Segundo o FMI, o Brasil poderia ser um gigante da economia mundial, mas...

Publicado em 11/12/2014 03:30 e atualizado em 13/12/2014 07:23 1303 exibições
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Segundo o FMI, o Brasil poderia ser um gigante da economia mundial, mas, por enquanto, é apenas o atrasado da América Latina

(Imagem: Michael Friedel/Rex Featurs/Jon Berkeley)

Na famosa imagem da revista The Economist, o Brasil decola, mas volta a cair (Imagem: Michael Friedel/Rex Featurs/Jon Berkeley)

O BRASIL RETARDATÁRIO

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Enquanto o governo faz malabarismos para fechar suas contas de 2014, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, manifesta otimismo em relação ao país.

Ela se disse “encorajada” com a equipe econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. E foi além: o Brasil, segundo ela, pode ser um gigante, do ponto de vista econômico, se o governo adotar políticas fiscais sólidas, atacar os gargalos e realizar as reformas estruturais necessárias.

O comentário sobre a nova equipe deve ser sincero, mas dificilmente a principal executiva de uma entidade multilateral diria algo diferente sobre o governo de um país associado. Quanto à outra declaração, é quase uma redundância. A mesma observação tem sido feita sobre outras economias latino-americanas, embora quase todas estejam em situação melhor que a do Brasil.

Christine Lagarde falou sobre as perspectivas brasileiras em entrevista coletiva em Santiago, onde participou de uma conferência regional promovida pelo governo chileno e pelo FMI, na semana passada. A reunião evidenciou mais uma vez o descompasso entre a evolução da economia brasileira, nos últimos dez anos, e a da maior parte da região.

Nas últimas duas décadas, disse a diretora do Fundo, a maioria dos países latino-americanos conseguiu avançar com inflação baixa, disciplina fiscal e estabilidade financeira. Além disso, a crise iniciada em 2008 produziu menos danos na região do que em outras partes do mundo. Mas o próprio Fundo, em suas estatísticas e projeções, mostra diferenças importantes entre os países da América Latina e do Caribe.

Suas últimas estimativas, divulgadas em outubro, apontaram para o Brasil crescimento de 0,3% em 2014 e de 1,4% em 2015, bem abaixo da média regional, de 1,3% para este ano e de 2,2% para o próximo. As médias seriam muito mais altas sem o péssimo desempenho de Brasil, Argentina e Venezuela.

As novas projeções da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), publicadas pouco antes da reunião de Santiago, também mostram o Brasil como retardatário na corrida do crescimento. A expansão estimada para o país ficou em 0,2% em 2014 e em 1,3% em 2015. Só quatro economias aparecem com desempenho pior que a do Brasil em cada um dos dois anos: Argentina, Venezuela, Barbados e São Vicente e Granadinas.

Com alguma diferença nos números, essa classificação é igual à da tabela do FMI. A secretária da Cepal, Alicia Bárcena, também esteve em Santiago e comentou a situação regional.

Lagarde e a equipe do Fundo insistiram no receituário formulado há algum tempo, com ênfase na consolidação das contas públicas, maior cuidado com o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos, eliminação de gargalos de infraestrutura e, para efeito em prazo mais longo, maior empenho na educação e na formação de capital humano.

O roteiro indicado pelos economistas da Cepal é parecido com esse em vários pontos e mais enfático no caso da integração comercial entre os países da região. Seria uma forma de garantir maior demanda numa fase de baixo crescimento do comércio internacional e de menor dinamismo na China.

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Brasil precisa de esforço fiscal de 4% do PIB

Um dos gestores mais respeitados do Brasil é, sem dúvida, Luís Stuhlberger, do fundo Verde, hoje parte do Credit Suisse Hedging-Griffo, mas que se tornará independente em 2015. Quem acompanha suas cartas sabe que o grau de pessimismo para com o cenário brasileiro vem aumentando. Na carta de novembro, temos o desenrolar de um legítimo filme de terror.

O gestor define 2014 como “um ano de surpresas”, a começar pela abrupta queda na produção de veículos, de 15% em relação a 2013. Isso num setor que contou com vários benefícios do governo, como proteção comercial (aumento de IPI para importados) e subsídios. Apesar da forte queda da produção, o nível de estoques aumentou quando visto em dias de venda. Como ficará o setor agora que o IPI deve retomar ao patamar antigo?

Essa preocupação pode se estender para toda a economia. Há uma clara necessidade de ajuste fiscal, mas ele virá justamente em uma fase já bastante ruim da economia. O gestor aplaude a escolha de Joaquim Levy, um “fiscalista” ortodoxo, mas lembra que não basta o resgate da reputação por meio de um nome forte. No final do dia, os dados importam. E o Brasil ainda vai amargar dados bastante negativos.

A carta compara o momento atual com o ajuste de 2002/2003, mostrando que naquela época o cenário era bem diferente. O resto do mundo ajudou, e o próprio Brasil tinha dados bem mais confortáveis, mais espaço para ajustes, seja pela inflação, seja pelo aumento da carga tributária. Hoje o cobertor é curto demais, e alguns setores serão “chamados” a pagar a pesada conta. E o tamanho do pepino é impressionante:

Qual é o drama hoje? Em nossa conta, temos um déficit primário recorrente de 0,7% do PIB. O resultado primário que estabiliza a dívida está caminhando para 3% do PIB. Ou seja, para chegarmos a um nível de resultado primário que estabilizaria a dívida, teríamos de promover um ajuste de quase 4% do PIB. Trata-se de uma tarefa extremamente complexa, e ainda há alguns agravantes. 

Em primeiro lugar, a carga tributária era bem mais baixa lá no passado, e, portanto, havia mais espaço para aumentar, como o que de fato ocorreu. Em segundo lugar, mas bem relevante, o crescimento nominal do PIB foi muito forte em 2003/2004. O governo é o maior “sócio” da inflação, dado que a receita sobe com a inflação, e os gastos são corroídos por ela. O PIB nominal cresceu 15% em 2003 e 14% em 2004. Esperamos um crescimento do PIB nominal em 2015 e 2016 da ordem 7% a 8% ao ano e, com isso, uma capacidade mais restrita de fazer o gasto ser corroído pela inflação. 

Sem crescimento econômico, realizar ajustes tão pesados será realmente um desafio e tanto. O gestor espera “crescimento” zero para 2015 e possivelmente 2016 ainda, e depois algo entre 1,5% e 2%. Arrisco dizer que sua previsão ainda parece otimista, pois eu apostaria em uma recessão ano que vem. Como efetuar o ajuste fiscal nesse contexto?

Especialmente quando sabemos que Brasília ignora o conceito de “restrição orçamentária”. Nos últimos anos, como diz a carta, o governo acreditou em “almoço grátis”. Joaquim Levy chega para supostamente mudar isso. Não fará muitas amizades, e já possui poucos amigos no governo. Como será esse relacionamento quando os perdedores sentirem no bolso o ajuste?

E como aumentar ainda mais a carga tributária, que já chega a quase 40% do PIB, com esse ambiente de insatisfação popular? Os números são dramáticos, segundo as estimativas do gestor:

Nas nossas contas, se o novo ministro conseguir manter o gasto público em termos reais no mesmo nível de 2014, ainda assim teríamos um déficit primário de 0,2% do PIB. Ou seja, para chegarmos ao 1,2% prometido, precisaríamos encontrar 1,4% do PIB de carga tributária a mais. Esse cenário foi construído com a hipótese bem irrealista de que não haverá aumento de gastos em 2015 (mesmo que o salário mínimo suba aproximadamente 9% no ano, como está na lei). Se, ao contrário, os gastos públicos subirem 3% acima da inflação, o aumento de carga tributária que faz o primário chegar a 1,2% do PIB é de 2% do PIB (R$ 110 bilhões, aproximadamente). E isso entregaria praticamente a metade do ajuste necessário, faltando para 2016 a entrega da outra metade – que, vale dizer, não chegaria ao nível do superávit primário que estabiliza a dívida. 

Mais impostos significam margem de lucro menor para as empresas. O Ibovespa, que já está abaixo de 50 mil pontos, inevitavelmente sofreria com isso. Como os investidores vão reagir? Qual será o clima para investimentos nos próximos anos com esse ambiente de queda de atividade, alta inflação, margem de lucro comprimida, e incertezas políticas?

Ibovespa. Fonte: Bloomberg

Ibovespa. Fonte: Bloomberg

Como não há nada que não possa ficar pior, o preço do barril de petróleo já cai mais de 35% no ano, fazendo com que a Petrobras, maior empresa nacional, passe por um sufoco ainda maior do que já vinha enfrentando com a gestão incompetente, o uso político e os escândalos de corrupção. Qual será o impacto dessa desgraça da estatal para nossa economia?

Petróleo. Fonte: Bloomberg

Petróleo. Fonte: Bloomberg

O minério de ferro também caiu bem de preço esse ano, basicamente pela desaceleração do crescimento chinês. A Vale perdeu bilhões em valor de mercado, e a commodity é um dos principais itens em nossa pauta de exportação. Se a tendência continuar, qual o efeito disso em nossa economia e no Ibovespa?

Essa convergência de ventos desfavoráveis, culminando na piora dos déficits gêmeos (fiscal e externo), remete ao ano de 1998, segundo o gestor. Naquela época, o resultado foi um solavanco no câmbio. Para o gestor, eis a última surpresa do ano: isso não aconteceu (ainda) desta vez. Em parte, porque o custo de capital continua baixo no mundo, apesar da sinalização do Fed de que pretende retirar os estímulos logo – a taxa de juros de dez anos nos EUA caiu de 3% para 2,2%.

O que vai acontecer com o Brasil se isso também mudar? Quais surpresas nos aguardam em 2015? E, a pergunta final da carta, em que estado estará a economia brasileira para reagir? Difícil é ler a carta do Verde e não vender bolsa e comprar dólar, apesar da alta recente:

Taxa de câmbio (dólar em real). Fonte: Bloomberg

Taxa de câmbio (dólar em real). Fonte: Bloomberg

Quem resolver apostar no Brasil nos próximos anos apesar de todo esse prognóstico é mesmo muito corajoso!

Rodrigo Constantino

 

 

Emprego na indústria cai pelo sétimo mês seguido 

Na VEJA.com:
O emprego na indústria diminuiu 0,4% na passagem de setembro para outubro, na série livre de influências sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira. Foi a sétima taxa negativa consecutiva, acumulando retração de 3,9% no período. No ano, o emprego na indústria ainda acumula queda de 3% e retração de 2,8% em doze meses.

Na comparação com outubro de 2013, o emprego industrial apontou uma queda de 4,4%. Trata-se do 37º resultado negativo consecutivo na comparação anual e o mais intenso desde outubro de 2009 (-5,4%).  Ainda em relação a outubro do ano passado, o contingente de trabalhadores diminui nos catorze locais pesquisados, com destaque para São Paulo (-5%) e Minas Gerais (-5%). O resultado também foi negativo no Rio Grande do Sul (-5,1%), Paraná (-4,5%), Nordeste (-3,9%) Norte e Centro-Oeste (-3,4%). Entre os setores, houve retração em dezesseis dos dezoito ramos pesquisados. O principal impacto negativo veio de meios de transporte (-8,1%), seguido de máquinas e equipamentos (-7,3%) e alimentos e bebidas (-2,4%).

Horas pagas e salário
O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria recuou 0,8% em outubro ante setembro, a sexta taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 4,1%. Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores (descontada a inflação) avançou 1,1% na comparação mensal, recuperando parte do recuo de 1,3% registrado em setembro.

Indústria completa em outubro 37 meses seguidos de demissões

Em cenário de pessimismo e de produção menor, emprego acumula queda de 3% no ano

Salários se recuperam, mas empresas cortam horas destinadas à produção diante da demanda mais fraca

PEDRO SOARESDO RIO

Com o fraco desempenho da produção e o pessimismo de empresários, o emprego na indústria voltou a cair em outubro. O número de pessoas ocupadas no setor recuou 0,4% ante setembro.

Foi a sétima taxa negativa seguida nessa base de comparação, segundo dados do IBGE. Nesse período contínuo de queda, o emprego acumula uma perda de 3,9%.

Em relação a 2013, o cenário também é negativo e a indústria completou, em outubro, 37 meses consecutivos nos quais as demissões superam as contratações.

Na comparação com outubro do ano passado, o emprego teve queda de 4,4%. Foi o tombo mais intenso desde outubro de 2009 (-5,4%), período em que o país vivia o auge dos impactos da crise global na economia doméstica.

Com esse resultado, o total do pessoal ocupado assalariado também recuou, 3%, no acumulado de 2014.

Já a taxa acumulada nos últimos 12 meses registra uma queda de 2,8% e manteve a trajetória descendente iniciada em setembro do ano passado --desde então, todos os resultados são negativos.

O emprego na indústria cai na esteira da menor confiança de empresários com os rumos da economia, em razão da freada do consumo, da maior concorrência com importados e da dificuldade para exportar.

SEM REAÇÃO

As contratações no setor não reagiram nem com a melhora da produção no terceiro trimestre, quando a indústria foi destaque do PIB. É que empresários não enxergaram na melhora uma retomada mais consistente.

Pelos dados do IBGE divulgados nesta quarta (10), o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria (indicador do salário no setor) cresceu 1,1% de setembro para outubro. O resultado, porém, não recupera totalmente a perda de 1,3% de setembro sobre agosto.

Com a deterioração do emprego, está cada vez mais difícil para as categorias da indústria obter reajustes acima da inflação.

Outro sinal ruim é que os empresários têm cortado horas destinadas à produção diante da demanda mais fraca, sinalizando que o emprego, em 2015, não deve reagir.

Em outubro de 2014, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, já descontadas as influências sazonais, recuou 0,8% ante setembro.

Foi a sexta taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 4,1% nesse período.

Os dados mostram que, se uma retomada da produção vier, os empresários ainda têm "gordura" antes de contratar. Vão aumentar as horas destinadas à produção com os empregados que já estão nas fábricas.

Desse modo, e diante da expectativa de um 2015 ainda difícil para a indústria, empresários não vislumbram uma melhora das contratações do setor. (Na FOLHA)

 

Cartão de crédito tem maior juro em 15 anos

Com Selic em alta e maior risco de inadimplência, taxa na modalidade chegou a 10,9% ao mês em novembro

Instituições elevam taxas por maior risco de calote, provocado pela inflação e pelo baixo crescimento

DE SÃO PAULO

As taxas de juros cobradas no cartão de crédito atingiram o maior patamar em quase 15 anos, de acordo com dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Em novembro, os juros médios cobrados nessa modalidade chegaram a 10,90% ao mês, o equivalente a 246,08% ao ano. É o maior patamar registrado desde janeiro de 2000, quando a taxa de juros média do cartão era de 10,93% ao mês (ou 247,2% ao ano). Em outubro, o juro médio foi de 10,78% mensais.

O aumento acontece porque o risco de inadimplência subiu nos últimos meses, com a retomada do ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, a partir de outubro, e inflação em alta.

Segundo Miguel Ribeiro de Oliveira, coordenador da pesquisa e diretor-executivo da entidade, essa combinação acaba reduzindo a renda disponível das famílias para o pagamento das dívidas.

Outros fatores, como o baixo crescimento econômico, que contribui para o aumento dos índices de desemprego, e as expectativas negativas para 2015, também contribuem para o maior risco de calote, afirma Oliveira.

Para compensar possíveis perdas com inadimplência, as instituições financeiras aumentaram as taxas de juros cobradas do consumidor.

CHEQUE ESPECIAL

As seis linhas de crédito pesquisadas pela associação registraram alta em novembro (veja ao lado).

Os juros no cheque especial renovaram o maior valor em quase 11 anos. A taxa média cobrada em novembro foi de 8,56% ao mês (ou 167,9% ao ano), ficando atrás somente de dezembro de 2003, quando ficou em 8,64% ao mês (ou 170,3% ao ano).

Segundo a Anefac, o juro médio ao consumidor cobrado nas operações de crédito passou de 6,08% ao mês em outubro (103% ao ano) para 6,14% ao mês (ou 104% ao ano) em novembro.

PESSOA JURÍDICA

Os juros médios cobra- dos de empresas também subiram em novembro, ao passar de 3,44% em outu- bro (ou 50,06% ao ano) pa- ra 3,49%, o equivalente a 50,93% ao ano.

As três linhas de crédito analisadas nessa modalidade tiveram alta nos juros.

No capital de giro, a taxa média subiu de 1,93% ao mês em outubro para 1,96% em novembro.

Já a taxa de desconto de duplicatas avançou de 2,52% ao mês em outubro para 2,56% mensais em novembro. A conta garantida passou de 5,87% para 5,94% ao mês.

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1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Estranho, parece que a palavra “LUXEMBURGO” tornou-se censurada pela mídia ou “pelas forças ocultas”. Não se tem noticia, ninguém viu ou ouviu algo a respeito, sobre a “possível” evasão fiscal dos grandes conglomerados. Este assunto esteve na agenda da cúpula do G20, realizada em Brisbane, na Austrália.

    Vamos cobrar ANTES para não correr ATRÁS !!!

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