Lula, o maior ator do Brasil, prega a paz na Internet enquanto a sua turma prepara a guerra...

Publicado em 31/01/2014 07:34 e atualizado em 20/03/2014 15:34 1398 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Lula, o maior ator do Brasil, prega a paz na Internet enquanto a sua turma prepara a guerra

Luiz Inácio Lula da Silva é o maior ator do Brasil, e não é de hoje que lhe reconheço essa qualidade, entre outras. E, destaco, ele vai melhorando com o tempo, conferindo sempre mais verossimilhança à sua fala. Por mais avesso que a gente seja ao PT e à sua pregação, há a tentação de considerar que Lula está sendo sincero.

O chefão do PT gravou um vídeo que foi postado em sua página no Facebook e está no Youtube. Lula fala sobre o papel da Internet na educação política. Quase não há reparos a fazer a seu texto, exceção feita à parte final, quando comenta o papel da imprensa. Ele e o PT ainda não entenderam qual é a função do jornalismo. Mas não chega a ser, nesse caso, um pecado mortal. Péssimas são as tentativas dos petistas de censurar a imprensa, mas isso não está caracterizado nesse vídeo. Vejam.

Destaco trechos de sua fala. Volto em seguida:
“Eu sou favorável a responsabilizar as pessoas que usam a Internet porque eu tenho liberdade de pegar uma estrada e fazer uma viagem com minha família, mas se eu for irresponsável, eu posso matar alguém ou posso morrer”.

“Quanto mais a gente trabalhar no sentido de falar coisas positivas, mesmo quando você critica, criticar com fundamento, e não ficar fazendo o jogo rasteiro da calúnia ou do baixo nível… Quando você calunia, você não politiza, você não ensina, você não produz um fruto”

“Eu acho que a internet é uma arvore que pode produzir frutos novos todo santo dia se a gente tiver, ao sentar na frente de um computador, interesse de que alguém aprenda algo mais nesse país ou nesse mundo”.

“Eu, sempre que puder utilizar a Internet para passar uma mensagem que seja uma coisa positiva, uma coisa verdadeira, eu utilizarei. Jamais usarei a Internet para fazer uma calúnia contra quem quer que seja”.

Retomo
O vídeo vem a público dois dias depois de o PT anunciar que vai se articular com os movimentos sociais para… pautar a Internet e, como eles dizem, enfrentar os conservadores. Notem: a concepção é autoritária desde a origem, desde o princípio. Os movimentos sociais, por definição, não deveriam ter partido, certo? O que une aquelas pessoas, até onde se sabe, não é um partido, mas uma reivindicação.

Há mais: os petistas já criaram um grupo chamado “MAV” — Mobilização de Ambientes Virtuais. Como já afirmei aqui, trata-se de uma espécie de polícia política da Internet. Essa gente fica monitorando as redes sociais para “combater” seus adversários. Também invade as páginas pessoais de algumas pessoas conhecidas para patrulhar a sua opinião, desqualificá-las no caso de alguma discordância, intimidá-las. Sei do que falo porque a área de comentários deste blog enfrenta essa forma de assédio.

Ainda não é a pior parte. Todo mundo sabe que, por meio de publicidade da administração direta e de estatais, os petistas mantêm uma rede de blogs — que acabou ficando conhecida como “blogs sujos” — que têm como tarefa principal atacar figuras da oposição e a imprensa independente, além, claro!, de defender o governo.

E onde ficam esses limites de que fala Lula? Ora… Trata-se de um espetáculo grotesco de baixarias, vigarices, mentiras. Não faz tempo, um dos blogs da turma associou a imagem do ministro Joaquim Barbosa à de um macaco. LULA, PESSOALMENTE, TENTOU JOGAR NO COLO DA OPOSIÇÃO A COCAÍNA APREENDIDA NO HELICÓPTERO de um deputado e de um senador. Imediatamente a rede suja passou a replicar a baixaria, embora a Polícia Federal tivesse descartado o envolvimento dos próprios políticos com a droga. Isso tudo está documentado.

Quando, no entanto, a gente vê e ouve Lula no vídeo, é grande a tentação de considerá-lo uma espécie de líder moral, a dizer coisas sensatas. A campanha vêm aí. E teremos, mais uma vez, a chance de ver do que são capazes.

Imprensa
Sobre a imprensa propriamente, Lula afirmou:
“Não é que eu quero que todo mundo fale bem do governo; a mensagem é que eu quero que todo mundo seja verdadeiro, seja para criticar, seja para apoiar o governo”.

