Kátia Abreu está certa: agricultura é ofício de homens livres, não do socialismo. Mas qual candidato defende isso, senadora?

Publicado em 11/10/2014 20:10 e atualizado em 14/10/2014 06:17 2944 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com

Kátia Abreu está certa: agricultura é ofício de homens livres, não do socialismo. Mas qual candidato defende isso, senadora?

Kátia Abreu e Dilma: uma união pra lá de estranha…

Em sua coluna de sábado na Folha, a senadora Kátia Abreu explicou minuciosamente o funcionamento da agricultura em nosso país, com todas as incertezas e riscos envolvidos nas decisões de milhares ou mesmo milhões de produtores. Por mais avanços tecnológicos obtidos, o fato inexorável é que esse setor continua dependente do clima, de golpes do acaso que a ciência ainda não pode controlar. Não é atividade simples.

Por isso mesmo os produtores clamam para que a sociedade e o Estado não acrescentem novas incertezas, além daquelas que provêm da natureza e dos mercados. O que os agricultores e pecuaristas esperam do governo é segurança jurídica, garantia da propriedade e liberdade para produzir e vender. Como exemplo contrário disso, a senadora cita o caso da Argentina, cuja intervenção estatal “está minando uma das mais ricas e poderosas agriculturas do planeta”.

A senadora conclui: “E aqui no Brasil, há ainda quem aceite o capitalismo na indústria e nas finanças. mas sonhe com uma agricultura socialista. Se a história é boa conselheira, ninguém deve se esquecer de que a agricultura é ofício de homens livres”. Irretocável. Perfeito. Digno de efusivos aplausos. Mas…

Resta perguntar: senadora, qual dos dois candidatos que disputam a presidência estariam mais próximos da defesa dessa liberdade no agronegócio? Qual deles tem, por exemplo, afinidade ideológica com o MST, que representa justamente um obstáculo àquela segurança e garantia da propriedade? Qual tem, inclusive, apreço pelo modelo argentino, que a senhora aponta, corretamente, como um fracasso capaz de estragar até mesmo um setor com ampla tradição e vantagem comparativa no país vizinho?

Pois é, senadora, tanto a senhora como eu sabemos que é Aécio Neves quem melhor representa a defesa dessa liberdade necessária para a atividade no campo. Dilma e seu PT representam o oposto, os “movimentos sociais” que aterrorizam os produtores rurais, um grau de intervenção estatal que acrescenta inúmeras incertezas aos fazendeiros. Portanto, tenho dificuldade em compreender qual Kátia Abreu devo levar em consideração: a que escreve esses ótimos artigos, ou aquela que pede voto para a petista Dilma. Pode me ajudar?

Rodrigo Constantino

Recortes de jornal: é hora de mudança!

A leitura da Folha ficou para o fim do dia neste domingo, pois peguei a estrada de manhã e não tive tempo de terminar todos os jornais. Abaixo, alguns recortes de quatro autores diferentes, todos clamando de uma forma ou de outra pelo mesmo fim: mudança! Comecemos com Ferreira Gullar, o poeta que acaba de se tornar “imortal”:

Nestes últimos meses, os escândalos envolvendo a Petrobras e membros do governo (do PT e de aliados) deixavam claro que a corrupção, já denunciada a propósito da compra da refinaria de Pasadena, era um fato.

As denúncias feitas por Paulo Roberto Costa ganhavam credibilidade, tanto assim que os responsáveis pela apuração dessas denúncias lhe permitiram deixar a prisão e vir cumprir a pena em casa.

[...]

Se mais de 70% dos brasileiros querem mudança, por que mais de 40% votariam nela, ou seja, na continuidade do que aí está? Fora isso, a economia do país não cresce e a inflação aumenta. A preferência por Dilma era um mistério.

[...]

O resultado das urnas mostrou que a maioria do eleitorado, dividido entre Aécio e Marina, supera a votação em Dilma. A vitória da oposição, para espanto geral —especialmente dos petistas—, tornou-se viável.

É um espanto por dia e de tal modo que os comentaristas temem arriscar qualquer previsão. Qual é a razão de tantas surpresas? Talvez seja porque vivemos um período caracterizado pelo fim das ideologias.

