Mercado: Consultoria Eurasia diz que Marina seria pró-mercado mas com risco político maior

Publicado em 15/08/2014 02:40 e atualizado em 18/08/2014 14:59 2225 exibições
nos blogs de veja.com.br + Folha de S. Paulo

Eurasia: Marina seria pró-mercado, com risco político maior

Em linha com o que o mercado está dizendo, o Eurasia Group, talvez a consultoria geopolítica mais respeitada do mundo, disse em relatório hoje cedo que a morte de Eduardo Campos torna a reeleição de Dilma mais difícil — mas só se Marina Silva decidir concorrer.Marina Silva

Com a morte de Campos, o Eurasia reduziu a probabilidade de reeleição de Dilma de 60% para 55%.

“Um governo Marina Silva provavelmente adotaria políticas pró-mercado, mas o risco político mais amplo aumentaria, fazendo este governo menos previsível do que um do PSDB ou do PT,” diz a nota, assinada pelos analistas Christopher Garman e João Augusto de Castro Neves, que cobre o Brasil de perto há anos.

“Os assessores econômicos de Silva tendem a ser liberais, e são os mesmos que têm sido influentes na campanha de Campos. Além disso, em suas entrevistas, Silva tem defendido uma gestão fiscal responsável. a necessidade de autonomia para o Banco Central e o imperativo de induzir o setor privado a investir mais. O forte histórico ambiental de Silva sugere que o setor de agronegócio será mais fiscalizado e as licenças ambientais no todo serão menos flexíveis. Isso pode ser negativo para os projetos de infraestrutura. Mas, no conjunto, a gestão econômica tende a ser pragmática.”

Para o Eurasia, o maior risco de Marina vem da política, já que ela “é contra os métodos tradicionais de construir maiorias no Congresso … distribuindo ministérios aos partidos para garantir apoio. Ainda que o grande apoio popular possa ajudá-la no início do mandato, sua capacidade de garantir apoio no Congresso pode ser uma dificuldade real, ainda mais se ela pretender implementar reformas estruturais ou se ela tiver que enfrentar uma economia fraca.”

Se, no entanto, Marina não concorrer, a consultoria aposta na reeleição de Dilma no primeiro turno.

Por Geraldo Samor, de veja.com.br

O fator Marina, por ELIANE CANTANHÊDE, da Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Clériston Andrade era o favorito ao governo da Bahia, em 1982, quando morreu num acidente de helicóptero às vésperas da eleição. Seu sucessor, João Durval Carneiro, ganhou espetacularmente depois de uma campanha relâmpago empurrada pela comoção e por Antonio Carlos Magalhães, o ACM.

O Brasil não é exatamente a Bahia, 2014 não é 1982, e o líder mais próximo ao que já foi ACM é Luiz Inácio Lula da Silva, que está com Dilma. Mas com Marina Silva não se brinca.

Evangélica, carismática, com uma biografia de romance, Marina acumulou um rico capital de votos em 2010 e teve 27% de intenções de voto no Datafolha de abril, quando nem era candidata. A quanto ela poderá ir nas próximas pesquisas?

Dilma Rousseff e Aécio Neves, tremei. No rastro da comoção nacional pela morte estúpida de Eduardo Campos, apoios da família dele à sua vice serão avassaladores. O irmão, Antônio, já se manifestou publicamente. E quando a mulher, Renata, ladeada pelos cinco filhos, inclusive o bebê Miguel, lançar Marina? E quando a mãe, Ana Arraes, apadrinhar a candidatura aos prantos?

Se Marina tem a força eleitoral, Eduardo Campos é quem tinha o poder político. Cabe agora a ela somar as duas coisas para se tornar uma candidata competitiva. Aliás, para se tornar candidata. Não será fácil.

O PSB, que batia continência a Campos, terá --já tem-- restrições à "agregada". Afinal, Marina nunca escondeu que o PSB era um ritual de passagem até a criação da Rede.

O PSB ligado aos tucanos, liderado por Márcio França, de São Paulo, não tem força para puxar o partido para Aécio. Mas o PSB do agora presidente Roberto Amaral pode muito bem empurrá-lo de volta aos braços de Lula e Dilma.

