Aldo Rebelo, que é da base aliada, tenta candidatura alternativa à Presidência da Câmara

Publicado em 23/12/2010 08:06 e atualizado em 23/12/2010 11:03 637 exibições

Aldo Rebelo, que é da base aliada, tenta candidatura alternativa à Presidência da Câmara

Por Eduardo Brescianio, do G1:

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) anunciou nesta quarta-feira (22) a articulação de parlamentares de diversos partidos para a construção de uma “candidatura alternativa” para a Presidência da Câmara. Nesta quarta, os líderes do PSDB, João Almeida (BA), e do DEM, Paulo Bornhausen (SC), anunciaram apoio dos partidos à candidatura de Marco Maia, que foi indicado pelo PT e tem o apoio do PMDB anunciado pelo líder, Henrique Eduardo Alves (RN).

Para Aldo, porém, há uma “insatisfação” de vários parlamentares com o processo de escolha do presidente da Casa a partir de 2011. Segundo o deputado do PC do B, serão realizadas consultas aos parlamentares para ver se há viabilidade para o lançamento de um nome para enfrentar Marco Maia na disputa.

“O processo de escolha do presidente da Câmara, da forma como vem sendo conduzido gera desconforto e insatisfação em um grande número de deputados de todos os partidos. Isso gera um processo de consultas para examinar a possibilidade de uma candidatura alternativa”, afirmou o deputado.

A articulação ganhou corpo com uma reunião informal na noite de terça-feira (21) de deputados do PDT, PSB, DEM e PC do B. Segundo Aldo, deputados de outros partidos como PSDB, PMDB e PRB também já conversaram com integrantes da articulação sobre o tema. Cotado para ser o candidato deste grupo descontente, Aldo ressalta que não há no grupo conversa sobre nomes. “Não é o nome que vai desencadear o processo, é o processo que vai desencadear o nome. Se viabilizarmos um nome será para ganhar a eleição”, afirmou o deputado do PC do B.

Para Aldo, o candidato tem de ser da base aliada e não há problema que não seja do PT, maior bancada da Câmara. “O candidato que for eleito será o que mais representará a proporcionalidade da Casa. Já aconteceu outras vezes aqui de se eleger presidente um candidato que não era do maior partido”, lembrou. Aldo, inclusive, foi eleito presidente da Câmara em 2005 mesmo sendo de um partido com apenas 13 deputados.

Segundo Aldo, estas consultas terão andamento até a primeira quinzena de janeiro de 2011, quando se decidirá pelo lançamento da possível candidatura alternativa e por qual nome vai representá-la.

Por Reinaldo Azevedo

Todos juntos contra ninguém para lutar!

Leiam o que informa Johanna Nublat, na Folha Online. Volto em seguida:
Os líderes do DEM e do PSDB, os dois principais partidos da oposição, formalizaram na manhã desta quarta-feira apoio à candidatura do deputado Marco Maia (PT-RS) para a Presidência da Câmara na Legislatura que começa em 2011. O acordo prevê que o PT comande a Casa nos próximos dois anos, e o PMDB, nos dois seguintes.

A argumentação utilizada pela oposição, pelo PT e pelo PMDB é a manutenção da proporcionalidade estabelecida nas urnas. O PT, como partido com maior bancada, tem direito de indicar o presidente. Por um acordo anterior, o PT definiu um rodízio com o PMDB. O objetivo do apoio, segundo o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA), é o “fortalecimento do Poder Legislativo, evitando disputas estéreis”. Disputas, estas, continua, que poderiam excluir a oposição da Mesa Diretora.

“É um ganha-ganha, todos mantêm suas posições”, definiu o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC). Ele disse que falava com apoio da bancada. Enquanto esses partidos se articulam, outro grupo de deputados, liderados pelo chamado “bloquinho” (PC do B, PSB e PDT), trabalha para lançar um segundo nome para a disputa.