Mas cabe aqui ressaltar um fato: o desempenho de Aécio Neves que, contra todas as previsões, enfrentou a queda nas pesquisas, a descrença de muitos e conseguiu dar a volta por cima.

Ele se mostrou realmente capaz de nos ajudar a sair do atoleiro. 

Em seguida, o respeitado jurista Ives Gandra Martins expõe sua irritação com o governo Dilma:

Começo pela corrupção. Não é verdade que, graças a ela, os oito anos de assalto à maior empresa do Brasil, estão sendo rigorosamente investigados. Se quisesse mesmo fazê-lo, teria apoiado a CPI para apurar os fantásticos desvios, no Congresso Nacional.

A investigação se deve à independência e à qualidade da Polícia e do Ministério Público federais que agem com autonomia e não prestam vênia aos detentores do poder. Nem é verdade que demitiu o principal diretor envolvido. Este, ao pedir demissão, recebeu alcandorados elogios pelos serviços prestados!

Por outro lado, não é verdade que a economia vai bem. Vai muito mal. Os recordes sucessivos de baixo crescimento, culminando, em 2014, com um PIB previsto em 0,3% pelo FMI, demonstram que seu ministro da Fazenda especializou-se em nunca acertar prognósticos.

[...]

O mais curioso é que o Plano Real, que tanto foi combatido por Lula e pelo PT, é o que ainda dá alguma sustentação à Presidência.

[...]

Seu principal eleitor (o programa Bolsa Família) consome apenas 3% da receita tributária. Os 97% restantes são desperdiçados entre 22 mil cargos comissionados, 39 ministérios, obras superfaturadas, na visão do Tribunal de Contas da União, e incompletas.

Tenho, pois, como cidadão que elogiou Sua Senhoria, no início –para mim Sua Excelência é o cidadão, a quem a presidente deve servir–, o direito de, no fim de seu governo, mostrar a minha profunda decepção com o desastre econômico que gerou e que me preocupa ainda mais, por culpar os que criam riqueza e empregos em discurso que pretende, no estilo marxista, promover o conflito entre ricos e pobres.

Em terceiro lugar, temos o economista Samuel Pessôa criticando a retórica mentirosa do PT, da qual ele mesmo foi vítima recentemente:

Com o início da campanha do segundo turno na quinta-feira, o programa eleitoral da presidente Dilma Rousseff apresentou diversas manchetes de jornais com vários dados referentes à década de 90 e outros referentes à década de 2000. Há nesta estratégia uma série de truques de retórica.

[...]

Inúmeras melhoras ocorridas na sociedade brasileira nos últimos 30 anos são avanços vegetativos associados à evolução natural da sociedade. Boa parcela da queda da desigualdade na última década segue da melhora educacional –que tem ocorrido desde os anos 40, com forte aceleração em seguida à redemocratização– em associação ao fim de nossa transição demográfica. Pela primeira vez somos uma sociedade com escassez de trabalho. Nada disto deve-se ao PT no governo.

[...]

O segundo truque retórico é a descontextualização da informação. Por exemplo, a dívida pública no governo FHC cresceu. O que não se fala é que mais da metade do crescimento da dívida pública no período resultou da assunção de dívidas passadas que não estavam contabilizadas. 

[...]

O arsenal retórico do PT pode ajudar a reeleger Dilma. Em nada ajuda a evolução da sociedade. 

Por fim, temos a coluna de Henrique Meirelles, que precisa ser mais sutil e caminhar apenas pelo campo das ideias, sem atacar diretamente a presidente Dilma, pois foi, afinal de contas, presidente do Banco Central do governo Lula. Diz ele:

O Brasil está entre os que sofreram maior revisão de crescimento pelo FMI, de 1,3% para 0,3%. E há ainda os países que enfrentam recessão, como a Argentina.

[...]

É preciso buscar caminhos para reverter esse processo. No Brasil, eles passam pelo aumento da confiança para a retomada dos investimentos em produtividade no setor industrial e de serviços para atender ao grande mercado de consumo interno. Passam pela educação, fator crítico no aumento da produtividade. E passam também pelos investimentos em infraestrutura, para atender à demanda criada pela expansão econômica dos últimos anos –um problema (infraestrutura congestionada) que é parte importante da solução (a demanda que viabiliza os investimentos).