Resta saber quem, no partido, vai trocar a grande novidade da campanha, com altos índices nas pesquisas, por outra que tem alta rejeição e é alvo de enormes críticas --como foi, inclusive, de Eduardo Campos.

(por ELIANE CANTANHÊDE, da Folha de S. Paulo)

Política & Cia, no blog de Ricardo Setti, de veja.com.br:

ELEIÇÕES 2014: Partidos já trabalham com cenário que inclui Marina Silva

(Foto: xxx)

Eduardo Campos ao lado da ex-ministra Marina Silva em 2013, em Brasília (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

PSB iniciou conversas para convencer a ex-senadora a entrar na disputa. Campanhas de Dilma e Aécio já estudam novo discurso com Marina na corrida

Por Silvio Navarro e Talita Fernandes, do site de VEJA

Um dia depois da trágica morte do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, a classe política ainda vive o luto, mas os comandos das campanhas da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) e do tucano Aécio Neves já estão prontos para a entrada da ex-senadora Marina Silva na disputa eleitoral. O PSB também.

Tanto a campanha petista quanto a tucana aguardam a divulgação do resultado da pesquisa do instituto Datafolha, que vai a campo nesta quinta-feira e sexta-feira, já com o nome de Marina na lista de candidatos. Nos dois lados, a expectativa é que Marina tenha desempenho bem acima do patamar de 8 ou 9% que Campos alcançava – e que a entrada dela embole a corrida.

Petistas e tucanos também avaliam que se Marina embarcar na disputa terão de reformular boa parte da linha dos programas de televisão. Por enquanto, ambos gravaram apenas as primeiras inserções – no caso de Aécio, ainda direcionadas a apresentá-lo ao eleitor; no caso de Dilma, exibir imagens de obras e programas do governo federal.

Segundo aliados que a acompanham desde que recebeu a notícia de que o jato de Campos caiu no litoral de São Paulo, Marina permanece fortemente abalada. O deputado Walter Feldman, um dos seus conselheiros e responsável pela delicada interlocução entre o PSB e os “marineiros” da Rede Sustentabilidade, diz que Marina passou a noite em claro e só adormeceu nas primeiras horas desta quinta.

Segundo Feldman, a ex-senadora permanecerá em São Paulo com a família até que o trabalho de identificação dos corpos, que está sendo conduzido pelo Instituto Médico Legal (IML), seja concluído. Na sequência, ela viajará para Recife para acompanhar o velório e o enterro.

Nos raros diálogos que teve desde a noite de ontem, Marina só manifestou preocupação com a família de Campos, com quem mantém ótima relação – ela costuma chamar os filhos do ex-governador pelos apelidos de família, por exemplo.

Pelas regras da Justiça Eleitoral, o PSB tem dez dias para indicar um novo candidato. Marina já avisou o partido que não se posicionará até que o corpo de Campos seja enterrado. Segundo lideranças do PSB, a sigla vai aguardá-la e, nas palavras de um dirigente, avalia sua entrada na disputa como “o caminho natural”.

Entre os coordenadores da campanha Campos-Marina, esse “caminho” ficou claro já nas primeira linhas da nota redigida pela coligação após a morte do ex-governador de Pernambuco: “Não vamos desistir do Brasil”. Para dirigentes do PSB e do PPS, mais do que um discurso, essas palavras foram um recado claro de que a chapa aguarda por ela.

Na manhã desta quinta, líderes do PSB – o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, o senador Rodrigo Rollemberg (DF), o deputado Beto Albuquerque (RS) e o deputado Júlio Delgado (MG) – conversaram pela primeira vez sobre o futuro, em São Paulo. Oficialmente, eles afirmam que apenas acompanham a identificação dos restos mortais de Campos. Nas próximas horas, terão outras conversas com o presidente do PPS, Roberto Freire, e das demais siglas que compõem a coligação. Os primeiros entendimentos são que o PSB não pretende abrir mão da disputa.

Mas o arranjo não é tão simples. E o principal nó está justamente na Rede Sustentabilidade, ou nos “marineiros”, como os seguidores de Marina gostam de ser chamados. Sem registro na Justiça Eleitoral, a Rede é um quase partido do ponto de vista legal, mas tem militância em diversos Estados do país e forte atuação nas redes sociais – essa era, aliás, umas grandes apostas de Campos na aliança com a ex-senadora.

