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O PT, o mensalão e a eleição em SP: Petistas agora sustentam que o povo também é corrupto

Publicado em 14/10/2012 18:34 e atualizado em 27/05/2013 15:42 1276 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Escrevi na segunda-feira um texto afirmando que os petistas são tão fabulosos que conseguem mentir quando dizem “sim” e quando dizem “não” a uma mesma pergunta. A que me referia? À tal influência do “mensalão” nas eleições. Um sedizente intelectual, esbirro da legenda (embora se finja de independente), concedeu uma entrevista declarando a irrelevância do escândalo. Adotando o mesmo juízo de Lula, só que com linguagem mais sofisticada e hipócrita, assegurou que os eleitores estão preocupados com outros assuntos. No mesmo dia, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, sustentou o contrário: o julgamento do Supremo, segundo ele, prejudica, sim, o PT. Um disse “não” porque não quer o mensalão como uma marca do PT; o outro diz “sim” porque quer que outros acreditem na fantasia de que tudo não passa de uma tentativa de golpe contra o partido.

Muito bem! Divulgadas as primeiras pesquisas sobre o segundo turno em São Paulo, a turma do “sim” e a do “não” se uniram para sustentar uma terceira versão, ainda mais vigarista do que as outras duas. Como Fernando Haddad larga na frente tanto no Datafolha como no Ibope, asseguram que o mensalão interfere, sim, na disputa, MAS A FAVOR!!! Para os petistas, a eventual eleição de Fernando Haddad em São Paulo seria uma espécie de “resposta” dos eleitores ao Supremo Tribunal Federal, à “mídia” (que é como eles chamam a imprensa) e às oposições.

Não é do balacobaco? Quando Haddad estava numa situação apertada, Lula, por exemplo, dizia que o povão queria mesmo era saber se o Palmeiras passaria para a segunda divisão. Agora que aparece numa situação confortável, tanto ele como Zé Dirceu inverteram a lógica anterior: não só aquele mesmo povo estaria ligado no julgamento do mensalão como teria decidido fazer o que o STF não fez: absolver os mensaleiros. É asqueroso! E mentiroso também.

Este blog e o tempo
Você quer ver, leitor amigo, como é bom pensar com fundamento e princípio? Entre outras coisas, serve para que a gente não passe vergonha e possa responder por aquilo que escreveu — ou, então, o articulista tem de explicar por que mudou de ideia. Esta página tem milhares de leitores, em número, felizmente, crescente, porque, acho eu, o internauta encontra aqui coerência. Chegou a hora de LEMBRAR O PRIMEIRO ARTIGO QUE ESCREVI NA VEJA, publicado no dia 6 de setembro de 2006. Vale a pena reler um trecho (em azul):

Um novo refrão anda “nas cabeças, anda nas bocas”, poderia dizer o lulista Chico Buarque: a possível reeleição do presidente absolve os petistas de todos os seus crimes. As urnas fariam pelo PT o que o ditador soviético Josef Stalin fez por si mesmo: apagar a história. É um embuste. A vantagem do presidente se deve à economia, à inépcia e inapetência das oposições, às políticas assistencialistas, tornadas uma eficiente máquina eleitoral, e à ignorância, agora a serviço do tal “outro mundo possível”. O povo é, sim, um tipinho suspeito, mas não vota para livrar a cara dos marcolas da ideologia.

O voto do ignorante vale menos? Não. Mas também não vale mais. Nem muda a natureza das instituições. E não absolve ninguém, tarefa que continuará a ser da Justiça. A vacina contra o autoritarismo virótico de quem pretende cair nos braços do povo para ser absolvido de seus crimes está em Origens do Totalitarismo, da pensadora judia-alemã Hannah Arendt. Aprende-se ali que não devemos permitir que os inimigos da democracia cheguem ao poder, negando-nos, uma vez lá, em nome dos seus princípios, as liberdades que lhes facultamos em nome dos nossos.

A tese da absolvição serve ao propósito de pautar a imprensa com uma agenda virtuosa. O programa de governo do PT prevê, diga-se, o incentivo oficial à “mídia independente”. Em lulês, significa financiar, com o dinheiro dos desdentados, a sabujice disfarçada de jornalismo.
(…)

Volto a outubro de 2012
Não sei se Haddad será eleito. Como é óbvio, torço para que não seja. Já expus os motivos aqui dezenas de vezes. Caso isso aconteça, no entanto, nem está provada a irrelevância do mensalão (e já digo por quê) nem está evidenciada, claro!, a suposta resposta do “povo” àqueles que, seguindo a Constituição e as leis, condenaram os criminosos petistas que promoveram o mensalão.

O que explica a derrota vexaminosa do PT em Recife e Belo Horizonte, por exemplo? Ou o fato de o PT ter disputado 17 capitais com cabeça de chapa e ter vencido no primeiro turno em apenas uma? Os motivos principais, sabem os sensatos, estão ligados à política regional, até porque o tema “mensalão” quase não foi mencionado naqueles confrontos. Se a eventual eleição de Haddad em São Paulo significar uma resposta do povo ao Supremo e às oposições, dever-se-á concluir, então, que a derrota do PT na capital de Pernambuco e na de Minas terá significado uma resposta aos mensaleiros? Ou será que os paulistanos teriam especial admiração por delinquentes políticos?

Um dia antes da eleição, escrevi um artigo aqui afirmando que as urnas iriam demonstrar o que, de resto, já se sabia: Lula não é Deus, e não basta ele mandar para o povo obedecer. Não foi obediente em Recife, em Belo Horizonte e em muitos outros lugares. Resistiu, é bom notar, mesmo na capital paulista. O desempenho de Haddad no primeiro turno não é algo de que o petismo deva se orgulhar, não é?

Mas influi ou não influi?
Mas, afinal, o mensalão influi ou não no resultado das urnas? O Datafolha tentou medir o impacto do escândalo no desempenho de Haddad em São Paulo. Concluiu que 10% dos paulistanos deixavam de votar no petista por causa disso. Para ser sincero, tendo a desconfiar enormemente dessas medições. Parece-me uma tentativa de quantificar o imponderável. Acho, no fim das contas, a pergunta errada.

INTERFERE NA ELEIÇÃO AQUILO QUE OS CONCORRENTES NUMA DISPUTA CONSEGUEM TORNAR TEMAS INFLUENTES, AQUILO QUE PASSA PELO PROCESSO DE POLITIZAÇÃO. Em 2006 e 2010, temerosas da popularidade de Lula, as oposições deixaram o mensalão de lado, além de terem ignorado outras mazelas do governo. Logo, não teve peso nenhum!

Eu estou entre aqueles que acreditam que a política é um bom lugar para fazer… política! Isso a que se chamou “mensalão” é mais do que uma simples união de larápios para roubar os cofres públicos. É um método de conquista do estado. É possível tornar isso compreensível ao eleitor não especialista? Não só acho que é como considero necessário fazê-lo. Mais ainda: trata-se de uma obrigação daqueles que se opõem ao PT. É claro que uma campanha não deve se estruturar apenas em torno desse tema. A biografia de homem público de Haddad, por exemplo, está para ser desvendada. Até agora, o eleitor só teve acesso à versão edulcorada pelo petismo. Falta submetê-la aos fatos. Suas escolhas à frente do Ministério da Educação têm de ser debatidas e esmiuçadas.

Concluindo
É o eleitor, soberano, quem decide se o mensalão interfere ou não no seu voto. Cumpre a quem enfrenta o PT oferecer a sua narrativa daqueles eventos. Qualquer que seja, no entanto, a decisão do eleitorado, uma coisa é certa: ele pode condenar ou absolver os políticos, no máximo, com o seu voto. Já o julgamento do STF, esse não há urna que mude. José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares são corruptores, e Fernando Haddad é expressão do partido que tentou, segundo vários ministros do STF, dar um golpe nas instituições.

É uma obrigação política e moral da oposição deixar isso claro.

E arremato: sustentar que a eventual vitória do PT significaria a absolvição dos mensaleiros corresponde a afirmar que o povo também é corrupto.

Por Reinaldo Azevedo

Barbosa absolve Duda Mendonça e Zilmar Fernandes de parte da imputação de lavagem de dinheiro

No Estadão Online:
O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, votou pela absolvição do publicitário da campanha de Lula em 2002, Duda Mendonça, e de sua sócia Zilmar Fernandes pela acusação de lavagem de dinheiro relativa a cinco saques no Banco Rural. Duda e Zilmar são acusados de lavagem e evasão de divisas pelo dinheiro recebido no exterior.

Barbosa entendeu que, apesar de terem se beneficiado do mecanismo de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural e por Marcos Valério, o publicitário Duda Mendonça e sua sócia poderiam não ter conhecimento que o dinheiro recebido era proveniente de crimes. “Entendo que há dúvida razoável sobre se Duda e Zilmar tinham conhecimento dos crimes antecedentes”.

O relator destacou ainda que a própria Zilmar realizou os cinco saques no montante de R$ 1,4 milhão disponibilizados pelo esquema. Para o ministro, o objetivo dos publicitários seria apenas receber por serviços prestados ao PT na campanha de 2002. “Ao que tudo indica, o objetivo final de Duda e Zilmar era tão somente o recebimento da dívida dos serviços publicitários que prestaram”.

Barbosa afirmou que não há como comprovar a prática de lavagem de dinheiro. Afirmou que pode ter havido sonegação fiscal, mas que isso não foi denunciado pelo Ministério Público.
(…)

Mudança de ordem
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, abriu nesta segunda-feira a 36ª sessão de julgamento do mensalão. Houve uma mudança de última hora no cronograma previsto para a sessão desta tarde. A sessão recomeçou com o voto do ministro relator, Joaquim Barbosa, sobre os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas cometidos pelo publicitário Duda Mendonça e a sócia dele Zilmar Fernandes.

A dupla é acusada pelo Ministério Público Federal de ter recebido ilegalmente do esquema operado por Marcos Valério recursos fora do País. O dinheiro, R$ 10 milhões, seria, segundo admitiu Duda Mendonça à CPI dos Correios em 2005, pagamento da dívida da campanha presidencial de Lula.

O julgamento seria retomado com o voto do ministro Gilmar Mendes, o oitavo a se manifestar no capítulo em que seis réus são acusados no processo por lavagem de dinheiro. Ocorre que Gilmar Mendes e Celso de Mello, que votaria em seguida, não haviam chegado ainda ao plenário quando começou a sessão. A previsão é que eles só votem nesse item após o intervalo da sessão.
(…)
Aqui e aqui

Por Reinaldo Azevedo

Barbosa condena Duda e Zilmar por uma das imputações de lavagem e os absolve de evasão de divisas

A coisa está um pouco atrapalhada, mas vamos lá. Joaquim Barbosa absolveu Duda Mendonça e a sócia, Zilmar Fernandes, de parte das imputações de lavagem de dinheiro, relativas a cinco saques no Banco Rural. Há pouco, no entanto, ele condenou os dois por esse crime em razão de outras operações. Os publicitários também foram absolvidos do crime de evasão de divisas, mas Barbosa deixou claro que pode mudar o seu voto a depender do entendimento do colegiado. Segue trecho de reportagem do Portal G1:

Por Fabiano Costa, Mariana Oliveira e Nathalia Passarinho:
O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, condenou nesta segunda-feira (15) o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, pelo crime de lavagem de dinheiro. Antes, os dois haviam sido absolvidos de uma outra acusação de lavagem e do delito de evasão de divisas. 

