PT, PMDB, PSD e PP, juntos, perdem 35 deputados; bancada do PT terá 18 a menos...

Publicado em 07/10/2014 05:39 e atualizado em 07/10/2014 18:15 966 exibições
por Reinaldo Azevedo e Ricardo Setti, de veja.com

PT, PMDB, PSD e PP, juntos, perdem 35 deputados; bancada do PT terá 18 a menos

Os quatro maiores partidos governistas perderam deputados: não apenas elegeram agora menos do que em 2010 como verão minguar o atual número de parlamentares. Comecemos pelo maior deles, o PT: elegeu, em 2010, 88 e manteve esse número. No ano que vem, os petistas verão a sua bancada reduzida a 70. Dezoito deputados sumiram nas urnas. Atenção, é o menor número desde 1998, quando o partido era oposição e elegeu 59. Em 2010, fez 86; em 2006, 83; em 2002, 91.

Também o PMDB deu uma minguada: na eleição passada, fez uma bancada de 79 membros, estava com 71 e terá, a partir do ano que vem, 66. Em 2006, o partido elegeu 89, e, em 2002, 75.  Como se nota, terá o menor número de representantes na Câmara em 12 anos.

O PSD ainda não existia em 2010. Vai encerrar este ano com 45 deputados, mas elegeu apenas 37, uma queda de 18%. O PP fez 41 parlamentares em 2010 e mantém 40. Neste pleito, apenas 36.

No próximo post, publico um quadro completo com o número de parlamentares eleitos neste ano, a bancada eleita em 2010 e o número de deputados que tinha cada partido.

Por Reinaldo Azevedo

O Congresso que sai das urnas. Ou: Dilma ou Aécio fariam maiorias folgadas na Câmara e no Senado; a questão é saber para quê

Vamos ver que Congresso sai das urnas de 2014. O número de partidos com representação na Câmara saltou de 23 para 28. Estavam sem nomes na Casa PTN, agora com 4 deputados; PSDC e PTC, que passam a ter dois cada um, e PRTB e PSL, com um cada. O PT foi o partido que perdeu o maior número de deputados: 18. Mas não foi o único: encolheram ainda o PMDB (-5), o PSD (-8), o PP (-4), o DEM (-6), o Solidariedade (-7), o PROS (-9) e o PCdoB (-5). As novas legendas não foram assim tão bem-sucedidas na Câmara: o PSD passou de 45 para 37 deputados; o PROS, de 20 para 11, e o Solidariedade, de 22 para 15. Já o PRB, do autoproclamado bispo Edir Macedo, pode comemorar: saltou de 10 para 21.

Os partidos que disputaram a eleição coligados a Dilma Rousseff têm hoje 339 deputados e passarão a contar com apenas 304. Os que apoiaram o tucano Aécio Neves contam com 119 e passarão a ter 128. Os que apoiaram Marina Silva saltaram de 30 para 49. Nesse caso, o PSB passa de 24 para 34; o PPS, de 6 para 10, e o PHS, de nenhum para cinco. Vejam quadro geral.

Bancadas Câmara 1ª

Bancadas Câmara 2ºIsso é sinal de que Aécio Neves, se eleito, enfrentará dificuldades severas na Câmara? É claro que não! À base de 128 deputados, que pode ser considerada certa, há uma chance grande de se agregarem os 53 eleitos por partidos que apoiaram Marina, o que elevaria esse número, então, para 181. Não me parece que, caso o tucano se eleja, o PMDB ficaria na oposição. Ao contrário: Aécio já estabeleceu entendimento com a legenda em vários Estados. Certamente levaria para a base de apoio uma boa parcela dos 66 parlamentares da legenda — estamos falando de um potencial de 247 parlamentares.