Os “marineiros” sempre deixaram claro que não compactuam com as linhas programáticas do PSB, especialmente com a atuação dos deputados federais da sigla – e a coisa só piora quando o assunto são as posições antagônicas de ambientalistas e do agronegócio. Mais: para socialistas mais antigos, resta o dilema de ter Marina Silva, que nunca representou a sigla de Miguel Arraes, como futura líder.

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No centro do palco

Marina: sob os holofotes

Marina: sob os holofotes

Há marineiros sonhando alto com os efeitos da mega exposição que Marina Silva terá nos próximos dias. Veem como fundamental para alçá-la a uma posição de destaque nas pesquisas que se seguirão ao Datafolha que será divulgado na segunda-feira.

Além da extensa cobertura de TV que vem recebendo desde anteontem, Marina voltará a ganhar protagonismo amanhã, durante o velório; no domingo, dia do enterro; na segunda-feira, dia provável da confirmação de sua candidatura; e, finalmente, na terça-feira, primeiro dia da campanha eleitoral na TV.

Um dia atrás do outro no centro do palco não é para qualquer um.

Efeito Eduardo Campos 1

dilma

Luto e tensão

A cúpula da campanha do PT está tensa como nunca. Desde ontem, as certezas todas evaporaram.

Efeito Eduardo Campos 2

aécio

Mudança de panorama

A cúpula de campanha do PSDB está tensa como nunca. Desde ontem, as certezas todas evaporaram.

1 minuto com Augusto Nunes: Cinco meses depois de ter comparado Eduardo Campos a Collor, Lula finge chorar a morte do ‘homem público de rara e extraordinária qualidade’

ATUALIZADO ÀS 11h16

A grande seita dos cínicos deveria ao menos poupar a família de Eduardo Campos do espetáculo do farisaísmo, registrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, depois de registrar a colisão frontal entre dois palavrórios de Lula sobre o mesmíssimo ex-aliado que ousou desgarrar-se do rebanho. No primeiro, despejado em março numa conversa com empresários, o ex-presidente enxergou em Eduardo Campos uma versão pernambucana do Fernando Collor de 1989.

(Em 1993, numa entrevista ao jornalista Milton Neves, o agora amigo de infância de Collor disse o que pensava do arrivista escorraçado do cargo pela pressão popular. Segue-se um trecho transcrito sem correções: “Ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra”)

Nesta quarta-feira, numa nota encomendada a algum assessor capaz de escrever, o ex-presidente resolveu compensar o insulto que Campos ouviu em vida com uma promoção póstuma. Segundo Lula, o Brasil acabou de perder “um homem público de rara e extraordinária qualidade” na queda do Cessna que, caso se espatifasse cinco meses atrás, teria apenas dispensado o país de perder o sono com uma reencarnação da figura que descreveu no parágrafo anterior.

Ou coisa pior, vinham avisando os disparos dos bucaneiros alocados pelo PT no front da internet. A fuzilaria se intensificou em janeiro, com publicação na página do partido no Facebook de um artigo que retrata Eduardo Campos como “um playboy mimado”, “um tolo deslumbrado”, “um ambicioso que traiu Lula, Dilma e a memória do avô Miguel Arraes”. Fora o resto.

O serviço sujo se estendeu à área de comentários, infestada de militantes que amam concluir o desfile de adjetivos grosseiros com a ofensa anabolizada por letras maiúsculas e o buquê de pontos de exclamação: CANALHA!!!!! Surpreendidas pela morte do alvo, as milícias redescobriram em segundos que Eduardo Campos era um bom companheiro. Os generais do lulopetismo já veem no Judas de ontem um forte candidato à canonização. Dilma só não chorou na TV por falta de treino. E a tropa toda ensaia com muita aplicação a cara de viúva inconsolável recomendada a penetras de velório.

Em países afeitos ao convívio dos contrários, ninguém estranha a presença de líderes de distintos partidos na cerimônia do adeus a um velho adversário. Se a luta pelo poder obedece a regras civilizadas, se não são permitidos golpes abaixo da cintura, não há razão para constrangimentos. Esse rito ecumênico só acontece em países que erradicaram a selvageria política. Não é o caso de um Brasil governado por gente que acha que, numa eleição, só é proibido perder.

