Patrulha inútil! Não vou parar! (Reinaldo Azevedo)

Publicado em 24/11/2010 08:06 e atualizado em 04/03/2020 22:36 766 exibições

Quando certo blogueiro lulista recomendou aos coleguinhas que fizessem reportagens para encontrar os 3% que achavam o governo ruim ou péssimo, entendi que ele sintetizava o espírito de um tempo: se havia pessoas descontentes com o governo, isso seria tão absurdo que urgia saber quem eram e quais os seus motivos. Se não podiam lhes abrir a cabeça para fatiar o cérebro e saber onde se alojava o antilulismo, que ao menos fossem social e politicamente dissecadas. Foi então que sugeri que o lulo-petismo, identificadas tais pessoas, as obrigasse a andar com um uniforme listrado e um triângulo roxo, típico dos que não aderem ao regime por objeção de consciência.

Comecei a militar num grupo trotskista ainda no governo Geisel, tinha de 14 para 15 anos. Depois veio a ditadura meio esculhambada de Figueiredo, abertura, Sarney etc. No fim do regime militar, a barra ainda pesava, e se sentia muito medo. A democracia trouxe a sensação, que correspondia à realidade, de liberdade. E eu fiquei viciado nesse negócio. A suposição, nos limites da Constituição, de que alguém tente me impedir de dizer o que acho que tem de ser dito, desperta o capeta em mim. Nunca, do governo Sarney para cá, houve um clima de caça às bruxas como o que se vive agora. Com uma diferença: se, durante o regime militar, as ameaças à liberdade vinham de órgãos do estado, agora, os tiranetes de quarteirão, espalhados em todo canto, inclusive nas redações, ousam criar uma espécie de index do que pode e do que não se pode escrever. Os “tolerantes” chegaram ao poder e descobriram que esse negócio de democracia é bacana desde que as pessoas digam as coisas certas.

Os argumentos perdem sentido, tornam-se inúteis. Desde que se tenha uma “boa causa”, considerada correta, que se danem os números, a lógica e os fatos. A matemática pode ser declarada um instrumento da reação caso ela se negue a endossar a reivindicação militante. E aqueles que ousam dissentir tornam-se alvos da satanização. Se o movimento a favor do aborto, por exemplo, usa estatísticas vigaristas para defender a sua causa, ai de você se demonstrar, como fiz, que os números são fajutos porque desmoralizados até pela taxa de natalidade do país. Em vez de voltarem à prancheta para verificar se sua causa se sustenta com dados verdadeiros — ou, então, que defendam a sua tese dispensando os números —, passam a ofendê-lo como o “reacionário” do Opus Dei (ao qual não pertenço e, se pertencesse, diria porque não haveria nada de errado nisso), interessado, como dizem, em “impor a sua pauta católica”. Não quero impor nada. Mas me pergunto por que eu, católico, não posso defender o meu peixe se eles, os não-católicos, podem vender  seu. “Porque o estado é leigo”, logo responde o esquerdistazinho excitado, achando que me pegou. Leigo, mas não ateu. E, enquanto as religiões não forem proscritas, os cristãos hão de se manifestar em igualdade de condições com ateus e agnósticos.

Anteontem, escrevi aqui um texto contra a tal PL 122, que chamei de “AI-5 gay”. Deixei claro, inclusive, o que penso sobre união civil de homossexuais e adoção de crianças — ambas, acho, aceitáveis, guardadas certas condições. O que as pessoas fazem na cama não me interessa. Mas não é possível condescender com uma lei que viola a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, incorporando, com demonstrei, a linguagem militante e mandando às favas o estado de direito sob o pretexto de proteger os gays. Pra quê!? Foi um deus-nos-acuda!  Houve quem achasse por bem, em nome das liberdades democráticas, pedir a minha cabeça para a VEJA. Afinal, vocês sabem, essa gente não pode conviver com um sujeito como eu, que não respeita a liberdade alheia…

Como as minhas ousadias e provocações não têm limites, ousei dizer que o papa não mudou de opinião em relação à camisinha e que tratou do assunto como o mal menor, expressão, diga-se — dêem aqui o mérito para este servo de vocês, hehe — , que o porta-voz do Vaticano empregou nesta terça-feira. Chamei a atenção para aquela que é posição da Igreja nessa questão: o método mais eficaz contra a transmissão do vírus pela via sexual é a responsabilidade individual. Uma integrante do programa da ONU de combate à Aids na África, não consegui saber a nacionalidade, afirmou:  ”Vai ajudar bastante, mas poderia ter prevenido muitas infecções se fossem divulgadas antes”. Ela está mentindo. Quem deixou de usar camisinha seguindo, supostamente, orientação da Igreja, que nunca disse para não usar, deveria ter sido obediente à real orientação da Santa Madre: abstinência e fidelidade. E, de novo, lá veio a avalanche! Até parece que as pessoas contraem Aids fazendo o que o papa recomenda! Não contraem! Fosse sua orientação moral um método, seria 100% seguro — um índice certamente superior ao da camisinha… Mas isso não pode ser dito.

Em meu supremo atrevimento, tenho ousado contestar o “milagre” da segurança pública de Sérgio Cabral, aquele que supostamente vai tomando territórios ocupados pelo narcotráfico sem dar um tiro e sem prender bandidos. Método inédito no Brasil e no mundo. Como sabem, não esperei a onda de violência para afirmar que estávamos diante de uma “mistificação”, e o blog logo se encheu de “especialistas” furiosos sustentando que um reaça como eu gosta de ver cadeias lotadas; que não percebo a ineficácia das prisões; que o Brasil prende demais ou sei lá o quê. Ignoro o que quer dizer “muito” nesse caso. Sei que São Paulo, com 22% da população, tem quase 40% dos presos, e o índice de homicídios no estado, mesmo tendo algumas das maiores cidades do país (inclusive a maior), é de 9 por 100 mil habitantes, número considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde. O do Rio, que prende muito menos, é o quádruplo. Uma coisa é pacificar o narcotráfico, outra é combatê-lo. Já escrevi bastante a respeito e não vou me repetir. O que nunca ficou muito claro para mim é por que não prender é mais justo e humano do que prender. Para quem? É claro que eu acho que os bandidos também têm direitos — eles só não têm direito de ser bandidos. Por isso têm de ser afastados do convício social. Essa tese é assim tão esquisita? E para encerrar essa passagem: “São Paulo tem menos homicídios por outros motivos”, dirá alguém. Pode ser. Primeiro o Rio (e também a Bahia, Pernambuco…) põe os seus bandidos na cadeia. Aí a gente vê.

O que me impressiona em todos esses casos é que a turma da gritaria não se ocupa minimamente em  contestar argumentos, dados, informações, nada! Tenta-se resolver a coisa pelo caminho da estupefação: “Como você pode dizer isso?” Ou ainda: “Olhem só o que ele disse! Que absurdo!” Ora, se não posso “dizer isso” porque falso, então digam a verdade; se a tese é absurda, então mostrem o que não é. Xingar, vituperar, espernear, fazer correntes na internet, tudo isso é inútil. Esse tipo de adversidade até me anima a encontrar novos consensos furados.

