retórica, acusações levianas, proselitismo político, campanha eleitoral, agressões gratuitas. Essa é a síntese, como vocês verão, da chamada “audiência pública” realizada ontem no auditório do Ministério Público Federal, em São Paulo, com a participação de outras entidades, notadamente a Defensoria Pública de São Paulo, representada pela buliçosa defensora Daniela Skromov de Albuquerque (post acima).

A estrela do dia foi o procurador Matheus Baraldi, do Ministério Público Federal. Com ampla cobertura da imprensa. Pior do que isso: endosso mesmo, no misto habitual de militância ideológica e ignorância de causa. Ele deu um prazo — sim,vocês entenderam direito! — de três dias para o governador Geraldo Alckmin mudar o comando da PM. Ou… Ou ele promete entrar como uma ação civil pública. “Mas o que o Ministério Público Federal tem a ver com essa história?”, poderia se perguntar alguém. Rigorosamente nada! Este senhor exorbita claramente de suas funções. Baraldi, já disse, é imodesto! Ele quer nada menos do que uma intervenção federal em São Paulo porque, segundo ele, o comando da PM perdeu o controle dos soldados. É inacreditável! Ainda que o segundo semestre repita o primeiro em números de homicídios, o Estado fechará o ano com 11,4 homicídios por 100 mil habitantes, o que coloca o estado nas últimas posições — se é que não será a última — no ranking nacional.

Não, senhor Baraldi! Os companheiros terão antes de ganhar as eleições. Se ganharem, levarão!

O procurador deveria estar preocupado em saber como andam as nossas fronteiras, por onde entram armas que não fabricamos e cocaína que não produzimos. Mas não! Ele queria aplauso. E o circo foi montado para isso. Uns pobres desavisados aceitaram participar da audiência para tentar demonstrar que as coisas não eram como se dizia ali. Foram linchados moralmente, chamados de “fascistas”, aos berros! Aquilo não passava de uma chacrinha eleitoral e eleitoreira.

Daniela afirmou que  a PM de mata pelas costas e se comporta como se estivesse numa guerra. Foi aplaudida. Não se contentou com isso, não! A polícia que, por ano, realiza mais de 300 mil resgates de pessoas em situação de perigo, foi acusada de prestar falsos socorros. A moça perdeu para Ivan Seixas, presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), que acusou o governo de São Paulo de ter uma política errada e criminosa. Num discurso que poderia ser entendido como incentivo à insubordinação, disse que os oficiais têm privilégios que não são garantidos aos praças (não me diga!) e que — agora vem a coisa muito grave — os policiais dispõem de um kit para incriminar as pessoas, composto de armas e drogas. Daniela e Seixas têm provas ou evidências do que dizem? Pra quê? Era uma sessão de linchamento da PM. Sabiam que teriam ampla cobertura da imprensa.

Um certo Rildo Marques de Oliveira, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, não teve o menor medo de ser feliz. Afirmou que o motivo da audiência pública era, vejam só, o aumento do número de homicídios e raciocinou, como quem relinchasse: se a economia cresceu, por que as pessoas estariam se matando? Uma boa pergunta a ser feita ao governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, não é mesmo? Mas ele tem a resposta: é que a PM estaria aplicando pena de morte… Ah, bom! Disse que homens que não aceitam participar de grupos de extermínio são demitidos. Pediu o fim da militarização da corporação e conclamou: “Não podemos ter militares de 1964!” Foi aplaudido de pé!

Calma, que está faltando coisa!

A Sheila, que representa uma entidade de defesa de Direitos Humanos no bairro de Sapopemba, acusou a existência de uma lista de adolescentes marcados para morrer na região — pela PM, é evidente! Mas longe mesmo foi Débora da Silva Maria, da ONG Mães de Maio. Mandou ver: “A Segurança Pública tem de ser extinta”. Segundo ela, jornalistas que falam a verdade sobre a PM são ameaçados. É mesmo? Quem?