A primeira acusação de lavagem, pela qual eles foram absolvidos, se refere a cinco retiradas de agência do Banco Rural que totalizaram R$ 1,4 milhão em espécie. A segunda acusação de lavagem de dinheiro, que resultou na condenação, se refere a 53 operações de envio de recursos para o exterior por meio da offshore Dusseldorf, de propriedade de Duda Mendonça.

Marcos Valério, seu sócio Ramon Hollerbach, além de Simone Vasconcelos, ex-diretora das agências do grupo, foram condenados por evasão de divisas. Também foram condenados pelo delíto a ex-presidente do Banco Rural Kátio Rabello, e o ex-vice-presidente José Roberto Salgado. Foram absolvidos dos crime de evasão de divisas Cristiano Paz, Vinicius Samarane e Geiza Dias.

A lavagem de dinheiro é delito que consiste em tentar dar aparência de legalidade a dinheiro proveniente de atividade criminosa, enquanto evasão de divisas significa realizar operação de câmbio não autorizada com o objetivo de tirar dinheiro do país. 

De acordo com o Ministério Público, os dez réus no item da denúncia que trata de evasão de divisas enviaram de modo ilegal para Miami R$ 11 milhões recebidos do PT por Duda Mendonça. O publicitário foi responsável pela campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva  em 2002. De acordo com o Ministério Público, o pagamento pelo serviço teria sido feito por meio de mecanismos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Duda e sócia
Ao ler o voto, o ministro Joaquim Barbosa ressaltou que a sócia de Duda Mendonça, Zilmar Fernandes, sacou em cinco vezes  o valor  de R$ 1,4 milhão em espécie no Banco Rural.

Barbosa citou depoimento de Marcos Valério, apontado como o operador do esquema de compra de votos no Congresso, no qual Valério destaca que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares determinou que ele fizesse repasse de recursos a Duda Mendonça.

O relator afirmou, contudo, que não há provas de que o publicitário e Zilmar Fernandes sabiam da ocultação de dinheiro. Por conta disso, absolveu-os da acusação de lavagem de dinheiro. “Entendo que há dúvida razoável sobre se Duda Mendonça e Zilmar Fernandes tinham conhecimento dos crimes antecedentes [praticados pelo grupo de Marcos Valério e pela cúpula do Banco Rural].”

Segundo Barbosa, Zilmar sacou o dinheiro porque era beneficiária dos valores. “Valores sacados por Zilmar Fernandes, em última análise, também lhe pertencia. Ela, portanto, não era terceira pessoa, subalterna, utilizada pelo beneficiário direto para retirar esses valores diretos e esconder a identidade do real beneficiário.”

O relator destacou, porém, que, “ao que tudo indica, o objetivo final de Duda e Zilmar era, tão somente”, recorrente da dívida dos serviços que prestaram ao PT.”

O relator disse ainda que Zilmar e Duda podem ter praticado sonegação de tributos, mas não lavagem. “Assim, analisando todo esse contexto, não há como afirmar que ambos integraram a quadrilha a que se referem esses atos. É até possível dizer que Duda e Zilmar tinham o objetivo de sonegar tributos, porém, eles foram denunciados nesse ponto tão somente por lavagem de dinheiro, mas não por sonegação.”

Em relação ao crime de evasão de divisas, o relator afirmou que “impõe-se também a absolvição de Duda Mendonça e Zilmar Fernandes”. Segundo ele, os autos mostram que os réus mantiveram valores superiores a 100 mil dólares na conta no exterior, valor que, por lei, deve ser declarado para o Banco Central. No entanto, disse Barbosa, no dia em que deveriam ter declarado os valores ao BC, o saldo era de apenas 573 dólares.

O relator afirmou que existe uma circular do Banco Central que determina que os valores a serem declarados devem ser os constantes no dia 31 de dezembro. Para ele, isso abre brecha para que brasileiros mantenham recursos no exterior sem que isso seja crime. Embora tenha votado pela absolvição, Joaquim Barbosa disse que o plenário deve decidir.

“Eu submeto essa questão ao plenário para deliberação. [...] Não há dúvida de que mantiveram valores superiores a 100 mil dólares no exterior de maneira sem declaração. Acontece que há circulares, que são normas em aberto, normas que fixam balizas, dizem quais datas para parâmetro de observação se a pessoa deteve valores no exterior.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Haddad tá cansadinho e chama crítica a kit gay de “ataque pessoal”. É o fim da picada!

É impressionante! Quando ministro da Educação, o senhor Fernando Haddad (PT) autorizou que fossem distribuídos nas escolas filmes em que se afirmava a superioridade da bissexualidade sobre a heterossexualidade e se defendia que travestis usassem o banheiro feminino. Isso é apenas parte das barbaridades. Há outras.

Seu adversário na disputa pela Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), foi indagado a respeito do material por repórteres da Folha e do Estadão (leia post a respeito) e disse 0 óbvio: o material é tecnicamente ruim porque, em vez de combater o preconceito, faz proselitismo em favor de determinadas práticas sexuais, o que não é função da escola nem do Estado.

E Haddad diz o quê? Não quer falar a respeito e chama a crítica de “ataque pessoal”. Na Folha, leio que o petista disse o seguinte: “É um ataque pessoal. Ele [Serra] sempre distorce a informação, eu não vou mais comentar. Eu já estou cansado desse tipo de ataque”.

Como, excelência? “Serra distorce”? Então dê a informação não-distorcida. Qual é a boa leitura sobre aquela porcaria que o senhor mandou produzir, vetado até pela presidente Dilma?

Fui ler o que Haddad chama “programa”. E fique com a impressão — na verdade, é mais do que isso — de que, se eleito, ele pretende usar algo como o kit gay nas escolas da Prefeitura.

Pergunto: a população de São Paulo tem ou não o direito de saber disso? Boa parte da imprensa paulistana acha que não. Eu acho que sim.

Por Reinaldo Azevedo

A incrível tentativa de jogar o kit gay no colo de Serra e de igualar coisas desiguais. Ou: campanha eleitoral oblíqua

A Folha Online publica um texto de Mônica Bergamo cujo título é “Serra distribuiu material similar ao kit anti-homofobia do MEC em SP”; na homepage: “Serra distribuiu material similar ao ‘kit anti-homofobia’ do MEC em SP”. Estão tentando comparar coisas distintas. Falo disso daqui a pouco. Começo demonstrando que, do modo como está editada, a matéria é campanha eleitoral oblíqua em favor de Fernando Haddad. E demonstro por quê.

A Folha nunca escreveu coisas como “Haddad fez o kit gay”, “Haddad elaborou o kit gay” ou algo assim. Nunca personalizou o caso. Sempre se atribuiu o material ao Ministério da Educação, nunca ao então ministro. Também costuma chamar o kit gay de “kit anti-homofobia”. Agora, no esforço de igualar coisas desiguais, força a mão contra o tucano: “Serra distribuiu”; o material passa a ser chamado de… “kit gay”. É fabuloso. O material produzido pelo MEC para ser apresentado AOS ALUNOS nunca foi atribuído a Haddad pessoalmente; o material preparado pela Secretaria de Educação de São Paulo para os professores vira obra de Serra.

Segue trecho do texto da Folha. Volto em seguida.
*
O candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) distribuiu para as escolas paulistas, em 2009, quando era governador, um material semelhante ao que o MEC (Ministério da Educação), na gestão de Fernando Haddad (PT), começava a elaborar para combater a homofobia nas escolas.

O guia do governo de SP é assinado por Serra, pelo então vice-governador Alberto Goldman e pelo então secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza. Até um dos vídeos recomendados aos professores pelo kit tucano, “Boneca na Mochila”, é igual a um dos que, na época da polêmica com o MEC, foram criticados pela bancada evangélica, que ameaçou abrir CPI contra o governo de Dilma Rousseff caso o material fosse divulgado.

O MEC negou que este vídeo estivesse entre os que estudava adotar e a presidente suspendeu o programa. Destinado aos professores, o guia tucano aconselha que eles mostrem aos alunos desenhos ou figuras de “duas garotas de mãos dadas, dois garotos de mãos dadas, uma garota e um garoto se beijando no rosto, dois homens se abraçando depois que um deles faz um gol e duas garotas se beijando”.
(…)
A Secretaria de Educação de SP disse ontem, em nota, que “não possui o kit anti-homofobia nem material assemelhado. Temas como violência, uso de drogas e combate à discriminação em todos os aspectos, inclusive sexual, são abordados em programas como o Prevenção também se Ensina e em outras atividades pedagógicas”. Hoje, o órgão enviou nova nota à Folha em que afirma que o material anti-homofobia foi enviado apenas a professores, ao contrário do que ocorreria com kit do MEC.

O ministério, por sua vez, informa que os kits, caso fossem aprovados, iriam para 6.000 professores, e não para os estudantes.
(…)
Íntegra da nota da secretaria

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo esclarece que o material “Preconceito e discriminação no contexto escolar” é distribuído apenas para a equipe docente das escolas, diferentemente do kit sobre homofobia, que foi produzido pelo Ministério da Educação para ser apresentado diretamente aos alunos.

Além de seu público-alvo não ser os estudantes, seu conteúdo se baseia em propostas de abordagens mais sutis de situações a serem discutidas. O uso desse material pelos professores não é obrigatório. Trata-se de um suporte para lidar com assuntos sensíveis, podendo o educador, a seu critério e da equipe pedagógica, aproveitar esse material na medida do seu planejamento, com acompanhamento da coordenação escolar.

Assessoria de Imprensa
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo”

Voltei
O material distribuído pelo governo do estado AOS PROFESSORES — NÃO SE PRODUZIU NADA PARA OS ALUNOS — combate todas as formas de preconceito, inclusive os relacionados à sexualidade. NÃO, EU NÃO CONCORDO COM TUDO O QUE VAI LÁ, não (para ler a íntegra do material, clique aqui). Também ele é fruto de um tempo de coisas fora do lugar. O fato é que são coisas muito distintas. Querer igualar o que se produziu na Secretaria com o que se produziu no MEC é uma forma de fazer campanha eleitoral em favor de Haddad.

Reitero: o material preparado por Fernando Haddad fazia proselitismo. Afirma com clareza que a bissexualidade é mais vantajosa do que a homossexualidade e defende que travestis usem banheiros femininos nas escolas. OS FILMES SERIAM EXIBIDOS AOS ALUNOS!

Estão tentando igualar o que é um material de ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR COM FILMES QUE SERIAM EXIBIDOS EM SALA DE AULA.

Seguem os três vídeos que Haddad queria distribuir AOS ALUNOS!

Por Reinaldo Azevedo

Programa de Haddad propõe incluir no currículo escolar temas como “orientação sexual e religião”. Ou: A grande mentira: kit gay era para alunos a partir dos 11 ANOS.

Vejam esta imagem.

O que ela faz aqui? Vocês saberão.

Na página 93 de seu programa de governo, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, promete, se eleito, fazer o seguinte: “Fomentar a inclusão no currículo municipal das temáticas relativas a gênero, idade, raça e etnia, religião, orientação sexual, necessidades especiais, entre outras”. Como é? “Temáticas relativas a gênero, religião e orientação sexual”? Na última vez em que este senhor enveredou por esse caminho, fizeram-se os famigerados kits gays. Como se vê, ele ainda não desistiu da ideia. Mais: a religião, como fato social, já é objeto dos professores de história — com raras exceções, submarxistas sem informação, formação e imaginação, que fazem profissão de fé de sua ignorância sobre o tema.

