O Apedeuta me telefonou. E eu: “Posso não, quero não, a vergonha na cara não deixa não…”

Publicado em 03/10/2012 07:33 e atualizado em 04/06/2013 13:28 1601 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Toca o telefone aqui em casa. Era o Apedeuta. Dona Reinalda atendeu. Ele está pedindo uma chance para Fernando Haddad. Serviço de telemarketing. É invasão de domicílio mesmo.

Como, Lula? Chance pra Fernando Haddad?

Quero não, posso não, a vergonha na cara não deixa não!

O PT, diga-se, continua a desrespeitar a Lei Eleitoral, a exemplo do que fez no programa de TV de ontem. Já falo a respeito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Na presença de Lula e de Haddad, sobre um carro de sindicato, presidente da CUT pede a militantes uma vaia para o Judiciário!

Lula lançou-se na campanha eleitoral prometendo reunir milhares nas ruas, nas praças, campos, construções. Já se anteviam pelas ruas marchando ensandecidos cordões… E, no entanto, seus comícios reuniram meia-dúzia de gatos-pingados. Como naquela piada que Marco Antônio Villa não fez, quase junto eu mais gente nos lançamentos de “O País dos Petralhas II”. Se o PT quiser, promovo um evento na sede do partido. Vai lotar…

O nosso “Führer”, o nosso “duce”, que pretendia fazer “A Marcha Sobre São Paulo”, com os seus “camisas negras” vestidos de vermelho, terminou mesmo subindo num trio elétrico de um sindicato nesta sexta, no centro de São Paulo. E, sobre o veículo, fez aquilo de que mais gosta: DESRESPEITAR A LEI.

Não pode um sindicato fazer campanha para um candidato. Fernando Haddad estava com ele. Para fingir que cumpre a lei, não discursou. Lula, com a sua malandragem mucanaímica, só que um Macunaíma doloso (o outro era ingênuo…), não pediu voto, mas atacou José Serra, claro, sem citar o nome — e isso lhe rendeu notícia.

Esse cara foi presidente da República!!! Esse cara foi chefe de governo e chefe de estado. Esse cara já foi o principal procurador do estado de direito no Brasil. E se diverte fraudando a lei, driblando-a com estratagemas cínicos.

Vaia para o Judiciário
Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores, pediu uma “vaia para o Judiciário” porque a Justiça Eleitoral determinou a apreensão do jornal do Sindicato dos Bancários, que fazia campanha para Haddad — o que também é proibido por lei. Afirmou: “Queremos repudiar essa medida. A grande imprensa faz propaganda para o Serra, e nós não podemos dar nossa opinião. Estamos aqui para fazer uma grande vaia ao Serra e ao Judiciário”.

Bem, é mentira que a grande imprensa esteja apoiando Serra. Ao contrário: Haddad é descaradamente o candidato predileto de amplos setores da imprensa paulistana. Não só isso: a rede suja na Internet, financiada por estatais, não só promove a candidatura do petista como se dedica ao achincalhe do candidato tucano. Em suma: sindicatos e dinheiro público em favor de um candidato.

Mas esses são os petistas. Como querem cometer ilegalidades, então saem acusando os outros de fazer o que eles fazem. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Na coluna Eleições 2012, do blog de Lauro Jardim:

Atuação de Dilma em favor do PT detona crise com o PMDB: “Se é governo de coalizão tem que ser para tudo”, diz peemedebista

"Viviam dizendo pra gente que ser governo é ter o ônus e o bônus. E agora? Cadê o bônus?"

Como não poderia ser diferente, a atuação de Dilma Rousseff para socorrer candidatos petistas nas urnas provocou reações na base aliada país afora. Principal parceiro do PT no governo federal, o PMDB e seus caciques vinham evitando criticar publicamente a atuação de Dilma na campanha. Essa fase terminou com a proximidade das eleições neste domingo.

O presidente do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima, por exemplo, diz que o trabalho dos partidos da base governista para fortalecer Dilma e o governo em Brasília está sendo capitalizado agora a favor do PT e contra os próprios aliados da base:

– A gente aprova a redução da conta de luz, vota isso, vota aquilo no Congresso, e ajuda a fortalecer a presidenta para depois ela fazer campanha contra a gente? Se é governo de coalizão tem que ser para tudo. Viviam dizendo pra gente que ser governo é ter o ônus e o bônus. E agora? Cadê o bônus?