“Está acontecendo muita coisa boa nesse país. Eu, às vezes, fico triste porque eu vejo televisão; começa de manhã, seis e quinze da manhã, eu estou vendo televisão, o cara já fala assalto não sei onde, morte não sei onde, batida não sei onde, eu fico pensando: ‘Será que não nasceu uma criança hoje no Brasil; será que ninguém foi bem atendido em algum lugar; será que não uma coisa boa pra gente mostrar sempre os dois lados da moeda’?”

Vamos ver
Trata-se de um apanhado de bobagens. Pra começo de conversa, existem mais instâncias de opinião que não as favoráveis e as críticas ao governo. Essa fala de Lula traduz a sua mentalidade estatizante, governo-dependente, própria de um partido que aparelhou o estado.

De resto, sempre que a imprensa tem uma “boa notícia”, esta merece o devido destaque. Lula não sabe, ou finge não saber, que a imprensa é um dos instrumentos de que dispõe a sociedade para apontar o que não vai bem, para tentar corrigir problemas, daí sua aparente inclinação para a má notícia.

Eu proponho outra questão a este senhor: que tal se a propaganda oficial do governo começar a revelar também os problemas para mostrar os dois lados? Que tal se isso fosse feito inclusive nos pronunciamentos oficiais? Assim, nesta quarta, em vez de apenas cantar as suas supostas glórias, o ministro Alexandre Padilha teria se desculpado pelos 41 mil leitos do SUS que desapareceram entre 2005 e 2012.

Texto publicado originalmente às 22h31 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

A coluna na Folha desta sexta: Aduladores do caos

Na minha coluna na Folha desta sexta, falo sobre aquele que chamo “aduladores do caos”, que confessam que suas esperanças num Brasil melhor crescem quando ônibus são incendiados. Segue um trecho.
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Para o submarxismo vigente naqueles ambientes que o poeta Bruno Tolentino (1940-2007) chamava “Complexo Pucusp” — onde a imprensa colhe seus “especialistas”—, o futuro já aconteceu faz tempo. O que virá será só a materialização do que já estava inscrito na natureza humana. E essa natureza, consta, é libertar-se da opressão. Assim, toda ação, todo acontecimento, todo evento só encontram sentido na medida em que podem ou não ser úteis a esse propósito. A história deixa de ser “a contínua marcha do desejo”, na expressão de Thomas Hobbes, para ser uma sequência de capítulos de fim conhecido, que nos conduzirá ao encontro com a verdade. Parece complicado? Eu me esforcei. Das nuvens para os ônibus.

Desde 1º de janeiro, 33 ônibus municipais e outros tantos intermunicipais já foram incendiados na periferia de São Paulo e adjacências. Em dois ou três casos, alega-se uma reação à suspeita de que a PM teria matado um rapaz da “comunidade”. E os demais? Ah, esses ficariam por conta do “malaise” social que levaria adolescentes da periferia a fazer “rolezinhos”, “black blocs” a quebrar tudo, funkeiros a tentar explodir posto de gasolina… Teria sido acionado o gatilho do DNA libertador das massas.

Analistas muito severos trovejam: “Eu bem que avisei”. Outros iluminam suas esperanças com as chamas dos ônibus. Estão com o povo, contra os reacionários! A antropologia da reparação ameaça: “Chegou a hora de entregar os dedos; os oprimidos não se contentam mais com os anéis do reformismo tucano-petista!”.
(…)
Íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais um vídeo demonstra que, no caso Fabrício, as vítimas mesmo são os PMs — vítimas da difamação e da má-fé

Se não querem pedir desculpas à Polícia Militar, muitos difamadores da corporação deveriam ao menos pedir desculpas aos policiais envolvidos na prisão de Fabrício Proteus Chaves, aquele que quase vira herói não fossem duas câmeras de segurança.

Um novo vídeo, publicado pela Folha Online, vem a público agora e, nele, por incrível que pareça, o que vemos é Fabrício correndo atrás de um policial. Vejam ali. Sim, o rapaz é que perseguia um PM, que se refugia num posto de gasolina. Depois é que aparecem outros fardados, que seguem no seu encalço. Segundo informa a Folha, os policiais que participaram da operação atuavam na área administrativa. Para a segurança, melhor PM na rua do que no escritório.