O PP, com 36 deputados, chegou a flertar com a candidatura do PSDB, mas acabou vítima de um golpe da sua direção. Poderia perfeitamente migrar para a base de apoio. O potencial, então, já chega a 283. Certamente seria possível dialogar com os 8 do PV, os 12 do PSC, os 2 do PSDC e 1 do PRTB. Eis aí uma possibilidade clara de 306 deputados. E me digam uma boa razão para PSD, PR e PRB integrarem a oposição sistemática. Já estamos falando de um universo de 409 deputados. Não será impossível dialogar com o PDT — e se salta para 428. A oposição sistemática a um eventual presidente tucano viria mesmo dos 70 deputados do PT, dos 5 do PSOL e, talvez, mas não com tanta certeza, dos 10 do PC do B.

Mas que se note: não acho que Aécio, se eleito, deva repetir o erro da presidente Dilma de criar a maior base congressual da história do Ocidente. Isso não é necessário. É possível fazer negociações pontuais com os partidos a partir de propostas programáticas, sim. Afinal vocês sabem que a arte de vender e de se vender sempre depende da disposição de quem quer comprar. O que estou demonstrando aqui é que é bobagem a história de que, se eleito, Aécio poderia ter problemas no Congresso. Não teria.

Senado
Os partidos que apoiaram Dilma têm hoje 52 senadores e passarão a ter 53; os que apoiaram Aécio tem 22 e ficarão com 19. O PSB, no entanto, que esteve com Marina, saltou de 4 para sete. O PMDB e o PT perderam um senador cada um, passando, respetivamente, para 18 e 12 parlamentares. O PSDB caiu de 12 para 10, e o PTB, de 6 para 3. O PCdoB também murchou: tinha dois e contará com apenas 1. Além do PSB, ganharam parlamentares o PDT, de 6 para 8; o PSD, de 1 para 3, e o DEM, de 4 para 5. Vejam quadro.

Bancadas Senado

Dilma, se eleita, continua com uma base sólida. Mas Aécio também não teria grandes dificuldades para negociar. PT, PC do B e PSOL (14 parlamentares) certamente ficariam na oposição. Sobrariam 67 senadores para dialogar.

O que estou dizendo, meus caros, é que tanto Dilma como Aécio conseguiriam fazer maiorias folgadas no Congresso, inclusive para encaminhar reformar constitucionais. Boas reformas se o governo for bom; más reformas se o governo for mau.

Por Reinaldo Azevedo

Mercados reagem com euforia ao resultado das urnas. Espero que isso conduza a candidata Dilma à virtude, não ao vício

As pessoas podem divergir sem se demonizar mutuamente; podem dissentir sem que a defesa de um ponto de vista represente a eliminação do outro; sem que a política se transforme no exercício de um suposto “bem” contra um suposto “mal”. Na contramão de quase todas as previsões e de quase todas as expectativas; contrariando o que os institutos de pesquisa conseguiam ler da vontade do eleitor — e me parece que lhes faltam instrumentos, no momento, para interpretar os enigmas que a sociedade propõe —, o tucano Aécio Neves disputará o segundo turno das eleições presidenciais com Dilma Rousseff, do PT.

Os três candidatos fizeram neste domingo um pronunciamento sobre o resultado das eleições. Dois deles, basta ler o que disse cada um, foram serenos: Marina Silva, do PSB, e o próprio Aécio afirmaram que a sociedade sinalizou que quer mudanças. Dilma, que fala em nome da continuidade — e, dadas as leis que temos, é, pois, legal e legítimo —, infelizmente, enveredou justamente pelo caminho reprovável da satanização dos adversários. Para ela, o voto em seus oponentes significaria que o Brasil estaria marchando para trás. Assim, a gente entende que, para a candidata, o Brasil só avança rumo ao progresso se o PT for governo.

Não é uma boa leitura da realidade. E não que eu esperasse ou espere que Dilma reconheça as qualidades daqueles que a ela se opõem. Isso não é necessário. A presidente-candidata dispõe de instrumentos, no entanto, para tentar provar que suas propostas são melhores, sem que precise afirmar que os outros encarnam o desastre. De resto, em seu discurso de ontem, a petista foi a primeira a prometer que, se eleita, fará um governo novo, com ideias novas e pessoas novas. Logo, a gente tem de entender que ela também acredita que não é possível continuar com um governo velho, com ideias velhas e com pessoas velhas — não na idade, mas na mentalidade.