Não podia faltar ao evento Ariel de Castro, diretor-presidente da Fundação Criança de São Bernardo. Ele é ligado ao prefeito da cidade, Luiz Marinho, que é do PT, vai se candidatar à reeleição e já foi nomeado por Lula candidato ao governo de São Paulo em 2014. Chamou os policiais de “bandidos de farda”. E a PM e o governo do estado seguiram apanhando, um verdadeiro pelotão de fuzilamento. O coronel Paes de Lira e o deputado estadual Major Olímpio tentaram fazer a defesa da corporação. Pra quê? Foram vaiados, chamados de fascistas, aos berros. Mal conseguiram abrir a boca. Ai vigorava a democracia deles. Ainda bem que a vereadora Juliana Paes, do PT!!!, estava lá para revelar a real natureza do evento. Acusou o governo do estado de “torturas contínuas”.

Fiz uma síntese das delinquências intelectuais e políticas lá ditas. E olhem que falta muita coisa! A PM, segundo o que se disse naquela audiência pública — excitada por uma campanha da imprensa contra a corporação e o governo do Estado como não vejo há anos —,  não passa de um centro de tortura, que está completamente fora do controle, existindo apenas para massacrar cidadãos honestos. Os policiais, segundo aqueles valentes, nunca morrem, só matam; nunca salvam vidas, só as condenam; nunca prendem bandidos, só se acovardam; não protegem a população, só a ameaçam.

São Paulo precisa urgentemente importar tecnologia do Rio — se não a de segurança (acho que não é o caso de dobrar os mortos por 100 mil), que seja ao menos a de marketing. Quando PM do Rio é assassinado, vira mártir e ganha carta de Dilma. Os PMs mortos de São Paulo valem menos do que cães sarnentos. Quando acontece abuso policial no Rio, trata-se a coisa como exceção; quando acontece em São Paulo, tem-se a suposta expressão de uma rotina.

Lá vou eu citar Caetano Veloso, para sua eventual chateação: este estado paga um certo preço por não olhar quem sobe e desce a rampa! Refiro-me à rampa do Planalto, é evidente. Até pensei se não seria o caso de importar, então, Sérgio Cabral. Mas acho que ele não se daria bem neste ambiente sisudo e sem charme de São Paulo. E Geraldo Alckmin não sabe dançar na boquinha da garrafa…

Texto publicado originalmente às 5h32

Por Reinaldo Azevedo

 

27/07/2012 às 7:35

Segundo presidente do PRB, Dilma debateu eleição de SP com Edir Macedo em Londres; o alvo era… Serra! E a imprensa brasileira tenderá a achar isso normal, querem apostar?

Leiam o que informam Catia Seabra e Leandro Colon, na Folha. Volto em seguida:

A presidente Dilma Rousseff fez ontem uma recomendação ao presidente do PRB, bispo Marcos Pereira: “Por favor, não me faça aliança com partidos que não são da base do governo”. O recado, relatado pelo próprio Pereira, ocorre seis dias após um jantar entre ele e o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra. Coordenador da campanha de Celso Russomanno (PRB), empatado tecnicamente em primeiro lugar com o tucano, Pereira se reuniu com Serra para selar um pacto de convivência durante as eleições. Pereira diz ter entendido a mensagem. “Ela fazia alusão ao encontro com Serra. Para bom entendedor, uma palavra basta.”

Foi Pereira quem abordou o tema durante visita da presidente aos estúdios da TV Record, em Londres, por conta da Olimpíada. Numa reunião reservada de Dilma com o dono da emissora, bispo Edir Macedo, e integrantes da cúpula da Record, Pereira perguntou a Dilma se ela participaria da campanha. A presidente, segundo ele, afirmou que pedirá votos onde já há polarização oposição versus governo, mas que vai esperar o cenário se desenhar nas cidades onde a base tem mais de um candidato.

