“Regulação econômica da mídia” é prá valer, informa Lauro Jardim, de veja

Publicado em 04/10/2014 13:00 e atualizado em 06/10/2014 16:10 1111 exibições
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É para valer

dilma

Alvos definidos

O que Dilma Rousseff disse a blogueiros governistas há duas semanas – que quer fazer a “regulação econômica da mídia” – é de fato uma decisão tomada por ela. Não é factoide para tentar amedrontar a imprensa na reta final de campanha.

O alvo principal é a Globo, mas não só.

Só que para mudar certas leis terá que convencer o Congresso.

Por Lauro Jardim

Nuvens carregadas

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Dilma e a Operação Lava Jato: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come

Há um certo consenso de que se as delações premiadas de Paulo Roberto Costa e de Alberto Youssef vazarem antes do segundo turno, a possibilidade da reeleição de Dilma Rousseff diminui poderosamente. Faz todo o sentido.

Se, no entanto, as delações vazarem apenas em 2015, desenha-se da mesma forma um tenebroso cenário para uma Dilma reeleita: o primeiro ano de governo de crise intensa. Juntará a econômica com a política, pois todos os implicados têm relação com o governo.

Por Lauro Jardim

 

Com Dilma, Petrobras perdeu R$ 162 bilhões – saiba o que dá para comprar com esse valor

Na VEJA.com:
A Petrobras deixou de ser a maior empresa do Brasil em valor de mercado na última segunda-feira, depois que as ações da empresa caíram 11% na Bolsa de Valores. Com isso a Ambev, avaliada em 253 bilhões de reais, voltou a ser a maior companhia — posto que ocupava até março deste ano. Até o dia 30 de setembro, as ações da estatal acumulam, apenas no governo Dilma, queda de 162,2 bilhões de reais em valor de mercado, ou 43%. É como se a Petrobras tivesse perdido mais que “um Bradesco” em menos de quatro anos, ou seis vezes a empresa TIM, por exemplo, de acordo com dados da consultoria Economática.

A estatal tem vivido um ano de altos e baixos na Bolsa. Investidores passaram a apostar nos papéis da empresa em março, quando as primeiras pesquisas de intenção de voto mostravam a presidente Dilma Rousseff com um baixo nível de aprovação e um alto nível de rejeição entre os eleitores. Se contabilizadas as perdas apenas até março deste ano, somam 73%. Isso significa que o brasileiro que investiu 1.000 reais em papéis da empresa em 2008, tinha em março apenas 270 reais.

Com a aproximação das eleições, tanto as ações da empresa quanto a de todas as estatais se valorizaram, com investidores apostando numa mudança de governo. Alvo de corrupção e ingerência, a Petrobras atingiu no governo Dilma o título de empresa de petróleo mais endividada do mundo, com uma dívida de 300 bilhões de reais — maior, inclusive, que seu valor de mercado.

Saiba o que é possível comprar com os bilhões que a estatal perdeu em valor mercado durante o governo Dilma aqui.

Por Reinaldo Azevedo

De olho no 2º turno, Aécio ataca PT e poupa Marina

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Depois da troca de farpas no último debate antes do primeiro turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, decidiu poupar nesta sexta-feira a rival do PSB, Marina Silva, uma possível aliada do tucano caso ele chegue ao segundo turno. A nova postura de Aécio se ajusta à defesa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito de que PSDB e PSB unam forças para derrotar a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Cumprindo agenda intensa de atos políticos em Belo Horizonte, Aécio evitou falar de possíveis alianças para um eventual segundo turno – ele está tecnicamente empatado com Marina Silva na segunda colocação da corrida presidencial, conforme pesquisa Datafolha – e não comentou se os ataques ao longo do primeiro turno podem inviabilizar uma parceria futura. “Eu tenho que ter enorme respeito por todas as candidaturas e tenho esse respeito em especial pela candidata Marina Silva, que disputa de forma extremamente competitiva a possibilidade democrática de estar no segundo turno”, disse. “Só falarei de segundo turno no momento em que o resultado for anunciado.”