Atenção! A imagem confirma a versão dos policiais, que dizem ter sido ameaçados por Fabrício duas vezes: no posto de gasolina e, depois, da esquina das ruas Sabará com Sergipe. Nesse caso, o outro vídeo, já de todos conhecido, mostra o momento em que o rapaz avança contra os PMs, quando leva, então, dois tiros.

É impressionante o massacre a que foram submetidos os policiais, criticados pela imprensa, por ONGs, pela Defensoria Pública, por abelhudos. Não fossem essas imagens, quem daria crédito à versão dos PMs?

A verdade é que algo de muito grave está em curso. A impunidade que tem sido garantida a esses grupos, que saem por aí quebrando tudo e jogando coquetéis molotov contra a polícia, está incentivando comportamentos como o desse cara. Basta ver o vídeo para constatar que o policial está, sim, correndo dele — e deve fazê-lo por uma boa razão. Ele admitiu em depoimento que avançou com o estilete contra os PMs, mas diz que foi só depois de levar o primeiro tiro. Vocês acreditam?

Alguns “analistas” investem no ridículo e defendem que os policiais enfrentem desarmados pessoas que vão para as ruas dispostas a jogar coquetéis molotov e, como evidenciam os dois vídeos, a avançar armados contra os PMs, que têm tanto o direito como o dever de se defender. Têm o direito porque, como a qualquer ser humano, assiste-os a legítima defesa. E têm o dever porque são agentes do estado e, ao se proteger, têm mais condições de proteger a sociedade.

Um grupo de ditos “advogados ativistas” (ver post) chegou a conceder uma entrevista coletiva para acusar a polícia de ter tentando matar Fabrício. Mentira. Os policiais cumpriram a sua obrigação e ainda tiveram o bom senso de, mesmo desrespeitando uma portaria da Secretaria de Segurança Pública, levá-lo ao hospital, que ficava a alguns metros. Ou ele teria morrido.

Este novo vídeo desmonta, de vez, a farsa que se tentou criar. As vítimas, nessa história toda, são mesmo os policiais. No caso, vítimas da difamação e da má-fé. Dilma chegou a dizer que esperava “explicações”. Está tudo explicado, presidente?

Inexplicável, até agora, só mesmo a viagem a Portugal…

Por Reinaldo Azevedo

 

A dinheirama para Delúbio: armação ou sem-vergonhice contagiosa?

delúbio

Ser mensaleiro, ora vejam, pode render mais de milhão. Isso se o sujeito for um condenado e estiver em cana — ou, ao menos, dormindo na cadeia. Em plena operação do esquema, rendia muito mais. O site criado para arrecadar dinheiro para pagar a multa de Delúbio Soares já teria juntado mais de R$ 1 milhão de reais.

É um acinte! Por que escrevo “teria juntado”, pondo a informação sob suspeita? Porque só nesta quinta-feira R$ 600 mil caíram na conta de uma vez só. A multa que Delúbio tem de pagar é R$ 466.888,90. Até ontem, o total arrecadado era de R$ 1.013.657,26.

Quem é essa gente que doa com tanta generosidade?. O único ente oficial que vai ter acesso aos nomes é a Receita Federal, já que esse tipo de operação é tributada — e, claro!, o partido. Se os próprios comandantes do PT fizeram boa parte das doações, como deve ter acontecido, ninguém ficará sabendo.

É claro que o PT decidiu debochar da Justiça como um todo e do Supremo Tribunal Federal em particular. Ao criar um site para doações de pessoas que permanecerão anônimas, tenta fazer de conta que a sociedade está contra o tribunal. O petista Marco Aurélio Garcia, que é assessor especial de Dilma para assuntos internacionais, não escondeu a intenção: “Isso é uma resposta ao ministro Joaquim Barbosa. Ele, com seus exageros, acabou mobilizando ainda mais a militância”.

Os mensaleiros também trocam a grana entre si. Da campanha de Genoino, sobraram R$ 30 mil reais, que ele decidiu doar a Delúbio. Da de Delúbio, sobrarão mais de R$ 500 mil, que vão para José Dirceu e João Paulo Cunha…

É um mau sinal. Estamos diante da evidência de que o PT, além de não admitir os crimes cometidos, ainda parece se orgulhar deles e da suposta adesão de sua militância. Digo que a adesão é suposta porque, enquanto os respectivos nomes dos doadores continuarem em sigilo, o bom senso obriga a desconfiar.

E notem o seguinte: a hipótese da farsa é a benevolente. A não-benevolente é mais grave. Se há mesmo tanta gente disposta a condescender com o crime e a colaborar com criminosos, é sinal de que a sem-vergonhice é contagiosa.