Quando, num mesmo parágrafo, um programa de governo mistura “sexualidade, gênero, orientação sexual e religião”, o que se quer é doutrinação. Alguma dúvida de que o cristianismo entraria no chicote e que se faria a apologia dos chamados “comportamentos alternativos”? Como eu sei? Mais do que sei. Eu posso provar.

ATENÇÃO! A Constituição brasileira proíbe qualquer tipo de discriminação. O combate ao preconceito é uma diretriz da educação brasileira. A questão é saber como se faz isso. Há uma diferença gigantesca entre educar e doutrinar. Haddad tem de ser confrontado com suas verdades. Enquanto estava no MEC, autorizou a produção de um material que estimulava crianças de 11 anos a assistir filmes impróprios para a sua idade e a debater o “desconforto com o órgão genital”. Eu demonstro o que digo.

Se o candidato do PT não fosse protegido de sua própria obra por amplos setores da imprensa paulistana, seria confrontado com o trabalho que efetivamente realizou. Em entrevista à Folha e ao Estado, seu adversário, o tucano José Serra, INDAGADO A RESPEITO DO TEMA, afirmou o óbvio: o kit gay que Haddad queria enviar para as escolas era doutrinação, não combate à homofobia. E como reagiu o petista? Chamou a crítica do outro de “ataque pessoal”. E os jornalistas fizeram o quê? Rigorosamente o que têm feito até mesmo antes de a campanha começar: silenciar. Há até um editorial de jornal que decidiu dizer o que pode e o que não pode ser debatido em campanha. Kit gay, pelo visto, não pode! Qual é?

Nas poucas vezes em que se pronunciou a respeito, Haddad falta à verdade de forma clamorosa. Um dos filmes, como já vimos, defende que travestis usem o banheiro feminino nas escolas e que os professores os chamem por seu nome feminino. Outro sustenta que a bissexualidade é mais vantajosa do que a heterossexualidade. Isso não é invenção de ninguém. Está nos filmes. Certa feita, o MEC afirmou que o kit gay seria enviado apenas para alunos de segundo grau — a partir dos 14 ou 15 anos. É mentira. É uma mentira escandalosa! OS KITS GAYS ERAM DIRIGIDOS A ALUNOS A PARTIR DOS 11 ANOS. E por que isso é importante? Ora, perguntem à página 93 do programa do petista.

A imagem
Agora voltamos àquela imagem.

O MEC havia preparado um caderno chamado “Escola Sem Homofobia”, que orientava como aplicar em sala de aula os tais kits gays. Havia lá três vídeos, um DVD e guias de orientação aos professores. O Globo publicou uma reportagem a respeito no dia 26 de maio do ano passado.

O material orienta as dinâmicas em sala de aula para tratar de assuntos como “homossexualidade e bissexualidade” e deixa claríssimo: “Essas dinâmicas podem ser aplicadas à comunidade escolar e, em especial, a alunas/os do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e do ensino médio”. Vale dizer: HADDAD PREPAROU AQUELE LIXO PARA SER OFERECIDO A CRIANÇAS A PARTIR DE 11 ANOS.

Reproduzo um trecho da reportagem do Globo (em vermelho):
A destinação do kit contra a homofobia a alunos do ensino fundamental fica evidente no conteúdo do vídeo “Boneca na mochila”. Este é um dos filmetes do kit e traz na capa uma criança pequena com uma mochila. O vídeo conta uma história baseada em fato verídico: uma mãe é chamada às pressas na escola porque “flagraram” o filho com uma boneca na mochila. No caminho do colégio, num táxi, a mãe escuta essa notícia no rádio e fica ainda mais aflita.
O guia de discussão que acompanha o vídeo sugere dinâmicas para os professores trabalharem com os alunos e discutirem esse conteúdo. Um dos capítulos propõe mostrar os “mitos e estereótipos” mais comuns que envolvem gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, a partir das seguintes afirmações, que devem ser completadas pelos alunos: “Meninos que brincam de boneca e de casinha são…”; “Mulheres que dirigem caminhão são…”; “A pior coisa num gay é…”; “Garotas que partem para a briga são…”.
Ao propor debate sobre sexualidade, a cartilha recomenda questionar ao aluno: “Ser um menino mais sensível e uma menina mais durona significa que são ou serão gay e lésbica?” No material do kit em poder do MEC, há seis Boletins Escola sem Homofobia (Boleshs), destinados aos estudantes, com brincadeiras, jogos, letras de música e dicas de filmes. Todos com o tema diversidade sexual e homofobia. Uma das letras de música incluídas foi a canção “A namorada”, de Carlinhos Brown, cujo refrão diz “a namorada tem namorada”.

Esse tal pênis…
Você achou um pouco exagerado para alunos de 11 anos? Calma que isso é rigorosamente o de menos. No material há coisas como um caça-palavras. O menino e a menina de 11 anos são estimulados a procurar o termo que define, atenção!,“pessoa que sente desconforto com o seu órgão genital”. Ele tem de achar a palavra “transexual”. Apelando à história (é uma gente profunda!), propõe-se “nome da ilha que deu origem à palavra ‘lésbica’”. É “Lesbos”, como sabe o leitor. A estupidez é de tal sorte que, nesse mesmo exercício, há esta proposição dificílima:“órgão sexual que é associado ao ser homem”. Estão a falar do tal “pênis”.

Atenção! O “pênis”, contrariamente à sabedoria convencional, não mais será tratado como um dos traços distintivos do macho. Nada disso! É coisa reacionária! Isso poderia ofender a “pessoa que sente desconforto com seu órgão genital”, entenderam? Afinal, um dos filminhos conta a história justamente do rapaz que se sente mulher. Logo, ter o pênis não quer dizer ser “homem”. De igual sorte, uma menina pode se sentir homem sem ter um pênis. O pênis virou só um penduricalho…

DIGAM-ME: ESSE É OU NÃO UM MATERIAL ADEQUADO PARA SER USADO COM CRIANÇAS DE 11 ANOS??? ACREDITEM!  Não sei se fico tentado a pedir cadeia ou hospício para Fernando Haddad.

Os estudantes, a partir dos 11 anos, também são estimulados a procurar nas locadoras filmes como “Brokeback Mountain”, “A gaiola das loucas”, “Milk” e “Desejo proibido 2”. Um deles, “Milk”, é bastante violento, não recomendado para menores de 16 anos.

Reproduzo outro trecho da reportagem do Globo. Volto para encerrar.
No guia do vídeo “Torpedo”, com a perseguição de alunos a duas estudantes que mantêm uma relação, as ONGs responsáveis pelo material sugerem que, após exibição, seja perguntado aos alunos: “É diferente a reação das pessoas quando vêem duas garotas de mãos dadas e dois garotos de mãos dadas?”; “Um professor, ou uma professora, teria menos credibilidade se fosse homossexual, travesti, transexual ou bissexual? Por quê?”
O Ministério da Educação informou nesta quinta-feira que o material produzido seria indicado apenas para o ensino médio. E que a indicação para o ensino fundamental não seria aprovada. A distribuição do kit foi abortada por ordem da presidente Dilma. A professora Lilian do Valle, professora de Filosofia da Educação da Uerj, alerta: “Quanto mais baixa a idade, mais delicada a situação. É uma idade muito sensível para questões afetivas e psiquícas. Uma palavra mal colocada pode resultar num dano maior do que simplesmente não falar nada. Tem que envolver um trabalho maior, interdisciplinar. Não é simplesmente aprovar uma lei e jogar o kit. É pedir demais do professor esse tipo de responsabilidade. Não se pode esperar que a escola resolva os problemas da sociedade.

Voltei
Haddad quer esconder a própria obra. E conta com a ajuda de amplos setores da imprensa paulistana. Se alguém coloca em seu programa de governo que pretende, se eleito, “fomentar a inclusão no currículo municipal das temáticas relativas a gênero, idade, raça e etnia, religião, orientação sexual, necessidades especiais, entre outras”, então tem de se pronunciar sobre o material que estava pronto para ser distribuído nas escolas. Aliás, consta que algumas serviram de piloto e chegaram a receber os kits.

Respondam:
– Criticar o que vê acima é obscurantismo?
– Uma criança de 11 anos deve ser estimulada a debater o “desconforto” com o órgão genital?
– Uma criança de 11 anos deve ser estimulada a debater se o pênis é ou não uma distinção do “ser homem”?
– Uma criança de 11 anos deve ser estimulada a buscar nas locadoras filmes não recomendados para a sua idade?

Isso é ataque pessoal? Haddad quer ser prefeito, certo? E promete, se eleito, fazer o que vai na página 93 do seu programa. Ora, ele tem biografia nessa área. Obscurantista é ignorar o óbvio. Reacionário é negar o fato por causa de alinhamento ideológico. Estúpido é querer omitir o fato dos eleitores.

Texto publicado originalmente às 5h48

Por Reinaldo Azevedo

 

Sim, acompanhei cada VERSO da “ocupação” de Manguinhos e Jacarezinho, no Rio. Não me comovo com má poesia!

É claro que eu vi na televisão a operação de “pacificação” do Complexo de Manguinhos e da favela do Jacarezinho, no Rio. Acompanhei cada verso! Sim, leitores, falo em “verso” porque, em matéria de UPP e José Mariano Beltrame, boa parte da imprensa, especialmente a televisão, prefere a poesia — e poesia de péssima qualidade — ao jornalismo. Ontem, houve até reportagem que terminou com crianças sorrindo. Quando a imprensa apela a um clichê, ou não tem o que informar ou tem o que esconder. E batata!

Os policiais chegaram, os bandidos evaporaram, e Beltrame concedeu uma entrevista coletiva em que exaltou o ambiente de paz em que tudo se deu. Já são 30 “comunidades” — “favela”, agora, só em São Paulo! — “pacificadas”. Parece haver pouco mais de 1.200. Entendo. O importante é começar.

Ao exaltar a paz da ocupação, entendi que a bandidagem deu no pé. Dali, foi para algum outro lugar, aonde a “pacificação” ainda não chegou. Cinco traficantes pés de chinelo foram presos. Os chefões do tráfico sumiram. Mas o Rio, aquele pedaço ao menos, segundo entendi, voltou a sorrir.

Se um dia o Rio conseguir espantar todos os seus bandidos, os estados fronteiriços é que terão problemas, não é mesmo?

Não! Não venham me pedir versos. Não que não goste deles ou que já não os tenha até mesmo cometido. É que prefiro, nesses casos, a lógica. Os bandidos que Beltrame não prende ficam soltos. Como não mudam de ramo, apenas de rumo, vão fazer vítimas em outro lugar. Como sou um cara bacana, aceito que tentem provar que estou errado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Violência em SP: os tons de vermelho e o rancor antipaulista até da imprensa paulistana!

Se o Rio é poesia pura, com os bandidos soltos, São Paulo, com um número muitas vezes maior de bandidos presos, é objeto da pior prosa jornalística — da carioca, da paulistana, de todo lugar. Vamos ver, no fim do ano, qual é a taxa de homicídio dos dois estados. Vamos ver o que a má prosa e a má poesia conseguiram esconder dos leitores, dos telespectadores, dos internautas…

Há uma leitura verdadeiramente criminosa de certas áreas da imprensa sobre a violência em São Paulo. Setores engajados do jornalismo (ou petistas ou simplesmente antipaulistas) deram agora para, ATENÇÃO!, censurar tanto os bandidos como a polícia em razão de uma suposta guerra que teria sido deflagrada.