Comento
Numa leitura muito pragmática das coisas, tem-se o seguinte: é tal a maioria governista na Câmara na próxima gestão que o PT e o PMDB acabam indicando quem bem entendem para a direção da Casa. A oposição poderia escolher: investe num nome alternativo, correndo o risco de ficar fora da Mesa Diretora, ou faz a composição, como fez, e leva algumas migalhas? Preferiu a segunda opção. A coisa fica mais ou menos assim: já que o confronto é inútil, então a composição.

Marco Maia já representaria uma fratura no núcleo duro do petismo, que preferia Cândido Vaccarezza, e a escolha reforçaria certa independência do Poder Legislativo frente ao Executivo etc e tal… O auto-engano sempre tem grandes ambições estratégicas. O curioso é que partidos da base aliada, com ministérios, tentam encontrar um nome alternativo…

A suposição de que eventuais confrontos entre petistas podem ser úteis à oposição e de que existiria um “PT do Legislativo” com certa vocação para a independência faz parte do anedotário político. Vá lá que as oposições acabassem compondo com os petistas e peemedebistas para a formação da Mesa da Câmara. O que chama a atenção é a celeridade da composição.

Outro dia me contaram que um político da oposição, descontente com algumas críticas que leu aqui, comentou: “Esse Reinaldo não entende nada de oposição parlamentar”. Ora, claro que não! Eles é que entendem. A gente nota pela crescente importância que  as oposições têm no Congresso nas gestões petistas, não é mesmo? Convenham: não chegaram aí por excesso de radicalismo!

Não dá! O decoro pediria uma pouco menos de pressa na adesão.

Por Reinaldo Azevedo

Adeus, Lula! Para o ano nascer feliz!

Luiz Inácio Lula da Silva deixa a Presidência da República no dia 1º de janeiro, e eu continuo na presidência do meu blog. Ele foi, como é natural, a personagem mais comentada desta página nesse tempo. Sentiria eu certa nostalgia? Nada! Ele não nos dará tempo para isso. No papel assumido de condestável da República, já manifestou a intenção de ser o grande pólo aglutinador de uma reforma política. E, por isso mesmo, todo cuidado é pouco.

Lula anda, para não variar, com uma agenda ruim na cabeça. Segundo declarou, pretende lutar para instituir no país o financiamento público de campanha, que corresponderia a mais um assalto ao Tesouro, desta feita para realizar eleições. Já pagamos uma fábula pelo horário dos partidos na TV. O Babalorixá quer mais. Sustenta, o que é um tolice, que o expediente inibiria o caixa dois. Alguém conseguiria explicar por que o dinheiro público impediria o financiamento ilegal? A proposta nasce de uma mentira cara ao petismo: o mensalão se resumiria a financiamento ilegal, já que os políticos e os partidos se obrigariam a buscar dinheiro na iniciativa privada para fazer frente às despesas de campanha. Tal versão só não explica por que o esquema estava em pleno funcionamento também em anos não-eleitorais. Os petistas — e não só eles — manifestaram ainda simpatia pelo sistema de lista fechada, aquele que leva o eleitor a votar em candidatos sem rosto.

O Apedeuta também tentará emplacar o chamado “controle social da mídia”. Franklin Martins, sem assento no Ministério de Dilma Rousseff, deixa pronto um texto que prevê, abertamente, controle de conteúdo. A questão passa para o Ministério das Comunicações, cujo titular será Paulo Bernardo, atual ministro do Planejamento, um dos muitos “olheiros” que Lula plantou no governo de sua sucessora. Essas são duas das muitas batalhas que temos pela frente.

E este blog? Continuará a defender os princípios que sempre defendeu e que o tornaram o que é. Farei oposição sistemática a Dilma? Ora, não fiz nem a Lula! Ele é que resolveu trombar com a lógica, com a história e com a verdade. Se a presidente eleita seguir nessa trilha batida, receberá o mesmo tratamento. Por quê? Qual a minha ambição? Nenhuma! Há um conjunto de valores — ideológicos, sim! —  nos quais acredito, expostos aqui de modo quase obsessivo, e o que faço é analisar a realidade segundo esses marcos.  Felizmente, há milhares de pessoas que se interessam por isso.

