PT cumpre ameaça feita por Gilberto Carvalho e começa a disputar espaço com evangélicos. Ou: O partido quer ter a sua própria...

Publicado em 23/10/2012 16:38 e atualizado em 27/05/2013 13:32 906 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br (+ Lauro Jardim e Augusto Nunes)

PT cumpre ameaça feita por Gilberto Carvalho e começa a disputar espaço com evangélicos. Ou: O partido quer ter a sua própria versão dos evangelhos, a sua própria imprensa, a sua própria OAB, a sua própria ciência, a sua própria democracia…

Não! Este texto não é sobre religião e política. Este é um texto que repudia os que pretendem fazer da política uma religião.

O comando de campanha de Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, convocou alguns pastores evangélicos — de pouca expressão, é verdade — para uma reunião no diretório municipal do partido. Ali se redigiu uma espécie de manifesto daqueles poucos líderes em favor do petista. Não se toca no nome do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, que expressou seu apoio ao tucano José Serra. Quem se encarregou de criticar Malafaia foi o próprio Haddad: “Na verdade, houve uma reação aos modos e aos termos que o pastor [Malafaia] utilizou para se referir à minha pessoa. Inclusive uma pessoa que nem é de São Paulo.” Haddad acha que religião tem de ter base territorial, entende? Haddad acha que o divino tem de respeitar fronteiras territoriais. Adiante! O líder religioso da Assembleia de Deus emitiu uma nota (ver pos abaixo) apontando o que considera “as mentiras” do petista. Não! À diferença do que podem pensar alguns, não farei um texto sobre religião. Tratarei de algo até mais amplo. A ameaça feita em janeiro por Gilberto Carvalho começa a se cumprir. O PT já começou a sua mobilização para disputar influência com os evangélicos. Para tanto, decidiu provocar um confronto entre os religiosos. Por quê?

Porque o PT quer ter a sua própria “igreja”. Também quer a sua própria imprensa. A sua própria OAB. O seu próprio STF. A sua própria SBPC. A sua própria universidade. Com sua vocação totalizante e totalitária, o partido quer submeter todas as instâncias da sociedade a seus ditames. Por isso, atribui a um manifesto de meia-dúzia de evangélicos o que nem mesmo está lá. O texto não ataca Malafaia, mas Haddad o vende como uma reação ao líder que religioso que não o apoia.

PT começa a cumprir ameaça contra evangélicos
O PT começa a cumprir uma ameaça. No Fórum Social de Porto Alegre, no fim de janeiro, o ministro Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência), homem mais importante no PT depois de Lula e seu provável futuro presidente, deu uma palestra. Na plateia, estava ninguém menos do que assassino e terrorista Cesare Basttisti, que ficou no Brasil por vontade Lula e Tarso Genro. Tudo em casa!

Carvalho estava muito à vontade. Confessou lá que o governo tem a intenção de criar uma mídia estatal para a classe C. Entenderam? A imprensa que está aí não serve. O estado precisaria financiar outra, mais adequada às necessidades do partido. Carvalho foi além: anunciou a disposição do PT de fazer “uma disputa ideológica coma as lideranças evangélicas para conquistas a classe C”. À época, escrevi um post sobre essa palestra e produzi uma série de textos a respeito.

Estava claro ali: o objetivo era mesmo confrontar os evangélicos. A fala deu um barulho danado, especialmente depois que demonstrei aqui o seu alcance e gravidade. Dilma teve de sair em socorro do ministro. Disseram que não era bem aquilo, que ele havia se expressado mal. À esteira do mal-estar, Dilma deu o Ministério da Pesca para Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, da Igreja Universal, que representa fatia relativamente pequena dos evangélicos. Os petistas, como deixa claro o mensalão, estão acostumados a comprar apoios — seja com dinheiro de propina, seja com ministérios…

Muito bem! Não se esqueçam de uma coisa: o PT jamais desiste de uma ideia, ainda que diga o contrário. E não desistiu, estejam certos, de disputar a influência com os evangélicos, como se fosse também uma igreja… Ocorre que a existência de correntes cristãs que têm a fidelidade de seus fiéis soa uma traição ao partido que quer ser impor como imperativo categórico. É ele, partido, que tem de estar em todos os lugares. Por isso, agora, essa cruzada contra a Malafaia e contra os pastores que não estão com Haddad. E como é que os petistas contam levar a cizânia ao seio evangélico. Ora, usando alguns… evangélicos, que aceitam se comportar como inocentes úteis em troca de algumas promessas. Isso reforça a tese do PT de que tudo tem um preço, de que tudo pode ser reduzido a dinheiro — às vezes, dinheiro vivo, como se viu no mensalão.

Substituir a sociedade
Não! O partido não pode aceitar que haja um líder religioso ou que haja correntes religiosas que se oponham à sua orientação. Sendo assim, então, ele decide criar a sua própria igreja, seduzindo alguns evangélicos com migalhas. É o mesmo partido que não aceita o STF — que representaria, segundo Rui Falcão, a elite “suja e reacionária”. Ora, José Genoino está por aí a dizer que não se sente um condenado, como se isso fosse matéria subjetiva. Quem sabe a cadeia o faça mudar de ideia… Jorge Viana, senador pelo PT do Acre, já disse achar inadmissível que o governo nomeie ministros que depois condenem membros do partido. O PT quer, em suma, ter O SEU STF, ASSIM COMO QUER TER A SUA IGREJA.

Também rejeita uma disputa franca e aberta pelo comando da OAB, por exemplo. Esta metido na disputa pelo comando da Ordem dos Advogados do Brasil porque não aceita, como é o certo, uma OAB que vigie o poder. Ao contrário: o PT quer um poder que vigie a OAB.

O partido vive às turras com o jornalismo independente porque, confessou Carvalho,  quer ter a sua própria imprensa, que se ocupe não de noticiar o que é do interesse do conjunto da população, mas o que é útil a seu próprio fortalecimento. O diabo é que quer fazer isso com dinheiro público! Existir um jornalismo que se oriente segundo critérios que não são os da legenda ofende esses patriotas — assim como os ofende haver igrejas ou entidades de classe e categoria que não estejam a serviço de seus anseios.

O petismo também quer a sua própria universidade, de que é expressão gente como Marilena Chaui (ver post na home), esta detestável senhora capaz de torcer miseravelmente os fatos em favor da sua ideologia, sem qualquer compromisso com a verdade. Há anos o partido transformou a academia num mero quintal de seu projeto de poder.

Nada, assim, pode escapar a seu controle e à sua visão torta de mundo. A guerra que decidiu promover contra Malafaia expressa a pior e a mais típica natureza do petismo. Repete o que o partido vem fazendo em outros setores da sociedade de maneira contumaz e organizada. No que diz respeito à imprensa, por exemplo, ninguém ignora o desavergonhado financiamento ao subjornalismo, mobilizado para atacar autoridades do Judiciário, líderes da oposição e a imprensa independente.

Esses são os petralhas. E o país que eles imaginam se parece, deixem-me ver, com a Venezuela, com Cuba, com o Equador ou com a Argentina de Cristina Kirchner. Neste blog não passam. Como tenho afirmado nos lançamentos do meu livro mais recente, eles não se cansam de dizer mentiras sobre si mesmos, e eu não me canso de dizer a verdade sobre quem são.

Por Reinaldo Azevedo

 

O problema de Marilena Chaui não é de saúde mental, mas de caráter mesmo! Ou: O jornalismo nestes tempos

Desconfio, às vezes, da sanidade mental de professora de filosofia, que filósofa não é, Marilena Chaui. Mas depois me ocorre que o problema não é de sandice, mas de caráter mesmo. Leio na Folha de hoje um texto muito interessante. Por tudo o que informa e, especialmente, por aquilo que deixa de informar. Algo de muito, como posso dizer?, estranho (ou nem tanto) se passa no jornalismo paulistano. Leiam com atenção. Negrito (ou vermelhito) alguns trechos para chamar a atenção de vocês.

