SP não quer saber de Dilma! Desde 1989, PT venceu eleição presidencial no Estado uma única vez...

Publicado em 09/06/2014 17:54 e atualizado em 11/07/2014 15:27 1335 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

SP não quer saber de Dilma! Desde 1989, PT venceu eleição presidencial no Estado uma única vez

Leiam o que informa a Folha. Volto em seguida.
Tem um lugar no Brasil onde 61% dos eleitores afirmam que não votariam na presidente Dilma Rousseff “de jeito nenhum”. Lá, 83% da população querem mudança, um percentual bem mais alto do que no resto do Brasil. E só 23% aprovam o atual governo. Provavelmente por isso, tanto Aécio Neves (PSDB) quanto Eduardo Campos (PSB) venceriam Dilma num segundo turno, com folga, caso a eleição fosse realizada apenas entre os eleitores desse lugar – o tucano ganharia por 46% a 34%; o ex-governador de Pernambuco, por 43% a 34%.

É um lugar onde a opinião política do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, é mais influente que a do ex-presidente Lula (29% votariam “com certeza” em alguém apoiado pelo magistrado, enquanto 24% fariam o mesmo com o petista). E onde mais da metade dos moradores (54%) dizem sentir vergonha pela realização da Copa do Mundo no Brasil. Esse lugar é o maior colégio eleitoral do Brasil, o Estado de São Paulo. Os dados são da pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de junho em todo o Brasil, com um número de entrevistas grande o suficiente em São Paulo para uma análise mais precisa sobre o comportamento eleitoral dos paulistas.

São Paulo destoa do resto do Brasil em quase todos os temas investigados. Se fossem contabilizados só os votos dos eleitores do Estado, a disputa presidencial hoje estaria tecnicamente empatada entre Dilma, com 23%, e Aécio, com 20%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Em São Paulo, Eduardo Campos tem 6%, seguido de perto por dois candidatos evangélicos: o Pastor Everaldo Pereira (PSC), com 4%, e o senador Magno Malta (PR-ES), com 3%. Já o candidato do PSTU, José Maria, alcança 2%.

Conforme os resultados apurados em todo o país, 30% do eleitorado nacional ainda não tem candidato a presidente da República. É um recorde desde 1989 para esse período pré-eleitoral. Em São Paulo, a soma dos indecisos com os que afirmam pretender votar em branco ou nulo é ainda maior: 37%. Os paulistas são mais pessimistas que os demais brasileiros em todas as questões relacionadas à economia. Entre eles, 69% acham que a inflação vai subir, 52% esperam aumento do desemprego, 48% entendem que o poder de compra irá diminuir.

Por encomenda da Folha, o Datafolha ouviu 4.337 pessoas no Brasil, 2.029 delas no Estado de São Paulo. A margem de erro é sempre de dois pontos. A taxa de confiança é de 95%. Significa que em 100 levantamentos parecidos, os resultados estarão dentro da margem de erro em 95.
(…)

Voltei
Vou citar um cantante “progressista”, um tal Caetano Veloso, que não vai muito, ou nada!, com a minha cara… Já se recusou até a dançar comigo, muito entre aspas, é claro! Peninha! O fato é que, em São Paulo, não se costuma dar muita bola para quem sobe ou desce a rampa.

Os petistas têm mais dificuldade de se criar no Estado do que em outras regiões do país. Desde a volta das eleições diretas, o partido venceu a disputa em São Paulo uma única vez: em 2002. Naquele ano, Lula obteve 55,39% dos votos, contra 44,61% de Serra. Nas outras todas, comeu poeira. A saber:
1989 – Lula, 42,10% X Collor, 57,90% (2º turno):
1994 – Lula, 27,01% X FHC, 55,74% (1º turno);
1998 – Lula, 28,84% X FHC, 59,89% (2º turno);
2006 – Lula, 47,74% X Alckmin, 52,26% (2º turno);
2010 – Dilma, 45,95% X Serra, 54,05% (2º turno).

É por isso que Marilena Chaui, por exemplo, a Tati Quebra Barraco da esquerda do Complexo Pucusp, acha São Paulo um estado “reacionário”. Os petistas não se conformam que exista um Estado que responde por um terço da economia do país e que resista ao petismo. Vai ver é por isso que São Paulo responde por um terço da economia do país!

 Por Reinaldo Azevedo

 

Eleições 2014

Enxurrada de pesquisas

presidenciaveis

Panorama mais claro

De amanhã a sábado,  quatro pesquisas presidenciais de intenção de voto serão divulgadas – umas com mais credibilidade, outras com menos ou quase nenhuma.

Mas todas, juntas (Ibope, MDA, Sensus e Vox Populi), capazes de, ao lado do Datafolha da semana passada, compor um quadro razoavelmente claro da situação do trio Dilma, Aécio e Campos.

Por Lauro Jardim

 

Dilma consagra a violência como método de reivindicação e cede às chantagens do MTST. É a institucionalização da desordem! Movimento suspende protestos durante a Copa. Mais um mandato, e esta senhora leva o país para o buraco

Você está sentindo falta de alguma coisa que o faria feliz, leitor amigo? Acha que o Estado tem a obrigação de fornecê-la a você? Parta para a porrada que a presidente Dilma cede. Mas não se esqueça de juntar algumas pessoas, parar uma avenida, invadir alguma propriedade e gritar slogans em nome da igualdade e da Justiça. Guilherme Boulos, o coxinha de extrema esquerda e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), prometeu derramar sangue durante a Copa do Mundo, e o governo federal cedeu à sua chantagem. Segundo informa a reportagem  da Folha, o governo federal vai construir casas na invasão conhecida como Copa do Povo, a 3,5 quilômetros do Itaquerão — e isso significa, então, que o terreno, que é particular, será comprado — vamos ver se pelo governo federal ou pela Prefeitura.

Segundo Boulos informou ao jornal, o governo federal dará — atenção! — um subsídio de R$ 76 mil para cada uma das 2 mil casas que devem ser construídas na região. Assim, pessoas que aguardam pacificamente há anos por uma moradia de um dos programas oficiais devem ser sentir uma estúpidas, umas idiotas, umas trouxas. O próximo passo, claro!, é se ligar aos extremistas para conseguir mais depressa o seu teto. Segundo o rapaz, as casas serão feitas pela própria construtora Viver, dona da área, num projeto que contará com a parceria do MTST — que passa, assim, a ser o maior gerenciados de moradias do país, não é mesmo?

