LULA ATACA A IMPRENSA -- PETISTA HISTÓRICA DE MINAS DEIXA O PT, CHAMA LULA DE “CAUDILHO” E DIZ QUE JÁ VAI TARDE

Publicado em 10/06/2010 18:18 e atualizado em 11/06/2010 04:55 572 exibições

LULA ATACA A IMPRENSA (??!!) 


Vejam que coisa: eu e Lula somos críticos da imprensa. Com a diferença de que eu faço o debate, e ele tenta, de diversos modos, controlá-la e calá-la. Leiam isto.

“É esse país que não aparece na imprensa. É esse país que não aparece na televisão, é esse país que muita gente tenta esconder. E, aí, quando faz pesquisa, que o Lula tem 86% (de aprovação), é esse país que está dando essa popularidade ao nosso governo”.

O presidente fez essa afirmação em Aracaju, a uma platéia de 400 moradores de um conjunto habitacional. Seríamos eu e Lula, guardada a evidente diferença de importância entre ambos no cenário político brasileiro, críticos da “mídia”, mas com visões opostas? Não. Vamos por partes.

As pesquisas de opinião a que Lula se refere são, quase sempre, encomendadas por veículos de comunicação. E são eles a lhes dar ampla divulgação. Ou Lula teria de se virar com a Lula News, o brinquedinho caro de Franklin Martins e Tereza Cruvinel, que dá traço.

A imprensa que ele tanto critica é justamente uma das maiores divulgadoras de seus feitos, reais e supostos — e de suas críticas à própria imprensa, como se nota acima. Estamos diante de um método: a partir da crise do mensalão, Lula e os petistas decidiram que o inimigo do governo não é o crime, mas a notícia do crime.

Essa blitz contra a imprensa tem produzido resultado ao longo dos anos. Assediada permanentemente pela acusação do governo de que ela lhe dispensa um tratamento injusto, nota-se um esforço para provar o contrário, tarefa facilitada pela enorme presença de petistas e esquerdistas genéricos nas redações — toco no assunto no post em que me refiro à patrulha feita sobre Marina Silva.

Eu, nunca escondi, faço debate cuja raiz é mesmo ideológica. Faço-o por minha conta e risco. Meus únicos “instrumentos de pressão” são as minhas opiniões e meus leitores. Lula dispõe de outros bem mais poderosos. E ele os usa com determinação. Trato do assunto no post seguinte.

É evidente que a crítica de Lula, além de evidenciar um viés autoritário (ler post seguinte), é, em si mesma, injusta. O caso mais escandaloso a provar o que digo é o tal PAC. Em outro momento, creio, o jornalismo não teria passado a usar essa marca-fantasia como um dado da realidade referencial, como algo que fosse tangível, palpável, material. Pela simples e óbvia razão de que não é. E de que o programa nem sequer existe.

E notem: Lula começa a falar de si mesmo na terceira pessoa. Já não se trata mais de um privilégio de Pelé.

PETISTA HISTÓRICA DE MINAS DEIXA O PT, CHAMA LULA DE “CAUDILHO” E DIZ QUE JÁ VAI TARDE


A mineira Sandra Starling, 66, já chegou a ser a principal referência do PT mineiro. É fundadora do partido, foi a primeira candidata da legenda ao governo do Estado, em 1982, e chegou a ser líder de bancada na Câmara. Foi secretária executiva do Ministério do Trabalho no primeiro mandato de Lula. Anteontem, pediu a sua desfiliação e escreveu uma carta expondo o seus motivos: não aceita a imposição de Helio Costa (PMDB) como o candidato da base governista no estado.

“É lamentável que o PT acabe refém de uma pessoa, que é o Lula. [Ele] Tem os seus méritos, mas todo mundo tem algum mérito; virou caudilho no partido, manda, desmanda, decide, todo mundo obedece. Não dá! (…) O PT de Minas tem pessoas e figuras importantes que poderiam ter se unido para fazer uma resistência. Não é possível que essas coisas passem assim sem que ninguém proteste”, declarou à Folha.

Leia a carta de Sandra. Volto em seguida:
*
MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO

Adeus ao Partido dos Trabalhadores

Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida à boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.
É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982. Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes.
Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional.
Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões. Em Minas, tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.
Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar. Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida.
Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”

Voltei
Sandra Starling também vinha criticando a forma como Lula escolheu a “mineira” Dilma Rousseff como candidata do partido à sua sucessão. Já havia anunciado que não se engajaria na candidatura da ex-ministra, o que lhe rendeu uma espécie de reprimenda, ainda que afetiva, do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).

Como se nota, ela se mostra um tanto saudosista de um PT algo ingênuo, que ela imaginava puro, ainda não conspurcado pelo realismo… Sandra não percebeu que aquela é a esquerda que só existe… fora do poder!

Em briga de petista, eu não me meto. Mas sou obrigado a declarar que não entendo, mesmo!, cabeça de esquerdistas (e me pergunto se realmente fui um deles alguma vez). Sandra seguiu sendo petista durante o mensalão e depois dele — fazia parte do governo! —, continuou petista depois dos aloprados e agora deixa a legenda porque não pode suportar a indicação de Helio Costa como o candidato de Lula (e do PT) em Minas…

Sandra Starling escreveu uma autobiografia, que está na rede, chamada “Uma eterna aprendiz no PT”. O livro termina assim:
“Mas, por que fico no partido?
Porque ainda tenho a convicção de que podemos mudar esses comportamentos e  voltar a vir a ser o partido que tanta esperança acendeu nos corações e mentes dos brasileiros.
Continuo a ser uma eterna aprendiz.”

Será que ela finalmente aprendeu? Sei lá… Sua carta sugere que não aprendeu foi nada!

Petista de MG chama presidente nacional do partido de “Hitler”


Por Ranier Bragon, na Folha Online. Comento em seguida:


O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, vem enfrentando contestações de petistas de Minas Gerais devido ao fato de, após pressão de Brasília, o partido ter abandonado a candidatura própria no Estado e declarado apoio ao peemedebista Hélio Costa.

Em seu microblog, o presidente do PT diz ter recebido mensagens de ataque à candidatura de Costa, além de ter sido comparado a Adolf Hitler.

“Já disse que entendo e respeito manifestações dos companheiros de MG. Agora, me chamar de Hitler é um pouco de exagero, né não?!”, escreveu no Twitter na noite de anteontem. Em outro post, escreveu: “Entendo a insatisfação de alguns companheiros do PT-MG. Só não entendo como os ataques ao PMDB e Helio Costa ajudam a campanha da Dilma”.

Costa disputou com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) a indicação para a candidatura lulista em Minas. Na segunda-feira, a cúpula nacional dos dois partidos anunciou oficialmente nome do peemedebista, após pressão do PMDB, que no sábado oficializará o apoio a Dilma Rousseff (PT). O presidente Lula também era favorável à adesão do PT a Costa, que foi seu ministro.

Na tarde desta quinta-feira, José Eduardo Dutra voltou ao assunto, também no Twitter: “Já que virou assunto da imprensa, quero informar que recebi também muitos tweets mineiros simpáticos”.

Comento
É, Dutra tem razão. É “um pouco” de exagero.

FERREIRA GULLAR: “O LULA É, DE FATO, UMA PESSOA DESONESTA, UM DEMAGOGO, E ISSO É PERIGOSO”


O poeta Ferreira Gullar concedeu uma entrevista ao jornal O Dia, de Minas. Fala, obviamente, sobre literatura e cultura. Mas também fala sobre política (íntegra aqui).

(…)
Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado?
Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso.

Mas o governo Lula não teve nenhum mérito?
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país…”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário, era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão… Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.

LULA E OS ESQUELETOS

quinta-feira, 10 de junho de 2010 | 21:37

Lula concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio em Aracaju. Indagado se vetaria ou não o reajuste de 7,72% concedido aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo, afirmou o que segue, dando a entender que poderia vetar a proposta:

“Estou pagando quase R$ 7 bilhões por ano de esqueleto na Previdência por causa do Plano Bresser, por causa do Plano Verão, por causa do Plano Collor, por causa do plano não sei das quantas. Não quero deixar esqueleto. Quero fazer as coisas acontecerem da melhor maneira possível e não quero comprometer quem vier depois de mim. Quero que pegue um País mais acertado e com muito mais expectativa e esperança. Portanto não brincarei em serviço”.

Excelente que assim seja. Apenas cumpre lembrar que todos os planos econômicos — e isso vale até para o de seu atual aliado Fernando Collor — buscavam responder a um desequilíbrio que tinha se tornado estrutural da economia brasileira: a inflação. Não se tratava de perversidades de homens naturalmente maus, mas de tentativas — eventualmente honestas e desastradas — de responder à questão. Uma coisa é certa: a resposta do PT nos empurraria para a taba.

Até que veio o Plano Real, e uma engenharia realmente única conseguiu acabar com o principal imposto que havia no Brasil: a inflação — especialmente perversa para os pobres porque tinham menos condições de se defender.

Manter o Plano Real não foi tarefa fácil. Custou, em determinados momentos, alguns sacrifícios, inclusive do governo, que não pôde olhar para a sua curva de popularidade ao tomar decisões. Foi preciso enfrentar as falanges petistas, que gritavam, como celeradas, que o Proer, por exemplo, era mamata para banqueiro. E FHC pôde passar adiante a faixa sem o esqueleto da inflação, que passara a assombrar o país desde a crise mais aguda do “modelo” que havia vigorado no regime militar, no governo João Figueiredo. Esqueleto que foi se agigantando no período da redemocratização.

Não custa lembrar que, um ano antes de chegar ao poder, Lula liderava o seu partido reivindicando que o governo FHC concedesse um reajuste de 70% ao funcionalismo público federal. O tucano resolveu não meter esse esqueleto no armário. E os petistas aproveitaram para jogar os servidores contra o tucano. Aquilo tudo virou voto.

Por que escrevo isso? Apenas porque é verdade. Nada mais. Que me importa se é o tipo de verdade que não tem apelo junto às massas? Não escrevo para ser querido. Escrevo o que acho que devo escrever.

Lula disse mais:
“As pessoas, muitas vezes, pensam que votar facilidades, votar benesses, ajuda eleitoralmente. Não ajuda (…). O povo está compreendendo que o momento que o Brasil está vivendo é outro, e não se pode perder a seriedade com a estabilidade econômica, com o controle da inflação e com o crescimento sustentável que nós queremos para 10 ou 15 anos”.

Por quê? Houve momentos em que a irresponsabilidade era aceitável e bem-vinda? Seriam aqueles em que o PT tentou derrubar o Plano Real, em que recorreu contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em que se opôs às privatizações, em que tentou derrubar o Proer? E tudo em nome das tais “facilidades”?

“Ah, Reinaldo, não adianta escrever essas coisas. Ele continuará com 8.737% de popularidade”. A popularidade de Lula não muda a história. Pode, no máximo, mudar a narrativa dos historiadores interessados.

A LIBERDADE DE OPINIÃO NÃO É UMA OPINIÃO SOBRE A LIBERDADE - OU: UM SEMINÁRIO DE QUE ESTE ESCRIBA PARTICIPOU

quinta-feira, 10 de junho de 2010 | 18:26

Participei, na terça-feira, de um seminário promovido pelo Centro de Liderança Pública, dirigido por Luiz Felipe D’Ávila, que tinha um eixo interessante, centrado na palavra “coragem”: Coragem de Determinar Prioridades e de Liderar Mudanças Inovadoras.

Ao longo de dois dias, pessoas ligadas às mais diversas áreas debateram os temas conhecidos da agenda de qualquer país — crescimento, produtividade, educação, Justiça, liberdade de expressão — segundo a ótica da “coragem” de romper alguns paradigmas. Este escriba, tadinho!, era só o lambarizinho do encontro. Entre outros, participaram do evento Gilmar Mendes, Claudio Haddad, Pérsio Arida, Pedro Parente, Marcos Lisboa, Justine Thody (The Economist), José Pastore, Raul Velloso e Eduardo Gianetti da Fonseca — o site do CLP está aqui, com todos os participantes e dados sobre o evento.

Coube a mim falar sobre a “Coragem de defender a liberdade de opinião, o Estado de direito e as instituições democráticas”. E me dei conta, enquanto falava, do quão maluco poderia parecer o tema: “Então é preciso CORAGEM para defender essas coisas”? Sim! Porque, como afirmei no encontro, é preciso enfrentar a “legião da desqualificação”, que pretende transformar a liberdade de opinião em mera opinião sobre a liberdade.

Parece mero jogo de palavras? Mas não é! A liberdade de opinião é um direito consagrado nas democracias. Se ela passa a ser considerada uma mera opinião sobre a liberdade, significa que pode ser solapada por outras opiniões, inclusive a daqueles que acreditam que há valores maiores e mais importantes do que a liberdade: os interesses do estado, os interesses do governo, os interesses dos ditos movimentos organizados…

Na minha intervenção, tratei das três frentes que reúnem os inimigos da liberdade de expressão: a frente legal, a frente econômica e a frente propriamente política. Na questão legal, lembrei que o governo Lula começou tentando expulsar do país um jornalista que sugeriu que ele tomava uns pileques de vez em quando, passou pela tentativa de criar o Conselho Federal de Jornalismo e chegou às tais conferências — de Direitos Humanos, de Comunicação e de Cultura — que pregaram abertamente o controle estatal dos meios de comunicação. Falei, obviamente, da luta deste blog contra o tal Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos.

Na frente econômica, lembrei as tentativas, que passam de uma centena e ainda em curso, de criar limites à publicidade, fonte da independência editorial dos veículos de comunicação. Já escrevi aqui a respeito outras vezes. Deixado o governo e algumas ONGs à vontade, será proibido fazer propaganda de biscoito e de água. Se diminui a importância da publicidade privada num veículo, cresce a importância da publicidade estatal ou pública. E quem se dana é a liberdade.

Tratei também da distribuição política da verba oficial de propaganda e da verba das estatais, feita segundo as afinidades ideológicas do governo. Bancos públicos financiam hoje, entre outros, blogueiros que estão a serviço do petismo e de sua candidata à Presidência. A coordenação desse recursos, como todos sabem, é de Franklin Martins.

Na frente política — esta mais intangível, mas não menos presente —, lembrei essa espécie de infiltração nas redações, contaminada pelo petismo e afins, que sataniza a divergência em nome dos tais temas ditos transversais: direitos humanos, ecologia, igualdade etc. As ameaças à liberdade se dão em dois planos distintos, mas que se combinam: há o oficial mesmo, conduzido pelo governo e pelo estado, e há o que se opera na esfera dos valores, com a tentativa de banir a divergência.

Por que tudo isso? Volto ao ataque feito por Lula à imprensa, da qual eu também sou crítico. A sua fala tem uma dimensão prática, que consiste na tentativa de enquadrar o jornalismo pela via legal e econômica e de produzir o próprio noticiário — que seria, então, o verdadeiro, livre de supostos interesses comerciais. A minha fala busca a pluralidade, não a unanimidade.

Nós sabemos bem o que eles querem, o que já foi revelado por um dos blogueiros do oficialismo: fichar quem não se ajoelha diante da divindade. Pois é. Chegamos ao ponto em que é preciso ter coragem.



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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (veja.com

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