Índios – Comissão da Câmara convoca Gilberto Carvalho, a mão que balança o berço do Mal…dos!

Publicado em 12/06/2013 16:08 e atualizado em 14/06/2013 10:54 1857 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Os conflitos indígenas no Brasil têm um epicentro: a secretaria-geral da Presidência, cujo titular é Gilberto Carvalho. Informa Laryssa Borges na VEJA.com que o a Comissão de Agricultura da Câmara aprovou nesta quarta-feira a sua convocação para explicar os conflitos e a dificuldade do governo em solucionar demarcações de terras indígenas no país. Como se trata de uma convocação — e não de um convite —, o ministro não pode se recusar a prestar esclarecimentos aos parlamentares. A data da audiência ainda não foi agendada. Na Mosca! Carvalho tanto é “o” homem como é o chefe do homem. Já chego lá.

Dilma delegou à Secretaria-Geral da Presidência o chamado “diálogo” com os movimento sociais. Juntou a fome com a vontade comer. Carvalho é o segundo homem mais importante do PT. Só perde para Lula. Sim, no partido, ele manda mais do que Dirceu — e tem, assim, uma vocação mais missionária. Quando Dilma lhe atribuiu esse papel, formalizou a entrega dos ditos movimentos sociais ao PT. O partido passou a fazer a sua “política” com recursos do estado. E isso vale também para os índios.

Há quase um mês, no dia 15 de maio, demonstrei aqui por que é na Secretaria-Geral que mora o perigo. O homem que lida diretamente com as lideranças dos movimentos sociais, especialmente aos índios, é Paulo Maldos, secretário nacional de Articulação Social e ex-marido de Marta Azevedo, demitida do comando da Funai na semana passada. 

Os proprietários rurais podem se preparar para uma longa jornada. Estão lidando com profissionais do conflito. Maldos é braço-direito de Carvalho. A ele cabe conversar com os movimentos sociais. Essa “conversa” assume um sentido muito particular: na prática, o governo os organiza e os financia. Maldos foi, por exemplo, o coordenador-geral do grupo de trabalho criado pelo governo federal para promover a desocupação de uma região chamada Marãiwatséde, em Mato Grosso.

Como ele trabalha? Nessa área, havia uma fazenda chamada Suiá-Missú, que abrigava, atenção, um povoado chamado Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia. Moravam lá 4 mil pessoas. O POVOADO FOI DESTRUÍDO. Nada ficou de pé, exceto uma igreja — o “católico” Gilberto Carvalho é um homem respeitoso… Nem mesmo deixaram, então, as benfeitorias para os xavantes, que já são índios aculturados. Uma escola que atendia a 600 crianças também foi demolida. Quem se encarregou da destruição? A Força Nacional de Segurança. Carvalho e Maldos foram, depois, para a região para comemorar o feito. Republico este vídeo que mostra o que restou daquela comunidade.

Maldos tem dito a interlocutores que não descansa enquanto 25% do território brasileiro não forem destinados a reservas indígenas. Tem dito também que a violência dos índios é compreensível porque isso é uma espécie de direito à rebelião. De novo: o Brasil já destina hoje aos pouco mais de 500 mil índios que moram em reservas (de um total de pouco mais de 800 mil) uma área correspondente a 26,6 Holandas, 11 Portugais ou duas Franças. Maldos quer 40 Holandas, 17 Portugais e 3,1 Franças para… 500 mil índios. Agora o Pinheirinho.

Pinheirinho
Paulo Maldos não é um qualquer. Trata-se, reitero, de um profissional do conflito — e não da resolução de conflitos. Vocês devem se lembrar da desocupação do Pinheirinho, no interior de São Paulo. A Justiça determinou — e não cabia contestação à ordem — a desocupação de uma propriedade. Carvalho e Maldos acompanhavam tudo de perto. A Polícia Militar não podia mandar a Justiça às favas. Tinha de cumprir a ordem. O governo federal poderia ter resolvido tudo com uma assinatura: bastava desapropriar o terreno. Não o fez. Ficou esperando o conflito. Esperando? Não! Fez um pouco mais do que isso.

No dia da desocupação, adivinhem quem estava lá, ajudando a organizar a “resistência” dos invasores? Acertou quem chutou “Paulo Maldos”. Depois ele veio a público, com grande estardalhaço, anunciar que tinha sido atingido por uma bala de borracha. ATENÇÃO: ELE SE NEGOU A FAZER EXAME DE CORPO DELITO. Saiu a exibir uma bala de borracha por aí, dizendo ter sido atingido por um artefato daquele e posando de herói. Sim, uma tragédia poderia ter acontecido. Não aconteceu. Forças do oficialismo chegaram a denunciar ao mundo a existência de mortos e desaparecidos. Era tudo mentira.

Trabalho organizado
Os proprietários rurais estão sendo vítimas do trabalho organizado de agitadores profissionais que hoje estão aboletados no estado. O que aconteceu em Posto da Mata será o destino de centenas de propriedades rurais e vilarejos se os celerados não forem contidos.

Um dia a presidente Dilma será lembrada pela história como aquela em cujo governo uma vila de 4 mil habitantes, tamanho, quero crer, de centenas (quem sabe, mais de milhar) de cidades brasileiras, foi destruída por ordem do estado brasileiro. Dito de outro modo: o governo que se orgulha de distribuir casas no Programa Minha Casa Minha Vida destrói a moradia daqueles que conseguiram prover seu próprio sustento e erguer seu próprio teto sem ajuda oficial.

O modelo exige um povo grato, sorridente, humilde, de joelhos. Se estiver de pé, o governo chega para humilhá-lo com a marreta e o trator. Ao volante, Gilberto Carvalho e Paulo Maldos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Como a metafísica petista criou a violência dos Remelentos e das Mafaldinhas incendiários. Ou: O casamento do estado-babá com o estado prevaricador

A Avenida Paulista não é Praça Tahrir, no Cairo. Também não é a Praça Taksim, em Istambul. Embora eu não reconheça, como todo mundo sabe, a existência de uma “Primavera Árabe”, não dá para ignorar que os egípcios que foram às ruas enfrentavam uma ditadura feroz. Na Turquia, o que está em curso é a construção de um regime autoritário, ancorado, como é evidente, na religião. Os que rejeitam a ditadura religiosa e o governo autoritário — embora eleito — estão nas ruas. A resistência à reforma de uma praça é, de fato, rejeição à progressiva islamização do país, promovida pelo primeiro-ministro, Recep Erdogan. A Europa em desalento, especialmente a Espanha, com um desemprego brutal, também tem sido palco de protestos. ATENÇÃO! No Cairo, em Istambul ou em qualquer país europeu, não se viu nada parecido com a violência liderada pelo tal Movimento Passe Livre em São Paulo. Muito bem! Os que foram à luta nos países árabes (com uma agenda ruim, insisto!) enfrentavam tiranias. Os que resistem em Istambul estão dizendo “não” à progressiva islamização do país.

Mas e os nossos “revolucionários”, saídos dos setores mais abastados da sociedade? O que quer essa gente? O Brasil passa, por acaso, por alguém déficit democrático? A resposta até pode ser afirmativa, mas não é isso que está a levar os baderneiros para as ruas. O Brasil passa por alguma crise econômica grave? Há sinais importantes de deterioração da economia, mas também não é isso que mobiliza os incendiários. Tenho uma desconfiança: estamos assistindo ao desdobramento mais perverso deste misto que temos visto de estado-babá com estado prevaricador. Já chego lá. Antes, algumas outras considerações.

Nesta quinta, enquanto os delinquentes babavam a sua pauta aloprada nas ruas de São Paulo — e de diversas capitais —, em Brasília, aconteciam algumas coisas importantes. No STF, decidia-se o destino da liminar que suspendeu a tramitação do projeto de lei que impõe dificuldades à criação de novos partidos. Já escrevi muito a respeito (e voltarei ao assunto nesta sexta). A liminar vai cair — embora haja pistas importantes de que a lei, se aprovada, será considerada inconstitucional. Trata-se de um movimento da maioria de ocasião esmagando a minoria. Com o texto, se aplicado, Dilma consolidaria um verdadeiro latifúndio no horário eleitoral gratuito. Trata-se de uma patuscada autoritária, nascida, sim, no Legislativo, mas patrocinada pelo Planalto, com o intuito claro de impedir a criação da Rede, partido de Marina Silva, e a consolidação da Mobilização Democrática. Não há um só banana protestando. Esses cretinos nem sabem direito do que estou a falar. Não sabem PORQUE A DEMOCRACIA NÃO É UM VALOR PARA ELES.