Isso ajudaria Russomanno e Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, mantendo o ex-presidente Lula como o único cabo eleitoral de Fernando Haddad (PT). “Ela disse que tem três candidatos da base no primeiro turno e que vai aguardar. Isso é bom para nós porque ela está com a popularidade alta e muita gente votaria em seu candidato”, disse Pereira.
(…)

Voltei
O que lhes parece? Uma presidente da República, em visita oficial a Londres, encontra-se com o dono de uma emissora de televisão  e de um partido e discute… eleições municipais! Não uma discussão qualquer: tratou de estabelecer uma maneira de criar dificuldades para um candidato da oposição. Já seria uma indecência se o encontro acontecesse em terras nativas. 

A imprensa brasileira, especialmente a paulistana, anda tão fora de foco que é bem capaz de achar isso tudo normal. Mais do que normal. Haverá quem diga: “Que mulher danada, não!?”

As ratazanas certamente não pedirão, desta feita, “controle social da mídia”.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/07/2012 às 22:28

Secretário de Segurança de SP recorre à Corregedoria contra procurador. E faz muito bem! Inédito: o tal procuradores “dá prazo” para governador fazer o que ele quer. É espantoso!

Na VEJA Online. Volto em seguida.
O secretário estadual da Segurança Pública São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, afirmou nesta quinta-feira que vai acionar a Corregedoria do Ministério Público Federal (MPF) para que investigue a conduta do procurador que o acusou de perder o controle sobre as tropas da Polícia Militar. O procurador Matheus Baraldi Magnani disse, nesta tarde, que pretende abrir uma ação civil pública pedindo o afastamento o comando da PM.

Em nota divulgada pela SSP, Ferreira Pinto afirmou que as declarações do procurador coincidem com o ano eleitoral. Em outubro, serão escolhidos prefeitos e vereadores em todo o país. Em São Paulo, disputam a prefeitura o tucano José Serra, ex-governador, e o petista Fernando Haddad.

“A ideia propalada pelo procurador da República, de que a PM estaria descontrolada e teria que ter o comando substituído, é absurda e capciosa”, afirma o secretário. “A Polícia Militar é uma instituição preparada e  serve de referência a outras polícias do país. É evidente que, numa corporação com mais de 90.000 homens, erros acontecem.”

O secretário lembrou ainda de duas atribuições do governo federal no combate à criminalidade que o MPF tem obrigação de fiscalizar: “Espera-se que o MPF aja com eficiência contra duas das causas principais da criminalidade nos estados – o contrabando de armas e drogas que entram pelas mal patrulhadas fronteiras do país.”

As declarações do procurador foram feitas em audiência pública realizada pelo MPF, Defensoria Pública do Estado e órgãos de defesa dos direitos humanos, na sede da Procuradoria Regional da República, na região central da capital. “Caso o estado de São Paulo não troque imediatamente o comando, ajuizarei essa ação civil nos próximos dias”, afirmou Magnani. “É oportuno o momento para a troca do comando, mas não apenas isso. Também é necessária a luta pela mudança da estrutura ideológica de apologia ao uso da violência excessiva pelo estado.”

Magnani relembrou o caso do publicitário morto na semana passada durante uma abordagem policial. “Esse caso é gravíssimo, mas só vem a se acrescentar a outros casos tão ou mais graves quanto esse”, disse o procurador. “Esses casos são sequenciais e exigem uma resposta. O problema é estrutural. A perseguição a uma pessoa que não tinha nenhuma chance de escapar fala por si.”

O procurador também pretende encaminhar a representação para o procurador-geral da República, para que ele acompanhe a atuação da PM no estado pelos próximos doze meses. “O mero fato de haver novos órgãos investigando eliminará essa sensação de liberdade irrestrita por parte dos policiais.”

Questionado sobre a interferência da Justiça Federal em um assunto estadual, o procurador afirmou que se baseará em tratados internacionais de direitos humanos para fundamentar o pedido. “Esses tratados podem ser invocados em casos concretos. E essas questões são de competência da Justiça Federal”, afirmou. “As chances de êxito não dependem de mim, mas a tomada de decisão sim. A minha parte eu pretendo fazer.”

