‘Projeto a caminho da derrota’, de Marco Antônio Villa

Publicado em 04/11/2014 14:13 e atualizado em 05/11/2014 14:05 1399 exibições
no blog de Augusto Nunes (e + Rodrigo Constantino e reinaldo Azevedo, de veja.com)

‘Projeto a caminho da derrota’, de Marco Antônio Villa

Publicado no Globo 

A presidente Dilma começou seu governo, em 2011, aparentando relativa independência frente ao seu criador, o ex-presidente Lula. Disse que daria à sua gestão um perfil administrativo e que não transigiria com a corrupção. Representava à época o figurino de gerentona e faxineira. Era tudo uma farsa, mera encenação para consumo dos ingênuos — e não faltaram os que acreditaram que a criatura era não só diferente do criador, como até, se fosse preciso, romperia politicamente com ele. Em quatro anos deixou um país com crescimento zero, um governo paralisado e marcado por escândalos de corrupção.

 

Agora o figurino que está tentando vestir é o da presidente que deseja dialogar com os partidos e a sociedade. Mais uma farsa. Todo mundo sabe que Dilma não gosta de política. Nunca gostou. Na juventude transformou oposição à ditadura em confronto militar — com trágico resultado. Quando chefiou a Casa Civil do presidente Lula foi elogiada pelo estilo de durona. Era a mãe do PAC, uma tocadora de obras. A coordenação política governamental era tarefa do próprio Lula. Quando assumiu a Presidência, Dilma fez questão de demonstrar diversas vezes o absoluto desinteresse — até mais, enfado — pelas tarefas políticas. Ela não gosta de ouvir. Decide por vontade própria.

No discurso de comemoração da vitória, a presidente já deu sinais de como pretende governar nos próximos quatro anos. E insistiu na proposta de reforma política petista que, entre outras coisas, despreza o papel constitucional do Congresso. O governo elabora as mudanças e busca, via plebiscito, o apoio popular. Para o PT a negociação só interessa quando os opositores já entram derrotados e tem de aceitar as imposições petistas.

Dilma liderou a campanha eleitoral mais suja da história. No primeiro turno usou da mentira para triturar a candidatura de Marina Silva. Guardou para a fase final da campanha os ataques à honra de Aécio Neves. E tudo sem qualquer problema de consciência. Assim como Lula, Dilma passou a ter como princípio não ter princípio. O importante era ganhar. Quem fez o que ela fez na campanha tem condições morais de dialogar com a oposição?

Dificilmente a reforma política — ou qualquer outra reforma proposta pelo governo — vai ocupar espaço na agenda política. O escândalo do petrolão é de tal monta que poderá ter um (inicialmente) efeito destrutivo e saneador (caso as apurações forem até as últimas consequências). O encaminhamento das investigações comandadas pelo juiz Sérgio Moro já desnudou que o assalto dos marginais do poder à Petrobras é o maior caso de corrupção da história do Brasil. E vai atingir os três poderes da República chegando até, segundo depoimento do doleiro Alberto Youssef, o Palácio do Planalto.

A oposição acabou sendo arrastada a exercer o seu papel pelo eleitorado. A crise de identidade foi resolvida ainda durante a campanha eleitoral. Diferentemente das duas últimas eleições presidenciais, desta vez tivemos uma campanha mais politizada e com participação popular. Fracassou a interpretação de que as manifestações de junho de 2013 tinham sepultado a “velha política.” Pelo contrário, basta recordar as discussões nas redes sociais, o acompanhamento de toda a campanha, a excelente audiência dos debates televisivos, principalmente no segundo turno, e a permanência do interesse pela política após o 26 de outubro.

O cenário econômico é péssimo. Nem o doutor Pangloss diria que as coisas vão bem. O quadriênio Dilma conseguiu desorganizar as contas públicas, estourar a meta de inflação, colocar em risco a saúde das empresas e dos bancos estatais e paralisar a economia do país. E qualquer processo de negociação política é muito mais difícil nessa situação, pois o governo teria de ceder. E ceder faz parte da política, e Dilma odeia a política.