[...]

Como a história mostra, essa reedição de expedientes do passado, dando poder a burocratas para tomar decisões arbitrárias no funcionamento das empresas, tende a desorganizar ainda mais a economia e criar novas distorções.

Já países que adotaram políticas de desenvolvimento de longo prazo baseadas em educação, produtividade e competitividade do setor privado, como Coreia do Sul, Cingapura e, anteriormente, o Japão, adquiriram em poucas décadas padrões de crescimento, renda e poder econômico similares aos dos países desenvolvidos.

Ao demandar um foco no longo prazo e atacar o voluntarismo e o intervencionismo arbitrário da Argentina, cujo modelo é defendido pela presidente Dilma, Meirelles claramente está defendendo mudanças importantes no país.

É o que todos desejam. Ninguém aguenta mais o modelo atual, a corrupção em escala industrial, a inflação fora de controle, a economia estagnada, o autoritarismo arrogante, a miopia que foca apenas nas próximas eleições. Enfim, ninguém aguenta mais o PT! É hora de mudança.

Rodrigo Constantino

Erros seriais mostram que é hora de mudar

Ou o Brasil se livra de Dilma, ou Dilma vai destruir o Brasil

Dois artigos publicados hoje no GLOBO explicam bem os motivos pelos quais o país necessita de mudança na área econômica. Um deles é de Fabio Giambiagi, o outro de Raul Velloso. O de Giambiagi lista alguns dos principais erros seriais cometidos pelo governo Dilma, que focou no estímulo ao consumo como se não houvesse amanhã. Mas chegou a hora de pagar pelos equívocos de ontem.

O economista menciona o estímulo do governo ao consumo de energia em um país com escassez de energia, com reservatórios ameaçados, e ainda lembra da redução arbitrária de tarifas, o que espanta investimentos. Depois cita o o estímulo ao consumo em um país com baixa poupança, o que forçou uma queda na taxa de investimentos. Acrescenta, ainda, o aumento do salário real sem contrapartida na produtividade, o que prejudica sobremaneira nossa competitividade. E conclui:

A lista de erros é longa. E a mãe de todos os erros é a concepção de Estado benfeitor, sintetizada pelo grande regente desse processo, o ex-presidente Lula, que, em 2006, conforme citado na época no blog do jornalista Ricardo Noblat, declarou no dia 24/11 que “o Brasil já fez todos os sacrifícios que tinha que fazer. Pois bem, eu acho que agora o povo brasileiro precisa começar a colher um pouco de benefício do Estado brasileiro”. A um Estado na época já inchado, adicionamos ainda mais despesas. O resultado não poderia ser outro. Como sempre, as consequências vieram depois. Nossa pobre competitividade é fruto desses equívocos.

Já Raul Velloso usa como fio da meada o debate entre Arminio Fraga e Guido Mantega na GloboNews para mostrar como o governo se nega a enxergar a dura realidade a qual ajudou a implantar no Brasil. Quando Dilma e Mantega apontam para a “crise internacional” como desculpa para nosso baixo crescimento e elevada inflação, estão em busca de um bode expiatório: os nossos vizinhos crescem bem mais com menos inflação.

Na raiz dos problemas estaria justamente o estímulo ao consumo pelo governo, feito de forma populista e irresponsável. Velloso converge para a explicação de Giambiagi, que no fundo se trata de uma unanimidade entre os economistas sérios e independentes. Diz ele:

Na verdade, o motivo é simples, mas o governo parece desconhecê-lo. Quando se joga tanta lenha da fogueira do consumo, uma hora os salários sobem no setor de serviços, que não tem concorrentes externos. Esses salários mais altos a indústria não consegue pagar, pois lá há forte competição das importações, com preços em dólar tendendo a cair pelo efeito China etc. Num mundo inundado em dólares, o câmbio cai ainda mais e torna os preços industriais menos capazes, ainda, de absorver aumentos de custos. Daí o encolhimento da indústria e a fuga de investidores. Mantendo a política pró-consumo, também esgotada por outros motivos, o governo dá um tiro no próprio pé.

