Na VEJA: Saiba o que Lula pensa sobre a possibilidade de vitória de Marina Silva e como o PT pretende enfrentá-la

Publicado em 23/08/2014 06:51 2511 exibições
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Saiba o que Lula pensa sobre a possibilidade de vitória de Marina Silva e como o PT pretende enfrentá-la

lula e marina

Lula e Marina, em outros tempos

A um interlocutor que o procurou preocupado com o avanço de Marina SilvaLula respondeu, não se sabe com que grau de sinceridade: “Conheço Marina mais do que conheço a Dilma. E posso garantir que ela não ganha essa eleição”.

A propósito, o PT acha que já encontrou a bala de prata para esvaziar o balão de Marina Silva. Pretende explorar o que avalia como seu maior ponto fraco: suas contradições.

Por Lauro Jardim

EFEITO MARINA: Petistas analisam tom a ser adotado na campanha para enfrentar crescimento da ex-ministra nas intenções de voto (O GLOBO)

O comando da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff se reuniu e já mostra preocupação com o crescimento da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, cuja exposição aumentou nos últimos dias devido à morte do ex-governador Eduardo Campos e sua escolha para substutuí-lo na cabeça da chapa. A reunião contou com a presença do ex-presidente Lula e foi realizada na noite de quarta-feira. Segundo interlocutores da campanha, as pesquisas internas indicam o crescimento apontado pelas pesquisas tradicionais. A avaliação é que Marina ameaça a posição do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, embolando a disputa por um segundo lugar num eventual segundo turno da eleição.

As análises foram feitas com a participação de Lula e da própria Dilma, segundo integrantes do Planalto. Apesar da preocupação, o discurso é de que o tucano Aécio Neves é quem deve estar mais preocupado neste momento. Para esse interlocutor, é Aécio o mais afetado neste primeiro momento.

Mas o tom a ser adotado quanto a Marina ainda está sob análise. Há o temor de que atacá-la possa ter o resultado inverso, de fazê-la crescer como vítima. Também participaram da reunião o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, entre outros.

Amigo da ex-ministra, o senador Jorge Viana (PT-AC) demonstrou a preocupação do partido. Ele disse que Marina vai "impor um novo debate" na campanha eleitoral. A avaliação do petista é de que ela vai forçar alguns debates, muitos dos quais a presidente Dilma resiste, como o da questão ambiental. As duas - Marina e Dilma - travaram guerras internas dentro do governo do presidente Lula quanto ao peso das obras para o desenvolvimento, de um lado, e a necessidade de cumprir todas as regras ambientais. Dilma reclamou várias vezes da lentidão das obras por causa de problemas com licenças ambientais. No governo Lula, Marina foi ministra do Meio Ambiente e Dilma comandou as pastas de Minas e Energia e depois da Casa Civil.

— A candidatura da Marina vai impor um debate novo e temas novos, que, com todo o respeito à candidatura do Aécio e à do Eduardo Campos, e à própria candidatura de reeleição da presidente Dilma, não foram trabalhados, pelo menos na intensidade com que serão trabalhados agora. Discutir o modelo que queremos para o país, o modelo econômico de desenvolvimento, a nossa relação com os recursos naturais. Eu acho que isso é bom — disse Jorge Viana, acrescentando:

— A candidatura da Marina é legítima. Ela tem uma história de vida, é uma liderança importante e traz inovação. Vai impor desafios à presidente Dilma. E a nós que estamos no governo de nos posicionarmos com mais clareza sobre alguns temas.

Mas o petista disse que, conhecendo ambientalista, sabe que ela terá dificuldades de conciliar suas utopias com a nova função.

— Marina traz consigo um encantamento, um posicionamento diferente na política e, certamente, vai ter muita dificuldade em fazer o confronto entre seus sonhos, as utopias que prega com a realidade da política, da vida nacional. Esse é um desafio tremendo que ela vai viver. Mas, certamente, ela vai ajudar a elevar o nível desse debate nessas eleições — afirmou ele. (O GLOBO)

 

ELEIÇÕES 2014: Em vídeo inédito da campanha de TV, Eduardo Campos enaltece Marina e ataca PT

Eduardo Campos e Marina Silva em vídeo inédito da campanha de TV (Foto: Reprodução/VEJA)

Eduardo Campos e Marina Silva em vídeo inédito da campanha de TV (Foto: Reprodução/VEJA)

Equipe do candidato socialista havia concluído o programa, com dois minutos de duração, que deveria ter ido ao ar na terça-feira, junto com a estreia de todos os candidatos

Por Ana Clara Costa, do site de VEJA

O horário eleitoral desta quinta-feira na televisão marcou a estreia de Marina Silva como candidata do PSB à Presidência da República, no lugar de Eduardo Campos. Contudo, a equipe do candidato morto no último dia 13, num acidente aéreo em Santos, já havia concluído o primeiro filme da campanha, que iria ao ar na terça-feira, juntamente com a estreia dos demais candidatos.