 Compareceram à audiência representantes de entidades civis, deputados estaduais, famílias de vítimas e integrantes da Polícia Militar. Em alguns momentos os ânimos ficaram exaltados entre os policiais e as famílias de vítimas. Alguns PMs chegaram a se retirar do auditório em sinal de protesto.

Voltei
É o mínimo que tem de ser feito. E, dessa história, segundo andei pesquisando, não se sabe ainda nem a metade.

Releiam o que vai aí no texto. Deve ser inédita na história do Ministério Público Federal uma iniciativa como a do Matheus Baraldi Magnani: “Ou o governador faz o que eu quero, ou eu vou entrar com uma ação”. Isso não existe! Não está em legislação nenhuma, em manual nenhum, em regimento nenhum!

Pior: o procurador dá uma entrevista coletiva para anunciar esse “procedimento”, em companhia de representantes da Defensoria, que, então, endossam a iniciativa. Dá para entender por que o Conselho do MP demitiu por 10 a 2 o sr. Magnani, pena comutada em suspensão de três meses: ele é chegado a procedimentos heterodoxos.

Temos agora um procurador da República que usurpa o poder do governador de estado, eleito pelo povo, e decide quem tem e quem não tem de ser demitido.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/07/2012 às 22:00

Que tal usar com a Cracolândia de SP o mesmo critério com que se analisa a instalação de UPPs no Rio?

Acabo de assistir no Jornal Nacional a uma reportagem — daqui a pouco, pode ser vista na Internet — sobre a Cracolândia, em São Paulo, orientada por uma pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A síntese poderia ser esta: a operação da Prefeitura e do governo foi inútil: os viciados só mudaram de lugar, e alguns já voltaram para a Cracolândia. O JN esqueceu de dar destaque ao Complexo Prates, construído no centro da cidade, para atender os viciados. Os números desse atendimento foram apenas lembrados na locução, quase a título de “outro lado”.

Vamos ver o que o Poder Público não pode fazer porque a lei não deixa:
– não pode prender os usuários;
– não pode obrigá-los a se tratar;
– não pode fazer a internação compulsória.
Se depender de setores do Ministério Público, da Defensoria Pública e da imprensa, os usuários estariam imunes até mesmo à abordagem policial e também não poderiam ser impedidos de privatizar.

Aí aparece um especialista lá da Unifesp. O nosso Arquimedes não teve receio de gritar “Eureka!”. Entendi que só mesmo o atendimento médico, o tratamento etc. e tal resolverão o problema. Não me digam! A ocupação da Cracolândia nunca buscou eliminar o vício. O objetivo era apenas voltar a garantir o direito de ir e vir num quadrilátero da cidade que havia sido privatizado por traficantes e usuários.

O paralelo que vem agora só não é perfeito por um detalhe relevantíssimo, para o qual chamarei a atenção. Vamos rever este vídeo.

Voltei
Como é mesmo? O objetivo das ocupações de morros e das UPPs, como sabemos, é recuperar território, não acabar com o narcotráfico. O objetivo é devolver alguma normalidade às chamadas “comunidades”, que é como se chama favela em carioquês castiço, e não prender bandidos. José Mariano Beltrame já disse isso algumas vezes, para aplauso e comoção de imprensa e ONGs. Queriam-no candidato ao Prêmio Nobel da Paz (é verdade, não hipérbole!).

A bandidagem fugiu da Vila Cruzeiro para o Alemão e de lá para as centenas de “comunidades” ainda não pacificadas. Uma parte foi, por exemplo, para a Niterói, o que fez explodir os índices de criminalidade na cidade. Aguardo, claro, a resposta ao que vou indagar agora: por que a dispersão de bandidos é considerada o aspecto inevitável do fato virtuoso — devolver à população uma área da cidade —, mas a dispersão dos viciados é, em si, um mal e prova do insucesso do retomada da Cracolândia? Algum bom argumento? Aguardo.