Mas esse não era o único debate importante. Uma comissão se formou para tentar encontrar algum consenso para a PEC 37, aquela que impede o Ministério Público de conduzir investigações. Quer-se que essa tarefa seja monopólio da Polícia Federal e das Polícias Civis. Não se chegou a lutar nenhum. Qualquer coisa pode acontecer. O ânimo, no Congresso, é cortar a prerrogativa do MP. Eis outra questão fulcral para a democracia. E, como é notório, o Movimento Passe Livre, o PSOL, o PCO e outras minoridades políticas sem voto também deram de ombros para a questão. Aqueles babacas mascarados, que saem chutando ônibus, pichando, com suas mochilinhas caras nos ombros, seus tênis importados e suas roupas de grife, se lessem o que escrevo, não distinguiriam este texto de um tratado em grego clássico.

O país começa a assistir a um alinhamento que aponta para um mau futuro: inflação acima da meta, baixo crescimento, juros elevados (vão subir mais), baixo investimento, déficits gêmeos… Isso, então, está em outra galáxia, muito distante daquele em que orbita a turma do quebra-quebra. Ontem, assisti na TV à entrevista de alguns deles — os que falavam, dava para perceber, comem sucrilho ainda hoje, tomam Toddynho, vivem confortavelmente… Às vezes, é preciso ser profundo o bastante para acredita na primeira impressão: a pobreza tem cara específica, dentes específicos, pele especifica, cabelo específico… O consumo das boas proteínas no tempo adequado não mente jamais. Ali estavam filhos, como vou dizer?, dos abastados. E muitos nem se ocupam em esconder: admitem que o reajuste de 20 centavos na tarifa é uma bobagem; admitem que não são afetados pelo problema; sabem que os transportes públicos foram reajustados abaixo da inflação em São Paulo… Mas anunciam que estão a falar em defesa do povo!

Era patético ver os Remelentos & as Mafaldinhas do sucrilho a gritar, com sua boca cheia de dentes, em direção ao povaréu que assistia àquilo tudo, incrédulo, estupefato: “Você aí parado/ também é explorado”. Não entendi o “também”? Quem mais é “explorado”? Certamente não são aqueles que gritam. Mas sabem como é: parte dessa meninada aprendeu na escola, com seus professores hipomarxistas (o “hipomarxismo” é o marxismo dos idiotas que não leram Marx, que é mais bisonho do que o marxismo idiota dos que leram), que, se o oprimido não luta, a gente deve lutar por ele…

Qual é a luta?
Qual é a luta dessa turma? Como é que eles pretendem mudar o mundo? Numa primeira etapa, a redução da passagem de R$ 3,20 para R$ 3. Uau!!! Mas eles deixam claro que a pauta verdadeira é outra: a gratuidade do transporte público. Sim, caro leitor: eles querem que o Brasil seja o único país do mundo com a gratuidade total dos transportes e que tudo comece por São Paulo. Uma frase estúpida, verdadeiramente “jumêntica”, como diria Odorico Paragauaçu, indaga: “Se é público, por que é pago?” Notaram? Toma-se o público como sinônimo de gratuidade, como se os recursos para isso caíssem do céu. Ora, aquilo que for publico e gratuito será pago por alguém: por quem?

Como é que essa pauta prospera e chega a conquistar a simpatia de setores da imprensa — desde sempre — e, segundo informa o Datafolha, de parcela considerável dos entrevistados? Segundo o instituto, 55% apoiam o protesto, contra 41%, que o rejeitam. Dizem, no entanto, que há excesso de violência 78%. Atenção! O Movimento Passe Livre quer a gratuidade do transporte; a maioria, diz a pesquisa, apoia, mas se opõe a que se cortem recursos de outra área para desviar para o transporte. Confuso, então, esse o paulistano, nesse particular, quer a quadratura do círculo.

De novo: qual é a luta?
Noto alguns esforços de sociologização barata do episódio, tentando identificar um certo mal-estar difuso, que andaria por aí, querendo significar alguma coisa… A resposta me parece até bastante simples, embora ela aponte para uma realidade nada alvissareira. Estamos assistindo ao desdobramento virulento da associação entre o estado-babá e o estado prevaricador.

Por babá, entende-se, então, que esse Estado é obrigado a financiar o indivíduo até nas questões mais pessoais, mais íntimas. Já há no país uma verdadeira Bolsa Orgasmo: o ente público fornece camisinha, pílula comum, pílula do dia seguinte… Se depender da militância, logo vai oferecer também o aborto, que é para fechar o círculo. O sujeito não precisa se responsabilizar nem pelo que faz com o seu baixo ventre. Nada! “Ah, Reinaldo, antes isso do que ver crescer o números de contaminados pela AIDS…” Até pode ser. Mas isso não anula o fato de que temos uma sociedade — SOCIEDADE MESMO! — que vai se tornando, a cada dia, mais estado-dependente. Num extremo, é Bolsa Família; no outro extremo, é Bolsa BNDES.

Generaliza-se a convicção de que o Estado tem, sim, o dever de sustentar o indivíduo do nascimento à morte. E pouco importa quanto isso possa custar. A pesquisa Datafolha é eloquente a respeito. A maioria apoia os protestos, mas é contra dar mais dinheiro público para os transportes. Bem, então resta tirar um coelho da cartola. Aquela pergunta estúpida é emblemática: “Se é público, por que é pago?” Depender do estado, esperar a benesse, não querer arcar com o custo, isso está se tornando a nossa segunda natureza.

Patrocinando a ilegalidade
E há, é evidente, um patrocínio escancarado da ilegalidade, operado pelo Estado brasileiro. Ora, o MST é uma excelente inspiração para os radicaloides do Movimento Passe Livre. Afinal de contas, o que esse “movimento” faz no Brasil há quase 30 anos? Move-se na mais escancarada, arreganhada e vergonhosa ilegalidade. Qual foi a consequência, para aqueles valentes, da primeira invasão da fazenda da Cutrale? Nenhuma! Qual foi a consequência da segunda invasão? Nenhuma também! E da próxima? A resposta é a mesma.

Vejam o caso escandaloso do Mato Grosso do Sul, aí envolvendo os índios. Proprietários legais de terra, com títulos centenários, estão sendo expulsos de suas propriedades, que são depredadas, queimadas. Esse movimento é insuflado, atenção!, de dentro do Palácio do Planalto, por intermédio da Secretaria-Geral da Presidência, cujo titular é Gilberto Carvalho. É, amiguinhos, a prática terrorista passou do campo para a cidade — mais dia, menos dia, isso iria acontecer. E estejam certos: se essa gente não for reprimida, segundo o rigor da lei, as cidades brasileiras vão se transformar num inferno. Já está claro que para criar uma grande confusão, não é preciso muita coisa. O PSOL e o PCO não têm votos, como a gente sabe. Mas ele não precisam disso. Voto é coisa da democracia representativa, que os baderneiros desprezam. Hoje em dia, eles lidam com o conceito fascistoide de “democracia líquida”.

Começando a encerrar
Sim, existem os esquerdopatas no meio da turma, mas a ideologia, nesse ambiente, nem tem tanta importância porque essa gente é mal informada, malformada, desinformada. Na raiz de uma mobilização estúpida como essa — gratuidade dos transportes — estão a convicção deformada de que o estado deve ser o provedor dos indivíduos (Dilma acaba de lançar um programa de crédito pra comprar sofá e geladeira, certo?) e a certeza de que, na “luta política”, o crime compensa.

“Ah, o Reinaldo agora é contra mobilização popular. Democracia é assim mesmo: também vale para causas ruins.” Eu sei e já escrevi isso umas 500 vezes. O ponto é outro: as formas de luta em curso são aceitáveis num regime democrático? Acho que não são. Aí, então, essa gente precisa sentir o peso da democracia quando fardada — porque ela resgata e preserva direitos. Se houve excessos, que sejam punidos. Ocorre que, com alguma frequência, se está a chamar de excesso a reação normal de uma força militar que foi agredida.

Não há mal-estar secreto nenhum na “civilização brasileira” que explique o vandalismo. Há, isto sim, o casamento de dois atrasos: o estado-dependentismo e a impunidade. Grupos radicais resolveram adotar os métodos do MST, na certeza de que nada vai lhes acontecer. É MSNV: o Movimento dos Sem-Noção e Sem-Vergonha.