Lúcio diz que resolveu expor o descontentamento com a atuação do Planalto na campanha porque o tratamento desfavorável em relação ao PMDB “é uma reclamação dominante” entre os integrantes da cúpula do partido, discutida “há tempos” internamente, mas que precisa ser verbalizada. Lúcio avalia que o PMDB não pode esperar o PT eleger o maior número de prefeitos no interior, conseguindo com isso eleger mais deputados federais e senadores em 2014, para só então reclamar.

Por Lauro Jardim

 

Explica aí Falcão

A bolada petista apreendida pela PF

Será que Lula não irá gravar um vídeo para explicar à “militância petista” o que é essa montanha de dinheiro (1,1 milhão de reais) apreendida pela Polícia Federal no Pará? Se Lula não vai falar, então será que Rui Falcão terá coragem de explicar mais um desses pecados petistas com pacotes de dinheiro?

Era essa a “batalha do tamanho do país” a que Falcão se referia há algumas semanas? Um dos presos pela Polícia Federal com o dinheiro já admitiu que a bolada era para a campanha petista em Parauapebas. Explica aí, Falcão.

Por Lauro Jardim

 

A trajetória do PT

"Partido de políticos presos"

De um tucano sarcástico, logo após mais um dia de julgamento e de condenação quase unânime dos mensaleiros:

- O PT nasceu como um partido de presos políticos;  vai virar um partido de políticos presos.

Por Lauro Jardim 

 

Impunidade não é garantia democrática, Lewandowski! Aliás, é apanágio de ditaduras!

O voto desta quinta-feira do ministro Ricardo Lewandowski é a evidência escancarada de um Supremo Tribunal Federal infiltrado pelos interesses partidários mais mesquinhos – e pouco me importa se ele tem ou não a carteirinha do partido. Lewandowski é a prova de que, por meio do regime democrático, é perfeitamente possível promover a depredação das instituições, o seu rebaixamento, a sua desqualificação. Afinal, o presidente da República tem o poder de indicar o candidato ao Supremo. Ao Senado cabe sabatiná-lo e aprová-lo ou rejeitá-lo. Se o chefe do Executivo decide escolher um mero esbirro de um projeto político e se os senadores se comportam como despachantes do Palácio, toma assento na corte suprema do país o serviçal de um partido ou de um grupo. Como impedir que isso aconteça? Entregar a indicação a corporações de ofício também não é uma boa saída. Não há outro caminho: também nesse caso, só a vigilância democrática é eficaz – dos cidadãos, da imprensa, dos advogados, das pessoas de bem. “Ah, lá está o Reinaldo desqualificado o Lewandowski só porque não votou como ele queria…”

Quem acredita nisso não deixará de acreditar se eu disser que é mentira, certo? Logo, não quero papo com essa gente. Se há coisa que eu não faço é tentar convencer do contrário quem me detesta. Eu acho que o mundo fica bem com a diversidade… Adiante! O problema não está no voto “sim” ou “não” de Lewandowski, mas na qualidade de seus argumentos, na sem-cerimônia com que despreza os fatos, na arrogância – vênia máxima – meio ignorantona com que tem se conduzido no tribunal.

É bem verdade que ele já tentou enveredar pela Antiguidade Clássica e levou uma sandaliada do sapateiro quando atribuiu a Fídias uma frase dita por Apeles. É bem verdade que ele já havia maltratado Ortega y Gasset de maneira miserável, transformando o filósofo espanhol numa espécie de naturalista de meia-tigela. É bem verdade que ele não se saiu melhor quando apelou a Kafka… Não tendo evoluído nem com brilho nem com graça no mundo da alta cultura, Lewandowski houve por bem ser tosco, como se seus pares e nós mesmos, que acompanhamos o julgamento,  não estivéssemos à altura do que ele guarda de melhor.  Ocorre que ele não guarda nada de melhor. Como sabe Apeles. Como sabe Ortega y Gasset. Como sabe Kafka. Desqualificar uma convicção alheia como “coisa de Papai Noel” ou sugerir que seus colegas de tribunal são cegos a tatear partes de um elefante são posturas grosseiras, sim, mas próprias de quem não tem mais nada a oferecer.