Outros fatores são apontados, como o baixo investimento do setor público e a demora em se realizar leilões de concessão para a infraestrutura por motivos ideológicos. Com tudo isso, o quadro fiscal vai se deteriorando a cada dia, criando uma bola de neve que vai estourar a qualquer momento. Velloso conclui:

Assim, uma gigantesca crise fiscal nos espreita, e pode levar à perda do “grau de investimento” nas agências internacionais de risco, e depois à crise cambial, à subida das taxas de juros, e a uma maior queda do PIB e, aí sim, do emprego. Só um governo crível e comprometido com a mudança desse quadro todo evitaria o pior.

Não há como discordar. O que está em jogo nessa eleição é evitar ou não um trágico destino econômico. Mais quatro anos desse modelo atual poderão ser fatais para o país, destruindo todas as conquistas de antes. Como lembra Giambiagi, citando outro pensador, o subdesenvolvimento não se improvisa: é obra de séculos. Construir é muito difícil, leva tempo, dedicação, humildade. Destruir é fácil, rápido. Dilma está destruindo tudo aquilo que levamos duas décadas para construir. É hora de mudar!

Rodrigo Constantino

Concessões indevidas: Miriam Leitão ainda não entendeu a natureza do PT

Em sua coluna de hoje, a jornalista Miriam Leitão critica as ofensas sem sentido que o PT faz ao PSDB, alegando que não se trata de um partido reacionário de um lado contra um progressista do outro. Ela acerta parcialmente. Sem dúvida o PSDB não é um partido reacionário, e a “ofensa” petista é claramente sem sentido; mas erra feio ao jogar ambos no mesmo saco da social-democracia, ignorando qual a natureza do PT. Diz ela:

Não haveria política social que funcionasse sem a vitória sobre a hiperinflação, e ela foi derrotada por economistas que são do PSDB ou que se identificam com o partido. O salário mínimo começou a se recuperar a partir da estabilização; os programas de transferência de renda foram possíveis por causa do real. As políticas sociais do PT têm méritos, mas o debate eleitoral criou uma dicotomia inexistente.

Aqui já vemos a primeira concessão indevida. É fato que não haveria política social sem o controle da inflação, possível mediante o Plano Real dos tucanos, que o PT condenou à época. Basta ver a reportagem ao lado de sua coluna no GLOBO, mostrando como a França de um socialista está tendo de cortar vários benefícios sociais e discutir horas trabalhadas, indo contra a pressão sindical, pois faltam recursos uma vez que as contas públicas explodiram. Sem responsabilidade fiscal não dá para fazer política social de longo prazo.

Mas Miriam já apela para algo que não existe: os méritos das políticas sociais do PT. Quais? O que o PT fez foi o mesmo que outros governos bolivarianos, em uma época na qual o contexto internacional permitiu que muita verba pública fosse distribuída. Sobrava recurso e o governo abriu as comportas, comprando muito apoio com isso em uma política sem estratégia de saída e sem ser institucionalizada no estado, justamente para fazer o terrorismo eleitoral que hoje vemos. Méritos? Ela continua:

Não há os reacionários ortodoxos de um lado e os desenvolvimentistas de esquerda do outro. Temos no cenário político dois partidos da social-democracia com diferenças importantes nas escolhas econômicas, mas com simbioses e complementariedade em outros pontos.Não há conflito entre política fiscal controlada e recuperação da renda das pessoas. Ao contrário. É o descontrole fiscal que leva à inflação, o mal que corrói a renda. No primeiro ano do governo do PT, em 2003 o ministro Antonio Palocci fez uma política fiscal contracionista, elevando o superávit primário, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, subiu os juros. Fizeram por ortodoxia ou por necessidade?