“AH, MAS SÃO COISAS MUITO DIFERENTES!” São, sim! Não há lei que impeça a polícia de prender os traficantes. Aliás, a lei impõe que prenda. Já os viciados da cracolândia são protegidos. Não podem ser presos. Temos uma lei antidrogas que o impede. Se depender da turma do “É Preciso Mudar”, eles serão intocáveis.

Tarefas
À Prefeitura de São Paulo e ao governo do estado cumpria impedir a privatização de uma área da cidade, como cumpre à polícia do Rio fazer o mesmo — nesse caso, falta “libertar” algumas milhares de “comunidades” ainda… À Prefeitura, cumpria oferecer um centro de tratamento. E ele está lá, como quer o especialista entrevistado.

A questão é tão importante que estaríamos diante de um bom momento para que se apresentasse, então, a solução alternativa, certo? Segundo entendi, tentar impedir que os viciados privatizem uma área da cidade não é uma coisa boa. Talvez o bom seja fazer o seu contrário… Também se defende tratamento aos viciados. Existe. Mas não pode ser compulsório.

O Jornal Nacional faz nesta semana uma série sobre as propostas para um novo Código Penal. Ele prevê a descriminação do consumo de drogas, como já observei. Substância para até cinco dias de consumo caracterizaria uso pessoal. A turma do “É Preciso Mudar” deve concordar…

Então ficamos assim: é preciso mudar, mas:
- sem desalojar usuários que privatizam áreas públicas;
- sem reprimir o simples consumo (tadinhos!);
- sem internação compulsória…

“É Preciso Mudar”, pois, para que tudo fique como está. Dispersão de traficantes, que podem ser presos, é uma boa política, quase uma obra de arte. Dispersão de viciados, que não podem, é evidência de erro e insucesso.

Encerro
Há cracolândias nas 27 capitais brasileiras e na maioria das cidades grandes e médias. O pecado de São Paulo foi tentar enfrentar a sua, oferecendo, reitero, tratamento médico. Quem faz bem é o governo federal. Existe uma cracolândia na Esplanada dos Ministérios (e isso não é metáfora do que se pratica dentro daqueles prédios). Falo de viciados mesmo. Nesse caso, não existem nem Polícia nem tratamento. Coisa de um governo progressista.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/07/2012 às 20:52

A carta do comandante-geral da PM de SP e as verdades que a imprensa engajada tenta omitir. Ou: 100 mil jornalistas seriam, no conjunto, mais decentes do que 100 mil policiais?

O coronel Roberval Ferreira França, comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, divulgou uma carta no Facebook que tem apenas um defeito. Embora seja a voz de seu comandante-geral, o texto deveria estar ainda mais claramente caracterizado com a voz da instituição. Tem de ser um documento oficial da PM. O texto é tão esclarecedor, diga-se, que poderia vir assinado também pelo secretário de Segurança e pelo próprio governador do estado. Leiam. Volto em seguida.

Carta ao Povo de São Paulo e do Brasil

A Polícia Militar defende e protege 42 milhões de pessoas que residem no estado de São Paulo. Para quem pergunta se a população confia na Polícia, os números falam por si: no último ano, atendemos a mais de 43 milhões de chamados de pessoas pedindo ajuda, socorro e proteção; realizamos 35 milhões de intervenções policiais, 12 milhões de abordagens, 310 mil resgates e remoções de feridos e 128 mil prisões em flagrante (89 mil adultos e 39 mil “adolescentes infratores”); apreendemos 70 toneladas de drogas e mais de 12 mil armas ilegais; recuperamos 60 mil veículos roubados e furtados. De janeiro a junho, a população carcerária do estado cresceu de 180 mil para 190 mil presos, o que representa 40% de todos os presos do Brasil.