Ao visitar quatro favelas na cidade de Belo Horizonte, incluindo a violenta Pedreira Prado Lopes, ponto de venda de crack na capital mineira, Aécio voltou a atacar a presidente Dilma Rousseff, criticou o excesso de obras inacabadas coordenadas pelo governo federal e defendeu que exemplos de má gestão e corrupção, como os escândalos na Petrobras e, mais recentemente, a denúncia de uso político dos Correios, não sejam reproduzidos em Minas, onde o petista Fernando Pimentel é favorito para derrotar, já no primeiro turno, o tucano Pimenta da Veiga.

“Não vamos permitir que em Minas Gerais esse modus operandi alcance as nossas empresas porque vai estar alcançando os interesses da nossa gente. Não queremos que a Cemig vire uma nova Petrobras e que a Copasa vire os novos Correios, com escândalos sucessivos”, disse. Aécio tem citado exaustivamente a gestão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) como exemplos de empresa pública. As duas, porém, são citadas pelo Ministério Público Federal, na denúncia sobre o escândalo do valerioduto mineiro, por repasses suspeitos durante o governo do tucano Eduardo Azeredo (PSDB).

“O governo do PT tem como marca obras com sobrepreço e sempre com atrasos, o que gera descrença e desânimo na população. A eleição de Pimenta da Veiga é tão importante em Minas quanto a minha própria eleição. Não podemos permitir em Minas Gerais esse tipo de gestão que o governo do PT estabeleceu na Petrobras, onde uma quadrilha tomou conta da nossa maior empresa, e essa gestão temerária que se instalou nos nossos principais fundos de pensão”, disse antes de visitar a favela Pedreira Prado Lopes. “Não podemos permitir que [empresas mineiras] sejam tomadas por um grupo político, que demonstrou em outras gestões no plano nacional, como na Petrobras e agora nos Correios, o absoluto descompromisso com os cidadãos”, afirmou.

Correios
Depois de definir como estratégia prioritária explorar as acusações de uso político dos Correios por candidatos do PT, Aécio Neves disse que a empresa pública também teria boicotado correspondência da Força Sindical para aposentados. A entidade foi presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do partido Solidariedade e aliado de Aécio. O candidato não deu detalhes do caso, mas cobrou que a presidente Dilma explique por que não consta de sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as despesas de contratação dos Correios para a distribuição de material de campanha.

“Acabo de ter a informação do presidente licenciado da Força Sindical, presidente do Solidariedade, de que as cartas enviadas pela Força, em especial aos aposentados em Minas Gerais, não chegaram a seus destinatários. Isso é algo extremamente grave”, afirmou. De acordo com o candidato, os Correios receberam o pagamento no dia 29 de agosto, mas na prestação parcial de contas apresentada ao TSE no dia 2 de setembro não consta a despesa.

Por Reinaldo Azevedo

Eduardo Jorge, o Enéas dos malucos-beleza. Ou: Algemados, Luciana, deveriam ter sido membros do PSOL. Digo por quê!

Não dá mais.

Acompanhei cuidadosamente o debate da noite de ontem e começo da madrugada de hoje na TV Globo. Escrevi, como vocês podem acompanhar, 40 posts ao longo de duas horas e dez minutos, registrando perguntas e respostas. Assim, experimentei de perto o horror e a picaretagem. Dos sete candidatos presentes, apenas três têm chances reais de se eleger presidente da República. Os outros são candidatos de si mesmos ou de sua grei de fanáticos. Quem perde com a obrigatoriedade de tê-los no debate é a população, é o eleitor.

Esqueçam. Não haverá tão facilmente uma reforma política e eleitoral que barre a sanha dos chamados nanicos, alguns deles vivendo exclusivamente do Fundo Partidário, uma das excrescências que existem no Brasil. A Lei Eleitoral impõe que as TVs e rádios, por serem concessões públicas, não privilegiem partidos. Ocorre que uma coisa é conceder privilégios. Outra, distinta, é tratar igualmente os desiguais.

Ora, quem eram os privilegiados de ontem à noite no debate da Globo, por força de uma interpretação vesga da lei? Juntos, Dilma Rousseff, do PT; Marina Silva, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB, têm 85% do eleitorado brasileiro. Não obstante, os outros quatro, que somam 4%, foram tratados em pé de igualdade. E, como perguntaria o poeta Ascenso Ferreira, pra quê? Pra nada!