E, finalmente, há o lado jocoso nessa história, embora emblemático: contestar Chico Buarque é proibido, ainda que ninguém se atreva a escrever um texto de alcance acadêmico, técnico que fosse, demonstrando por que estamos diante de um autor de ficção como há muito o Brasil não vê: autor de quatro romances, ganhou três Jabutis. Só  um “conservador” como eu para contestar. “Eles” não contam para ninguém por que o sambista é um grande romancista, mas eu deveria ser impedido de dizer por que não é.

Um recado aos que gostam e aos que não gostam do que lêem aqui: não vou parar! Sempre que esses consensos fajutos botarem jabutis em árvores ou na mão do Chico Buarque, eu vou estranhar: “Jabuti não sobe em árvores! Chico não escreve romances!” E percorrerei com muito gosto a trilha da divergência. Ademais, as urnas deixaram claro: a divergência reúne bem mais do que 3%, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

Sobre progressistas, cabritas desavisadas e viuvinhas. Ou: o papador da reputação alheia e da história

Lula concedeu uma entrevista a blogueiros que se classificam como “progressistas”. Entendo! Os “regressistas” não estavam presentes. Alguns desses amantes do progresso são, na prática, pagos por vocês, embora o patrão dos entrevistadores, para todos os efeitos, seja o entrevistado. Ainda que eu quisesse, creio que ele não falaria ao meu blog não-progressista. Ocorre que eu não quero. “Ah, tá com inveja!?” Exatamente de quê? Lula finge muito.

A sua melhor e mais sincera entrevista ainda é aquela concedida à Playboy em 1979, onde afirma que, na direção do sindicato, cuidando da área de Previdência, ficava de olho nas “viuvinhas ajeitadas” dos “companheiros” mortos. Quando conheceu o sogro de Marisa Letícia, cujo marido havia morrido, ele pensou com sua ética costumeira: “Ainda vou papar a nora desse velho”. Papou, mas ela deu sorte, né? Um dia, olhou para Brizola e Arraes e pensou: “Ainda vou papar a base política deles”. No governo, olhou para FHC e pensou: “Ainda vou papar o Plano Real dele”. Lula é assim: vai papando o que encontra pela frente: as viúvas, as biografias alheias, a história… Na entrevista à Playboy, ele também aborda folguedos sexuais com animais — mas não me alongo a respeito porque este, não sendo um blog progressista, também é de família, editado por um rapaz católico… Adiante.

Blogueiros progressistas não têm leitores. Assim, a repercussão da entrevista fica por conta dos grandes portais, dos jornais e, bem…, deste blog,  hehe.  Há pelo menos três coisas a destacar neste texto (a quarta, que é o nefando, fica para post específico) sobre a  fala do valente — que, vocês sabem, foi inquirido com grande energia…

Serra
Lula começou a fazer campanha eleitoral em 1980 e não parou mais. Já são 30 anos. E continua. Referindo-se à agressão de que o então candidato tucano, José Serra, foi vítima no dia 20 de outubro, afirmou: “Foi uma desfaçatez. Eu perdi três eleições [...], e jamais teria coragem de fazer uma mentira daquela. Fiquei decepcionado porque tentaram inventar uma outra história, um objeto invisível. [...] O Serra tem que pedir desculpa ao povo brasileiro”.

Como se nota, está insistindo na versão inicialmente apresentada pelo SBT, segundo a qual o tucano teria sido agredido apenas por uma bolinha de papel. A própria emissora já se redimiu da mentira, diante das evidências. Mas e daí? O SBT, cumPre lembrar, pertence ao grupo Silvio Santos, o mesmo que detém o controle do Banco Panamericano, onde a CEF enfiou R$ 700 milhões, embora o banco estivesse quebrado. Silvio e Lula haviam se encontrado no dia 22 de setembro, quando o BC já sabia que o banco estava podre.

Os promotores da confusão em Campo Grande, no Rio, que resultou na agressão a Serra,  são ligados ao PT. Abaixo, nós os vemos em ação naquele dia e ao lado do Babalorixá de Banânia. Uma entrevista feita a sério teria de abordar essas imagens. Eis Lula, já em campanha para 2014. Ninguém deve se iludir: seu objetivo é destruir a oposição, e a isso vai se dedicar mesmo fora do poder — e um dos instrumentos possíveis será a reforma política. Mas falo sobre isso em outro texto.

agressor_021

agressor_04agressor_01Copa
Contra todas as evidências e contra o testemunho do próprio ministro dos Esportes, Lula assegurou, sem contestação, que as obras da Copa do Mundo estão no prazo, que tudo corre às mil maravilhas. E, acreditem!, criticou o governo de São Paulo por causa das dificuldades encontradas com o estádio do Morumbi. Toda essa negociação foi conduzida pelo governo federal e pela CBF — o governo do Estado não tem nada com isso. Limitou-se a dar uma declaração correta: não iria pôr dinheiro público no empreendimento, o que faz muito bem. Mas esse é o papador de viuvinhas distraídas: conta a história conforme lhe dá na veneta.

Imprensa
Estimulado pelos “blogueiros progressistas”, que têm mais ódio da “mídia” do que o próprio patrão que entrevistavam, Lula se disse fruto da liberdade de imprensa, mas largou o porrete na… imprensa!!! Eu também acho que ele deve muito ao jornalismo, sempre tão bonzinho. É seu lado “marxista” — o marxismo “groucho”, naturalmente: ele não respeita clube que o aceite como sócio.

Sobre a imprensa, fez um, vá lá, raciocínio curioso: “Sou resultado da liberdade de imprensa no Brasil. O que eles [imprensa] se enganam é que o povo não é mais massa de manobra, o povo está mais inteligente e vamos trabalhar cada vez mais para democratizar a mídia eletrônica. (…) Parte do noticiário da imprensa brasileira, se você ler, não sabe o que acontece no Brasil. Quando sai pesquisa com 80% aprovação, eles não sabem que o tempo todo trabalharam contra isso. O povo brasileiro já não se deixa mais levar por revista que, muitas vezes, está com menos interesse de contar o fato em si do que mostrar sua visão sobre assunto.”

Interessante! Lula se tornou um líder justamente no tempo em que, segundo ele, próprio a imprensa enganava as pessoas. É, talvez faça sentido, não é mesmo? Quanto ao resto, dizer o quê? O Apedeuta realmente acredita que os 80% de aprovação — segundo os institutos de pesquisa ao menos — significam carta branca. E as urnas deixaram claro que não. Lula pode torcer o verbo o quanto quiser e não conseguirá mudar uma evidência: o eleitor corrigiu a valor de mercado, que é o valor REAL, a  bolha especulativa da sua popularidade. Dos 135 milhões de eleitores, apenas 41% votaram na candidata do PT. Os outros 59% ficaram com a oposição, anularam ou votaram em branco ou, ainda, arrumaram coisa mais interessante para fazer naquele dia.

Lula não se conforma que haja aqueles que não aceitam se comportar como cabritas ou viuvinhas desavisadas? Pois é… Não vai nos “papar” como “papa” os “blogueiros progressistas”… E, acreditem,  esse não foi o seu pior momento.