O estado de São Paulo ocupa o 25º lugar no Mapa da Violência 2012, publicado em maio pelo Instituto Sangari e registra hoje uma taxa de 10 homicídios/100 mil habitantes, uma das mais baixas do país. Só para ilustrar, o Rio de Janeiro registra a taxa de 30 homicídios/100 mil habitantes, e Alagoas chegou à impressionante taxa de 73 homicídios/100 mil habitantes. Tudo isso parece incomodar muito algumas pessoas, que tentam, por várias medidas, atacar e enfraquecer uma das mais bem preparadas e ativas polícias do nosso país. Essas pessoas ignoram muitos fatos e verdades. Neste ano, tivemos mais de 50 policiais militares assassinados covardemente e temos hoje mais de 5 mil policiais militares que ficaram inválidos na luta contra o crime.

Mesmo assim, não iremos nos acovardar. A Polícia Militar de São Paulo continuará sendo a força e a proteção das pessoas de bem que vivem em nosso Estado. Como policial, tenho orgulho de fazer parte dessa grande instituição e, como comandante, tenho orgulho dos 100 mil profissionais que trabalham comigo na luta contra o crime.

Peço a todas a pessoas de bem que acreditam em nosso trabalho que divulguem essa carta.

Muito obrigado!!!

Roberval Ferreira França
Coronel PM
Comandante Geral

Voltei
Considero um dever passar essa carta adiante e tornar públicos os números sobre a atuação da Polícia Militar, que são, como pude apurar, verificáveis porque devidamente registrados. Notem: além do combate ao crime, nada menos de 310 mil resgates e remoções de feridos. Não há instituição no Brasil desse porte. Aliás, duvido que haja coisa igual no mundo.

Essa polícia tem problemas? Tem, sim! Mas também se apresenta, com muita frequência, como a solução. O coronel faz muito bem em chamar a atenção para os números, que indicam não só uma segurança pública sob controle como uma evidente melhoria no atendimento. Não obstante, estão tentando massacrá-la. Há uma soma infausta de esquerdismo bocó, eleitoralismo rastaquera e, infelizmente, bairrismo — anti-São Paulo!!! — que tenta transformar uma instituição virtuosa numa espécie de estorvo.

A determinação de um procurador da República, apaixonado pelos holofotes, de pedir o afastamento do comando é, em si mesma, uma indignidade e, ela sim, uma violência com o povo de São Paulo.

O crime existe? Existe! Está aí! Tem de ser combatido. A PM faz a sua parte. E o faz com mais eficiência do que suas congêneres na esmagadora maioria dos outros estados, inclusive naqueles que teriam motivos para ter menos problemas na área de Segurança Pública. Uma corporação de 100 mil homens está, no entanto, sujeita a problemas, especialmente quando lida com o crime e reúne pessoas armadas? Ora, esse é um dado estrutural das forças policiais no mundo inteiro, mesmo nos países mais socialmente justos do que o Brasil.

Houvesse cem mil jornalistas no país, teríamos, entre eles, bandidos infiltrados. Aliás, existem penas de aluguel — uma forma de jaguncismo com as letras — em grupo bem menor do que esse, não é mesmo? Reúnam-se 100 mil professores, 100 mil padres, 100 mil pastores, 100 mil ongueiros, 100 mil procuradores da República, 100 mil defensores públicos… Na verdade, dividam esses grupos todos por 100, fiquemos com mil de cada categoria, e vamos avaliar a moralidade média.

A PM tem combatido tanto os seus bandidos como os excessos daqueles que, não sendo bandidos, erram gravemente no seu trabalho. Qual dessas corporações pune imediatamente o “companheiro” por uma falha grave no trabalho?

Respondam àquilo que escrevo
Alguns reclamam: “Você não está publicando críticas ponderadas à PM nos comentários”. Algumas estão sendo publicadas. Recuso aquelas que respondem àquilo que não escrevi. E eu não escrevi em nenhum momento que devemos aplaudir os índices de violência de junho. Mas eu escrevi, sim, que, tudo o mais constante (e a tendência é que não seja), São Paulo ainda estará na rabeira da violência. Isso eu escrevi. Por que não contestam? Eu escrevi, sim, que, se os índices de violência do Brasil fossem os mesmos de São Paulo, quase 30 mil vidas seriam poupadas por ano. Por que não me contestam? E eu NÃO ESCREVI que a PM agiu certo no caso daquelas duas mortes. Logo contestar-me nisso é uma estupidez e uma ociosidade.