A filósofa e professora da USP Marilena Chaui disse ontem que a vitória de Fernando Haddad (PT) na eleição para prefeito de São Paulo representará a afirmação da “política contra a religião”.
Ela participou de ato realizado por um coletivo de estudantes da universidade para “discutir a cidade”.
Embora os organizadores afirmem que o evento não tivesse conotação partidária, 10 dos 11 professores que discursaram defenderam voto no petista. O título do ato, “São Paulo quer mudança”, é um dos motes da campanha de Haddad.
Após uma introdução em que afirmou que uma das formas de se renegar a política é a crença de que o poder do governante emana de “escolha divina”, Chaui defendeu Haddad e atacou o apoio do pastor Silas Malafaia ao candidato do PSDB, José Serra.
“A eleição de Fernando Haddad significa que eu afirmo a política contra a religião e, portanto, contra os Malafaias e outras figuras [...]”, disse a professora.
Malafaia, líder da Assembleia Vitória em Cristo, vem atacando Haddad pela elaboração de material anti-homofobia em sua gestão no Ministério da Educação. Anteontem, o petista recebeu apoio de pastores evangélicos.
Um grupo de 15 estudantes estendeu cartazes contra a aliança do PT com o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) e pregou voto nulo.
Em seu discurso pró-Haddad, a professora Daisy Ventura disse que o sistema eleitoral “leva forçosamente à realização de amplas alianças, e temos que estar nelas para defender o que achamos que deva ser a esquerda”.

Voltei – Primeiro a reportagem
Começo com algumas observações sobre a reportagem. O repórter teve o capricho de contar quantos estudantes estenderam a faixa contra a aliança do PT com Maluf — 15 — e quantos professores discursaram: 11. Mas não há uma só dica sobre o número de professores presentes ao ato. Dou uma dica: a USP tem perto de 100 mil alunos e pouco mais de 5 mil professores. Quanto estavam lá? Vinte? 30? 40? 400? Qual era o número segundo os organizadores ao menos?

Evidentemente, está claro, era uma manifestação partidária, em favor de um candidato. Cumpria à reportagem — e não estou ensinado nada a ninguém porque obrigação profissional não se ensina a profissionais — que a manifestação é ilegal porque a USP é um prédio público. Não está claro a que hora aconteceu o ato. Foi durante o expediente de algum professor? Se for assim, aí já é uma segunda transgressão.

Notem que a reportagem fala em “coletivo de estudantes” sem nem mesmo as aspas. Isso corresponde a incorporar a linguagem militante como algo referencial. Fala-se em “coletivo” como quem fala em “grupo”. Se eles se intitulassem “soviete estudantil”, viria igualmente sem aspas.

Observem que, no texto da Folha, Malafaia não “critica” Haddad, mas  “ataca”. Afinal, sabem como é, trata-se de uma pastor evangélico que vota em Serra, e tratá-lo como um mero celerado deve ser coisa considerada “progressista”. No vídeo que gravou com críticas ao candidato petista, o pastor deixa claro que acha correto atacar todas as formas de preconceito na escola, inclusive contra gays, e se opõe é ao “kit gay”. Mas não! Na reportagem, ele “ataca” por causa do “material anti-homofobia”, deixando a sugestão — e as palavras fazem sentido — de que Malafia é contra o combate à “homofobia”. Logo, seria favorável à homofobia. É o fim da picada!

Agora as professoras
Marilena, a que não padece de problemas de insanidade, mas de caráter, liderou o tal ato um dia depois de Haddad ter convocado uma reunião, no diretório municipal do PT, com pastores evangélicos, arrancando deles um manifesto de apoio. Ela resolveu afirmar o valor da “política contra a religião” no que respeita aos apoiadores de Serra. Já os evangélicos que estão com Haddad, naturalmente, são pessoas iluminadas.

Marilena não fez referência ao manifesto em sua fala. E, como se vê, a reportagem da Folha também não. Bem, esta é aquela senhora que, em recente reunião no comitê de uma candidata a vereadora do PT, afirmou que Maluf, agora, é só “engenheiro”; não é mais de “direita”.

A outra professora, uma tal Dayse Ventura tentou explicar a aliança com o ex-prefeito. Para ela, o sistema eleitoral “leva forçosamente à realização de amplas alianças, e temos que estar nelas para defender o que achamos que deva ser a esquerda”.

Entendi. Em nome do que eles acham “que deva ser a esquerda”, qualquer aliança é possível, de sorte que, em certas circunstâncias, Maluf pode ser um bom atalho para um programa de… esquerda.

Problema de caráter? É, sim! De caráter! E não é de hoje. Em 2012, dona Dayse acha que a aliança com Maluf é a maneira que há de “defender o que achamos (o que eles acham…) que deva ser de esquerda”. Em agosto de 1939, ser de esquerda era apoiar o pacto Molotov-Ribbentrop (o acordo de Stálin com Hitler). Em 1956, ser de esquerda era apoiar a invasão da Hungria pelo Pacto de Varsóvia; em 1968, a da Checoslováquia… E vai por aí…

Em nome do que eles acham “ser de esquerda”, qualquer coisa é justificável, qualquer aliança é nobre, qualquer crime é louvável. É o esgoto moral. Se Haddad for eleito, uma parte da Prefeitura será dada a Maluf. Em nome de um governo de… esquerda!

PS – Sim, eu vou votar em Serra. E conto isso aos leitores.  De todo modo, se existe alguma restrição de natureza técnica ao que escrevi acima ou se feri os fatos, que me digam! Eu sou um jornalista que declara voto e que é procura ser rigoroso com os fatos. Eticamente doloso é não declará-lo e fraudar a realidade factual.

Por Reinaldo Azevedo

 

O DEBATE DESTA TERÇA NA VEJA.COM – A dosimetria e a democracia

Por Reinaldo Azevedo

 

Por que votar em Serra em São Paulo

Dei uma capa da revista “Primeira Leitura”, certa feita, para o pessoal do “Casseta & Planeta”. E expliquei: lá estava uma turma que fazia “humorismo-verdade” num país em que a verdade não se cansava de parecer uma piada — às vezes macabra.

Marcelo Madureira é um dos “cassetas”. É fato que ele sabe ser engraçado. Mas é das pessoas que podem falar sobre o país com impressionante seriedade — não que o humor, reitero, por si, renegue a gravidade. O lema que define o Arlequim fala por si: “Ridendo, castigar mores”. Ou: “Rindo, moralizam-se os costumes”.

Madureira publicou um texto na Folha explicando por que votaria no tucano José Serra em São Paulo. Fosse um manifesto, eu o assinaria sem pestanejar. Leiam. Os que concordarem com o que aí vai o espalhem.
*
O Brasil é um país complicado. Por um lado, a democracia dá um salto de qualidade, impulsionada pela ação do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. Do outro lado, assistimos nestas eleições de 2012, mais uma vez, articulações de forças intestinas na direção do atraso, do patrimonialismo autoritário e obscurantista.

A cidade de São Paulo é a principal arena deste MMA político brasileiro. Queira ou não queira, o segundo turno paulistano, como sempre, alcança dimensão nacional. São Paulo não é só a nossa maior metrópole, mas também, por sua multiplicidade, uma síntese do Brasil. Além da gestão da cidade, o que esta em jogo são dois projetos políticos distintos e antípodas.

Coerente com o perfil autoritário do ex-presidente Lula, o candidato Fernando Haddad, enfiado goela a dentro do PT, dá continuidade ao projeto lulista.

Esse lulismo traz dentro de si tudo aquilo que a civilização brasileira quer transformar em página virada. O projeto caudilhesco de Lula usa o aparelhamento do Estado, a demagogia populista e não contempla uma transformação virtuosa da sociedade brasileira.

Fernando Haddad é mais uma peça desse projeto. Projeto que tem como único arcabouço “ideológico” o poder pelo poder, a qualquer preço, e com as alianças com aquilo de pior que existe na política brasileira. E a lista é grande: são Malufes, Sarneys, Barbalhos, Calheiros, Collors e Valdemares Costa Neto. Está nos autos.

O mensalão foi um atentado à democracia brasileira. Uma traição explícita à Constituição, pedra fundamental do Estado de Direito que, no ato de posse, o presidente jura manter, proteger e cumprir.

Mas palavra de honra não me parece que seja coisa para se levar em conta no lulismo. Para Lula e os seus áulicos, a democracia é um valor burguês, uma figura de retórica a ser utilizada segundo a conveniência do momento.

O povo de São Paulo, guardião intransigente da Constituição brasileira, honrando o movimento constitucionalista de 1932, tem o dever de derrotar esse projeto político.