Eduardo Jorge, do PV, que tem até uma trajetória respeitável, tornou-se o Enéas dos malucos-beleza, o Ideiafix de Obelix, defensor da natureza, que gane quando vê alguma agressão à natureza. Não tem o que dizer, o que perguntar, o que propor, a não ser a sua pauta fixa: descriminalização do aborto e da maconha. Seria o caso de indagar onde está a sua sanidade, sendo, como é, um médico.

Mas isso é problema dele. Só é problema nosso quando, num debate para a Presidência, tendo a chance de fazer uma pergunta sobre a corrupção para a atual mandatária, dirige-lhe uma questão sobre… descriminação do aborto. Ideiafix!!! Não tem uma pauta de presidente. Usa o espaço para vender as suas teses, que inclui mato e feto moídos.

Luciana Genro, do PSOL, é o pior que pode produzir a ignorância esquerdista dos mimados. Suas teses são de um cretinismo espantoso mesmo para os padrões da esquerda. É grosseira, desinformada e autoritária. Por sorteio, usou mal o nosso tempo, o dela e o de Dilma, dirigindo duas perguntas bucéfalas à presidente. Na primeira, afirmou que a corrupção na Petrobras é fruto da associação da petista com a direita, como se a esquerda não praticasse corrupção. Pratica, sim. A começar do PSOL, o partido de Luciana, como lembrarei daqui a pouco.

Na segunda, deveria ter feito uma pergunta à presidente-candidata sobre programas sociais. Usou o tempo para defender a taxação pesada aos banqueiros e aos milionários. Tem uma cabecinha vulgar, populista, obscurantista. Dilma a ignorou e falou o que bem quis.

Luciana e Eduardo Jorge resolveram embarcar na onda e demonizar Levy Fidelix, cujas ideias margeiam o folclore. Por incrível que pareça, revejam o debate, quem argumentou com as leis certas e que organizam o estado de direito no Brasil foi o despreparado Levy. Luciana chegou a dizer que o homem deveria ter saído algemado do debate da Record. E afirmou: “Se tivesse uma lei anti-homofobia, tu teria (sic) saído algemado de lá”. A tiranazinha sem voto deixou claro por que quer uma lei anti-homofobia. Para encarcerar pessoas — ela, que se diz contra o encarceramento.

Algemados deveriam ter sido os membros do PSOL que estimularam a violência e o quebra-quebra do Rio, ao lado dos black blocs. Corrupção praticou a deputada Janira Rocha, do partido, quando admitiu que usou dinheiro de um sindicato em campanha eleitoral. Ou, então, a deputada Inês Pandeló, do PT, condenada em segunda instância por improbidade administrativa por extorquir parte do salário dos servidores do gabinete a título de “filantropia”. Tudo gente desta incrível e deseducada Luciana Genro, que, indagada sobre o que fazer com crianças viciadas, respondeu que é preciso desmilitarizar a polícia. No debate, Aécio deu-lhe um chega pra lá e a chamou de despreparada para disputar a Presidência. E tem razão.

A lei eleitoral não vai mudar tão facilmente. Mas a Justiça Eleitoral poderia ter o bom senso de pôr em prática os Artigos 5º e 220 da Constituição, que asseguram a livre expressão e repudiam a censura. O brasileiro tem o direito de assistir a um debate político relevante, com quem tem o que dizer. Ora, por que as TVs e rádios, que são empresas privadas, estão obrigadas a garantir a todos o mesmo tempo se o horário eleitoral gratuito não está e é distribuído segundo o número de deputados de cada partido? A resposta é esta: porque o número de deputados indica também a densidade eleitoral das legendas. Se é assim, por que a Globo ou a Jovem Pan são constrangidas por lei a garantir o mesmo tempo a quem tem e a quem não tem votos?

A interpretação que se dá a essa lei é contra o povo e a favor dos poderosos de turno, que jamais são confrontados como deveriam porque parte do tempo é ocupada por candidatos de si mesmos.