Boulos diz ainda que a faixa salarial dos beneficiários da Faixa 1 do programa será aumentada de R$ 1.600 para R$ 2.172. A Secretaria Geral da Presidência, por sua vez, anunciou a criação de um grupo interministerial com o objetivo de mediar conflitos, formado pelos Ministérios das Cidades, Justiça e Direitos Humanos, além, claro, da própria secretaria. A coisa parou por aí? Não! Os ditos movimentos de sem-teto já têm direito a cotas de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida” — cada um leva um lote de mil. Agora, Carvalho anuncia que será de quatro mil.

Vejam que fabuloso! Esses grupos privatizam o bem público. Embora se apresentem como “movimentos sociais”, são, na verdade, sócios do poder. Leiam post publicado na tarde de ontem. Desde a eleição de Fernando Haddad, em outubro de 2012, 50 prédios foram invadidos no Centro de São Paulo, onde moram 20 mil pessoas. Boa parte delas paga um aluguel de R$ 200 ao MTST por aquilo que não pertence ao movimento. Esses são os interlocutores de Dilma, a quem ela quer uma parte do poder, por intermédio decreto 8.243. Mais um mandato, e Dilma conduz o pais para um buraco não apenas econômico, mas também institucional.

Por Reinaldo Azevedo

 

Desde a eleição de Haddad, em outubro de 2012, 50 prédios foram invadidos em SP; chefões cobram aluguel de R$ 200 de invasores

Os ditos movimentos de sem-teto, de que o MTST, liderado por Guilherme Boulos, é uma espécie de “central”, transformaram-se, hoje, no maior movimento de privatização do espaço público de São Paulo. Atenção para este número escandaloso: desde outubro de 2012, com a eleição de Fernando Haddad, do PT, nada menos de 50 prédios foram invadidos em São Paulo. Todos os ditos movimentos de sem-teto foram membros ativos da campanha eleitoral do petista à Prefeitura.

Muito bem! Agora o mais escandaloso: os chefões desses grupos cobram aluguel — sim, aluguel — dos invasores. Quem quer morar no antigo Cine Marrocos, por exemplo, onde estão 475 famílias, tem de pagar R$ 200 ao MSTS, que é o “Movimento dos Sem Tento do Sacomã”. A clientela desses grupos hoje já reúne 20 mil pessoas — e sempre vai chegando mais gente, oriunda de outras cidades, de outros estados e, atenção!, de outros países.

Nada menos de 10% dessas 20 mil pessoas são formados por estrangeiros vindos do Haiti, Cabo Verde e Serra Leoa, entre outros países. Serão locatários dos movimentos de sem-teto por muito tempo. Para que possam se inscrever no “Minha Casa Minha Vida”, precisam morar no país há pelo menos cinco anos. Uma das fontes de renda dos invasores, como se vê, estará garantida por muitos anos.

Atenção! Essas 20 mil pessoas são as que moram em áreas invadidas no Centro da cidade. Milhares de outras ocupam terrenos em outros locais, a exemplo da Nova Palestina e da Copa do Povo — a primeira é área de manancial, e a segunda, um terreno privado. A presidente Dilma agora pensa em dar tratamento privilegiado a esses grupos no programa “Minha Casa Minha Vida”. Haddad já subiu num caminhão dos invasores e fez discurso. Esses que se proclamam os donos da causa, do espaço público e da propriedade alheia tomam, na marra, o lugar de pessoas que estão há anos na fila, devidamente inscritos, aguardando moradia. Recado passado pelo governo: entre a mobilização pacífica e a porrada, escolha a porrada!

De resto, é evidente que essa tolerância com a ilegalidade atrai sempre mais invasores, sempre mais sem-teto. A tendência é que eles migrem de outras áreas do país — e, como se vê, de outros países — para São Paulo. O mote: “Invadam a cidade! Haddad, Dilma e o PT garantem!”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Enquanto Dilma e o PT promovem a desordem em SP, governo do Estado e PM asseguram os direitos fundamentais dos paulistanos, garantidos pela Constituição

O secretário de Transportes de São Paulo, Jurandir Fernandes, cumpriu a lei e mandou demitir 61 grevistas do metrô por justa causa. Parabéns, secretário! Parabéns, governador Geraldo Alckmin! A população, que está tendo sequestrado seu direito de ir e vir; que está tendo roubado o metrô, que lhe pertence; que vê um serviço que foi construído com o seu dinheiro ser apropriado por meia dúzia de baderneiros, essa gente merece um desagravo e uma resposta. E a resposta tem de ser dada na forma da demissão dos que insistem em desrespeitar a lei. Um grupo de 13 grevistas foi detido, de manhã, na estação Ana Rosa. Devidamente, fichados, foram libertados depois.

A síntese, que muitos se negam a fazer, mas não neste espaço, é a seguinte: enquanto o PT e a presidente Dilma, os principais interessados no sucesso da Copa do Mundo, promovem a baderna, a bagunça e a desordem, o governo de São Paulo e a Polícia Militar garantem o pleno funcionamento das instituições democráticas. Por que falo isso? É muito fácil explicar. É muito fácil provar.

A CUT, que é a central sindical do PT, onde Lula é tratado como Deus, emitiu uma nota de solidariedade à greve dos metroviários. Preferiu, para a surpresa de ninguém, atacar o governador Geraldo Alckmin. Em vez de sair em defesa da população de São Paulo, os petistas da central preferiram se alinhar com os grevistas violadores da lei, que recebem, só de bolsa-alimentação e bolsa-refeição, um valor maior do que o salário de muita gente de quem eles roubaram o metrô.

Na manhã desta segunda, os metroviários extremistas, liderados pelo sr. Altino Prazeres, tentaram promover o caos na cidade, numa manifestação que contou com a presença dos coxinhas radicais do Movimento Passe Livre e de militantes do MTST, comandados por outro coxinha de extrema esquerda, o sr. Guilherme Boulos, aquele que prometeu fazer correr sangue na Copa do Mundo se não tiver atendidas as suas exigências.

Muito bem! O Passe Livre, que não representa ninguém, já foi recebido no Palácio do Planalto. Em São Paulo, Dilma já se encontrou com Guilherme Boulos e agora pensa em dar tratamento especial ao MTST no programa “Minha Casa Minha Vida”. A Prefeitura de São Paulo, comandada pelo petista Fernando Haddad, está prestes a regularizar áreas invadidas pelo grupo. Fortalecidos, esses extremistas promovem ainda mais confusão.