José Serra pode não ser um candidato simpático. Muito pelo contrário. O ex-governador de São Paulo Mário Covas também não era. Mas, como o saudoso Covas, Serra já provou mais de uma vez retidão e competência na gestão da coisa pública, e isso é o mais importante. O eleito, afinal, não vai ganhar um programa de humor, mas uma prefeitura para administrar.

A única lembrança que Haddad deixou do seu período à frente do Ministério da Educação, por outro lado, foi a sua desastrosa gestão do Enem, com fraudes e erros de organização que prejudicaram milhões de alunos em um momento crucial das suas vidas.

Desnecessário dizer que, se votasse em São Paulo, votaria no Serra. Subtraindo seus defeitos e somando as suas virtudes, José Serra é a melhor alternativa.

Inclusive acredito que o compromisso que o candidato tucano propõe aos paulistanos não será interrompido por uma eventual candidatura à presidência, como tanto se comenta. Serra sabe que o seu sonho com o Planalto já passou e que a oposição brasileira, em nível nacional, pede novos protagonistas.

Caramba! Nunca escrevi tão sério! Deve ser a influência do Serra…

Por Reinaldo Azevedo

 

As mentiras sobre o apoio dos evangélicos a Haddad

Além de divulgar um manifesto de alguns evangélicos em favor de Fernando Haddad (post anterior), os petistas estão fazendo outra coisa: tentando promover uma espécie de guerra contra o pastor Silas Malafaia, que apoia o tucano José Serra.

Parece irrelevante? Não é! É coisa mais grave do que parece. Voltarei a este assunto de madrugada. Leiam nota divulgada pelo pastor Silas Malafaia.

A mentira deslavada de Haddad e do PT para enganar os evangélicos e a sociedade de São Paulo

Acredito que Fernando Haddad nem precisa fazer teste para ser artista; ganha vaga em qualquer filme de Hollywood.  Haddad e o PT produziram a notícia de que 20 entidades evangélicas e vários pastores o estão apoiando. Tenho certeza de que ele aprendeu a mentir com seus mentores, que acabam de ser condenados pelo Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha.

Vejamos:

MENTIRA 1: Que os pastores pediram reunião com ele. Mentira! Foi a equipe de Haddad que convidou os pastores, e a reunião aconteceu no diretório do PT, em São Paulo.

MENTIRA 2: Que os pastores assinaram o manifesto de apoio a Haddad e contra minha posição “violenta” em relação a ele. Mentira! Os pastores assinaram um documento de apoio a Haddad sem saber que o documento também era um documento contra minha pessoa.

MENTIRA 3: Que a reunião foi feita com 200 líderes de entidades evangélicas. Mentira! Não tinha um líder — isto mesmo, um líder evangélico de expressão em São Paulo. Havia somente líderes sem projeção. Se desejarem, eu dou a lista dos 20 maiores líderes evangélicos de São Paulo, e nenhum deles estava lá.

MENTIRA 4: Que 20 entidades evangélicas estão apoiando Haddad, inclusive a CGADB. Mentira! Como sempre tenho dito, quem apoia são as pessoas, e não as entidades. A CGADB, entidade maior das Assembleias de Deus do Brasil, é presidida pelo Pr. José Wellington, que apoia Serra e nunca falou em nome da CGADB ou da Assembleia de Deus.

Esta eu deixei para o final: os pastores que estavam na reunião questionaram Haddad sobre o kit gay, e ele se recusou a responder. Segundo Haddad, quando eu apoiei Serra, ele disse que não iria dar importância ao submundo da política e ao mundo das trevas. Agora, com medo de não receber o voto dos evangélicos, monta uma farsa para tentar ludibriar o povo evangélico e a opinião pública de São Paulo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Haddad e os evangélicos. Ou: Petista não precisa de assessoria de imprensa porque tem a imprensa como assessoria

É moleza para o PT fazer campanha em São Paulo. Boa parte da imprensa não lhe cobra nem mesmo coerência, certo? Escrevi aqui, no dia 20, um texto que contestava uma “análise” feita por um jornalista da Folha. Contra os dados e os fatos que há, sustentou que o tucano José Serra não lidera as pesquisas de intenção de votos por causa de sua agenda supostamente conservadora. Demonstro lá por que se trata de uma bobagem. Um dos índices desse conservadorismo seria a sua proximidade com… evangélicos. O texto é claramente crítico a Serra tucano por isso.

Muito bem! A campanha de Fernando Haddad agora divulga um “manifesto” de alguns evangélicos em favor do candidato. E isso, obviamente, não será visto como um sinal de conservadorismo. Não! Nada disso! Evangélicos em favor de Haddad são demonstração da tolerância e da pluralidade do petista. Já um líder evangélico, como Silas Malafaia (e outros tantos), que apoie Serra é evidência de reacionarismo do tucano.

Acho impressionante que essas coisas sejam perpetradas por aí, sem nenhuma vergonha, sob a chancela de “jornalismo isento”.

A imprensa está tão rendida aos ditames do petismo que noticia, sem cerimônia, com se fosse coisa séria, que Haddad propôs a Serra um pacto de não agressão, um “protocolo” pelo alto nível da campanha. Esquece de informar que a campanha que foi mais punida com perda de tempo, até agora, pela Justiça Eleitoral foi justamente a de Haddad, tal é seu alto nível.

O candidato do PT não precisa de assessoria de imprensa. Já tem a imprensa como assessoria.

Por Reinaldo Azevedo

 

PT tenta a bala de prata em Salvador: vai pôr Lula para desfilar em carro aberto, depois de Dilma ter feito ameaça velada a eleitores da cidade

Luiz Inácio Apedeuta da Silva vai desfilar em carro aberto nesta quarta em Salvador em apoio à candidatura de Nelson Pelegrino (PT) à Prefeitura. ACM Neto, do DEM, lidera a corrida. Há seis dias, Dilma Rousseff fez um comício na cidade e afirmou que o PT tem a “obrigação de vencer”, seja lá o que isso signifique. Pior do que isso: sugeriu que a cidade teria mais facilidades junto ao governo federal se o vencedor pertencer ao petismo.

Não pode existir forma mais descarada, entendo, de uso da máquina pública em favor de um candidato do que essa. Quando a própria presidente sugere que um prefeito do partido teria mais facilidades do que outro, da oposição, é porque a República, então, foi para o vinagre.

Lula em carro aberto é a bala de prata do petismo para tentar reverter a derrota hoje considerada certa. Tomara que dê errado!

Por Reinaldo Azevedo

O julgamento do mensalão mal começou. Agora tem início a disputa pela história. Ou: Os petistas não aprendem nada nem esquecem nada!

Não pensem que o julgamento do mensalão acabou. Sob certo ponto de vista, ele mal começou. Depois do maiúsculo trabalho feito pelo Supremo Tribunal Federal — que deu aos crimes os nomes que, durante um bom tempo, as oposições se negaram a dar —, resta agora o que chamarei de disputa pela narrativa histórica, que não coincide necessariamente com os fatos, sobejamente relatados e provados pela Procuradoria-Geral da República, com o endosso da maioria dos ministros. Depois de examinar severamente as provas, o resultado é o que se viu: gestão fraudulenta, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, formação de quadrilha… A soma de horrores tinha um propósito, como também restou cristalino: executar um projeto de poder que buscava — busca ainda — tornar inermes as instâncias da República. O que o Supremo fez foi punir a extrema ousadia. Depois disso, aquela gente se tornou um pouco mais prudente, mas não quer dizer que tenha mudado de propósitos. Para os petistas, gosto de lembrar a frase de Talleyrand ao definir os Bourbons: “Não aprenderam; não esqueceram nada!”. Quem vai se apossar dessa narrativa?

Na academia, alguns poucos aos quais restou, intocada, a honestidade intelectual buscarão relatar a história. Uma grande maioria certamente se calará porque os fatos, afinal, não obedeceram aos desígnios do “Partido”, o ente de Razão que escolheram como senhor da história, numa evidência de sua mediocridade intelectual, de sua fraqueza moral e de sua baixeza ética. É preciso, é evidente, que os políticos de oposição se encarreguem de transformar a evidência dos fatos numa herança histórica a ser lembrada pelas gerações futuras. Até porque estamos falando de um mal de muitas cabeças. Não pensem que o petismo vai se conformar com o veredicto do Supremo. Muito pelo contrário: tentará usar a condenação para partir para o ataque.