O PSDB sem dúvida não é reacionário, mas o PT é desenvolvimentista de esquerda sim, especialmente sob Dilma. O caso de Palocci e Meirelles mostra justamente que o primeiro mandato de Lula foi mais responsável na economia, pois ele soube preservar conquistas tucanas. Mas o PT foi gradualmente abandonando essa postura e mostrando sua verdadeira face, aquela da Unicamp. Deu nisso, como a própria jornalista reconhece:

O que houve neste governo na economia está nos números divulgados pelos próprios órgãos oficiais, IBGE, Banco Central, Tesouro: o governo cumpriu 1% da meta fiscal do ano em oito meses, a inflação estourou o teto da meta, o crescimento do PIB desapareceu, a balança comercial está deficitária, e o rombo externo, das transações correntes, chega a US$ 80 bilhões. O país está numa situação precária e terá que passar por um novo ajuste no início do próximo governo. Caso contrário, quem vencer as eleições perderá a chance de fazer o país crescer nos seus quatro anos de mandato. Não será possível retomar o crescimento sem um novo ajuste, que se tornou obrigatório após os erros cometidos pela atual política.

A irracionalidade do debate e as manipulações dos números e fatos exasperam quem acompanha a economia brasileira há tantos anos e sabe o contexto de cada dado e momento. O desemprego baixo é uma excelente notícia, mas suas bases vêm sendo corroídas pelos desajustes fiscais e monetários que este governo permitiu. O emprego na indústria já está em queda há cinco meses, mostrou o IBGE na sexta-feira.

Sim, é um debate irracional, como vimos no próprio debate mediado por Miriam Leitão entre Guido Mantega e Arminio Fraga. O PT se nega a enxergar a realidade e prefere culpar fatores externos por todos os males que produziu com suas medidas equivocadas. Mas eis o ponto: o PT sempre foi assim, sempre apelou para as mentiras como método de campanha pelo poder. Miriam fica exasperada com razão, mas não deveria ficar surpresa: o PT é e sempre foi assim!

Será que ela acha que os tucanos usariam gente dentro do governo para mexer em sua biografia na Wikipedia? Será que pensa que o PSDB adotaria o mesmo discurso autoritário de controle da imprensa? Será que julga que os tucanos teriam a mesma política externa, de se aliar aos piores ditadores e sacrificar o próprio interesse nacional nesse processo nefasto?

“Há diferenças entre os dois partidos, mas não é a luta entre reacionários e progressistas. Há uma crise séria, produzida aqui dentro, que o governo, ocupado em agredir a oposição, ainda não disse como enfrentará”, conclui a jornalista. Há diferenças essenciais entre ambos, e não é a luta entre reacionários e progressistas, e sim entre uma social-democracia mais esclarecida e democrática e uma esquerda retrógrada, autoritária, desenvolvimentista, que tem levado nosso país na direção dos demais companheiros bolivarianos. Por que fazer tantas concessões a um partido com tal natureza antidemocrática?

Rodrigo Constantino

Dilma Youssef e Desgraça Foster?

As duas responsáveis, em última instância, pelo que ocorre na Petrobras.

A campanha de Dilma no programa de TV hoje mostrou como a “presidenta” pretende combater a corrupção em nosso país com novas leis mais rigorosas e com a “mãe de todas as reformas”, a política. Quer enganar o sujeito desatento, como se a culpa por tanto escândalo fosse o “sistema” e como se o PT não estivesse no poder há 12 anos!

De forma dissimulada, Dilma disse que quer investigação sobre a Petrobras, mas “sem manipulação política”. A petista e candidata à reeleição disse considerar “estarrecedora” a divulgação do conteúdo do depoimento dos principais alvos da Operação Lava Jato durante a campanha eleitoral.

“Para o Brasil é muito importante, para que de fato a gente combata a corrupção, que não se use isso de forma leviana em períodos eleitorais, de forma incompleta”, disse. Entendo o desespero. O relato de que havia uma quadrilha dentro da Petrobras para desviar recursos desde 2005, e isso contado por dois membros da quadrilha, é mesmo de tirar o sono da presidente.

Mas leviano seria ignorar o caso, isso sim! Leviano e irresponsável seria fingir que nada aconteceu só por causa das eleições, como se essa roubalheira toda não fosse crucial na hora de escolher em quem votar. Afinal, o tesoureiro do PT estaria envolvido até o pescoço no esquema, segundo os dois delatores, e o partido seria o maior destino dos recursos desviados.

Dilma apela para o mito de que todos esses escândalos vêm à tona pois nunca se investigou tanto, e não por que nunca antes na história deste país houve tanta corrupção. É uma piada de mau gosto, que serve para ocultar outro fato incômodo: o PT protege seus corruptos. Foi assim no mensalão, é assim agora.