Assim, que blog teremos em 2010? Este que vocês lêem. Haverá certamente novidades formais aqui e ali, quem sabe canais adicionais de contato com os leitores, mas sem mudar uma vírgula nas convicções que balizam o nosso — meu e de vocês, leitores — pensamento. Esta é minha ambição: pensar claramente.

Desejo-lhes um ótimo Natal e um 2011 muito animado. A mediação dos comentários continuará a ser feita normalmente. No dia 10 de janeiro, tudo volta ao normal. Na próxima VEJA, escrevo um longo artigo sobre o futuro, centrado no que considero ser a tarefa das oposições numa democracia. Passem por aqui de vez em quando. É possível que eu compareça com alguns pensamentos ensolarados. No caso de “eles” fazerem alguma tolice, não terei a menor dúvida em tirar o pé da areia para lhes meter gostosamente nos fundilhos, como de hábito.

A luta continua! E seguiremos juntos! Deixo-os na companhia de Cecília Meireles

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Primeiro sinal de que Lula já era - Comissão contraria Lula e aprova Orçamento de 2011

No Estadão Online:
}O relatório do Orçamento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem (terça-feira, 21) foi aprovado hoje pela Comissão Mista que cuida do assunto. Agora, a matéria irá ao plenário. O projeto prevê, entre outras coisas, o reajuste do salário mínimo para R$ 540.

O texto havia levado o presidente a discordar publicamente de sua colega de partido Serys Slhessarenko, senadora pelo Mato Grosso e relatora da matéria. O que gerou atrito entre Lula e outros petistas foi a forma como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é tratado no projeto do Orçamento. A proposta de Slhessarenko prevê corte de R$ 3,3 bilhões no programa.

Lula dera ordem de não cortar verba do PAC. Ontem, a petista optou, em seu texto, por essa redução de recursos. Em seguida, o presidente ameaçou vetar os trechos do projetos que atingissem o PAC. A Comissão Mista ignorou a ameaça e aprovou o texto.

“Não pode torcer para as coisas darem errado ou tentar desmentir o presidente. Vocês sabem que eu tenho poder de veto. Esse Orçamento, depois de votado, vai vir para mim, mas está sendo negociado. O fato de a relatora dizer que quer fazer isso ou aquilo… Primeiro precisa ver se vai fazer. O que eu posso dizer é que não vão cortar dinheiro do PAC”, disse ontem o presidente.

Justificativa
Apesar da redução de R$ 3,368 bilhões do recurso do PAC, o representante do governo na Comissão Mista do Orçamento (CMO), deputado Gilmar Machado (PT-MG), afirmou que não houve corte nos recursos do programa. “Foi um remanejamento na forma de guardar o recurso.” No relatório-geral apresentado pela senadora Serys, o recurso destinado ao PAC recuou de R$ 43,518 bilhões para R$ 40,150 bilhões.

Por Reinaldo Azevedo

Um maníaco à solta

No post acima, que trata do “chega pra lá” que a Comissão de Orçamento deu no Babalorixá de Banânia, escrevi no título: “Primeiro sinal de que Lula já era”. Sim, leitor, há certo exagero retórico aí. Só estou chamando a atenção para o fato de que, por mais que Lula tente manter as rédeas do país, as instâncias políticas têm especial apreço por quem detém o poder de fato — vale dizer, a caneta.

Lula dará trabalho a Dilma Rousseff. Vai assombrar a política como nenhum outro ex-presidente na história destepaiz… Tratarei do assunto mais tarde. Ele não suporta ser contrariado. Calcinou todos aqueles que a tanto se aventuraram: ou tiveram de sair do PT ou foram reduzidos à irrelevância. Vamos ver como se comporta tendo, pela primeira vez na sua história, um (uma) petista mais poderoso (a) do que ele — ao menos formalmente.

É claro que num eventual braço-de-ferro com Dilma, ela perderia, porque o poder real do PT não está no Executivo, mas no aparelhamento do estado. O confronto jamais chegaria a tanto — e ambos tentariam evitá-lo ao máximo, já que não seria bom para ninguém. Quem  convive com Lula conhece a sua irritação com quem não faz aquilo que ele manda. Lula acaba de ter a primeira manifestação — ainda pequena, quase irrelevante — de que, a partir de 1º de janeiro, ele estará na planície, ainda que tenha enchido de espiões o Planalto.

Terá Dilma alguma ambição de existir politicamente? Eis uma boa questão. Por enquanto, na transição, ela fala por meio de um eloqüente silêncio. Deve ter percebido que Lula está no auge da fase maníaca; nunca, como agora — prestes a deixar o mandato —, sentiu-se tão poderoso. É uma fase complicada. Nessas horas, sendo impossível dar um sossega-leão para o doido, o melhor é guardar certa distância.

Por Reinaldo Azevedo

Lula volta à velha história de que o mensalão foi golpista. Por que então ele se disse “traído” e pediu desculpas ao país? Reveja o vídeo do famoso discurso

(por Ricardo Setti): 

Amigos,  o presidente Lula realmente não desiste.

Numa espécie de festa de despedida que realizada no Rio, ele avisou que subirá ao palanque dos candidatos dos partidos aliados a prefeito em 2012 (alguma surpresa?), disse que vai continuar na vida política depois de deixar o poder, no dia 1º próximo (de novo, alguma surpresa?) e voltou insistir que o mensalão não foi um escândalo de roubalheira, caixa 2 e outros crimes para comprar votos em apoio a seu governo, mas um movimento de tons golpistas.

“Vocês viram o que aconteceu comigo em 2005″, bradou. “Mais uma vez (sic) se tentou truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito”.

Como escrevi em recente post, Lula pretende, depois de deixar o poder, entre múltiplas atividades, “desmontar a farsa do mensalão”. Ou seja, chamou de “farsa” o escândalo da compra de votos em troca de apoio a seu governo que provocou uma brutal crise política em 2005, levou à demissão e posterior cassação do mandato de deputado de seu chefe da Casa Civil, José Dirceu, e resultou num processo criminal ora em curso no Supremo Tribunal Federal, no qual o procurador-geral da República acusa Dirceu de comandar uma “quadrilha”.

COMO É QUE LULA VAI APAGAR DA HISTÓRIA SEU PEDIDO DE DESCULPAS?

Vai ser interessante, repito como escrevi anteriormente, ver como o presidente conseguirá realizar esse último propósito, diante da montanha de dinheiro sem explicação comprovadamente distribuído a figurões petistas, das operações bancárias espertíssimas, dos empréstimos fajutos, dos depoimentos prestados por mais de 600 testemunhas já ouvidas no processo  que corre no Supremo — e por aí vai.

Vai ser mais interessante ainda o presidente apagar da história recente o famoso discurso transmitido pela TV a 12 de agosto de 2005, em que, constrangido, abatido, sem saber para onde dirigir o olhar, levemente trêmulo, ele declarou perante a o país — em pleno fragor do escândalo — que fora “traído” e mencionou “desculpas”.

Nesse discurso, feito na Granja do Torto, em Brasília, antes de uma reunião ministerial, Lula não explicou quem o traiu — nunca explicou, aliás --, mas a alegação da traição ficou, insiste em ficar, e continua latejando. Nem esclareceu exatamente o porquê do pedido de desculpas aos brasileiros.

Se o presidente proferiu o discurso da traição durante o escândalo, é claro que se destinava a, de alguma forma, apresentar uma explicação ao país sobre a espantosa sucessão de bandalheiras que a cada dia vinham à tona — uma explicação frouxa, gaguejante, canhestra, reticente e vazia, mas uma explicação.

Se Lula proferiu o discurso e denunciou a traição, ocorreu naquele momento um explícito reconhecimento de que o mensalão não apenas existiu, mas teria propiciado esse seríssimo agravo ao presidente da República.

Como, agora, sem mais nem porquê, de repente não existiram a montanha de dinheiro, a CPI no Congresso, os depoimentos no Supremo e, sobretudo, o discurso? Tudo teria sido uma “farsa” e uma tentativa de “truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito”?

Vamos rever trechos do discurso, que diz mais do que meu texto:

Manutenção de Adams na Advocacia-Geral da União é gesto de independência de Dilma em relação a Lula

Amigos do blog, pode ser excesso de otimismo de minha parte, mas a confirmação no cargo do advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, no próximo governo é mais um sinal de independência que a presidente eleita, Dilma Rousseff, manifesta em relação à sufocante pressão que vem sofrendo, calada, do presidente Lula — que jurou não se intrometer na formação de seu governo mas não faz outra coisa.

Leia notícia oficial aqui.

Lucena era disparado o candidato preferido de Lula para preencher a vaga existente no Supremo Tribunal Federal desde agosto, quando o ministro Eros Grau se aposentou por ter atingido a idade-limite de 70 anos de idade.

Resolvendo mantê-lo no atual posto, Dilma, obviamente, se voltará para outro nome para o Supremo. Lula certamente tentará interferir também nessa indicação, mas o fato é que Lucena não irá para a mais alta corte do país, como queria o presidente.

Confira o currículo de Lucena.

Dilma já mantivera distância de Lula na escolha de uma figura importantíssima do primeiro escalão de governo — o ministro da Justiça –, que recaiu sobre o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). Cardozo não apenas não era o candidato de Lula, como é alguém de que o presidente desgosta. Cheguei até a escrever um post a respeito, no dia 6 passado.

CARDOZO ACUSOU DE “ABUSO DE CONFIANÇA” O COMPADRE DE LULA

Veja se não tenho razão lendo a matéria abaixo, publicada pelo Estadãoa respeito, a cargo da repórter Vera Rosa, da sucursal de Brasília do jornal:

“Cardozo supera resistência e é indicado”

“Procurador e secretário-geral do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) foi confirmado para o Ministério da Justiça do governo Dilma Rousseff, depois de ter amargado longo período de dificuldades de relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O motivo para Cardozo nunca ter conseguido chegar à Esplanada na gestão Lula foi o caso CPEM.

O presidente sempre guardou mágoa do deputado por ele ter vasculhado sua vida e por tentar incriminar seu compadre Roberto Teixeira. Tudo ocorreu em 1993, quando Cardozo integrou a comissão especial criada pela Executiva Nacional do PT para investigar denúncias feitas pelo petista Paulo de Tarso Venceslau, ex-secretário de Finanças de São José dos Campos, contra uma empresa chamada CPEM.

A acusação de Venceslau era grave. Segundo ele, Teixeira propunha a prefeituras do PT contratar a CPEM, sem licitação, para que a empresa prestasse assessoria na área de arrecadação de impostos. Em troca, a CPEM contribuiria com campanhas petistas.

Ao lado do então deputado Hélio Bicudo, que deixou o PT após o escândalo do mensalão, em 2005, Cardozo concluiu que tanto o compadre de Lula como Dirceu Teixeira – irmão do advogado – atuaram em nome da CPEM, vendendo seus serviços.

“Tal comportamento não qualificaria nenhum problema ético, se não fôssemos levados a concluir pelas evidências de que Roberto Teixeira não poderia deixar de saber (…) que os contratos firmados pela empresa CPEM apresentavam graves problemas. Atuou, a nosso ver, inclusive com evidente abuso da confiança de que desfrutava no partido em face da notória relação de amizade que mantém com o presidente de honra do PT”, escreveu Cardozo, em referência a Lula, quatro anos depois da investigação.