Na atual conjuntura aceitar o aceno do governo é jogar na lata de lixo 50 milhões de votos. De votos oposicionistas. De eleitores que estão indignados com o — usando a expressão do ministro Celso de Mello citada no julgamento do mensalão — projeto criminoso de poder petista. Não há desejo sincero de diálogo. As palavras de Dilma não correspondem aos fatos. O que dizer de uma presidente que demonizava a adversária imputando a pecha de defensora dos banqueiros e — dias após à eleição — aumenta a taxa de juros e convida um banqueiro para o Ministério da Fazenda? É esperteza ou falta de caráter?

O PT venceu a eleição presidencial mas está longe de caminhar para ter o controle dos três poderes — sonho acalentado pelo partido. Perdeu 20% das cadeiras da Câmara dos Deputados e no Senado manteve o mesmo número de assentos. Tudo indica que não terá a presidência de nenhuma das duas Casas no próximo biênio. E a melhoria qualitativa da bancada oposicionista deve criar situações embaraçosas para o governo — e não faltam temas para explorar. Por outro lado, a composição do Executivo federal terá de ser ainda mais partilhada com os partidos que dão sustentação ao governo, enfraquecendo o projeto petista. E se for aprovada a PEC da bengala ainda este ano, a presidente Dilma perderá a oportunidade de nomear, devido à expulsória, cinco novos ministros para o STF, acabando com o sonho petista — e verdadeiro pesadelo nacional — de transformar aquela Corte em um puxadinho do Palácio do Planalto.

Já estamos em 2015, um ano de 14 meses. Ano agitado, o que é bom para a democracia. E tudo que é bom para a democracia é ruim para o PT. Vamos ter muitas surpresas. O projeto autoritário petista caminha para a derrota política: são os paradoxos da História.

(Marco Antonio Villa, historiador, em O Globo desta terça-feira)

 

Desesperado, PT convoca militância às armas

O PT, apesar da vitória, está desesperado. Sentiu que ganhou por muito pouco, mesmo abusando da máquina estatal, fazendo terrorismo eleitoral, campanha difamatória abjeta, etc. Sabe que a economia vai piorar com a gestão de Dilma e que em 2018, se ela chegar até lá, a derrota será inevitável. Até porque a oposição acordou, e o PT perdeu o monopólio das ruas.

É isso que o partido não engole de jeito algum. Sempre teve militantes a soldo prontos para tomarem as ruas com seus protestos orquestrados pela cúpula partidária. Agora, vemos manifestações espontâneas tomando as ruas e pedindo mais investigações, eventualmente até mesmo o impeachment se ficar comprovada a participação de Dilma no Petrolão.

Furiosos, aloprados, irascíveis, e dando vazão ao seu ímpeto golpista e revolucionário, o PT resolveu apelar e convocar sua militância às armas. Isso mesmo: às armas! Mas golpistas somos nós, que lutamos para preservar a democracia e o estado de direito. Vejam com seus próprios olhos:

A campanha, colocada nas redes sociais da legenda na manhã desta terça-feira. A mensagem postada com o título “Militância, às armas” no perfil oficial do Partidos dos Trabalhadores no Facebook afirma que a vitória da presidente Dilma Rousseff “revelou o desespero de setores que insistem em ignorar a vontade da população”. E que os “representantes do atraso” estariam tentando manter o acirramento para desestabilizar o segundo mandato da presidente reeleita no último dia 26 de outubro com 51,64% dos votos.

[...]

Nos últimos 10 dias, mais 185 mil menções pedindo a retirada da presidente do cargo foram registradas nas redes sociais. Na segunda-feira após as eleições, 35.983 menagens nas redes sociais pediam a assinatura de uma petição online pra pedir impeachment. Ontem, foram mais de mil menções.

Quem revelou o desespero foi o PT, que não admite oposição nas ruas, pois as considera sua propriedade exclusiva. O PT quando era oposição ia às ruas pedir impeachment de Collor e a saída de FHC. Por que não podemos fazer isso agora? Só porque o PT está no governo e é a bola da vez? Mesmo sendo o partido que se mostrou o mais corrupto de todos?