Ainda que ela fosse verdadeira — há muito de mistificação nessa história —, parece que o óbvio recomendaria que, nesse caso, o jornalismo tivesse lado, não é? Se bem que tem: contra a polícia. Logo, objetivamente, há gente escolhendo o lado dos bandidos sem medo de ser feliz.

São Paulo hospeda 40% dos presos do país, embora tenha apenas 22% da população. Não é que concentre mais bandidos, não. É que a Polícia daqui prende muito mais, o que deixa nervosos alguns teóricos do bom-banditismo, que enxergam nos meliantes uma espécie de revolta primitiva contra o… capital, entendem?

Policiais de folga têm sido assassinados em maior número. Ninguém ignora que existe no Estado — como existe no Brasil — o crime organizado. Mas a polícia o enfrenta, o que não se faz, obviamente, sem sofrimento também. Sim, prender bandidos é mais caro e mais difícil do que espantá-los. E rende má prosa contrária, em vez de má poesia favorável. As vidas que a polícia paulista salva — o Estado está em penúltimo no ranking de homicídios, e sua capital, em último — não geram notícia. É evidente que o recrudescimento no combate ao crime gera a reação de criminosos. Há, sim, um outro caminho: não prender. Mas isso São Paulo não fará nem em troca da… má poesia.

Delinquências opostas e combinadas
Até outro dia, vigaristas dos cinquenta tons de vermelho, associados à imprensa antipaulista, sustentavam que os baixos índices de homicídio em São Paulo (na comparação com outros estados) decorria de um suposto acordo da polícia com o PCC. Ou, então, afirmava-se, era a bandidagem que impunha a ordem.

Agora, a acusação mudou: estaria em curso uma guerra — em que “todos perdem”, como afirmou um meliante intelectual e moral — entre policiais e bandidos. Ainda que ela existisse, só uma escolha seria decente, não é? Leiam, no entanto, o que se tem produzido por aí. Muita gente escolheu o lado dos bandidos.

São Paulo não tem áreas a serem ocupadas com tanques para esparramar bandidos. Não pode oferecer esse mote para estimular a imaginação poética.  Quando um moleque empina pipa na periferia de São Paulo, só se vê o casario ao fundo, de tijolos vermelhos e cinza, sem o mar por testemunha, sem o barquinho que vai e a tardinha que cai…

Não tendo o que aprender com Sérgio Cabral em matéria de segurança pública, restaria a Geraldo Alckmin receber algumas dicas de marketing (mas sem a Dança dos Sete Lenços). Afinal, a gente está vendo que, em matéria de segurança pública, o matar muito faz os gênios, e o matar pouco, as Genis…

Por Reinaldo Azevedo

Prefeito do Rio lança novo vice para Dilma em 2014

Na Folha:
Uma semana após ser reeleito prefeito do Rio com a maior votação do país, Eduardo Paes (PMDB) antecipou a sucessão presidencial de 2014 e lançou o nome de seu aliado e governador Sérgio Cabral como candidato a vice de Dilma Rousseff (PT). Escancarando o racha no partido, o prefeito defendeu ontem Cabral como substituto de Michel Temer, líder peemedebista que tentou eleger Gabriel Chalita em São Paulo, mas que foi derrotado.

“O que a gente pensa para a aliança PT-PMDB para 2014, o que eu quero, é que o Sérgio Cabral seja o vice da Dilma. A gente gosta e respeita o vice-presidente Michel Temer, mas agora é a vez do governador Sérgio Cabral ser o vice”, afirmou Paes, durante a 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (leia na pág. A8). A declaração de Paes, antes mesmo do segundo turno, atinge três adversários da base aliada de Dilma de uma vez: o senador Lindberg Farias (PT-RJ), o grupo de Temer e o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

No Rio, o PT apoiou a reeleição de Paes já no primeiro turno, mas Lindberg disputa espaço com o PMDB em várias cidades do interior. O senador quer ser candidato à sucessão de Cabral, se possível com apoio do próprio PMDB, que já anunciou que pretende lançar o vice-governador Luiz Fernando Pezão. O próprio Pezão, em entrevista ao jornal “Extra”, defendeu a candidatura de Cabral a vice de Dilma. “Nada contra nosso Michel Temer, mas o Rio tem de se colocar.”

A iniciativa do PMDB do Rio de marcar posição se dá no momento em que as legendas aliadas se agrupam para disputar o segundo turno e se preparam para a sucessão na Câmara e no Senado em 2013. Outro fato novo do primeiro turno foi o salto do PSB de Eduardo Campos, que venceu o PT em Recife e Belo Horizonte, o que o coloca como possível parceiro tanto para petistas como para o PSDB. Líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) prega a manutenção da aliança com o PMDB e diz que a escolha do vice é uma decisão do aliado, mas que prefere a manutenção de Temer.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

“O País dos Petralhas II” sobe nas listas dos mais vendidos. Na 3ª, Brasília!

“O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo” melhora de posição nas listas dos mais “Mais vendidos”. Passou na 7ª para a 6ª na da Folha, mantém-se na 4ª na do Globo e subiu da 8ª para a 4ª na da VEJA.

Refaço o convite para os leitores de Brasília. Na terça-feira, a partir das 19h, lanço o livro na cidade, na Livraria Saraiva do Shopping Pátrio Brasil. Entre 19h e 20h, haverá um bate-papo com os presentes; a partir das 20h, os autógrafos. Os aficionados ponham nesse dia para gravar o capítulo de “Avenida Brasil”, hehe.

 

Por Reinaldo Azevedo

 

VIGARICE INTELECTUAL, TEU NOME É MARILENA CHAUI! OU: FALOU A CARMINHA DO LIXÃO ÉTICO DO PETISMO!

Um amigo me envia um link de um texto publicado no dia 29 do mês passado num troço chamado “Rede Brasil Atual”, que pertence à CUT. O e-mail vinha com uma pequena introdução: “Leia o que disse Marilena Chaui; a mulher endoidou de vez”. Desconfio da sanidade intelectual desta senhora desde quando eu era de esquerda. Assim, não achei que ela pudesse me surpreender. Mas não é que me surpreendeu? Não existe limite para a sua decadência. Quando você imagina que ela não pode ir mais baixo, desafiadora, ela o contraria: “Posso, sim! Quer ver?”. E mergulha de cabeça no esgoto do pensamento, da história e da ética. Antes que entre no mérito, uma breve memória pessoal.

No comecinho dos 80, tentávamos uma greve de professores e estudantes na USP. Numa reunião conjunta de lideranças, dona Chaui — por quem muitos babavam embevecidos; eu e alguns amigos trotskistas a considerávamos mistificadora e populista — mostrava-se mais radical do que os próprios alunos. Num dado momento, indignada com o reitor, disparou um “Vá pra puta que o pariu”. Como não havia temperatura que justificasse aquela manifestação, as palavras como que se materializaram, desfilando naquela sala do Departamento de Filosofia em busca de um contexto. Eu mesmo fiquei encabulado. E não por causa do palavrão. Mesmo quando da canhota, tinha minhas ortodoxias. Achava que, se era para alguém ali se comportar como idiota, que fosse ao menos um de nós, os estudantes… Em matéria de estupidez, Marilena preenche todos os espaços. Havia outra coisa que me deixava um pouco com o pé atrás: sua biografia na esquerda era inexistente até o comecinho dos 80, como aluna e como professora. Quando veio a abertura política e quando já se podia mandar alguém à puta que o pariu, ela se transformou numa extremista. Entenderam? Fim da memória. Vamos ao fato.

No dia 28, Marilena participou de um debate no comitê de uma tal Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT — não se elegeu. O tema era este: “A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. Chaui, cujo salário é pago pelos paulistas há muitos anos para que ensine filosofia, afirmou, segundo a página da CUT, que “os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania”. Entendi. Se eles são tudo isso, entendo que deveriam ser proibidos de se candidatar, não é mesmo? Onde já se viu haver candidatos “prejudiciais à democracia”?

Escreve ainda a Rede Brasil Atual:
“Ela [Marilena] define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Adhemar de Barros e Jânio Quadros.”
Entendi. Mas e Paulo Maluf, de quem Russomanno era aliado antes de migrar para o PRB? O deputado do PP é hoje aliado do PT, como sabemos. Ela falou a respeito. Informa o site:
“Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do ‘grande administrador’, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). ‘Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.’”

Que coisa!
É um novo marco na decadência intelectual desta senhora: virou lavanderia da reputação de Paulo Maluf. Oito dias antes dessa declaração de Marilena, a juíza Liliane Keyko Hioki, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, atendendo a um pedido do Ministério Público, dera prazo até o fim deste mês para o “engenheiro” Maluf devolver aos cofres da Prefeitura de São Paulo R$ 21,350 milhões. A sentença é consequência de uma ação de improbidade administrativa provocada, à época, por denúncia de… petistas, liderados então por José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça. Hoje, são todos aliados de Maluf.

Tudo passou! Aquele era o Paulo Maluf inimigo. Como tal, o PT o acusava de ladrão, truculento, reacionário, direitista (eles acham essa palavra um xingamento), fascista etc. Agora o homem está com o PT e terá uma fatia da Prefeitura caso Haddad vença. Pronto! Desapareceu o Maluf inimigo da democracia e da moralidade. Agora, Marilena Chaui apertaria comovida a sua mão e indagaria: “Como vai, engenheiro, da tradição dos grandes administradores?”.

Vergonha?
Alguém poderia indagar: “Essa mulher não tem vergonha de falar essas coisas?”. Não! Esquerdistas da linhagem a que ela pertence não têm vergonha, só interesses. Se Maluf serve ao projeto de poder do partido, eles lavam a sua biografia e podem até canonizá-lo, a exemplo do que fizeram com José Sarney, transformado em herói e estadista por Lula. Marilena Chaui é a Carminha do lixão ético petista.

Não pensem que ela parou por aí, não! Esta senhora, como vocês sabem, é a verdadeira formuladora da tese de que o mensalão era uma tentativa de golpe contra o governo Lula. Em sua palestra, mandou ver, segundo o site que trouxe a notícia:
“De acordo com ela [Marilena], se a República é constituída de três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: ‘O fato de que o Poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem de erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República’”.

O “isso” a que ela se refere é o julgamento de petistas. Marilena acha que se trata de uma ameaça à República e propõe que alguém “erga a voz” contra ao Judiciário. Não é do balacobaco? Julgar petistas segundo todos os rigores da Constituição e das leis é, para a notável professora, um “golpe”. Já erguer a voz contra o Poder Judiciário deve ser exercício democrático…

Faz sentido, não é? A mulher que demoniza Serra como uma ameaça à democracia e insere o “engenheiro” Paulo Maluf na linhagem dos grandes administradores tem mais é de classificar de democracia a tentativa de golpe petista e de golpe o exercício da democracia.

Nem eu, que via com desconfiança aquela senhora meio destemperada no comecinho dos 80, imaginei que ela fosse morrer abraçada a Paulo Maluf. Tudo devidamente sopesado, é um fim justo para ambos.

Texto publicado originalmente às 5h07

Por Reinaldo Azevedo

Serra: “Kit gay quer doutrinar em vez de educar”. Ou: “Eu não sou cristão de boca de urna”

O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, concede neste domingo entrevista ao Estadão e à Folha. Destaco trechos da primeira.