Então Delúbio era o chefe do PT?
Entende-se agora por que Lewandowski, secundando Márcio Thomaz Bastos, opôs-se com tanta energia ao fatiamento do julgamento. Do modo como Joaquim Barbosa conduziu o seu voto, as escolhas têm de ser feitas à luz do dia, segundo a exposição escancarada dos fatos. O que o ministro fez nesta quinta-feira, ao inocentar com tanta energia e dedicação José Genoino e José Dirceu, foi transformar o ex-tesoureiro Delúbio Soares em chefe máximo do partido. Quem? Este senhor é incapaz de administrar a própria reputação – já que sempre se oferece para ser o cobre de plantão de colegas mais graúdos… Imaginem se poderia ser ele o Dom Corleone do petismo… Trata-se de uma piada grotesca.

Como esquecer aquela histórica participação de Delúbio Soares na CPI do Correios, em que parecia estar pra lá de Bagdá, incapaz de dizer coisa com coisa? Ou não achei, ou os vídeos desapareceram do YouTube. Era ele o chefe??? Não!  Lewandowski sabe que o tesoureiro cumpria as ordens que lhe dava a cúpula do partido: Lula, Dirceu e José Genoino. Mas aí o coração supostamente garantista de Lewandowski é tomado por um enxurrada de emoções, e ele pergunta, afetando candidez: “Onde estão as provas contra José Dirceu e José Genoino?”.

Bem, no caso de Genoino, há até recibo assinado –  um contrato. Não serve para Lewandowski porque, diz ele, assinar os tais empréstimos era próprio da função do então presidente do PT. Certo! Mas também estava entre as suas atribuições endossar empréstimos fajutos, que jamais existiram? Ou o ministro acredita que foram legais? Se acredita, por que, então, condenou o núcleo banqueiro? “Ah, mas Genoino não sabia…” Digamos que não… Então alguém sabia! Dirceu, ora vejam, também ignorava tudo. Quando o ministro acha por bem, ele pergunta: “Cadê o papel com assinatura?”; quando lhe dá na veneta (uma veneta com método!), no entanto, ele proclama: “Esse papel era parte das atribuições do meu cliente…” – ooops! “Do réu”, eu quis dizer.  A depender de quem seja, Lewandowski ou absolve por haver papel ou absolve por não haver papel.

Não que fosse um despropósito um partido como o PT ter como seu chefe máximo um tesoureiro. Faria um sentido danado. Mas os fatos demonstram ser essa uma mentira escandalosa. O próprio Delúbio já andou dizendo por aí que a sua eventual prisão é uma espécie de missão partidária. Ora, devagar com o andor, senhor Lewandowski! A teoria do “domínio do fato” não se confunde com a responsabilidade objetiva – até porque, no que concerne a Dirceu, nem mesmo chefe do partido ele era! Trata-se de juntar as peças do quebra-cabeça, a partir do conjunto de indícios, para concluir, afinal, quem tinha o comando da máquina partidária – além de seu presidente, que era José Genoino.

Mas não seremos tão cruéis a ponto de forçar Lewandowski a chegar ao óbvio com base na pura lógica. Não! Contra Dirceu há depoimentos – os líderes partidários dizem que qualquer acordo tinha de ser referendado por ele – e há os fatos: as reuniões com a cúpula do Banco Rural, em companhia, calculem, de Marcos Valério (por quê???) e Delúbio Soares.

É patético que o ministro se esconda atrás de um suposto apego ao garantismo para ignorar a realidade. O garantismo que permite a impunidade é falácia. Os que se dizem adeptos dessa corrente estão é em busca de Justiça, não o contrário. Então Lewandowski condena por corrupção passiva um Roberto Jefferson, que admite ter recebido uma mala de dinheiro para distribuir aos petebistas, mas absolve Dirceu, que foi quem costurou aquele acordo, fundado sobre aquelas bases, a saber: dinheiro? Ou o ministro tentará nos convencer de que a “autoridade” petista com quem Jefferson negociava era… Delúbio? Por quem nos toma Lewandowski?