Lula divide o país em “nós”e “eles”.  “Nós” são os que se curvam sem mugidos aos desígnios do chefe. “Eles” são o resto, e como restos merecem ser tratados. Os celebrantes de missas negras revogaram o sentimento da honra e removeram a fronteira que separa a crítica dura do agravo que fere a alma. Alguém precisa ensinar-lhes que infâmias imperdoáveis não são anuladas por notas hipócritas.

Até lá, os cínicos profissionais continuarão aparecendo nos velórios dos afrontados com o mesmo desembaraço que exibem em festanças no clube dos cafajestes.

(por Augusto Nunes)

Reação da imprensa internacional à morte de Campos deveria envergonhar setores da… imprensa brasileira!

Setores consideráveis da imprensa brasileira parecem um tanto surpresos com a reação da imprensa internacional — e até da Casa Branca, como dizem alguns com espanto! — à morte de Eduardo Campos. Todos os grandes veículos de comunicação do mundo  deram espaço e destaque consideráveis à trajetória do ex-governador de Pernambuco que ousou divergir do grupo com o qual se aliara havia muitos anos. Ainda que terceiro colocado na disputa e com chances remotas de se eleger, o candidato do PSB foi saudado, no mais das vezes, como um político operoso e popular e como um democrata. A respeitada The Economist lhe dedicou um de seus obituários, em espaço nobre.

Há, sim, certa surpresa no ar. Não se esperava tanto. E isso dá conta de como o debate político se tornou pobre e bruto no Brasil. Por que a imprensa do mundo democrático dá a Campos uma relevância que ele parecia não ter por aqui? Porque, nesses países, preza-se a divergência como o sal da terra, como o sal da democracia, como o sal de um regime de liberdades públicas.

Entre nós, infelizmente, o debate está acanalhado. Acostumamo-nos a ver a máquina pública a serviço de um governo, de um partido, de milícias de pensamento. Acostumamo-nos a ver palacianos cinzentos operando nas sombras para mudar perfis na Wikipédia. Parece-nos normal que o chefão do maior partido do país faça uma lista negra de jornalistas. Estamos começando a achar razoável que o supremo mandatário do país utilize uma solenidade oficial para fazer campanha eleitoral. Não nos escandalizamos quando um ministro de estado, no uso pleno da máquina pública, ataca adversários não da presidente Dilma, mas da candidata Dilma.

Há um processo de demonização da divergência no Brasil. Ou não vimos uma presidente da República e um ex-presidente a pedir a cabeça de analistas de um banco, o Santander, porque, afinal, não gostaram das afirmações que fizeram? E, acreditem!, muitos jornalistas acharam, sim, razoável a punição. Há dias, fez-se um grande escarcéu porque uma consultoria emitiu críticas duras ao governo. Nas redes sociais, a divergência com a voz oficial é tratada como crime, numa odienta ação de milicianos industriados, que agem a soldo. Até uma subimprensa venal, alimentada com dinheiro público para elogiar o poder e atacar seus críticos, é  vista como coisa normal.

Mas não é assim que a coisa funciona mundo afora, não! Ao contrário. As democracias sabem muito bem que é a divergência que torna um regime democrático, já que, como costumo dizer, todas as tiranias dispõem de governo.

De certo modo, a justa repercussão que a morte de Campos tem no exterior deveria nos envergonhar, a considerar o tratamento que mereceu por aqui enquanto estava vivo. Ainda hoje, um notório colunista governista exalta o homem que “buscava o sonho”. Eu aplaudo, e tinha divergências com ele, o homem que queria outra realidade.

Chegou a hora de a imprensa, boa parte dela ao menos, também repensar o seu papel e se perguntar até onde, com alguma frequência, não serve de esbirro a um projeto de poder que pretende eliminar o contraditório.

Por Reinaldo Azevedo

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1 comentário

  • jandir fausto bombardelli toledo - PR

    Agora vai ser Dilma ou Marina? O Aécio já era, este não tem mais chance, quem não quiser Marina no Governo vai ter que votar na Dilma, trocar o certo pelo duvidoso neste momento é muito perigoso.

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