Não me refiro às muitas notas disparadas pela Executiva do PT, por José Dirceu ou por José Genoino. Não me refiro às tolices do stalinismo bolorento de Marilena Chaui, que segue a trajetória inversa à dos bons vinhos. Refiro-me aqui a outra coisa. Os petistas tentarão se vingar institucionalmente. E já emitem sinais nesse sentido, com o que terão de tomar cuidado também os partidos da base aliada.

No domingo, em entrevista ao Estadão, quando posou uma vez mais de herói, José Genoino defendeu, do nada, o financiamento público de campanha, no bojo de uma “reforma política profunda”… Por que um partido que exerce o terceiro mandato consecutivo segundo as regras que aí estão, que se constituiu, na sua vigência, como uma das maiores legendas do país, quer mudar “profundamente” as regras do jogo? A resposta é uma só: para se eternizar no poder. Ora, o financiamento público, se fosse instituído, teria de obedecer a algum critério, como a distribuição dos recursos segundo a atual bancada dos partidos, por exemplo, o que daria ao PT uma enorme vantagem. Imaginem vocês: os petistas querem fazer uma “reforma política profunda”, que terá como fundamento o atual tamanho das bancadas, quando os partidos de oposição vivem o seu pior momento. E não está de olho só nisso, não! Também vê com desconfiança o crescimento de alguns aliados. Antes que o mal cresça, pretende lhe cortar a cabeça.

Tentará ainda mecanismos para controlar a imprensa e, como já anunciaram alguns representantes do partido, o próprio Poder Judiciário. É pouco provável que consiga realizar esses intentos. Todas as iniciativas, no entanto, constituem esse esforço de ser o senhor da narrativa.

O mensalão por outros meios
Cumpre ter muito claro uma coisa: essa gente não tem limites e não reconhece os valores que orientam uma democracia e uma República. Nem a própria imprensa, com raras exceções, vocês já sabem disso, se dá conta das barbaridades que são cotidianamente ditas e cometidas. No fim de semana, em Santo André e Mauá, Lula disse, com todas as letras, na presença de ministros de estado, que vai atuar junto à presidente Dilma para que não faltem recursos a cidades cujos prefeitos sejam petistas. E isso passa como coisa normal. A própria presidente sugeriu, em Salvador, que a eleição de um candidato do PT facilita o trabalho com o governo federal.

Isso tudo é um acinte. Essa é, provavelmente, a forma mais escancarada de uso da máquina pública de que se tem notícia. Não deixa de ser uma espécie de mensalão, executado por outros meios. Trata-se de deixar claro aos eleitores que o estado foi capturado e que fazem dele o que lhes der na telha: havendo um prefeito aliado, chegará dinheiro; não havendo, então não!

Por que se constituiu a quadrilha do mensalão? Porque os petistas não reconhecem os fundamentos de uma República democrática, que prevê a alternância de poder se for essa a vontade do povo. Não para eles. Poder conquistado é poder acumulado, e não se concebe que outro lhes tome o lugar. Por isso buscaram fraudar as regras do jogo com aquela cadeia de crimes; por isso voltam a falar em reforma política e financiamento público de campanha; por isso ficam a fazer chantagem sobre os palanques.

Os partidos de oposição têm de denunciar toda essa gente ao Tribunal Superior Eleitoral, sempre tão célere em censurar meras mensagens de propaganda. Quero ver é um TSE que coíba o uso da máquina pública e o abuso do poder econômico nas eleições. O PT recebeu um baita golpe moral. Por isso mesmo, está mais perigoso do que nunca!

Texto publicado originalmente às 5h19

Por Reinaldo Azevedo

Quadrilha do mensalão se compara ao Comando Vermelho e ao PCC

Ontem, o ministro Celso de Mello foi preciso ao afirmar que houve, sim, formação de quadrilha no caso do mensalão. Segue sua fala:

“Nunca vi algo tão claro, a não ser essas outras associações criminosas que, na verdade, tantos males causam aos cidadãos brasileiros, como as organizações criminosas existentes no Rio de Janeiro e aquela perigosíssima, hoje em atuação no estado de São Paulo”.

O ministro se referia, no Rio, ao Comando Vermelho e ao ADA (Amigos dos Amigos) e, em São Paulo, ao PCC. Na mosca!

Por Reinaldo Azevedo

Por três imputações, Valério já tem pena 10 anos e 11 meses; ainda faltam seis crimes

Se os ministros não decidirem organizar o andamento da dosimetria numa reunião administrativa, a coisa vai longe, muito longe… Quase 18h20, ainda não se conseguiu decidir o caso do réu Marcos Valério.

O publicitário responde por nove imputações — e foi condenado nas nove: formação de quadrilha, corrupção ativa (3 vezes), peculato (3 vezes), evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Até agora, Barbosa conseguiu apenas se pronunciar sobre a quadrilha, uma das imputações da corrupção ativa (no caso João Paulo) e uma de peculato (caso da Câmara). Ainda faltam… seis!!!

As três imputações somam pena de 10 anos e 11 meses, com multa de R$ 978 mil. Isso significa que ele será, com certeza, preso.

As penas
- Quadrilha – 2 anos e 11 meses;
- corrupção ativa (1 caso) – 4 anos e 1 mês – 180 dias multa (R$ 432 mil);
- peculato – 4 anos e oito meses de reclusão, com 210 dias-multa (R$ 546 mil).

Por Reinaldo Azevedo

O maiúsculo STF sob risco… Duas sucessões o espreitam!

Haverá hoje sessão extraordinária no Supremo para encaminhar as questões pós-coleta de votos. Será preciso definir o que fazer nos casos de empate — provavelmente, o réus serão absolvidos — e começar a cuidar da dosimetria, vale dizer, da atribuição de penas aos condenados. Podem ser sessões turbulentas, sim, vamos ver. À note, no debate da VEJA.com, a gente comenta tudo. Quero aqui cuidar de outra coisa.

A maioria dos ministros do Supremo não fez o que Lula queria. Para ser mais amplo: a maioria dos ministros do Supremo não fez o que o PT queria. Quem sintetizou com maior percuciência a boçalidade petista foi um senador considerado “moderado” (imaginem os radicais…): Jorge Viana, do Acre. Disse com todas as letras:
“Só não vale nossos governos indicarem ministros do Supremo e eles chegarem lá e votarem contra por pressão da imprensa”.

Em frase tão curta, tão longa tradição totalitária. Em primeiro lugar, não foi o “nosso (dele) governo” que indicou os ministros, mas uma instituição chamada Presidência da República, que é o topo de um Poder, o Executivo. Como instâncias da República, não são entes que “pertençam” ao PT. Não são “nosso” — isto é, deles. Em segundo lugar, os ministros foram aprovados pelo Senado, fatia de outro Poder, o Legislativo, que é, pasme Jorge Viana!, do povo, não dos petistas.

Em terceiro lugar, quem disse que os ministros votaram “por pressão da imprensa”? Então só haveria um modo de não fazê-lo, a saber: votando de acordo com a vontade do PT? Quem faz o que quer o partido é, pois, “independente”; quem não faz, é mero capacho da mídia? A fala, no entanto, trai uma intenção, que talvez não se tenha cumprido por erro de cálculo: os petistas esperavam, sim, “fidelidade” dos ministros indicados e nomeados. Traidores que são, no entanto, decidiram servir às leis e à Constituição. E isso parece inaceitável mesmo a um “moderado” como Jorge Viana.

Pois bem. No dia 18 de novembro, Ayres Britto faz 70 anos e deixa o Supremo. Abre-se uma vaga. É bem possível que Celso de Mello, infelizmente, antecipe a sua aposentadoria de 2014 para o começo do ano que vem em razão de problemas de saúde. Outra vaga.

O resultado do julgamento do mensalão aumentou nos petistas a convicção de que só ministros “de confiança” podem ser nomeados. No imaginário do partido, um STF tem de contar com 11 Lewandowskis; não sendo possível, até se aceitam um Dias Toffoli ou outro. Ainda há petistas inconformados com a sua decisão de condenar José Genoino por corrupção ativa. A grita foi de tal sorte que, ontem, o ministro não demorou nem 30 segundos para concordar com o revisor e inocentar todo mundo. Dispensou até os fundamentos. Foi um desrespeito ao tribunal, mas também foi um jeito de deixar claro aos companheiros que ele está um tanto amuado. A petezada acha que faltou a Toffoli o espírito de luta companheiro que enxergou em Lewandowski, que está sendo saudado como um verdadeiro herói.

