DILMA, A BIRUTA. OU “A CANDIDATA ZELIG”

Publicado em 12/05/2010 18:18 1317 exibições



Ninguém é mais biruta de aeroporto do que Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT à Presidência. Agora ela decidiu vestir o figurino da boa legalista conservadora, contrariando o que dizia até outro dia. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida para lembrar a Dilma o que ela realmente pensa.

Por Graciliano Rocha, na Folha Online:


A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje que o aborto é “uma violência” e que “nenhuma mulher defende”. “Ninguém fala: ‘quero fazer um aborto’”, disse ela.

Dilma disse que “o governo não tem que ser a favor ou contra o aborto, e sim a favor de políticas públicas”. Ela afirmou que o Estado tem que oferecer políticas públicas que garantam a realização de abortos em casos em que a legislação brasileira já o prevê, como em gravidez decorrente de estupro ou quando há risco para a mãe.

“Não é possível deixar que mulheres das classes populares utilizem métodos medievais como agulhas de crochê, tricô ou chás absurdos [para fazer um aborto]“, disse a ex-ministra.

Em entrevista hoje pela manhã para o programa de entrevista “Painel RBS”, transmitido pela Rede RBS para todo o Rio Grande do Sul, a pré-candidata criticou as invasões de terra promovidas por movimentos sociais.

“Não concordo com nenhuma prática ilegal. Movimento é movimento e governo é governo. A parte que cabe ao governo é zelar pela ordem pública”, disse.

Ela afirmou também que não concorda com a invasão de prédios públicos ou impedimento de funcionários. “Isso não significa que não nos dispomos a negociar e a dialogar. Agora, não se dialoga em ilegalidade.”

Comento
Vamos pela ordem:
1: À diferença do que diz, Dilma já defendeu a legalização do aborto, sim, senhores! Leiam declaração sua em entrevista à revista Marie Claire:
“Abortar não é fácil para mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização.”

2: O que vai acima é muito diferente do que ela diz agora, na boca da urna. O estado já é obrigado a realizar o aborto nos casos previstos em lei, a saber: estupro e risco de morte da mãe. Tanto Dilma quer a legalização que o Programa Nacional-Socialista dos Direitos traz a descriminação como uma de suas bandeiras. O texto deve ser mudado porque amplos setores da sociedade o rejeitaram. O decreto passou pela Casa Civil — e, pois, pelas mãos de Dilma. Agora, em busca de votos, finge pensar outra coisa.

3: Em outubro do ano passado, quando o MST invadiu e depredou uma fazenda da Cutrale, em vez da censura inequívoca à bandidagem, o que disse a então ministra da Casa Civil? Isto:
“Não vamos ser complacentes com qualquer ato ilegal. Mas também não vamos ser conservadores a ponto de tratar os movimentos sociais como caso de polícia.”
Ninguém queria tratar “movimento social como caso de polícia”, mas tratar CASO DE POLÍCIA COMO CASO DE POLÍCIA.

4: O governo que Dilma Rousseff representa negocia com os promotores da ilegalidade, sim. Tanto é que não aplica as leis que coíbem as invasões de terra. Ao deixar de aplicá-las, aumentou brutalmente o número de invasões. São os milagres da era Lula: quanto mais se assentam famílias, mais crescem as invasões.

5: Cumpre lembrar mais uma vez o Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos, pelo qual é uma das responsáveis. O texto torna o invasor de terra um dos “lados” da negociação e cria embaraços para o juiz conceder uma liminar de reintegração de posse. O governo diz que vai mudar. Vamos ver.

Dilma também já mudou em relação à política de juros — na verdade, à política econômica. De crítica azeda do Banco Central, passou a ser sua defensora incondicional. Aliás, ela fez parte do grupo que tentou derrubar Antonio Palocci, que agora é seu embaixador junto ao capital, sobretudo o financeiro.