Nesta segunda, os mercados reagiram em quase êxtase ao resultado das urnas. Às 14h05, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subia 5,26%, a 57.407 pontos. Das ações do Ibovespa, 63 subiam, e apenas sete caíam. No mesmo horário, o dólar registrava desvalorização de cerca de 2% em relação ao real. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, perdia 2,31%, a R$ 2,416, enquanto o dólar comercial, usado no comércio exterior, tinha baixa de 1,82%, a R$ 2,419. Esses índices têm tradução: chama-se otimismo. Os tais “mercados” — que nada mais representam do que os humores de uma parcela considerável da sociedade que faz funcionar a máquina da economia — renovam suas esperanças de que Dilma perca as eleições. E a petista sabe disso, tanto é assim que já se manifestou a respeito e chamou essa reação de “ridícula”.

Seja como for, estamos lidando com um dado da realidade. Já disse aqui que o país não irá à bancarrota se Dilma vencer — aliás, ninguém está a dizer isso. E também é mentira que haverá um colapso na área social se a oposição ganhar. Ocorre que, infelizmente, o PT insiste nessa tecla, nessa pregação que é feita para assustar o eleitor, não para convencê-lo. O que a reação dos mercados evidencia é que a retomada do crescimento será retardada se Dilma vencer a disputa. Ela sabe disso. Em vez de demonizar o adversário, talvez a presidente precisasse fazer uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual se compromete a não agredir os fundamentos da boa governança por questões de política menor.

Se Aécio vencer a disputa, e isso também está dado pelos números do mercado, o país não precisará de “medidas amargas”, de “choque de tarifas”, de “ajuste fiscal draconiano”, nada isso. Essa conversa ou é terrorismo governista ou é tara de desocupados. E sabem por que tais medidas não serão necessárias, entre outras razões? Porque a retomada do crescimento será antecipada; porque os investidores internacionais e o empresariado nacional farão com mais celeridade a sua parte. Só querem estabilidade de regras, um governo que não maquie as contas e que não seja hostil à matemática.

Aliás, a presidente Dilma deveria recomendar à candidata Dilma que recusasse tanto o discurso terrorista como a campanha suja. Em qualquer das hipóteses, pouco importa quem vença a eleição, o Brasil tem amanhã, senhora Dilma Rousseff! Países não são como empresas; não fecham. Existirão sempre. O que muda para melhor ou para pior é qualidade de vida do povo.

Espero que a presidente Dilma diga ainda à candidata Dilma que a reação dos mercados nesta segunda-feira deve contribuir para levá-la ao caminho virtuoso do diálogo, não ao caminho vicioso do confronto.

Por Reinaldo Azevedo

Marina dá sinais de que pode apoiar Aécio, que acena para uma união; Dilma insiste no discurso do medo e já ensaia uma fala terrorista. Ou: Disputa do dia 26 será, sim, entre progressistas e reacionários

Os respectivos pronunciamentos feitos pelos três principais candidatos à Presidência da República refletem o que foi a campanha até aqui e os lances, vá lá, até certo ponto dramáticos destes últimos dois meses, mormente depois da queda do avião que conduzia Eduardo Campos, no dia 13 de agosto. Começo por aquele ao qual se deve dar mais atenção no momento. Marina Silva, candidata derrotada do PSB, leve como há muito tempo não se via, sorridente, com ar pacificado, acenou com o apoio ao tucano Aécio Neves. Reproduzo trecho de sua fala:

“Sabemos que o Brasil sinalizou que não concorda com o que está aí, e sabemos que uma boa parte do Brasil, desde 2010, vem dando sustentação a uma mudança que seja qualificada. A postura que eu tive quando não foi aceito registro da Rede pode ser uma tendência. Eu assumi um compromisso com a mudança indo apoiar o Eduardo Campos (…) O Brasil sinalizou que não concorda com esse projeto, que quer uma mudança qualificada, temos uma clareza do que representamos. Nós vamos fazer essa discussão, os partidos individualmente, e depois vamos dialogar, mas, estatisticamente, a sociedade mostra isso, não há de tergiversar com o sentimento de 60% dos eleitores”.