Por Reinaldo Azevedo

 

na coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Marco Antonio Villa: Passe livre, fascismo e oportunismo político

Sobre o tal “Movimento Passe Livre”, vale destacar dez pontos:

1. não é o que pode ser chamado de movimento social, sociologicamente falando;

2. é um ajuntamento de pequenos grupos ultra-esquerdistas sem qualquer importância política;

3. tem uma prática típica de grupos fascistas, são eleitoralmente inexpressivos;

4. como a eterna crítica ao capitalismo – que vive uma “crise terminal”, falam isso desde o final do século XIX – não se materializa na “revolução”, necessitam construir um móvel de luta para não perder o apoio das “suas bases”;

5. o desemprego e a crise econômica – presentes na Europa – aqui são irrelevantes, portanto a “mobilização” tem de buscar outro móvel de luta;

6. a passagem de ônibus virou um eficaz instrumento para as lideranças desses grupelhos dar satisfação às suas inquietas “bases”, cansadas de ouvir discursos revolucionários, negadores da democracia (chamada depreciativamente de “burguesa”), sem que tivessem o que chamam de prática revolucionária;

7. para estes grupelhos, o vandalismo é um excelente instrumento de propaganda. Eles se alimentam do saque, da violência e da destruição do patrimônio público e privado;

8. o poder público não sabe agir dentro da lei para conter os fascistas. Ou se omite, ou age como eles (ou da forma como eles querem);

9. agir com energia, dentro dos limites legais, é a forma correta de conter os fascistas;

10. e o óbvio: é nestes momentos que as lideranças políticas são testadas.

11. É evidente a tentativa de emparedar o governador do estado. O prefeito – sempre omisso – não está na linha de fogo;

12. Não há qualquer relação destas manifestações com aquelas dos anos 1960, 1970 (quando vivíamos no regime militar), das Diretas ou do impeachment do Collor (1992). Hoje vivemos em um regime de amplas liberdades;

13. A liberdade de manifestação é garantida pela Constituição, assim como a de ir e vir. Os fascistas são contra as duas. Tem ódio da Constituição, que para eles é “burguesa” e liberdade de ir e vir é contra o “Estado socialista” que eles defendem (Coréia do Norte, Cuba , etc);

14. Se tivessem sincero desejo de se manifestar, não faltam praças em SP;

15. O “movimento” está desesperadamente procurando um cadáver;

16. E como bem disse um comentário, este movimento não vale vinte centavos.

(por Marco Antonio Villa).

 

Se transporte fosse gratuito, como reivindicam os terroristas, isso beneficiaria os mais endinheirados...

É espantoso que estejamos fazendo no Brasil o debate sobre a “gratuidade” do transporte público. Na verdade, é absurdo até mesmo que se empregue essa palavra. Nem o maná que Deus fez despencar do céu era de graça. O Senhor cobrava, ao menos, bom comportamento. Atenção! É reduzidíssima a parcela de pessoas que pagam a tarifa cheia de transporte — deve ser uma minoria extrema. Por que digo isso? Vamos ver.

Os estudantes, como todos sabem, têm direito à meia passagem, em qualquer fase da vida escolar, incluindo a universidade. É uma das barbaridades vigentes no Brasil. Assim, tenham ou não os indivíduos recursos para arcar com a essa despesa, a categoria “estudantes” goza do benefício. Uma privilégio econômico, pecuniário, que atende tanto a pobres como ricos é socialmente injusto por definição. Mas os radicaloides, claro!, não vão se incomodar com isso. Não sei o número, mas deve chegar perto de milhão os usuários que já pagam meia só em São Paulo.

Penso agora em outra categoria: as empregadas domésticas. Qualquer empregador sabe que elas cobram, vamos dizer assim, “por fora” o valor da condução. No passado, buscaram se proteger das elevações de tarifa e transformaram a prática num “direito”. Se o transporte passasse a ser gratuito, seus patrões é que se beneficiariam, não elas próprias. Porteiros e faxineiros também costumam combinar com os respectivos condomínios o pagamento integral do transporte.

Para os demais trabalhadores com carteira assinada, existe o vale-transporte. O beneficiário arcará com, no máximo, 6% de seu salário-base com essa despesa; o que exceder esse valor será responsabilidade do empregador. Alguém que ganhe R$ 1.200 por mês, por exemplo, gastará com deslocamento, no máximo, R$ 72. É o patrão que paga a o excedente.

Assim, o que parece ser uma reivindicação realmente radical, coisa que vai beneficiar o povo pobre, é, na prática, uma falácia. Se o transporte for gratuito, os maiores beneficiados serão os mais endinheirados. E a conta, claro!, cairá nos ombros do próprio povo. Ou alguém me diga de onde o Estado tira os recursos para arcar com esse custo. Estado gere, mas não gera dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Alckmin: manifestantes são baderneiros e vândalos

Na VEJA.com:
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que os manifestantes que depredaram novamente a capital paulista são “baderneiros e vândalos” e serão responsabilizados pelos danos ao patrimônio público. Nesta terça, dezenove pessoas foram detidas no terceiro dia de protestos em menos de uma semana em São Paulo. “É intolerável a ação de baderneiros e vândalos”, disse o governador.

Os protestos em São Paulo são organizados pelo Movimento Passe Livre, formado por radicais de movimentos e partidos de esquerda, que reclamam do reajuste das tarifas de ônibus e metrô na cidade de 3 reais para 3,20 reais. Nas três manifestações, o grupo reuniu em média cerca de 5.000 pessoas, travou o trânsito das principais vias da capital e deixou um rastro de destruição e vandalismo – nesta terça, além de pichações e estações de metrô depredadas, ônibus foram queimados.

“A polícia vai responsabilizar e exigir o ressarcimento do patrimônio, seja público, seja privado, que foi destruído”, afirmou Alckmin. “Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, vandalismo, baderna, e é inaceitável”, completou. As declarações foram feitas em Paris, onde uma delegação brasileira, que inclui o vice-presidente da República, Michel Temer, e o prefeito da capital, Fernando Haddad, defende a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020 (Expo 2020).

Haddad também criticou os protestos: “A liberdade de expressão está sendo garantida, mas as pessoas não estão fazendo uso adequado dessa liberdade de expressão. Os métodos não são aprovados pela própria sociedade”, disse. “São pessoas inconformadas com o estado democrático de direito que passam a adotar outro tipo de postura de provocação, intimidação, agressão e depredação”, completou.

Vandalismo
Entre os dezenove manifestantes detidos na noite desta terça-feira durante o protesto contra o reajuste no valor das passagens de ônibus e metrô em São Paulo, treze seguem sob custódia da Polícia Civil e aguardam transferência para um Centro de Detenção Provisória da capital. Segundo a polícia, dez pessoas foram presas por formação de quadrilha e vandalismo, sem direito a fiança, e duas por lesão corporal – com fiança estipulada em 3 000 reais.

Responsabilizado por danos ao patrimônio, outro manifestante teve fiança estipulada em 20 000 reais. Os demais envolvidos no protesto detidos pela PM, entre eles menores de idade, foram liberados na madrugada após terem assinado termos de ocorrência por pichação e desacato.

Após bloquear importantes vias de São Paulo, prejudicando o trânsito, os manifestantes protagonizaram cenas de depredação na região central – primeiro no Parque Dom Pedro, depois na Praça da Sé. O confronto com a Polícia Militar ocorreu na região do Terminal Parque Dom Pedro II, depois da manifestação iniciada na Avenida Paulista percorrer cinco quilômetros. Além de apedrejar e pichar ônibus, um grupo chegou a lançar um coquetel molotov dentro do terminal. A PM respondeu com bombas de gás lacrimogênio para conter o vandalismo.

Encapuzados, alguns integrantes picharam paredes, destruíram placas e vidraças. O grupo também atacou diversos ônibus, numa demonstração clara da incongruência dos protestos promovidos por um movimento que pleiteia tarifas mais baratas de transporte público. Um grupo chegou a tentar incendiar um coletivo.

Passe Livre
A manifestação foi comandada pelo Movimento Passe Livre. O grupo montou barricadas nas ruas e incendiou sacos de lixo. Na Radial, uma importante via que liga a região central à Zona Leste, pedras foram jogadas em policiais depois que um homem foi preso.

A PM teve afirma que teve que usar a Tropa de Choque por temer que alguns dos manifestantes queimassem ônibus. “Enquanto eu negociava com alguns, outros jogaram pedras e paus. Esse é o problema de um movimento disperso, querem protestar e quebram a cidade toda”, disse o tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela ação. O policial afirma que ele mesmo chegou levar uma paulada na perna.

Lojistas tiveram de fechar as portas e a situação só se normalizou na região central por volta das 20h30, quando a PM entrou na Praça da Sé, local para onde os manifestantes correram quando ocorreu o confronto no terminal. Por volta de 21 horas, um grupo menor, com cerca de 200 manifestantes, retornou para a região da Avenida Paulista e bloqueou algumas faixas no sentido Paraíso. Houve novo confronto com a PM em frente ao Parque Trianon.

Trânsito
Foi a terceira vez em menos de uma semana que uma manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre prejudica o trânsito em horários de pico, além de promover cenas de vandalismo pelas ruas. O protesto bloqueou faixas da Rua da Consolação e travaram a Radial Leste. Manifestantes também atearam fogo em pneus e o estrago só não foi pior porque chovia forte em diversos pontos da cidade.