Em qualquer empresa privada ou em qualquer estatal de país desenvolvido, por exemplo, a presidente Graça Foster seria sumariamente demitida por justa causa. Ainda que não esteja envolvida diretamente no esquema – mas há indícios de que passou imóveis para seus filhos para proteger seu patrimônio – era a responsável pela empresa, como CEO.

Uma quadrilha se aloja embaixo de suas “barbas”, desvia bilhões de reais, e nada? Por onde anda Graça Foster? De férias? De licença? Então é assim que o PT lida com o maior esquema de corrupção já visto na estatal? Afastando dos holofotes e protegendo a presidente da empresa, ligada ao PT por toda a vida? Não há responsabilidade?

A reação do PT e da presidente Dilma demonstra que seu intuito verdadeiro não é investigar coisa alguma, e sim jogar para baixo do tapete toda a sujeirada – e é sujeira até não acabar mais. Quem lembra de Graça Foster afirmando que não sobraria “pedra sobre pedra” nas investigações da Petrobras?

O que sabemos até agora não vem de investigação alguma da estatal, e sim da delação premiada de dois bandidos ligados ao PT no esquema, os quais a presidente Dilma gostaria de silenciar se possível, ao menos até acabar a eleição. Diante disso tudo, não custa perguntar: posso chamá-las de Dilma Youssef e Desgraça Foster logo de uma vez?

Rodrigo Constantino

Corrupção

Dilma fala em golpe, mas o verdadeiro golpe foi do PT

É impressionante! Dois participantes do maior esquema de corrupção que se tem notícia na história deste país entregam vários detalhes sobre como os recursos eram desviados da Petrobras para os cofres do PT, o tesoureiro do partido estaria envolvido até o pescoço, e tudo que a presidente Dilma consegue fazer é atacar… a divulgação dessas informações!

Dilma não se mostra por um só segundo preocupada ou chocada com as denúncias em si, que são de fazer a República tremer. Não cobra explicações do tesoureiro de seu próprio partido. Não demite a presidente da estatal, no mínimo extremamente omissa diante desta máfia montada dentro da empresa. Prefere acusar a imprensa e a Justiça que divulgam as informações dos delatores da quadrilha. A presidente ficou estarrecida não com o conteúdo das denúncias, mas com seu vazamento. E ainda chama isso de “golpe”!

Golpe é o que o PT fez com a estatal. A postura reativa de Dilma mostra bem como é o modus operandi petista. Não liga a mínima para o desmonte da Petrobras. Só quer saber das eleições, nada mais. É tudo pelo poder. Dilma, agindo assim, mostra-se negligente ou mesmo cúmplice dos safados que montaram um gigantesco duto para drenar recursos públicos.

Aécio Neves foi direto ao ponto:

Aecio

Dilma deve muitas explicações ao povo brasileiro. Não dá mais para ser tão passiva diante de escândalos de corrupção de magnitude jamais vista antes. O brasileiro quer que tudo isso seja investigado a fundo. Ficou claro que, com Dilma, isso nunca vai acontecer…

Rodrigo Constantino

 

Uma equipe econômica de primeira. Ou: Barcelona ou Várzea?

Fonte: GLOBO

Certa vez eu disse, em tom jocoso, que a diferença entre Guido Mantega e Arminio Fraga é que o primeiro eu não contrataria nem como estagiário, e o segundo eu me esforçaria para conseguir uma vaga como seu estagiário. Brincadeiras à parte, o fato é que a equipe econômica do governo Dilma precisa melhorar muito para ser apenas péssima, enquanto Arminio é tido por todos como um economista extremamente gabaritado e competente.

Entendo que não é nada difícil substituir a turma da Unicamp e melhorar, com isso, a situação econômica do país. Afinal, estamos falando de gente que resolveu mudar a “matriz econômica” e, assim fazendo, trouxe o país a essa situação de estagflação, enquanto os demais países emergentes crescem muito mais com muito menos inflação. Até eu consigo montar um time às pressas e fazer muito melhor!