Ora, as palavras fazem sentido, não é mesmo? Marina, assim, deixa claro, com todas as letras, que tanto Aécio Neves, do PSDB, como ela própria representam a mudança. É cedo para dizer se ela vai dar um apoio formal ao candidato tucano, mas a sua fala parece apontar para isso. E que fique claro: na nova ou na antiga políticas, um apoio no segundo turno não implica, necessariamente, se comprometer com o futuro governo. Aliás, o primeiro turno de uma eleição pede o voto da convicção; o segundo, o da possibilidade. De resto, Marina não deve ignorar que a sua meteórica ascensão, logo depois de se fazer candidata, se deu com os votos daqueles que estavam interessados em apear o PT no poder. Parte deles voltou ou migrou para Aécio. Mas um mesmo sentimento une os dois eleitorados.

Aécio também fez um aceno à união, embora não tenha se referido diretamente a Marina Silva — e nem seria o caso. Disse: “A minha primeira constatação é que este sentimento de mudança amplamente presente no Brasil foi vitorioso no primeiro turno. Os candidatos de oposição somados foram vitoriosos, tiveram a maioria dos votos. E é isso que nós temos que buscar agora no segundo turno. Eu me sinto extremamente honrado em ser o representante desse sentimento nessas três semanas que nos separam da eleição”, afirmou.

O tucano mandou a mensagem também a Pernambuco, que votou esmagadoramente com Marina e elegeu um senador do PSB: “A ele [Eduardo Campos], aos seus ideais e aos seus sonhos também, a minha reverência. E nós saberemos transformá-los em realidade. Portanto, é hora de unirmos as forças. A minha candidatura não é mais a candidatura de um partido político ou de um conjunto de alianças. É um sentimento mais puro de todos os brasileiros que ainda têm capacidade de se indignar, mas principalmente a capacidade de sonhar”.

Aécio sabia bem, enquanto falava, que, mesmo no PSDB, ele chegou a ser, num dado momento, um dos poucos que ainda acreditavam. Não tergiversou em nenhum momento, não fraquejou, não desanimou. Enfrentou, sim, Marina Silva — afinal, havia uma única vaga em disputa no segundo turno, mas foi um confronto leal.

Dilma Rousseff, a presidente-candidata do PT, certamente surpresa — com o seu desempenho bem abaixo do que indicavam as pesquisas, e com o de Aécio bem acima —, foi a que transmitiu mais tensão no discurso, no tom e na aparência. Mesmo no que deveria ser uma fala de agradecimento, percebeu-se, mais uma vez, a pregação do medo. Disse: “O povo brasileiro não quer de volta o que nós podemos chamar de fantasmas do passado, que quebraram esse país três vezes, com juros que chegaram a 45%, desemprego massivo, arrocho salarial e jamais promoveram, quando tiveram a oportunidade, políticas de inclusão social e redução da desigualdade”.

Bem, o Brasil não quebrou três vezes; o aumento real de salário mínimo foi maior nos governos FHC do que no da própria Dilma, e o controle da inflação significou, com o Plano Real, uma das medidas mais efetivas em favor da inclusão social de que se têm notícia. Mas não me estenderei sobre isso agora. O que foi verdadeiramente notável no discurso da presidente foi a promessa de que ela fará um governo diferente. Insistiu muito que será uma gestão nova, com ideias novas e pessoas novas. Chegou a afirmar que entendeu o recado das urnas. Ou por outra: Dilma prometeu que, se reeleita, não dará continuidade ao governo… Dilma!

Já deu para sentir o que vem por aí. Aécio, com o possível apoio de Marina, tentará fazer uma disputa sobre o futuro do país, e Dilma insistirá em travar uma batalha de versões sobre o passado. O eleitor terá de optar entre os discursos progressista e reacionário.

Por Reinaldo Azevedo

 

Já começou: no Twitter, Dilma ataca e liga Aécio ao apagão… de 13 anos atrás

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

No dia seguinte ao primeiro turno das eleições, Dilma já partiu para o ataque contra Aécio (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Conta da presidente divulgou mensagens criticando o adversário tucano. O tom é o mesmo do discurso feito por ela na noite deste domingo

Por Gabriel Castro, de Brasília, para VEJA.com

Começou: a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) esperou poucas horas para iniciar os ataques ao seu adversário no segundo turno, Aécio Neves (PSDB). Depois de mencionar os “fantasmas do passado” em discurso na noite deste domingo, ela usou seu perfil no Twitter para criticar o tucano nesta segunda-feira.

Em uma sequência de oito mensagens, a petista começou prometendo ”ideias novas” – o que será a tônica do seu discurso no segundo turno – e criticou o governo Fernando Henrique Cardoso, encerrado há quase doze anos. “Vamos melhorar a economia, mas sem desempregar ou fazer arrocho salarial, como fez o governo do PSDB”, escreveu.

Em outra postagem, a presidente lembrou a crise energética de… 2001: “O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia”. Pelo formato dos tuítes e o horário em que eles foram publicados, as mensagens provavelmente não foram escritas por Dilma – que estava em reunião com seus coordenadores de campanha – e sim por sua assessoria.

Aécio responde a Dilma e diz que o que assusta são os fantasmas do presente

Por Daniela Lima e Gustavo Uribe, na Folha:
Na primeira agenda após passar para o segundo turno, o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, rebateu críticas feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) e disse esperar “uma campanha limpa”. Aécio falou sobre o assunto após reunião, em São Paulo, com o governador Geraldo Alckmin e o senador eleito José Serra. Ele disse que já se trata de um primeiro encontro para discutir o segundo turno. O tucano fez referência a uma fala da petista na noite desde domingo (5). Após o fim da apuração, ela disse que o país se lembraria dos ” fantasmas do passado na hora de decidir o voto.

Na fala, evocou polêmicas do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como o discurso em que ele criticou aposentadorias precoces dizendo que quem deixa de trabalhar antes dos 50 anos é “vagabundo”. Nesta segunda-feira (6), Aécio disse que ficou surpreso ao ver nos jornais a fala de Dilma. ” Me surpreende a candidata oficial falar de fantasmas do passado. Na verdade, os brasileiros estão preocupados com os monstros do presente: inflação alta, recessão e corrupção.” O tucano disse que, de sua parte, fara uma campanha limpa e que espera o mesmo de Dilma. “Respeitar o adversário é respeitar a democracia”, concluiu.

Marina
Aécio confirmou ter recebido um telefonema de Marina esta manhã, mas disse que aguarda o “tempo de cada um” para definições de apoio. O tucano disse ter falado com o governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), aliado de Eduardo Campos, para parabenizá-lo pela eleição. Câmara tende a defender voto em Aécio. O presidenciável disse ainda não ter conversado com a família de Campos. Para Aécio, é preciso ter cautela antes de anunciar qualquer apoio. Ele afirmou que vê mais “convergências” do que “divergências” entre seu plano e o de Marina. Aliados da pessebista dizem que um apoio dela ao tucano se daria em bases “programáticas”.

Por Reinaldo Azevedo

Rio: o risco de o estado ser capturado por uma estrutura que mistura religião, política e negócios

O Rio de Janeiro prova que a realidade pode ser ainda pior do que a expectativa e, como diria Camões em “Os Lusíadas”, que “o dano pode ser maior do que o perigo”.

Anthony Garotinho (PR), conforme o esperado, foi se desidratando ao longo da campanha, e a rejeição a seu pensamento e a seus métodos se encarregou de lhe dar o devido tamanho. Luiz Fernando Pezão (PMDB), atual governador, chega ao primeiro turno com 40,57% dos votos válidos. É mais do que lhe dava o Datafolha na reta final: 36%. Seu adversário será Marcelo Crivella (PRB), e o instituto previu que isso era possível: ele obteve 20,26% (o instituto lhe atribuía 22%). Garotinho, sim, ficou bem abaixo do que colheu a pesquisa: 19,73% contra 25%.