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Por Bruno Boghossian e Iuri Pitta:
Na semana em que o candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad voltou a ser alvo de setores religiosos, o tucano José Serra disse que o problema do material de combate à homofobia elaborado na gestão do petista no Ministério da Educação era “pedagógico”. “O kit gay quer doutrinar em vez de educar”, afirmou. A presidente Dilma Rousseff cancelou a distribuição do material. Serra defendeu que religiosos possam manifestar opinião nas eleições e criticou o PT por “reprimir” as que não são favoráveis ao partido. “O Silas Malafaia apoiou o Eduardo Paes com vice do PT no Rio. Foi do conselhão do Lula. Declarou apoio a mim, virou inimigo.” O tucano reconheceu que a renúncia à Prefeitura, em 2006, prejudicou sua votação há uma semana e anunciou que vai adotar propostas de siglas que o apoiam no 2.º turno, como o auxílio-creche a mães que esperam vaga, de Soninha Francine (PPS).
(…)
O sr. tratou da questão da renúncia na campanha, mas ainda hoje é questionado pelos eleitores sobre isso. Essa dúvida prejudicou sua votação no 1º turno?
Acho que sim, embora, na época, não fosse uma dúvida. É um problema que surgiu na própria eleição municipal, e é natural que seja assim. Dentro do que me é permitido fazer, eu fiz e vou continuar fazendo. Eu não deixo de conversar a respeito.
(…)
No 1º turno, seus dois principais adversários trataram de projetos a fim de reduzir a tarifa de ônibus. O sr. tem proposta para reduzir o custo da passagem?
A proposta do bilhete mensal não é redução de custo. Aí é que está a enganação. A outra não tinha cabimento. Não é que cause dano, só não tem relevância, e foi apresentado como grande ideia, a meu ver por estratégia eleitoral e porque não pensaram muito.

O ministro Gilberto Carvalho disse que o mensalão atrapalhou o PT na eleição. O sr. concorda?
Claro que atrapalha. O mensalão é um processo em cima do PT e do seu governo. E não é só processo, agora é condenação. O empenho deles é que passe desapercebido, mas não passa.

O sr. já tinha apoio do PR, que tem um réu condenado, e agora tem do PTB, que também tem…
O (Roberto) Jefferson foi quem denunciou o mensalão. Pode ter gente de outros partidos, mas o mensalão é do PT.

Em resposta, o PT já tem falado do chamado “mensalão mineiro”.
É a reação tipicamente petista. Bate carteira e grita ‘ladrão’ para dispersar a atenção. O PT no governo foi um retrocesso em termos de moralidade pública.

O sr. se refere só ao governo Lula, ou inclui o governo Dilma?
A Dilma pegou essa herança. Ela é do PT, se comporta como petista. Começou fazendo gentilezas ao Fernando Henrique, mas, na hora H, voltou às coisas anteriores, satanizando o governo anterior sem hesitar.

O sr. acha que o material de combate à homofobia foi o ponto mais fraco da gestão de Fernando Haddad na Educação?
O pior foi a área educacional propriamente dita. Quem tem que se explicar sobre o kit é ele, a Dilma, que revogou (a distribuição), e o TCU, que está cobrando os R$ 800 mil gastos nisso. Quando eu era ministro, não saía uma peça publicitária ou educacional sem que antes eu tivesse revisado o conteúdo. É inadmissível! Mas a questão é a gestão, que vai deixar marcas desastrosas para o futuro: a desmoralização do Enem, as maiores greves da história desde o governo Figueiredo.

Ainda sobre o kit, pastores evangélicos, em especial Silas Malafaia, fizeram críticas fortes ao conteúdo. O sr. concorda?
O Silas Malafaia apoiou o Eduardo Paes com vice do PT no Rio. Ele foi do conselhão do Lula, aquele conselho de desenvolvimento social. O problema é que, declarando apoio a mim, passou a ser inimigo do PT. Eu não vi a crítica mais aprofundada, mas tem um erro incrível, inclusive de matemática, quando, no fundo, faz apologia do bissexualismo. Diz que é bom ser bissexual porque você aumenta em 50% a chance de ter programa no fim de semana. Não é 50%, é 100%. Segundo, isso não é combater homofobia, é uma espécie de doutrina. O problema do kit gay é acima de tudo pedagógico. Quer doutrinar, em vez de educar.

Se assumir a Prefeitura, o sr. pretende criar programa de combate à intolerância nas escolas?
Homofobia e intolerância tem de ser combatidas sempre, de forma adequada. Eu fiz isso sempre na vida pública: políticas para deficientes, mulheres, idosos. Meu currículo em matéria de enfrentamento da discriminação e do preconceito ganha de qualquer petista. Essa questão religião-política: os católicos e os evangélicos têm o direito de se manifestar. De repente, isso fica proibido! No caso do PT, sempre que não é a favor deles. Eu não sou cristão de boca de urna. O PT quer sempre reprimir isso quando não é do lado deles. É antidemocrático e preconceituoso.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma agora quer cotas raciais no serviço público e estado como babá de cotistas. Ou: Risco à democracia

Quando o Supremo Tribunal Federal, contra a letra explícita da Constituição, considerou que as cotas raciais nas universidades eram legais, estava abrindo a Caixa de Pandora. E os monstros começaram a sair. Pode chegar o dia em que, em nome da suposta reparação de injustiças, vai-se mandar a própria democracia às favas. E, acreditem, já existem propostas nesse sentido. Leiam o que segue abaixo. Volto em seguida.

Por João Carlos Magalhães e Natuza Nery, na Folha:
O Palácio do Planalto prepara o anúncio para este ano de um amplo pacote de ações afirmativas que inclui a adoção de cotas para negros no funcionalismo federal. A medida, defendida pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, atingiria tanto os cargos comissionados quanto os concursados. O percentual será definido após avaliação das áreas jurídica e econômica da Casa Civil, já em andamento.

O plano deve ser anunciado no final de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra (dia 20) e estarão resolvidos dois assuntos que dominam o noticiário: as eleições municipais e o julgamento do mensalão. O delineamento do plano nacional de ações afirmativas ocorre dois meses depois de o governo ter mobilizado sua base no Congresso para aprovar lei que expandiu as cotas em universidades federais.

A Folha teve acesso às propostas. Elas foram compiladas pela Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e estão distribuídas em três grandes eixos: trabalho, educação e cultura-comunicação. A cota no funcionalismo público federal está no primeiro capítulo: propõe piso de 30% para negros nas vagas criadas a partir da aprovação da legislação. Hoje, o Executivo tem cerca de 574 mil funcionários civis.

No mesmo eixo está a ideia de criar incentivos fiscais para a iniciativa privada fixar metas de preenchimento de vagas de trabalho por negros. Ou seja, o empresário não ficaria obrigado a contratar ninguém, mas seria financeiramente recompensado se optasse por seguir a política racial do governo federal. Outra medida prevê punição para as empresas que comprovadamente discriminem pessoas em razão da sua cor de pele. Essas firmas seriam vetadas em licitações.

EDUCAÇÃO E CULTURA
No campo da cultura, há uma decisão de criar incentivos para produtores culturais negros. Na semana passada, a ministra Marta Suplicy (Cultura) já anunciou que serão lançados editais exclusivos para essa parte da população.

No eixo educação, há ao menos três propostas principais: 1) monitorar a situação de negros cotistas depois de formados; 2) oferecer aos cotistas, durante a graduação, auxílio financeiro; 3) reservar a negros parte das bolsas do Ciências sem Fronteira, programa do governo federal que financia estudos no exterior.
(…)

Voltei
Bem, dizer o quê? Antevi, como sabem, que isso aconteceria. Se o mérito não é mais o único critério a garantir o acesso de alunos ao terceiro grau público, por que haveria de ser no funcionalismo? Essa proposta é ainda pior do que a cota nas universidades federais. Naquele caso, introduz-se, ao menos, o viés social na questão racial, embora um branco pobre com melhor desempenho possa ser preterido em favor de um “negro” pobre com desempenho inferior — escrevo “negro” entre aspas porque o Estatuto da Igualdade Racial (o nome parece piada!) considera “negros” também os mestiços. Por que o filho de um(a) negro(a) com branco(a) é negro e não branco é um mistério até hoje sem explicação. É dessas coisas de tal sorte absurdas que as pessoas ficam com receio de fazer a pergunta óbvia, temerosas de que a resposta seja tão evidente que nem precise ser dada. E, claro!, trata-se de uma questão sem resposta. Os “mestiços” foram privatizados pelos movimentos racialistas.

No caso do funcionalismo, tem-se só mesmo a questão racial. Permite que um negro rico, ainda que com desempenho eventualmente inferior, tome a vaga de um branco pobre. Na área da cultura, como se informa acima, já teve início uma política segregacionista mesmo. Marta anunciou que fará editais a que só negros poderão concorrer.

Já há propostas para que o Congresso Nacional seja composto segundo a cor da pele dos brasileiros declarada ao IBGE. Se e quando isso acontecer, não teremos mais um Parlamento composto pelos mais votados. Ah, sim: também o corpo docente das universidades terá de se adaptar.

Notem ainda que terá início o cotismo de segunda geração. O governo quer dar auxílio material a cotistas enquanto estiverem estudando, acompanhar a sua carreira depois de formados e conceder bolsas no exterior. O estado agora será a eterno babá dos beneficiados por essa política.

 O pior é que se vai fazer isso tudo sem debate ou resistência.

Por Reinaldo Azevedo

 

A política de segurança da dupla Cabral-Beltrame mostra a sua cara. Bandido solto é bandido no comando, mas longe do cartão-postal

De todas as críticas que fiz nestes seis anos de blog, a que foi mais estupidamente incompreendida é a que dirigi à política de segurança do estado do Rio. Há algum mal em instalar UPPs em favelas? Não! É um bem! Então onde está o problema? Na tática que chamei “espalha-bandido”. O arquivo comprova quão antiga é esta minha opinião. Como traficante não vai começar a trabalhar com carteira assinada só porque a turma do asfalto está doida para celebrar a “pax”, a bandidagem vai aterrorizar outras comunidades.

Fica parecendo que o problema do Rio era de sensibilidade ferida: o tráfico à luz do dia nas favelas encravadas em áreas nobres da cidade feria certo senso de decoro. E intranquilizava, com razão, os setores formadores de opinião. A cidade ficava muito distante dos sonhos dos cartões-postais.

A política de segurança implementada pela dupla Sérgio Cabral-José Mariano Beltrame levou à “periferização” do tráfico — ficou mais distante daqueles sonhos de integração social e de cartão-postal. Reitero: o mal não está em fazer chegar as UPPs às favelas, mas em deixar a bandidagem solta.

Abaixo, segue reportagem de Leslie Leitão na VEJA desta semana. Volto depois dela para encerrar.

OS BANDIDOS NO COMANDO – Soldado do tráfico embala cocaína: em Manguinhos, a polícia não entra depois das 6 da tarde, tiroteios são parte da rotina e os tribunais de execução espalham o medo

Desde a ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro, em novembro de 2010, duas perguntas pairavam no ar. A primeira: onde foram parar os marginais flagrados pelas câmeras de televisão fugindo mata adentro? E que favela sucedeu ao Alemão no papel de maior entreposto de drogas da cidade? Segundo investigações ainda em curso da Polícia Civil, a cujos detalhes VEJA teve acesso, a resposta é uma só: os cabeças da gangue do Complexo do Alemão se encastelaram na região de Manguinhos e Jacarezinho – aglomerado de cinco favelas na Zona Norte onde está fincada a maior cracolândia carioca – e converteram o lugar na nova central do crime na cidade. Não encontraram resistência, como mostra de forma inequívoca um conjunto de vídeos que perfazem mais de dez horas de gravação e escancaram a impunidade nesse naco do Rio conhecido como “Faixa de Gaza”. As imagens são a evidência inconteste da extensão do poder dos criminosos naquela área, onde vivem quase 100 000 pessoas e os bandidos se sobrepõem à lei há mais de duas décadas. Neste domingo, 14, ela será ocupada para a instalação de duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), o primeiro passo para dar fim aos desmandos da bandidagem.