Enquanto Dilma, Haddad e os petistas, como regra, promovem o caos e a desordem, alguém tem de cuidar dos direitos garantidos pela Constituição. Que seja o governo de São Paulo, com o auxílio, quando necessário, da Polícia Militar, que, acionada nos limites do que lhe confere a lei, é a democracia de farda. Quanto os metroviários, que reste uma lição: se a maioria silenciosa não se manifestar, a categoria continuará a ser liderada por gente como esse tal Altino, que usa o sindicato para defender os interesses de um partido político. Em São Paulo, não! 

Por Reinaldo Azevedo

 

O dinheiro do crime organizado na política e uma reportagem absurda do Fantástico, com testemunhas com voz de pato denunciando não sei o quê sobre não sei quem

Agora, sim. Vamos lá. Prometi que escreveria sobre a advertência que fez o ministro Gilmar Mendes, membro do STF e vice-presidente do TSE, sobre o risco de o crime organizado se infiltrar nas eleições com a proibição da doação legal de empresas a campanhas.

Muito bem! Já escrevi aqui algumas dezenas de vezes que a primeira consequência imediata da proibição será o aumento do caixa dois nas campanhas. É só uma questão de lógica elementar. Se a lei proíbe que as empresas doem legalmente, é claro que uma parte delas continuará a fazê-lo — aí ilegalmente. Ou vocês acham que os candidatos vão se contentar apenas com a parte que lhes couber de recursos oficiais que terão de ser repassados? Ora…

E o segundo efeito, no qual eu não havia pensado — e para o qual chama a atenção agora o ministro — é justamente este: o dinheiro do crime organizado, inclusive, sim, de organizações como o PCC, entrar na política. Tudo indica que isso já está em curso hoje em dia, é bom deixar claro, mas ainda de forma marginal. A tendência é que cresça. E por quê?

Ora, as doações ilegais feitas a partidos e a políticos têm de ser feitas em espécie, em moeda sonante. O Brasil tem um relativo controle sobre o dinheiro legal que circula no país. Qualquer valor que tenha sido, em algum momento, registrado pode, em tese ao menos, ser rastreado. Há formas de cruzar dados. O risco da sonegação será sempre muito grande. Assim, o dinheiro do caixa dois é, necessariamente, um dinheiro ilegal.

É por isso que existem na política figuras como Alberto Youssef, o doleiro. Ele atua num ramo em que se tem de trabalhar com dinheiro vivo. O outro é justamente o crime organizado, que costuma se sustentar em dois pilares: jogo e drogas, que também operam com papel moeda. Não passam por nenhuma forma de controle estatal. O terceiro são os supermercados religiosos que se disfarçam de religião.

Aliás, os defensores da legalização do jogo e da droga que não são pilantras são apenas inocentes. Ainda que essas atividades fossem legais, a natureza da transação obriga a que se lide com a grana viva. É o paraíso da lavagem de dinheiro. “E Las Vegas?” Sim, Las Vegas é a melhor prova da tese. Mas deixo isso pra lá agora.

Há indícios evidentes de que o PCC, vamos dizer, já capturou algumas franjas da representação política no Brasil. Tão logo as empresas estejam impedidas de doar, aí, meus caros, vai ser a festa. Sempre haverá um candidato precisando de alguma bufunfa com urgência, e sempre haverá, claro!, um amigo do candidato que conhece um outro amigo que sabe onde conseguir o capilé. Os ministros do Supremo que devem formar a maioria contra a doação de empresas a campanhas não têm noção do mal que estarão fazendo ao país.

O Fantástico e a fantasia
A propósito: há muito tempo eu não via na televisão uma reportagem tão fantasiosa e tecnicamente estropiada como a que o Fantástico levou ao ar no domingo, na TV Globo, como se fosse uma grande bomba e um furo de reportagem. Com base num livro francamente ruim, tentou-se provar que o sistema político brasileiro é inteiramente corrompido e que o centro dessa corrupção está no financiamento privado de campanha. A tese é falaciosa. Os elementos nos quais ela se ancorava são, jornalisticamente, lamentáveis.

Vamos ver. O livro em questão é “O Nobre Deputado”, do juiz Marlon Reis, um dos responsáveis pela emenda da Ficha Limpa, de inciativa popular, que tem seus méritos, mas que traz defeitos jurídicos insanáveis. Nem vou entrar nesse mérito agora. O juiz alega ter ouvido 100 pessoas e ter estabelecido o roteiro da corrupção. Quem entende do riscado sabe que o Marlon misturou seus próprios preconceitos com fatos, maximizando irrelevâncias — como as emendas individuais ao Orçamento — e transformando o parlamentar em mero despachante de quem financia sua campanha. Com a devida vênia, da forma como está lá, a coisa não passa de bobagem e demonização rasteira da política. A tese, infelizmente, foi comprada pelo Fantástico com requintes de jornalismo perversamente criativo.

Foram ouvidos — em negativo e com aquela voz de pato — “assessores parlamentares” que confirmariam as teses do juiz. A reportagem está aqui. Se fossem meros atores, num padrão Gugu de reportagem, nós, os telespectadores, não teríamos como saber. Mas vá lá: dou de barato que aquelas pessoas existam. Cadê as evidências de que as suas denúncias fazem ao menos sentido? De que caso eles estão falando? Qual é o fato?

Ah, então devo me conformar que eles tenham sido, ou sejam assessores, e, enojados com o que veem e pratiucam, venham a público para dizer coisas como:“Veja bem, se você for no interior, muitas crianças passando fome, casas de taipa, estradas sem asfalto. Isso indigna a gente. Sempre tive consciência disso. Só não podia denunciar. Quem denuncia, morre. Nego mata aí brincando.”

E esta sequência, então? Prestem atenção (em vermelho):
Assessor: O cara saca o dinheiro e entrega para ele. Normal.
Fantástico: Mas não teria que sacar e comprovar onde gastou?
Assessor: Para quem?
Fantástico: Para a Câmara dos Vereadores.
Assessor: Como assim, se os vereadores são cúmplices?
Fantástico: Ou, se for o governador, para a Assembleia Legislativa.
Assessor: Que também é cúmplice.
Fantástico: Mas tem o Tribunal de Contas do Estado.
Assessor: Que também é cúmplice.
Fantástico: O senhor quer dizer que todos são envolvidos?
Assessor: Cúmplices. Todos são. É uma máfia.

Com a devida vênia, isso não é reportagem, não é denúncia, não é apuração, não é nada! É só literatura ruim, que não passaria pelo controle de qualidade do setor de dramaturgia da Globo.