Eu estou preparado para discutir com pessoas que têm pensamento lógico e que se apegam aos fatos, não aos preconceitos. Eu estou preparado para discutir com pessoas que entendem que o papel da Polícia Militar é, principalmente, reprimir o crime, e não se dedicar a especulações sobre a justiça ou injustiça social, que é outro departamento. E não que a PM a tanto não se dedique: 310 mil resgates e remoções num único ano são uma prova de dedicação ao outro.

Essa PM tem de melhorar? Tem, sim! Mas, se o senhor Gilberto Dimenstein decreta a “calamidade” num estado com esses números, o que ele tem a dizer sobre o resto do país. A taxa de homicídios do Brasil, excetuando-se São Paulo, é quase o triplo da do estado. E o que diz esse valente? Vai decretar a falência do país? Ora, tenham a santa paciência!

Parabéns ao comandante-geral pelo texto. Que seja mesmo reproduzido estado e Brasil afora. Não é a primeira vez que o crime procura um alinhamento objetivo com a política e com a imprensa — procurem o que quer dizer “alinhamento objetivo”; não se trata, necessariamente, de uma conspiração — para fazer a pauta e, assim, tentar impor a sua vontade.

Por Reinaldo Azevedo

 

26/07/2012 às 20:36

Em defesa, Dirceu nega o mensalão e faz de Delúbio, mais uma vez, o cobre de plantão

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:

Em memorial, Dirceu culpa Delúbio e diz que mensalão era caixa dois

Na reta final para o julgamento do mais grave escândalo político do governo Lula, o ex-ministro José Dirceu apresentou um memorial para tentar convencer os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que o mensalão não passou de um esquema de caixa dois de campanha. Em pouco mais de dez páginas, o ex-chefe da Casa Civil culpa o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, por arrecadar recursos não contabilizados.

“Nunca houve o chamado mensalão. O que de fato existiu foi a prática de caixa dois para cumprimento de acordo eleitoral, conduta irregular prontamente assumida por Delúbio Soares e o PT sobre a relação com partidos aliados em 2004”, diz a defesa de Dirceu.  “Quem cuidou exclusivamente dos repasses para quitar as dívidas de campanhas foi a Secretaria de Finanças do PT, como confirmou o então secretário Delúbio Soares”, completa a defesa. “O governo nunca interveio e nem tinha conhecimento desse acordo financeiro-eleitoral”, resume.

No memorial, o principal réu do mensalão, apontado pela Procuradoria-Geral da República como o chefe da quadrilha, ataca o o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB), delator do esquema, e atribui irregularidades a “desafetos” para evitar que fossem apuradas denúncias de corrupção nos Correios. Em maio de 2005, VEJA revelou um vídeo em que o então diretor dos Correios, Maurício Marinho, aparece cobrando propina para direcionar o resultado de uma licitação da estatal. O funcionário dizia agir em nome de Roberto Jefferson.

“Acuado por denúncias que envolviam pessoas de sua confiança nos Correios, o então deputado federal Roberto Jefferson tentou desviar o foco das investigações atacando desafetos”, afirma o documento de defesa do ex-ministro da Casa Civil. “Roberto Jefferson criou a fantasia do chamado mensalão, uma criação de alguém que se afundava e tentou se agarrar em algum argumento para se defender”, diz.

Dirceu já havia utilizado suas alegações finais encaminhadas ao STF para afirmar ser uma espécie de “bode expiatório”. Para ele, o Ministério Público Federal quer condená-lo pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha apenas para que ele sirva de “exemplo” à classe política. O julgamento do mensalão começará no dia 2 de agosto.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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