Não aceitamos essas ameaças, essa tentativa patética de intimidação. Sabemos do que os petistas são capazes, mas por isso mesmo vamos continuar nas ruas, protestando, demandando investigações, exigindo nossos direitos e o pleno funcionamento da nossa democracia.

É por termos plena consciência de o que é o PT e o que ele deseja que estamos dispostos a lutar, com as armas republicanas, contra o golpe almejado por aqueles que querem pegar em armas para defender a corrupção. Não passarão!

Rodrigo Constantino

 

Mais um executivo resolve colaborar com investigações de operação da PF

Por Mario Cesar Carvalho, na Folha:
O executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, investigado pela Operação Lava Jato sob suspeita de ter pagado propina por meio do doleiro Alberto Youssef, fez um acordo de delação premiada com os procuradores do caso. Ele é o segundo executivo a fazer um acordo de colaboração com a Justiça: o primeiro foi Julio Camargo. Ambos são ligados à Toyo-Setal, empresa controlada pela japonesa Toyo Engineering, que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a Petrobras. Com a adesão de Mendonça Neto, já são quatro os delatores da Lava Jato:Paulo Roberto Costa, que foi diretor de abastecimento da Petrobras, o doleiro Youssef e os dois executivos ligados à Toyo. Todos prometeram contar o que sabem sobre o esquema de suborno na estatal para ter uma pena menor.

Mendonça Neto faz parte do conselho de administração da EBR (Estaleiros do Brasil), empresa instalada no Rio Grande do Sul e controlada pela Toyo. Ele é vice-presidente do Sinaval, sindicato das empresas que fazem navios e plataformas para extração de petróleo. Uma empresa dele, a Tipuana Participações, depositou R$ 7,3 milhões em contas controladas pelo doleiro, segundo laudos da Polícia Federal. Como as empresas de Youssef nunca tiveram atividade, os procuradores dizem que as transferências eram repasse de propina.
(…)
A Tipuana já foi alvo de ação da Justiça Eleitoral por doação irregular a um candidato a deputado federal do PT em 2006.
(…)
A Toyo-Setal faz duas grandes obras para a Petrobras: uma unidade para produção de hidrogênio de R$ 1,1 bilhão no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e uma fábrica de R$ 2,1 bilhões para fazer amônia, usada para produzir fertilizantes, em Uberaba (MG). O maior contrato da EBR foi assinado no início do ano passado com a Petrobras para produzir módulos da plataforma P-74 por US$ 741 milhões (R$ 1,85 bilhão pelo câmbio atual). A plataforma será usada no pré-sal. Os contratos que a Toyo-Setal conquistou na Petrobras partiram de projetos e licitações da diretoria de serviços, ocupada entre 2003 e 2012 por Renato Duque, indicado ao cargo por José Dirceu. Costa e Julio Camargo afirmaram em sua delação que Duque era beneficiado pelo esquema de suborno. Duque nega as acusações e entrou com uma ação contra Costa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Governo federal perdeu R$ 105 bilhões com crise do setor elétrico

Na VEJA.com:
O governo federal perdeu 105 bilhões de reais com a crise do setor elétrico, desde a publicação da Medida Provisória 579 em setembro de 2012 que determinava a redução das tarifas e a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. O valor equivale a um ano de receitas das distribuidoras de energia. Os cálculos foram realizados pelo especialista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, e pelo especialista da Consultoria PSR, Mário Veiga, a pedido do jornal Folha de S. Paulo. “O racionamento em 2001 causou um rombo de 25 bilhões de reais. Essa crise, sem racionamento, já custou quatro vezes mais”, disse Pires.

Os especialistas afirmam que 60% das perdas atuais serão compensadas diretamente pelos consumidores, via reajuste de contas de luz. Os 40% restantes serão pagos com dinheiro do Tesouro, financiado pelos tributos dos mesmos contribuintes.