Mas mesmo assim acho alvissareiro tomar conhecimento dos potenciais nomes da eventual equipe econômica de Aécio Neves, cujo ministro da Fazenda seria o próprio Arminio. Nove nomes já foram ventilados como prováveis membros da equipe, e conheço todos de artigos e entrevistas:

Além de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, são tidos como nomes prontos para apoiá-lo num possível governo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); o pesquisador Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV); Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e hoje forte crítico da política econômica, como vice-presidente do Insper; e Eduardo Loyo, diretor e economista-chefe do Banco UBS Pactual.

O time de Aécio Neves — formado por pessoas que mantêm algum tipo de vínculo com a campanha presidencial do PSDB ou que foram ligadas ao governo tucano vigente até o fim de 2002 — reúne ainda os idealizadores do Plano Real, como os economistas Edmar Bacha e Pérsio Arida, que também foi presidente do Banco Central.

Da equipe participaria, ainda, Monica de Bolle, sócia da Galanto Consultoria e integrante da Casa das Garças — o instituto de pesquisas econômicas que é reduto dos economistas tucanos. Especula-se que Bacha, Arida e Gustavo Franco, outro que ajudou a montar o Plano Real, poderiam ser consultores informais do governo, em caso de vitória de Aécio.

São pessoas da maior competência, e por mais que pesem diferenças ideológicas – sou mais liberal do que todos – é inegável que se trata de uma equipe e tanto. Tenho o maior respeito pelo trabalho de cada um deles, pelos artigos e análises que acompanho sobre o cenário econômico do Brasil e do mundo, e tenho convicção de que seria um choque de gestão monumental.

Só de trocar Mantega por Arminio e Tombini por Loyo, o Brasil já teria um resgate imenso de credibilidade, os investimentos retornariam, e a economia poderia crescer bem mais com uma inflação mais comportada. Eis o que se apresenta para os eleitores no próximo dia 26: você prefere o time do Barcelona ou quer jogar com o time de Várzea?

Rodrigo Constantino

 

Diante das críticas do FMI, Mantega prefere atirar no mensageiro: tão realista quanto Dali

Mantega. Fonte: GLOBO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou o desempenho da economia brasileira e disse que ele é fruto de problemas domésticos. Constatou que o Brasil está ficando para trás, que precisa de reformas para resgatar a credibilidade e dissipar as incertezas, e previu que nosso governo não irá cumprir o superávit fiscal, o que deveria fazer.

O FMI demorou muito para constatar tamanha obviedade, e ainda não atualizou a previsão de “crescimento” para patamares mais realistas. Esse ano nossa economia não deve crescer nada. Diante disso, o que o ministro Guido Mantega faz? Atira no mensageiro!

Mantega resolveu rebater as críticas do FMI, acusou suas análises de “contraditórias” e disse que o fundo deveria ser mais “cauteloso” ao divulgar previsões em fase de recuperação de nossa economia – algo que só o sábio Mantega enxerga, como aqueles capazes de ver a roupa invisível do rei no conto do dinamarquês Hans Christian Andersen.

Para o ministro de Dilma, o FMI não deveria adicionar “incertezas” no cenário atual. Estranho: poderia jurar que as incertezas todas tivessem sido adicionadas pelo próprio governo, ao apelar para contabilidade criativa, gastos públicos crescentes, Banco Central negligente, BNDES irresponsável, intervenção cambial, represamento de preços, redução arbitrária de juros e tarifas, etc. A lista é longa.

Para Mantega, uma fotografia da realidade!

O país defenderá que o cenário externo teve grande papel na desaceleração econômica, assim como fatores atípicos, como períodos de seca pior do que a antecipada. O texto, assinado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, contém outras críticas à instituição, que o governo considera muito pessimista e injusto com o país, e pede que o FMI seja mais “realista”.

Sejamos realistas: Chile, Peru, Colômbia, México, todos crescem bem mais do que o Brasil, e com inflação muito menor. Culpa do cenário internacional? Da seca? Para Mantega, o Brasil é “um dos países emergentes mais sólidos”. Tanto quanto uma espuma é mais sólida do que um bloco de concreto! O governo Dilma fala em medidas anticíclicas desde que assumiu: pelo visto, esse ciclo só tem uma direção. O “realismo” de Mantega é mais surrealista do que os quadros de Dali!