Numa sequência filmada em agosto passado, choca a naturalidade com que os marginais tocam suas atividades criminosas sem se preocupar com a discrição. Ao contrário: à luz do dia, cinco homens contam o dinheiro separado em centenas de pilhas sobre a mesa de um bar, enquanto comparsas ostensivamente armados – um deles usando um cinto abarrotado de munição – entram e saem do estabelecimento, situado em uma das principais ruas da favela. Duas mulheres grávidas com seus filhos compram comida no balcão ao lado. Crianças brincam junto a um ponto de venda de cocaína. Em outro trecho, vê-se a droga estocada em grandes bacias e sendo embalada em pequenos sacos plásticos. Os bandidos trabalham sob as ordens de Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, 37 anos, conhecido como Piloto. Segundo a polícia, nos últimos dois anos ele se tornou o mais poderoso traficante ainda à solta no Rio de Janeiro.

PODEROSO CHEFÃO – O traficante Marcelo Piloto (à esq.), que abrigou em seus domínios os comparsas do Complexo do Alemão: sua gangue fatura 45 000 reais por dia só com crack e conta o dinheiro no meio da rua

As UPPs em Manguinhos sucederão a outras 28 dessas bases permanentes da polícia já fincadas pelo estado em redutos do crime. Uma força-tarefa formada por policiais civis e militares e blindados da Marinha tomará a área, ocupando seus pontos estratégicos. Com a ação, a polícia pretende asfixiar mais uma artéria fundamental para os negócios da maior facção criminosa do Rio, o Comando Vermelho. Guarnecido de 100 fuzis, esse quartel-general do tráfico chama atenção pela ousadia dos criminosos que abriga. Nas ruas da “Faixa de Gaza”, nunca entra policial depois das 6 da tarde. Os tiroteios são tão comuns que a vizinha Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, mandou blindar as janelas do castelo onde funciona sua sede. Numa demonstração de força, em julho passado dez homens da quadrilha invadiram uma delegacia para resgatar um comparsa que havia sido preso horas antes. Esse traficante, Diogo de Souza Feitosa, o DG, aparece livre nas ruas da favela no vídeo obtido por VEJA. Exibe uma generosa coleção de cordões e anéis de ouro e paga doces às crianças. O reinado da gangue de Manguinhos ergueu-se sobre o assistencialismo e o terror. Ali são frequentes os “tribunais do tráfico”, em que o chefe do bando dá a sentença final. Dois anos atrás, quinze viciados em crack que importunavam moradores da região foram executados a bala e tiveram o corpo esquartejado e lançado à fogueira.

SEM LIMITES – Prédio do PAC (à esq.) e o foragido Diogo DG (à dir.): a ousadia dos marginais chegou a ponto de eles tomarem posse dos imóveis e invadirem uma delegacia para resgatar um comparsa preso

A polícia também descobriu que a bandidagem de Manguinhos expandiu suas atividades para além do tráfico e da venda de armas, esparramando seus tentáculos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Esse complexo de favelas foi o primeiro na cidade a receber os conjuntos habitacionais do PAC – um investimento de 660 milhões de reais. O inquérito policial concluiu que os traficantes haviam se apropriado de dezenas desses imóveis, que passaram a alugar, vender e até a usar como esconderijo. Consta que só Marcelo Piloto, o chefe da gangue, tem sob seu poder as chaves de doze apartamentos. Alvo de quinze mandados de prisão, ele é acusado de uma extensa lista de crimes – tráfico, homicídio, assaltos e formação de quadrilha. Piloto está foragido há cinco anos, mas até a semana passada circulava como um rei por seu território. E ainda posava de líder comunitário: nos vídeos, ele aparece “despachando” com moradores, que fazem fila para lhe pedir que resolva brigas de casais e de vizinhos e providencie remédios e comida. Ao ouvirem rumores de que a polícia ocuparia a área, Piloto e seus comparsas evaporaram de Manguinhos, dando sumiço também ao arsenal que, a esta altura, deve estar bem guardado em outra favela. Que a polícia comece já a caçada ao bando – a tempo de evitar que se erga mais um QG do crime no Rio.

Voltei
Muito bem! A UPP chegando, os chefões do tráfico, que continuarão soltos, se mandam. Vão para onde? Para a fila do seguro-desemprego? Acho que não! Digamos que, um dia, o estado do Rio ocupasse todas as favelas — isso não vai acontecer porque falta mão de obra para tanto — sem prender ninguém… Qual seria a consequência? Só restaria uma: a exportação de bandidos para o interior do Rio ou para outros estados.

Infelizmente, setores consideráveis da imprensa se negam a ver o óbvio e tomam o que não presta pelo que presta. Ainda que soe tautológico, isto precisa ser dito: a parte ruim da política de segurança do estado do Rio não é a parte boa, mas a… ruim!!!

PS – Segundo certa imprensa, o PT, Dilma Rousseff Gabriel Chalita, o governo de São Paulo tem muito a aprender com o do Rio nesse particular. Eu acho que não.

Por Reinaldo Azevedo

Professor Luizinho, o chefe do Zé Linguiça, critica o tribunal que o absolveu! Ele tem razão em parte: eu o teria condenado!

Petistas, está dado, não aprendem nada nem esquecem nada. A Folha deste sábado traz uma entrevista com Luiz Carlos da Silva, o “Professor Luizinho”, ex-líder do governo na Câmara, que recebeu R$ 20 mil do valerioduto. Era acusado de lavagem de dinheiro. Na defesa, o advogado do réu afirmou que seu cliente nem mesmo sabia do dinheiro e que o saque fora feito por um assessor seu, o Zé Linguiça.

Pois bem! O petista concede hoje uma entrevista à Folha. Para lavar a alma, diz, só falta uma coisa: a vitória de Fernando Haddad em São Paulo. Leiam alguns trechos, que comento:

(…)
O sr. está decepcionado com as condenações?
No caso do Genoino, do Dirceu, do João Paulo Cunha. Para mim, de verdade, acho que teve mudança na jurisprudência para poder garantir que eles pudessem ser condenados. Comigo, a falta de provas possibilitou que eu tenha esse resultado. Genoino tem razão de estar abatido. Não é possível uma pessoa que teve sua vida em risco para garantir que o Brasil tivesse a democracia plena que está vivendo hoje ser cassado, condenado. Nesse processo de democracia, da forma como foi feito, com pressão da imprensa, da oposição, é uma violência. Respeito a decisão do Supremo, mas querer que eu concorde com ela? Não posso, com ela não vou concordar nunca. Temos processos anteriores em que pessoas foram inocentadas porque se adotou outro caminho.

Comento
1: É um pensador! Notem que ele está decepcionado só com a condenação dos petistas — para os réus dos outros partidos, ele não dá bola. Como foram condenados por corrupção passiva, o “Professor Luizinho” queria passivos sem… ativos!
2: Então Genoino pôs a vida em risco em nome da democracia? É mesmo? Quer dizer que a guerrilha do Araguaia, comandada pelo PCdoB, queria democracia no país? Segundo o próprio partido, o objetivo era instaurar a ditadura comunista.
3: Luizinho quer uma democracia sem “pressão da imprensa e da oposição”. Luizinho quer, em suma, uma ditadura como a coreana ou a cubana, onde não há imprensa e oposição que pressionem.
4: O petista, como a gente vê, acha que o tribunal é ruim quando condena os companheiros e correto quando o absolve. É a cara do seu partido. Corolário: tribunal bom é que o que absolve os amigos e condena os inimigos.

A princípio, o julgamento parece não ter afetado o desempenho do PT nas urnas?
O povo acompanhou esse processo diuturnamente, mas o povo percebeu que tinha coisas estranhas. Tem um pouco daquele sentimento semelhante daquela coisa, da mulher, da namorada, que possui um sexto sentido. O povo possui esse sexto sentido. Está percebendo: “Tá muito carregado isso aqui”.
Então a população deu um voto de confiança ao PT?
O povo pensa: “Um partido que nos tira de situação de desencontro, que honra, que pode não ter feito tudo na intensidade que queria, mas que fez, que demonstrou que tentou fazer, que está fazendo”. No governo Lula, é inegável a revolução, do miserável que deixou de ser miserável, dos pobres que deixaram a ser pobres. O povo pensa: “Não é possível”. É o sexto sentido do povo, dá nisso.

A fala de Luizinho é uma glossolalia meio sem sentido, mas dá para entender aonde ele quer chegar: a população, satisfeita com o governo, estaria, na verdade, dando apoio aos mensaleiros em razão da gestão bem-sucedida (segundo ele) do PT. Ou por outra: um governo popular pode corromper e ser corrompido. O povo, como as mulheres, teria um sexto sentido… Bem pensado, faz uma avaliação depreciativa do povo e das mulheres. E foi adiante:

“Na oposição há uma elite rancorosa com o PT, que não aceita que o operário tenha conseguido fazer. Ou não tinham vontade ou competência. Ou é inveja mesmo. Para que minha alma possa ser lavada plenamente do ponto de vista pessoal, neste momento, é garantir os segundos turnos. A vitória, que isso aí ajuda a lavar nossa alma.”
O PT, está claro, tentará usar uma eventual vitória em São Paulo para voltar à sua tese original: o mensalão não existiu, e tudo não passou de uma tramoia da “oposição rancorosa”, aquela mesma que não pediu o impeachment de Lula, embora tivesse motivos para isso…. Impressionante! O membro de um partido que corrompeu e se deixou corromper ataca a oposição pela sem-vergonhice patrocinada e praticada por seus companheiros.

O chefe do Zé Linguiça é um verdadeiro açougueiro da história.

Por Reinaldo Azevedo

 

PF também investiga suspeita de fraude em licitação do MEC feita na gestão Haddad

Por Dimmi Amora e Fernando Mello, na Folha:
A Polícia Federal apura suspeita de fraude em contrato do Inep, instituto ligado ao MEC (Ministério da Educação) e responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para a prestação de serviços de informática. Segundo a Folha apurou, a polícia já reuniu indícios de que um mesmo grupo criou, em nome de laranjas, três das quatro empresas que venceram lotes da licitação. Já foram interrogados, desde o início deste ano, dezenas de empresários e servidores envolvidos no negócio.

Conforme a Folha noticiou ontem, auditoria do Tribunal de Contas da União também encontrou irregularidades nessa concorrência, que soma R$ 42,6 milhões. Ela foi promovida pelo MEC em 2011, na gestão do hoje candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. A contratação foi ordenada em maio do ano passado, após problemas na realização de edições do Enem. As vencedoras foram Ata Comércio e Serviços, DNA Soluções Inteligentes, Jeta Soluções e Serviços e Monal Informática. As suspeitas se concentram nas três últimas.