Mais duas nomeações de igual jaez, a Corte ficará com quatro ministros — vamos ver como se comporta Teori Zavascki — que podem estar menos preocupados com a lei e  com as instituições do que com aqueles que lhes garantiram o posto honorífico. Insisto: há um frenético movimento de bastidores sustentando que conspiradores pretendem atacar a reputação do partido pela via judicial e que cumpre ao governo do PT proteger o… PT!

Que a sociedade brasileira fique vigilante! Os petistas consideram que foram malsucedidos até aqui em controlar o Supremo. E é grande a pressão em favor de ministros comprometidos com a causa. Não fosse assim, não se diria com tamanha ligeireza e desfaçatez que José Eduardo Cardozo é candidato a integrar a Casa.

Lula já andou cochichando por aí que só restam dois inimigos aos petistas: a “mídia” e o Judiciário. Não é o primeiro a ter essa sacada. Os fascistas originais já achavam isso, é óbvio, antes dos epígonos…

Texto publicado originalmente às 5h49

Por Reinaldo Azevedo

Ex-presidente do Cruzeiro do Sul será transferido da sede da PF

Por Talita Fernandes:
O ex-presidente do banco Cruzeiro do Sul, Luis Octavio Índio da Costa, será transferido da sede da Polícia Federal, no bairro da Lapa, em São Paulo, para o Centro de Detenção Provisória, em Pinheiros, na capital paulista – o chamado Cadeião de Pinheiros. O banqueiro foi preso na tarde desta segunda-feira, em sua casa, num condomínio da Granja Viana, no município de Cotia, região metropolitana de São Paulo. A transferência deverá ocorrer ainda nesta terça, para a unidade 4 do Centro – local onde são colocados os presos vindos da PF. A informação foi passada ao site de VEJA pelo advogado de Índio da Costa, o criminalista Roberto Podval.

Segundo informações da PF, é normal que os acusados que estejam em prisão preventiva sejam transferidos ao serviço penitenciário do estado após um dia de detenção – passando, desta forma, da tutela do governo federal para o estadual.

Conforme adiantou o site de VEJA nesta manhã, Índio da Costa teve a prisão preventiva decretada porque tentou ocultar bens no Brasil e no exterior, para evitar que fossem bloqueados pela Justiça. A PF detectou a movimentação do banqueiro e pediu sua prisão. O órgão não informou quais bens ele tentou ocultar e tampouco qual era seu valor. A lei prevê que esse tipo de prisão ocorra para preservar a ordem pública ou a ordem econômica ou para evitar que a aplicação da lei penal seja frustrada – ou seja, quando a pessoa em liberdade apresenta algum tipo de risco ou para impedir, por exemplo, que o acusado fuja.

O pai de Luis Octavio, Luis Felippe, também teve prisão preventiva decretada no Rio de Janeiro, onde mora. Porém, por sua idade avançada (mais de 80 anos), o juiz determinou que fosse cumprida prisão domiciliar. Na manhã desta terça, a PF se dirigiu à residência do banqueiro, na capital fluminense, e cumpriu mandado de prisão domiciliar.

“As medidas cautelares foram decretadas pela 2ª Vara Criminal Federal São Paulo, a pedido da Polícia Federal, em razão da capacidade dos investigados de causar prejuízo efetivo à ordem pública, da existência de suspeitas de ação atual dos envolvidos para subtração de bens da ação do estado e do risco do desfazimento de seu patrimônio, acarretando prejuízos para a ordem econômica e ao sistema penal. A prisão domiciliar foi decretada com fundamento no Código de Processo Penal, que prevê essa possibilidade quando o preso for maior de oitenta anos, dentre outros casos”, diz a PF em nota enviada à imprensa.

Roberto Podval também confirmou ao site de VEJA que houve tentativa de transação financeira por parte dos banqueiros, mas disse não poder dar mais detalhes por se tratar de um inquérito que corre em segredo de Justiça. Podval disse, no entanto, que há a possibilidade de o Judiciário autorizar a divulgação de mais detalhes sobre a razão das prisões ainda nesta terça-feira. O advogado também afirmou que ainda não entrou com os pedidos de habeas corpus para tentar a liberação de Luis Octavio e Luis Felippe.

Histórico
Em setembro, Luis Octavio havia sido indiciado juntamente com seu pai. A PF investiga crimes no Cruzeiro do Sul contra o sistema financeiro, contra o mercado de capitais e lavagem de dinheiro. Por solicitação do órgão, a Justiça decretou, à época, o sequestro de imóveis, veículos e investimentos dos investigados.

“Os envolvidos serão indiciados pelos mesmos crimes. Caso sejam condenados, poderão estar sujeitos a penas de um a doze anos de prisão e multa, conforme os atos que cometeram”, informa a nota da PF.

Segundo as investigações, as fraudes verificadas nos livros do banco eram similares às que foram praticadas pelo banco PanAmericano. Ainda de acordo com a PF, o inquérito do caso Cruzeiro do Sul foi instaurado em junho de 2012, logo após o recebimento de informações repassadas pelo Banco Central (BC). Ao longo da investigação, a Polícia Federal detectou condutas criminosas e encontrou vítimas de fraudes em fundos de investimentos.

Devido aos problemas encontrados pelo BC, o patrimônio líquido do Cruzeiro do Sul ficou negativo em, ao menos, 2,23 bilhões de reais. Assim como ocorreu com o banco fundado por Silvio Santos, o rombo pode ser maior que o que foi divulgado até o momento, ultrapassando 4 bilhões de reais. Teria sido esse, inclusive, o motivo de o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não ter encontrado compradores para o banco em meados de setembro. Com isso, o BC decidiu liquidar a instituição.

Por Reinaldo Azevedo

A rede suja e o tal Nicolelis. Devagar aí, doutor! Nem a um cientista é permitido dizer tolices!

Chega a ser uma piada que Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, tenha proposto um protocolo de não agressão ao adversário, o tucano José Serra. Não me lembro, em campanhas recentes, de o petismo e suas franjas terem descido tão baixo em matéria de ataques pessoais e, bem, terei de dizer a palavra, mentiras. A Al Qaeda eletrônica a seu serviço é capaz das maiores baixezas — infelizmente, com o auxílio de setores consideráveis da imprensa.

É uma gente que não tem receio de distorcer, de mentir, de atribuir a terceiros o que não pensam. Não há limites. Na entrevista que concedeu a CBN, Serra foi indagado sobre medidas para coibir a violência nas escolas. Afirmou o seguinte:
“Temos um programa feito conjuntamente com a Fundação Casa, a antiga Febem, para atuar nos jovens que estão dentro das escolas e que ainda não entraram para o mundo do crime, mas que podem ter propensão para isso. Vamos fazer com eles um trabalho preventivo e identificar quem tem um potencial para ir para o crime”.

Foi o bastante para começar uma gritaria nas redes sociais, orientada por petistas, acusando o candidato de preconceituoso. Até o cientista petista Miguel Nicolelis — cada vez mais petista, cada vez mais midiático e, pois, cada vez menos cientista — resolveu entrar na corrente de difamação. No Twitter, acusou Serra de defender a frenologia. É uma irresponsabilidade! E, no entanto, o que estava a dizer Serra?

Que é, sim, preciso encaminhar para atendimento especializado jovens com propensão ao crime. E essa “propensão” não se mede por qualquer juízo subjetivo ou por qualquer preconceito naturalista do século 19: pela cara, pela boniteza, pelo formato do crânio, pela estatura, pela cor do cabelo, dos olhos… Estava se referindo a jovens com histórico de violência dentro da escola contra colegas e professores, que já descobriram o álcool e as drogas, que estejam envolvidos com pequenos delitos. Há ou não, em casos assim, propensão para o crime? Não se trata, estúpidos, estúpidas e Nicolelis, de “propensão genética”, de “vocação natural”. Fala-se de casos reais. Um Nicolelis tem de ser mais responsável mesmo quando cientista!

Talvez os tontos ignorem que já há um programa em curso na Fundação Casa, que reúne 2.500 educadores-mediadores. A fundação tem planos de aumentar o convênio com as Prefeituras. Serra se referia, em suma, a ações de apoio psicológico e social que já estão em curso. Que os vagabundos da rede, a soldo, entrem na onda de difamação e lhe tentem atribuir o que não disse, é detestável, mas vá lá. Já o sr. Nicolelis tem de dizer se acredita que a sua “ciência” lhe confere o direito de difamar livremente quem quer que seja. Uma hora eu ainda vou me interessar por esse rapaz… E já antecipo: ainda que seja verdade essa história de Prêmio Nobel e ainda que ele viesse a ganhá-lo, isso não lhe dá o direito de falar besteira nem de atribuir a terceiros intenções que não têm. Qual é?