O rombo foi causado pelo desequilíbrio entre as receitas e as despesas das distribuidoras devido à baixa produção de energia hidrelétrica e às indenizações pagas às empresas que renovaram as concessões. A MP 579 também reduziu a oferta de energia elétrica, obrigando as distribuidoras a recorrerem ao mercado de curto prazo, mais caro por causa da lei da oferta e da procura (quem tem pressa, paga mais caro) e pelo uso excessivo das usinas térmicas (com custo de produção elevado).

Com a escassez de chuvas no início deste ano, o preço da energia no mercado de curto prazo, chamado de Preço de Liquidação das Diferenças (PDL) passou grande parte do ano no teto permitido por lei, de 822,23 reais por megawatt-hora.

Gastos
Os especialistas consultados pela Folha de S. Paulo calculam que o governo federal gastou 20 bilhões de reais em 2013 com repasses às distribuidoras e indenizações às empresas que renovaram as concessões. O valor mais do que dobrou para 54,9 bilhões de reais em 2014, sobretudo devido ao pequeno volume de chuvas.

Somente os gastos com repasses às distribuidoras subiram de 20 bilhões para 21,8 bilhões de reais, impulsionados pelo aumento do preço da energia no mercado de curto prazo. Os gastos com indenizações permaneceram em 10 bilhões de reais. Mas, também pesou sobre as contas do setor elétrico este ano um prejuízo de 23,1 bilhões de reais com empresas que não conseguiram gerar eletricidade suficiente para honrar seus contratos.

Os especialistas estimam que as perdas totalizarão 30,5 bilhões de reais em 2015, sendo 8,5 bilhões de reais devido ao uso de usinas térmicas e 22 bilhões de reais devido aos gastos com indenizações.

Por Reinaldo Azevedo

 

 

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Fonte:
Blogs de veja.com.br

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2 comentários

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, os companheiros petistas vão alçar os sentimentos chauvinistas, pois os gringos fizeram uma petição no site da Casa Branca para que o FBI, a Policia Federal dos EUA e a SEC, a Comissão de Valores Imobiliários de lá, façam uma “rigorosa investigação” aos “desvios” na Petrobrás. As ações da Petrobrás são negociadas na Bolsa de Nova York, por esta razão à mesma está sujeita às normas das leis americanas, no que se refere à gestão administrativa; não provocar prejuízos financeiros deliberados (“desvio” de recursos), um eufemismo de “roubo”.

    Vamos ver se o discurso vai para “as beiras da insensatez” e, os companheiros vão exigir o já calejado “soberania nacional” para desconstruir a investigação americana. Eles podem, também, chegar na “esquina” da loucura e pedir uma auditoria do governo venezuelano, para mostrar a transparência da gestão na Petrobrás.

    QUEM VIVER VERÁ !

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, a teocracia lulopetista insiste na construção de “seus” mitos para venerá-los.

    Ontem assistimos um dos “seus” mitos, Zé Dirceu, ex-ministro, ex-deputado e “ex-herói do povo brasileiro”, uma cena digna dos pastelões hollywoodianos, onde o mesmo é perseguido por repórteres, quando recebe mais um indulto, de cumprir o restante da pena em regime semi aberto e, aparece sendo conduzido à sua residência. Estranho, não estava sendo acompanhado por nenhum de seus companheiros, só pelos seus seguranças e advogados. Onde estavam seus companheiros? Inclusive àquele que em certo momento disse: “Estamos Juntos”!

    Quando o Estado provoca uma injustiça, no caso a prisão de um herói, seus companheiros vão à porta do centro de detenção para serem fotografados e, esta imagem é usada até a exaustão, como uma forma de protesto.

    Um dos “mitos” chegou a dizer que o “mensalão” não existiu. Imagino se este outro golpe da mídia, o “petrolão”, levar o Estado a promover mais uma injustiça e prender o “Capo di tutti i capi” (O chefe de todos os chefes). Qual vai ser a reação dos “companheiros”?

    Antes de encerrar, a história nos mostra que onde há governos totalitários há mitos, exemplos é que não faltam, Lenin, Stálin, Mao Tse Tung, Kim Jong-un, Fidel Castro, Hugo Chaves, Nicolás Maduro et caterva.

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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