Insisto; de que caso se está falando?

Na reportagem, apela-se até mesmo a uma barbaridade ilógica como está, leiam:
“Um estudo do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) revelou quanto as 10 maiores doadoras de campanha no Brasil em 2010 lucraram nos dois anos seguintes em contratos com o governo eleito: um valor 20 vezes maior do que foi doado.”

Ok. No dia em que as doações privadas forem proibidas, como quer o juiz Marlon, o autor do livro ruim, cabe perguntar:
- as empreiteiras lucrarão menos?;
- se, oficialmente, elas não tiverem feito doação nenhuma, isso é prova de que elas realmente não… fizeram doação nenhuma?;
- a corrupção está mesmo nessa relação? Quem faz questão, então, de registrar a sua doação estaria apenas produzindo uma prova contra si mesmo? Entende-se, pois, por uma questão de lógica elementar, que a melhor forma de não gerar suspeitas é não fazendo a doação legal, certo?;
- por óbvio, quem doou dinheiro na surdina agiu de forma mais prudente para si mesmo, ainda que contra os interesses do país. Afinal, não tem no seu pé nem o juiz Marlon nem o Fantástico.

O lobby em favor da proibição da doação legal de empresas tomou a imprensa — não por acaso, esse é um dos cavalos de batalha do PT. Não quer dizer que os jornalistas necessariamente sejam petistas (a esmagadora maioria é, sim; ultimamente, numa prova de que as coisas podem piorar, muitos têm avançado na escala involutiva para o PSOL, especialmente no Rio…). 

Um dez minutos de reunião a mais naquele clima de centro acadêmico das supostas reuniões de pauta do Fantástico, e, creio, alguém se lembraria de perguntar se as empreiteiras deixarão de fazer obras quando não puderem mais declarar suas doações. Perguntaria ainda mais: elas deixariam de fazer as doações — o mesmo valendo para todos os setores da economia?

Fez-se ainda um grande estardalhaço com as chamadas emendas  dos parlamentares. Só se esqueceu de informar que elas representam um valor ridículo quando se compara com o tamanho do Orçamento e com o poder que tem o Executivo de mandar o dinheiro para onde bem entender.

Um pouco mais de tempo na reunião de pauta, e alguém certamente se lembraria de que o Orçamento da União de 2014 é de R$ 1,51 trilhão — ou, se quiserem, R$ 1.051.000.000.000, Inicialmente, entre emendas individuais e coletivas, estabeleceu-se que os parlamentares poderiam destinar R$ 19,7 bilhões (ou R$ 19.700.000.000) desse total. Sabem o que isso significa percentualmente? 1,87%!!! Mas aí a Dilma foi lá e contingenciou — na prática, cortou — todas as emendas coletivas, num valor de R$ 13,3 bilhões. E sobraram para as emendas individuais dos parlamentares R$ 6,42 bilhões (ou R$ 6.420.000.000). Atenção! Aos parlamentares, no papel, restou destinar 0,61% — ISTO MESMO: ZERO VÍRGULA SESSENTA E UM POR CENTO — do Orçamento. Mas isso não quer dizer dinheiro liberado, não! E o juiz Marlon acha que o centro da corrupção do poder está com os “nobres deputados”??? Ora, que ele e a reportagem do Fantástico vão plantar batatas e fazer contas! Só para se ter uma noção, leitor amigo: se você pesa 70 quilos, 0,61% desse peso são 460 gramas… Ah, sim: 50% desse dinheiro tem de ser necessariamente empenhado em Saúde. A propósito: o que o sistema de financiamento de campanha tem a ver, por exemplo, com as lambanças na Petrobras? Resposta: nada!

O que se levou ao ar foi uma reportagem pautada por um livro equivocado de um suposto paladino da moralidade pública, que tem, assim, a vocação justiceira de um Robespierre e o rigor técnico de uma cartomante. No mais, espero que seja a última vez que a gente veja pessoas falando com voz de pato, fazendo não sei que denúncias sobre não sei quem, mas acusando todo o sistema político. E tudo a serviço de uma tese ruim — o financiamento público de campanha —, que vai extremar todos os males que a reportagem busca denunciar. Aí não dá!

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilmar Mendes alerta para infiltração do crime organizado em partidos

Na VEJA.com:
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alertou nesta segunda-feira para o risco de o crime organizado se infiltrar nas estruturas partidárias a poucos meses das eleições no país. Para o ministro, que é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o veto às empresas para fazer doações nas campanhas abre caminho para organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Sem citar nomes, Mendes chamou a atenção para os “episódios recentes” em São Paulo. No mês passado, em meio a uma greve-surpresa de motoristas e cobradores de ônibus na capital paulista, veio a público a informação de que o deputado estadual Luiz Moura (PT) participou de reunião com cooperativas do setor, na qual também estavam membros do PCC, segundo a polícia. Na ocasião, a Polícia Civil deteve 42 pessoas, um deles condenado por assaltos a bancos. Luiz Moura alegou que participava de um encontro para tratar de melhorias no transporte público de massa. Ele foi suspenso pelo PT por sessenta dias e não poderá disputar a reeleição.

Luiz Moura já foi condenado nos anos 1990 por roubo a mão armada no interior do Paraná . Sentenciado a doze anos de prisão, cumpriu um ano e meio e fugiu. Depois, reabilitou-se tecnicamente, pelos critérios da Justiça. Em 2010, elegeu-se deputado estadual pelo PT em São Paulo, com patrimônio declarado de 5 milhões de reais. “A Justiça Eleitoral e todo o sistema institucional devem dar toda a atenção e rigor na apuração sobre episódios recentes que mostram a integração do PCC na estrutura de partidos, é o crime organizado se enraizando na estrutura partidária, isso é muito perigoso”, advertiu o ministro, em São Paulo, onde participou de um debate sobre guerra fiscal.

Mendes argumenta que “se isso (o PCC na política) ganhar dimensões maiores, estaremos diante de um quando muito preocupante”.

Está na pauta do Supremo o financiamento eleitoral. A maioria dos ministros do STF já votou pelo banimento das empresas privadas do processo de doações. Até aqui, por 6 votos, a 1 – alguns ministros anteciparam seus votos – a Corte máxima veta que pessoas jurídicas façam repasses a partidos. Gilmar Mendes pediu vista dos autos. O julgamento deve ser retomado no início do segundo semestre. “Eu quero alertar que tudo indica, a partir da realidade de São Paulo, que, de alguma forma, vamos estar admitindo o crime organizado na política. Devemos estar muito atentos quando ao aprofundamento dessas investigações.”