Por Reinaldo Azevedo

 

PT pressiona, Dilma cede e entrega a cabeça de Helena Chagas; substituto é mais afinado com Franklin Martins. “Blogs sujos” esperam agora ter mais dinheiro

Por Luíza Damé, no Globo:
A presidente Dilma Rousseff deu início à reforma ministerial que consolidará o apoio partidário ao projeto da reeleição, mas, por enquanto, mexeu apenas em postos do PT, deixando em aberto a substituição dos ministros dos partidos aliados que disputarão as eleições. Foram oficializadas nesta quinta-feira mudanças na Casa Civil, na Educação e na Saúde. Dilma também fará mudança na Secretaria de Comunicação Social (Secom) para dar uma postura mais agressiva ao setor no ano eleitoral, como defende o PT. Essa troca não estava prevista para este momento, mas a ministra Helena Chagas, surpreendida pelo vazamento da notícia, entregou a carta de demissão nesta quinta-feira à tarde. Sua saída foi motivada por pressões do PT e, mais recentemente, pelo desgaste da falta de transparência com a agenda da presidente Dilma na polêmica “escala técnica” da comitiva presidencial em Lisboa, sábado passado.

O porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, vai substituir Helena, mas a oficialização dessa mudança só deve ocorrer nesta sexta-feira. A avaliação é que Traumann tem perfil mais agressivo e mais afinado com o ex-ministro Franklin Martins, que vai coordenar a área de comunicação da campanha de Dilma. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que já estava trabalhando no Planalto, foi confirmado na Casa Civil, no lugar de Gleisi Hoffmann. Pré-candidata ao governo do Paraná, Gleisi reassumirá sua vaga no Senado. O secretário executivo do MEC, José Henrique Paim, será o substituto de Mercadante. O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Arthur Chioro, assumirá a vaga de Alexandre Padilha, que deixará a Esplanada para disputar o governo de SP.

A manhã no Planalto começou agitada. Helena foi surpreendida com a informação de sua saída do governo, publicada na edição desta quinta-feira do jornal “Folha de S. Paulo”, e ligou para a presidente. Tão logo chegou ao Planalto, Dilma chamou Helena ao seu gabinete e negou que tenha autorizado o vazamento da decisão. Pediu que a ministra não confirmasse a saída e ficasse no cargo até a formalização da mudança.

A ministra ficou irritada com o vazamento, e coube a Mercadante apagar o incêndio no segundo andar do Planalto. Mesmo demissionária, ela cumpriu agenda. Entre um compromisso e outro, comentou com assessores que foi deselegante o vazamento da mudança na Secom. A avaliação de setores do Planalto é que o episódio de Portugal não foi decisivo para a substituição. Outro grupo, no entanto, considerou-o a gota d’água.

As polêmicas em torno da viagem a Portugal se deram não só pelo gasto com hotéis de luxo para mais de 40 pessoas ficarem em Lisboa por menos de 24 horas, mas também pela postura da Presidência de manter em sigilo a agenda da presidente em Portugal, só tornando-a pública no dia seguinte, domingo, depois que foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Em novembro do ano passado, em meio a críticas do PT à sua atuação, Helena colocou o cargo à disposição. Ela esperava deixar o governo na reforma ministerial, mas Dilma não lhe confirmou essa decisão. A ministra não irá para a campanha da presidente e deverá cumprir quarentena, como prevê a legislação.

 Em uma das reuniões do presidente do PT, Rui Falcão, com a bancada e integrantes do Diretório Nacional, para discutir saídas para a crise depois das manifestações de junho, houve um debate sobre pontos fracos na equipe ministerial, com críticas à comunicação do governo e da presidente. A reclamação era em relação à pequena margem de financiamento dos chamados “blogs sujos”, que fazem o enfrentamento com a mídia tradicional e atacam a oposição.

 “A comunicação do governo é uma porcaria! O governo não tem a estratégia de comunicação nas redes sociais. O Lula mantinha uma canalização de recursos para alguns blogs, mas a Dilma cortou tudo”, reclamou naquela reunião o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PR), segundo petistas presentes. Na época, Vargas desmentiu as críticas, mas nesta quinta-feira, diante da notícia da saída de Helena Chagas, disse ao GLOBO: “Não gosto dela. A Helena foi pro pau! Beleza”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O que são “advogados ativistas”? Seriam o contrário de “advogados passivistas”? Ou: Os “New Kids on the black bloc” do direito

Sucrilho: a fonte de energia ideologica dos

Sucrilho: a fonte de energia ideológica dos “New Kids on the Black Bloc”

Ai, ai, que pitoresco!