Também mudou em relação à Lei da Anistia. Integrou o trio revanchista, ao lado de Tarso Genro e Paulo Vannuchi, que queria dar nova interpretação ao texto. Tão logo o Supremo deu um chega prá-lá no revanchismo, mudou de idéia:
“Eu não sou a favor de revanchismo de nenhuma forma. Do ponto de vista da decisão do Supremo, decidiu, decidido está”.

O que será que Dilma vai pensar amanhã? Depende de quantos votos ela vai precisar.

QUER DIZER QUE DILMA AGORA É UMA “REACIONÁRIA”, COMO EU?


Quem pensa tudo não pensa nada. E pode fazer qualquer coisa. Quando chegar ao poder, decide, então, para que lado vai. Fazer escolhas é difícil. E olhem que falo com certo conhecimento de causa. Eu poderia, por exemplo, ser menos claro ou contundente nas minhas opiniões e escolhas, exercendo aquela canalhice intelectual muito típica do nosso tempo: o famoso radicalismo “nem-nem”: nem isso nem aqui, mas acima disso e daquilo. E os dois lados — ou os vários lados me julgariam, então, uma pessoa isenta.

Ocorre que, freqüentemente, trata-se apenas de uma covardia e de uma forma de oportunismo. Acho honesto que o leitor saiba qual é a minha praia. O que não faço, sob nenhuma hipótese, é lidar com a mentira, por mais que ela seja generosa. Aí não dá. Parto sempre do fato. Não raro, os esquerdistas o vêem de um modo, eu, de outro. Eles não têm por que se enganar. Digo sempre: “Não percam seu tempo comigo”. Mas eles me adoram e Não saem daqui. Sigamos.

Então Dilma agora pensa como “Reinaldo Azevedo, o reacionário,” em matéria de aborto, invasões de terra, Banco Central, Lei de Anistia? E ela continua a ser “progressista” dos sonhos petistas, e eu, o ogro dos seus pesadelos? Eu não mudei. Continuo a escrever o que sempre escrevi. E Dilma?

É a obra, não o verbo fácil, que evidencia as convicções. Na prática, a petista atuou contra cada uma das crenças que diz ter agora. Está tentando levar o eleitor no bico porque seus marqueteiros assim o decidiram.

Marqueteiro, todo mundo que disputa eleição tem. O trabalho pode ser honesto ou desonesto. O trabalho honesto consiste em tornar palatável, compreensível ou virtuoso o que o candidato de fato pensa. A depender de como uma idéia é passada ao público, a recepção pode ser boa ou má. E há o trabalho desonesto: construir um candidato que não existe, que mente para ganhar voto. É uma forma de trapaça.

Dilma andou circulando pela Igreja Católica. Converteu-se. Na mesmaMarie Claire, deu a extensão de sua crença: “Fui batizada na Igreja Católica, mas não pratico. Mas, olha, balançou o avião, a gente faz uma rezinha”Entendo. É a chamada “Crença Belchior”: uma fé que nasce “por medo de avião”. Em outra oportunidade, disse acreditar numa “força superior”. Em recente entrevista, disse se considerar cristã e “católica num segundo momento”. Qual momento? No programa do Datena, afundou o monoteísmo da Igreja Católica e disse que Nossa Senhora é uma “deusa mulher”!!!

A padroeira desse catolicismo é a já consagrada Nossa Senhora de Forma Geral, a santa do Generalismo Aloprado Burocrático-Eleitoreiro.

A HORA DO ESPANTO - “Irã controla armas nucleares”, diz Dilma Rousseff


Disputasse Dilma Rousseff eleições nos EUA, por exemplo, e sua candidatura, a esta altura, já estaria liquidada, dadas as enormidades que anda dizendo. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

*
Por Bruno Siffredi, no Estadão Online. Volto em seguida:
A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu nesta quarta-feira, 12, a posição do Brasil em relação ao Irã, mas cometeu uma gafe ao afirmar que o país islâmico “controla armas nucleares”. A ex-ministra lembrou que o governo brasileiro se opôs à invasão do Iraque e disse que, além da questão humanitária, existe também um interesse estratégico brasileiro em relação ao Irã.

Dilma participou nesta quarta-feira do Painel RBS, em Porto Alegre (RS), onde lembrou que, no Iraque, “não havia armas de destruição em massa”, argumento utilizado pelos EUA para justificar a operação militar no país, “e hoje você tem uma região conflagrada”. Segundo a petista, Lula justificou na época sua oposição à invasão norte-americana afirmando que “sua guerra era contra a fome”.

“A posição do Brasil de prudência em relação ao Iraque se mostrou acertada”, observou Dilma. A ex-ministra então explicou que, no caso do Irã, além da preocupação com a  questão humanitária, a “civilização” iraniana tem características diferentes da iraquiana.

“O Irã não é uma civilização como a iraquiana, é um país com mais de setenta  milhões (de habitantes), controla armas nucleares e tem de fato um posicionamento internacional que naquela região é expressivo.”

Em seguida, a petista elogiou os esforços internacionais contra a proliferação armas nucleares, mas defendeu o uso de energia atômica para fins pacíficos. “Abandono das armas e uso pacífico da energia nuclear é bom para o mundo inteiro.” Dilma disse também que o governo não apoia “o posicionamento do Irã sobre o extermínio dos judeus”. “Você conversa com uma pessoa e não necessariamente precisa adotar o ponto de vista dela”, explicou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Irã no próximo dia 16. Ele embarca nesta quarta-feira, às 18 horas, para a viagem de uma semana, na qual vai visitar também Rússia, Catar, Espanha e Portugal.

Os EUA e seus aliados suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas secretamente, apesar do governo de Teerã insistir no caráter pacífico das suas atividades de enriquecimento de urânio.

Comento
Bem, é evidente que ela não sabe o que diz. Felizmente, o Irã ainda não controla armas nucleares, e todo o esforço está sendo feito para que não controle. A coisa é séria. Dilma precisa ao menos fazer um curso de Relações Internacionais do Instituto Universal Brasileiro — ainda existe o instituto? Vou tentar saber mais tarde. “Ah, ela se atrapalhou”. Eu sei. Como se atrapalhou ao afirmar que a seca empurra as pessoas do Nordeste para o Brasil, depois de fazer uma síntese errada de Vidas Secas. Como se atrapalha ao falar de leis ambientais.

Dilma é uma invenção da cabeça de Lula; ele tenta ser o seu Pigmaleão, como já falei aqui. O problema é que a estátua fala, mas jamais será uma Galatéia. Assim, continua a falar… como estátua! A gente nota que os conceitos que expressa são coisas mal-digeridas, aprendidas e apreendidas de afogadilho.

Peguemos o trecho em que aparece sua fantástica consideração:
“O Irã não é uma civilização como a iraquiana, é um país com mais de setenta milhões, controla armas nucleares e tem de fato um posicionamento internacional que naquela região é expressivo.”

Dilma esqueceu o texto. No original, disseram-lhe que o Irã não é um país árabe cujas fronteiras tenham sido decididas com o fim do colonialismo britânico, mas uma país de origem persa, com uma história diferenciada. De todo modo, se a invasão do Iraque foi, como ela diz, inaceitável, seja sua  artificial ou não, a impropriedade permaneceria, pois não?

Karl Marx disse de Lassale, para desqualificá-lo, ser o adversário intelectual um “caos de idéias claras”. Dilma é um caos de idéias confusas, daí a sua incapacidade de se expressar com fluência e clareza numa entrevista. E no governo? Pensaria com mais propriedade e desenvoltura? Os 11% de efetiva realização do PAC demonstram que não.

Instituto Universal nela! Ou, como dizia Chaves ao professor Girafales: “Dá zero pra ela!”

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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