Pois é… Qual é o busílis? Esse Datafolha que errou e acertou afirmou, no sábado, que, num eventual segundo turno entre Pezão e Crivella, o candidato do PMDB marcaria 51% contra 49% do adversário — um empate técnico. Crivella tinha dois minutos no horário eleitoral contra quase 12 minutos de Pezão. Boa parte do eleitorado de Garotinho, como é presumível, tende, sim, a se deslocar para as hostes do sobrinho de Edir Macedo, o dono da Igreja Universal do Reino de Deus.

Todo cuidado é pouco! O Rio pode ser o primeiro estado a ser capturado por uma estrutura que mistura política, religião e negócios — fusão que a democracia deve repudiar.

Por favor, povo fluminense! Já houve senso de humor o bastante em fazer de Romário — e sua penca de processos — um senador da República. Reitero o meu convite para que, ao menos, ele passe a deixar em paz seus vizinhos, não é? Afinal, é agora um Varão de Plutarco da República!

Por Reinaldo Azevedo

De legenda criada para atender às demandas das massas urbanas, PT se transforma em partido de grotões e obtém seus melhores resultados onde prospera o medo

Vejam este mapa, em que o vermelho indica os Estados em que Dilma Rosseff (PT) venceu; o azul, aqueles em que o vitorioso foi Aécio, e os amarelinhos, os que Marina conquistou:

vitórias de candidatos estados

Votos de pessoas beneficiadas e não beneficiadas por políticas assistencialistas valem igualmente. Ainda bem! Assim deve ser numa democracia. Votos de pessoas mais sujeitas e menos sujeitas às chantagens oficiais valem igualmente. Ainda bem! Assim deve ser numa democracia. Votos de pessoas suscetíveis a pregações terroristas e não suscetíveis valem igualmente. Ainda bem! A democracia não tem de criar restrições para o livre exercício da escolha. Mas isso não nos impede de fazer um diagnóstico.

O PT já é o maior partido de grotões do Brasil democrático em qualquer tempo. Querem ver? Dilma venceu em 15 Estados: oito estão no Nordeste, quatro no Norte, dois no Sudeste e um no Sul. Essas três exceções parecem negar a tese, mas só a confirmam. Explico por quê. Em Minas, a petista teve 43,48%, não tão distante de Aécio Neves, com 39,75%; Marina obteve 14%. No Rio, a candidata do PT alcançou 35,62%, quase o mesmo tanto da peessebista, com 31,07%; o tucano chegou a 26,84%. Os gaúchos deram à presidente-candidata 43,21%, quase o mesmo tanto que ao senador mineiro: 41,42%. Vale dizer: a vantagem do petismo não é acachapante.

Onde é que Dilma, de fato, fez a diferença e arrancou a primeira colocação: em oito estados nordestinos — a exceção é Pernambuco — e nos quatro nortistas. Nesse grupo, pasmem, a sua menor marca foi Alagoas, com 49,95%, e a maior foi no Piauí, o segundo estado com os piores indicadores sociais do país: 70,6%. A segunda maior foi no Maranhão, com 69,56% — sim, é a unidade da federação socialmente mais perversa. Assim, os dois Estados que oferecem a pior qualidade de vida à sua população são os mais “dilmistas”. Atentem para o desempenho da petista nos demais, em ordem decrescente: Ceará: 68,3%; Bahia, 61,4%; Rio Grande do Norte, 60,06%; Paraíba, 55,61%; Sergipe, 54,93%; Amazonas, 54,53%; Pará, 53,18%, Amapá, 51,1% e Tocantins: 50,24%.