O advogado é, em larga medida, um técnico das leis. Por que digo isso? Quando um criminalista decide advogar para um assassino, por exemplo, não quer dizer que ele concorde com o assassinato ou que o tenha como um norte moral. Quer dizer apenas que vai lutar ou para que seu cliente seja absolvido no caso de ter agido, por exemplo, em legítima defesa, ou que vai se esforçar para que tenha uma pena condizente com as circunstâncias em que se deu o fato. Se ninguém se dispuser a fazê-lo, o estado está obrigado a fornecer um defensor público.

Advogados podem e devem ter convicções — mas têm um compromisso com o estado de direito, não é? Numa democracia, então, essa técnica também vem revestida de um valor. Abaixo, há um vídeo com um trecho da entrevista de advogados ditos “ativistas”. Eles haviam decidido adotar a causa de Fabrício Proteus Chaves, aquele envolvido num ato de resistência à prisão. A família do rapaz os destituiu — com a concordância, certamente, dos próprios. Pomposos, os “new kids on the black blocs” decidiram conceder uma “entrevista coletiva”. Vejam. Volto em seguida.

Volto
Destaco alguns trechos da fala e comento.

“Polícia montar ratoeira para prender manifestantes”.
Ratoeira supõe que a polícia agiu de forma sorrateira, escondendo-se nos becos para surpreender manifestantes. A metáfora só faz sentido se entre o objeto ou situação designados e o termo de referência houver um nexo. A ratoeira só funciona porque o rato não sabe que, ao tocar no alimento, o mecanismo dispara e pimba! Era uma vez um ratinho. Os ditos “manifestantes”, que decidiram botar pra quebrar — como sabe a mochila de Proteus —, sabiam que a polícia estava lá. Decidiram mais do que enfrentá-la. Eles decidiram atacá-la. Há imagens dos policiais fazendo o tradicional “teto” com os escudos para se defender das pedras e dos coquetéis molotov. De resto, sorrateiros são aqueles que primeiro marcham pacificamente, com  a mochila nas costas, para, na hora certa, usar seus badulaques contra o estado de direito e ordem pública.

“Realizar abordagens sem tentar matar os cidadãos”.
Para os “advogados ativistas”, um dos objetivos da Polícia Militar é matar cidadãos. O que essa gente sabe de uma polícia que realizou 168.808 prisões em 2013, que apreendeu 18.844 armas de fogo, que realizou 43.556 flagrantes no combate ao tráfico? O que autoriza esses fedelhos a falar desse modo? “Fedelhos?” Reinaldo nos ofende! Não! Vocês ofendem mais de 100 mil homens, que se arriscam todos os dias, chamando-os de assassinos. Tratam pais de família como criminosos.

“Colheita ilegal do depoimento de Fabrício no hospital”.
Ilegal uma ova! Ilegal não é o que os “advogados ativistas” dizem ser ilegal, mas o que viola leis. O depoimento foi colhido com Fabrício Proteus plenamente consciente, na presença da família e de um defensor público: Carlos Weis.

“Quando se tornou público que os advogados ativistas estavam atuando em defesa da vítima, Fabrício, um dos advogados do grupo recebeu uma ameaça de morte para que saíssemos do caso e da atuação nas ruas”.
Estes senhores cumpriram a sua obrigação e fizeram um Boletim de Ocorrência sobre as ameaças? Que provas ou evidências têm de que a polícia ou qualquer órgão do estado respondem por elas — sim, porque é essa a sugestão implícita?

“Atitudes como a da Polícia, a do governador do estado de São Paulo e do secretário do Estado de São Paulo nos remetem aos duros tempos da ditadura”.
A fala é de uma estupenda irresponsabilidade e de uma ignorância que não pode ser desculpada nem pela juventude. Essa gente deveria trocar esse arzinho enfezado e arrogante por livros, já que nenhum deles viveu o período da ditadura. Falam do que não sabem. Falam do que não conhecem. Esses caras não têm ideia do que é fazer uma reunião política clandestina num período em que não se tinha nem direito a habeas corpus porque o AI-5 acabara com ele no caso de “crimes políticos”. Posso estar enganado, mas sinto daqui um cheirinho de PSOL, de PSTU, quiçá de coisas ainda mais radicais e mais nanicas.
Que “duros tempos da ditadura” o quê, seus manés! Façam um favor a si mesmos: envelheçam depressa, como recomendava Nelson Rodrigues. Não me refiro à idade. Refiro-me aos livros. Eu apanhei da ditadura lutando por democracia. Quem vai à rua para quebrar e atacar policiais, em 2014, está lutando CONTRA a democracia.