Realmente, como já disse Aécio Neves, seria fantástico poder viver no país da propaganda do PT…

Rodrigo Constantino

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Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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8 comentários

  • Antonio Nascimento campo mourão - PR

    No ato publico em Brasilia no nosso grande abraço no planalto a Dona Katia conquistou o tapete vermelho, fomos boiada conduzida . Temos q nos unirmos e cobrar um atualizaçao de acordo com nossa necessidade dessas federações : votar, sermos mais parcipativos, é contra a constituição ? leis podem ser mudadas, melhoradas , cade a BANCADA? Somos um dos tripe da nossa economia!! Qto a nossa Kati(s)a elegendo-se novamente pela porta dos fundos , eta federações pelegada, só servem pra viajar às nossas CÚSTAS, muitas internacionais . vida de gado NÃO................

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  • Lourivaldo Verga Barra do Bugres - MT

    Depois de tudo que ela aprontou: dançar com índios, aparecer abraçada com Dilma e PT..., qual crédito ela tem entre os produtores rurais? Usou da nossa confiança e da nossa contribuição para se promover! Sua opinião caiu no descrédito: ninguém acredita mais. Sua história para nos enganar passou.

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  • João Alves da Fonseca Paracatu - MG

    Prezados Produtores,a Kátia fez um prévio acordo com a Dilma e com o PT no qual ela seria a próxima ministra da agricultura,assim como fez na nossa CNA(usou nossa estrutura e nosso dinheiro para sua promoção pessoal),esperava com isto alçar vôos mais altos,Deus nos livre desta praga,ela é pior que a pior das pragas que temos enfrentado...Penso que pelo menos por enquanto estaremos livres,mas recomendo sermos vigilantes e preparar um controle preventivo.Saudações mineiras,uai!

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  • Augusto Mumbach Goiânia - GO

    Gostaria de fazer uma sugestão de layout ao Notícias Agrícolas. Para tanto, vou utilizar esse blog como exemplo. Sei que, nos blogs, os artigos são em seqüência. No entanto, gostaria de sugerir, se possível, os comentários pudessem ser feitos especificamente em cada artigo. Como se pode observar abaixo, os comentários acabam ficando sem sentido ou com sentido dúbio dependendo de qual artigo a pessoa leu antes de ler o comentário.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Rodrigo Constantino acha estranho o que faz Kàtia Abreu por que não sabe como foram construídas muitas reputações e fortunas no mundo do agronegócio. Como conheço os tipos não me engano assim facilmente com a cara de sèria dessa gente, adotando sempre uma postura grave para ter credibilidade naquilo que dizem. Kàtia Abreu acredita no que escreveu? Parece piada. No discurso sempre o tom conservador... ela sabe o que pensam os produtores, mas no fundo o que ela quer mesmo è uma “mãozinha” do governo, denegrindo a imagem de todos os produtores. E por que se elege? Por que os produtores são os responsáveis por indicar as pessoas para os cargos de liderança, e como a classe produtora no Brasil goza de enorme prestigio perante a sociedade, essa mesma sociedade acredita e ajuda a eleger. Não è somente ela, outros envergonham a classe da mesma maneira ou ainda mais. E aqui faço coro com o comentarista Francisco Lopes de Cambè PR, enquanto os cafeicultores padecem, a presidente da CNA escreve um artigo em jornal de grande circulação falando alguma verdade para poder mentir melhor, que Dilma Roussef pode ter alguma consideração com os produtores rurais. No fundo o que ela quer è trocar votos por vantagens pessoais. Vai dar errado senadora, muito embora a senhora ainda permaneça utilizando a tribuna do congresso e a CNA por mais alguns anos em favor desse seu oportunismo barato.

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  • WANDERLEI FORNASIER MORGAN Linhares - ES

    Sou Agrônomo e Produtor Rural com muito orgulho. Gostava de ver o discurso da senadora Kátia Abreu, com a sua voz forte e confiante, eu considerava que ela caminhava firme para ser um dos esteios da nossa agropecuária. Hoje a senadora virou uma decepção, pois entendo que ela arriou a nossa bandeira e se acoitou com o que há de pior neste País.

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    golpe o pt esta dando no brasil a 12 Anos

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Onde fica a Dilmalandia, quero ir para lah!

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