Bolsonaro repete fala do PT, mas, covarde, vota a favor da intervenção; deputado rouba discurso de colunistas anti-Temer

Publicado em 21/02/2018 05:07 e atualizado em 21/02/2018 15:06
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por REINALDO AZEVEDO

Muitos dos defeitos do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) eram conhecidos. Agora ele revela um outro. É de uma covardia política asquerosa. Até ontem, eu supunha que os fanáticos que o seguiam eram apenas desinformados ou intelectualmente malformados. A partir de agora, começo a desconfiar de algo mais sério. Pode se tratar de gente com uma grave falha moral. Por que afirmo isso?

Tão logo o governo federal anunciou a intervenção na área de segurança pública no Rio, o deputado soltou seus perdigotos gramaticais, na forma de anacolutos morais, contra a decisão. Disse que as Forças Armadas, em nome das quais ele tem a estúpida ousadia de falar, iriam servir a vagabundos. Como sabemos, gente valorosa é a Família Bolsonaro. Se formos levar em conta o patrimônio que a turma amealhou na política, ponha valor nisso… Se alguém não lembra quem é o deputado Bolsonaro, é aquele senhor que disse ter usado o auxílio-moradia para comer gente… Ainda não sei se caberia uma denúncia do Ministério Público Federal por, deixem-me ver, canibalismo…

Muito bem! Mesmo sendo contra, então, a intervenção, Jair, o pai, e Eduardo, o filho — aquele rebento que também é deputado federal e que estrelou um vídeo cercado de fuzis semelhantes ao empregado por Nikolas Cruz para massacrar colegas de escola —, votaram a favor da medida. O que pode fazer com que uma pessoa contrária a uma determinada medida não tenha a coragem de votar contra a dita-cuja? A resposta é uma só e estupidamente óbvia: a covardia.

Bolsonaro é desinformado. Isso já era público. Mas seus crentes o seguem mesmo assim porque estão convictos de que a ignorância pode ser tomada como expressão da sua sinceridade.

Bolsonaro incentiva a truculência. Isso já era público. Mas seus crentes o seguem mesmo assim porque estão convictos de que a brutalidade retórica pode ser tomada como expressão de autenticidade.

Bolsonaro incentiva a intolerância. Isso já era público. Mas seus crentes o seguem mesmo assim porque estão convictos de que o discurso do ódio pode ser tomado como expressão de sua fidelidade aos valores da família.

Agora, os crentes da religião da empulhação devem achar que a mais nova expressão da genialidade política é pensar uma coisa e votar no contrário, com receio de perder os votos não da grei de fanáticos, mas dos desavisados que caem na conversa do falso profeta.

Mas como explicar que ele possa repudiar uma medida, embora vote a favor dela? Ele explica num vídeo:
“Temer já roubou muita coisa aqui, mas o meu discurso ele não vai roubar, não. É uma intervenção política que ele está fazendo. Ele agora está sentado, lá não sei aonde, tranquilo, deitado. Se der certo, eu vou torcer para que dê certo, glória dele. Se der errado, joga a responsabilidade no colo das Forças Armadas”.

Bem, se é assim, por que ele e seu filho deram o seu “sim” à decisão do presidente? Se é assim, como ele pode concordar com a decisão? Ah, ele explicou: é que Temer estaria querendo “roubar” o seu discurso…

É impressionante! O deputado está apenas repetindo o que leu em textos de alguns analistas de meia-tigela. Segundo esses gênios da análise política, ao optar pela intervenção — reconhecida pelo próprio governador do Rio como a única saída —, Temer estaria fazendo uma inflexão à direita para responder a uma demanda da sociedade que vinha sendo explorada pelo deputado.

Trata-se de uma farsa grotesca, de uma mentira, de uma estupidez sem par. A única proposta conhecida do deputado para responder à violência consiste em distribuir portes de arma a rodo, armar a população, extinguir o Estatuto do Desarmamento, facilitar a chegada de fuzis ao campo… Em suma, Bolsonaro, na prática, gostaria de dar uma resposta aos mais de 50 mil homicídios por ano no país criando as condições para que tal número chegasse a 60 mil, a 70 mil, a 80 mil…

Se não for um lobista vulgar e remunerado da indústria armamentista, então é só um tolo.

A intervenção federal caminha justamente no sentido contrário. O ministro da Defesa, diga-se, que está na coordenação geral desse processo, Raul Jungmann, é um conhecido defensor do Estatuto do Desarmamento e é, frequentemente, alvo da delinquência intelectual dos bolsonaristas…

Que tipo de gente vota a favor daquilo em que não acredita só para evitar, como é mesmo?, que seu “discurso” seja roubado? Mas noto, e saúdo aqui o fato, que aqueles analistas que vieram com essa conversa se colocam no nível intelectual de deputado, repetindo, quem sabe, o seu mesmo padrão moral.

Temer não roubou o discurso de Bolsonaro. Mas Bolsonaro roubou o discurso de alguns colunistas anti-Temer. Que gente patética!

Que Bolsonaro achasse a medida correta e votasse a favor dela seria compreensível; que a considerasse errada e votasse conta, idem. Fazer o que ele fez — repudiar a ação, mas acatá-la por meio do voto — é de uma covardia bisonha. E o que diz o “mito” a seus crentes? “Temer tentou roubar o meu discurso…”

Que tipo de gente cai nessa conversa?

Que tempos estes, né?, em que um Bolsonaro e um Delta Dallagnol conquistam adesões apaixonadas! Bem, este outro merecerá um post de presente, inteirinho pra ele! Vou sugerir um mando de busca e apreensão coletivo na Força Tarefa de Curitiba…

  ‘Meu discurso ele não vai roubar não’, diz Bolsonaro sobre Temer (Poder360)

O pré-candidato à presidência da República e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) votou pela aprovação do decreto que estabeleceu o socorro da União ao Rio de Janeiro na madrugada desta 3ª feira (20.fev.2018). No plenário da Câmara, Bolsonaro disse ao Poder360 que, no entanto, se “fosse presidente” o seu “decreto seria diferente”.

Poder360 perguntou a Bolsonaro se Temer estaria tentando roubar seu discurso. Assista a resposta do deputado:

Uma das críticas ao texto foi sobre a falta de definição da conduta dos militares durante a intervenção. O deputado disse que a intervenção pode ser “mais uma medida paliativa que vai durar 20, 30 dias”

Em sua página oficial no Facebook,  pré-candidato também comentou o tema. Postou a seguinte frase: “Apoio uma Intervenção militar no Rio, não essa que é política com a cara de Temer, Jungmann e Moreira.”

Na tentativa de reforçar seu discurso de reeleição, Temer embarcou no tom de “lei e ordem” . A abordagem seria a única a fazer frente ao discurso de Bolsonaro já que, até então, nenhum dos pré-candidatos fazia isso.

Bolsonaro está tecnicamente empatado com Lula no Rio Grande do Sul, diz pesquisa (em O Antagonista)

O Antagonista teve acesso a uma pesquisa encomendada por aliados de Jair Bolsonaro no Rio Grande do Sul — para consumo interno — que mostra o deputado presidenciável um pouco à frente de Lula no estado.

Em agosto do ano passado, Lula liderava (21,3% das intenções de voto), seguido de Bolsonaro (19,8%) e Marina Silva (16,5%).

Neste mês, Bolsonaro assumiu a frente (22,7%), mas Lula aparece logo depois (21,9%). Marina Silva despencou para 6,7%.

A mais recente delinquência intelectual de Dallagnol. Sabem o que vai acontecer com ele? Nada! Pertence à turma acima da lei

O procurador não receia usar o Twitter ou o Facebook para praticar suas delinquências intelectuais; agora resolveu fazer sua crítica à intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro…

Duvivier e Bolsonaro finalmente se juntam! E foi Temer a uni-los contra os interesses da população do Rio e do Brasil. Um golaço!

Se eu quisesse emitir uma opinião meio apalhaçada sobre decisão do governo federal de intervir na área de segurança pública do Rio, poderia fazê-lo assim: a prova de que o presidente Michel Temer agiu com correção está na contrariedade furiosa do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e do humorista Gregório Duvivier. E há, claro, a reação dos petistas, em especial da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Segundo a preclara, o objetivo da intervenção e reprimir os movimentos sociais. O PT já anunciou que votará contra a medida. Outro golaço do presidente Michel Temer!!! Sempre que alguém leva o PT a se manifestar explicitamente contra os interesses da população, as coisas estão no seu devido lugar. Eu me sinto contrariado é quando a legenda consegue iludir a massa.

Uma digressão. Dia desses, um dirigente petista lamentava em conversa com este escriba: “É chato pra nós que você — ELE SE REFERIA A MIM — faça sobre o caso Lula uma análise técnica sem comparação nos quadros da esquerda. O nosso pessoal transforma tudo numa guerra do bem contra o mal, numa batalha ideológica. Isso só contribui para ferrar [ele usou outro verbo] o Lula”. Nota: ele antevê que o chefão petista irá, sim, para a cadeia; se não for agora, será depois do trânsito em julgado, no Superior Tribunal de Justiça. E ele está certo. É o que acho que vai acontecer. E irá para o xadrez à esteira de um processo em que foi condenado sem provas. Observem que não entro no mérito sobre a origem do apartamento. Ao Estado de Direito, num tribunal, interessam as provas. OCORRE QUE UM ESQUERDISTA NÃO TEM DNA INTELECTUAL E MORAL PARA ENTENDER ESSA QUESTÃO. UM FASCISTA DE DIREITA TAMBÉM NÃO. Fascistas de direita e de esquerda, em suma, não dão a menor bola para o ordenamento legal porque consideram tratar-se de uma conspiração contra os legítimos interesses das massas que julgam representar ou em nome das quais anseiam falar. Um fascista de esquerda acha que o Estado de Direito só existe para proteger seus adversários. Um fascista de esquerda também. Encerro a digressão.

Em sua coluna na Folha, Duvivier sustenta que a intervenção no Rio é feita contra os pobres e favelados. Obviamente ele não se interessou em indagar o que pensam os pobres e favelados que são feitos reféns dos narcotraficantes, a exemplo da população do morro do Tuiuti, que só é um “quilombo da libertação” na imaginação perturbada de Jack Vasconcelos, o carnavalesco do PSOL, segundo quem a verdadeira liberdade ainda está no tronco da CLT da “Carta del Lavoro” do fascista Getúlio Vargas. Não é tragicamente engraçado que os socialistas do PSOL transformem o fascismo caboclo em samba no pé e que ainda alimentem a ilusão de que os criminosos são apenas revolucionários que tomaram um pequeno desvio? Como já escrevi aqui, para esses valentes, Rogério 157 não é Lênin por um triz…

Chutando, como de hábito, Duvivier diz que, muito provavelmente, os furtos somados no Rio não chegam à quantidade contida nas malas do Geddel Vieira Lima. Fosse o caso de levar a sério a tolice, haveria de se perguntar se ele quer prender os outros ladrões ou se quer soltar Geddel. O humorista cita ainda o helicóptero de um senador do PSDB que estaria transportando cocaína. A que senador ele se refere? Seria o caso de o partido interpelá-lo.

Não pensem que o Rio chegou àquele estado de desordem da noite para o dia. Essa elite carioca a que Duvivier pertence é, em grande parte, responsável pela tragédia. Seja em razão de seus hábitos — para ser clinicamente simplório — de consumo, seja em razão das drogas culturais que trafica. E a mais perigosa delas é aquela que supõe que o povo pobre do Rio tem pela bandidagem a mesma simpatia que ela, essa elite pervertida e decaída, tem. Daí que Duvivier desconfie do apoio de 87% da população à intervenção, conforme pesquisa que teria sido encomendada pelo governo, segundo noticiou o Globo. O humorista acha que o povo não foi consultado.

Ele deveria pegar um banquinho, transformá-lo em palanque e pregar em praça pública contra a intervenção. Como está convicto de que os moradores das favelas são contrários à decisão, poderia ir pregar, por exemplo, na Rocinha ou no Complexo do Alemão. Teria, assim, a oportunidade de fazer a sua própria pesquisa.

Também na Folha, Mathias Alencastro escreve outro artigo incrivelmente irresponsável. De saída, noto que ele chama o presidente Temer de “ilegítimo”. Isso não é uma opinião. É uma marca ideológica. A ilegitimidade só é dada no cotejo com algum diploma legal ou no desprezo a tal diploma. Como o rapaz não conseguiria evidenciar a ilegitimidade segundo a Constituição que temos, isso implica dizer que ele a despreza como fonte de legitimidade do poder. Bem, a premissa torna imprestável o resto do que diz.

Mas me permito aqui comentar brevemente sua diatribe falaciosa. Ele cita exemplos colhidos mundo afora que estariam na contramão da decisão tomada por Temer. É puro exercício diletante. Afinal, não há um só caso que responda ao fato de que a segurança do Rio entrou em colapso, de que o Estado está quebrado, de que as polícias estão infiltradas pelo crime, de que o próprio governador admite que, com os instrumentos que estão à sua disposição, nada pode ser feito.

A direita brasileira, com raras exceções, revelou-se, nesse período pós-derrocada do PT, um deserto de ideias. Tanto é assim que se apegou a uma agenda estupidamente moralista — seja no que diz respeito aos costumes, seja no que se refere à política e à organização do Estado — e permitiu a ressurreição do petismo, de sorte que lhe resta, hoje, torcer para que Lula seja impedido pela Justiça de concorrer. Mas olhem o lixo moral em que a esquerda continua mergulhada. É espantoso!

Não é de estranhar que os esquerdistas não consigam fazer a devida defesa de Lula e que o ex-presidente tenha de pagar o mico de lhes sugerir que “façam como Reinaldo Azevedo”. E ele não estava brincando. Falava a sério. Essa gente não dá a menor pelota para o Estado de Direito, para as leis, para a Constituição. Nada! Continua a alimentar sonhos abstratos de libertação, pouco se importando se o povo pobre, em nome do qual ousa falar, é ou não refém daqueles criminosos que, segundo o carnavalesco da Paraíso da Tuiuti, garantem o “quilombo da libertação” — ou algo assim.

Duvivier e Bolsonaro deveriam promover um ato conjunto contra a intervenção federal no Rio. Dois infinitos de estupidez se estreitando num abraço insano. E, claro, têm de convidar Alencastro para o evento.

Se o deputado que se comporta como humorista e o humorista que se comporta como deputado estão contra, parece grande a chance de que se fez mesmo a coisa certa.

Há mais: ambos estão sentindo o cheiro de que a medida pode ter um impacto eleitoral contrário aos interesses que advogam. Agora só falta o presidente indicar um general da ativa para a Segurança Pública. Duvivier e Bolsonaro ficarão ainda mais indignados. Unidos numa mesma causa, certamente fazem um bem imenso ao Brasil e aos brasileiros.

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo

2 comentários

  • Augusto Mumbach Goiânia - GO

    "Bolsonaro é contra a intervenção... mimimimimi", "Bolsonaro é a favor da intervenção... mimimi". "Adoro o Bolsonaro, ele me dá motivos pra fazer TEXTÃO" Alguém conta pra ele que a gente não tem saco pra ler o TEXTÃO cansativo dele. A gente acaba só lendo a manchete clickbait ou devia dizer clickbegger?

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  • TECPLAN PF Planejamentos LTDA Floraí - PR

    O grande Problema do Reinaldo Azevedo Chama - se rotulação, Ele tem problemas serio e psicóticos onde ele rotula o carácter da pessoa com os dele próprio. So me resta rir de um "cara" .Como ele faz mal para sociedade Brasileira, implantação do caos midiática, para se prevalecer... Um grande desvio de carácter, ele não consegue mudar mais, porque simplesmente seu ego e burrice carece totalmente a sua fala...

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