“Percebe-se que as investigações mal começaram, e os órgãos deslegitimados já estão até condenando.
Basta reler os fragmentos da fala dos “advogados ativistas” para perceber quem se considera investigador e juiz de quem. Com que legitimidade?

“Parece claro que o secretário está legitimando a polícia a agir de forma desproporcional, o que ocorre tanto nas favelas quantos (sic) nas ruas e, agora, nas manifestações populares”.
“Manifestações populares”? Era o “povo” que estava depredando bens públicos e privados no sábado? Uma ova! Na verdade, o “povo” decidiu foi linchar um black bloc — salvo por seguranças. O verdadeiro “povo” que estava nas ruas no sábado eram os policiais, não os barbudinhos mimados, alimentados com sucrilho e Toddynho comprado pelo, como é mesmo, Félix?, “pápi poderoso”. Estudem e apareçam!

“Não nos renderemos a essa agenda de repressão estatal”. “A gente não vai sair da rua”.
Ah, bom! Agora, sim! Falem como “manifestantes”, não como pretensos operadores do direito. De resto, consultem especialistas antes de falar asneiras. A administração hospitalar de morfina, o suficiente para tirar a dor, não altera a consciência de ninguém. Há coisas que “advogados ativistas” não conseguem fazer, ainda que queiram: a) convencer que as leis não existem; b) mudar a ciência.

Para encerrar
“Que é, Reinado? Quer proibir agora “os meninos” de falar?” Eu não! Que falem à vontade! Mas que fique claro que o fazem como militantes políticos que estão furiosos porque perderam uma bandeira de luta, não como advogados.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os ônibus e o escandaloso oportunismo de Haddad

Ainda não tenho claro qual aspecto da personalidade política do prefeito Fernando Haddad, do PT, é mais deletério para a cidade: sua espantosa incompetência, que o faz, até agora, colher sempre resultados contrários ao pretendido; seu pendor autoritário, que o leva a radicalizar uma medida quanto mais equivocada ela se mostra — é o doido que dobra a dose do remédio para diminuir os efeitos colaterais; ou seu espantoso oportunismo, tentando usar dificuldades que são de todos para faturar politicamente.

Há uma onda de incêndios a ônibus na cidade. O crime organizado certamente tem a sua parcela de responsabilidade, mas a causa, entendo, é outra: respira-se um clima de impunidade no país; confunde-se banditismo com reivindicação; delinquência com militância. A Secretaria de Segurança Pública do Estado tem de dar uma resposta? Certamente.

E não só nesse caso. Querem outro exemplo? Desde a campanha eleitoral, Haddad prometeu entregar parte do programa de habitação da cidade a movimentos de sem-teto, que ajudaram a fazer a sua campanha. Ele venceu e, de fato, divide hoje com entidades de caráter privado, disfarçadas de ONGs, o programa de moradia. Só que elas não estão contentes. Querem mais. E saem por aí obstruindo vias e estradas. A quem cabe manter a ordem pública que Haddad ajudou a depredar? À Secretaria de Segurança. Depois a polícia apanha dos nefelibatas do socialismo rosa-chique da imprensa.

Dou outro exemplo. Haddad criou a Haddadolândia, ex-Cracolândia, uma zona livre para o consumo e o tráfico de drogas. É evidente que isso passa a movimentar os fornecedores, que atuam no próprio local e adjacências. Aumenta a tensão na área de segurança. Chame-se a polícia, que depois leva porrada dos “consumidores recreativos” de maconha…

Nesta quinta, Haddad afirmou que cabe ao estado manter a segurança dos ônibus. É… Mas não dará para botar um policial em cada veículo. Ainda que desse, de pouco adiantaria. A turma ataca em bando. Os ônibus não são escolhidos por acaso: além da visibilidade, parece óbvio que existe algum descontentamento com o sistema.

Alguém na posição de Haddad deveria lamentar o ocorrido, fazer um chamamento à ordem e prometer atuar em parceria com o governo do estado. Mas ele é petista e tem uma natureza. E a natureza do petismo é explorar as misérias humanas, quaisquer que sejam elas.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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