As mentiras escandalosas sobre o código florestal! não se deixe enganar! cobre a verdade da imprensa!

Publicado em 14/09/2011 16:13 e atualizado em 15/09/2011 19:36 793 exibições
O que tanto irrita esta gente? pobre comendo arroz e feijão? ou: as mentiras escandalosas sobre o código florestal! não se deixe enganar! cobre a verdade da imprensa!

Por definição, a verdade não tem duas caras; a verdade não é como a “lei de Gleisi” (Hoffmann): não tem uma “alternativa”. Quando se oferece a oportunidade de alguém expor o “outro lado”, não duvidem: ou ele conta a verdade e, pois, “o lado” está mentindo no essencial, ou ele mente. O que pode variar, de forma legítima, fora dos critérios da verdade e da mentira, é a leitura valorativa que se tem sobre um fato. Mas uma coisa é certa: ou ele aconteceu ou não aconteceu. A imprensa — sim, eu a critico porque a quero livre; o PT a critica porque a quer sob cabresto — lida mal com isso. Depois que se inventou esse negócio de “lado” e “outro lado”, parece bastar aos jornalistas e aos veículos enumerar opiniões e afirmações desse e daquele, as também opiniões e afirmações do grupo contrário, e a missão está cumprida. Mas e a verdade? Ah, a verdade… Todos se tornam relativistas: cada um tem a sua… Imaginem se as ciências exatas lidassem com essa larguezas de espírito. Os viadutos cairiam sobre as nossas cabeças, seríamos soterrados pelos túneis, os prédios viriam abaixo… Por que isso?
As comissões de Meio Ambiente, de Agricultura, de Ciência e Tecnologia e de Constituição e Justiça do Senado ouviram hoje, em sessão conjunta, alguns juristas sobre o novo Código Florestal. A base da discussão ainda é o excelente relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B), aprovado na Câmara, que é bombardeado pelas ONGs e pelas “marinas” estrangeiras. O mais espetacular, o mais formidável, o mais estupefaciente é que supostos especialistas — ainda que em leis, mas não em meio ambiente, florestas ou o que seja — falem a comissões do Senado e atribuam ao texto o que o texto não diz ou simplesmente ignorem o seu conteúdo, substituindo o fato pelo simples opinionismo.
Notem bem: eu acho que as pessoas têm todo o direito de odiar o agronegócio, os ditos “ruralistas”, a comida barata na mesa dos brasileiros. O ódio é livre. Eu, por exemplo, odeio o Bolero, de Ravel. Até reconheço as qualidades técnicas, mas aquilo me põe nervoso. Ponto! Fico à beira de um ataque de fúria. Deve ser o que sentem algumas pessoas quando vêem um pobre atrás de um prato de arroz e feijão, por exemplo. Ou quando pensam na balança comercial brasileira, cujo superávit é gerado por esses “ruralistas canalhas”, que só pensam na produção, né? Onde já viu? E o Anhangá? E o Curupira? E a Cuca?
Eu não quero que vocês acreditem em mim; quero que vocês acreditem no que vocês lêem. A íntegra da proposta de Aldo Rebelo está aqui. O Artigo 8º foi substituído pela Emenda 64, que está aqui. Diretores de Redação de jornais, revistas, TVs, sites etc deveriam obrigar — sim, a palavra é essa — os editores e repórteres a ler esses textos. Ao escrever a respeito, eles precisam estar à mão. Para que se pare de dar curso à mentira, à vigarice, à picaretagem. Reitero: diretores, editores e repórteres, a exemplo de alguns “juristas” e ongueiros, podem odiar à vontade o prato de comida. Mas não têm o direito de enganar leitores, telespectadores, internautas.
Abaixo, reproduzo, em vermelho, a reportagem do Portal G1, com informações do Valor Online, sobre a tal audiência. É o que consegue ser um pouquinho mais preciso entre todos os que reportaram os fatos. E vocês verão como estamos no mundo da informação como barbárie da inteligência. Comento em azul.
Juristas manifestaram nesta terça-feira (13) preocupação com relação às questões constitucionais e de legalidade do texto do novo Código Florestal, que está em discussão no Senado. Foi realizada audiência conjunta das comissões de Meio Ambiente, de Agricultura, de Ciência e Tecnologia e de Constituição e Justiça e participaram representantes do Ministério Público, do Superior Tribunal de Justiça e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim.
“O projeto de lei do Código Florestal introduz um conceito de anistia, sem usar esse nome”, afirmou o especialista em direito ambiental da Universidade de Limonge, na França, professor Paulo Afonso Leme Machado.
Com o devido respeito, o professor Paulo Afonso Leme Machado está derrubando a verdade a machadadas. É mentira! Seja lá o que ele queira dizer com essa linguagem rebarbativa (”introduzir conceitos”), a verdade é que não há anistia nenhuma! Eu posso provar que ele recorre à mentira, mas ele não pode provar que quem mente sou eu. E só há uma verdade, não é questão de gosto. O texto está aí para a consulta de vocês. Os artigos 33, 34 e 35 tratam da regularização das propriedades e estabelecem as condições para o não-pagamento das multas: as compensações ambientais.
Quem não se adequar às exigências terá de pagar. Anistia é perdão, é não-punição. Paulo Afonso pode ser muito sabido, mas não consegue mudar o sentido das palavras. Anistia, aí sim, é o que há hoje. Sem a aprovação do novo código, as multas estão suspensas, sem que se exija compensação nenhuma.
Agora indago ao jornalismo, aos senhores diretores de redação, editores e repórteres de jornais, rádios, TVs, sites, revistas, portais: custa dizer a verdade? Custa informar o que está no texto? Nada os impede de informar: “Isso não é anistia; o professor Paulo Afonso Leme Machado não está sendo exato, mas nós estamos com ele porque odiamos ver aquela pobrada escondida atrás de um prato de arroz e feijão”. É uma coisa feia isso, sem dúvida, mas é uma opinião legítima, entendem? Sigamos.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, discorda. “Anistia não é utilizada no texto porque não se quer anistia, mas isso precisa ficar claro no texto legal”, disse. Para ele, a reforma do código florestal não visa um mecanismo para estimular ou ampliar o desmatamento de florestas no Brasil. “Não vejo ninguém discordar a respeito dessa proposição”, afirmou.
Leram direito? Diz o texto do G1, com base em informações do Valor Online, o melhor jornal de esquerda do país, que o Herman Benjamin discorda — ele nega que seja anistia. ERRADO! Não é que ele discorde. Ele diz a verdade! Lá vou eu com Musil: a coitadinha veste apenas uma roupa de cada vez. Se o tal Leme, de Limonge, está certo, Benjamin está errado; se o contrário, então o contrário. Não é uma mera divergência de gosto, como preferir azul ou verde. Enquanto escrevo, é terça-feira no Brasil. É um dado da realidade. Os artigos do Código que tratam das condições para a não-aplicação da multa são matéria de fato. Eu vou insistir. Todos esses profissionais de imprensa têm o direito constitucional de escrever coisas assim: “Leme,  de Limonge, não diz a verdade sobre o texto; Benjamin sim, mas nós achamos a mentira mais virtuosa do que a verdade porque só ela protege o Anhangá, a Curupira a Cuca e a Santa da Floresta.” Aí tudo bem! Vamos seguir?
“Se não foi o objetivo o desmatamento, ele vai sim acontecer porque vai diminuir a área de proteção”, disse a promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) Cristina Godoy de Araújo Freitas. Cristina cita como exemplo, a redução da área de manutenção das matas ciliares no entorno dos rios com até 5 metros de largura, passando de 30 metros para 15 metros e permitindo que os estados e o Distrito Federal reduzam ou aumente em 50% as faixas a serem preservadas. “O projeto de alteração do código florestal regulariza intervenções que eram ilegais, transformando os passivos ambientais em lei”, opinou.
Não! Essa é a opinião que frauda os fatos de modo mais sofisticado. Como, no parágrafo seguinte, a questão da participação dos estados volta, vou me ater ao falso aumento do desmatamento. Vá estudar o texto, moça! Aproveite que eu publico o link aí acima. Como poderia aumentar o desmatamento uma proposta que prevê a recuperação de áreas hoje desmatadas? Se não for má fé, darei de barato que não seja, a senhora lida mal com a geometria — nem que seja a geometria do desejo. Eu exemplifico. Se a senhora mora numa casa de 200 metros quadrados, sonha com uma de 400, mas só consegue construir uma de 350, a senhora não perdeu 50, entendeu?, mas ganhou 150. Em relação AO QUE SE TEM HOJE, o texto aumenta, e muito!, a área “matada”; só se poderia acusar desmatamento levando-se em consideração o DESEJO: pôr na ilegalidade milhares de produtores rurais, que teriam de abrir mão de culturas mais do que centenárias, para ver crescer o mato no lugar.
Na questão dos rios, a promotora exagera e comete uma falta feia! Sabem por quê? Porque ela ignora o texto — ou porque não o leu ou porque aposta que os outros não o leram. O artigo que trata da questão é o 4º, que segue. Prestem atenção ao item b. Leiam com atenção:
Considera-se área de preservação permanente, em zonas rurais ou urbanas, para só efeito dessa lei
I - As faixas marginais de qualquer curso d’água natural, desde a borda do leito menor, em largura mínima de:
a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água que tenham de  10 (dez) metros de largura (observado o disposto no Artigo 35);
b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;
c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;
d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;
e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros.
Vocês viram ali, no item b, que ele remete ao Artigo 35. E é disso que trata a procuradora. Pois bem. Então vamos ver o que diz o Artigo 35:
No caso de áreas rurais consolidadas, localizadas em áreas de preservação permanente, nas margens de cursos d’água de até 10 metros de largura, será admitida a manutenção das atividades agrosilvopastoris, desde que:
- seja recuperada uma faixa de 15 m contados da calha do leito regular do rio;

- sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e água...
Entenderam? Vai em caixa alta: O TEXTO FALA DE ÁREAS RURAIS CONSOLIDADAS, ONDE JÁ NÃO EXISTE COBERTURA VEGETAL NATIVA, SANTO DEUS! Como pode uma procuradora, que tem autoridade pública, afirmar que isso concorreria para aumentar o desmatamento? Caso se retirem as pessoas que ocupam hoje essas áreas CONSOLIDADAS, isso implica a retirada de milhares de pequenos proprietários de suas terras. O estado de Santa Catarina, por exemplo, depois de devastado pelo rio Itajaí, seria destruído pelos companheiros ambientalistas da promotora. O mesmo aconteceria com os pequenos agricultores do Rio Grande do Sul. Agora vamos tratar da outra questão levantada pela promotora, que recebeu um certo endosso de Nelson Jobim.
De acordo com o texto, os estados e o Distrito Federal podem criar regras suplementares, se elas estiverem de acordo com a norma geral criadas pela União. Jobim criticou o termo “norma geral” porque abriria espaço para que os estados legislassem amplamente sobre questões ambientais. “Estas regras não podem induzir concorrências predatórias entre os Estados”, disse Jobim. Para ele, os limites seriam diversos, o que poderia estabelecer até uma concorrência econômica. Jobim aconselhou que os parlamentares redijam regras gerais consistentes. “Produzam um texto com segurança jurídica. Não utilizem formas de delegação de poderes de forma indireta através de expressões equivocas e ambíguas. Quando o legislador usa da ambigüidade, transfere o poder legislativo ao judiciário”, advertiu.
Ok, Jobim está pedindo cuidado, mas sua fala, em tendo sido essa, dá curso à fantasia de que os estados poderiam criar a sua própria legislação ambiental. É mentira! Publico lá no alto a íntegra da emenda 64, que trata do assunto. Não poderiam, não! Qualquer adaptação local da norma geral tem de ser feita em parceria com o governo federal, cotando com a sua aprovação, ou seria ilegal. Aliás, isso corresponde a comprometer o estado com a vigilância, ou se espera que um burocrata de Brasília vá arbitrar questões do Oiapoque ao Chuí. Agora, se querem saber mesmo o que é bobagem, leiam o que segue.
Na opinião do subprocurador-geral da República Mário José Gisi, a norma prevista no projeto de reforma do Código Florestal que regulariza atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente (APPs) “é um a afronta à sociedade brasileira”. Para ele, a consolidação das áreas ocupadas até 2008 aumentará o desmatamento no país. “O Brasil assumiu compromisso de não haver retrocesso”, disse lembrando compromissos internacionais assinados pelo Brasil.
De saída, não há raciocínio possível que demonstre o aumento do desmatamento. Afronta à “sociedade brasileira”??? Quem é a sociedade brasileira? Os milhares de pequenos agricultores que o doutor quer tirar de suas terras não são “sociedade brasileira”? Lamento! O TEXTO DE ALDO AFRONTA JUSTAMENTE A SOCIEDADE NÃO-BRASILEIRA. Não há retrocesso nenhum! Se aprovado, o Código Florestal brasileiro será o mais preservacionista do mundo. Enquanto a Europa — lá de onde vem o Leme, de Limonge — já escalpelou seu território, o Brasil estará preservando 70% do seu. Sabem quem está com o doutor Gisi? Aquela ONG americana que preparou um estudo intitulado Farms Here, Forests There. São americanos defendendo que eles desenvolvam a agricultura, enquanto brasileiro cuida de mato. Se der,  a gente também fica pulando de galho em galho, dando cambalhotas e fazendo micagens…
Gisi, aliás, aproveitou o ensejo para atacar o uso de agrotóxicos na agricultura. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) respondeu que, com salário de R$ 30 mil, ele podia comprar produtos orgânicos. O senador Pedro Taques (PDT-MT), que costuma ter uma boa atuação, se abespinhou e mandou mal desta vez. Criticou sua colega e sugeriu que ela falava ali em nome da CNA, de que é presidente. Kátia não deixou barato e respondeu que corporativista era ele, já que sua origem é o Ministério Público, a exemplo de Gisi. Taques precisa resistir à tentação de censurar seus colegas. Seu companheiro de MP é grandinho o bastante para fazer as suas diatribes e para ouvir a divergência. Infelizmente, ficou parecendo reação corporativista mesmo. Um mau passo de quem vem sendo, até agora, um bom senador.
Encerro
As críticas ao Código Florestal são mentirosas! Os textos de referência estão sendo ignorados. A imprensa, com as exceções costumeiras, sonega informações dos leitores. Deixa prosperar a maior de todas as mentiras: aquela que assegura que haverá aumento do desmatamento. Não haverá. Não é questão de gosto. É questão de fato. Não é questão de “lado” e “outro lado”. Há o que está no texto. Os críticos da proposta de Aldo preferem criticar o que não está.É INÚTIL ME OFENDER. PROVEM QUE ESTOU ERRADO COMO PROVO QUE ERRADOS ESTÃO OS QUE DISCORDAM DE MIM!
É UMA QUESTÃO DE HONESTIDADE INTELECTUAL.

Por Reinaldo Azevedo

Dirceu, o “chefe de quadrilha”, segundo PGR, participa de seminário Brasil-China e exibe seu lado vivandeira
Ai, ai…
Sabem quem a Câmara de Comércio Brasil-China convidou para um seminário? O consultor de empresas privadas e, segundo a Procuradoria Geral da República, corrupto e chefe de quadrilha José Dirceu. Era um encontro para debater petróleo. Sei. O Zé sabe tudo sobre o assunto. O que ele não sabe, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, explica pra ele no escurinho do hotel.
O homem rasgou elogios à China — segundo ele, o grande “fator de moderação no mundo”. Compreendo. É claro que, ao pensar num regime à moda chinesa, o cara logo se imagina como um dos chefões do partido, né?, comandando a tirania. Pois é. Mas também poderia ser candidato a uma bala de prata. Vocês sabem como são as ditaduras…
O Zé também decidiu expor seu lado vivandeira e fez uma defesa veemente de mais investimentos nas Forças Armadas. Quer o Brasil fabricando mísseis de defesa. Leiam trecho de reportagem de Sérgio Torres, no Estadão:
*
O ex-ministro José Dirceu cobrou ontem do governo da presidente Dilma Rousseff mais investimento nas Forças Armadas. Ele defendeu a modernização do Exército e da Marinha. Disse ainda que o Brasil precisa fabricar “mísseis de defesa” e voltar a produzir caças de guerra para a frota da Aeronáutica.
(…)
“A indústria de defesa nacional está sendo recriada. Temos de ter uma defesa própria regional do Atlântico Sul. Temos de proteger nossa riqueza do pré-sal com uma Marinha em águas azuis. Temos de ter Força Aérea produzindo caças no Brasil. Tem tecnologia para produzir não só aviões, como mísseis de defesa”, discursou o ex-ministro, para cerca de 200 conferencistas, do quais 80% estrangeiros. O presidente da Câmara, Charles Tang, o apresentou como uma espécie “de primeiro ministro” do governo que estruturou o processo de desenvolvimento brasileiro.
(…)
“Nós não temos nenhum problema fronteiriço, nenhum litígio político com nenhum país da América do Sul. Somos como a China, uma força em desenvolvimento”, afirmou. “A China é o principal fator de moderação de paz no mundo de hoje.”Aqui
Por Reinaldo Azevedo

De 2002 a 2011, desvios de dinheiro público no setor somaram R$ 2,3 bilhões
No Globo:
Nos últimos nove anos, o governo federal - que tem defendido novas fontes de financiamento para a Saúde - contabilizou um orçamento paralelo de R$ 2,3 bilhões que deveriam curar e prevenir doenças, mas escorreram pelo ralo da corrupção. Esse é o montante de dinheiro desviado da Saúde, segundo constatação de Tomadas de Contas Especiais (TCEs) encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU), entre janeiro de 2002 e 30 de junho de 2011. A Saúde responde sozinha por um terço (32,38%) dos recursos federais que se perderam no caminho, considerando 24 ministérios e a Presidência. Ao todo, a União perdeu R$ 6,89 bilhões em desvios.
São números expressivos, mas refletem tão somente as 3.205 fraudes ou outras irregularidades identificadas pelo Ministério da Saúde ou pela Controladoria Geral da União (CGU). Para o Ministério Público Federal (MPF), recuperar esse dinheiro é tarefa difícil. Mais dramática é a persecução criminal de quem embolsa o dinheiro. Na maioria dos casos, são prefeitos, secretários de Saúde ou donos de clínicas e hospitais que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A procuradora Eliana Torelly, da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, avalia que é difícil punir porque os processos, tanto administrativos quanto judiciais, demoram a encerrar. Em 2004, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) levantou um mar de desvios em Paço do Lumiar (MA), município de cem mil habitantes na Região Metropolitana de São Luís (MA). O processo aponta saques milionários da conta da Saúde, entre 2001 e 2003, que jamais se reverteram em ações à população. Só em 2010, o processo administrativo chegou ao TCU. Em valores corrigidos em 2010, a fraude soma R$ 27.927.295,70. “A probabilidade de recuperar o dinheiro é muito baixa - diz Eliana.”
No Piauí, má aplicação de R$ 258 milhões
Apenas entre janeiro e junho de 2011, a União encaminhou ao TCU o resultado de 193 processos, que totalizam um passivo de R$ 562,3 milhões. A expressiva maioria é de casos antigos. Na lista, há cobranças até de 1991, como uma tomada de contas que aponta o governo do Piauí como responsável pela má aplicação de R$ 258,5 milhões, em valores corrigidos.
Especialista em financiamento da Saúde, o pediatra Gilson Carvalho diz que o dinheiro escorre pela falta de protocolos e rotinas, falta de informatização do controle financeiro, de pessoal e de transporte de pacientes. E lembra que os empresários da Saúde são parte do processo de corrupção:”Não existe corrupção que não tenha participação do privado.”
A presidente da União Nacional dos Auditores do SUS, Solimar da Silva Mendes, diz que a estrutura de controle do dinheiro do SUS é mínima em comparação com o volume de recursos auditado. Ela contabiliza cerca de 500 auditores na ativa, sendo que a metade está em idade de aposentadoria. Calcula que são necessários outros mil servidores:”Paramos de atender pedidos do MP. Agora, só fazemos levantamentos a pedido da presidente Dilma Rousseff, como levantamento de mamógrafos”.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que, desde 2002, o orçamento federal da Saúde soma R$ 491,1 bilhões. “Deste modo, o valor apontado corresponde a 0,045% deste montante. Todas estas medidas administrativas foram solicitadas pelo próprio ministério aos órgãos de controle, tanto interno quanto externo”. Ele cita ainda realização de 692 auditorias, economia de R$ 600 milhões na compra de medicamentos e aperto no controle dos repasses a estados e municípios.
Mostrando a demora nas ações de controle do dinheiro aplicado na Saúde, só este ano o TCU decidiu sobre casos envolvendo irregularidades descobertas pela Operação Sanguessuga, iniciada em 2006 pela Polícia Federal. Pelo menos dez decisões do TCU este ano são sobre Tomadas de Contas Especiais que tratam de desvios em convênios com prefeituras de todo o país, como São João do Meriti (RJ), Cromínia (GO), Campinápolis (MT) e Ponta Porã (MS). Entre as irregularidades, superfaturamento na aquisição de ambulâncias, ausência de pesquisa de preços em licitações e erros em notas fiscais. Muitos dos casos envolveram ainda contratos em que “a empresa fornecedora do veículo adquirido consta da lista de firmas participantes do esquema de fraudes em licitações identificado na ‘Operação Sanguessuga’”. É o caso, por exemplo, de contratos das prefeituras de Sousa (PB) e Alegre (ES) com a empresa Santa Maria, e da prefeitura de Pesqueira (PE) com a Planam. Aqui
Por Reinaldo Azevedo

Novo ministro é “sarneyzista” por gostosura, não por precisão

O toma-lá-dá-cá que define a política brasileira vai assumindo ares de comédia trágica. Saiu do ministério do turismo um deputado do PMDB do Maranhão, amigo de Sarney, e entrou em seu lugar, um amigo de Sarney, deputado do PMDB do Maranhão. Eles têm mais coisas em comum: não entendem borra nenhuma da área para a qual foram nomeados. É o que a presidente Dilma Rousseff definiu, em entrevista a Patrícia Poeta, como “base política composta por homens de bem” — é aquele  bate-papo já tornado célebre sobre mostrar o “da cá” para explicar o “toma lá” e pela incursão da presidente na cultura pop, ao informar que “emo choca ovo”.

O novo ministro, Gastão Vieira (que o nome se revele uma contradição, não um destino), explicou sua qualificação para o cargo em entrevista à Rádio Estadão ESPN, de São Paulo: “Vou me valer da experiência acumulada pelos técnicos do ministério. Creio que aí não há nenhum mistério”. É um outro modo de dizer: “Não tenho a menor idéia do que estou fazendo aqui”. Mas é valente: “Tenho todo um caminho na administração pública. Eu, absolutamente, não me considero um ministro genérico”.

Claro que não! Ele é ministro “de origem controlada”! Da “marca Sarney”. Sobre o Nosferatu da política brasileira, afirmou: “Eu sou ligado ao grupo de Sarney há mais de 20 anos. Nunca fui pelo presidente Sarney obrigado a fazer ou deixar de fazer absolutamente nada”.

Ou seja: Gastão é “sarneyzista” por gostosura, não por precisão…

Por Reinaldo Azevedo

Gastão, o novo ministro, não é nem fluoxetina nem Prozac… Ou: Economize, Gastão!

Mal começou a falar, é hora de Gastão Vieira, novo ministro do Turismo, economizar palavras e se calar. Numa entrevista nesta quarta, afirmou que não era “um ministro genérico”. Ninguém entendeu direito o que ele quis dizer. Tentou se explicar mais tarde: “Ao dizer que não sou genérico, eu quis dizer que eu não sou aquilo que serve para qualquer doença. Tenho uma grande capacidade de ouvir a equipe técnica”.

Heeeinnn? Gastão está em seu quinto mandato e não sabe, até hoje, o que é remédio genérico. Quem disse que ele “serve para qualquer doença”? A exemplo do outro, combate males específicos; traz na caixa o nome da substância, do princípio ativo, não a marca-fantasia. Nesse sentido, ser “genérico” quer dizer chamar a atenção para a eficiência — afinal, o que combate a depressão, por exemplo, é a fluoxetina, não o “Prozac”. A fluoxetina continuaria a ser o que é ainda que se chamasse Josefina…

O problema de Gastão é que ele não é nem fluoxetina nem Prozac. Nem éreconhecido como alguém especialmente apto para o turismo nem éessencialmente apto para o turismo; nem é habilitado para servir de fato à pasta nem é tido como tal.

Assim, não é nem genérico nem remédio de marca. É só mais um desalentador placebo para minorar os efeitos deletérios do “presidencialismo de coalizão”…

Por Reinaldo Azevedo

Eu, um homem do povo, digo à presidente de elite: A SENHORA ESTÁ ERRADA! Os pobres não são os culpados pela falta de ética!

Considero este um dos posts mais importantes que terei publicado aqui em cinco anos. Vocês entenderão por quê.

Eu sei o que alguns bobalhões dizem a meu respeito (sim, também há gente inteligente que não gosta de mim; posso suportar; não sou um homem carente): “Esse Reinaldo é muito agressivo”. Não sou, não! Sou um senhor até bastante educado. Eu fico um tantinho irritado porque eu acredito, de verdade!, em alguns valores que “eles” usam apenas como elemento de propaganda.Em parte, isso explica por que fui de esquerda durante um tempo, na adolescência e primeira juventude: dava mais relevo ao discurso generoso do esquerdismo — a igualdade — e entendia que a liberdade era um bem derivado daquele outro, que me parecia essencial. Feitas algumas sinapses, constatei o que hoje me parece óbvio: a liberdade é o nosso mais importante e inegociável bem.

Mas eu continuo, sim, empenhado, a meu modo e dentro dos meus limites, na luta pela igualdade; vale dizer: em ter um país em que todos sejam, na prática, iguais perante a lei. Para que se realize esse propósito, é preciso que o dinheiro do povo seja aplicado com decência. Para que se seja eficiente nessa aplicação, é preciso mudar a forma como se elegem os nossos representantes. As esquerdas são essencialmente mentirosas quando se dizem partidárias do povo ou suas legítimas representantes.

Qualquer leitor que tenha se interessado pela história dessa gente sabe muito bem: os que falaram, ao longo do tempo, como líderes das massas sempre nutriram um profundo desprezo pelos pobres; tomam-nos como um bando de alimárias morais, que precisam ser civilizadas. Não há um só pensador relevante de esquerda — nem para ser a exceção que contraria a regra — que não tenha partido do princípio de que o “povo” é composto de bestas que podem ser conduzidas pra cá ou pra lá.

Entendam: é claro que deixados os homens entregues à sua própria natureza, cada um e todos eles dedicados apenas à defesa dos seus interesses, assistiremos à guerra de todos contra todos, ao caos. Ao longo do tempo, foram se criando instituições para mediar os conflitos. Sem elas, morremos todos no fim da história. É por isso que este “polemista”, como me definiu uma repórter da revista “TPM”, dá tanta importância às leis democraticamente instituídas e mete a botina no traseiro dos que especulam contra elas.

A política é a nossa única chance de civilização. Não há outra. Isso que chamo “civilização” compreende o acesso aos bens da cultura, àquilo que de melhor, humanos, conseguimos produzir. A luta pela democratização dessas conquistas é uma tarefa coletiva, um imperativo moral. A educação é o principal instrumento para compartilhar esse patrimônio. Ponto parágrafo. Leiam agora esta fala da presidente Dilma. Volto em seguida:

“Um país pode ser medido pela capacidade de atender às mães e as crianças. Se tivermos nossas crianças bem-educadas, com apoio, acolhimento e carinho, certamente teremos uma sociedade bem mais virtuosa, tanto do ponto de vista ético como no direito de cada um dos brasileiros a ter as mesmas oportunidades”.

Ela participava de uma solenidade, no Palácio do Planalto, para anunciar investimentos em educação. Está quase tudo errado nessa fala. É claro que as crianças e as mães precisam ser bem-atendidas; é claro que o esforço para eliminar a pobreza deve ser permanente, MAS É PURO PRECONCEITO, DOS MAIS DETESTÁVEIS E DOS MAIS REACIONÁRIOS, a afirmação de que a educação torna as pessoas mais éticas.

Dilma já teve de demitir cinco ministros, quatro por problemas éticos. A nenhum deles faltou educação esmerada; a nenhum deles faltaram as melhores condições para progredir e se desenvolver; a nenhum deles faltou o acesso aos bens universais da cultura; a nenhum deles faltaram as condições objetivas para uma vida digna, reta e feliz.

Corrupção, desmandos, malversação do dinheiro público, relações de compadrio… Nada disso é protagonizado pelo povo ignorante e deseducado. Ao contrário! O povo brasileiro — e, convenham, assim são os povos mundo afora — tem muito mais vergonha na cara do que suas elites. Com mais informação, com mais referências, com mais oportunidades, é bem possível que manejasse melhor o seu padrão ético, não votando em canalhas e vigaristas, por exemplo. Mas seu senso de moral é até mais severo do que o  de boa parte das pessoas com educação formal, tendentes ao relativismo.

Se os pobres brasileiros se comportassem como se comporta a elite política — na qual o PT é hoje força hegemônica —, seria impossível botar o nariz fora da porta. Uma minoria extrema dos pobres escolhe o caminho do crime — e tal escolha nada tem a ver com a pobreza. Não vou aqui abrir espaço para o “coitadismo” tão em voga no Brasil, mas eu conheço “o povo” de perto — Dilma não conhece. Ela vem daquilo que os petistas chamam “elite”. Tanto é assim que tentou instalar no país uma ditadura de esquerda para pôr a população no caminho reto; por isso queria ser a vanguarda das massas, que, naquela concepção, não chegariam sozinhas a lugar nenhum…

Não é a primeira vez que entro em contato com esse pensamento. A maioria dos “amigos do povo” que se distribuem na academia, no jornalismo e no debate público — UMA GENTE MUITO GENEROSA — parte do princípio estúpido, mentiroso, preconceituoso, de que o tal “povo” é constituído de zumbis à espera de uma alma, que lhe será concedida pela educação e pela cultura.

É falso! Falso e cruel! Os pobres também são capazes de fazer escolhas morais e escolhas éticas. Aliás, ao longo do dia, dos dias, da vida, têm muito mais oportunidades de optar entre o certo e o errado do que os que nasceram em famílias abastadas. Estas costumam proteger seus rebentos por um bom tempo das situações-limite.

Essa concepção vocalizada por Dilma Rousseff não é irrelevante e tem conseqüências perversas para os pobres. Ela se revela, por exemplo, no descaso de sucessivos governos com a segurança pública. O país é um dos campeões mundiais em homicídios por 100 mil habitantes. Entende-se que o crime é uma das expressões da falta de escola, da falta de saneamento, da falta de moradia. Não! A esmagadora maioria dos pobres segue as leis. O crime é expressão da falta de uma política decente de segurança pública, que proteja os pobres dos maus pobres e dos maus ricos.  Cadeia não substitui escola, mas escola não substitui cadeia, como quer certo onguismo picareta.

Precisamos de uma escola boa e de educação universalizada para que os brasileiros estudem matemática, ciências, língua portuguesa, história; para que possam desenvolver seu potencial criativo; para que dediquem seus melhores talentos ao pensamento e à investigação científica. O povo tem moral, presidente! O povo tem ética! Ele precisa de escola, sim, mas não para isso. A escola não é a nova VAR-Palmares da moral popular.

Infelizmente, presidente, são os bem-educados da política que atuam hoje como fatores da deseducação do povo.

Por Reinaldo Azevedo

Voto Distrital precisa de mais inimigos como o Cabeção; só hoje, em menos de 10 horas, 1.511 leitores migraram do blog para o “Eu Voto Distrital”

Precisamos de mais adversários do voto distrital como Marcos Coimbra, o sobrinho postiço de Collor, petista na federação, tucano em Minas e aberto a propostas nas outras 26 unidades da federação. É aquele especialista em pesquisa que, três dias antes do pleito, conseguiu cometer um erro de 15 pontos percentuais — a favor do cliente, claro!, porque, já disse, de tonto ele só tem a cara.

O sobrinho postiço de Collor descobriu que é a “direita” (brrr…) que quer o voto distrital — e ele, Coimbra, agora é um “sociólogo” (rá, rá, rá) de esquerda! E não adianta citar aquele general nazista do filme Casablanca, sugerindo que vai aí convicção, já que “o outro lado pagaria muito mais” porque isso seria falso. O “outro lado” não teria como pagar mais porque a direita brasileira, tadinha!, é pobre. A grande divisão que há hoje no Brasil é entre a esquerda financeira e financista e a direita assalariada, que paga impostos.

Mas volto ao ponto. A causa precisa de mais adversários como ele. Segundo o meu contador aqui, sabem quantas pessoas migraram, SÓ HOJE, em menos de 10 horas, daquele post em que lhe dou uma esculhambada para a página do “Eu Voto Distrital”? 1.511!!! Há três semanas, as assinaturas somavam pouco mais de 25 mil. Neste momento, são 76.916!

O trabalho é sério. As assinaturas são devidamente verificadas para evitar os pilantras que tentam desmoralizar as boas causas. Não há chance de vazamento de dados sigilosos. Chegaremos logo a 100 mil assinaturas. Coimbra, o cabeção, gosta do modelo que aí está, este que fabrica crises em série. Na profissão dele, faz sentido. Se a coisa ficar assim e se o que ele chama “direita” ganhar um dia, ele muda de lado com o mesmo entusiasmo.

Vamos lá, Coimbra, ajude a arrumar mais umas 1.500 assinaturas! Cometa mais um texto contra o voto distrital. Uma causa tem de contar com os amigos, mas é fundamental a colaboração dos inimigos.

No alto da página, há um link para a página Eu Voto Distrital. E aqui também, como vêem. Algo se move na sociedade brasileira, apesar deles.

Por Reinaldo Azevedo


Governo avalia que índice do BC confirma desaceleração
Apesar do crescimento mais forte da economia em julho em relação ao mês anterior, a avaliação dentro do governo é que o nível de atividade ainda segue mais moderado do que no início de 2010. O indicador do Banco Central que “antecipa” o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) mostrou que a economia cresceu 0,46% em relação a junho, maior percentual em seis meses. Se o ano terminasse em julho, a economia teria crescido 4,52% nos últimos 12 meses, o que representa desaceleração em relação aos dados oficiais do PIB divulgados pelo IBGE até junho. O BC avalia que o resultado de julho do IBC-Br (Índice de Atividade do BC) está influenciado estatisticamente pela queda de 0,25% em junho. Quando se compara o desempenho da economia no último bimestre com os dois meses anteriores, o crescimento é zero. Cálculos do BC mostram ainda que o crescimento nos últimos três meses, anualizado, é inferior a 2%. Ou seja, menos da metade do chamado PIB potencial, que é o quanto a economia pode crescer sem gerar pressões inflacionárias (íntegra aqui).

Voltei
Não sei se vocês notaram: nunca antes na história destepaiz um governo se esforçou tanto para demonstrar que o país está crescendo pouco. Os governos costumam fazer o contrário. A própria presidente Dilma Rousseff se encarregou hoje de baixar as expectativas. O governo, agora, não aposta em mais de 4% (antes, era 4%; o mercado está ali pelos 3,7%).

Por que essa quase obsessão pelo que é, obviamente, uma má notícia? É que o BC está sob especulação depois que decidiu baixar os juros que, note-se, o mercado já havia baixado antes. Mas é que a aposta generalizada era na manutenção. A taxa é tão escandalosamente alta para a realidade brasileira que considero a reação mais fruto da histeria, do amor à doxa e das apostas contrariadas do que outra coisa. E há, sim, uma minoria que, de fato,  tem uma argumentação técnica sólida. Mas esse não é o tema agora.

Para mim, a “piscada” importante de nervosismo foi dada pelo BC agora, não antes. Eu nunca vi um esforço tão patético para provar que está certo. A coisa ficou assim: os que foram contrariados pela queda de juros acham que a economia ainda não desacelerou o bastante e que, pois, o que é, em si, uma boa notícia é uma má notícia para um BC, que decidiu atuar na contramão das expectativas. O BC, por sua vez, insiste que a notícia da desaceleração é, sim, ruim o bastante, e isso, vejam que espetáculo!, que é uma má notícia para o país é boa para o BC, que provaria ter tomado a decisão correta.

A boa notícia comemorada como má num canto e a má saudada como boa no outro são um um sintoma de desordem intelectual e de crise de valores. Daqui a pouco, alguém ainda desafia: “Quem foi o idiota aí que nos acusou de incompetentes? Taí! Conseguimos dar um tombo na economia! Nós somos pessoas responsáveis!”

Por Reinaldo Azevedo
“Parem de ficar me acusando de ética, que saco! Isso só me cria problemas!”

É, camaradas, não é fácil, não!

Este “polemista”, como definiu a repórter Nina Lemos, tem cada uma… Acho que vou aderir a um dos confortos de um ramo do colunismo. Em vez de tentar oferecer explicações, certas ou erradas (o risco é parte do jogo), também vou me dedicar a fazer só perguntas. É mais fácil: “Será que isso, será que aquilo, e se for aquilo outro?” E pronto! Nada de certezas… Depois preciso fazer uma ligação: “E se eu só perguntar? Cai o salário?” Se cair, posso não, minha mulher não deixa, não…

Mais uma vez, faço aquele esforço de tentar enxergar o noticiário brasileiro segundo os olhos de um correspondente estrangeiro. Imaginem o sujeito lendo entrevistas de Dilma Rousseff — ou vendo-a na TV — a NEGAR (NOTEM BEM!) que esteja fazendo uma faxina no governo. Sem essa! Limpeza aqui não! “Posso não, o PT não deixa, não…”  Chegará a hora em que a Soberana vai dar um esporro (sentido nº 3 do Houaiss) geral: “Parem com esse negócio de me acusar de ética! Que saco!” Diante da estupefação eventual do interlocutor, emendaria: “Tou brincando co’cê”. O mais curioso é que as demissões são populares; ajudam a compor a fama de “durona” da presidente — vista, creio, com simpatia pela população. O problema é o Apedeuta.

Ainda que a presidente tente demonstrar que rejeita o termo “faxina” porque o trabalho contra a corrupção é constante, não um esforço concentrado etc. e tal, o fato é que seus aliados não gostaram da história. A fama de “ética”, agora, mais atrapalha do que ajuda junto àquela base de patriotas. Mundo estranho esse!

E essa não é a única estranheza. Há uma outra, aí na área econômica, que fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • Adriano Ribeiro do Val Marques Taubaté - SP

    sobre mentiras e código florestal: ouvi de um certo senhor que a proposta de um código florestal mundial será levado ao rio + 20 ou + 30 não sei , mas acontece que nenhum pais um pouco desenvolvido aprovaria uma Lei de cunho técnico sem embasa-la em um estudo científico comprovado, isso só em paises como o nosso, onde como me avisa um advogado tem Lei que pega e Lei que não pega; é uma pena que aqui mais vale o grito do que a verdade.

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