Ressentimento. Lula foi inocentado da sindicância, mas nunca perdoou Cardozo. No fim, a cúpula do PT decidiu expulsar o Paulo de Tarso Venceslau, sob a alegação de que ele, ao se dirigir à imprensa, empregou adjetivos que desqualificaram Lula e outros dirigentes petistas.

Integrante da corrente Mensagem ao Partido – a segunda maior tendência no mosaico ideológico do petismo -, Cardozo era cotado para ocupar o Ministério da Justiça em fevereiro, quando Tarso Genro deixou a pasta para se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul. Tarso indicou Cardozo e Dilma, então ministra da Casa Civil, também defendia sua nomeação. Lula, porém, vetou o nome do deputado.

No ano passado, Cardozo redigiu o Código de Ética do PT. O documento define critérios para atuação de filiados, vedando práticas como caixa 2 nas campanhas.”

(por Ricardo Setti)

É preciso o salário médio de 28 brasileiros para pagar o de um deputado ou senador

Amigos do blog, vejam que excelente o comentário enviado pelo leitor Joe, grande colaborador do blog, sobre o que significa o novo salário dos parlamentares brasileiros.

“Caro Setti, somente para fazer um exercício, obtive os dados do FMI/2008 relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) de cada país indicado e calculei o número de cidadãos gerando renda, necessários para pagar o salário de um parlamentar (arredondamento até 0,5 para baixo e acima disso para cima)

Quênia = 217

Brasil = 28

Índia = 13

Japão = 5

Estados Unidos = 4

Canadá = 3

Alemanha = 3

Reino Unido = 2

Itália = 2

Espanha = 1

Cingapura = 1″

(por Ricardo Setti)

Incitatus, o cavalo-senador do imperador Calígula, tinha ficha limpa e não fraudou o Orçamento

Amigos do blog, é imperdível este texto da coluna de hoje, quarta, 22, do jornalista Carlos Brickmann, sob o título de “E eles, cavalões, comendo”.

Desfrutem:

“O imperador romano Calígula [12 d.C.-41 d.C] nomeou seu cavalo favorito, Incitatus, para o Senado — naquele tempo, o Congresso só tinha uma Casa.

Há quem diga que Calígula nomeou Incitatus para demonstrar seu desprezo pelos senadores da época, um bando de gente sem espinha que só queria os favores do trono; há quem diga que, sem prejuízo de sua opinião sobre os parlamentares, Calígula nomeou Incitatus porque estava doido (o que também era verdade).

Incitatus tinha 18 assessores, dispunha de fortuna pessoal (colares de pedras preciosas), usava mantas nas cores reservadas ao imperador. Custava caro, Incitatus; mas até que seu mandato saiu barato, porque besteiras pelo menos não fazia.

Bons tempos, bons tempos. Incitatus se contentava com feno e alfafa, não dava muita importância às honras com que o cumulavam (uma estátua de mármore em tamanho natural, por exemplo, com base em marfim), e ao que se saiba jamais pleiteou cargos na administração nem fraudou o Orçamento.

Jamais recebeu sequer os salários referentes ao cargo; ignorava solenemente os múltiplos auxílios, ajudas, verbas, passagens. Nepotismo, nem pensar. Sua ficha era limpa, cândida — como cândida deveria ser a túnica de um candidato sem mancha.

Que os leitores perdoem este colunista pelas divagações históricas de fim de ano, que obviamente nada têm a ver com o presente. E pelas lembranças poéticas. O título deste artigo foi inspirado no “Rondó dos Cavalinhos”, do grande Manuel Bandeira: “Os cavalinhos correndo/ e nós, cavalões, comendo”.

(por Ricardo Setti)

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário