A ação para intimidar Tuma Jr.: querem transformar a testemunha em investigado?

Publicado em 05/08/2014 09:40 e atualizado em 09/10/2014 11:15 1541 exibições
no blog de Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A ação para intimidar Tuma Jr.: querem transformar a testemunha em investigado?

A Polícia Federal tentou conduzir coercitivamente o delegado Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional de Justiça,  à sede de sua Superintendência , em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre o livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, publicado pela Editora Topbooks. Ele resistiu à intimidação e compareceu um pouco mais tarde ao local. Na obra, Tuma Jr. assegura que o “estado policial petista” não é uma invenção de paranoicos. Segundo informa Tuma, esse esquema reúne as características de todas as máquinas de perseguição e difamação do gênero: o grupo que está no poder se apropria dos aparelhos institucionais de investigação de crimes e de repressão ao malfeito — que, nas democracias, estão submetidos aos limites da lei — e os coloca a seu próprio serviço.

Queriam, na prática, deter Tuma Jr., ainda que por algum tempo, por quê? Havia ou há algum inquérito em curso? Não. Vamos ficar atentos. O Brasil é uma democracia — ainda é ao menos. As pessoas não podem ser demitidas de um banco, por exemplo, porque fazem uma avaliação técnica crítica ao governo. O partido oficial não pode fazer listas negras de jornalistas porque não gosta de sua opinião, e o Estado não pode sair por aí detendo pessoas em processos de investigação muito pouco transparentes.

Sim, o livro de Tuma Jr. denuncia a ação do PT em algumas operações escabrosas, a saber:

1: manipulação da investigação para envolver o governo de São Paulo e o PSDB no caso do cartel de trens em São Paulo;

2: elaboração de um falso dossiê para incriminar o governador tucano Marconi Perillo, de Goiás;

3: elaboração de um falso dossiê para incriminar o também tucano Tasso Jereissati, com pressão explícita de Aloizio Mercadante;

4: armação para manchar a reputação de Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente FHC;

5: o assassinato do petista Celso Daniel, prefeito de Santo André;

6: operação para grampear todos os ministros do STF – o que ele diz ter acontecido;

7: tentativa de eliminar os rastros de uma conta do mensalão nas Ilhas Cayman.

 Em entrevista à revista VEJA, Tuma Jr. foi claro sobre as pressões que recebeu quando era Secretário Nacional de Justiça:
“Durante todo o tempo em que estive na Secretaria Nacional de Justiça, recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo. 0 PT do Lula age assim. Persegue seus inimigos da maneira mais sórdida. Mas sempre me recusei. (…) Havia uma fábrica de dossiês no governo. Sempre refutei essa prática e mandei apurar a origem de todos os dossiês fajutos que chegaram até mim. Por causa disso, virei vítima dessa mesma máquina de difamação. Assassinaram minha reputação. Mas eu sempre digo: não se vira uma página em branco na vida. Meu bem mais valioso é a minha honra.”

No livro, Tuma Jr. sustenta que Celso Daniel foi assassinado ao tentar desarmar um esquema paralelo de arrecadação de propina montado por petistas, que tentava se sobrepor àquele criado pelo próprio Celso, que serviria ao partido e que seria integrado por Gilberto Carvalho, que lhe teria confessado a existência da tramoia.

A pressão
Aguardemos os próximos passos. Uma investigação qualquer tinha sido iniciada pela Polícia Federal, razão por que Tuma Jr. foi coercitivamente conduzido. Mas qual? Denúncias para iniciar um inquérito não faltavam. A questão é saber se pretendem que Tuma Jr. seja o investigado ou a testemunha.

Por Reinaldo Azevedo

 

O inimigo do Estado, por Carlos Brickmann

Quatro policiais foram ao escritório do delegado Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional da Justiça, para levá-lo coercitivamente (em outras palavras, obrigá-lo a comparecer, sob guarda) à Superintendência da Polícia Federal, para depor a respeito das denúncias que fez em seu livro Assassinato de Reputações – um crime de Estado, um best-seller redigido pelo jornalista Cláudio Tognolli. Tuma se recusou a acompanhá-los, pela ilegalidade da ação. E foi à Polícia Federal por vontade própria.

No livro, Tuma faz acusações ao ministro Gilberto Carvalho, ao governador gaúcho (e ex-ministro) Tarso Genro, diz que Lula foi informante de seu pai, Romeu Tuma, diretor da Polícia política da ditadura militar, denuncia uma fábrica de dossiês falsos sobre adversários políticos por gente ligada ao Governo Federal. Segundo diz, todos os ministros do Supremo Tribunal Federal foram grampeados. É por dizer essas coisas que sofre pressões de cima.

Coisa perigosa
Mandar prender Tuma Jr. para que ele preste um depoimento que nunca se recusou a fazer tem um aspecto curioso: o que está no livro está no livro, não precisa ser reafirmado. E tem um aspecto perigoso: com tanto tempo como delegado, em cargos importantes, Tuma Jr. deve saber muito.

E se quiser contar mais?

Carlos Brickmann

 

A PF e uma clara ação de intimidação contra Tuma Jr.

Por Robson Bonin, na VEJA.com.  Volto no próximo post.
Por volta da 11 horas desta terça-feira, quatro policiais federais estiveram no escritório do delegado Romeu Tuma Júnior, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, com ordens para conduzi-lo coercitivamente à Superintendência da Polícia Federal. Tuma Júnior se recusou a acompanhar os agentes, alegando que a condução era ilegal.

Mais tarde, ele compareceu à sede da PF para prestar esclarecimentos sobre o livro “Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado” (Topbooks; 557 páginas), que narra os bastidores do que ele viu, ouviu e, principalmente, acompanhou de perto quando ocupou o cargo de ex-secretário Nacional de Justiça do governo Lula

Tuma Júnior afirmou que passou cerca de 40 minutos na sede da PF, mas não respondeu a nenhuma pergunta. Ele disse que já havia prestado esclarecimentos sobre o conteúdo do livro em procedimento aberto pela Delegacia Fazendária no ano passado – não há inquérito contra ele. “Hoje só registrei meu repúdio, já havia sido ouvido. Apontei minha repulsa em se conduzir um advogado coercitivamente sem comunicar à OAB. A polícia está aparelhada, a gente nunca sabe o que vai acontecer”, afirmou.

Na chegada dos policiais ao escritório de Tuma Júnior, houve discussão e muito bate-boca. O delegado Fabrizio Galli, da Delegacia Fazendária, afirmou que Tuma Júnior recebeu intimações prévias, mas não compareceu para prestar depoimentos.

Em seu livro, o delegado revelou que a estrutura do governo petista era usada para produzir dossiês contra adversários políticos. Ele também teria ouvido do ministro Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula, a confissão de que o ex-prefeito de Santo André Celso Daniel teria sido assassinado depois de descobrir um esquema clandestino de arrecadação de dinheiro para beneficiar o PT. Atual secretário-geral  da Presidência da República, Carvalho, segundo o relato do delegado, teria confessado também ter transportado dinheiro de corrupção para abastecer o caixa eleitoral do PT.

Tuma Júnior se recusou a acompanhar os agentes, alegando que a condução era ilegal. Ele disse que um dos federais informou apenas que estava cumprindo “ordens de Brasília”. “Estive lá na PF um vez e nem inquérito havia”, disse o delegado. Isso é perseguição política”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

 

Decreto 8.243 – E aí, senadores? Vossas Excelências caíram na conversa de Gilberto Carvalho? Estão dispostos a ficar de joelhos diante de seus comandados?

Que homem notável este Gilberto Carvalho, uma figura meio sinistra, que a própria Dilma Rousseff mantém a contragosto no Palácio do Planalto. É que ela não tem poder para desafiar Lula e mandar embora o seu espião. Nesta terça, ele foi ao Senado para tentar convencer os parlamentares que o Decreto 8.243, aquele, dos conselhos, não passa de um mero disciplinamento da chamada participação popular, sem maiores implicações.

É mesmo? Se assim é, por que, então, tratar da questão por meio de um decreto, que não pode ser emendado pelos parlamentares, em vez de um projeto de lei, que permite que o Congresso participe do debate? Nesta terça, Carvalho estava mansinho, falava como quem quer negociar. Há pouco mais de uma semana, afirmou que o governo iria para a “guerra”. Sim, ele empregou a palavra “guerra”. Há três semanas, anunciou um segundo decreto, aí para incluir os tais conselhos no Orçamento da União. Ou por outra: Carvalho decidiu estatizar a participação popular.

O ministro foi ao Senado com a sua conversinha de cerca-Lourenço, afirmando que o texto não cria nenhum conselho novo. E daí? Isso é o de menos! Mas estabelece que os órgãos federais devem passar a operar com eles — logo, a sua criação passa a ser uma diretriz legal. O texto é de tal sorte autoritário que define o que é sociedade civil — uma definição exótica, para dizer pouco — e institui uma espécie de Justiça paralela à medida que cria uma certa “mesa de negociação” que seria encarregada de mediar conflitos que envolvam questões sociais. Invasão de propriedade privada, por exemplo? Nada de liminar de reintegração de posse! Antes, uma conversinha em que invasores e invadidos sejam postos em pé de igualdade.

O ministro tentou fazer de conta que o assunto não tem grande importância e que está sendo magnificado pelos adversários do PT. Ora, se não tem, por que tanto empenho em aprova-lo, meu senhor? Permita, então, que o Parlamento brasileiro dê a sua opinião a respeito, em vez de governar por decreto.

Carvalho quer dar o primeiro passo da República Bolivariana Brasileira, com o governo federal assaltado por milícias, disfarçadas de conselhos, que imporão no berro a sua vontade ao eleito. É uma forma de o PT se eternizar no poder mesmo sem vencer eleições, já que esses “movimento sociais” que formam os tais “conselhos” são meras extensões do partido.

Caia na sua conversa quem quiser. Se e quando chegar a existir o esquema que Carvalho tem em mente, o Congresso Brasileiro, escolhido por 140 milhões de eleitores (em 2014), perderá prerrogativas para algumas centenas de “conselheiros”, eleitos por ninguém, controlados pelo PT.

O golpe é escandalosamente explícito. Vade retro!

Por Reinaldo Azevedo

 

FRAUDE NA CPI – Graça Foster tem de se demitir ou de ser demitida. Ou: Um dos “Três Porquinhos” foi coletar pessoalmente as questões

Graça Foster: da estirpe de pessoas cujo ar enfezado passa por competência técnica

Graça Foster: da estirpe de pessoas cujo ar enfezado passa por competência técnica

Ainda que Graça Foster fosse, do ponto de vista moral e intelectual, uma mistura de Catão, Madre Teresa de Calcutá e Schopenhauer e, do ponto de vista técnico, a encarnação da competência e da racionalidade, ainda que assim fosse, teria perdido a condição de presidir a Petrobras. Como ela não é nem uma coisa nem outra e é apenas Graça Foster, tem de ser demitida. Ou de se demitir. E não apenas porque deve ficar logo mais com os bens indisponíveis, tão logo o Tribunal de Contas da União volte a apurar a sua responsabilidade no imbróglio de Pasadena.

Graça tem de deixar o cargo porque está, infelizmente, no centro da tramoia contra a CPI da Petrobras — que é uma conspiração contra o Congresso, contra o estado e contra a democracia. Como vocês sabem, reportagem da VEJA desta semana prova que as perguntas elaboradas pelos senadores foram previamente passadas aos depoentes — e com gabarito! A própria Graça foi beneficiada pelo expediente, além de José Sérgio Gabrielli e Nestor Cerveró.

Para lembrar: integram a conspiração, com graus variados de participação, além da presidente da Petrobras, o relator da CPI no Senado, José Pimentel (PT-CE); José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços da estatal; o senador Delcídio Amaral (PT-MS); Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT na Casa; o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas; Leonan Calderaro Filho, que responde pelo departamento jurídico desse escritório, e Bruno Ferreira, advogado da empresa. A reunião em que se cuidou da combinação foi feita no gabinete da presidência da empresa, numa sala anexa à de Graça. Barrocas, o chefe do escritório da estatal em Brasília, foi nomeado pessoalmente por ela e já tinha sido seu chefe de gabinete na BR Distribuidora, quando presidia essa subsidiária da Petrobras.

Pois bem: Lauro Jardim informa em sua coluna que Dutra, que é ex-senador e ex-presidente do PT, foi pessoalmente ao Senado fazer a coleta das perguntas. Os partidos de oposição decidiram recorrer à Procuradoria-Geral da República, à Comissão de Ética do Senado e à Comissão de Ética da Presidência para que apurem o escândalo.

Mas voltemos a Dutra e Graça. É evidente que ele não teria se lançado nessa empreitada sem a autorização de sua chefe imediata — ela própria beneficiária da falcatrua política. Um vídeo que veio a público deixa claro que a presidente da Petrobras teve acesso prévio às perguntas. Notem: estamos falando de algo mais do que o simples envio das questões em razão, sabe-se lá, do mau comportamento de um funcionário ou de outro. É mais do que isso. Tudo foi meticulosamente planejado.

Dutra, cumpre lembrar, era um dos três homens fortes da campanha de Dilma, ao lado de Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo. A então candidata os apelidou, com aquela sua maneira muito particular de ser carinhosa, de “Os Três Porquinhos”. Eles todos devem saber por que o apelido era adequado. Nesta segunda, a presidente posou de Valesca Popozuda, deu um beijinho no ombro e disse que o assunto é do Congresso. Errado! Há servidores públicos envolvidos até o pescoço no imbróglio, como se vê. E são pessoas de sua confiança pessoal.

Sim, eu sei que Graça vai continuar onde está, até porque pertence àquela estirpe de pessoas que conseguem fazer com que seu ar enfezado passe por competência técnica, a exemplo de sua chefe, Dilma Rousseff. Eis o estado de degradação a que chegou a República.

Por Reinaldo Azevedo

 

No esforço de combater as evidências de fraude na CPI, petistas partem para a delinquência política. A propósito: cadê o ar da Graça?

A esta altura, está claro que a farsa armada na CPI da Petrobras no Senado, que envolveu parlamentares do PT, o governo e o comando da Petrobras, constitui uma grave agressão à democracia, ao Poder Legislativo e ao estado de direito. Tenham clara uma coisa, leitores: da forma como se deu a tramoia, estamos diante de algo inédito. O PT desce a um novo patamar da degradação institucional a que submete o país há 12 anos. A direção do Senado mandou abrir uma sindicância para apurar o caso. Nesta terça, surgiram novas evidências de que o comando da operação esteve mesmo no Palácio do Planalto, mais especificamente aos cuidados de dois assessores diretos do ministro Ricardo Barzoini, da Secretaria de Relações Institucionais: Luiz Azevedo e Paulo Argenta. Tudo conforme denunciou reportagem da VEJA, que veio a público no sábado.

Graça Foster, presidente da Petrobras, uma das beneficiárias da tramoia e em cujo gabinete se deu uma das reuniões que cuidaram da farsa, está muda. E impressionam tanto o discurso como o comportamento indecente dos petistas nesta terça-feira. Contra todas as evidências, contra os fatos, o senador Humberto Costa (PE), líder do PT, chamou a denúncia de “ajuntamento de tolices” e afirmou ser “absolutamente natural que haja trocas de informações institucionais entre as assessorias da CPI e as lideranças dos partidos”. Trata-se apenas de uma mentira. O que se viu não foram “trocas de informações”, mas fornecimento prévio das perguntas, com gabarito e tudo. José Pimentel (PT-CE), líder do governo no Congresso e relator da CPI, repetiu a conversa mole da Petrobras e afirmou que as perguntas já estavam no plano de trabalho da CPI e eram públicas. Infelizmente para a decência do Senado, isso também é mentira.

Mas ninguém, ninguém mesmo!, ofendeu o Congresso com tanta determinação como o governador da Bahia, Jaques Wagner, também petista. Um dos investigados na CPI é José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e hoje seu secretário. Segundo Wagner, a “CPI é cena. Não é um delegado perguntando. É um monte de deputado que sabe que está sendo fotografado e filmado e que fazer aquela pergunta-chave”. Atentando contra uma das prerrogativas do Poder Legislativo, prevista na Constituição, disse ainda o petista: “Deputado não é treinado para investigar, mas para fazer julgamento político. Quem investiga é a Polícia Federal e Ministério Público, que são treinados para isso”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, também decidiu refletir. Disse: “Só haveria farsa se houvesse a impossibilidade de qualquer senador fazer a pergunta que quisesse”. É um despautério. O senador fazer a pergunta que quiser é justamente a prerrogativa da qual os farsantes abriram mão. Observem que ele nem se ocupou de negar a tramoia.

A fala de Wagner não deixa de ser emblemática do que o PT fez com as comissões parlamentares de inquérito nestes 12 anos de poder — justamente o partido que tanto se beneficiou delas no passado: transformou-as em farsas. E, a depender de Wagner, serão extintas. A menos que seja para a legenda se vingar de adversários.

E foi o que fez o PT. Decidiu se apressar para instalar a CPI do Metrô em São Paulo. Que gente! O partido pretende que a mesma maioria empregada para fraudar a CPI da Petrobras seja usada agora para atacar os tucanos. Em qualquer dos dois casos, não quer investigar nada, mas fazer baixa política. A propósito, pergunto: a CPI petista vai investigar as evidências de cartel, que estão sendo apuradas até no Cade — hoje uma repartição da legenda — na construção dos metrôs de Belo Horizonte e Porto Alegre, ambos tocados por estatais federais, controladas pelo partido?

Encerro com um enigma: o tempo dirá se o PT ainda não vai se arrepender de ter criado essa CPI do Metrô. É esperar para ver.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho não vê escândalo nenhum!

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, realmente não surpreende ninguém. Ele veio a público nesta segunda para, vejam que cândido,  afirmar que não vê escândalo nenhum na fraude da CPI. Segundo informa a Folha, o gigante disse o seguinte: “Eu não vou falar sobre um tema que eu ainda não tive a oportunidade de efetivamente discutir. [...] Em outro momento podemos até falar disso. Para mim não há qualquer escândalo na medida em que eu não conheço. Há uma denúncia. Uma denúncia não necessariamente é um escândalo. Uma denúncia tem que ser verificada e aí a gente pode depois conversar sobre isso”.

Carvalho faz o contrário de São Tomé: ele não acredita nem no que ouve nem no que vê.

Ah, sim. Ele também se referiu ao pessimismo:
“Porque todo dia é esse prenúncio de tragédias que felizmente que não se concretizam. E a luta do governo é dura porque tem que enfrentar setores que, por falta de proposta –e como no passado eles não têm muito o que mostrar, porque foi um Passado muito duro, de desemprego, de recessão–, eles têm que tentar fazer uma pregação do terrorismo, do pessimismo, para tentar ganhar o apoio popular”.

Quem tinha proposta no passado era o PT: destruir o Plano Real. Tenham paciência!

Por Reinaldo Azevedo

 

Fraude na CPI – Dilma tenta dar uma de Valesca Popozuda. Não cola!

Fraudar uma CPI é fraudar a vontade popular.
Fraudar uma CPI é fraudar a democracia.
Fraudar uma CPI é fraudar a República.
Fraudar uma CPI é atentar contra o estado de direito.
Fraudar uma CPI é cometer um crime para tentar esconder crimes antigos.

Infelizmente, o governo e o PT fizeram tudo isso quando se organizaram para repassar com antecedência aos depoentes da CPI da Petrobras as perguntas que seriam feitas pelos senadores — perguntas, pasmem vocês!, que já vinham com as respostas, com o gabarito, conforme demonstrou reportagem de capa da VEJA desta semana. No comando da operação, políticos, altos funcionários da Petrobras e servidores de pedigree. E Dilma Rousseff?

Nesta segunda, a presidente diz não ter nada com isso e afirmou ser esse um problema do Congresso. Não é, não! A chefe da nação estaria errada se não estivesse apenas empregando a tática do despiste. Só para lembrar: o relator da CPI da Petrobras no Senado, José Pimentel (PT-CE), apelou a Graça Foster, presidente da Petrobras, e ao petista José Eduardo Dutra, diretor da estatal, para passar adiante as perguntas que seriam feitas a depoentes da comissão — entre eles José Sérgio Gabrielli, Nestor Cerveró e a própria Graça.

Estrelam ainda a tramoia o senador Delcídio Amaral (PT-MS); Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT na Casa; o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas; Leonan Calderado Filho, que responde pelo departamento jurídico desse escritório e não havia sido ainda identificado, e Bruno Ferreira, advogado da empresa.

Sim, trata-se de pessoas da cúpula da estatal, indicadas por Dilma, e de figuras do escalão superior do petismo. Mais: Argenta, peça-chave da tramoia, é braço-direito de Ricardo Berzoini, ministro das Relações Institucionais, nomeado pela presidente com a tarefa de “controlar” o caso Petrobras. Estamos vendo como.

Depois do mensalão, essa é a mais grave agressão institucional praticada pelo petismo contra o Poder Legislativo. As oposições devem entrar hoje com representações na Comissão de Ética do Senado, na Comissão de Ética da Presidência e na Procuradoria-Geral da República.

Dilma está tentando ser a Valesca Popozuda da política, achando que pode dar um “beijinho no ombro” e sair altiva pelo salão. Não pode! E os funcionários que estão sob o seu comando e, comprovadamente — porque há a prova —, se envolveram numa fraude contra o Congresso? O que vai acontecer com eles? Sem contar, é bom destacar, que uma CPI também tem poderes de polícia. Estamos diante de um crime de estado.

E, para arremate dos males, note-se: Dilma tentou dar nesta segunda o tal “beijinho no ombro” numa visita que fez a uma Unidade Básica de Saúde em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, que recebeu profissionais do Mais Médicos. Era agenda de candidata, não de presidente, embora tudo tenha sido organizado com dinheiro público — viagem a São Paulo, deslocamento de assessores, mobilização de seguranças etc. Sem contar que a dita “presidenta” estava em horário de expediente! E como a gente sabe que se tratava de campanha? Uma equipe de João Santana, seu marqueteiro, estava presente para registrar tudo. Acompanhava Dilma em sua campanha eleitoral com dinheiro público o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ilegalidade praticada pela chefe. Ilegalidade praticada pelo subordinado.

Eles acham que podem tudo. Até quando?

Por Reinaldo Azevedo

 

Material encontrado com dois black blocs presos não era explosivo. Ok. Ocorre que eles estão na cadeia também por uma penca de outros motivos

Então vamos ver. Os artefatos encontrados com o estudante e funcionário da USP Fábio Hideki Harano e com o professor de inglês Rafael Lusvarghi, presos há 43 dias, não têm poder explosivo, segundo laudo técnico do Gate (grupo antibombas da PM) e do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica. Então eles têm de ser soltos imediatamente? Calma aí! Com o laudo, eles podem se livrar de uma acusação — posse de material explosivo, previsto no Artigo 253 do Código Penal. E só.

Ocorre que essa não é a única acusação que existe contra eles: ambos tiveram a prisão decretada também por incitação criminosa (Artigo 286), associação criminosa (Artigo 288), resistência (Artigo 329) e desobediência (Artigo 330). As pessoas têm o direito de achar que, se explosivos não eram, então não há motivo para prender. Eu estou entre aqueles que avaliam que a posse dos ditos-cujos era apenas um desses motivos.

Nesta segunda, o governador Geraldo Alckmin participou de sabatina do Estadão (ver post a respeito). E negou que a Polícia de São Paulo esteja plantando provas como acusam os militantes de extrema esquerda. Segundo disse, é preciso parar de “falar mal da polícia”. Também acho. Reserve-se a crítica quando o erro é apontado.

Há gente por aí tentando usar o laudo para demonstrar que o governador está errado. Ao contrário: a perícia só prova que Alckmin está certo. Afinal, o exame técnico do material também prova que a polícia não plantou explosivos nas respectivas mochilas de ambos, certo?, ou o resultado teria sido positivo. A turma que gosta de malhar a polícia é tão afoita que se esquece da lógica.

Aliás, aproveito a oportunidade para dar os parabéns ao juiz Marcelo Matias Pereira, da 10ª Vara Criminal. Referindo-se aos black blocs, escreveu: “Além de descaradamente atacarem o patrimônio particular de pessoas que tanto trabalharam para conquistá-lo, sob o argumento de que são contra o capitalismo, mas usam tênis da Nike, telefone celular, conforme se verifica nas imagens, postam fotos no Facebook e até utilizam uma denominação grafada em língua inglesa, bem ao gosto da denominada esquerda caviar”.

O esquerdista militante e petista Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Hideki, diz que a avaliação do juiz é “ideológica”. É mesmo? O que há de “ideológico” no que vai acima? Trata-se apenas de uma constatação óbvia. As esquerdas têm a mania de achar que “ideológico” é só pensamento das pessoas com as quais elas não concordam. É um modo autoritário de pensar, é claro.

Por Reinaldo Azevedo

 

A rede petralha já não intimida mais ninguém; os que viram seus alvos acabam se dando bem

Que coisa, né? Até outro dia, bastava a rede petralha na Internet demonizar alguém, e a pessoa se sentia em apuros. Ainda hoje, há muita gente meio covardona que teme cair na boca do sapo: prefere a morte a dar uma opinião que possa contrariar o partido. Há os que, voluntariamente, se ajoelham no milho só para provar que são disciplinadinhos… Esse tempo já passou, sabiam? Hoje, quem cai na rede de difamação pode é acabar se dando bem. Se o PT disser que essas pessoas não são bacanas ou de confiança, isso vale como um atestado adicional de seriedade.

Foi o que aconteceu com a consultoria Empiricus. O PT decidiu recorrer ao TSE contra dois textos de análise que estavam no Facebook e circulavam como publicidade paga. Eram análises críticas ao governo Dilma. Desde a segunda-feira passada, quando a firma se viu forçada a retirar os dois textos, a base de clientes que paga por pacotes de análises passou de cerca de 9.000 para 16.500. Segundo informa a VEJA.com, “a consultoria possui ainda um mailing de 200.000 clientes em potencial que recebem boletins financeiros gratuitamente, após fazerem inscrição no site. Essa carteira específica ganhou em torno de 7.000 novos nomes por dia na semana passada”.

Felipe Miranda, sócio da Empiricus, não tem por que reclamar da repercussão, claro!, mas não fica necessariamente contente com a patrulha: “Ainda que haja mais desdobramentos de marketing, o episódio é lamentável demais para ser celebrado. O governo quis desviar o debate, colocando o mercado como vilão. Mas não poderá fazer isso para sempre. Pode calar os bancos agora. Contra nós, não podem fazer nada além desse cerceamento momentâneo que pode, aliás, ser retirado a qualquer momento pelo TSE”.

Pois é… Eu não sei qual vai ser o resultado da eleição presidencial. Não sou Pitonisa. Uma coisa, no entanto, é certa: há uma mudança importante em curso. Os “companheiros” já não intimidam mais ninguém. A sociedade, aos poucos, está aprendendo a se proteger daqueles que se pretendem donos de sua opinião.

O caso de Empiricus é eloquente demais. E notem: a empresa não depende, de modo nenhum, do estado — e, portanto, não tem de temer a reação de um governo vingativo. E poucas coisas irritam tanto os petistas como a independência intelectual — e financeira — daqueles a quem querem conquistar ou destruir. Os primeiros não se deixam cair vítimas de seu charme bruto; os outros conseguem resistir.

Independentemente de Dilma vencer ou perder a eleição, é bom o PT se dar conta de que o Brasil mudou. Ou vai pagar caro por sua arrogância num caso ou noutro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Consultor do PT chama candidato tucano de “Satanécio” e afirma que pessoas que se opõem a Dilma latem

Há dias, a presidente Dilma Rousseff afirmou que faria uma campanha sem ofensas e xingamentos, ainda que tenha acusado a oposição de apostar no “quanto pior, melhor”, o que é, claro!, umas das piores formas de… xingamento!

Desde a campanha de 2010, o PT adotou o perfil “Dilma Bolada”, criado por um tal Jeferson Monteiro, como uma espécie de voz oficiosa da presidente — é, assim, a sua versão bem-humorada. Jeferson chegou a anunciar a morte do perfil, alegando que estava cansado de apanhar dos adversários da petista. O PT correu em seu socorro, e o rapaz foi contratado como “consultor do partido” — segundo ele, sem dinheiro. É… Vai ver os companheiros estão interessados apenas na sua inteligência…

Pois bem, o agora “consultor” do PT publicou a seguinte mensagem no Twitter na noite de domingo, informa a Folha: “O pai do menino deveria ter levado o Aécio pra fazer carinho no tigre e não o filho”.

Dilma Bolada 1

Como se vê, o cara se aproveita de uma tragédia para fazer o que deve considerar uma coisa engraçada. Pessoas que já fizeram piada com o fato de Lula não ter o mindinho da mão esquerda foram esmagadas pelas patrulhas petistas. Era como se tocassem num figura santa. Fazer blague, no entanto, com uma criança que perdeu um braço, que mal há, não é mesmo?

O dito consultor achou que era pouco. Diante da reação negativa, emendou: “As forças das trevas reclamando porque eu disse que o tigre tinha que comer o Satanécio. Não vai pq o tigre não merece. Podem latir!!!”.

Dilma Bolada 2

Entenderam? O PT contratou um consultor que considera os adversários “forças das trevas”, que associa o nome de um candidato de oposição a “Satã” e que afirma que milhões de eleitores da oposição “latem”.

Alguém poderia dizer que não é o caso de se dar grande importância a esse cara, que está longe de ser a voz do partido etc. Será mesmo? Ora, por que ele recorre a tais baixarias? Porque lhe disseram que pode, ora essa! Porque foi informado que esse é o caminho. Porque esse é o ambiente no partido ao qual ele serve.

Tudo bem pensando, acusar a oposição de defender o “quanto pior, melhor” não é muito distinto de afirmar que ela late. São considerações que estão na mesma frequência.

Eis o alto nível…

Por Reinaldo Azevedo

 

MTST – Como se constrói em SP a farsa de Guilherme Boulos, o coxinha extremista que se quer pensador universal e caiu nas graças dos idiotas

Guilherme Boulos (de vermelho), o coxinha radical, com Dilma e Haddad: só uma das faces do petismo

Guilherme Boulos (de vermelho), o coxinha radical, com Dilma e Haddad: só uma das faces do petismo

Guilherme Boulos, o coxinha extremista metido a pensador universal, em quem a ignorância de manual só é superada pela arrogância dos que se consideram acima da lei, comanda o MTST. Trata-se, como vocês verão abaixo, de uma mistura de leninismo tardio, meritocracia militante e estelionato político. O resultado é uma farsa. Leiam a reportagem de Eduardo Gonçalves, na VEJA.com. As fotos que ilustram o texto são de Felipe Cotrim.
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Militante do MTST faz a lista de chamada para ver se invasor compareceu à tarefa do dia

Militante do MTST faz a lista de chamada para ver se invasor compareceu à tarefa do dia

Na tarde do dia 29 de julho, a vendedora Maria Lúcia Gomes da Silva, de 48 anos, era uma das poucas pessoas no terreno invadido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) na Estrada do M`Boi Mirim, na periferia da Zona Sul de São Paulo – o maior acampamento do grupo, montado numa área de 1 milhão de metros quadrados, batizado Nova Palestina. Por sofrer de hipertensão, Maria Lúcia teve um mal-estar no último protesto do MTST, dia 23 de julho, após esperar sete horas até o fim da passeata que travou o trânsito da cidade para assinar a lista de presença. A persistência de Maria Lúcia e dos outros 2.500 sem-teto que compareceram ao ato tem um único motivo: acumular pontos na planilha dos líderes do MTST para furar a fila dos programas públicos de financiamento habitacional. “Sem muitos pontos, nós somos impedidos de fazer o cadastro. Quem não luta, não ganha. Esse é o lema deles”, explica Maria Lúcia.

No modelo montado pelo MTST, o comparecimento nos protestos semanais vale cinco pontos. Para quem frequenta os acampamentos, prepara a comida, patrulha a área invadida ou recolhe o lixo rende um ponto. “O Guilherme [Boulos, líder do MTST] falou para a gente que a principal luta é na rua, que não adianta ficar parado nas ocupações. Foram 34 atos, quem não apareceu em pelo menos cinco entrou na lista de repescagem. E eles sabem de tudo, anotam tudo”, afirma Maria Lúcia.

É com base nessa tabela de pontos que o MTST determina quem será contemplado, por exemplo, pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida, cujo cadastro é controlado pela prefeitura de São Paulo. “O movimento cadastra e encaminha para a prefeitura. Todos os dias tem que ter presença, mas ganha mais pontos quem participa dos protestos. Mas, no começo, eram 15.000 pessoas na ocupação, agora são 4.000. Não é todo mundo que aguenta essa rotina”, afirma Francisco Silva, de 44 anos.

Entrada do suposto acampamento Vila Nova Palestina: é tudo um cenário

Entrada do suposto acampamento Vila Nova Palestina: é tudo um cenário

A maioria dos que aderem ao MTST diz acreditar que somente com a indicação do grupo conseguirá o financiamento de uma casa — há casos de sem-teto que já estavam cadastrados em programas habitacionais há anos, mas recorreram ao grupo para agilizar o processo. E o pensamento, infelizmente, não está errado. O Ministério Público do Estado de São Paulo acionou na Justiça a prefeitura paulistana por privilegiar o MTST. “Trata-se de privilegiar o absurdo dos absurdos. Aceitar-se o descontrole em nome de política rasa de privilégio a grupos em troca de votos ao invés de respeitar o direito de milhares”, escreveu o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes na ação civil pública apresentada à Vara da Fazenda Pública da capital. Um dos exemplos do favorecimento foi a liberação de um terreno invadido pelo grupo no Campo Limpo, na Zona Sul, para o MTST por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades – nessa modalidade do programa, o governo federal repassa verbas para movimentos sociais destinadas à construção de moradias e são eles que indicam os beneficiários. Na mesma ação, o promotor afirma que não existe “justiça social” em “atos, ocupações e toda sorte de atividades que geram pontos ou créditos na visão do movimento”.

Na última quarta-feira, ao encerrar uma passeata no Centro, os líderes do MTST reuniram os participantes para entregar uma filipeta indicando o dia em que eles deveriam ir à prefeitura para se cadastrar em programas habitacionais. Questionada pelo site de VEJA, a prefeitura admitiu que fez um acordo com os sem-teto que estavam no acampamento batizado Portal do Povo, na Zona Sul, para cadastrá-los no Minha Casa, Minha Vida, mas afirmou que a fila dos programas habitacionais é respeitada. “Em reunião com o MTST, a Secretaria Municipal de Habitação disponibilizou senhas aos integrantes do movimento para que eles se organizem em diferentes dias e horários para fazer o cadastro nos programas habitacionais. A Sehab busca cadastrar assentamentos que são considerados prioritários, a partir de determinação judicial. São casos de moradores que estão em áreas de risco ou apresentam alta vulnerabilidade social”, disse em nota a Sehab.

Barracos só servem para demarcar território: não mora ninguém ali

Barracos só servem para demarcar território: não mora ninguém ali

“Indústria de ocupações”
O Ministério Público define o MTST como uma “indústria de ocupações urbanas”. Quem adere ao movimento é identificado com um número, o mesmo pintado em sua barraca na data da invasão do terreno. Ao final de cada protesto ou assembleia, formam-se filas divididas conforme os blocos de cada área invadida para o registro de presença em cadernos. Quando o movimento não organiza assembleias nem atos, a lista é passada no final da tarde nos terrenos – nesse horário, as invasões costumam ficar cheias e, ao cair da noite, esvaziam.

As barracas, feitas de madeirite, lona e bambu, são montadas apenas para demarcar território e não para abrigar os sem-teto, já que a maioria paga aluguel ou mora em cômodos de familiares e conhecidos. O movimento proíbe os chamados “gatos” feitos em favelas para ter acesso à rede elétrica.

Uma serventia, ao menos, os barracos têm: viram garagem

Uma serventia, ao menos, os barracos têm: viram garagem

O MTST está estruturado em uma hierarquia piramidal. Segundo a cartilha publicada no site do movimento, os coordenadores das ocupações são subordinados aos coordenadores regionais, que por sua vez respondem aos estaduais. No topo, está o coordenador nacional, Guilherme Boulos. O grupo também conta com um núcleo de comunicação, responsável pela confecção de bandeiras e camisetas e por elaborar os gritos de ordem.

A invasão de imóveis privados é feita por meio de comboios que levam os sem-teto recrutados em outros terrenos invadidos. Com exceção da cúpula do MTST, os sem-teto não são informados previamente do endereço e devem manter os celulares desligados. São convocados pelo menos cem pessoas, incluindo idosos e crianças, para impedir uma ação de reintegração de posse imediata da Polícia Militar. Nos dias seguintes à invasão, militantes distribuem folhetos e carros de som circulam pela região convocando pessoas a aderirem à invasão.

Vista do bairro Nova Palestina: uma invasão sem gente, só com barracos de mentirinha

Vista do bairro Nova Palestina: uma invasão sem gente, só com barracos de mentirinha

Por Reinaldo Azevedo

 

O tráfico volta a dar as cartas no Complexo do Alemão. Deu errado o que não tinha como dar certo

Enquanto o Brasil não aprender a lidar com o óbvio, o óbvio vai nos golear com mais facilidade do que a Alemanha enfrentando a Seleção de Felipão. Quem recorrer ao arquivo deste blog vai encontrar várias dezenas de textos sobre as UPPs, as tais Unidades de Polícia Pacificadora, um nome que nasceu torto, fruto de uma consciência torta para um programa não menos… torto. Notem: é claro que eu defendo, hoje como antes, que a polícia chegue ao morro. É claro que eu defendo, hoje como antes, que se faça o policiamento comunitário. Ocorre que parte do Complexo do Alemão, que conta com quatro UPPs, já está, de novo, entregue ao narcotráfico. Policiais admitiram à reportagem da Folha que não entram mais nos becos para evitar confrontos. Os tiroteios voltaram a ser diários. De janeiro a julho, oito pessoas morreram em confrontos — duas eram PMs. Na campanha eleitoral de 2010, como esquecer?, Dilma dizia que a política de segurança do Rio era um modelo e que ela pretendia adotá-la Brasil afora. Ainda bem que a presidente não é do tipo que cumpre o que promete…

Pois bem… O que sempre esteve errado com a política de segurança pública do Rio? Resposta: não prender bandidos, mas espantá-los. Com o tempo, nem isso foi necessário. Como escrevi aqui no dia 8 de setembro de 2011, o que se pediu a eles é que se comportassem. Mas sabem como são os criminosos. Nem sempre cumprem acordos, não é? O Rio de Janeiro continua lindo. Fazer presídios, por exemplo, pra quê? Se a política espanta-traficante tivesse chegado ao máximo de eficácia, todos os bandidos teriam deixado o Estado do Rio e migrado para São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais… Tenham paciência! Mas nem isso aconteceu. Eles se contentaram com Niterói mesmo…

É evidente que a vida melhorou em favelas em que o narcotráfico parou de andar de revólver e fuzil à mostra e em que não há mais risco de confronto entre facções. É evidente que os dias ficaram mais tranquilos nas “comunidades”, como se diz por lá, em que as UPPs ou soldados do próprio Exército são convidados a atuar como seguranças do narcotráfico, garantindo que não haverá guerra de quadrilhas ou enfrentamento com aquelas excrescências que são as milícias.

Mas isso basta? É o que o estado tem a oferecer à população? Um acordo de cavalheiros com o narcotráfico? A confissão de uma falência? Sim, boca de fumo tem em qualquer lugar. Mas não é em todo lugar que homens com fardas oficiais, de entes públicos, atuam, então, como pacificadores de gangues, garantindo a tranquilidade do poder paralelo instalado. Essa equação iria desandar. E desandou.

Há pobres, sim, nas favelas do Rio, mas não tão pobres que não saibam distinguir o bem do mal. É matéria de escolha. No fundo, é o mesmo mecanismo que nos permite distinguir amigo de inimigo ou escolher entre um sorvete de uva e um de framboesa. É que os “antropólogos” do asfalto adoram ver o pobre como um exótico.

Essa confusão entre “comunidade” e “bandidagem” tem um erro de origem: a suposição de que o marginal é uma vítima social. O Brasil tem tantas vítimas que eu gostaria de saber onde estão os algozes. Já notaram? Os traficantes, coitados!, são vítimas. Essas vítimas, por sua vez, vendem seu produto a outras vítimas: os que fumam e cheiram. Como diria o Apedeuta, “eu estou convencido de que” os vilões da história são, então, os que nem vendem nem cheiram pó e os que nem vendem nem fumam maconha…

É essa, como posso chamar?, ”conspiração das vítimas” que impede que se faça a coisa certa. É claro que prender mais supõe uma polícia mais eficiente e menos corrupta. Mas isso é parte de uma política de segurança pública, certo?

Dilma
Abaixo, eis um vídeo-propagada do PT, em que a companheira Dilma anuncia que as UPPs do Rio são o caminho. Transcrevo o que ela disse e volto em seguida.

“A gente considera que o resultado da política aqui, dessa parceria do governo federal com o governo estadual, aqui, com o governador Sérgio Cabral, ela construiu uma referência no que se refere (!!!) à… No que se refere basicamente à… estruturação de uma política de segurança através das Unidades de Polícia Pacificadora. É transformar territórios em guerra em territórios de paz (…). Em muitos estados, não transferiram os chefes do crime organizado para as penitenciárias de segurança máxima. Aqui foi transferido. Os daqui estão em Catanduvas, Campo Grande e Mossoró. Com isso, o que é que acontece? Você tira do presídio os líderes e os cabeças e impede que os presídios sejam transformados em plataformas do crime (…).

Bem, é a Dilma dos velhos tempos, com um raciocínio ainda mais confuso do que o de hoje e um vocabulário mais estreito. Mas está claro no vídeo, editado como propaganda, que a política de segurança de Sérgio Cabral era considerada exemplar.

Quatro anos depois, o Rio está em chamas. E não foi por falta de aviso. Não!, leitores, eu não acho que Cabral e José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública, deveriam ter ouvido as minhas advertências. Penso que ambos, mais uma boa leva de bacanas que resolveram jogar os fatos no lixo, deveriam ter ouvido os apelos da lógica. A Internet presta uma grande contribuição à memória.

Pesquisem neste blog e em toda parte: durante uns bons anos, na grande imprensa, devo ter sido o único crítico da política de segurança do Rio. Apanhava que dava gosto — inclusive de muitos amigos cariocas! Alguns deles chegaram a se engajar numa pré-campanha para fazer de Beltrame candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Sim, eu sei! Até Arafat ganhou o seu… Mas o ridículo em estranhos dói menos do que em pessoas que a gente ama ou admira, né?

O nome “polícia pacificadora” sempre me irritou porque carrega consigo uma óbvia impostura, mas também uma revelação involuntária. “Pacificar” quem exatamente? Pactos de paz se estabelecem entre inimigos beligerantes, postos em pé de igualdade e considerados igualmente legítimos. Cabe hoje, como sempre coube, a pergunta: quem está de cada lado? Então vamos estabelecer a “pax” entre a bandidagem e suas vítimas, é isso? Entre a lei e a não lei? Entre a sociedade de direito e o arbítrio do crime?

Sim, infelizmente, sempre se tratou exatamente disto: a polícia dita “pacificadora” traz na sua origem o reconhecimento de que existe certa legitimidade no banditismo. O que se cobrava dele é que fosse mais discreto; que não tiranizasse as populações do morro; que não as submetesse a uma disciplina escandalosamente de exceção; que não saísse matando desbragadamente; que fizesse o seu tráfico, mas com um pouco mais de decoro.

A receita desandou.

Por Reinaldo Azevedo

 

Liminar de Lewandowski lembra que existe liberdade de imprensa no Brasil: tentaram censurar VEJA.com e este blog

Na VEJA.com; Voltarei ao assunto mais tarde.
O ministro Ricardo Lewandowski, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quinta-feira liminar para suspender decisões da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro e do Tribunal de Justiça estadual que determinavam a remoção do site de VEJA de reportagem publicada em 8 de março de 2014 sobre o desaparecimento de parte do dinheiro arrecadado para a família do pedreiro Amarildo Dias de Souza. Em decisão individual, o ministro acolheu os argumentos da Editora Abril, que publica VEJA, e derrubou a mordaça.

A Justiça fluminense havia determinado a retirada do ar da reportagem “Cadê o (dinheiro do) Amarildo?” e da reprodução do texto e comentários sobre o tema no blog do jornalista Reinaldo Azevedo, sob pena de pagamento de multa diária. Tanto o juiz Gustavo Nascimento da Silva, da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que proferiu a decisão de 1ª instância, quanto a desembargadora Lúcia Helena do Passo, do TJ fluminense, tinham atendido a pedido do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), presidido pelo advogado carioca João Tancredo.

Em recurso encaminhado ao STF no dia 21 de julho, a Editora Abril argumentou que as decisões judiciais contra a publicação da reportagem violam entendimento da própria corte sobre a liberdade de expressão, firmado em 2009 quando do julgamento que declarou inconstitucional a Lei de Imprensa, herdada da ditadura militar. Lewandowski fez parte da sessão histórica e expressou em seu voto, com clareza exemplar, a importância de se garantir o mais pleno direito à manifestação de pensamento.

Por se tratar de pedido em fase de liminar, a Editora Abril ainda não pôde apresentar argumentos sobre a veracidade das informações publicada nas reportagens. Com a retomada dos trabalhos do Poder Judiciário, o STF ainda vai analisar, em plenário, o caso. A relatora é a ministra Cármen Lúcia.

Censura prévia
O bloqueio ao acesso à reportagem de VEJA.com e ao post de seu colunista — agora revogado por Lewandowski — já havia representado um golpe na liberdade de imprensa. Mas outra liminar expedida pela Justiça fluminense foi além e instituiu uma espécie de censura prévia, prática explicitamente vedada pela Constituição. A juíza Andrea de Almeida Quintela da Silva deu provimento integral ao pedido de João Tancredo para não apenas remover uma nota de 8 de abril da coluna Radar on-line, de Lauro Jardim, que informou que a família de Claudia Silva Ferreira, morta arrastada por uma viatura policial, desautorizou o advogado carioca a representá-la na Justiça como também determinou que VEJA seja proibida, na internet ou no papel, “de autorizar ou promover quaisquer outras inclusões de igual teor”. A Editora Abril recorre da decisão.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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