“O depoimento de Jefferson não vale; ele também é réu!” Sim, é, mas é um réu que se autoincriminou e que tinha ciência do que estava fazendo – é advogado. Mas não! Não é preciso recorrer ao que Jefferson diz de Dirceu para chegar à culpa do comissário. Kátia Rabello, narrando seus encontros com o então chefe da Casa Civil, consegue ser muito mais eloquente.

Concluindo
Um ministro está prestes a assumir a vaga aberta com a saída de Cezar Peluso. No mês que vem, outro assento se torna vago, com a aposentadoria de Ayres Britto. Por enquanto, pela maioria folgada de seus integrantes, temos e vemos um Supremo Tribunal Federal que honra a sua independência. Lewandowski, no entanto, é a evidência que aquela não é uma Casa imune a interesses que podem orbitar fora da Constituição e dos códigos legais.

Ou a gente diz isso a tempo, com todas as letras, ou, como diria Camões, um dia o dano pode ser maior do que o perigo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Na última propaganda, PT manda a lei às favas. Como de hábito!

Não vi a propaganda porque estou no Rio, mas leio o seguinte no Estadão Online. Volto em seguida:
A campanha de Fernando Haddad (PT) usou parte do horário eleitoral na TV reservado aos candidatos do partido a vereador nesta quinta-feira, 4, para pedir votos ao petista no domingo, 30. A prática é proibida pela Justiça Eleitoral, mas, diante do cenário apontado pelas últimas pesquisas de intenção de voto, o estafe petista decidiu levar a peça ao ar. Haddad está em empate técnico com José Serra (PSDB) - no Datafolha, porém, o tucano também está tecnicamente empatado em primeiro lugar com Celso Russomanno (PRB), que é líder isolado no Ibope.

No início da peça, o mesmo ator que apresentou as propagandas do candidato aparece no vídeo dizendo para o eleitor votar em Haddad, pois ele seria o candidato “que vai olhar para os que vivem na periferia”. A propaganda também fez críticas a José Serra (PSDB) e a Celso Russomanno (PRB), adversários diretos do petista na disputa. O advogado da campanha tucana, Ricardo Penteado, classificou como “escandalosa” a propaganda do PT. Ele afirmou que a equipe jurídica do partido vai se reunir nesta sexta-feira, 5, para decidir que medidas tomar. Segundo ele, o uso indevido do espaço na televisão poderia levar até mesmo à cassação da candidatura de Haddad. Isso poderia acontecer, de acordo com Penteado, porque esta quinta-feira foi o último dia de propaganda eleitoral no rádio e na TV e não há mais como o candidato ou o partido serem punidos com perda de tempo no horário eleitoral ou com um eventual direito de resposta concedido a outros candidatos. Procurada, a assessoria de imprensa do candidato disse que estava analisando o caso e que não iria se pronunciar.

Voltei
Parece uma coisa meio besta, né?  Mas me digam: isso é ou não é a cara do PT? Então vamos ver: se Fernando Haddad estivesse na frente, é claro que o partido não recorreria a esse expediente. Como está atrás… Corolário: o PT só reconhece uma lei – a da sua necessidade

Não é por acaso que o Supremo julga um processo como o mensalão.

Por Reinaldo Azevedo

 

 da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Depois da aula magna de Celso de Mello, o chefe da confraria dos fora-da-lei deveria calar-se o mais silenciosamente possível

O ministro Celso de Mello precisou de pouco mais de uma hora para enterrar em cova rasa sete anos de mentiras, bravatas, bazófias e invencionices produzidas pelo ex-presidente Lula desde que a descoberta do mensalão o animou a nomear-se Padroeiro dos Bandidos de Estimação. Na sessão desta segunda-feira, o decano do Supremo Tribunal Federal fez muito mais que restabelecer a verdade com um voto irretocável. Ao longo da aula magna de Justiça, sublinhada pela celebração da honradez, Celso de Mello lavou a alma do Brasil decente.

Comparem alguns momentos do besteirol interminável com lições do ministro. E contemplem o abismo que separa um Magistrado de um palanqueiro vulgar:

Lula: “O Supremo tinha de deixar o julgamento para depois da eleição. Acabou virando uma coisa política”.

Celso de Mello: “Estamos observando, neste julgamento, além do postulado da impessoalidade e do distanciamento crítico em relação a todas as partes envolvidas no processo, os parâmetros jurídicos que regem, em nosso sistema legal, qualquer procedimento de índole penal. O STF não está revendo formulações conceituais ou orientações jurisprudenciais, muito menos flexibilizando direitos e garantias fundamentais, o que seria absolutamente incompatível com as diretrizes que sempre representaram, e continuam a representar, vetores relevantes que orientam a atuação isenta desta Corte em qualquer processo, quaisquer que sejam os réus, qualquer que seja a natureza dos delitos”.

Lula: “O mensalão não existiu”.

Celso de Mello: “O Ministério Público expôs na peça acusatória eventos delituosos revestidos de extrema gravidade e imputou aos réus ora em julgamento ações moralmente inescrupulosas e penalmente ilícitas que culminaram, a partir de um projeto criminoso por eles concebido e executado, em verdadeiro assalto à Administração Pública, com graves e irreversíveis danos ao princípio ético-jurídico da probidade administrativa”.

Lula: “Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês vão ver que eles não criaram instituições para combater a corrupção como nós criamos em oito anos. Sintam orgulho porque se tem uma coisa que fizemos foi criar instrumentos para combater a corrupção”.

Celso de Mello: “A corrupção compromete a integralidade dos valores que informam a ideia de República, frustra a consolidação das instituições, compromete políticas públicas nas áreas sensíveis, como saúde e segurança, além de afetar o próprio princípio democrático. O ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder e da ordem jurídica, cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República que não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper”.

Lula: “O PT fez o que todo mundo faz. Foi uma questão de caixa dois”.

Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais. O cidadão tem o direito de exigir que o Estado seja dirigido por administradores probos e juízes incorruptíveis. Quem tem o poder e a força do Estado em suas mãos não tem o direito de exercer em seu próprio benefício a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República”.

Lula: “Alguns companheiros podem ter errado, mas o PT acertou muito mais do que errou. Eu nunca soube de nada disso que eles chamam de mensalão”.

Celso de Mello: “A conduta dos réus, notadamente daqueles que ostentam ou ostentaram funções de governo, não importando se no Poder Legislativo ou no Poder Executivo, maculou o próprio espírito republicano. Em assuntos de Estado e de Governo, nem o cinismo, nem o pragmatismo, nem a ausência de senso ético, nem o oportunismo podem justificar, quer juridicamente, quer moralmente, quer institucionalmente, práticas criminosas, como a corrupção parlamentar ou as ações corruptivas de altos dirigentes do Poder Executivo ou de agremiações partidárias. Corruptores e corruptos devem ser punidos na forma da lei”.

Lula: “O que houve foi uma tentativa de golpe contra o governo do metalúrgico que governa pensando nos pobres. A elite não consegue admitir que um operário sem estudo foi o melhor presidente”.

Celso de Mello: “Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar, lesivos à respeitabilidade do Congresso Nacional, atos de corrupção alimentados por transações obscuras arquitetadas em altos patamares governamentais, devem ser condenados e punidos com todo o rigor da lei. Esse quadro de anomalia revela as gravíssimas consequências que derivam dessa aliança profana, desse gesto infiel e indigno de agentes corruptores, públicos e privados, e de parlamentares corruptos, em comportamentos criminosos, devidamente comprovados, que só fazem desqualificar e desautorizar, perante as leis criminais do País, a atuação desses marginais do Poder”.

A sorte de Lula é viver cercado por sabujos. Nenhum deles se atreveu a perturbar o chefe da confraria dos fora-da-lei com a tradução do documento histórico. Se entendesse a mensagem de Celso de Mello, até o mais loquaz dos governantes desde Tomé de Souza trataria de calar-se o mais silenciosamente possível.

 

Direto ao Ponto

João Ubaldo Ribeiro: ‘O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir’

Trecho do artigo publicado no Estadão deste domingo: “No momento em que o ex-presidente Lula não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais. Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal “visão pragmática”, que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder”.

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

(do blog de Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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