Ah, sim: a Haddad fizeram a mesma pergunta sobre como coibir a violência nas escolas. Ele teve uma ideia: aula em período integral. Huuumm… E enquanto isso não é realidade em todas as escolas, o que não se realiza da noite para o dia? Mais: o que se quer saber é o que fazer para coibir a violência dentro da escola. Por alguma razão, Haddad acredita que quem é violento em meio período não o será em período integral…

Por Reinaldo Azevedo

As farsas da nota pública do corrupto e quadrilheiro José Dirceu

O quadrilheiro e corrupto José Dirceu resolveu emitir uma nota oficial declarando a sua inocência. Já assistimos antes a esse expediente. Dirceu é autor de uma frase emblemática, dita lá atrás: “Estou cada vez mais convencido da minha inocência”. A maioria do STF se convenceu de sua culpa.

Na nota, vocês lerão, Dirceu argumenta que foi condenado sem provas. Obviamente, sete ministros não o considerariam corruptor e quadrilheiro se isso não estivesse provado. Ao contrário: há um monte delas. Recibo assinado, com efeito, não há nenhum…

À diferença do que diz o quadrilheiro e corrupto, os testemunhos evidenciam a sua culpa. Ficou claro que ele tinha o controle das armações que resultavam na compra dos parlamentares e que o Banco Rural, que mantinha com ele uma relação íntima, atuou na quadrilha com interesses muito objetivos, entre eles a suspensão do processo de liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco.

A nota de Dirceu investe em outra farsa: a de que houve uma mudança de jurisprudência. Mentira também! Ainda teremos tempo de tratar desse assunto. De certo modo, essa reação é o coroamento de uma trajetória. Mesmo condenado por 6 votos a 4 — e sabe que poderiam ser 7… —, não se dá por vencido e põe pra circular novas mentiras. Segue a nota.

“NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA

Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.

Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.

Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.

Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.

Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário.

Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.

O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.

Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.

São Paulo, 22 de outubro de 2012

José Dirceu”

Por Reinaldo Azevedo

São Paulo, Rio e o jornalismo. Ou: Males opostos e combinados

São Paulo faz bem e faz mal ao espírito crítico do jornalismo. O Rio também. São situações opostas, porém combinadas. Posso explicar?

Em São Paulo, jornalista é pago para desconfiar das autoridades — especialmente se elas forem não-petistas (ou, mais amplamente, estiverem fora do arco do lulismo). Há um lado bom nisso. Jornalista tem mesmo de ser crítico, desconfiado. Há o lado ruim: quem não sabe dosar as contraditas acaba atacando até o que deveria ser elogiado. Pior: pautados pela ideologia ou por afinidades eletivas, o fato frequentemente é espancado em benefício do norte moral adotado pelo observador ou pelo veículo. Assim se deu com a retomada da cracolândia. Houve uma quase unanimidade contra a ação do poder público. Só a população apoiou.

No Rio, o jornalismo parece ser pago para dar um voto de confiança às autoridades, especialmente se elas estiverem sob o guarda-chuva do lulismo. Há um lado bom nisso. Jornalistas podem apoiar o que consideram correto, especialmente se beneficiarem a população. Há o lado ruim: quem não sabe dosar o aplauso acaba elogiando até o que deveria ser criticado. Pior: pautados pela ideologia ou por afinidades eletivas, o fato frequentemente é espancado em benefício do norte moral adotado pelo observador ou pelo veículo. Assim se dá com a chegada das UPPs aos morros — um bem em si, que traz consigo, não obstante, a fuga em massa de criminosos, que não são presos. Há uma quase unanimidade em favor da ação. Estou entre os poucos críticos.

Muito bem. Eu quero que vocês leiam o que informa o Portal G1 hoje (em vermelho). Prestem bem atenção.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou nesta segunda-feira (22), que pretende criar, em caráter emergencial, cerca de 600 vagas para a internação compulsória de adultos dependentes de crack. Paes, no entanto, não estabeleceu prazos para o início da internação, já que precisa ser feito um estudo para ver onde serão instalados os centros de acolhimento e reabilitação.
O anúncio foi feito durante visita à comunidade do Jacarezinho, onde funcionava uma das maiores cracolândias da cidade.
Segundo a assessoria da Prefeitura do Rio, uma reunião de Paes e representantes do Ministério da Saúde e secretarias do setor está agendada para o dia 5 de novembro. Na ocasião, além da escolha dos locais para abrigar os centros de acolhimento, serão discutidos também os modelos das instalações e de tratamento.
Atualmente, somente os menores de idade – crianças e adolescentes – usuários de crack flagrados em situação de risco são internados compulsoriamente em unidades da Secretaria de Assistência Social.

Voltei
Está claro, certo? O prefeito quer criar 600 vagas em caráter emergencial para a internação compulsória. E não há prazo. A reunião com o governo federal só acontecerá daqui a 14 dias. Tudo claro? Claro!

Então agora peço que vocês leiam reportagem da Agência Brasil de 13 de abril de 2012, que foi reproduzida em praticamente todos os veículos de comunicação.FAZ SEIS MESES. Também em vermelho.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, defenderam hoje (13) a internação compulsória de adultos viciados em crack, durante o lançamento do programa “Crack, é possível vencer” para o Rio de Janeiro – uma parceira entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, criada em dezembro passado, com previsão de R$ 4 bilhões em recursos federais até 2014.
Segundo Padilha, o consumo de crack é uma epidemia no país e a internação involuntária de adultos deve ser uma decisão do médico que fizer o atendimento do dependente.
“A lei estabelece que, quando um profissional de saúde avalia que uma pessoa corre risco de vida ou coloca em risco a vida de outro, está previsto o mecanismo da internação involuntária. A pessoa deve ser levada para uma unidade de acolhimento ou um hospital para que se faça o tratamento”, afirmou o ministro.
Padilha disse que a internação é uma medida emergencial e que a reconstrução do projeto de vida dos dependentes do crack e sua reinserção em relação à família e à sociedade são fundamentais para a cura do vício.
“Essas internações devem ser feitas com todos os critérios e protocolos aprovados por especialistas, mas não podemos deixar essas pessoas à mercê da droga. São pessoas que perderam completamente o bom senso” afirmou o prefeito Eduardo Paes.
Há cerca de um ano, a prefeitura realiza internações compulsórias de crianças e adolescentes moradores de rua para tratamentos de cerca de seis meses. Atualmente, 117 crianças estão internadas em quatro abrigos da prefeitura.
Segundo a Secretaria de Assistência Social do estado, das cerca de 50 crianças que passaram pelo abrigamento compulsório até o momento, aproximadamente dez conseguiram reconstruir laços com a família ou foram acolhidas por “famílias substitutas”, que são remuneradas pela prefeitura.
Até o fim do ano, cerca de R$ 36 milhões serão repassados para os governos estadual e municipal para o combate ao crack. Estão previstas a criação de seis novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de atendimento 24 horas, a criação de 27 consultórios de rua, a instalação de 427 leitos em enfermarias especializadas e a qualificação de 71 leitos em hospitais gerais.
“Precisamos de médicos treinados para cuidar do dependente químico e pessoal da área policial capacitado. Por isso, um dos seguimentos do plano é dar capacitação aos agentes que vão atuar. É necessário multiplicar esse conhecimento e em cada estado estamos desenvolvendo unidades onde cursos serão dados”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, também presente no evento.

Voltei
Entenderam? Em seis meses, o tal programa federal não saiu do papel. Não passa de uma fantasia. São Paulo retomou a área conhecida como Cracolândia e ofereceu, ao mesmo tempo, o Complexo Prates para atender aos dependentes.
– A imprensa escrita foi contra.
– As TVs foram contra.
– A Defensoria Pública foi contra.
– O Ministério Público foi contra.
– O PT, como sempre!, foi contra.
– A Maria do Rosário foi contra.
– O Gilberto Carvalho foi contra.
– O José Eduardo Cardozo foi contra.
– O Alexandre Padilha foi contra.
– O Fernando Haddad foi contra.

Só a população foi a favor. O prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin tinham de dar entrevistas defensivas a respeito, como se tivessem cometido um crime.

O Rio resolveu retomar uma de suas 10 cracolândias — o que, em si, reitero, é correto. Mas não havia algo como o Complexo Prates. 
– A imprensa escrita foi a favor.
– As TVs foram a favor.
– A Defensoria Pública foi a favor.
– O Ministério Público foi a favor.
– O PT, como sempre!, foi a favor.
– A Maria do Rosário foi a favor.
– O Gilberto Carvalho foi a favor.
– O José Eduardo Cardozo foi a favor.
– O Alexandre Padilha foi a favor.

Agora peço que vocês cotejem a reportagem de hoje com a de seis meses atrás. A imprensa — não me refiro à reportagem do G1 em particular, mas ao conjunto — nem mesmo se dedica a cobrar das autoridades o cumprimento da palavra. Ou acusa o descumprimento.

Concluo: não é São Paulo que faz bem ou mal ao jornalismo. Não é o Rio que faz bem ou mal ao jornalismo. No Rio, em São Paulo ou em qualquer lugar, o que faz mal ao jornalismo é a agenda que está além dos fatos.

Há, obviamente, uma agenda contra os poderes instituídos em São Paulo.
Há, obviamente, uma agenda a favor dos poderes instituídos no Rio.

Por Reinaldo Azevedo

Eleições 2012

Todas as faces

Góes com apoio de Lula

Lula rende votos em qualquer circunstância. Não é à toa que, em Macapá, os dois candidatos recorreram à credibilidade do companheiro no segundo turno. Como se sabe, ele já havia gravado um depoimento para Roberto Góes, atual prefeito e que foi preso pela operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, dois anos atrás (leia mais em: Voto para prefeito preso).

Os coordenadores de campanha de Clécio Luís, do PSOL, correram atrás do prejuízo. Incluíram no programa de TV um vídeo de Lula. Mas em outra versão. Na filmagem, produzida em 2010, Lula é enfático ao se referir à operação da PF:

- Quando tem roubo, a gente pega. Vocês viram o que aconteceu no Amapá. Só tem um jeito de bandido não ser preso, é não ser bandido.

Os ministros do STF que o digam.

Por Lauro Jardim

Governo

Ordens são ordens

Pimentel: protegido, sob bênçãos de Dilma

Desde ontem se lê nos sites – e hoje nos jornais – a seguinte chamada:

- Comissão de Ética arquiva processos de Fernando Pimentel

Para que o leitor entendesse melhor o que aconteceu o correto seria:

- Nova Comissão de Ética de Dilma arquiva processos de Fernando Pimentel

Por Lauro Jardim

Congresso

CPI estacionada

Rindo à toa

Se falta apenas a oficialização para sacramentar o fim da CPI do Cachoeira, na prática, a investigação já está parada há dois meses.

Primeiro, foi a grave da Polícia Federal, que interrompeu o fluxo de informações à comissão. Sem levar em consideração o improdutivo período eleitoral, agora, a questão maior é a falta de vontade política mesmo.

Os dados voltaram a ser repassados, em volume e velocidade bem inferiores aos vistos no início dos trabalhos. Mas na maioria dos gabinetes, onde assessores ficavam encarregados exclusivamente de pinçar as principais tramoias de Carlinhos Cachoeira e seus aliados, quase nada está sendo analisado.

Por Lauro Jardim

da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Marco Antonio Villa: ‘A condenação do PT’

Trecho do artigo de Marco Antonio Villa no Globo desta terça-feira: “O único projeto da aristocracia petista ─ conservadora, oportunista e reacionária ─ é de se perpetuar no poder. Para isso precisa contar com uma sociedade civil amorfa, invertebrada”.Segue-se a íntegra do texto assinado pelo meu grande parceiro de debates sobre o mensalão:

O julgamento do mensalão atingiu duramente o Partido dos Trabalhadores. As revelações acabaram por enterrar definitivamente o figurino construído ao longo de décadas de um partido ético, republicano e defensor dos mais pobres.

Agora é possível entender as razões da sua liderança de tentar, por todos os meios, impedir a realização do julgamento. Não queriam a publicização das práticas criminosas, das reuniões clandestinas, algumas delas ocorridas no interior do próprio Palácio do Planalto, caso único na história brasileira.

Muito distante das pesquisas acadêmicas ─ instrumentalizadas por petistas ─ e, portanto, mais próximos da realidade, os ministros do STF acertaram na mosca ao definir a liderança petista, em 2005, como uma sofisticada organização criminosa e que, no entender do ministro Joaquim Barbosa, tinha como chefe José Dirceu, ex-presidente do PT e ministro da Casa Civil de Lula.

Segundo o ministro Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder.” E concluiu: “É macrodelinquência governamental.” O presidente Ayres Brito foi direto: “É continuísmo governamental. É golpe.”

O julgamento do mensalão desnudou o PT, daí o ódio dos seus fanáticos militantes com a Suprema Corte e, principalmente, contra o que eles consideram os “ministros traidores”, isto é, aqueles que julgaram segundo os autos do processo e não de acordo com as determinações emanadas da direção partidária.

Como estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF.

Para eles, especialmente Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados, a começar do substituto de Ayres Brito, sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de ministro companheiro. E assim, sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.

A recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia.

Primeiramente, logo após a eclosão do escândalo, Lula pediu desculpas em pronunciamento por rede nacional. No final do governo mudou de opinião: iria investigar o que aconteceu, sem explicar como e com quais instrumentos, pois seria um ex-presidente.

Em 2011 apresentou uma terceira explicação: tudo era uma farsa, não tinha existido o mensalão. Agora apresentou uma quarta versão: disse que foi absolvido pelas urnas ─ um ato falho, registre-se, pois não eram um dos réus do processo. Ao associar uma simples eleição com um julgamento demonstrou mais uma vez o seu desconhecimento do funcionamento das instituições ─ registre-se que, em todas estas versões, Lula sempre contou com o beneplácito dos intelectuais chapas-brancas para ecoar sua fala.

As lideranças condenadas pelo STF insistem em dizer que o partido tem que manter seu projeto estratégico. Qual? O socialismo foi abandonado e faz muito tempo. A retórica anticapitalista é reservada para os bate-papos nostálgicos de suas velhas lideranças, assim como fazem parte do passado o uso das indefectíveis bolsas de couro, as sandálias, as roupas desalinhadas e a barba por fazer.

A única revolução petista foi na aparência das suas lideranças. O look guevarista foi abandonado. Ficou reservado somente à base partidária. A direção, como eles próprios diriam em 1980, “se aburguesou”. Vestem roupas caras, fizeram plásticas, aplicam botox a três por quatro. Só frequentam restaurantes caros e a cachaça foi substituída pelo uísque e o vinho, sempre importados, claro.

O único projeto da aristocracia petista ─ conservadora, oportunista e reacionária ─ é de se perpetuar no poder. Para isso precisa contar com uma sociedade civil amorfa, invertebrada. Não é acidental que passaram a falar em controle social da imprensa e… do Judiciário. Sabem que a imprensa e o Judiciário acabaram se tornando, mesmo sem o querer, nos maiores obstáculos à ditadura de novo tipo que almejam criar, dada ausência de uma oposição político-partidária.

A estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É uma associação entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o desejo de saquear o Estado.

O PT acabou virando o instrumento de uma burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado. De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a concorrência. E que encontrou no partido ─ depois de um século de desencontros, namorando os militares e setores políticos ultraconservadores ─ o melhor instrumento para a manutenção e expansão dos seus interesses. Não deram nenhum passo atrás na defesa dos seus interesses de classe. Ficaram onde sempre estiveram. Quem se movimentou em direção a eles foi o PT.

Vivemos uma quadra muito difícil. Remar contra a corrente não é tarefa das mais fáceis. As hordas governistas estão sempre prontas para calar seus adversários.

Mas as decisões do STF dão um alento, uma esperança, de que é possível imaginar uma república em que os valores predominantes não sejam o da malandragem e da corrupção, onde o desrespeito à coisa pública é uma espécie de lema governamental e a mala recheada de dinheiro roubado do Erário tenha se transformado em símbolo nacional.

(na coluna de Augusto Nunes)

 

extraido da coluna Política & Cia, de Ricardo Setti:

MENSALÃO: No começo, os advogados dos réus gargalhavam, felizes e confiantes. Vejam a foto. Já agora…

Advogados dos réus do mensalão: muito riso e muita alegria no começo do julgamento (Foto: André Dusek / AE)

A foto do excelente profissional André Dusek, tomada na primeira semana do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, fala por si mesma sobre a confiança dos advogados dos réus em que as coisas correriam bem para eles e seus clientes.

Já agora, a batalha de quase todos, inclusive de Márcio Thomaz Bastos, que alguns chamam God, é lutar para diminuir o tamanho da pena de seus patrocinados.

Leia mais sobre os advogados no Radar On-line e na seção Maquiavel, do site de VEJA.

 

Política & Cia

MENSALÃO: Defesa de Valério diz que Lula está envolvido

 

Marcos Valério: defesa contesta pena mais dura para ele, e tratamento diferente ao dado aos verdadeiros chefes (Foto: Marcelo Prates)

 

Do jornal O Globo

Em memorial de defesa apresentado nesta segunda-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, faz ataques do PT e cita o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos protagonistas políticos do mensalão.

Leonardo afirma que a base de sustentação do então governo petista, com o surgimento do escândalo, deslocou o foco para Valério. No memorial, o nome de Lula e de Valério aparecem sempre em maiúsculas.

“A classe política que compunha a base de sustentação do Governo do Presidente LULA, diante do início das investigações do chamado “mensalão”, habilidosamente, deslocou o foco da mídia das investigações dos protagonistas políticos (Presidente LULA, seus Ministros, dirigentes do PT e partidos da base aliada e deputados federais), para o empresário mineiro MARCOS VALÉRIO, do ramo de publicidade e propaganda, absoluto desconhecido até então, dando-lhe uma dimensão que não tinha e não teve nos fatos”, afirmou Marcelo Leonardo no documento.

O advogado disse também que o réu que não era do mundo político foi transformado em peça principal do enredo político e jornalístico.

“Quem não era presidente, ministro, dirigente político, parlamentar, detentor de mandato ou liderança com poder político, foi transformado em peça principal do enredo político e jornalístico, cunhando-se na mídia a expressão “Valerioduto”, martelada diuturnamente, como forma de condenar, por antecipação, o mesmo, em franco desrespeito ao princípio constitucional fundamental da dignidade da pessoa humana”, afirmou a defesa.

Leonardo também inclui Lula na relação dos interessados no suporte político “comprado” e diz que o PT é o “verdadeiro intermediário do mensalão”.

Os “verdadeiros chefes políticos” não tiveram o mesmo tratamento

Ele disse também que é injusto Valério ter a pena mais dura, tratamento que, segundo ele, não foi dado aos verdadeiros chefes políticos. O advogado afirma que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, limitou-se a acusar o ex-ministro José Dirceu como chefe de quadrilha.

O advogado argumenta para que sejam consideradas as circunstâncias que se levam em conta na fixação da pena base, como antecedentes, conduta social, personalidade e comportamento da vítima, entre outros.

Leonardo rebateu conclusão do relator Joaquim Barbosa de que Valério tem “maus antecedentes”, com base em ações penais que o ex-publicitário responde em outras instâncias. “A mera existência de ações penais em andamento, todas posteriores aos fatos objeto desta Ação Penal 470 (mensalão), não pode servir de fundamento para consideração de “maus antecedentes”, com vistas à agravação da pena base”, afirmou Leonardo, com base em decisões anteriores do próprio Supremo.

Tratamento de réu primário por ser réu colaborador

O advogado quer que seu cliente seja tratado como réu primário, pois não respondia por nenhum crime na época do escândalo, e afirmou que Valério foi perseguido por diversos órgãos do governo, como “Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal”.

Para reforçar sua tese da boa conduta social de Valério, Leonardo cita vários testemunhos, inclusive do padre Décio Magela de Abreu, pároco de Sete Lagoas (MG). E cita o filho de Valério, que faleceu de câncer.

Leonardo quer que seja considerado o papel de réu colaborador de Valério, no momento da dosimetria das penas.

A defesa de Valério espera ver reduzida sua pena final em dois terços do total a ser estabelecido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Marcelo Leonardo, no memorial de defesa, argumentou que, por ter, na sua opinião, atuado como réu colaborador, seu cliente possa ter a pena reduzida. No caso de réu colaborador, se assim for considerado, a previsão é de redução de dois terços.

– O Marcos Valério colaborou com o processo, apresentou relação e listas com nomes de beneficiários. Isso, e outras medidas, o tornam réu colaborador e espero que assim seja entendido pelos ministros — disse Marcelo Leonardo, mais cedo.

O publicitário já foi condenado por peculato, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

(Por Ricardo Setti)

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

2 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    O que é crucial e nem o Sr. Augusto Nunes, o Sr Vila, o Sr.Reinaldo Azevedo e a Sra. Laura Diniz em debate da Veja não mencionarem nem de passagem o efeito que as pesquisas fajutas tentam produzir no nosso eleitora do afim de induzir o seu voto em candidatos de interes se do PT ! Por exemplo, O Sr. Serra tem 50% de rejei ção(em q. todo mundo bestamente acredita) mas não se lembram que quando "largou" a prefeitura foi eleito no 1º turno p/ governador, venceu inclusive na cidade de SP, elegeu e reelegeu o Kassab prefeito, em cima da Marta do PT; em 2010 ganhou da Dilma; "que venceria no 1º turno"; não só no municipio de SP e no estado, como em mais 4 dos maiores estados da União, totalizando 47,5 milhões de votos !! E com 45% de rejeição já ganhou o primeiro turno em 2012!! Que rejeição é essa ??? Tirada de onde ? Dos magros 2.ooo entrevistados (se é que o foram, pois não se arquiva nada de resulta do no TRE, o que representaria apenas 1.000 pessoas num universo de 8.600.000 de eleitores só na cidade !!! Ou 0,0116279...% do eleitorado ! Ou ainda 1/86 avos de 1% !!! O que representa isso na verdade ??? Só picardia, safadez e influencia maléfica na votação; dos 70% de eleitores semi-analfabetos (conf. Folha)que mal e mal sabem escrever e assinar seu nome,mas obriga dos a votar, sem saber em quem e como escolher; e a tentativa de manipular o resultado da eleição !!

    Tanto "induzir" como "manipular" são crimes eleitorais passiveis de pesada multa e até cadeia conforme a Lei 9504/97 !! Como fraudar pesquisas !!! "Erram" (???) na maior cara de pau e nem vem a publico explicar depois !! Até hoje não explicaram como a Marta que liderava com 8 pontos à frente do Alkmin, o 2º; perdeu p/ o Kassab o 3º(vice do Serra) por 61% dos votos reais !!

    E nem como, com rejeição de 45% o Serra venceu no 1º turno !! Os institutos não estão nem aí, e fica tudo por isso mesmo, porque a maioria dos cronistas, colu nistas e outros, são no minimo simplórios e desco nhecem e o que significam a estatistica, a porcenta gem, a probabilidade, a pesquisa cientifica; que o método utilizado por êles (O Ciro Gomes disse em entrevista no é Noticia da Rede TV em 2010, que tanto Ibope como Sensus vendem pesquisas ou aceitam encomen da) não é nem cientifico, probabilistico ou estatistico. E os + ou - 2, 3, pts. para cima ou para baixo são um chutaço para tentar diminuir a mentira

    e se aproximar da VERDADE!! E que a amostragem simples que utiliza a fórmula da Variancia (Pq/n)que fazem não é a aplicável !! Está na hora de lavantarmos um novo movimento o da Pesquisa Limpa e estritamente Tecnica !!! Existe até empate técnico que significa "se minha mãe não estivesse morta ela estaria viva" !! Um absurdo !! Quem está 3 pontos à frente está empatado com quem está 3 pontos atrás, errando para um candida to (o que está na frente)para menos e para o outro para mais (o que está atrás). E se fosse o contrário ?? Dobraria a diferença ??? Que raios de técnica é essa ?? Petista ?? Para o qual o "certo" é errado e "verdade" é mentira (taí o mensalão que não nos deixa mentir)!! Acorda país ! Estamos dominados pela mentira e pela enganação !!! Um processo brutal de derrubar a democracia !! E implantação do comunismo autoritarís simo !!!

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    então os companheiros tem que ir para a cadeia

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