Aécio obteve a sua melhor marca em Santa Catarina, com 52,89% dos votos, seguido por Paraná, com 49,79%. O Mato Grosso vem em seguida, com 44,47%, e eis que surge São Paulo, com 44,22%. O Estado deu a Aécio 10.152.688 dos seus 34.897.196 votos — isso corresponde a 29% do total; quase um terço. Minas, até agora, está em falta com Aécio. São Paulo não! Azulou de vez. Vejam o mapa.

São Paulo azulou

O Distrito Federal, que conhece bem o PT porque governado pelo partido e porque muito próximo de Dilma, deu à presidente o seu menor percentual: só 23,02%; o segundo menor foi justamente o colhido em terras paulistas: 25,82%.

Dois mapas ajudam a comprovar o que aqui se diz. Vejam o que aconteceu na Bahia — nas áreas em vermelho, o PT venceu:

Bahia vermelha

Agora vejam Minas. Como se nota, é a “Minas Nordestina” — ou baiana — que vota majoritariamente com Dilma.

Minas Vermelha

Muito bem! Aonde quero chegar? É evidente que os petistas colhem hoje os seus melhores resultados nas regiões do país que são mais dependentes do Bolsa Família. Isso não quer dizer, é evidente, que o programa tenha de acabar. Quer dizer apenas que ele precisa existir não como instrumento de um partido, mas como uma política de estado. Não é segredo para ninguém que, pela terceira eleição consecutiva, o terrorismo correu solto nas áreas mais pobres do país: “Se a oposição ganhar, o Bolsa Família vai acabar”. Ora, não era exatamente esse o sentido da campanha eleitoral do PT quando se referia à independência do Banco Central por exemplo? Se vier, assegura-se por lá, haverá fome. É um disparate.

Eis aí mais uma impressionante ironia da história, não é? O PT, que nasceu para ser o partido das massas urbanas trabalhadoras, é hoje uma legenda que se enraíza nos grotões e que arranca a sua força do subdesenvolvimento minorado pela caridade de Estado transformada em moeda política. Há uma grande diferença entre ter o voto dos pobres e chantagear os pobres com o discurso do medo.

Por Reinaldo Azevedo

15 estados definem eleição no 1º turno; em 12, haverá 2º

PT – 3 estados
- Fernando Pimentel (MG)
- Rui Costa (BA)
- Wellington Dias (PI)

PMDB – 4 estados
- Paulo Hartung (ES)
- Renan Filho (AL)
- Marcelo Miranda (TO)

- Jackson Barreto (SE)

PSB – 2 estados
- Paulo Câmara (PE)
- Chico Rodrigues (RR)

PSDB – 2 estados
- Geraldo Alckmin (SP)
- Beto Richa (PR)

PDT – 2 estados
- Pedro Taques (MT)
- Waldez Goes (AP)

PSD – 1 Estado
- Raimundo Colombo (SC)

PCdoB – 1 Estado
- Flávio Dino (MA)

Estados onde haverá segundo turno e quem vai disputá-lo:
- Rio Grande do Sul: José Sartori (PMDB) X Tarso Genro (PT)
- Rio de Janeiro – Luiz Fernando Pezão (PMDB) X Marcelo Crivella (PRB)
- Paraíba – Cassio Cunha Lima (PSDB) X Ricardo Coutinho (PSB)
- Rio Grande do Norte – Henrique Alves (PMDB) X Robinson Faria (PSD)
- Ceará – Camilo Santana (PT) X Eunício Oliveira (PMDB)
- Distrito Federal – Rodrigo Rollemberg (PSB) X Jofram Frejat (PR)
- Mato Grosso do Sul – Delcídio Amaral (PT) X Reinaldo Azambuja (PSDB)
- Rondônia – Confúcio Moura (PMDB) X Expedito Jr. (PSDB)
- Amazonas – Eduardo Braga (PMDB) X José Melo (PROS)
- Goiás – Marconi Perillo (PSDB) X Iris Rezende (PMDB)
- Acre – Tião Viana (PT) X Marco Bittar (PSDB)
- Pará – Helder Barbalho (PMDB) X Simão Jatene (PSDB)

Vejam agora em quantos e em quais estados cada partido disputa o segundo turno:
PMDB – 8 Estados: RS, RJ, RN, RO, CE, GO, AM e PA