INDÍCIOS
Nos caso da Monal e da Jeta, a PF suspeita que uma mesma pessoa produziu assinaturas diferentes em documentos apresentados. Já foi constatado pelo menos um falso atestado de capacidade de uma empresa. Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi a baixa disputa. O valor pago pelo MEC por seis lotes de serviços e equipamentos significou um desconto de 13% sobre o preço máximo. Mas, em alguns lotes, o desconto ficou em 4%, bem abaixo do padrão dos pregões eletrônicos (entre 20% e 30%).Nesses lotes, concorrentes fizeram uma única proposta e logo abandonaram o pregão.
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Por Reinaldo Azevedo

 

“Haddad está virando, a cada dia, um pouco mais de José Dirceu”

Por Gustavo Porto, no Estadão Online:
O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, afirmou nesta sexta-feira, 12, que o ex-deputado federal e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é o fundador no País do “esquema pega-ladrão” e que seu adversário na corrida à Prefeitura, o petista Fernando Haddad, é companheiro e camarada do político condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso do mensalão. “José Dirceu quando atacado, ataca o outro. Esse é o esquema do pega-ladrão, que ele fundou no Brasil; ele bate carteira, sai correndo e grita: ”pega-ladrão, pega-ladrão””, disse Serra, antes de visita ao Catavento Cultural e Educacional, na região central da capital paulista.

“O Haddad apenas está seguindo as lições de Dirceu, de quem é companheiro e camarada e a quem defende e considera inocente”, atacou o tucano. “Haddad está virando a cada dia um pouco mais do José Dirceu”, afirmou o candidato do PSDB.
(…)

Serra criticou, porém, a atuação do adversário no Ministério da Educação (MEC) e citou as investigações no Tribunal de Contas da União (TCU) que apontam indícios de fraude em licitações no sistema de segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “O que aconteceu com o Enem na gestão do Haddad é uma das maiores calamidades na história da Educação do Brasil. Ele não conseguiu fazer durante três anos o Enem e, além de fracassar rotundamente, há agora licitações viciadas e que são investigadas pelo TCU”, disse.
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Por Reinaldo Azevedo

 

A escalada autoritária da Doida da Casa Rosada

Na VEJA.com:
A criatividade do governo de Cristina Kirchner em encontrar táticas para fiscalizar e impedir a entrada e saída de recursos da Argentina chegou a um patamar assustador. Segundo resolução publicada nesta sexta-feira no Boletín Oficial (similar argentino do Diário Oficial do União), as agências de turismo terão de apresentar ao governo uma ficha detalhada de todos os argentinos que viajam ao exterior. As declarações deverão ser juramentadas em cartório antes de serem enviadas ao órgão de controle de fluxo de capitais argentino, a AFIP (Administración Federal de Ingresos Públicos).

De acordo com o jornal argentino Clarín, as agências deverão informar ao governo os detalhes da passagem, hotéis, duração da viagem e até mesmo o valor que cada turista gastará durante sua viagem. A medida vale para agências e operadoras turísticas que atuam na Argentina. Após o envio da declaração, a medida prevê que caberá à AFIP decidir se permitirá ou não a compra de dólares para pagar a viagem. 

A medida deverá entrar em vigor no dia 5 de novembro, segundo informação adiantada pelo jornal El Cronista. O objetivo do governo argentino é estancar a saída de dólares que tem ocorrido por meio do turismo – e que já soma 5,5 bilhões de dólares em 2012.

Os argentinos continuam sem poder comprar dólares livremente. Para comprar passagens, estadias em hotéis ou qualquer tipo de passeio em moeda estrangeira, é preciso autorização do Banco Central argentino.

Por Reinaldo Azevedo

 

Haddad toma comunhão na boca da urna e acusa adversário de explorar a religião. Ou: É lícito a um não-católico participar da Eucaristia? Respondo

É sempre assim… Chegam as eleições, e petistas que nunca deram a menor bola para a religião tornam-se católicos, quase carolas. Chegou a vez de Fernando Haddad. Mais um pouco, essa turma do PT disputa um papel nas novelas que não se cansam de fazer caricatura do catolicismo.

Nota à margem: os autores de novelas aprenderam que é preciso respeitar todas as religiões em nome da diversidade cultural, que se tornou um valor. Respeitam todas, claro!, menos o cristianismo. Católicos e evangélicos, nos folhetins televisivos, são invariavelmente hipócritas, falsos moralistas, pilantras… Há a evangélica que evoca a Bíblia e faz filme pornô, a católica que faz o sinal da cruz, chifra o marido e rouba dinheiro de ONG dirigida por um padre pilantra e comilão, a carola que já foi quenga… Chama-se a isso “liberdade de expressão”, claro! Não se ousaria retratar um muçulmano assim para milhões de pessoas, certo? Seria considerado preconceito. Sem contar o eventual perigo… Termina a nota à margem. Sigo.

Seguindo
Antes de Dilma Rousseff ser candidata à Presidência, quantas vezes nós a vimos numa igreja? Resposta: nenhuma! Antes de Fernando Haddad ser candidato à Prefeitura, qual era a intimidade que exibia com a religião? Ocupando cargos públicos, o que falaram ou disseram que demonstrasse respeito às convicções religiosas? Essas são perguntas objetivas e têm respostas também objetivas.

Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma “honrou” o catolicismo defendendo a legalização do aborto. E o fez de várias maneiras. Deu declarações nesse sentido e permitiu que o Plano Nacional de Direitos Humanos incorporasse a legalização como diretriz a ser seguida pelo governo. O plano veio à luz na forma de um decreto. Todo decreto ganha forma final na Casa Civil. Quando percebeu que a questão poderia lhe custar caro eleitoralmente, foi à igreja rezar e se persignar — de modo errado, diga-se. O plano, aprovado necessariamente por Dilma, bania todos os crucifixos de órgãos públicos, numa clara manifestação de perseguição religiosa.

E Haddad no poder? Como se demonstrou seu apego aos fundamentos do cristianismo ou, se quiserem, do catolicismo em particular? Ora, entregando uma dinheirama a ONGs militantes para que organizasse o tal kit gay. O material é pedagógica e didaticamente doloso na medida em que, sob o pretexto de combater a intolerância, faz a apologia de comportamentos sexuais de exceção — que devem, sim, ser respeitados —, apontando a sua suposta vantagem no cotejo com o comportamento de regra. Entre outros absurdos, sustenta-se, num dos filmes dirigidos a adolescentes, que a bissexualidade traz vantagens em relação à heterossexualidade porque o bissexual tem mais chances de ter com quem sair no fim de semana. O nome disso é delinquência intelectual. Nesse caso, Haddad não quis ouvir os cristãos, católicos ou evangélicos, porque, sustentava-se, a educação no Brasil é laica.

Muito bem! Hoje, lá foi ele fazer o sinal da cruz e comungar na Obra Social Dom Bosco de Itaquera, Zona Leste, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, comandada pelo padre Rosalvino Morán Viñayo. O Estadão retratou assim a sua postura durante o culto: “Durante a maior parte do culto, Haddad, que em seus discursos tem enfatizado a necessidade de separar política e religião, manteve uma posição rígida, com o semblante fechado e as mãos cruzadas à frente do corpo, enquanto sua mulher, Ana Estela, e Chalita, ambos à vontade, cantavam hinos católicos e agitavam os braços. Ao final, o petista rezou um pai nosso e comungou.” Como a gente nota, um homem sério e respeitador, certo?

Até comungou!
Como não se tem notícia de qualquer vínculo anterior de Haddad com o catolicismo, agora se dá destaque à sua “formação ortodoxa”.  Ninguém vai investigar seus vínculos reais com a Igreja Ortodoxa, e fica tudo por isso mesmo… Digamos que ortodoxo fosse, ele poderia ter comungado?

A Igreja Católica não é a festa da uva, a que basta chegar para ir se enturmando. O Direito Canônico trata do assunto no Cânone 844, a saber:
“Os ministros católicos podem legalmente administrar os sacramentos apenas aos membros católicos fiéis a Cristo; estes só podem receber os sacramentos de ministros católicos”. Mas se abre, sim, uma exceção específica para a Igreja Oriental (à qual pertenceria — ??? — Haddad). No parágrafo terceiro desse cânone:
“Os ministros católicos podem legalmente administrar os sacramentos da penitência, Eucaristia e unção dos enfermos aos membros das Igrejas orientais que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica se, espontaneamente, lhes perguntar se estão devidamente preparados (…)”

Não sei se a pergunta foi feita. Parece que não! Se fosse, até imagino qual seria a resposta — e certamente estaria em desacordo com os fatos.

Antes da missa, vejam vocês, esse Haddad que descobriu agora o seu amor pelo catolicismo acusou o adversário José Serra de explorar temas religiosos… Como a gente nota, ele não faz isso, certo? Ele só comunga na boca da urna, mas não explora a religião…

Não por acaso, o seu cicerone na Igreja é este católico exemplar chamado Gabriel Chalita.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma em SP para reunião com Lula com o dinheiro do contribuinte: é o mensalão por outros meios

O deslocamento do presidente da República de um estado para outro custa muitos milhares de reais a mais do que a Presidência já consome normalmente. Pois bem! Dilma Rousseff se deslocou anteontem para São Paulo, com todo o séquito. Segundo a assessoria de Imprensa do Palácio do Planalto, cuidava de uma “agenda privada”. Não deixava de ser uma informação correta. A chefe do Executivo veio se encontrar com o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que, salvo engano, não exerce mais cargo nenhum no país. Ficaram fechados por longas quatro horas no escritório da Presidência na capital paulista. Participaram da reunião os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), além de Marco Aurélio Garcia, assessor especial.

Todas essas pessoas, exceção feita a Lula, têm gabinetes em Brasília. Carvalho trabalha no mesmo prédio em que Dilma dá expediente. Os outros podem se deslocar a pé para o Palácio do Planalto. O que se viu, então, foi o gabinete presidencial se deslocando de Brasília para o encontro com aquele que se pretende — e, como tal, é tratado ainda — condestável da República. Dilma deixou seus afazeres de presidente para cuidar da disputa eleitoral na cidade. Isso dá uma medida da importância que tem para o PT — e para o Apedeuta em particular — a eventual eleição de Fernando Haddad, especialmente depois que Recife derrotou o Babalorixá de Banânia, e Belo Horizonte, a própria presidente da República.

Bastaram dois anos e uma eleição para que Dilma demonstrasse que, se preciso, perde a linha sem medo de ser feliz. Já nomeou uma ministra de Estado (Marta Suplicy, da Cultura) para estimulá-la a ingressar na campanha de Haddad. Agora, Gabriel Chalita já recebeu a promessa de um assento na Esplanada dos Ministérios para fechar acordo com o candidato petista à Prefeitura.

Como se vê, trata-se do uso escancarado da máquina pública em favor do candidato do partido. A nova fantasia do PT — ainda voltarei ao assunto em outro post — é a de que uma vitória na maior cidade do país seria a evidência de que a população não está nem aí para o mensalão. Nunca estive entre aqueles que acreditavam que o escândalo pudesse fulminar o PT. Irrelevante certamente não é, e isso não está ainda quantificado — nem mesmo qualificado. De todo modo, uma coisa é certa: as urnas não absolvem o que — e os que — o STF condenou. A corte, por intermédio dos seus ministros, já caracterizou devidamente o que foi o mensalão: uma tentativa de golpe nas instituições republicanas.

Ora, o que foi o mensalão? O emprego de recursos públicos, por meio de uma engenharia criminosa, para tornar irrelevante a própria democracia. Tratou-se de um processo de privatização do estado em benefício de um partido e de um projeto de poder. Pois bem: quando Dilma nomeia uma ministra de Estado e promete nomear outro para tentar eleger seu candidato, faz o quê? Quando recebe em gabinete oficial — e o escritório da Presidência em São Paulo é… a Presidência! — um grupo para tratar de assunto exclusivamente partidário, faz o quê? Quando mobiliza para tanto a máquina que garante o seu deslocamento, faz o quê?

Respondo: privatiza recursos públicos em favor de um candidato! Isso, minhas caras, meus caros, é só o espírito do mensalão se manifestando por outros meios. E o julgamento no Supremo ainda nem acabou. Não tem jeito. São quem são e têm uma natureza. E é da natureza dessa gente não aprender nada nem esquecer nada.

Por Reinaldo Azevedo

 

PASTOR SILAS MALAFAIA RESPONDE A FERNANDO HADDAD E AO MOVIMENTO PARA CENSURAR OS EVANGÉLICOS

Antes que eu escreva qualquer coisa, assistam ao vídeo. Volto em seguida.

Como vocês viram, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, dá uma dura dura resposta ao candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad. Mas não só a ele, não. Na prática, também fala a setores importantes da imprensa paulistana. Por quê?

Alguns líderes religiosos, Malafaia entre eles, têm declarado seu apoio à candidatura do tucano José Serra — assim como outros escolheram Haddad. Mas o petista não teve dúvida: acusou o adversário de estar “instrumentalizando a religião”. É a ladainha de sempre dos partidários do PT: quando recebem apoio, isso é motivo de júbilo; pelos mesmos motivos, demonizam seus adversários. E com a ajuda da imprensa, sim.

Malafaia lembra o óbvio: todos os setores da sociedade têm o direito e até o dever de se expressar. Por que os crentes não podem? Há uma diferença entre uma igreja ter um partido político e seus fiéis e líderes expressarem uma opinião política. A verdade insofismável é que se pretende censurar o voto dos religiosos, como se essas pessoas não pertencessem à sociedade brasileira. Podem votar, desde que caladas. Um debate dessa natureza não existe em nenhum lugar do mundo democrático. Imaginem se, nos EUA ou na Itália, alguém a tanto se atreveria.

No Brasil, confunde-se o laicismo — e o estado, felizmente, é laico! — com ateísmo oficial e obrigatório. Não! O Brasil não é a Coreia do Norte, em que o único culto permitido é aos tiranos.

Os petistas e esses setores da imprensa não se incomodam — e se regozijam com o fato — quando setores cristãos, católicos ou evangélicos, se alinham com o PT. Malafaia lembrou, como vocês viram, que ele foi o representante dos evangélicos no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo Lula, de quem já foi eleitor. Naquele tempo, claro!, os petistas o consideravam um grande cara. Agora, quando ele não apoia Haddad em São Paulo, então é só um fundamentalista!

Kit gay
O pastor Malafaia diz o óbvio: é preciso, sim, combater a homofobia nas escolas — aliás, é preciso combater todas as formas de preconceito, inclusive, digo eu, aquele que existe contra os alunos inteligentes e estudiosos. Mas era isso o que fazia o kit gay? Não! Aquilo caracterizava, de fato, apologia de uma prática sexual, dirigida a crianças e adolescentes. O material foi produzido por ativistas, não por educadores.

A grande imprensa, como vocês viram, sempre se negou a ler o que está escrito lá e a prestar atenção aos textos dos filmes. Finge, em razão de seu engajamento, que todos os críticos daquele lixo educacional são homofóbicos, o que é uma piada.

Como Haddad não quer ser confrontado com a sua própria biografia — e como seus porta-vozes no jornalismo pretendem preservá-lo de si mesmo —, então o debate sobre o kit gay só é feito por intermédio do ataque aos religiosos, especialmente aos evangélicos.

Em 2010, essa mesma imprensa e esse mesmo PT impuseram censura a um setor da Igreja Católica, que foi perseguido pela Polícia Federal porque tentou, vejam que grande crime!, recomendar aos católicos que não votassem em candidatos favoráveis ao aborto. Para escândalo da verdade e dos fatos, a opinião de Dilma, favorável à LEGALIZAÇÃO do aborto, foi tratada por certo jornalismo como mero boato. Até hoje, há delinquentes que sustentam que tudo não passou de uma invenção do PSDB, de uma “agressão” de… Serra! Eleita presidente, Dilma escolheu para ministra das mulheres uma senhora que confessou ter sido aborteira e que militava numa ONG que defendia que as grávidas aprendessem, elas mesmas, a fazer o próprio aborto. Como se a eliminação do feto se confundisse com a higiene íntima.

Mas isso tudo já é história.

O movimento de censura está de volta. Malafaia reage a ele. E faz muito bem. Será que a imprensa “progressista” tolera a livre expressão do pensamento? Ou ela só seria tolerável desde que alinhada com a metafísica influente nas redações? Malafaia não tem nada a aprender com certo jornalismo em matéria de liberdade de expressão, mas esse jornalismo tem o que aprender com Malafaia. Ou alguém tente me provar que estou errado segundo a Constituição da República Federativa do Brasil.

Texto publicado originalmente às 22h42 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

Chalita vira guia turístico da fé para petistas com baixo teor de cristianismo…

Gabriel Chalita se transformou numa espécie de lavador de reputações religiosas. Ele se considera um católico tão bom e tão seguidor de todas as regras do Catecismo (???) que se oferece para ser uma espécie de guia turístico da fé para gente nem assim tão pia. Agora ele vai socorrer Fernando Haddad. Já falo a respeito. Em 2010, Dilma foi confrontada com suas próprias opiniões a favor da legalização do aborto. Setores da Igreja Católica eram os mais incomodados com essa opinião. O que fez Gabriel, o anjo dos petistas em aperto? Acompanhou Dilma a Aparecida — há exatos dois anos — para que ela fingisse uma fé que não tem.

“Você agora é juiz da fé dos outros, Reinaldo? Como pode afirmar isso?” Afirmo porque tenho boa memória — cada vez melhor! Numa entrevista à revista Marie Claire, ela havia afirmado antes de ser candidata:
“Fui batizada na Igreja Católica, mas não pratico. Mas, olha, balançou o avião, a gente faz uma rezinha”.

Segundo entendi, ela só acredita em Deus quando o avião balança e quando precisa de voto. No programa de Datena, ela se disse devota de Nossa Senhora. Com aquele seu jeito desabrido, o apresentador quis saber para qual das Aparições sua fé se voltava. Ela inventou uma santa nova: “Nossa Senhora de Forma Geral”. O outro nome dessa santa é “Nossa Senhora da Boca da Urna”. Foi nesse dia que a então candidata do PT fundou também o catolicismo pagão e politeísta: chamou Maria de “Deusa”!!!

Revejam o vídeo, com a então candidata ladeada por Chalita e Gilberto Carvalho. Na hora de persignar-se, ela se atrapalhou um tantinho. Há uma sequência, como sabe todo católico. As cruzes, a exemplo do Sinal da Cruz que se segue a essa persignação, devem ser feitas da esquerda para a direita, não da direita para a esquerda. Recém-convertida, vocês sabem, a primeira cruz saiu da direita para a esquerda, a segunda da esquerda para direita (e, notem bem, o Lenho Sagrado ganha um ponto a mais, no nariz!!!), e a terceira da direita para a esquerda de novo. Tudo bem! Aquilo não era mesmo fé. Era só disputa eleitoral.


Agora Haddad
Nesta sexta, dois anos depois de acompanhar Dilma a Aparecida, Chalita vai levar Haddad a uma missa na Zona Leste. O petista já começou a exibir a sua intimidade com a religião. Leio na Folha: “Haddad, cristão ortodoxo, disse que seu avô era líder religioso e que visita todo ano a cripta com os restos mortais dele em uma igreja. Afirmou que sua mãe é religiosa e tem obra social em uma favela.”Entendi. O “cristão” Haddad visita o túmulo do avô e tem uma mãe que é religiosa.

Chalita, claro!, faz tudo isso pensando apenas na glória de Deus e no sacrifício de Jesus Cristo! É bem verdade que um ministério pode aguardá-lo na reforminha que Dilma deve fazer depois das eleições. Também o PMDB, caso Haddad vença a eleição, terá direito a algumas fatias da administração.

Tudo para a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é mesmo, Chalita? Não é mesmo Haddad? Nunca antes na história deste dois seguidores tão rigorosos do Catecismo Católico estiveram tão próximos!

Mas, é claro!, quem explora a religião, a se dar crédito a certo noticiário, são os adversários do PT!

Texto publicado originalmente às 4h09

Por Reinaldo Azevedo

 

Auditoria vê fraude em contrato do MEC durante gestão de Fernando Haddad

Por Fernando Mello e Dimmi Amora, na Folha:
Uma investigação conduzida por auditores do TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou indícios de fraude numa licitação aberta na gestão de Fernando Haddad no MEC (Ministério da Educação) para reforçar a área de informática e aumentar a segurança do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Os auditores acharam indícios de que houve conluio entre empresas participantes da licitação, uso de documentos falsos, pagamentos irregulares e superfaturamento. As conclusões ainda não foram ao plenário do TCU.

Haddad, que deixou o MEC para ser o candidato do PT a prefeito de São Paulo neste ano, disse várias vezes durante a campanha eleitoral que jamais alguém apontou desvios de natureza ética em sua gestão como ministro. Em entrevista à TV Bandeirantes um dia depois do primeiro turno das eleições, por exemplo, Haddad disse que conduziu o ministério por seis anos “sem nenhum reparo a minha conduta, nem dos meus auxiliares”.

Após o vazamento da prova do Enem em 2009 e outros problemas constatados, o Inep, instituto ligado ao MEC e responsável pelo Enem, defendeu a contratação de um conjunto de empresas para atuar na proteção contra “ataques ou incidentes de segurança”. A Folha teve acesso à primeira fase da investigação sigilosa do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre essa licitação. O valor dos seis lotes chegou a R$ 42,6 milhões, divididos entre quatro empresas vencedoras: DNA Soluções, Jeta, Monal e Ata.

Em 2011, após reportagens do jornal “Correio Braziliense” sobre suspeitas de uso de laranjas pelas vencedoras, o MEC chegou a dizer que cancelaria o contrato, o que não ocorreu. Duas das quatro empresas, a DNA e a Ata, receberam R$ 5,7 milhões. Segundo o entendimento dos auditores, há indícios de fraude já na redação do edital de licitação, com suspeita de direcionamento para determinadas marcas de produtos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

E lá vem o Ibope… Depois do que se viu no primeiro turno

Como petralha é chato! “Não vai falar da pesquisa Ibope?” Falo. Segundo levantamento divulgado nesta quinta, o tucano José Serra teria 37% das intenções de voto, contra 48% do petista Fernando Haddad. Não saberiam em quem votar 6%, e 9% ou votariam em branco ou anulariam. O Datafolha apontou ontem 37% a 47%.

Huuummm… Será isso mesmo? Sei lá. Um dia antes do primeiro turno, o Ibope apontou um triplo empate nos votos válidos: 26%. Computadas as urnas, Serra ficou com 30,75%; Haddad, com 28,98%, e Celso Russomanno, com 21,6%. Já o Datafolha apontava Serra com 28%, Russomanno com 27% e Haddad com 24%.

Os institutos não souberam dizer por que erraram tanto. Se bem entendi, a culpa é do eleitor. Não! É inútil virem com aquela cascata de que qualquer crítica às pesquisas é obscurantismo. Não é, não! Vejam o caso do Amazonas… Obscurantista era o levantamento que apontava um empate em 29% entre Arthur Virgílio (PSDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB). Virgílio ficou com 40% dos votos válidos, e Vanessa, com 19%.

Abaixo o obscurantismo!

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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