Por Reinaldo Azevedo

48% das TVs ligadas estavam no debate na TV Globo

Na Folha:
O clima tenso do debate entre os candidatos à Presidência da República promovido pela TV Globo na noite desta quinta-feira (2) se refletiu na audiência do canal. Com mediação de William Bonner, o evento ocupou quase 2h20 da grade da emissora e teve cinco blocos, nos quais os candidatos se interpelavam uns aos outros ora com temática livre ora com assuntos sorteados. A transmissão teve média de 20,9 pontos (cada ponto corresponde a 65 mil domicílios na Grande São Paulo), a maior entre os embates entre presidenciáveis neste ano. O número é alto para o horário em que foi exibido (das 22h51 à 1h17) e elevou a média da emissora em 8 pontos (ou 62%) com relação ao mesmo horário nas últimas quintas-feiras. O debate teve ainda 48% de share (participação no número de TVs ligadas). No horário, o SBT ficou em segundo lugar com 6,4 pontos e a Record em terceiro com 3,9 pontos.

Por Reinaldo Azevedo

Revelações vão “chocar o país”, diz Youssef

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
Durante muito tempo, o doleiro Alberto Youssef e o engenheiro Paulo Roberto Costa formaram uma dupla de sucesso nos subterrâneos do governo. Enquanto Paulo Roberto usava suas poderosas ligações com os altos escalões do poder e o cargo na diretoria de Abastecimento da Petrobras para desviar milhões dos cofres da estatal, Youssef encarregava-se de gerenciar a bilionária máquina de arrecadação que era usada para abastecer uma trinca de partidos e corromper políticos importantes. Paulo Roberto era o articulador, o cérebro da organização. Youssef, o caixa, o banco. Um apontava os caminhos para assaltar a estatal. O outro era o encarregado dos malabarismos contábeis para fazer o dinheiro chegar aos destinatários da maneira mais segura possível, sem deixar rastros. Em março deste ano, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava-Jato, que tinha o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, a dupla caiu na rede. O que ninguém imaginava — nem mesmo os policiais — é que, a partir das informações dadas pelos dois criminosos, uma monumental engrenagem de corrupção, talvez a maior de todos os tempos, começaria a ruir.

VEJA revelou que Paulo Roberto Costa, o primeiro a assinar o acordo de delação com a Justiça, entregou às autoridades o nome de mais de trinta políticos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, entre eles três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais, além de Antonio Palocci, o coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, que pediu 2 milhões de reais ao esquema. O ex-diretor forneceu o nome dos corruptos que se locupletavam do dinheiro desviado e das empreiteiras que contribuíam com a arrecadação da propina — um golpe já considerado letal na estrutura da organização criminosa. Se as revelações do ex-diretor — muitas ainda desconhecidas — já provocaram um cataclismo, o que está por vir promete um efeito ainda mais devastador. Alberto Youssef, o caixa, decidiu seguir o parceiro e contar o que sabe. E, nas palavras do próprio doleiro, o que ele sabe “vai chocar o país”.

Além de confirmar que o dinheiro desviado da Petrobras era usado para sustentar três dos principais partidos da base aliada — PT, PMDB e PP —, Youssef se colocou à disposição para fechar o elo da cadeia de corrupção, fornecendo as contas no exterior, as datas de remessa e os valores repassados a políticos e autoridades que ele tinha como clientes. Youssef disse às autoridades que, durante o tempo em que operou o banco da quadrilha, por quase uma década, tomou o cuidado de esconder em um local seguro documentos que mostram a origem e o destino das cifras bilionárias que movimentou. É o que ele garante ser a verdadeira contabilidade do crime — um inventário que está escondido em um cofre ainda longe do alcance das autoridades brasileiras. O acervo é tão completo que incluiria até os bilhetes das viagens que demonstrariam o que os investigadores já apelidaram de “money delivery”, o dinheiro entregue em domicílio.

Por Reinaldo Azevedo

 

A seita que transformou a Petrobras em usina de negociatas bilionárias submeteu os Correios ao controle de estafetas do PT

Em julho de 2005, ao aparecer entre os patrocinadores do esquema do mensalão, o Banco do Brasil abriu a lista de vítimas da trama concebida para subordinar a máquina estatal aos interesses do governo lulopetista, Em março de 2006, chegou a vez da Caixa Econômica Federal: a violação da conta do caseiro Francenildo Costa, testemunha de bandalheiras protagonizadas pelo ministro da Fazenda Antonio Palocci e seus comparsas, atestou que estupradores de sigilo bancário haviam assumido o comando da velha instituição.