PSDB – 6 Estados: PB, MS, RO, GO, PA e AC

PT – 4 Estados : CE, RS, MS e AC

PSB – 2 Estados: PB e DF

PRB – 1 Estado: RJ

PR – 1 Estado: DF

PROS – 1 Estado: AM

PSD – 1 Estado – RN

Por Reinaldo Azevedo

 

LULOPETISMO EM BAIXA — Nova composição da Câmara mostra que partidos da coligação de Dilma perderam deputados. Os da coligação de Aécio, ganharam

(Foto: Câmara dos Deputados)

Nestas eleições, o PT perdeu 18 vagas na Câmara dos Deputados, enquanto o PSDB ganhou 11 (Foto: Câmara dos Deputados)

O desempenho do candidato tucano Aécio Neves no primeiro turno da eleição presidencial, além do abalo que provocou nas esperanças de o lulopetismo continuar no poder, causou um enorme estrago na chamada “base aliada” com a qual a presidente Dilma governa — a maçaroca de deputados de oito partidos que supostamente apoiam o Planalto em troca de cargos, nomeações e coisas do tipo.

O PT, que parecia se achar invencível com a arrogância e prepotência de seu chefe supremo, Lula, foi o partido que mais perdeu deputados — nada menos do que 18, fazendo sua bancada desabar dos atuais 88 parlamentares para 70.

E quem mais ganhou deputados? Pois foi justamente o PSDB de Aécio, cuja bancada subiu de 44 para 55 integrantes. No total, a “base aliada” perdeu 35 deputados e a coligação pró-Aécio ganhou 11.

Pertencer à “base aliada” não ajudou nas urnas

Vamos começar pelo pessoal do lulopetismo. Pertencer à coligação pró-Dilma parece ter significado uma maldição nas eleições para certos partidos, especialmente o PT e o PMDB. Vejam só como os partidos da “base aliada” da presidente apanharam nas urnas — dos 9 partidos, 6 tiveram perdas grandes e só três aumentaram suas bancadas, dois deles com acréscimo mínimo:

PT: tem 88, caiu para 70 deputados a partir de 2015.

PMDB: tem 71, caiu para 66.

PCdoB: foi de 15 para 9.

PDT: um dos dois que melhorou, indo de 18 para 19.

PP: mesmo com tendo os candidatos mais votados no Rio e no Rio Grande do Sul, desceu de 40 para 37.

PROS: partido biônico, inventado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, que saiu recolhendo deputados de outros partidos, mostrou pouca força nas urnas. Tinha 20 deputados arrebanhados de outras legendas, elegeu mesmo, no voto, apenas 11.

PR: o partido de Anthony Garotinho ostenta 32, irá para 34.

PSD: outro partido biônico, criado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que deixou a oposição no DEM para apoiar a presidente Dilma. Juntou meia centena de deputados, e agora tem 45; passado pelo crivo das urnas, caiu para 38.

PRB: este cresceu de 10 para 20 deputados, mas única e exclusivamente pela espetacular votação obtida em São Paulo pelo ex-candidato a prefeito em 2012 Celso Russomano, que, com 1.524.361 votos, tornou-se o deputado mais votado da história da Câmara.

Os aliados de Aécio

No caso dos partidos que apoiaram o tucano Aécio Neves, o panorama é muito diferente. Vejam só:

PSDB: dos atuais 44 deputados, terá 55 em 2015.

PTB: pulou dos 18 de que dispõe para 26.

PTC: está sem nenhum, elegeu 2.

DEM: diminuiu de 28 para 22.

PTN: sem nenhum, emplacou 3.

SD: partido biônico inventado pelo ex-sindicalista Paulinho da Força, juntou 22 parlamentares, só elegeu 15.

PEN: conta com 1 deputado, elegeu 3.

PMN: manteve os 3 que integram sua pequena bancada.

PTdoB: caiu dos atuais 3 para 1.

(por Ricardo Setti)

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blogs de veja.com

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