O site de VEJA apurou que houve tempo, inclusive, para que outras versões do mesmo vídeo tivessem sido avaliadas em pesquisa, para que se chegasse ao modelo ideal para ser exibido na TV.

O vídeo original, de dois minutos de duração, foi substituído por outro feito com imagens do velório de Campos ao som de um discurso lido por Marina em homenagem ao companheiro de chapa. A ex-senadora só foi ao ar como candidata nesta quinta-feira, depois da aprovação de sua entrada na corrida eleitoral pela Executiva do PSB e partidos coligados, ocorrida na tarde de quarta.

O programa exibido nesta quinta mostrou Marina emocionada, interrompendo a leitura do discurso e recordando o vídeo original gravado com Campos. ”Vi com muita emoção o primeiro programa de TV que íamos levar ao ar e me tocou profundamente a imagem do abraço que nos demos”, afirmou.

O discurso do vídeo original mostra Campos contando a história da entrada de Marina no PSB e a construção da “terceira via”.

Ambos não pouparam, no entanto, um ataque direto à campanha petista, cujo slogan é “Muda Mais”.

– Chega da propaganda que diz que é preciso mais mudança, quando elas não foram feitas nos últimos quatro anos — disse o ex-governador pernambucano.

Assistam:

 

Vem aí o novo Datafolha

presidenciaveis

Mais números da corrida presidencial

Depois do Ibope anunciar que vai a campo neste final de semana para medir os reflexos dos últimos acontecimentos importantes no cenário eleitoral (leia mais aqui), o Datafolha registrou sua nova pesquisa presidencial.

O instituto de pesquisa, que no levantamento divulgado nesta semana mostrou o efeito da entrada de Marina Silva na corrida pelo Planalto, vai a campo nos dias 28 e 29 de agosto para entrevistar 2 884 eleitores. Desta vez o eleitor será questionado também sobre qual candidato tem se saído melhor no horário eleitoral.

A pesquisa custou 266 200 reais ao Datafolha e a data de divulgação ainda não foi definida.

Por Lauro Jardim

 

O homem-bomba vai falar

Depoimento na CPI de compadres

Paulo Roberto, nos tempos em que ainda sorria

Diante das informações que recebeu de que o homem-bomba Paulo Roberto Costa aderiu à delação premiada, seu advogado, Nélio Machado, está deixando a causa. Diz Nélio Machado:

- Não trabalho com o instituto da delação premiada.

Pelas informações recebidas por Machado, Costa, incentivado pela mulher, Marici, que há tempos vinha se desentendendo com o advogado justamente por causa da delação premiada, topou abrir a boca. E a partir de agora tem como advogada a criminalista paulista Beatriz Catta Pretta.

Paulo Roberto está neste momento na Polícia Federal de Curitiba.

Sai de baixo. Recentemente, Paulo Roberto, ameaçou, em conversa com um interlocutor:

- Se eu falar, não vai ter eleição. (leia mais aqui ).

Até ontem, apesar da insistência da mulher, Paulo Roberto se negava a fazer a delação. A nova etapa da Operação Lava Jato, realizada hoje no Rio de Janeiro, o fez mudar de ideia.

Por Lauro Jardim

 

RADIOGRAFIA DE UMA FRAUDE: O retrato sem retoques da guerrilheira que registra na ficha policial mais codinomes que tiroteios

ATUALIZADO ÀS 10h45

O farto material publicado nesta coluna sobre Dilma Rousseff inclui quatro posts que compuseram, em novembro de 2009, a Radiografia de uma Fraude. O primeiro contempla a guerrilheira de araque, cujo prontuário exibe mais codinomes que tiroteios. O segundo trata da secretária do governo gaúcho que renegou Leonel Brizola para garantir o emprego. O terceiro exibe a ministra que subiu na vida porque o presidente eleito Lula consultou o futuro presidente Lula. O quarto e último descreve o país em que finge viver a candidata que Lula inventou. Tem até trem-bala.

Como a farsa ameaça estender-se por mais quatro anos, é hora de reapresentar a trajetória da nulidade que governa o Brasil, reproduzindo na seção Vale Reprise os textos publicados há quase cinco anos. O conteúdo do primeiro post está resumido no título: “O histórico da guerrilheira tem mais codinomes que tiroteios”Poucos parágrafos bastam para mostrar que, somadas, as ações revolucionárias em que se meteu a jovem doutora em luta armada foram menos assustadoras que um foguetório de festa junina.

A biografia oficial da presidente festeja a valente mineira que enfrentou a bala a tirania dos quartéis. Conversa de 171, corrige a exumação dos fatos. Entre o mergulho na clandestinidade e o dia em que foi presa, Dilma sonhou com a troca da ditadura militar pela ditadura comunista, trocou de marido (uma vez), trocou de organização (duas) e trocou de codinome (várias). Mas a ficha policial não registra uma única e escassa troca de chumbo com tropas inimigas.

Em 2005, quando foi despejado da Casa Civil, o mensaleiro que saía saudou a “camarada de armas” que chegava. A dupla talvez não saiba exatamente a diferença entre gatilho e culatra. O guerrilheiro de festim combateu a ditadura entrincheirado no balcão do Magazine do Homem, em Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná. Depois de libertada, Dilma seguiu lutando como comerciante em Porto Alegre. A loja de artigos masculinos resistiu a Dirceu. A lojinha 1,99 não sobreviveu à gerente.

VEJAM QUE BARBARIDADE: Por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), governo Dilma já transferiu para Cuba mais de um bilhão de reais pelo Mais Médicos

SALÁRIO INCOMPLETO — Médicos cubanos são recebidos em Porto Alegre, em abril passado (Foto: Claiton Dornelles/CBR)

SALÁRIO INCOMPLETO — Médicos cubanos são recebidos em Porto Alegre, em abril passado (Foto: Claiton Dornelles/CBR)

OPAS, QUE NEGÓCIO É ESSE?

A relação da organização de saúde com o governo brasileiro vai além da transferência de recursos para Cuba

Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA

Há um ano, em agosto de 2013, chegavam ao Brasil os primeiros cubanos que vieram dar corpo ao Mais Médicos, do Ministério da Saúde. Antes mesmo que os 400 profissionais enviados por Cuba desembarcassem, já estava claro que o programa tinha uma finalidade eleitoreira – aumentar o número de consultas em regiões pobres sem muita preocupação com a qualidade e sem resolver os problemas estruturais da saúde pública nacional – e outra ideológica – auxiliar financeiramente um regime ditatorial decadente.

O balanço desses doze meses mostra que a transferência de dinheiro do contribuinte brasileiro para os cofres de Raúl Castro foi de nada menos que 1,16 bilhão de reais, já descontados os cerca de 75 milhões de reais que a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) recebeu por intermediar o negócio e os 260 milhões de reais que o governo cubano efetivamente repassou aos seus médicos em atuação no Brasil.

Os médicos só recebem 30% do que deveriam: o resto fica com a ditadura cubana

Isso porque, do salário de 10 400 reais mensais a que oficialmente os profissionais do Mais Médicos de qualquer nacionalidade têm direito, os cubanos recebem apenas 30%. O restante é confiscado por seu governo. Atualmente, há 11 400 médicos de Cuba no Brasil participando do programa e, portanto, sendo submetidos a essa situação discriminatória.

O Ministério da Saúde já negocia para aumentar esse número e, consequentemente, injetar ainda mais dinheiro na combalida ditadura comunista.

Sob qualquer ótica, o lucro líquido que Raúl Castro tem com a exploração da mão de obra barata enviada ao Brasil é portentoso. A quantia de 1,16 bilhão de reais equivale a quase um terço do total investido pelo governo brasileiro na ampliação, reforma e construção de hospitais, postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em 2013.

Para Cuba, obviamente, o valor é ainda mais impactante, pois supera em cinco vezes toda a receita anual de exportações da ilha para o Brasil. Recentemente, a cubana Maritza Rivaflecha Castellano foi bastante direta ao avaliar a importância do dinheiro brasileiro para a sobrevivência do regime no site do jornal oficial Granma: “Os trabalhadores de saúde, na atual batalha econômica do nosso povo, exercem papel de protagonistas no aporte de numerosas entradas de recursos em nossa economia”.

Médicos são controlados e espionados

Maritza faz parte do grupo de 28 “coordenadores” que estão espalhados pelo Brasil e que, com um salário mensal de 25 000 reais, têm a função de controlar e espionar os médicos cubanos para evitar que eles fujam, engravidem ou violem qualquer outro item da cartilha de conduta recebida antes de partirem da ilha. Em outros períodos históricos, dava-se a quem exercia essa função o nome de “capataz”.

É de perguntar por que a Opas, uma entidade vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), da ONU, se coaduna com essas relações de trabalho imorais, para dizer o mínimo.

(Arte: VEJA)

CLIQUEM NA ILUSTRAÇÃO PARA AMPLIÁ-LA (Arte: VEJA)

 

Há pelo menos duas explicações para isso. Primeiro, porque o quadro de altos funcionários da Opas é dominado por gente alinhada ideologicamente com Cuba ou diretamente indicada pelo regime castrista.

Esse é o caso do chefe da entidade no Brasil, o cubano Joaquín Molina, um dos arquitetos do programa Mais Médicos, junto com o ex-ministro Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT.» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

O rali do etanol

Depois do rali da Petrobras, que já subiu 70% desde meados de maio, alguns gestores acham que o etanol é o próximo setor da Bolsa que poderá se beneficiar de uma vitória eleitoral da oposição.

As duas principais empresas do setor — Cosan e São Martinho — têm muito a ganhar quando o preço da gasolina for reajustado e se o próximo governo praticar o que os economistas chamam de “realismo tarifário”.

No caso da eleição de Marina Silva, o potencial de alta poderia ser ainda maior, tendo em vista o histórico da candidata na agenda de sustentabilidade e a importância que ela atribui a combustíveis alternativos.

Mas, mesmo na hipótese de reeleição da Presidente Dilma Rousseff (cada vez mais improvável a se julgar pelas pesquisas que circulavam ontem entre os bancos), ainda assim o represamento de preços parece ter seus dias contados, por ser insustentável para o balanço da Petrobras.

Isso reforça entre alguns gestores a percepção de que há mais a ganhar do que perder com as ações do setor.

Dados do Itaú BBA mostram que, de 64 grupos analisados no fim de 2013, 39 operam com déficit e outros 22 precisam de uma venda ou fusão para continuar operando.

O assessor econômico de Aécio Neves, Mansueto de Almeida, tem dito em suas palestras: ”Em 2008, o Lula usou o etanol como exemplo de campeão nacional — e depois congelou o preço da gasolina, sufocando o setor sucroalcooleiro. Se o Rubens Ometto da Cosan tivesse acreditado no Lula, ele estaria quebrado. Mas ele não acreditou e diversificou a Cosan, e hoje está aí.”

O voto vale uma dentadura? Ou: Com o PT, regredimos décadas e voltamos ao “coronelismo”

Dentadura

revelação da Folha de que a dona Nalvinha, que apareceu no programa eleitoral do PT ao lado de Dilma, ganhou tudo na véspera, inclusive dentadura nova, é chocante. Em país sério, isso daria até impugnação da candidatura, pois fere a lei eleitoral.

Isso é compra de voto. Comentei aqui o caso, lembrando, inclusive, que a ONG que fez a doação é liderada por uma petista roxa de carteirinha. Tudo muito escancarado, como tem sido o caso do PT desde que viu a impunidade do mensalão nas urnas.

Pois bem: o livro O voto da pobreza (e a pobreza do voto), da socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, é de 1988, e fala de uma realidade triste do nosso Brasil: a ética da malandragem, que não está ausente em classe alguma. Lá pelas tantas a autora joga justamente a pergunta: um voto vale uma dentadura? Diz ela, de forma totalmente atualizada (pelo PT):

A obtenção de favores, comum nas épocas eleitorais, vestígio nos centros urbanos do “coronelismo” do Brasil rural e interiorano, funciona atualmente de forma mais malandra. Nem sempre se responde com o voto aos candidatos que, empregando dinheiro, favores, presentes, ou atendendo pedidos de toda ordem, pensam receber em troca gratidão e lealdade dos que na sua miséria deveriam ficar agradecidos pelas dádivas recebidas. Cientes da incerteza, muitos candidatos agem com certa cautela, mesmo nas regiões mais pobres e atrasadas do país. Uma matéria do Jornal do Brasil ilustrou de forma pitoresca esse comportamento:

No Ceará, na região do Cariri – reduto político da família do vice-governador Adauto Bezerra -, é comum, nos períodos pré-eleitorais, os candidatos oferecerem, além de facilidades para obtenção dos títulos eleitorais, presentes em troca da promessa de voto. Óculos, chilenos, dinheiro e até dentaduras entram no negócio. No caso das dentaduras, o eleitor na fila vai provando, uma a uma, até encontrar a que lhe encaixe na boca. As outras voltam para uma lata d’água, à espera do próximo cidadão. Com dinheiro, a nota é rasgada ao meio. Metade fica com o eleitor; a outra metade, ele recebe depois da eleição, se o candidato tiver os votos que espera naquela urna. Com os chinelos, acontece o mesmo: um pé na hora de tirar o título, o outro depois de dar o voto. A campanha começa na hora do alistamento do eleitor.

Essa descrição lembra negócio. Puxando-se pela memória, percebem-se as raízes lusitanas. Como bem disse Caio Prado Júnior, referindo-se à política portuguesa do inicio de nossa colonização, “ela era antes de tudo um negócio do Rei”. Desde o começo, pois, o “negócio”, mais tarde uma politicagem onde o voto é negociado e a fraude a tônica constante. Negócios escusos e malandros como costumavam e ainda costumam ser as práticas usuais não só das eleições, mas no trato com a coisa pública por parte dos detentores do poder. Só que política como “negócio do Rei” foi e é, numa escala diferente, praticada também pelos “súditos”, aos quais interessa, essencialmente, levar vantagens com relação ao Estado patrimonialista.

Se as maneiras de auferir vantagens variam conforme a classe social, seria ingenuidade supor que os mais pobres sejam seres angelicais, ou coitados ignorantes imunes ao sistema. Na verdade, não só reproduzem mecanismos comportamentais assemelhados aos de outras classes sociais, adaptando-se às suas necessidades de sobrevivência, como legitimam o poder sobre eles exercido, aceitando-o como natural. Como a maioria das pessoas, querem que as coisas mudem ou melhorem, desde que o esforço seja feito por outros. O político em campanha pode ser este “outro”, que consegue a construção do barraco, arranja tratamento médico, olho de vidro, óculos, dentadura, dinheiro, etc. Pode ser também o que não apenas melhora o presente, mas o que promete o futuro, mercadejando esperanças e não se restringindo tão-somente às necessidades imediatas, ligadas praticamente a níveis mínimos de subsistência. Em todo caso, o voto se transforma na moeda com a qual se “compra” o benefício pretendido. Se os mais abastados querem empregos, cargos importantes, facilidades de vida que implicam investir no futuro, os mais pobres, no imediatismo provocado pelas premências e urgências de seu sobreviver, “intimam” os candidatos com pedidos de toda ordem, dos mais simples aos mais estrambóticos. Restará para o candidato a dúvida quanto à obtenção da “lealdade” de seu eleitor. Mesmo assim, o postulante ao cargo eleitoral sabe que o ideal é ter ouro em pó. 

O mau exemplo vem de cima. O PT comprou todos que estavam à venda. Por que seria diferente com o andar de baixo? O rico empresário que aceita defender o partido em troca de subsídios, o funcionário público que pensa apenas em preservar suas regalias, o sindicalista que quer manter mamatas, nada disso é diferente, na essência, do que faz o pobre desesperado que troca seu voto por uma dentadura. Muda-se apenas o preço, mas o produto é o mesmo: o voto.

Resta saber até quando vamos conviver com esse modelo nefasto, com esse patrimonalismo absurdo, com essa “ética da malandragem” que faz com que o Brasil nunca deixe de ser o “país do futuro”. O PT não inventou nada disso. Mas com ele, regressamos com força ao triste passado!

Rodrigo Constantino

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1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, o Brasil é um país que apresentou, nas últimas décadas, o maior acréscimo em níveis de produtividade, mas na agricultura.

    É do conhecimento que o aumento da produtividade é salutar para a melhora de toda a sociedade, haja vista, a contribuição positiva do setor nos índices da balança comercial do país e, no número de pessoas empregadas, geração de riquezas, desenvolvimento de áreas que antes apresentavam índices pífios (MAPITOBA), enfim, se forem enumerar todos, correrão rios de tinta. Atualmente o “passado”, baixo crescimento do PIB, aumento da inflação, amedronta-nos, mas os discursos dos presidenciáveis não citam medidas para o aumento da produtividade em outros setores; não seria a hora de privilegiar o CAPITAL HUMANO?

    A população economicamente ativa e, as futuras gerações merecem oportunidades possíveis e, elas só se tornarão possíveis com o devido “preparo” de seus componentes, pois todo “O RESTO É BALELA”!!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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