No segundo mandato, Lula fez do BNDES o perdulário benfeitor de liberticidas africanos, vigaristas cucarachas, ditadores falidos e caloteiros que descumprem o combinado em todos os idiomas. Estendido à Petrobras, o aparelhamento que precede a decomposição administrativa e moral, anabolizado no governo de Dilma Rousseff, reduziu a maior das estatais, numa primeira etapa, a um viveiro de corruptos de estimação. Hoje a empresa lembra uma usina de negociatas bilionárias.

Nesta semana, o país constatou que os assaltantes do patrimônio nacional tomaram também os Correios. A instituição que até o começo do século figurou no ranking das 10 mais respeitadas do Brasil agora é governada por estafetas do PT e se presta a delinquências eleitoreiras. Os carteiros de antigamente foram rebaixados ao duplo papel de meninos de recado da companheirada e sabotadores dos candidatos adversários. Em Minas, por exemplo, só chega a seu destino a papelada que celebra as virtudes de Dilma e seus aliados. Destinatários do material remetido por Aécio Neves e outros tucanos nunca são encontrados.

O vídeo acima é uma prova do crime dividida em três momentos. Na abertura, o deputado estadual Durval Ângelo discursa ao lado do companheiro Wagner Pinheiro, presidente da instituição prostituída pela seita no poder. “Se hoje nós estamos em 40% em Minas Gerais”, confessa o orador, “tem o dedo forte dos petistas dos Correios”. Na cena seguinte, um suposto carteiro distribui material de campanha do PT. A sequência é encerrada pelo trecho da entrevista coletiva em que a presidente caça algum álibi que a liberte dos jornalistas em busca de esclarecimentos.

Olhar faiscando de cólera, expressão ainda mais apalermada, Dilma zanza no gramado procurando a saída que não há. “Nós estamos vivendo um momento eleitoral que fica uma situação um pouco nervosa”, gagueja em dilmês castiço. “Isso é um absurdo, pô!”, tenta encerrar o assunto que ainda está no primeiro ato. É mais que um absurdo: é outro crime que implora por castigo. No Brasil governado pelo clube dos cafajestes, essa bandidagem pode até dar voto. Em qualquer país civilizado, decerto daria impugnação e cadeia.

Na entrevista com gente que mente, a verdade nocauteia a presidente

Na entrevista concedida ao Bom Dia, Brasil, Dilma Rousseff inventou que a economia americana está ameaçada pela deflação ─ inflação abaixo de zero, um sintoma de recessão. Foi corrigida pela jornalista Miriam Leitão: neste ano, o índice inflacionário dos Estados Unidos ficará perto de 2%. Pouco depois, Miriam mencionou a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. “A PNAD não apura desemprego”, errou de novo a presidente, que em seguida afundou na gabolice: “Ninguém tem no mundo taxa de desemprego de 4,9%”. Aprendeu mais uma: inúmeros países registram índices iguais ou melhores que o recitado pela candidata à reeleição.

Reproduzido no áudio abaixo, um trecho do programa da TV Globoprova que o que Dilma diz é tão confiável quanto uma previsão de Guido Mantega. A certa altura, ela tentava provar que o país que governa está bem melhor que qualquer nação da Europa quando foi mais uma vez devolvida à realidade por Miriam Leitão:

─ A Alemanha cresce 1,5% e nós, 0,3%…

─ Não, a Alemanha não está crescendo 1,5% ─ retrucou Dilma. ─ A Alemanha está crescendo 0,8%.

Miriam estava certa. Por ignorância ou má fé, Dilma usou o índice do segundo trimestre para medir o crescimento anual da potência europeia.

Algumas frases adiante, perdeu a paciência com outra intervenção da jornalista:

─ Eu tenho de fazê a premissa pra chegá na (sic) conclusão.

─ A senhora fica muito tempo na premissa ─ replicou Miriam.

─ Pois é, mas a vida é complicada ─ devolveu a presidente grávida de irritação.

Complicada é a cabeça de quem mente mais do que respira.

 

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1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Hoje eu entendo porque alguém torturaria a Dilma para obter informações. Quando ela fala de livre e espontânea vontade, ou não dá para entender ou não dá para acreditar!

    ─ "Eu tenho de fazê a premissa pra chegá na (sic) conclusão".

    ─ A senhora fica muito tempo na premissa ─ replicou Miriam.

    ─ Pois é, mas a vida é complicada ─ devolveu a presidente grávida de irritação.

    Complicada é a cabeça de quem mente mais do que respira.

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