Na semana passada, o Movimento Passe Livre já havia causado transtornos em duas ocasiões. Na quinta-feira, o grupo se reuniu na Praça Ramos de Azevedo, no centro, e seguiu caminhando para a Avenida Paulista. No percurso, deixaram um rastro de vandalismo e entraram em choque com a Polícia Militar. Na sexta-feira, as cenas se repetiram em um protesto semelhante na Zona Oeste, quando os manifestantes voltaram a bloquear vias como a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros, causando enormes congestionamentos.

Nesta terça-feira, o Ministério Público de São Paulo afirmou que pretende responsabilizar os manifestantes que depredaram estações de metrô e lojas nos protestos ocorridos na semana passada. Somente nestas estações, o prejuízo chegou a 73 000 reais. Quinze pessoas foram detidas, entre elas o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior.

Por Reinaldo Azevedo

 

IRRESPONSABILIDADE, SEU NOME É FERNANDO HADDAD, UMA RIMA SEM SOLUÇÃO! OU: TENHA AO MENOS A CORAGEM DE VESTIR O CAPUZ, PREFEITO, E SAIR BOTANDO FOGO NA CIDADE!!!

Na montagem, feita por um leitor deste blog, Supercoxinha aparece vestido a caráter para sair barbarizando. Por enquanto, ele barbariza as ideias…

Irresponsabilidade, demagogia, covardia política, pusilanimidade ideológica, oportunismo… Essas são apenas algumas palavras que podem definir uma entrevista concedida à Agência Estado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), publicada no Estadão Online poucas horas antes de um súcia de celerados sair quebrando tudo o que encontravam pela frente. Em outra entrevista concedida há tempos a uma revista, Haddad deixou claro que não gosta de mim. Parece que chega a babar. Ainda bem que milhares, muitos milhares, de leitores gostam, não é mesmo? Incomoda-se com o apelido que lhe pespeguei: Supercoxinha. Ironizo, como sabem, a figura, para mim folclórica, inventada por setores da imprensa paulistana: docinha, mas resoluta; suave nos modos, mas supostamente forte na ação; com uma solução sempre na ponta da língua para daqui a 50 anos… De todo modo, o Supercoxinha não deixa de ser a versão benigna do prefeito de São Paulo. Há a maligna, que pode ser politicamente dolosa. Na entrevista concedida à Agência Estado, Haddad se viu tentado a vestir o capuz dos terroristas que estão nas ruas. Pois que vista, então! Que tenha ao menos essa coragem, já que gosta de dar sumiço sempre que a cidade enfrenta um problema grave. Já sabemos que ele fugia das águas. Agora, foge do fogo. Já chego lá.

Bombas caseiras, coquetéis molotov, paus, pedras, ônibus depredado, prédios públicos pichados, um policial linchado — só não foi morto porque sacou a arma. Segundo a PM, a manifestação pode ter juntado mais de 10 mil pessoas na região central de São Paulo. Todos sabem como são essas coisas: começam com um bando de arruaceiros, a que vão se juntando outros. Se as autoridades tiverem vergonha na cara, fica fácil chegar aos autores intelectuais de ações de caráter verdadeiramente terrorista. O grupo que organiza o protesto tem nome: Movimento Passe Livre. O Movimento Passe Livre tem um registro na Internet, que é público. Já executei parte do serviço que cabia às forças de segurança do regime democrático fazer. Está aqui.

O registro “Passe Livre” pertence a uma entidade chamada Alquimídia e tem um responsável: Thiago Skárnio. Se ele nada tem a ver com as ações terroristas que se espalham por várias cidades do país, que explique à polícia por que empresta a marca aos delinquentes. A Alquimídia é financiada pelo governo Dilma: tem patrocínio do Ministério da Cultura, da Petrobras e pode captar recursos da Lei Rouanet. Skárnio pertence a grupos que querem “o controle social da mídia”. Ou por outra: ele quer dinheiro da Petrobras, do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet e quer também controlar o que os outros podem ou não noticiar. É evidente que esse negócio já foi longe demais. Os primeiros responsáveis pelos caos são, é evidente, os que o promovem. Mas também há os que respondem solidariamente pela desordem. Como explicar certas reportagens na imprensa que emprestam a bandos delinquentes a dimensão de uma categoria política nova, conferindo-lhes uma legitimidade que obviamente não têm?

De volta ao encapuzado virtual
Fernando Haddad e o PT eram, até havia pouco, aliados desses bandidos. Em 2011, o partido usou essa corja para criar confusão em São Paulo, quando houve um reajuste da passagem. O prefeito continua a justificar os atos de há dois anos, afirmando que a elevação, então, se deu acima da inflação. Ainda que fosse verdade (dado o valor médio dos anos imediatamente anteriores, é mentira) —, cabe perguntar: no caso de um reajuste acima da inflação, então se justificam a baderna, o quebra-quebra, a depredação do patrimônio público, a exposição de milhares de pessoas ao risco? Os vereadores petistas Antonio Donato e José Américo, hoje presidente da Câmara, chegaram a participar dos protestos em 2011 e discursaram na Câmara em apoio aos bandoleiros.

Muito bem! Com a bandidagem ideológica tocando o terror na cidade, Haddad concede a entrevista à Agência Estado em que diz que pedirá ajuda à presidente Dilma para baixar as passagens em São Paulo. Notem bem: não que não possa fazer esforços nesse sentido. Afirmar isso agora, no entanto, é tentar apagar o incêndio com gasolina; corresponde a conferir aos manifestantes e a seus métodos mais do que um sinal de aprovação. Está, na prática, dizendo que estão no caminho certo, que sua “luta” está rendendo frutos..

Assim, São Paulo tem um prefeito que, por vias oblíquas — ainda que, na aparência, mas de forma muito leve, quase preguiçosa, diga o contrário —, está afirmando que linchar policiais vale a pena, que quebrar estações do metrô vale a pena, que depredar ônibus vale a pena, que pichar e atacar prédios públicos vale a pena, que provocar incêndios vale a pena, que pôr em risco a segurança de milhões de pessoas — porque é disso que se trata — vale a pena.

Inquérito militante
A conversa conduzida pelo repórter Artur Rodrigues, é bem verdade, não é exatamente uma entrevista, mas um inquérito militante. Estivesse em seu lugar um “militonto” do Passe Livre, não poderia sair melhor para o movimento. O rapaz não economiza e pergunta ao prefeito: “Pelo menos seis cidades conseguiram baixar a tarifa. Quando São Paulo fará isso?”. Observem que ele não pergunta de São Paulo, que já torrará neste ano R$ 1,2 bilhão em subsídios em transporte público, tem condições de baixar a tarifa. Não! Vai direto ao ponto: QUANDO SÃO PAULO VAI BAIXAR??? E reduzir a tarifa, como sabem, é praticamente o único item da pauta do movimento. Num outro momento, o curioso quer saber: “É impossível zerar a tarifa?”. Haddad, para dar a medida sobre o que se fala, poderia ter respondido com uma indagação: em que país do mundo existe transporte gratuito, cem por cento financiado pelo Estado? Nem na Coreia do Norte! Aqueles pobres coitados desembolsam alguma coisa para andar em carrocerias abertas de caminhão… A Coreia do Norte é socialista, como a turma do Passe Livre…

Leiam esta sequência:
O senhor já chegou a falar em municipalizar o imposto de combustíveis…
Eu sou favorável. Tirante aí os atos de violência completamente injustificáveis, eu penso que esse fenômeno relativamente novo tem um fundamento interessante, que dialoga com a questão da mobilidade urbana, da emissão de carbono, com a questão social. Apesar de estar dialogando com uma agenda importante, o movimento está defasado no que diz respeito ao debate público, porque os prefeitos já estão fazendo uma proposta concreta de subsídio à tarifa de ônibus a partir da municipalização da Cide, que é o imposto sobre gasolina. Essa proposta é mais avançada do que tudo que se discutiu.
Seria possível baixar a passagem?
Seria, depende do mix que você faz. Você teria uma situação muito favorável ao transporte coletivo e, na minha opinião, uma situação justa. Se fizesse um plebiscito, até os proprietários de veículos veriam vantagens nessa proposta.
(…)

Retomo
Ainda que esse debate possa prosperar, isso é coisa que primeiro se negocia. Se der certo, muito bem! O Supercoxinha, como leem, reserva não mais do que uma linha para condenar os atos de violência e se entrega, depois, a conjecturas que têm como centro justamente a pauta daqueles que vão para a rua botar pra quebrar. É evidente que acaba incentivando novas manifestações. Outra já está marcada para quinta-feira. E por que age assim? Ah, porque, afinal, ele é, como é mesmo?, o “homem novo”…

E quem é obrigado a arcar com o ônus da irresponsabilidade — inclusive de setores do PT, que agora estão apoiando as ações delinquentes? Ora, o governo do estado, que tem de cumprir a sua parte e acionar a Polícia Militar. Dado o andamento das coisas, a única atitude decente do prefeito teria sido condenar severamente a violência — não da maneira molenga como fez —, deixando claro que não dialoga com pessoas que promovem atos verdadeiramente terroristas.

Ocorre que Hadad está doidinho para cair nos braços do Movimento Passe Livre e dos mascarados que estão nas ruas. Afinal, como esquecer ser ele o “pensador” que, elogiando a atuação do MST, escreveu em livro: “São iniciativas dessa natureza [como as do MST], progressivas em todas as dimensões da vida social, que devem sempre chamar a atenção dos socialistas e lhes servir de inspiração para sua conduta política”. O MST é aquele movimento que, na semana passada, voltou a fazer numa fazenda da Cutrale os que os delinquentes fizeram em São Paulo nesta quarta.

Os terroristas que ameaçam a segurança dos paulistanos já estão na antessala do prefeito. Logo serão recebidos como dignos representantes do povo. E seus métodos serão, então, reconhecidos como bons e eficazes — a exemplo do que acontece com o MST. Pois é… O governo Dilma e a Petrobras já financiam a ONG que é dona do domínio do Passe Livre na Internet, certo?

Texto publicado originalmente às 4h48

Por Reinaldo Azevedo

 

Vagabundos tentam linchar um policial. Ou: Fascistas arrancam sangue do verdadeiro homem do povo

Vejam estas imagens, feitas a partir do congelamento de imagem de um vídeo. Volto depois.

 

vídeo é de autoria do repórter da Folha Giba Bergamin Jr., que também assina um relato aterrador. Um grupo de vagabundos decidiu linchar um policial militar. É isto mesmo. Ainda ontem lembrei aqui uma afirmação do cineasta Pasolini, quando os carabinieri tiveram de enfrentar nas ruas a extrema esquerda estudantil italiana. Disse então o artista que o povo, de verdade, não eram os estudantes, mas os policiais.

Eis aí. Este senhor é obrigado, todos os dias, a enfrentar criminosos. Põe a vida em risco, por um salário que todos sabem modesto, e ainda enfrenta a desconfiança permanente da imprensa, dos autoproclamados grupos de defesa dos direitos humanos, dos intelectuais, além da Marilena Chaui… Nesta quarta, foi impiedosamente espancado pela súcia.

Na terça, a PM do Rio prendeu um grupo de arruaceiros. A seção fluminense da OAB correu para a delegacia para assegurar os direitos humanos dos bandoleiros e se comportar como babá de delinquente. Afinal, que zorra de país é este em que os transportes não são gratuitos, e a gente não pode nem sair por aí quebrando algumas coisinhas?

Leiam trecho do relato de Bergamin Jr. É impressionante.
Um policial militar com rosto banhado de sangue, cercado e agredido com socos, chutes e pedras por cerca de dez manifestantes.

A cena na rua 11 de Agosto, a poucos passos da praça da Sé, marco zero da cidade de São Paulo, foi impressionante não só para mim, mas até para integrantes do Movimento Passe Livre, que organiza os atos contra a tarifa.

“O PM iria ser linchado”, admitiu o estudante de Ciências Sociais Matheus Preis, 19, que, com outro grupo, tentava, para a proteção do PM, conter os mais radicais.

A agressão que testemunhei por volta das 20h30 ocorreu ao lado do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Após se levantar, sangrando, o PM tirou a arma do coldre e a apontou para os manifestantes. Depois, para o alto. Tive certeza de que ele iria atirar. Mas o policial militar não disparou nenhum tiro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

VERGONHA! Ministério Público propõe negociação com terroristas, é isso? Ou: Eles vão levar coquetel molotov, paus, pedras e spray para a conversa?

Em Banânia, aquele país em que alguns intelectuais se comportam como prostitutas, e prostitutas, como intelectuais, o Ministério Público propõe mesas de negociação com grupos que promovem ações terroristas na cidade e que não representam ninguém.

É isto mesmo! Está marcada para as 14h uma, acreditem!, reunião de conciliação entre representantes do Movimento Passe Livre, da Prefeitura e do governo do estado para discutir o valor da tarifa. A questão é municipal. O estado participa porque existe a integração com o metrô. Então vamos ver.

Eles jogam pedras.
Eles jogam paus.
Eles depredam ônibus.
Eles depredam estações do metrô.
Eles jogam coquetel motolov.
Eles põem em risco a vida de milhares de pessoas.
Eles espancam policiais.
E vão sentar à mesa para… negociar!

Quem elegeu o Movimento Passe Livre representante dos usuários de ônibus? Qual é a legitimidade representativa que tem essa gente? Dado o inferno em que eles transformaram a vida de milhões de trabalhadores, usuários de ônibus, soltem esses delinquentes no meio do povo que dizem representar só para a gente ver o que acontece com eles.

Ministério Público que torna essa gente parte legítima da negociação está, lamento, fazendo também o trabalho do terror.

Por Reinaldo Azevedo

 

Delinquentes voltam a promover quebra-quebra em SP e atacam a polícia com pedras, paus e coquetel molotov

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
Os manifestantes que reclamam do reajuste no valor das passagens de ônibus e metrô em São Paulo entraram em confronto com a Polícia Militar na noite desta terça-feira, na região do Terminal Parque Dom Pedro, no centro da cidade. O grupo apedrejou e pichou ônibus que estavam estacionados no terminal, e a PM teve de usar bombas de gás lacrimogênio para conter o vandalismo. Sete pessoas foram detidas por depredação.

Após bloquear importantes vias da cidade, prejudicando o trânsito, os manifestantes protagonizaram cenas de depredação na região central – primeiro no Parque Dom Pedro, depois na Praça da Sé. Encapuzados, alguns integrantes picharam paredes, destruíram placas e vidraças, lançaram coquetel molotov contra policiais e quebraram justamente os ônibus, numa demonstração clara da incongruência dos protestos promovidos por um movimento que pleiteia tarifas mais baratas de transporte público. As tarifas aumentaram de 3 reais para 3,20 reais no último dia 2 de junho.

O grupo comandado pelo Movimento Passe Livre, formado por radicais de movimentos e partidos de esquerda, também montou barricadas nas ruas e incendiou sacos de lixo. A PM teve de acionar a Tropa de Choque diante do risco de incêndio nos ônibus do terminal.

“Enquanto eu negociava com alguns, outros jogaram pedras e paus. Esse é o problema de um movimento disperso, querem protestar e quebram a cidade toda”, disse o tenente-coronel da PM Marcelo Pignatari, responsável pela ação.

Trânsito
Mais cedo, os manifestantes bloquearam importantes vias da cidade. É a terceira vez em menos de uma semana que o grupo prejudica o trânsito em horários de pico, além de promover cenas de vandalismo pelas ruas. A turba bloqueou faixas da Rua da Consolação e travou a Radial Leste, comprometendo o acesso do paulistano que retorna à Zona Leste da capital. Também atearam fogo em pneus e o estrago só não foi pior porque chovia forte em diversos pontos da cidade.

Na semana passada, o Movimento Passe Livre já havia causado transtornos em duas ocasiões. Na quinta-feira, o grupo se reuniu na Praça Ramos de Azevedo, no centro, e seguiu caminhando para a Avenida Paulista. No percurso, deixaram um rastro de vandalismo e entraram em choque com a Polícia Militar. Na sexta-feira, as cenas se repetiram em um protesto semelhante na Zona Oeste, quando os manifestantes voltaram a bloquear vias como a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros, causando enormes congestionamentos.

Depredações
Nesta terça-feira, o Ministério Público de São Paulo afirmou que pretende responsabilizar os manifestantes que depredaram estações de metrô e lojas nos protestos ocorridos na semana passada. Somente nestas estações, o prejuízo chegou a 73 000 reais. Um total de quinze pessoas foram detidas, entre elas o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior.

Por Reinaldo Azevedo

 

Entidade que é dona de domínio do “Movimento Passe Livre” recebe dinheiro da Petrobras e do Ministério da Cultura e tem incentivo da Lei Rouanet

Ai, ai…

O Movimento Passe Livre tem um site, cujo endereço é “www.mpl.org.br” — e, claro, há um site específico para São Paulo: “saopaulo.mpl.org.br”. Muito bem. Uma das curiosidades lícitas que a gente pode ter é esta: em nome de quem está registrado esse domínio? O leitor pode, então, recorrer ao site https://registro.br/ e descobrir. Basta escrever no campo de busca o endereço “mpl.org.br”. E encontrará isto.

Alquimídia?
Como? Associação Alquimídia? Mas que diabo é isso? Bem, leitor, aí você pode, ainda movido pela curiosidade que a imprensa até agora não teve, visitar a página da dita associação. E vai se deparar com isto aqui:

É isto mesmo. A tal “Alquimídia” é uma dessas ONGs que se dizem interessadas na “democratização da mídia” financiadas com dinheiro público: Ministério da Cultura e Petrobras, podendo captar recursos da Lei Rouanet. Jamais duvidem: é muito difícil não haver petismo na raiz de boa parte do que não presta no país.

O nome do chefão da Alquimídia, que é dona do domínio da entidade que está a promover, com meia dúzia de gatos-pingados, o caos em várias capitais brasileiras é Thiago Skárnio, como se vê acima. Não sei se é sobrenome real ou artístico, mas é muito significativo.

A base de operações do rapaz é Florianópolis, cidade, diga-se, onde o protesto contra o reajuste de tarifas de ônibus tem um histórico de violência e radicalização. Se o leitor decidir navegar pelo site “Alquimídia”, descobrirá que essa entidade “ponto org” funciona como uma produtora privada de conteúdo qualquer. A diferença é que é alimentada com dinheiro público e diz trabalhar apenas para “coletivos” e “entidades do terceiro setor”, embora possa, sim, ter a parceria de “empresas privadas”. Ah, bom…

Skárnio, a única cara visível da Alquimídia, se define assim na rede (em vermelho):
Iniciei minhas atividades como desenhista. Depois de produzir charges e ilustrações para publicações independentes e sindicais, passei a trabalhar também com fotografia, texto, produção gráfica e audiovisual.
Além da produção alternativa de vídeos e a edição do site SARCASTiCOcomBR, apoio causas como a cultura digital, liberdade de expressão, estado laico, democracia líquida e as políticas públicas para a cultura, e participo de organizações e movimentos como o FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Pontos de Cultura, CNC – Conselho Nacional de Cineclubes, Cinemateca Catarinense (ABD-SC), TV Comunitária de Florianópolis e Movimento Mega-Não.
Atualmente coordeno o Pontão Ganesha de Cultura Digital, projeto mantido pelo Ministério da Cultura e a Alquimídia.org (organização que ajudei a fundar) e fui eleito para a cadeira de Cultura Digital do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis.

O que é “democracia líquida”? É uma tese neofascista (pesquisem a respeito) que, sob o pretexto de instituir a democracia direta, prega, na prática, o fim do Poder Legislativo. Cada questão importante da sociedade seria decidida por indivíduos eleitos exclusivamente para aquele fim. O linchamento, por exemplo, não deixa de ser uma forma de “democracia líquida”…

Eis aí: eu tinha a convicção — e agora tenho a certeza — de que, na raiz dessa história, estavam as tetas do estado.

“Ah, o Alquimídia só registrou o nome; não tem nada a ver com isso.” Claro que não…

Por Reinaldo Azevedo

 

Os fascistoides, claro!, hostilizam também a imprensa, apesar do apoio que recebem do jornalismo “militonto”

Os fascistoides voltaram a ocupar um trecho da Paulista. Entre outras delicadezas, hostilizam o trabalho da imprensa, conforme informa reportagem da Folha, Vejam esta outra foto, de Juca Varella, da Folhapress.

Só o kit manifestação do pensador que faz o seu cartaz deve custar, deixem-me ver, 10 vezes o que ele gastaria a mais por mês com o reajuste das tarifas — se é que anda mesmo de ônibus.

Neste momento, chove bastante em São Paulo, o que, de hábito, costuma paralisar a cidade. Juntem-se ao aguaceiro os desordeiros, e a vida vira um inferno molhado. O povo que se dane! Por incrível que parece, o prefeito Fernando Haddad, o Supercoxinha, concedeu uma entrevista que, na prática, incentiva a turma a continuar na rua. Já chego lá, Leiam trecho de reportagem da Folha. Volto depois.
*
O protesto contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trem fechou uma pista da avenida Paulista, na região central de São Paulo, por volta das 17h20 desta terça-feira. O bloqueio estava na altura da praça do Ciclista, fechando todas as faixas no sentido Consolação.

Os manifestantes se concentraram na praça e devem sair em passeata, mas o percurso ainda não foi informado pelos organizadores. Mais cedo, houve ainda protestos de policiais civis e servidores da saúde na avenida, mas ambos já foram encerrados.

A Polícia Militar fez um cordão humano para afastar o grupo da via. Os manifestantes usam bandeiras, máscaras, sinalizadores e latas de spray. O Corpo de Bombeiros posicionou um carro de combate a incêndios em frente à praça. Segundo eles, o carro foi levado de forma preventiva.

Um cinegrafista da TV Globo foi hostilizado por manifestantes, que jogaram caixas de papelão nele e cercaram a equipe de reportagem da emissora. A Polícia Militar informou ter levado um efetivo de 400 policiais para acompanhar a manifestação. Com o protesto, os seguranças do Metrô reforçaram a vigilância nas entradas das estações, nas calçadas, e afirmaram que podem fechar as entradas caso haja grande aglomeração de pessoas ou confusão durante o protesto, como já ocorreu na semana passada. Na ocasião, o Metrô estimou prejuízo de R$ 73 mil.
(…)

Voltei
Noto, para arrematar, que essa gente hostiliza a imprensa mesmo contando com amplo apoio do jornalismo em sua fase “militonta”.

Por Reinaldo Azevedo

 

As fotos e os fatos: os sequestradores, os reféns, a elite e o povo

Vejam esta foto de Zé Carlos Barreta, da Folhapress.

É preciso atentar para os detalhes: tênis, a jaqueta, as mochilas, os jeans… Eles não teriam como arcar com o custo adicional de R$ 4,40 por mês, decorrentes do reajuste das passagens de ônibus. Uma tontinha escreveu para cá indignada. Segundo entendi, em vez de estar em casa, estudando física, matemática e língua portuguesa, a opiniática está nas ruas. Ela me diz que não está lutando por si mesma, mas em defesa do povo pobre. Entendi. Ela luta em defesa do povo pobre sequestrando a seu direito de ir e vir. Esses da imagem compõem um grupo de NOVE indivíduos que decidiu parar a Marginal Pinheiros. Agora vejam esta outra foto.

O policial foi lá e tirou o rapaz do meio da rua. Imobiliza-o, com técnica. Atenção! Esse policial poderia estar combatendo outros criminosos, em defesa dos realmente vulneráveis. Mas tem de manter a ordem. Notem mais: um manifestante merece a atenção de pelo menos quatro produtores de imagem: além dos três que aparecem na foto, há o que faz a foto que vocês veem. Mais uma imagem, esta de Avener Prado, também da Folhapress.

Jogo de um único erro
Onde está o povo nessa imagem? Ora, está à esquerda da foto. “Povo”, no caso, são os policiais — que, ademais, estão trabalhando, cumprindo a sua função constitucional. Constituem a democracia de uniforme. Lembro do cineasta comunista italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975), que não podia ser acusado de, como direi?, “reacionário e direitista”. Quando os estudantes de extrema esquerda italianos decidiram que era hora de dar um basta à democracia, o esquerdista se rebelou contra os ditos “revolucionários” e lembrou que, nos confrontos de rua, homens do povo eram os “carabinieri”, não os extremistas do miolo mole, sustentados pelos papais.

Por Reinaldo Azevedo

 

No país em que muitos intelectuais se comportam como prostitutas, seria fatal que prostitutas se comportassem como intelectuais. Ou: O declínio do que não chegou ao esplendor

No país em que se multiplicam intelectuais que se comportam como prostitutas e prostitutos, era questão de tempo que as prostitutas reivindicassem a condição de intelectuais. Não que, em muitos casos, a comparação não lhes seja realmente vantajosa e não possam produzir um saber que, vá lá, consegue ser ao menos mais prazeroso do que o rame-rame e o vai e vem de mera exaltação e justificação do poder em que se transformaram muitos setores da academia no Brasil. Vamos convir, não é? Receber dinheiro público — ou de estatais — para “pensar” e “produzir pesquisa” a serviço de um partido só é coisa diferente de cobrar para fazer gostoso porque é pior. A prostituta, ao menos no seu formato original — não me refiro às que passaram a falar como pós-doutorandas (já chego lá) —, tem o diferencial positivo da sinceridade. Não disfarça o que faz, não busca maquiar a natureza do seu trabalho. Já os que recebem capilé público para aplaudir o poder de turno tentam transformar a prostituição intelectual numa manifestação de resistência.

Leio no Globo um troço realmente espetacular. Reproduzo trecho em vermelho. Volto em seguida.

Quatro Prostitutas que participaram da campanha de prevenção à Aids com a frase “Sou feliz sendo prostituta”, que acabou sendo retirada do ar, vão enviar notificação extrajudicial ao Ministério da Saúde, na quarta-feira, conforme informou a coluna do Ancelmo Gois nesta terça-feira. Por meio do documento, elas pedem a revogação da autorização de uso de imagem e exigem a imediata suspensão das outras peças publicitárias em que aparecem.

As prostitutas da campanha argumentam “radical mudança” na campanha original, que deixou de privilegiar “o enfrentamento do estigma e preconceitos como estratégia de prevenção às DST e Aids” para focar-se apenas no incentivo ao uso da camisinha, tornando-se “higienizada e descontextualizada”.

“A proposta era reafirmar o entendimento, já consolidado técnica e politicamente, de que, para além das questões e informações biomédicas, o gozo de direitos básicos, autoestima e cidadania constitui condição imprescindível para a promoção da saúde, especialmente em grupos considerados sob maior vulnerabilidade social em razão do estigma, preconceito e discriminação social”, diz a notificação, elaborada pela Rede Brasileira de Prostitutas.

Segundo a ONG Beijo da Rua, o Ministério da Saúde retirou do ar peças que tratam de felicidade (“sou feliz sendo prostituta”), de cidadania (“o sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs) e da luta contra a violência (“não aceitar as pessoas da forma que elas são é uma violência”), deixando apenas as que associam prevenção com camisinha.(…)

Voltei
Bem, prostituta que fala e argumenta desse jeito tem de estar dando aula na universidade, dedicando-se a conquistar clientes ideológicos, não é mesmo? Entendi. Campanhas de prevenção à AIDS não podem ser “higienizadas”… Claro, claro! “Estão falando de higienismo social, Reinaldo Azevedo…” Sim, sim, suponho que seja isso. Mas não deixa ter a sua graça mesmo assim.

Vejam bem: eu tenho uma visão, vamos dizer, “progressista” sobre esse tema. Existem casos, especialmente nos rincões do Brasil, de mulheres que foram levadas à prostituição ainda meninas por familiares. Não tenho números, mas não creio que seja a regra. A prostituição, no mais das vezes, é uma escolha mesmo. O antigo feminismo gostava de acreditar que ninguém faz isso por gosto. Faz! Tio Rei veio da pobreza. Havia as mulheres pobres, a maioria, que iam trabalhar nas fábricas, fazer faxina, vender cocada, e havia aquelas que decidiram fazer a felicidade da molecada e dos casados insatisfeitos. Era por gosto mesmo, não por determinação social ou da natureza. Assim como a pobreza, em regra, não faz o marginal, também não faz a prostituta.

Mas o determinismo social é coisa da velha sociologia, que ainda tinha duas patas no marxismo e duas no falso cristianismo da Escatologia da Libertação. O mundo mudou. O pós-marxismo vive a era da afirmação das identidades, da expressão do “eu-enquanto-isso-e-aquilo”. Ainda que os “mudernos” flertem com a ideia de que, na origem, a prostituição não é uma escolha (o Brasil é viciado numa história triste…), mudam a perspectiva: transformam a prostituição numa escolha ética mesmo, num modo de relacionamento social que não é apenas aceitável; é mais do que isso: ele seria portador de um saber não convencional que teria lições a dar à detestável sociedade conservadora. Nessa perspectiva, vista com maus olhos é a mulher pobre que decidiu, sei lá, lutar para superar a pobreza ou que venceu neste mundo cão. Esta seria não mais do que a “classe média” que Marilena Chaui odeia, entenderam?

Compreendam: não estamos mais diante do antigo paradigma da puta que é, no fundo, uma santa — o mito de Maria Madalena está aí (embora seja preciso fazer uma observação a respeito, já, já) — ou que exerce uma função redentora, de controle social. Leiam, a propósito, “Amar, Verbo Intransitivo”, de Mário de Andrade. Maria Madalena, a propósito, se arrepende e muda de vida; na perspectiva da sociologia prostituinte, não há arrependimento, mas transformação da atividade numa nova economia política.

E isso não se dá apenas com a prostituição, não! Os teóricos dos, por assim dizer, atos viciosos decidiram ocupar a cena para anunciar ao mundo que errados estão aqueles que, inseridos no mundo da produção — essa gente que faz a sociedade funcionar —, não compreendem a particularíssima abordagem, então, das prostitutas, dos consumidores de drogas, dos traficantes, dos que que saem por aí depredando prédios públicos, dos que resolvem submeter instituições a rituais de constrangimento e humilhação. São esses os heróis da modernidade.

O curioso é que a sociedade “careta” e “retrógrada”, a tal classe média que Marilena Chaui odeia, continua a ser a aquela que paga a conta de todas as generosidades que se cobram do estado, não é? Se alguns milhares, quem sabe milhões, decidiram enfiar o pé na jaca e consumir drogas, a conta ainda será distribuída entre aqueles que, sem consumir nada, se dedicam a trabalhar e a arrecadar recursos para o Fisco. Se milhares, quem sabe milhões, decidiram fazer sexo sem proteção, também essa conta será enviada àqueles reacionários, acusados de especialistas no papai-e-mamãe.

O declínio sem auge
Vocês assistiram ao filme “O Declínio do Império Americano”, dirigido pelo canadense Denys Arcand? Há uma cena em que uma prostituta masturba o seu cliente — um professor metido a pensador pós-moderno — enquanto faz uma longa arenga, muito douta, muito sábia, plena de saberes alternativos, sobre a crise do ano 1000… Ela não para nem mesmo quando ele avisa que, como diriam os portugueses, está “a vir-se”.

Essa história da notificação extrajudicial é uma evidência, sim, da nossa decadência. A única coisa chata é que a decadência colhe o país antes da chegada ao esplendor.

Por Reinaldo Azevedo

 

Passe Livre: Milhões de trabalhadores e estudantes são reféns da truculência de meia dúzia de bandidos fascistoides; entes do estado brasileiro, patrulhados por militantes da imprensa, se mostram fracos e hesitantes na manutenção da ordem

Milhões de trabalhadores e estudantes que querem trabalhar e estudar são hoje reféns da vontade de meia dúzia de vagabundos, que se outorgam o direito de suspender o seu direito de ir e vir, assegurado pela Constituição. Os fascitoides — alguns deles apropriadamente vestidos de negro e mascarados, como bandidos que são — impõem a sua vontade de forma truculenta, na base da força bruta, e ainda são incensados por certa imprensa e por intelectuais do miolo mole. A Polícia Militar fica praticamente de mãos atadas e só age mesmo em último caso. No Rio e em São Paulo, vimos carros da PM “acompanhando” a passeata — estavam lá, em suma, para assegurar a integridade daquela gente que lembra a SA nazista, a tropa de assalto comandada por Ernst Röhm. Ontem, até a OAB do Rio entrou em cena. Em defesa dos fascistas, é claro! Já volto a este ponto.

Esta terça promete em São Paulo. Os rebeldes sem causa — 200, 300, sei lá quantos — tentarão provocar de novo o caos na cidade sob o pretexto de protestar contra a elevação da passagem de ônibus, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 — estudante paga meia. A Paulista deve ser um dos locais de concentração. Também estão previstas manifestações na avenida de policiais civis descontentes com o salário e de funcionários em greve do setor de saúde. Independentemente da justeza ou não de cada uma das reivindicações, uma coisa é inequívoca: é a população que paga o pato.

Todos esses que escolhem uma via central na cidade para se manifestar não fazem reivindicação, mas chantagem. E tornam o povo refém ou de seus interesses particulares ou de suas ideologias amalucadas. O sentido original das greves operárias no fim do século 19 e no século 20 era provocar um prejuízo imediato aos patrões. Respondam depressa: que prejuízo efetivo terão os entes do estado com a anarquia na Paulista e adjacências? Nenhum! O estado gere a riqueza, mas não a gera.

Um dos malditos equívocos em voga no Brasil, muito presente em setores do funcionalismo público, é precisamente este: imaginar que exista um estado gerador de riqueza. Não existe. Ao contrário: ele a consome. Pode, eventualmente, atuar como um redistribuidor por intermédio de programas sociais. Só neste ano, a Prefeitura gastará R$ 1,2 bilhão subsidiando as passagens de ônibus, que custam mais do que R$ 3,20. Os rebeldes sem causa, no entanto, não querem nem saber. E não medem consequências. Quem são esses valentes? Seriam trabalhadores? Operários? Comerciários? Não! Trata-se de militantes do Movimento Passe Livre, da Juventude do PT, do PSOL, do PSTU e do PCO. Também já se veem entre os baderneiros alguns mascarados vestidos de preto. É a versão caipira do “Black Bloc”, movimento que se autointitula anarquista e prega a depredação do patrimônio púbico e privado em manifestações.

Vejam as fotos dos protestos em São Paulo, no Rio e em qualquer lugar. Digamos que aquela gente realmente ande de ônibus — a maioria sabe que isso existe por causa de suas empregadas… Os R$ 4,40 (têm direito à meia passagem) que desembolsariam a mais por mês os impediriam de comprar seus tênis importados, suas mochilas da moda, seus jeans de grife? Quem deu a essa gente o direito de falar em nome de milhões de usuários e de paralisar a cidade com sua pantomima violenta, impedindo os motoristas dos carros e os passageiros de ônibus de chegar às suas respectivas casas no tempo esperado, com óbvios reflexos no sistema de metrô e trens? Por que 200, 300 pessoas — mil que fossem — se julgam no direito de agir dessa maneira?

O crime compensa
Eu me arriscaria a dizer que é porque vale a pena. Sempre que o crime compensa, o que se tem é ainda mais crime — além do aprimoramento das técnicas dos criminosos. Qual é a recompensa que obtém esse tipo de delinquência política? Não é financeira, pecuniária, mas, ousaria dizer, moral — ainda que uma moral torta. Esse tipo de mobilização provoca, sim, prazer, numa era em que todos são convidados, por intermédio das redes sociais, a se “mobilizar contra a opressão”, seja ela de ordem objetiva ou subjetiva.

Basta, assim, que um grupo reivindique o estatuto do oprimido para que adquira o direito de enfiar goela abaixo do outro a sua causa. Nesta segunda, vimos se repetir no Rio o mesmo padrão de violência já verificada em São Paulo. Pelo menos 30 pessoas foram detidas. E o que se viu? A seção da OAB do Rio imediatamente se mobilizou em defesa dos… presos! Correu para a órgão policial para acompanhar as diligências, para assegurar que o direito daqueles patriotas não fossem violados. Não que devessem sê-lo, é claro! O ponto é outro: pergunto-me por que a OAB não se interessa por milhões de pessoas que tiveram seus direitos violados pelos manifestantes?

A lei brasileira também é ruim para casos dessa natureza. Ainda que um bando seja preso num ato coletivo de depredação do patrimônio público ou privado ou em ações que coloquem em risco, como era o caso, a segurança de milhares de pessoas, vai-se exigir que as condutas sejam individualizadas para que se possa instaurar o devido processo penal, o que é praticamente impossível. Assim, ficam as vítimas à mercê da sanha dos furiosos. O que vale para as ruas vale, por exemplo, para as invasões patrocinadas pelo MST. Se a polícia prender um bando que tenha acabado de depredar uma fazenda ou um laboratório, será preciso dizer, detalhadamente, quem fez o quê. Trata-se, em síntese, de uma lei que protege o crime cometido em bando.

Aqui e ali, já começam a surgir as reportagens de apoio aos trogloditas, com a exposição das deficiências do sistema de transportes, a precariedade dos serviços etc. Não que isso não deva ser noticiado. Mas por que agora? Se o modelo fosse exemplar, o PSTU, o PSOL e o MPL estariam, por acaso, aplaudindo o sistema? O movimento já deixou claro que está pouco se lixando para a questão do transporte em si. Seu negócio, como confessou, é “superar o capitalismo”.

Vamos ver. Hoje, mais uma vez, há o risco de que milhões de pessoas sejam submetidas em São Paulo à ditadura de uma minoria de extremistas que decidiu libertar o povo de sua falsa consciência. De que modo? Ora, punindo-o, impedindo-o de ir e vir.

Por Reinaldo Azevedo

 

Risco-país sobe, e culpa não é só dos Estados Unidos

Por Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
O decepcionante desempenho da economia brasileira neste ano e a falta de clareza da política fiscal do governo Dilma Rousseff contribuíram diretamente para a piora do perfil da dívida soberana do Brasil. Como resultado disso, não só a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a perspectiva da nota de crédito da dívida pública do país, como o “risco-Brasil”, também chamado de risco-país, saltou 25% em apenas um mês.

Usado para medir o risco a que os investidores estrangeiros se submetem quando investem no Brasil – trata-se de uma espécie de termômetro da economia brasileira no exterior -, o indicador acumulou alta de 8%, passando de 173 pontos-base em 30 de abril para 202 em 31 de maio, segundo o Embi+Br, principal índice calculado pelo banco JP Morgan. Em pouco mais de seis meses, a alta é de 47%. Apesar de haver um aumento generalizado no risco-país dos emergentes devido à saída de dólares do mercado em direção aos Estados Unidos, é inegável a preocupação dos investidores internacionais com a evolução da situação fiscal do Brasil.

As contas públicas têm mostrado piora desde o início do ano devido às políticas expansionistas executadas pelo governo, que incluem um rosário de estímulos fiscais e medidas protecionistas. Resultado disso é que o superávit primário (a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida) em 12 meses terminando em abril está em 1,89% do Produto Interno Bruto (PIB), longe da meta de 2,3% do PIB que o governo anunciou que pretende cumprir este ano – e menos ainda que os 3,1% anunciados nos anos anteriores. Com isso, a trajetória da relação dívida/PIB, que mede o peso da dívida total do país, passou a subir. Estava em 35,2% em janeiro e foi para 35,4% em maio.

Não bastasse o fracasso dos números das contas públicas, o PIB do primeiro trimestre subiu apenas 0,6%, abaixo das estimativas mais pessimistas. Para completar o quadro, a inflação não dá sinais de retorno ao centro da meta de 4,5% ao ano. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,37% – e 6,5% no acumulado de 12 meses. “O descontentamento de investidores com o Brasil se baseia na falta de medidas estruturais que reforcem as fontes fundamentais de crescimento. Em vez disso, o governo tentar estimular a economia com políticas expansionistas transitórias”, afirma Alfredo Coutiño, diretor para América Latina da Moody’s Analytics.

Peso americano
O anúncio de diminuição de compra de títulos pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) também pesou em alguns aspectos da piora do cenário brasileiro – sobretudo em relação à alta do dólar. Enquanto o Fed efetuava compras na casa dos trilhões em títulos da dívida, a economia americana era inundada por dólares que acabavam escapando para os mercados emergentes. Tal situação chegou a incitar declarações agressivas do governo brasileiro, que culpava os Estados Unidos pela entrada de dólares no Brasil – cenário que, por sua vez, ajudava na valorização do real.

Agora, diante de perspectivas de uma recuperação mais consistente, apesar de lenta, o Fed deu indícios de que diminuirá a compra de títulos. Esse movimento fez com que os juros pagos como prêmio pelos títulos americanos de longo prazo (10 anos) subissem, atraindo o capital para os Estados Unidos. “O aumento dos juros americanos deixa os outros investimentos menos atrativos e o investidor automaticamente exige um prêmio maior dos outros papéis”, diz Rodolfo Oliveira, economista da Tendências Consultoria.

Contudo, o cenário americano está longe de ser o único culpado pelo ponto em que se encontra o Brasil. Ele apenas serve como agravante para uma situação construída pelo próprio governo ao longo dos últimos três anos, período em que os pilares que sustentam a estabilidade da economia do país foram, pouco a pouco, sendo derrubados. Trata-se da popular máxima: “só se sabe quem está nu quando a maré baixa”. E, diante das mudanças de ventos trazidas pelos Estados Unidos, o Brasil, ao que parece, está nu. “O aumento do risco Brasil é uma resposta à mudança americana, mas também à piora da percepção sobre o Brasil”, diz Sérgio Vale, economista da MB Associados. Para ele, a perda de credibilidade leva naturalmente ao aumento do risco-país. “Ninguém acredita que a postura do governo Dilma vá mudar da água para o vinho”, afirma.

Segundo Vale, a situação brasileira é piorada pelo aumento do déficit em conta corrente, que é o resultado entre todas as entradas e saídas de recursos do país – produtos, serviços ou divisas. As contas externas ficaram 33 bilhões de dólares no vermelho nos quatro primeiros meses do ano, ante déficit de 17 bilhões de dólares registrado no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o déficit nas contas externas soma 3% do PIB – número que não se via há dez anos.”Esse ponto, especificamente, vai levar a um aumento definitivo do patamar da taxa de câmbio, com consequentes pressões inflacionárias”, diz o economista. Ele prevê o dólar no patamar de 2,20 reais no ano que vem e 2,30 reais em 2015.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • Roberto Calzolari Nova Canãa do Norte - MT

    Agora com a convocação do senhor Gilberto Carvalho se podera ver a verdade pois ele e seu braço terrorista o senhor Paulo Maldo é quem dão as cartas e a (presidenta) não tem força para dete los

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