Para Mendes, o risco maior é que o bloqueio às empresas privadas abra caminho “para financiamentos individuais, legitimando recursos ilícitos para campanhas eleitorais”.

“Estamos discutindo a cultura política do País na questão dos financiamentos, mas em torno de referências e balizas meramente formais”, alerta Mendes. “Mas há aspectos que não podem ser desprezados em hipótese alguma. Ao proibir doações de companhias estruturadas, existentes, declaradas perante os órgãos públicos, o país está abrindo caminho para práticas informais, inclusive do crime organizado como mostra a própria realidade vivida em São Paulo. É um caminho perigoso.”

Por Reinaldo Azevedo

 

Os patetas autoritários do sindicalismo doidivanas: espero que o governo de SP não recue e demita muito mais se delinquência continuar. Ou: Comecei a contagem regressiva para surgir um pateta federal

Trato daqui a pouco das considerações que fez o ministro Gilmar Mendes sobre a infiltração do crime organizado no processo eleitoral, conforme o prometido. Quero voltar à greve da minoria dos metroviários, que agora assume a face explícita de uma farsa. Ora vejam: até ontem à noite, a reivindicação do sr. Altino Prazeres, o dublê de militante do PSTU e de presidente do sindicato, era a elevação do reajuste salarial. Ele não aceitava nada menos de dois dígitos. Ou isso ou greve. Julgada a paralisação abusiva, o Metrô começou a fazer demissões, e aí o tal Altino mudou a pauta: agora, para decidir a volta plena ao trabalho, ele quer que as dispensas sejam canceladas. Qual é a pauta, afinal, deste senhor? Respondo: fazer política e usar a Copa do Mundo como instrumento de chantagem.

Nesta segunda, decidiram suspender a greve por 48 horas. Seguindo o estilo de sempre, Altino acha que está em condições de dar um novo ultimato: se as demissões não forem revistas, então haverá nova paralisação — aí no dia 12 mesmo, quando começa a Copa do Mundo. Ele, agora, precisa de uma migalha qualquer para gritar: “Vitória, vitória da minha intransigência, da minha escolha pela ilegalidade, da minha escolha pela truculência!”

Não tenho ideia do que pretende fazer o governo do Estado e o Metrô. Sei o que eu faria: deixaria claro a este senhor que ele não está em condições de exigir nada! A volta ao trabalho é condição primeira para que o Metrô pare de demitir. Até porque, estou certo, a lista de demissíveis é muito maior. Fica muito fácil saber quem não compareceu ao trabalho, mesmo depois de declarada a greve abusiva, porque não pôde e quem não compareceu porque estava desafiando a lei.

É importante destacar: os que estão na lista dos 42 são pessoas que atentaram contra a segurança do sistema, que incentivaram passageiros a pular catraca, que investiram contra o patrimônio do Metrô. Ninguém esta sendo dispensado apenas por ter aderido à greve, embora a empresa possa fazê-lo, dado que o movimento foi declarado abusivo, e os funcionários decidiram manter a paralisação.

Sei que a decisão do governo do Estado não é fácil, não é simples. São muitas as forças políticas que se esforçam pra promover o caos em São Paulo, a começar daquela que deveria estar mais interessada na ordem: o PT. Uma grande trapalhada no dia da abertura da Copa do Mundo não seria positiva para a presidente Dilma Rousseff, por exemplo. E daí? O candidato do PT à Presidência é Lula, não Dilma. Se ela se esfarelar, os cutistas estão certos de que Lula assume o seu lugar como candidato. Não é uma teoria conspiratória. Trata-se apenas da vida como ela é. Basta raciocinar logicamente: uma grande confusão em São Paulo não interessa ao PSDB; uma grande confusão em São Paulo não interessa a Dilma.

A quem interessa, então? Respondo: à demência de sempre da extrema-esquerda e ao lulismo que sonha com a volta do Dom Sebastião de Garanhuns. Não fosse assim, a CUT teria emitido uma nota contra a greve, não a favor. “Ah, Reinaldo, isso a central jamais faria, nem que Lula estivesse no poder”. Eu sei. Mas, estivesse lá o Babalorixá de Banânia, é claro que os cutistas teriam ao menos silenciado. Os Metroviários nem pertencem à sua base.  Como quer que Dilma se dane a ainda acha que consegue arranhar Alckmin como ganho adicional, então a entidade dá apoio a um movimento politicamente delinquente.

Que o governo de São Paulo não ceda e que os demitidos, até agora, sejam apenas os primeiros 42 caso o sindicato insista em chantagear a sociedade. De resto, fiquem atentos: daqui a pouco aparecerá algum representante do governo federal se oferecendo para “dialogar” com o sindicato e com o Metrô, tentando caracterizar o governador Geraldo Alckmin como “intransigente”. O meu candidato a ser o ator lamentável dessa pantomima é José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Como sempre.

Por Reinaldo Azevedo

 

Metroviários de São Paulo suspendem a greve

Na VEJA.com:

Os metroviários de São Paulo decidiram suspender a greve por 48 horas. A categoria vai fazer uma nova assembleia na quarta-feira para decidir se volta a trabalhar ou realiza uma paralisação no dia da abertura da Copa do Mundo. “A volta da greve no dia 12 vai depender da decisão do governo sobre a readmissão dos 42 funcionáios demitidos. Essa é a nossa nova prioridade”, disse Altino dos Prazeres, presidente dos Sindicato dos Metroviários.

O encontro de cerca de trinta minutos foi tenso. Houve princípio de tumulto entre quem era a favor e contra a continuidade da greve.

A decisão veio depois da reunião de conciliação entre o governo de São Paulo e o Sindicato dos Metroviários terminar sem acordo. “Não há acordo na readmissão de 42 funcionários. A greve já está acabando, 70% do metrô está funcionando”, disse o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. Pela manhã, o governo paulista havia anunciado que 61 seriam demitidos, mas o secretário corrigiu o número para 42 – sem explicar o motivo.

“Para a categoria, isso é muito caro e difícil. Poderíamos renegociar desde que houvesse a readmissão dos 42″, disse o presidente do sindicato, Altino dos Prazeres. Segundo ele, a proposta era que o Metrô abrisse um procedimento interno para apurar a conduta dos grevistas em vez de demiti-los por justa causa.

De acordo com o Metrô, cinquenta das 65 estações abriraram nesta segunda-feira.

A greve foi considerada abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O julgamento concluiu pela autorização do desconto pelos dias parados, além de não assegurar a estabilidade dos grevistas, e multa de 500.000 por dia ao sindicato da categoria. O Ministério Público do Trabalho protocolou pedido de execução da multa.

O governo paulista endureceu a resposta aos grevistas, que causam transtornos aos paulistanos pelo quinto dia consecutivo – a paralisação afeta 4 milhões de usuários do metrô diariamente e provoca caos no trânsito. Pela manhã, houve confusão e treze funcionários foram detidos na Estação Ana Rosa – onze são agentes operacionais e dois administrativos. (…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Planalto está pessimista com Padilha. Ou: Os “moralmente progressistas” e “moralmente conservadores”…

O Palácio do Planalto está pessimista com o desempenho de Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. Na mais recente pesquisa Datafolha, ele aparece com 3% ou 4% das intenções de voto, a depender do cenário. É certo que ainda vai crescer. A questão é saber se dá para ganhar, coisa na qual os petistas não estão acreditando muito. Não custa lembrar que o ex-ministro da Saúde é o pré-candidato por vontade e determinação de Lula. Depois da eleição de Fernando Haddad como prefeito, o chefão petista ficou um pouco mais arrogante do que já era e acha que, de fato, elege quem quiser.

Folha desta segunda traz uma reportagem a respeito do desconsolo do Planalto. E há lá o registro de uma fala de um petista que dá o que pensar. Já chego a ela. Antes, algumas outras considerações.

O PT apostava suas fichas em Padilha e achava que ele tinha uma imagem pública que poderia rivalizar com a do governador Geraldo Alckmin, do PSDB: ambos são médicos, têm origem na classe média e são vistos como homens moderados e de fala mansa etc. Ocorre que a receita do petismo desandou. A gestão Padilha no Ministério da Saúde foi varrida pelo furacão Alberto Youssef. Por mais que o pré-candidato queira negar, a sua gestão aparece perigosamente perto de algumas lambanças feitas pelo doleiro. Foi sob as bênçãos de Padilha que o Labogen, um laboratório de fachada que servia para a lavagem de dinheiro, celebrou um acordo para a produção de medicamentos. O então ministro serviu de testemunha. Isso é fato, não boato.

A imagem do partido no Estado também está arranhada pelo deputado estadual Luiz Moura, um queridinho da cúpula paulista do PT — afilhado político de Jilmar Tatto, secretário de Transportes da capital — que foi flagrado numa reunião a que compareceram membros do PCC na qual se tramavam novos ataques a ônibus. Neste fim de semana, ficamos sabendo que um sujeito chamado Herivaldo Santos foi nomeado como assessor da Diretoria de Marketing da SPTrans, a empresa pública que gerencia o serviço de transportes coletivos em São Paulo. Muito bem! E quem é esse Herivaldo? Trata-se de um ex-assessor e amigo do vereador Senival Moura, também petista, irmão de Luiz Moura e igualmente ligado às polêmicas cooperativas de perueiros. Até aí, tudo bem! Ocorre que o rapaz é réu num processo por receptação de carga roubada.

Nada nisso, em suma, contribui para a reputação do PT, não é? Sempre lembrando que estamos falando de fatos, não de boatos. No começo do artigo, referi-me a uma fala intrigante de um petista. À reportagem da Folha, ele diz que esses acontecimentos acabam pesando contra o PT porque os paulistas são “moralmente conservadores”. Ah, entendi agora por que o petismo anda enrolado com Alberto Youssef e com o deputado que foi a uma reunião com membros do PCC: é que essa turma é moralmente “progressista”, né? Ser moralmente progressista, agora, é ser amigo de Luiz Moura, de Alberto Youssef e, parece, comparecer a encontros com membros do PCC.

Mas lembro que o PT ainda pode ter esperanças, não é? Afinal, Padilha é agora um aliado de Paulo Maluf, já posou para fotografias a seu lado e o chama de “Dr. Paulo”. Como a gente vê, os petistas contam com Maluf para conseguir a sua recuperação moral.

Por Reinaldo Azevedo

 

O rádio com mais do que o dobro de audiência do que a TV

Leiam o que vai no site Notícias da TV:
Na era do smartphone, o rádio já era, certo? Erradíssimo. Uma pesquisa inédita mostra que o rádio tem o dobro da audiência da TV aberta das 6h ao meio-dia, na média de todos os dias da semana. Nessa faixa horário, o rádio tem 1,815 milhão de ouvintes por minuto na Grande São Paulo, enquanto a soma de Globo, SBT, Record e até a TV Canção Nova resulta em 886 mil telespectadores por minuto. Os resultados surpreendentes são de uma pesquisa da Ipsos Brasil para a rádio Jovem Pan, a partir de dados do Ibope, obtida com exclusividade pelo Notícias da TV.

Na faixa das 12h às 14h, o rádio está ainda mais vivo do que de manhã, mas a TV aberta tem um salto para quase 2 milhões de telespectadores. Só as FMs de São Paulo, nessa faixa, têm 1,604 milhão de ouvintes. À noite, a TV aberta desequilibra. Entre 17h e 19h, Globo e companhia somam 5,6 milhões de telespectadores, cinco vezes a audiência do rádio (1,152 milhão).

De acordo com profissionais do rádio, a maior parte da audiência hoje vem do carro e do telefone celular, que substituiu o velho radinho de pilha. Nos transportes coletivos de SP, muita gente anda de fone no ouvido. No congestionado trânsito da cidade, o rádio do carro é um companheiro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Metroviários: Linha Amarela, que é privada, funciona e serve ao público; as linhas azul, vermelha e verde, que são públicas, servem aos interesses privados do PSTU e do PT

A Justiça declarou ilegal a absurda greve dos metroviários de São Paulo. Nem poderia ser diferente! A categoria obteve um reajuste bem acima da inflação — 8,7% contra 5,2% — e teve elevados benefícios indiretos, o que, na prática, majora seus ganhos em mais de 13%. Mais: o sindicato não cumpriu a determinação de manter 100% dos trens funcionando nos horários de pico. Muito bem! Chegou a hora de começar a botar os agitadores na rua, com demissão por justa causa. Acabou a farra! Se os nababos que estão empregados — e recebem quase R$ 1 mil por mês só de vale-refeição e vale-alimentação — não querem trabalhar, há quem queira. No mais, quero chamar a atenção de vocês para uma coisa interessante: a Linha Amarela, que é privada — operando sob concessão do Estado —, está funcionando normalmente e, portanto, está servindo ao público. As linhas azul, vermelha e verde, que são públicas, hoje servem apenas aos interesses dos sindicalistas e, portanto, estão privatizadas.

Entenderam a inversão, que já é um clássico do estatismo? Sim, meus caros leitores; sim, meus caros brasileiros; sim, meus caros paulistanos: no Brasil e em qualquer lugar do mundo, quem serve ao interesse público é a economia privada; a economia estatizada só serve aos interesses privados — e isso é uma verdade absoluta, pouco importa a questão que se analise.

Vocês acham que a soma de sem-vergonhices que vemos lá na Petrobras, cometidas ao longo dos anos, seria possível numa empresa privada? Não! Seus dirigentes não apenas seriam demitidos como jamais arrumariam um novo emprego — se é que não iriam parar na cadeia. Não obstante, a cultura do estatismo — e contra a iniciativa privada — avançou estupidamente nestes 12 anos de petismo. Vejam o tempo que demorou Dilma Rousseff para privatizar aeroportos — boa parte não ficará pronta a tempo para a Copa do Mundo. As estradas federais continuam a ser uma soma de buracos, interrompidos, de vez em quando, por asfalto. Por quê? Porque o governo prefere fazer favores ao capital privado em vez de colocá-lo como agente do desenvolvimento. Mas já me desviei um pouco. Volto ao ponto.

Os sindicalistas do Metrô atuam como se o bem público fosse propriedade privada. Para eles, a empresa existe não para atender aos interesses da população de São Paulo, mas para servir a seus próprios anseios. Não custa lembrar: além do PSTU, que é o partido ao qual pertence Altino Prazeres, presidente do sindicato, também o PT resolveu dar suporte à greve. A CUT, a central sindical petista, emitiu uma nota se solidarizando com os grevistas.

Para encerrar
A Justiça arbitrou multa de R$ 500 mil por dia caso a greve seja mantida. Infelizmente, a realidade tem demonstrado que esse instrumento tem sido inócuo. Sempre aparece um juiz para conceder uma liminar e suspender o pagamento. Os sindicalistas não estão nem aí. Estão acostumados a operar num país sem lei.

Por Reinaldo Azevedo

 

O explosivo braço político do PT no mundo dos perueiros

CARGA PESADA – O deputado Luiz Moura e seu irmão, o vereador Senival Moura: a explosiva base do PT na Zona Leste de São Paulo (Vera Massaro/Alesp e Renatod'Sousa/Câmara Municipal de São Paulo)

CARGA PESADA – O deputado Luiz Moura e seu irmão, o vereador Senival Moura: a explosiva base do PT na Zona Leste de São Paulo (Vera Massaro/Alesp e Renatod’Sousa/Câmara Municipal de São Paulo)

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Os irmãos petistas Senival Moura, vereador em São Paulo, e Luiz Moura, deputado estadual, começaram o ano com planos eleitorais ambiciosos. Com base política em expansão na Zona Leste da capital paulista, consolidada com o apoio de cooperativas de perueiros, a dupla planejava uma vaga para Senival na Câmara dos Deputados, em Brasília, renovar o mandato de Luiz Moura na Assembleia Legislativa e deixar como representante do clã na Câmara Municipal o novo aliado Vavá dos Transportes – eleito pelos condutores de ônibus. Tudo isso com o aval do líder Jilmar Tatto, deputado federal e atual secretário municipal de Transportes. Há duas semanas, entretanto, o projeto dos Moura começou a ruir. No auge de uma greve-surpresa de motoristas e cobradores de ônibus que travou São Paulo, veio a público a informação de que Luiz Moura havia sido flagrado por policiais em uma reunião com sindicalistas na garagem de uma cooperativa na qual também estavam dezoito membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apuravam os ataques incendiários a ônibus na cidade.

Integrante da corrente PT de Lutas e de Massas, Luiz Moura foi eleito com 104.705 votos em 2010. Ex-líder dos perueiros, é um velho conhecido da Justiça: ex-assaltante, escapou da cadeia em 1993 e passou dez anos foragido até ser levado ao Partido dos Trabalhadores pelas mãos do irmão Senival. Nas últimas semanas, tornou-se um fardo eleitoral para o partido. Em comunicado aos militantes, a tendência petista Articulação de Esquerda tratou do assunto com as seguintes palavras: “Este caso tem potencial explosivo, pois se trata de uma acusação relacionada ao crime organizado”. O grupo avaliou que o PT não poderia “ficar na defensiva”. Dias depois, a Comissão Executiva do PT paulista, articulada com as correntes internas e o comando do Diretório Nacional, rifou a pré-candidatura de Luiz Moura à reeleição ao suspender sua filiação por sessenta dias. Ele não poderá participar da Convenção Estadual, na semana que vem, quando o partido distribuirá as legendas aos candidatos em São Paulo.

Acuado, Luiz Moura parou de participar de agendas públicas e tem faltado às aulas do curso de Direito, segundo colegas da Universidade Cruzeiro do Sul, na Zona Leste. Reservadamente, fez correr o recado que ameaça reagir: vai à Justiça contra a suspensão e rejeita devolver o mandato ao PT, caso seja desfiliado. Ouvido no Diretório Estadual por uma hora, Luiz Moura “negou tudo” e não quis se afastar por iniciativa própria, segundo um dos presentes. Em pronunciamento na Assembleia, Luiz Moura afirmou que estava na reunião da cooperativa para impedir a greve e que tentam manchar sua biografia: “Querer me atribuir um crime dessa magnitude, me envolver com facção criminosa, é um absurdo. O que estão fazendo comigo e minha família é imoral”. Ele também se mostrou indignado com o presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, responsável pelo processo disciplinar que pode resultar em sua expulsão.

A decisão da cúpula petista tem como pano de fundo, obviamente, a campanha eleitoral deste ano. O partido quer afastar qualquer integrante que represente um flanco exposto. Adotou-se a mesma estratégia que a direção nacional do PT impôs no caso do deputado federal André Vargas (PR), investigado por suposta associação ao doleiro Alberto Youssef. O discurso adotado pelo comando da campanha do ex-ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo é que, assim como Vargas, Luiz Moura tem um “problema de ordem pessoal”, desvinculado das instâncias partidárias.

Há quatro anos, contudo, um cálculo igualmente pragmático fazia de Luiz Moura um candidato ao qual diversos figurões petistas queriam se associar, a ponto de doarem a ele, por meio dos respectivos comitês, recursos e material de campanha estimados em quase 275.000 reais. Na lista, aparecem os nomes de Jilmar Tatto, os ministros Marta Suplicy (Cultura) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), os mensaleiros João Paulo Cunha e José Genoino, e os deputados federais Arlindo Chinaglia, Cândido Vaccarezza, Carlos Zarattini e Devanir Ribeiro. Ou seja: nas eleições de 2010, nenhum deles julgou inadequado fazer a chamada “dobradinha” ou partilhar material de campanha com o ex-assaltante que tentava se eleger deputado. Além disso, conforme revelou VEJA, a prestação de contas da campanha de Luiz Moura à Justiça Eleitoral contém outro dado revelador: um de seus doadores é o ex-presidiário Claudemir Augusto Carvalho, condenado por furto, roubo e, segundo a polícia, membro do PCC.

Em 2005, Luiz Moura ganhou o perdão judicial depois de fugir da cadeia. Senival já era suplente de vereador e assumiria o primeiro mandato dois anos depois. Em 2008, ele obteve a maior votação do PT para a Câmara Municipal de São Paulo. Internamente, era considerado uma potência para captar votos na Zona Leste de São Paulo. O segredo: Senival comandava uma categoria com enorme capilaridade na região, os chamados perueiros.

Senival filiou-se ao PT em 1989, segundo dados da Justiça Eleitoral. É visto no partido como um militante histórico – ao contrário do irmão, filiado em 2006. Ambos nasceram em Batalha (AL), mas fixaram residência em Guaianases, bairro pobre cercado por loteamentos irregulares e favelas na divisa com Ferraz de Vasconcelos (SP). Senival foi fundador do Sindilotação, entidade que representa perueiros da Grande São Paulo. Ele mantém influência principalmente nas cooperativas Cooperalfa e Transcooper Leste – da qual Luiz Moura é presidente de honra. O setor de transporte alternativo é investigado pela polícia por suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado. Procurado em seu gabinete na Câmara Municipal para falar sobre a trajetória política da família, Senival não retornou contato.

Atualmente, ambos possuem imóveis em outros bairros e atuam como empresários. Senival constituiu, em março deste ano a SPM, uma empresa na Zona Leste que tem como objeto social o transporte rodoviário de passageiros em linhas fixas e de cargas, de acordo com dados da Junta Comercial de São Paulo. No fim de abril, o vereador registrou uma nova academia na Zona Norte, aberta com a mulher e os dois filhos. Luiz Moura, por sua vez, possuiu ao menos quatro postos de combustível em seu nome: dois na Zona Leste e dois na Zona Sul. Os postos lucram também com aluguel de espaços para lojas comerciais. Um deles, no Brooklin, vende entre 400.000 e 500.000 litros de gasolina por mês, estimam funcionários.

Copa Senival
Um delegado de Polícia Civil que morou em Guaianases e foi titular do 68º DP de Lajeado, na mesma região, conta que nos relatórios feitos para a Secretaria da Segurança Pública sobre lideranças comunitárias do bairro, o nome de Senival é recorrente. Ele diz que mesmo depois de eleitos, Senival e o irmão cultivaram o contato direto com eleitores e sempre auxiliaram em “carências da população não supridas pelo Estado”.

Senival e Luiz Moura são conhecidos na periferia Leste pela concessão de benesses. A mais recente são cursos de corte e costura oferecidos no recém-inaugurado escritório político do deputado estadual. Senival, por sua vez, organiza há mais de seis anos um torneio de futebol de várzea que reúne cerca de 5.000 atletas amadores. O regulamento proíbe o uso de camisas com o nome de outros políticos. Também não são novos, dentro e fora do PT, relatos de agressividade e truculência por parte de cabos eleitorais da dupla contra os de outros candidatos na região, embora não se fale abertamente sobre o assunto. Na “Copa Senival”, o vereador distribui uniformes e auxilia no transporte dos times de periferia, segundo participantes. Em troca, os irmãos ganharam a fidelidade eleitoral dos moradores de Guaianases e região. Não há uma só eleição em que um Moura capte menos de 11.000 votos nominais em Guaianases – e a influência se espalha para Cidade Tiradentes, Itaim Paulista, São Miguel Paulista e Ermelino Matarazzo.

Petistas de São Paulo dizem que um dos primeiros caciques do partido a perceber o potencial dos Moura nas urnas foi o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP). Em 2002, ano em que Senival passou da militância ao protagonismo como candidato pela primeira vez, Chinaglia doou 12.000 dos 18.000 reais que Senival declarou à Justiça ter arrecadado. Senival não se elegeu, mas Chinaglia obteve votação histórica em Guaianases: mais de 12.000 votos nominais, quase 10.000 a mais que na eleição anterior. O atual vice-presidente da Câmara dos Deputados não foi localizado por sua assessoria de imprensa.

Chinaglia havia participado da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, como secretário de Implementação das Subprefeituras. Na prática, as administrações regionais descentralizaram o orçamento da prefeitura – a ideia era aproximar o poder Executivo local das áreas pobres, tanto para investimentos quanto para atendimento de demandas. Atualmente, as subprefeituras são controladas politicamente pelos 55 vereadores paulistanos e alguns deputados estaduais, que indicam chefes de gabinete e supervisores de Esportes, Cultura e Habitação. Não é diferente com os Moura. Eles têm aliados em postos de comando nas subprefeituras de Guaianases e Ermelino Matarazzo.

A dobradinha também funcionou para Jilmar Tatto, atual secretário de Transportes de Haddad. Na eleição de 2010, Tatto aplicou 200.000 reais na campanha de Luiz Moura, em transferência de seu comitê. O resultado foi expressivo: 14.000 votos nominais em Guaianases e 13.000 no Itaim Paulista, quantidades somente superadas pelas obtidas nos seus redutos da Zona Sul, Parelheiros e Grajaú. A relação entre os Moura e Tatto é estreita – o secretário afirma se tratar de um contato “estritamente partidário”. Na última sexta-feira, o site de VEJA revelou que um ex-assessor de Senival, réu em processo criminal por receptação e venda de carga roubada, foi nomeado para um cargo na SPTrans, comandada por Tatto. Em nota, a empresa que fiscaliza os ônibus na capital paulista disse ter acionado a Corregedoria Geral do Município para analisar a nomeação do assessor. Mas silenciou sobre quem o indicou.

Em ano eleitoral, os irmãos Moura, agora, podem se tornar uma carga para o PT.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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