De caras-pintadas e caras-de-pau, por Reinaldo Azevedo

Publicado em 02/02/2011 04:51 789 exibições


Líder do movimento dos caras-pintadas na época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), o senador Lindberg Farias (PT-RJ) reencontrou seu ex-desafeto político nesta terça-feira, no plenário do Senado. Os dois conversaram por alguns minutos, quando a sessão já estava encerrada, trocaram sorrisos e apertos de mão.

O petista foi empossado nesta terça-feira como senador, cargo que Collor ocupa desde 2007. Os dois vão conviver lado a lado na Casa nos próximos quatro anos, mas Lindberg afirma que as diferenças do passado não vão refletir na relação dentro do Legislativo. “Aquele foi um momento da história do país. Ele foi gentil comigo, apertou minha mão”, disse Lindberg.

O petista é cotado para assumir o comando da Comissão de Infraestrutura do Senado, cargo ocupado por Collor até o final do ano passado. Segundo o petista, o ex-presidente vai “trocar informações” sobre a comissão se Lindberg for efetivamente eleito para o cargo. “Ele disse que se eu for sucedê-lo na comissão, vai passar tudo para mim”, afirmou.

Collor, com mandato até 2015, não participou da cerimônia de posse dos novos senadores - ele apareceu no plenário apenas para a eleição da Presidência da Casa. Ficou sentado ao lado do candidato do PSOL, Randolfe Rodrigues (AP), ex-cara pintada, com quem o ex-presidente também conversou.

“Ele me cumprimentou após meu discurso no plenário e perguntou a minha idade. Ele não perguntou o que eu estava fazendo 18 anos atrás. Mas se tivesse perguntado, eu teria dito [que foi cara-pintada]“, afirmou Randolfe. Lindberg observou o ex-presidente ao longo do dia, mas somente depois que o Senado encerrou todas as sessões do dia os dois ficaram frente a frente.  ”Foi um encontro ocasional, ele estava atrás de mim”, disse o petista.

Comento
O PSOL, vá lá, está formalmente na oposição ao PT — oposição à esquerda.No segundo turno, apoiou Dilma.

Mas Lindberg e Collor, ah, esses agora pertencem à base do governo; estão juntos, irmanados num mesmo projeto de Brasil. Collor, evidentemente, não mudou. O convencional seria considerar que, então mudou o outro. Eu ousaria dizer que os dois são o que já eram e estavam destinados a ser, entendem?

Alguns eram caras-pintas, outros eram caras-de-pau; outros ainda eram caras-de-pau, mas pintados.

Por Reinaldo Azevedo

A presidente Dilma Rousseff finalmente nomeou o 11º membro do Supremo Tribunal Federal. A vaga está aberta desde agosto do ano passado, com a aposentadoria do ministro Eros Grau, o que, obviamente, é um absurdo. Dilma indicou para o cargo o ministro Luiz Fux, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de 57 anos. Ouvi juristas a respeito. Acham que, dadas as alternativas, a escolha é boa. Do ponto de vista estritamente técnico, a maioria teria ficado com Teori Albino Zavascki, também do STJ, mas ninguém repudia a indicação.

Ao contrário: consideram Fux competente e um bom doutrinador na área de Direito Civil. Ele presidiu, aliás, a Comissão de Juristas que propôs a reforma do Código de Processo Civil. Temia-se uma escolha puramente partidária, o que, avaliam, não aconteceu.

O próprio Lula chegou a pensar no nome de Fux algumas vezes. Com interlocutores, chegou a comentar que o agora ministro indicado contava com a simpatia tanto de Delfim Netto como do MST. Será que isso quer dizer alguma coisa ou é só umas das bobagens de Lula?  O tempo vai tirar essa dúvida.

A depender do andamento das coisas, pode ser Fux a decidir se o criminoso Cesare Battisti fica ou não no Brasil. Vamos ver. Um bom teste, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

A Mesa do Senado ficou assim:
Presidente: José Sarney (PMDB-AP)
1ª vice-presidência: Marta Suplicy (PT-SP)
2ª vice-presidência: Wilson Santiago (PMDB-PB)
1ª secretaria: Cícero Lucena (PSDB-PB)
2ª secretaria: João Ribeiro (PR-TO)
3ª secretaria: João Vicente Claudino (PTB-PI)
4ª secretaria: Ciro Nogueira (PP-PI)

Marta emplacou a primeira vice-presidência num acordo dentro do PT. A Mesa é eleita por dois anos. No segundo, seria substituída pelo também petista José Pimentel (CE). Como apontou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), é um arranjo inconstitucional. Eles só podem fazer o que a lei prevê — e ela não prevê a dobradinha. Mas isso é o de menos agora.

Noto que os tucanos já começam dando um tiro no pé. Ficaram com a Primeira Secretaria. É um cargo bastante poderoso. “Enlouqueceu, Reinaldo? Então qual é o problema?” Boa parte das maracutaias, privilégios, concessões indecorosas, arranjos etc passam pela Primeira Secretaria. Há práticas e costumes arraigados por ali que não dependem da vontade do titular. Eu não tenho dúvida de que uma das coisas que concorreram para que o combativo senador Heráclito Fortes (DEM-PI) não se reelegesse foi seu cargo de primeiro-secretário durante a crise que colheu o Senado. Mesmo quando aparecia com uma medida moralizadora, era fatalmente associado a escândalos.

Quanto tempo vai demorar pra que Cícero Lucena, o “tucano”, tenha de dar explicações sobre o feudo comandando por Sarney? Questão de dias. Anotem, sim?

Por Reinaldo Azevedo

Ainda sobre a eventual agenda de reformas do PSDB, a atração do PMDB etc e tal, uma coisa relevante — aliás, mais importante do que vai no post abaixo. O último petista ingênuo perdeu o emprego em alguma greve liderada por Lula no ABC, virou camelô e se ferrou.

Sim, Dona Dilma I está com dificuldades herdadas do seu próprio governo (era dela também, certo?), a equação macroeconômica está um tanto desalinhada, há um cenário de inflação e juros altos, o governo tem de cortar verbas do tal PAC… Disso tudo, sabemos. Mas idiotas eles não são. Tenho chamado a atenção aqui para os acenos do governo aos “conservadores” — escolho esse termo à falta de vocábulo mais preciso; quando menos, é como o PT enxerga aqueles para os quais anda dando piscadelas. O Planalto — de fato, o primeiro-ministro, Antônio Palocci —, por exemplo,  já tirou do caminho o tal projeto de “controle da mídia”, já orientou uma inflexão na política externa esquerdopata e já acenou até com a desoneração da folha de pagamentos.

Quem exerce a hegemonia do processo político é que dita a pauta no ambiente convencional da política, não quem sonha que pode fazê-lo. Se o PSDB quer mesmo ter existência real no Congresso, tem de ter existência real na sociedade; tem de saber por que 44 milhões dos que foram votar resistiram à pregação petista e por que quase 25 milhões nem votaram. Se vier com “conversê” de “reformas modernizantes” e outras expressões “arcanas” como “novo pacto federativo”, será esmagado como um pulga atrevida pega pouco antes do pulo.

Boa parte da conversa tucana já foi incorporada pelo PT. A questão é saber o que o partido ainda não incorporou e diz respeito aos valores profundos da sociedade. Mas, nesse caso, lamento, acho que o país precisaria de um partido de perfil conservador, como há em todas as democracias da Terra. Esse papinho, como se apresenta até agora, não tem futuro. No máximo, aumentará os ganhos dos Eduardos Cunhas do PMDB. É esperar para ver.

Por Reinaldo Azevedo

No post sobre Sarney, o “oligarca emocionado”, recorri a uma das máximas que existem por aí, segundo a qual, “no Brasil, prostituta se apaixona, traficante vicia e cafetão se apaixona”. Leitores me corrigem, atribuindo a frase a Tim Maia, quase assim, no original: “Prostituta (ele emprega outra palavra) se apaixona, traficante cheira e cafetão tem ciúme”. O leitor Victor faz acréscimos à frase que ampliei. Tudo somado, fica assim:

“No Brasil, prostituta se apaixona, traficante cheira, cafetão tem ciúme, cristão é comunista, empresário é socialista, e oligarca se emociona”.

Eis a geléia geral brasileira!

Por Reinaldo Azevedo

Lembram-se de Fernando Sarney, aquele filho complicado do “politicamente imorrível”? É aquele que está na raiz de uma censura que vigra até hoje contra o Estadão. Pois bem. Olhem aqui o Fernando pedindo emprego para Flábio Decat, que agora vai comandar a bilionária Furnas.

Leiam reportagem da Folha de 25 de outrubro de 2009: Por Andrea Michael, Andreza Matais e Hudson Corrêa:

Gravações da Polícia Federal mostram que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não estava alheio às investidas do filho mais velho, Fernando, sobre órgãos públicos do setor elétrico -ações que, para os policiais, configuram crime de tráfico de influência.

Numa conversa, o senador orientou Fernando a arrumar emprego para aliados no comando da Eletrobrás, estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia. Noutro diálogo, o filho do senador avisou que, feitas essas nomeações indicadas pelo pai, ele iria “atacar” os apadrinhados, com o objetivo de liberar verbas de patrocínio a entidades privadas ligadas à família -o que de fato aconteceu.

Os grampos -obtidos com autorização judicial- fazem parte da Operação Faktor, antes chamada de Boi Barrica, que levou ao indiciamento de Fernando por quatro crimes. A apuração de tráfico de influência ainda não foi concluída pela PF. Pelo Código Penal, o fato de pedir vantagem, mesmo não consumada, já configura crime.

O presidente do Senado até aqui não foi alvo da Faktor. Para investigá-lo, a PF precisaria de autorização do Supremo Tribunal Federal. Sobre as denúncias anteriores contra o filho, Sarney disse que tratavam de casos que ele desconhecia. As escutas que a Folha
revela hoje são as primeiras a envolvê-lo diretamente. Procurados, Sarney e Fernando não comentaram as nomeações nem o suposto tráfico de influência. 
“Manda passar lá”
Negociações para preencher cargos na Eletrobrás começaram em fevereiro de 2008, um mês antes da definição da nova diretoria pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), aliado de Sarney e alçado ao cargo em janeiro de 2008.

Em 14 de fevereiro Fernando pediu ajuda ao pai para acomodar, na Eletrobrás, seu amigo Flávio Decat -engenheiro com o qual Fernando trocou vários telefonemas interceptados.

“Quero orientação a respeito daquele meu amigo lá do Rio que está aí esperando um chamado seu, da Roseana. E eu preciso de uma orientação”, disse o filho. “Manda passar lá no Senado. Às 17h30 no meu gabinete”, respondeu Sarney.

Três meses após a conversa com Sarney, Decat ganhou emprego na estatal: Lobão anunciou a criação da Diretoria de Distribuição para abrigá-lo.

Outra indicação de Sarney que contentou Fernando foi a do engenheiro José Antônio Muniz para presidente da Eletrobrás. Assim que soube da nomeação, em 4 de março de 2008, Muniz ligou para Fernando e se reuniu com Sarney. “Deu certo”, festejou Muniz. “Tô sabendo já. Como diria aquela frase do Galvão Bueno: eu já sabia. Estou satisfeito que tudo deu certo, que vai ser bom para o Lobão. Vai ser bom para todos”, respondeu Fernando, que a seguir falou do encontro com Sarney: “Então tá bom. Amanhã vou estar aí. Se hoje [você] não falar com papai, amanhã a gente fala”.

Dias após a reunião, Fernando falou com Anelise Pacheco, assessora da presidência da Eletrobrás: “Já acenei com ele [Muniz] que aquela área nós temos interesse em ter sob controle. E ele disse que sem problema. Me pediu uma semana, dez dias para sentar na cadeira e tal. Depois da Semana Santa, nós vamos atacar. Mas já pensei nisso. Tá tudo pensado”, disse Fernando em 14 de março. “É porque a menina da Roseana está me ligando para ver os programas que pode fazer”, disse Anelise. “Nós chamamos, conversamos longamente e um dos pontos acertados foi este”, tranquilizou Fernando.

Meses depois, entre agosto e dezembro de 2008, a ONG do Maranhão da qual José Sarney é presidente de honra recebeu, sem licitação, R$ 590 mil da Eletrobrás como patrocínio para fazer festas no Estado -uma delas, realizada pela governadora Roseana Sarney (PMDB). Em julho deste ano, a Folha revelou que R$ 130 mil do total repassado pela Eletrobrás foram destinados a uma empresa da então assessora de Roseana.

A PF também captou, em junho de 2008, uma conversa em que Fernando pediu a Augusto César Araújo, também assessor da presidência da Eletrobrás, que “resolva a vida” de uma amiga liberando dinheiro para eventos que ela agencia: “Acho que é mais fácil vir por meio dessas produções culturais do que um emprego formal”.

Por Reinaldo Azevedo

Notem que o novo presidente de Furnas, Flávio Decat, foi nomeado sem que Dona Dilma I tenha se interessado pelas acusações que pesam contra a direção da estatal. Acusações feitas por petistas. Não que estes mereçam especial credibilidade, claro! Mas se são eles a denunciar seus parceiros de governo, talvez a gente deva prestar alguma atenção, não é mesmo? O alvo do PT é o todo-poderoso (!) deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, até agora, limitou-se apenas a declarar rosados os países baixos de um dos seus acusadores, o que não chega, assim, a ser uma contestação muito convincente…

Por Reinaldo Azevedo

Dona Dilma I, a Muda, aquela que “depois do Apedeuta, foi rainha”, decidiu que resolveria a crise em Furnas. Como? Nomeou para a presidência da estatal, que desencadeou uma guerra de foice entre PT e PMDB, o “técnico!” Flávio Decat.

É homem de sua confiança, consta. Mas ele é mesmo de confiança da… Família Sarney! Também tem as bênçãos do governador do Rio, Sérgio Cabral.

Por Reinaldo Azevedo

nosferatu“Tenho nesta posse o gosto da despedida, pois cumprirei meu último mandato. Espero fazer toda a doação de mim mesmo para servir esta Casa, que é um pouco da minha vida, um pouco do meu amor.”

“Não desejava o encargo [de presidente do Senado], dele não pude fugir tendo o alto preço do exercício dessas funções. Tenho visão desse compromisso com as instituições, com a independência do Poder Legislativo, principalmente de nossa Casa, que jamais pode ser submissa a nenhum poder nem tampouco afastada do interesse nacional”.

A fala é acima e de José Sarney, ao assumir pela quarta vez a presidência do Senado. Eu já disse que dispenso a parte de seu sacrifício que me diz respeito. Por mim, ele fica em casa cuidando só de literatura. Sei que isso pode parecer má querença com arte tão nobre, leitor. Mas ler Sarney ainda é um ato volitivo, né? Tê-lo como presidente do Senado já parece uma maldição.

Lembrei aqui uma frase de Paulo Francis sobre este senhor. Recorrendo a uma metáfora, perguntava se ninguém enfiaria uma estaca no coração do homem. Isso lá no começo dos 90. Que nada! Ele foi se alimentando de sangue novo…Consta que ficou muito emocionado no discurso.

Como é aquele chiste sobre o Brasil? “Prostituta se apaixona, traficante vicia, e cafetão tem ciúme”. Pois é… E oligarca se amociona.

Lindo!

Por Reinaldo Azevedo

O mesmo país e o mesmo governo que aprovaram uma Lei do Estupro que distorce a realidade, como provam os indicadores da Secretaria de Segurança Púbica (ver post abaixo), permite isto:

“Olha, ele fica duro! O pênis do papai fica duro também?
Algumas vezes, e o papai acha muito gostoso. Os homens gostam quando o seu pênis fica duro.”
“Se você abrir um pouquinho as pernas e olhar por um espelhinho, vai ver bem melhor. Aqui em cima está o seu clitóris, que faz as mulheres sentirem muito prazer ao ser tocado, porque é gostoso.”
“Alguns meninos gostam de brincar com o seu pênis, e algumas meninas com a sua vulva, porque é gostoso. As pessoas grandes dizem que isso vicia ou “tira a mão daí que é feio”. Só sabem abrir a boca para proibir. Mas a verdade é que essa brincadeira não causa nenhum problema”.

São trechos do livro “Mamãe, Como Eu Nasci?”, aprovado pelo MEC para alunos na faixa dos 10 anos. Comentei ontem este assunto aqui.

Ah, sim: o MEC havia vetado Monteiro Lobato! Monteiro Lobato não pode! Pornografia para crianças, tudo bem!, incluindo o incitamento para que desobedeçam às orientações do pai e da mãe porque “a brincadeira não causa nenhum problema”.

Incrível, não? Eu realmente não sei como foi que a civilização chegou até aqui sem a ajuda desses libertadores sexuais. Se, sem eles, já tivemos Leonardo, Michelangelo, Schopenhauer e Beethoven, imaginem quando a masturbação for estatizada e tratada por professores convertidos em animadores sexuais…

Ninguém mais vai querer pintar, fazer música ou esculpir. Passaremos a eternidade mexendo no pingolim e na borboletinha.

Não sei se peço cadeia ou médico pra essa gente.

Por Reinaldo Azevedo

Vocês querem ver como a estupidez politicamente correta atrapalha as políticas públicas e distorce a realidade? Alguém que ignorasse a boçalidade nativa ficaria espantado ao saber que, no estado de São Paulo, de 2009 para 2010, os estupros cresceram 75%!!!

Não é um espanto? Ô se é! Se assim fosse.

Acontece que a Lei nº 12.015/09 alterou a redação de alguns crimes sexuais previstos no Código Penal. Foi uma imposição de gente perturbada e acabou transformando em “estupro” até relações consensuais. O pretexto principal foi a defesa da criança e do adolescente. Como sempre, o exagero traz mais malefícios do que benefícios.

Dia desses comentei aqui uma situação estupefaciente. Um garoto de 18 foi surpreendido beijando outro de 13 no saguão do cinema de um shopping. Os dois se sabem homossexuais e estavam ali por vontade própria. A polícia foi chamada. O de 18 foi enquadrado no crime de… estupro!!! Pergunto: beijo é estupro? Não! Beijo não é estupro em qualquer circunstância, especialmente quando os beijadores agem por livre e espontâneo tesão.

Um garoto de 18 que transe com a namorada de 13, com a concordância dela, se denunciado pelo pai da menina ou por qualquer outra pessoa — porque, agora, a ação não precisa mais do aval da “vítima” — será acusado de… estupro! O pretexto foi punir e coibir a prostituição infantil, especialmente de meninas. É claro que é uma questão grave. Mas é estupro?

Também a mulher passa a ser sujeito ativo desse crime. Vale dizer: uma moça de 18 que “namore” com um garoto de 13 — era o sonho meu e dos meninos do meu tempo; não sei hoje em dia —  será enquadrada como “estupradora”. Tenham paciência!

A estupidez é de tal ordem que um garoto de 18, denunciado por manter relação sexual CONSENSUAL com a namorada de 13,  está sujeito a uma pena de 8 a 15 anos de prisão. A punição é agravada por causa da idade da “vítima”. Atenção: um adulto que efetivamente estupre uma mulher fica de 6 a 10 anos nha cadeia; o estuprador de um menor entre 14 e 18 anos puxa cana de 8 a 12 anos. Ou seja: uma relação consensual pode render mais tempo de cadeia do que um estupro real. A lei foi sancionada por Lula. É tão cretina que parece ter sido escrita por ele.

Em pouco mais de um ano de vigência da lei, a prostituição infantil está onde sempre esteve; os molestadores continuam abrigados no seio das famílias, que é onde costumam estar, e o número de “estupros” — de falsos estupros — disparou. Ah, sim: o que se entendia antes como “estupro” não precisa mais acontecer. As práticas antes consideradas “atentantado violento ao pudor” agora estupros são. A depender do caso, também o antigo “atentado” é dispensável. Basta que se julgue que o sujeito teve a intenção ou um comportamento inconveniente que, levado ao limite, resultaria em estupro.

Por uma questão puramente lógica, o estuprador não deixa de ser, de algum modo, beneficiado ao ver seu crime diluído em meio a outros de muito menor gravidade. O resultado é este que vemos: uma verdadeira explosão no índice de estupros, sem que se saiba o que aí, de fato, é ou não violência sexual e qual a sua natureza.

Legisladores devem proteger a sociedade. Às vezes, cabe a pergunta: e quem protege dos legisladores a sociedade?

Por Reinaldo Azevedo

No post abaixo, publico os índices dos vários crimes em São Paulo. Notem que a redução geral da criminalidade se deu com uma queda respeitável no número de pessoas mortas em confrontos com a PM. Isso indica mais eficiência e planejamento na abordagem e uma polícia mais disciplinada. Não para a imprensa paulistana, que preferiu ignorar os dados.

Agora vejam como O Globo trata os números do Rio, muito piores do que os de São Paulo:

A Secretaria de Segurança Pública anunciou na tarde desta segunda-feira que o estado do Rio registrou, em 2010, 4.768 homicídios, o menor número absoluto desde que foi iniciada a série histórica de acompanhamento, em 1991 , com 7.518. O menor número anterior havia sido registrado em 1998: 5.741, ou seja, quase mil casos a mais do que em 2010. Na mesma tarde, sobre roubo de veículos, foi divulgado que o número absoluto em 2010 foi de 20.052 casos, o menor desde 1997. Em comparação com 2009, quando foram contabilizados 25.036 casos, a queda no número de registros foi de 19,9% - a menor redução desde 1996. De 2006 até o ano passado, a queda foi de 53% na taxa por 10 mil veículos, caindo de 89,2 para 41,2. “O que almejamos é uma polícia mais combatente. Fazer com que ela deixe a sua lógica. Hoje, há mais de mil policiais nas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) com essa postura. Os números ainda não estão excelentes, mas vamos trabalhar para baixá-los ainda mais”, afirmou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Lendo o Globo e o Estadão, eu, morador de São Paulo, fiquei com vontade de morar no Rio. Não só pela paisagem, naturalmente. Também me parece um lugar bem mais seguro, apesar de ter o triplo de homicídios.

Por Reinaldo Azevedo

É muito fácil evidenciar o que digo sobre a operação caça-tucano da imprensa paulistana. Querem um exemplo que chega a ser escandaloso? Vamos ver o que aconteceu com os índices de violência no Estado em 2010 na comparação com 2009:

- Homicídio doloso: - 5,3%
- Latrocínio: -16,5%
- Extorsão mediante seqüestro: - 13,1%
- Roubos de veículos: -4,5%
- Outros roubos: -9,4%
- Furtos de veículos: -4,3%
- Outros furtos: -1,5%
- Homicídios culposos por acidente de trânsito: +1,5%
- Pessoas mortas em confrontos com a PM: -5,5%

O que lhes parece? O índice mais importante aí, que merece atenção das Nações Unidas, é o de homicídios. São Paulo chegou a 10,47 por 100 mil, a mais baixa em 10 anos. No período, a redução foi de espantosos 70,3%. A ONU considera que 10 por 100 mil já indica violência não-epidêmica.

Vamos ver qual foi o lead do Estadão diante dessa realidade? Leiam:
Por Bruno Paes Manso:
As taxas dos principais crimes caíram de maneira geral em São Paulo no ano passado. A situação de violência no Estado, no entanto, continua grave. Todo dia, pelo menos 825 pessoas são assaltadas em casa, no carro ou na rua. O total de roubos em 2010 foi de 232.907, terceiro índice mais alto dos últimos dez anos, ficando atrás apenas de 2003 (248.406) e 2009 (257.022).

Sabem qual é o título? “Criminalidade cai em todo o Estado, mas São Paulo ainda tem 825 assaltos por dia”.

A reportagem principal tem seis parágrafos e 356 palavras, mas:
- os índices positivos só aparecem no quinto;
. a mais baixa taxa de homicídios da história — e, provavelmente, do Brasil - é a 200ª palavra.

Assim, o que é uma conquista da política de Segurança Pública, que indica que se está no caminho correto, não é devidamente reconhecido. O essencial vai parar no miolo da matéria. Uma coisa é fazer jornalismo crítico, cobrador, inquiridor etc. é obrigação. Outra, diferente, é deixar de reconhecer os avanços ou diluí-los numa leitura obviamente negativa de um quadro geral extremamente positivo.

Aquele número de assaltos é grande? É, sim! Não deveria haver um só, crime nenhum se possível… Mas qual é o critério de comparação? Nessas horas, os Estados que não divulgam as suas estatísticas — ou que o fazem sem regularidade — levam vantagem. Não, ainda não acabei.

Ah, sim. Alguém dirá: mas tudo isso está nos jornais. Não existe modo mais eficaz de esconder uma informação positiva do que publicá-la como se fosse coisa irrelevante.

Por Reinaldo Azevedo

A imprensa carioca, de maneira geral, trata mal São Paulo. Não é de hoje. Manifestação de bairrismo mixuruca. O problema é que a paulistana também trata mal o estado, aí não é por bairrismo, mas por esquerdismo, desvio intelectual não menos mixuruca, e por antitucanismo: em certos ambientes bucéfalos, só se prova isenção sendo antitucano.

Quem não se lembra do alarde feito no começo do ano passado, quando os índices de violência de 2009 deram um pequeno salto em relação ao ano anterior? Falou-se em descontrole. Gilberto Dimenstein saiu como um Bambi dos ongueiros gritando “Fogo, Fogo na floresta!. Os números divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo indicam os acertos da política adotada. Há dados realmente alvissareiros. Que nada! Por motivos diferentes, as imprensas carioca e paulista dão é cacete no governo. No Jornal Nacional de ontem, com endosso da reportagem, um “especialista” da USP falava em “mudar a estratégia”. Já o Rio, com o triplo de homicídios, tem de “manter a estratégia”. Uma insanidade!

Com quem está a bola? Ora, com você. Se nota que está tendo sua inteligência agredida, sabe que tem modos de reagir. A imprensa é uma escolha, como qualquer outra. Só você faz este “controle social”. Se estão tentando enganá-lo, mude de leitura, de estação, de canal e de portal. Ainda volto ao tema.

Por Reinaldo Azevedo

Embora o Itamaraty negue, o fato é que estão tomando as providências por lá para submeter a política externa brasileira a uma inflexão que a afaste um pouco do que não presta, aproximando-a do mundo civilizado. Ou seja, leitores: a canalha amalucada perdeu; nós sempre estivemos certos; eles, errados.

É claro que estamos falando de um governo petista, e isso quer dizer que eles podem fazer o contrário do que antes pregavam, fingindo que nada está acontecendo. Ora, voltem ao começo do século: houve certo partido, certa feita, que foi eleito com o programa de Lula e governou com o programa de FHC — exaltando a cópia e atacando  original…

Antonio Patriota, embora apresentando como a continuidade do Megalonanico Celso Amorim, vai ter de cuidar da herança maldita deixada por aquele. O Brasil quer emplacar José Graziano na FAO, órgão das Nações Unidas voltado para agricultura e alimentação. Se não emitir ao mundo um novo sinal, o candidato do Brasil perde de novo, como perdeu todas as disputas de que participou em oito anos.

Por Reinaldo Azevedo
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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