Por Reinaldo Azevedo

Leia editorial do Estadão:
É intelectualmente pobre - e moralmente esquálida - a argumentação com que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tentou justificar a abstenção do Brasil diante de um projeto internacional de resolução condenando o Irã por “violações recorrentes de direitos humanos”. Apresentada por 24 países liderados pelo Canadá ao comitê da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado para essas questões, a proposta destacou entre tais violações o apedrejamento como método de execução.

Foi uma referência óbvia à situação da iraniana Sakineh Ashtiani, sentenciada à lapidação por ter cometido adultério - embora fosse viúva. Diante dos protestos mundiais contra o que a presidente eleita, Dilma Rousseff, viria a qualificar como “uma coisa bárbara, mesmo considerando usos e costumes de outros países”, o Irã aparentemente modificou a forma da pena de morte para enforcamento, sob a alegação, fabricada às pressas, de que Ashtiani também assassinara o marido.

No comitê de direitos humanos da ONU, a resolução foi aprovada por 88 a 44 votos, com 57 abstenções. Por ação ou omissão, ficaram do lado do regime liberticida de Teerã, além do Brasil, países como Cuba, Benin, Líbia, Síria, Sudão e Venezuela. Entre os vizinhos, Chile e Argentina votaram contra o Irã. Não é a primeira vez que, no governo Lula, o Brasil se nega a condenar notórios violadores das garantias fundamentais da pessoa, como se o país não tivesse firmado as convenções internacionais mais significativas a esse respeito, a começar da Carta da Organização das Nações Unidas.

Para o chanceler Amorim, a via mais efetiva para sustar os abusos perpetrados por ditaduras ou democracias de vitrine é o diálogo a portas fechadas. Manifestações públicas e o apoio a sanções adotadas pela comunidade internacional, segundo ele, servem apenas para agradar a imprensa e “algumas ONGs”.

Trata-se de uma consternadora deturpação dos fatos. Compromissos em privado e pressões ostensivas estão longe de se excluir. Ao longo da história, muitas vidas foram salvas graças a diferentes modalidades de combinação, ditadas pelas circunstâncias, entre ambos os recursos.

A crer no ministro, o Brasil teria se abstido de alma leve na recente votação por duas razões. Primeiro, porque “falamos diretamente (da questão do apedrejamento) com o governo do Irã”, o que seria muito mais eficaz do que as condenações aprovadas por outros países sem as mesmas “condições de diálogo” com Teerã. E segundo, porque o País teria contribuído para a alegada decisão iraniana de suspender a lapidação. “Não posso atribuir ao Brasil, porque seria pretensioso”, disse o chanceler, impado de pretensão, “mas em várias ocasiões já nos foi assegurado que o apedrejamento não vai ocorrer.”

A recusa do Itamaraty a afirmar na cena mundial os valores que o Brasil adotou com a redemocratização não apenas os subordina a um cálculo de conveniências que nem sequer demonstram ser vantajosas, mas prejudicam o País na frente externa.

Governos muitas vezes decidem patrocinar ou endossar condenações a regimes de força também para mostrar à opinião pública internacional de que lado se encontram da divisa que separa o humanismo da insensibilidade moral. O mundo decerto não é uma confraria de querubins. Mas não há atenuantes para a cumplicidade com a barbárie.

No governo brasileiro, por sinal, há quem vá mais longe nesse rumo do que o chanceler Amorim. Trata-se do seu colega da Defesa, Nelson Jobim. Para ele, “essa questão de direitos humanos é ocidental” e o apedrejamento da iraniana não é “problema nosso”.

Numa caricatura rústica do conceito de relativismo cultural, Jobim chega a negar a existência de valores universais. O que há “são hábitos”, e o Ocidente não pode impor as suas concepções. A pretensão de fazê-lo, segue o disparate, é o que “produz intolerância” - e pode levar os países a “importar o terrorismo”. Fosse Jobim ministro da Defesa de uma ditadura, o bestialógico ainda poderia ser interpretado como uma forma de autoproteção. Nas circunstâncias atuais, é simplesmente incompreensível.

Por Reinaldo Azevedo

Por João Domingos e Vera Rosa, no Estadão. O título do texto não foi dado pelo jornal. Na prática, sua autora é Dilma Rousseff:

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) é o nome mais cotado para ser o novo ministro da Justiça. Ele tem mantido seguidas reuniões com a presidente eleita, Dilma Rousseff, para tratar de temas relativos à pasta da Justiça no próximo governo. Cardozo é também um dos três principais integrantes da equipe de transição de Dilma.

Dos temas relativos à segurança que vêm sendo debatidos entre a presidente eleita e Cardozo estão a continuidade da instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em pontos tomados pelo crime organizado, como as favelas do Rio, e também formas de combater o crack.

Este é um assunto que foi muito estudado pela equipe do programa de governo de Dilma Rousseff. E ela sempre falava na questão do crack tanto nas entrevistas coletivas durante a campanha quanto nos debates, quando as perguntas tratavam de temas relativos à segurança pública.

Tanto Dilma quanto Cardozo acreditam que serão necessárias ações de repressão ao tráfico do crack, no seu nascedouro, e diretamente nas cracolândias. Paralelamente, acham que o governo deve investir no apoio aos centros de recuperação de drogados que já existem, além da criação de novos.

Eles entendem ainda ser necessária uma ação nas fronteiras para o combate ao tráfico de drogas e de armas. Dilma é especialmente encantada com os Veículos Não Tripulados (Vants) comprados de Israel e que estão em fase de teste pela Polícia Federal. Quer adquirir novos modelos. Cardozo concorda com essa política e defende continuar a gestão do ex-ministro Tarso Genro - a começar pela independência e profissionalização da Polícia Federal (PF).

Perfil. Cardozo não se candidatou à reeleição como deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele é secretário geral do partido e integra a corrente Mensagem ao Partido, da qual faz parte também o ex-ministro Tarso Genro, atual governador eleito pelo Rio Grande do Sul. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Andreza Matais, na Folha:

Homem forte no governo Lula até ser apeado da presidência do Senado em 2007, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) promete sair da sombra e voltar ao embate político. Desde a crise, atuava apenas nos bastidores. Cotado para o comando do Senado, escolheu continuar líder da maior bancada na Casa, papel que lhe garantirá interlocução privilegiada com a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). Em entrevista à Folha, Renan disse que a ausência de Aloizio Mercadante no Senado, a quem chama de “um trapalhão, um aloprado”, deve facilitar a convivência PT-PMDB. Mas alertou que atritos poderão ocorrer caso o PT tente reduzir espaço de seu partido na Esplanada. Sobre as denúncias que o tiraram da presidência do Senado, admite ter cometido erros. Ele foi acusado de ter contas pessoais pagas por um lobista. O caso está no Supremo Tribunal Federal.


Folha - Por que apoiar a reeleição de Sarney para a presidência do Senado?
Renan Calheiros -
 A permanência dele é o que causa menor atrito, não abre guerras de vaidades para um início de governo que tem quase 70% de apoio no Congresso. O sentimento que vivemos hoje é o de continuidade. Não se mexe em time que está ganhando.

O PT tenta a vaga…
Essa discussão pode reabrir atritos, sobretudo se for conduzida pelo Mercadante. O Mercadante é um trapalhão, um aloprado de sempre, mesmo sem ser senador [o mandato dele se encerra em dezembro] ele quer influir na eleição para a presidência do Senado, uma coisa ridícula. Toda vez em que ele tentou articular no Senado, perdeu. É desastroso nisso. O clima no Senado é de conciliação, não de atrito.

O PMDB da Câmara também fala em rodízio no Senado.
O acordo da Câmara não tem nenhuma relação. O regimento do Senado é claro sobre o direito da maior bancada indicar o presidente. Não pode ser contestado.
(…)
O novo Senado aprova a CPMF?
Se vier com a chancela dos governadores, da presidente Dilma, se for exclusivamente para financiar a saúde, tem chance de ser aprovada. Agora, não podemos, de forma nenhuma, pensar em votar a CPMF sem primeiro desonerar a folha de pessoal, os investimentos e completamente a exportação.
(…)
O PMDB fez um blocão na Câmara. Pode fazer no Senado?
No ano passado nós contávamos com o PP no bloco. Não há desejo de ampliar o bloco, de fazê-lo maior. O momento exige muita racionalidade, uma vez que você fala demais, acaba atrapalhando e o PT está falando demais. O PMDB fica incomodado quando alguém do PT estreita politicamente a coalizão. Provavelmente esse bloco da Câmara é uma resposta a isso. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Denise Madueño, no Estadão:
O governo enfrenta a resistência do PMDB, partido do vice-presidente eleito, Michel Temer, e de partidos da base para barrar a votação da proposta de emenda constitucional de criação do piso salarial nacional para os policiais militares, civis e integrantes do Corpo de Bombeiros, conhecido por PEC 300.A votação da proposta poderá significar a primeira derrota para Dilma Rousseff, antes mesmo de assumir a Presidência. A eleita já manifestou ser contrária à aprovação do piso neste ano.

Cálculos preliminares do Ministério do Planejamento apontam para um impacto de R$ 43 bilhões para os cofres do governo federal e dos Estados com o aumento salarial que virá em decorrência da criação do piso. Um grupo de sete governadores e vices eleitos ou reeleitos - São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro -, os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, fizeram um apelo aos líderes partidários para tratar do salário dos policiais no próximo ano, dentro de uma ampla discussão sobre segurança pública.

“Não venha nos impor esse vexame”, reagiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), em reunião na casa de Temer. O líder insistiu que o adiamento da votação significaria a desmoralização da Casa, que já se comprometeu em votar a proposta. Ao apresentar sua posição, Henrique Alves disse estar falando em nome do “blocão” - bloco parlamentar que reúne o PR, PTB, PP, PSC e PMDB.

“Além de impor uma despesa aos Estados, a criação do piso nacional fere o princípio federativo, garantido na Constituição”, argumentou o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), lembrando que cabe aos Estados tomar decisões administrativas e administrar seus orçamentos. “Se for criar piso para uma, duas, dez categorias, daqui a pouco os governadores ficam impedidos de fazer gestão de pessoal”, continuou Wagner.

“Nossa posição é clara: isso deve ficar para o ano que vem, depois da posse dos governadores e da presidente. Aí discute-se segurança pública e a melhoria salarial dos policiais”, disse o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O ministro Padilha deu apoio aos governadores e engrossou o coro contra a votação de projetos que criam despesas que não estão previstas no Orçamento da União. “Nós queremos entregar o Brasil ajustado à presidente Dilma Rousseff e a mesma questão vale para os Estados.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Dimmi Amora e Leila Coimbra, na Folha:
As empresas francesas de trens de alta velocidade vão desistir de participar do leilão do trem-bala do Brasil se ele for confirmado para a próxima segunda-feira. Alemães e espanhóis devem seguir o mesmo caminho, conforme apurou a Folha. Os grupos multinacionais estão sendo procurados desde a semana passada pela ANTT (Agência Nacional de Energia Elétrica) para formarem consórcios com empresas nacionais, mas ainda apostam num adiamento do leilão por parte do governo. Com a desistência francesa, o governo fica ainda mais pressionado a tentar conseguir que pelo menos mais um consórcio entre na disputa.

Até agora, só o grupo sul-coreano, formado pela estatal operadora Korail e pela fabricante Rotem/Hyundai e que teria mais 20 empresas nacionais e estrangeiras, confirma que fará proposta. A França foi o segundo país a deter a tecnologia, em 1981. Sua fabricante de equipamentos, a Alstom, é a que tem mais trens de alta velocidade em operação no mundo. É investigada por suspeita de pagamento de propina por contratos no Brasil. Os japoneses, pioneiros na tecnologia, também não devem entrar no negócio. Uma fonte do país classificou como “muito difícil” a participação no projeto que prevê ligar Campinas-SP-Rio se o leilão for na segunda.

Um grupo de 20 empreiteiras de São Paulo ligadas à Associação de Empreiteiras de Obras Públicas e que se apresentou como interessado desistirá se a data for mantida. Para realizar o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o governo forjou um consórcio de última hora com a estatal da Eletrobras e subsidiárias garantindo 49% do projeto. No caso do trem-bala, essa possibilidade é mais remota. Isso porque o edital exige que o consórcio tenha um fabricante e um operador desse tipo de trem. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Fernanda Odilla, na Folha:
A empresa do marido de Maria das Graças Foster, diretora da Petrobras e nome cotado para o primeiro escalão do governo Dilma Rousseff, deixou de cumprir contrato com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) e foi poupada de punição. Mesmo depois de constatar que a C. Foster descumpriu o plano de trabalho inicial para explorar petróleo em Sergipe, a ANP isentou a empresa de punições, justificando que houve “fornecimento tardio” de informações pela Petrobras. A decisão da ANP foi tomada em novembro de 2007, dois meses depois de Graça, como Maria das Graças Foster é conhecida, assumir diretoria de Gás e Energia da Petrobras.

Na resolução em que poupou a empresa, a ANP diz que a Perobras forneceu com atraso “informação relevante e restrições ambientais” para a exploração. De propriedade de Colin Foster, a C. Foster venceu leilão, em 2005, e assinou contrato com a ANP para explorar uma área inativa na Cidade de Pirambu (SE). Segundo a Petrobras, as informações com os detalhes da área foram encaminhadas à ANP em abril de 2006, 26 dias depois de a agência ter feito a solicitação. À Folha a ANP não disse quanto tempo a Petrobras demorou nem o prazo que tinha para fornecer os dados. Mas, no final de 2007, a diretoria da agência isentou de punição a C. Foster, que desistiu da exploração do local por considerar inviável. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Gabriela Guerreiro, Flávia Foreque e Daniela Lima, na Folha:

Em almoço com líderes do DEM em Brasília, o prefeito Gilberto Kassab (SP) defendeu ontem a antecipação das eleições para a escolha de um novo comando para a sigla -alternativa que, segundo democratas, poderia pôr fim nas negociações para que ele vá para o PMDB. Desgastado com o grupo ligado ao presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ), cujo mandato vai até o final de 2011, Kassab disse que considera permanecer no DEM se tiver “condição confortável”, com espaço para transitar -cenário que seria facilitado pela troca de comando.

O prefeito almoçou com o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), e o ex-presidente da sigla, Jorge Bornhausen (SC). “Posso assegurar que a preferência dele é se manter no partido. Política é diálogo e todos nós queremos o fortalecimento do DEM”, disse Agripino. Questionado sobre a antecipação da troca de presidente, o senador tergiversou. “A renovação acontece, mas ela não implica imposição. Ninguém é permanente.” Kassab sinalizou ontem que tem prazo para uma definição. “Teremos até o final de março para decidir o futuro do DEM. O momento é de revigorá-lo”, afirmou.

Procurado, Rodrigo Maia, criticou a pressão exercida pelo prefeito, mas disse que está aberto ao diálogo. “Todos nós trabalharemos para que ele permaneça, mas estabelecer as coisas na base da troca, creio, não é o melhor caminho”, afirmou.Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Leonêncio Nossa, no Estadão Online:
Depois de esgotar na campanha eleitoral as oportunidades de lançamento de pedra fundamental e início de terraplenagem de obras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta terça-feira, 23, uma nova safra de viagens. Ele esteve no final da manhã desta terça em Ribeirão Preto (SP) para dar o “primeiro pingo de solda” na tubulação de escoamento de álcool de cidades da região e de Goiás para usinas de Paulínia e Taubaté.

Até o final do ano e do mandato, Lula terá uma agenda movimentada. Mesmo sem poder concluir obras, ele pretende participar do maior número possível de eventos em canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A seus auxiliares, o presidente repete que não quer viver a sensação de final de festa.

A agenda inclui viagens especialmente para a Região Nordeste, onde ele não conseguirá entregar as mais importantes obras de infraestrutura de seu governo. Governadores e prefeitos aliados do presidente preparam uma série de homenagens. Não faltarão lágrimas, dizem os auxiliares do presidente.

Lula percorrerá pela última vez no cargo trechos dos canais de transposição das águas do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. A água ainda não chegou às comunidades que enfrentam o problema da seca, mas o presidente quer mostrar ao menos seu esforço para concluir as obras.

Além das obras da transposição, o presidente deixa o governo frustrado por não entregar as ferrovias Transnordestina, que ligará os portos de Pecém (CE) e Suape (PE), e a Leste-Oeste, que começa em Figueirópolis, no Tocantins, e termina em Ilhéus (BA). As viagens de Lula ao Nordeste na reta final de governo se justificam só pelo caráter “sentimental”, dizem assessores.

Isso ficará ainda mais claro, segundo eles, numa viagem que Lula fará ao Recife, no dia 29 de dezembro. Ele participará da inauguração de um museu dedicado ao músico Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Lula ainda mantém a promessa de ir a Guaribas (PI), onde lançou o Fome Zero.

Por Reinaldo Azevedo

Clóvis Rossi, colunista da Folha, escreveu um texto na Folha Online intitulado “O lado lixo da Internet”. Alude a uma coluna da ombudsman do jornal, Suzana Singer, que protestou contra o fato da a Folha Online publicar comentários de leitores sem mediação, apelando apenas a algumas ferramentas que barrariam barbaridades, todas fáceis de driblar. Este blog tem mediação. Não a faço sozinho porque não haveria tempo. Rossi aborda ainda o caso de blogueiros financiados por governos, ou sei lá, forças estranhas, aqui e no mundo. Existem, e todo mundo sabe.

Do nada, resolveu entrar no caso do Prêmio Jabuti. Escreve:
“A premiação de ‘Leite Derramado’, definida pelo público, foi contestada pela Editora Record, que deixou no ar o mesmo tipo de alegação já mencionado: Chico teria sido premiado por ter feito campanha por Dilma Rousseff, afinal tão popular que acabou eleita presidente da República. Não seria, portanto, pelo seu talento literário.”

Rossi tem o direito de reclamar do lixo alheio e até toca em questões pertinentes em seu texto. Mas tem o dever de não produzir mais lixo. A Record não fez essa acusação, e o blog que primeiro protestou contra a premiação foi o meu — e eu não escrevi, em nenhum momento, que o sambista foi premiado porque fez campanha para Dilma. Sem eleição, teria sido laureado do mesmo jeito. Só havia uma maneira de não sê-lo: não ter escrito livro nenhum. Os argumentos estão em vários textos, e não vou repeti-los aqui. Logo, trata-se de algo até mais sério porque transcende uma eleição.

Escreve Rossi ainda:
“Todo o mundo tem o direito de gostar ou de odiar o livro.
Ele diz isso, mas, na verdade, não acha isso. Pelo visto, a pessoa pode odiar, desde que fique de bico fechado.

Eu ainda não li, mas li o anterior, “Budapeste”, delicioso, daqueles que você pega e não consegue largar. Para o meu gosto, portanto, o talento de Chico está comprovado - e não só pelas suas músicas -  desde sempre.”
Sempre deixei claro que minha restrição ao Chico romancista não era ideológica; ideológica é a premiação. Eu acho sorvete de macadâmia da Häagen-Dasz delicioso e, se não tomo cuidado, não consigo largar. Nem por isso acredito que mereça um Prêmio Jabuti de obra do ano de ficção. Se foi alusão ao meu blog, Rossi tem de responder à crítica literária que fiz à “obra” de Chico Buarque em vez de falar como alguém que consome sorvete ou um pedaço de presunto.

Ele vai adiante:
Talento reconhecido durante a ditadura, que o censurava, pela democracia antes de Lula chegar ao poder e depois também. Não há portanto motivos para colocar um fator político à frente da discussão de seu valor como escritor.
O colunista deveria estudar Aristóteles, especialmente o capítulo que trata das inferências e dos silogismos. Sua coluna se chama “Uma janela para o mundo” (Uau!). Abriria seus horizontes. Se eu digo que os cisnes são brancos, Clóvis, posso inferir que, entre todas as coisas brancas do mundo, algumas são cisnes. Mas seria uma burrice afirmar que todos os objetos brancos são cisnes. O fato de Chico ter feito muitas músicas consideradas boas antes, durante e depois da ditadura não implica que todas as suas obras sejam boas. Isso quer dizer que esse seu “portanto” se sobressai como um absurdo lógico. Compreendeu?

E ele arremata:
Claro que todo o mundo pode - e até deve - discutir tudo o que Chico escreve, músicas ou livros. Mas que tal manter a discussão no âmbito da literatura ou da música, sem meter no meio outros fatores, como simpatias políticas? Vale para os comentários a textos de colunistas e blogueiros.
Isso! Você está certo! Eu expliquei por que considero Chico um mau escritor; sendo mau e reiteradamente premiado, atribuo a premiação a fatores extraliterários. Eu entendi que você o acha bom, assim como aprecio o sorvete de macadâmia.

PS - Incrível, não?, como se tenta silenciar qualquer pontinha de debate no país. Se alguém escrever que Jesus Cristo era um salafrário, ai de quem protestar! Será acusado de estar tentando praticar censura religiosa! Mas não ouse criticar Chico Buarque jamais! Como Rossi achou um livro seu “delicioso” e gosta de suas músicas, a crítica só pode ser coisa de brucutus ideológicos que produzem lixo. Como se vê, eis um homem disposto a fazer um debate substantivo.

Por Reinaldo Azevedo

Leia primeiro o post abaixo

A escolha de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas, para a presidência do Banco Central é um fator que tranqüiliza os tais “mercados”. Ele é tido, e é, como um homem afinando com Henrique Meirelles. Não há, em tese ao menos, motivo para supor que, uma vez no cargo, ele fará algo que o antecessor não faria. O atual presidente deve estar satisfeito com a escolha em si; afinal, não se indicou um “anti-Meirelles”. O sinal é de continuidade da política monetária, consideradas as biografias e os alinhamentos intelectuais.

Mas parece evidente que Dilma quis um presidente do BC mais fraco. Esse foi o recado. A desvitaminização do cargo, atenção!, está menos na escolha de Tombini do que na forma como Meirelles está sendo tratado, ainda que ele faça, e está certo, um grande esforço para não acusar o golpe. Quando menos, ele seria merecedor do “Prêmio Fidelidade”. Ou melhor ainda: na reta final de 2002, quando a política monetária era o grande fator de incerteza do futuro governo Lula, ele foi o emblema de uma garantia. Goste-se ou não dos seus serviços, o fato é que a sua própria indicação foi um fator de estabilidade.

A forma como está sendo tratado, com a nomeação do substituto antes mesma da “conversa”, não é digna. Estamos diante de um comportamento típico do petismo. Usa-se quem tem de ser usado até o osso. Se preciso, joga-se fora — especialmente se a pessoa emite algum sinal de altivez. A senha para fulminar Meirelles no Banco Central foi a suposta plantação, que teria partido dele próprio, de que só ficaria no cargo se mantivesse a autonomia que tem; sem ela, estaria fora. Dilma não teria gostado. E então começou a operação “Sai, Meirelles”. A indicação de um novo presidente do BC, o que é normal num novo governo, assume, assim, ares de demissão.

Não é justo nem elegante. Fica até parecendo que, nesses oito anos, ele foi um intruso, que se imiscuiu nos assuntos do PT. E, todos sabem, não foi isso o que aconteceu. Reitero: não se trata, aqui, de aprovar ou reprovar o seu trabalho; de avaliar se foi bem ou se foi mal. Fato inquestionável é que ele foi de grande valia para o governo do presidente Lula. E não está recebendo um tratamento à altura dessa importância. Alguma compensação virá depois dessa rodada de “fique no seu devido lugar”? Vamos ver.

Miram Belchior
Miriam Belchior no Ministério do Planejamento significa mais uma lulista em posto de comando. É amiga pessoal de Gilberto Carvalho, espécie de “memória” viva do petismo. Os dois serviram à Prefeitura de Celso Daniel, com quem ela foi casada. É o prefeito assassinado à esteira, segundo o Ministério Público, de uma máquina ilegal implantada na administração de Santo André para carrear recursos para o PT.

É provável que Dilma transfira, então, o gerenciamento do PAC — seja lá o que isso queira dizer — para a pasta. Miriam se enquadra naquele perfil das “mulheres fortes”, de que a própria Dilma fazia parte. Pré-marquetagem, como  vocês se lembram, a agora presidente eleita achava com mais facilidade o caminho da rispidez do que o da candura. A ministra indicada pertence ao time da turma anti-sorriso, o que sempre confere ao mal-humorado uma certa aura de competência superior. A doxa é a seguinte: se o sujeito (ou “sujeita”…) é bravo assim, então é porque deve saber bastante”. Huuummm… Às vezes, é só insegurança. A rabugice costuma ser uma boa peça de marketing. Há muita gente competente na arte de criar a fama de que é competente. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

Por Natuza Nery, na Folha Online. Volto no próximo post.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, convidou nesta terça-feira o diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, para ser o presidente da instituição.  Ela também já chamou Miriam Belchior para o Ministério do Planejamento, no lugar de Paulo Bernardo. Dilma convidou Tombini hoje. Mas, ela ainda não teve uma conversa com o atual presidente do BC, Henrique Meirelles. A petista deve anunciar os nomes da equipe econômica assim que falar com Meirelles.

Miriam Belchior coordena o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que será incorporado pelo Planejamento. Segundo a assessoria da presidente eleita, a equipe econômica deve ser anunciada oficialmente até quinta-feira. Pelo segundo dia consecutivo, Dilma recebeu hoje o ministro Guido Mantega (Fazenda) na Granja do Torto, residência de campo da Presidência. Ele foi convidado a continuar no cargo, e aceitou.

Outra preocupação é a escolha de um substituto para o atual secretário da Receita Federal, Otacílio Dantas Cartaxo. Sua permanência no cargo sofreu desgaste com a quebra ilegal do sigilo fiscal de tucanos dentro da Receita –para Dilma, Cartaxo perdeu as rédeas do caso. Ele também deixou de adotar medidas de redução de gastos públicos.

Por Reinaldo Azevedo

Vejam vocês… O que começou aqui quase como uma brincadeira acabou mesmo denunciando um cancro no mundo das letras e suas companhias — nem sempre muito respeitáveis. A. P. Quartim de Moraes, “editor associado” da Global Editora, resolveu entrar na polêmica. Em socorro de Chico Buarque e da Cia. das Letras, naturalmente. Escreve hoje no Estadão um artigo intitulado “Chorando sobre o leite derramado”. O trocadilho, por óbvio, deveria ter sido evitado; uma vez praticado, há de me fornecer o fecho do post.

Confesso que gostei do artigo do rapaz (íntegra aqui). Como advogado da decisão da turma do Jabuti, Quartim expôs como ninguém a natureza do cágado. O link com a íntegra vai ali para que não digam que retirei trechos do contexto.

A premiação é política? Quartim responde:
“Antes de mais nada, é preciso atentar para o óbvio: o julgamento de obras de criação artística, de qualquer natureza, está sempre sujeito a enorme componente de subjetividade, seja porque não há cânones absolutos e definitivos, seja porque cada pessoa enxerga a obra de arte com seus próprios olhos, através dos filtros de seus valores e de sua sensibilidade. Além disso, todo julgamento dessa natureza, por mais justo e objetivo a que se proponha, está sempre suscetível de ser de alguma maneira influenciado por um contexto mais amplo no qual o ato de julgar se insere. Para ser mais explícito: nenhuma premiação artística deixa de ser, umas mais, outras menos, também, “política”.”

Fico satisfeito com a resposta. Dada a metafísica influente, ele está afirmando, sim, que os ditos “progressistas” sempre levarão uma ainda que ligeira vantagem. Por conta de sua literatura? Não!

Há o risco de o prêmio estar, assim, contaminado por um certo “buarquismo inercial”? Quartim responde:
“De resto, tanto Chico Buarque de Holanda quanto sua editora, a Companhia das Letras, são notórios colecionadores de prêmios literários. Dos quatro livros que escreveu, Chico já tinha tido dois, Estorvo, em 1992, e Budapeste, em 2004, eleitos Livro do Ano/Ficção. Não chega a ser surpresa, portanto, que tenha agora emplacado um terceiro, até porque repetiu a dose no Portugal Telecom. A Companhia das Letras, por sua vez, em 20 anos de Livro do Ano, ganhou 13 vezes, oito em ficção e cinco em não ficção. Sua participação no Portugal Telecom é ainda mais expressiva: em oito anos e 25 premiações, foi laureada nove vezes, seis das quais em primeiro lugar.”

Fico satisfeito com essa resposta também. Quartim aprendeu lógica na mesma escola em que Fidel Castro teve aula de democracia. Depois de admitir certo caráter político da premiação, ele acredita que o fato de Chico ter ganhado dois dos três Jabutis que disputou o habilita, naturalmente, a ganhar o terceiro. É um espanto! Agora só falta a Cia. das Letras publicar a grande fortuna crítica, acadêmica, sobre a obra de nosso romancista maior, que ainda vaga, solitária, num grande deserto de idéias. A tarefa poderia ficar por conta da Global Editora. Ah, sim: Quartim atribui tanta premiação à competência de seu amigo Luiz Schwarcz.

Como vocês vêem, com seu clichê e tudo, Quartim concorda comigo, não é mesmo? Ele ironiza os que, segundo ele, choram sobre o leite derramado. Dado o leite derramado de Chico, ele não se conforma que haja quem se negue a lambê-lo.
*
PS: Neste momento, são 8.437 os signatários da petição “Chico, devolve o Jabuti”. Leia, assine e divulgue: aqui. Como se lê acima, eles próprios confirmam o caráter político da premiação.

Por Reinaldo Azevedo

É mesmo uma pena que a CIA nunca tenha sido aquilo que dela se falava — aliás, os relatos dão conta de que sempre reuniu mais trapalhões do que seria prudente. Ou uma dos “agentes” já teria dado um pipoco na cabeça de Kim Jong-Il, o anão homicida que governa a Coréia do Norte. No momento em que se revela ao mundo que o país tem uma nova instalação de enriquecimento de urânio, a resposta vem na forma de uma provocação bélica: os norte-coreanos dispararam contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, onde vivem entre 1.200 e 1.300 pessoas. Dois soldados morreram, e há 17 militares e três civis feridos.

O mundo que conta condenou unanimemente o ataque: EUA, União Européia, Rússia e até a China, a verdadeira garantidora do regime de Pyongyang. O mundo que não conta — Lula, por exemplo — preferiu ser acaciano, com, quem sabe?, uma centelha de flerte com a Coréia do Norte. Ele defendeu a soberania dos países (excelente!), condenou qualquer ataque (que bom!), mas quer mais informações, lembrando que a Coréia do Norte acusa a do Sul de ter atacado primeiro (como ele é equilibrado!).

A Coréia do Sul fazia exercícios militares nas águas da região no momento do ataque, mas nega que tenha efetuado disparos em direção à Coréia do Norte. Ainda que  tivesse havido algum disparo, certamente teria sido acidental. O conflito não é de seu interesse. Mas Lula não sabe em quem acreditar: numa democracia, sujeita a inspeções internacionais, onde há liberdade de imprensa, partidos de oposição etc, ou numa tirania, no regime mais fechado do mundo, famoso por manter ativa uma fantástica máquina de guerra e matar a população civil de fome. O Brasil é o país cujo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que os críticos do Irã querem é aparecer… Lula é assim: quando a Coréia do Norte está metida num imbróglio, ele toma muito cuidado para não ser injusto…

Por que o regime norte-coreano ainda está de pé, ameaçando, provocando, esmagando o povo, deixando-o à míngua? Porque tem a bomba! Não fosse isso, já teria caído, e certamente o mundo seria um pouco mais digno e seguro. Quando, em nome do realismo, muita gente defende que o Irã faça a sua bomba na suposição de que será menos custoso condescender com o regime e buscar um acordo do que combatê-lo, faz-se, nesse particular, um convite para que surja uma nova “Coréia do Norte”, só que numa região um tantinho mais explosiva.

O curioso é que a reação à descoberta das novas instalações nucleares norte-coreanas foi bastante comedida. Só o Japão falou duro. Coréia do Sul e EUA tentaram minimizar o fato para não exacerbar os ânimos. A turma de Obama até tentou plantar na imprensa que a própria Coréia do Norte estaria interessada em superestimar seu potencial nuclear etc. Há uma certa tendência de achar que, caso se negue o perigo que o país representa, esse perigo diminui.

Há o que fazer? Não muito. A Coréia do Norte “pertence” à China, seu grande aliado. Pode não ser um desses parceiros que se exibem por aí, mas certamente o gigante reagiria a qualquer esforço para desestabilizar aquele regime e libertar milhões de cativos. Pequim é o esteio de um tirano homicida e instável, cujo único ativo é a chantagem nuclear. Até quando? Até quando Pequim quiser.

Por Reinaldo Azevedo

Mandam-me algumas boçalidades que andaram escrevendo por aí sobre a entrevista de Bento 16, que, no limite, disse assim: “Se alguém vai fazer sexo de risco, que use o preservativo”, como se isso não estivesse desde sempre implícito na posição da Igreja Católica, que não mudou: ela não arbitra sobre uso ou não de camisinha. Sua arbitragem  é de natureza moral. Os governos que façam suas políticas de saúde pública nesse particular. Mas volto. Os tontos perguntam: “Quem ainda se importa com o que diz o papa?” A julgar pela repercussão, muita gente.

O que não mudou no pensamento da Igreja? Seu apego à lógica. A simples promoção do uso da camisinha como método preventivo é ineficaz como política pública. E é. E aqui atenção para o risco de raciocínios estúpidos: se a metafísica influente prega que se enfie o pé na jaca, é claro que a distribuição de camisinhas pode ter seu efeito positivo. Você sairá na chuva, daquelas boas, leitor? Vai se molhar certamente. Com um guarda-chuva, ficará menos encharcado. A questão é outra: vale a pena sair?

Não invento nada; pesquisem; os dados estão disponíveis: o país da África subsaariana que mais diminuiu os casos de contágio pela via sexual é Uganda. Lá, a pregação do uso da camisinha é apenas uma das ações do poder público, a menos importante. A campanha tem um forte apelo moral — refiro-me a escolhas individuais, “o que devo ou não fazer”: abstenção sexual para os solteiros e fidelidade para os casados. Absurdo? Incompatível com o mundo moderno? Pois é… Mas está funcionando, contra toda a sabedoria firmada pelos “expertos”… “Ah, pode funcionar, mas nós achamos uma pregação autoritária…” Bem, esse é outro problema. As campanhas contra Aids no Brasil, por exemplo, costumam considerar normal o sexo entre desconhecidos, desde que os participantes usem camisinha. Afinal, é preciso combater o contágio sem tocar no sacrossanto padrão da suposta moral libertadora…

Leio uma coisa até certo ponto estarrecedora, de Maggie Fox, da Reuters. Acompanhem. Volto em seguida:
Pílula diária ajuda a impedir infecção por HIV em homens

Um comprimido que é tomado uma vez por dia e que reúne duas drogas anti-Aids da Gilead Sciences reduziu em quase 44% o risco de contaminação por HIV em homens gays e bissexuais com perfil de alto risco, relataram pesquisadores nesta terça-feira. Os homens que tomaram a pílula tiveram consistentemente um risco de contaminação 70% mais baixo ao longo de dois anos, revelou o estudo. O estudo envolveu 2.499 pessoas em cinco países - 350 delas no Brasil, recrutadas pela USP, Fiocruz e UFRJ. Mas quando os pesquisadores analisaram os exames de sangue que identificam o medicamento no organismo por 14 dias - ou seja, daqueles que comprovadamente tomaram o remédio, e não apenas se inscreveram na pesquisa -, essa redução atingiu 92%.

Ao restringir ainda mais a análise, aos pacientes que relataram terem feito sexo anal desprotegido, a diminuição foi de 94,9%. Por três anos, metade dos voluntários recebeu um comprimido diário que combina os antirretrovirais tenofovir e emtricitabina (este ainda sem registro no Brasil).  Os voluntários são homens que fazem sexo com homens, com comportamento de risco (parceiros múltiplos e sem preservativos). “Esse resultado é um divisor de águas na epidemia de HIV. É o mais eficaz tratamento já descrito se usado dessa forma”, afirmou o coordenador do Projeto Praça Onze, da UFRJ, Mauro Schechter.

Este é o primeiro estudo a mostrar que tomar medicamentos antes da infecção pode reduzir o risco de transmissão do HIV e tem o potencial de ser uma arma na luta contra o vírus fatal e incurável, disseram os pesquisadores. É o terceiro avanço recente nas pesquisas sobre prevenção da Aids, meses após um estudo divulgado em julho ter mostrado que um gel pode ajudar a proteger mulheres contra o vírus e outro estudo do ano passado ter divulgado uma vacina que exerce efeito parcialmente protetor. “Estes resultados representam um avanço importante nas pesquisas de prevenção do HIV”, disse Kevin Fenton, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, em comunicado.

O estudo
A equipe internacional de cientistas estudou 2.499 homens gays, bissexuais e transgêneros com perfil de alto risco de infecção pelo vírus causador da Aids. Metade deles tomou o comprimido Truvada, que contém as drogas tenofovir e entricitabina, e metade tomou um placebo. Após dois anos e meio, cem dos homens estavam contaminados pelo vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids - 36 que tomaram o Truvada e 64 dos que tomaram um placebo. “Isso significa que a ingestão diária do Truvada reduziu o risco de contaminação pelo HIV em 43,8 por cento”, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, que financiou o estudo.

Voltei
Caso esse remédio se popularize — e já há quem tome coquetéis do dia seguinte…—, vocês acham que haverá uma elevação ou uma diminuição no número de contágios? O senso comum tenderá a responder: “Diminuição, já que, como a gente vê na pesquisa, o número de contaminados é bem maior entre os que não tomaram o remédio”. A resposta lógica: haverá uma elevação, porque o aumento das “garantias” estimulará quem não fazia habitualmente sexo de risco a fazê-lo. Pílula não substitui a escolha moral: “Devo ou não correr riscos?”

E agora amarrando as pontas. Alguém poderia perguntar ao papa: “O senhor é favorável ou contrário a que se fabriquem e distribuam as pílulas do dia seguinte para quem quer fazer sexo de alto risco?” E o que responderia Sua Santidade? Isso não diz respeito à Igreja. A ela cumpre afirmar o óbvio: as pessoas não devem correr esse risco.

É bom que a ciência avance; é bom que se conheça cada vez mais sobre a doença. Mas reitero: a ciência pode até corrigir esta ou aquela escolhas moralmente estúpidas., mas haverá sempre escolhas moralmente estúpidas para as quais a ciência não tem resposta. Fora da responsabilidade individual, não há salvação. Quem nos lembra disso é o papa, cujo argumento poderia apelar ao divino. Mas ele apela ao demasiadamente humano. Se alguém acredita em mágica nessa história ou apela a uma forma de misticismo, não é o líder religioso. Curioso, não?

Por Reinaldo Azevedo

Já sabemos como funciona a UPP, a Unidade da Polícia Pacificadora, de Sérgio Cabral, uma idéia de propaganda. Agora eu tenho uma idéia para a segurança pública propriamente: é a UPP do B: a Unidade da Polícia Prendedora!

Por Reinaldo Azevedo

Os estúpidos de sempre vêm com a cascata de que eu não me conformaria com a “ocupação pacífica das favelas do Rio” e que estaria defendendo a violência. Defendendo a violência? Eu? Ora… Só estou negando que existam milagres na segurança pública. “Ocupação pacífica”, na forma como vem sendo feita, não é ocupação, mas DIVISÃO pacífica de território. O problema é que a elite do crime organizado nas favelas foi chamada para o banquete, mas os pés-de-chinelo ficaram fora do acordo. Uma abordagem não ideológica da questão, que não esteja pautada pelo “mito da paz”, vai apontá-lo. Se Sérgio Cabral descobriu a poção mágica que acaba com o narcotráfico sem acabar com o narcotrafricante, é o caso de patentear, engarrafar e vender. Eu entendo que os “descolados” e “descoletes” do Rio, inclusive da imprensa, queiram declarar que “o Rio está em paz”. O chato é que os russos não concordaram. A solução mágica esbarrou, lá vai uma ironia (ultimamente, é preciso advertir…), na luta de classes do crime organizado. Uma saída para a Polícia do Rio é pedir aos “chefões pacíficos e pacificados” que coloque ordem nos nativos, entenderam?

Há ainda a hipótese de que as milícias estejam por trás da desordem. Pode ser. Esse é outro cancro que se instalou na cidade — esse tipo de criminoso existe em vários países do mundo; no Rio, virou uma indústria. A ser assim, então a onda de crimes nada tem a ver com a instalação das UPPs, não é? Uma coisa é certa: ainda não se inventou nada melhor para a segurança pública do que bandido dentro da cadeia e gente comum fora dela. Os modos para se chegar a isso podem variar: com mais ou com menos inteligência, com mais ou com menos armas, com mais ou com menos confrontos. Inéditas seriam — e, como se vê, ainda não foi desta vez — a diminuição da criminalidade e a paz  com todos dividindo a ágora da democracia: bandidos e homens comuns.

Como diria Padre Quevedo sobre os fantasmas, isso “non ecziste“!

Por Reinaldo Azevedo

Há muitas justificativas possíveis para a eventual ida de Gilberto Kassab para o PMDB. Uma delas é que diminuiria o risco da influência do PT sobre o partido em São Paulo, já que o prefeito da capital tem ótimas relações com parte da direção do DEM, a começar do vice-governador eleito, Guilherme Afif. Se a decisão precisa de manual de instrução para ser entendida, mau sinal. Isso é como jabuti em cima de árvore ou na mão de Chico Buarque: de difícil explicação.

Por Reinaldo Azevedo
Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário