Por um país mais corrupto, mais burro e mais feio! O PT que protege Valdemar Costa Neto quer tirar Gisele Bündchen do ar

Publicado em 29/09/2011 12:52 e atualizado em 29/09/2011 19:13 1205 exibições
Dos blogs de Reinaldo Azevedo e Lauro Jardim, em veja.com.br

Por um país mais corrupto, mais burro e mais feio! O PT que protege Valdemar Costa Neto quer tirar Gisele Bündchen do ar

O Brasil assistiu ontem a uma cena explícita de pornografia política. Por 16 votos a 2, o Conselho de Ética da Câmara rejeitou a abertura de processo disciplinar contra o deputado Valdemar Costa Neto (SP), o chefão do PR e um dos réus no processo do mensalão. Ele era, como todos sabem, o grande comandante do Ministério dos Transportes. Nem Dilma Rousseff agüentou. Demitiu o ministro Alfredo Nascimento e mais 25 pessoas no Dnit. Mas a esmagadora maioria do Conselho, sob o comando do PT e orientação do Planalto — a “Faxineira Mestra” não quer mais saber da vassoura para varrer coisa nenhuma —, decidiu que nada há que desabone aquele patriota. Que fique claro: o conselho estava apenas decidindo se existiam ou não INDÍCIOS para abrir o processo. Não era uma sentença de condenação.

Michel Temer (PMDB), o vice presidente, já disse anteontem uma frase e tanto: “Não se pode governar de vassoura na mão”. E com a sujeira debaixo do tapete? Ah, isso pode! Enquanto o PT, num canto, salvava Valdemar, o mesmo PT, no outro, se mobilizava para tirar do ar uma propaganda estrelada por Gisele Bündchen. VOCÊS ENTENDERAM DIREITO: O PARTIDO QUE ESTÁ NO PODER ACHA QUE GISELE FAZ MAL AO BRASIL E QUE VALDEMAR FAZ BEM. Antes que avance, vejam o sempre excelente Heraldo Pereira comentando o caso Valdemar e entrevistando os deputados Fernando Francischini (PSDB-PR) e Amauri Teixeira, do PT da Bahia, no Jornal da Globo.

Publico o vídeo para que não reste a menor dúvida de que o PT trabalhou ativamente para livrar a cara do “companheiro” Valdemar. Faz sentido. No processo do mensalão, por exemplo, José Dirceu ocupa uma posição superior à do deputado do PR na hierarquia do crime. Na prática, o tal Ademir está defendendo a sua própria turma. Mas a vida, felizmente, é mais do que essa gente com cara de recepcionista de funerária de filme B. Também nos reserva beleza e graça. E isso o PT, evidentemente, não pode suportar. A petista Iriny Lopes, titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, decidiu enroscar com um comercial estrelado por Gisele Bündchen. A ministra, de uma corrente do partido chamada “Articulação de Esquerda”, encaminhou um ofício ao Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) pedindo que uma série de comercias sobre lingerie seja retirada do ar. Nos filmes, uma Gisele com vestido ou bermuda dá uma má notícia ao marido; na tela, aparece, então, a palavra “Errado”. Em seguida, usando a lingerie, ela dá a mesma notícia, e aí surge a palavra “certo”. Uma voz em off recomenda: “Você é brasileira; use seu charme! Hope, bonita por natureza”. Iriny não gostou! Assistam a um dos filmes. Volto em seguida.

Espírito bucéfalo do tempo
Antes que comente a interpretação petralha que fizeram da propaganda — eles a entenderam pelo avesso!—, é preciso comentar a boçalidade dessa gente articulada com o espírito do tempo. O fim do comunismo — e, no particularíssimo aspecto de que tratarei, a boa notícia teve o seu lado trágico — conseguiu fazer um mal imenso à inteligência. Enquanto aqueles tarados viviam perseguindo a “revolução social” ou se organizavam para tentar dar o golpe final na democracia, a própria democracia estava razoavelmente protegida da estupidez, do obscurantismo, da ignorância. Ficavam lá metidos em suas igrejas de pensamento, organizando as suas conspiratas, e não importunavam tanto. Quando a perspectiva da grande virada se desfez, a esquerda se fragmentou nesses intoleráveis e, acima de tudo, INTOLERANTES, “movimentos de minoria”. A pauta, no fim das contas, é a mesma — continuam empenhados em destruir a sociedade democrática —, só que, agora, falam em nome de grupos organizados. A “classe operária” saiu de cena; em seu lugar, entraram “as mulheres”, “os gays”, “os negros”, os “sem-terra”, os “ecologistas”, os “sem-isso”, os “sem-aquilo”…  E as lideranças dessas ditas minorias se empenham, então, em impor a sua vontade ao conjunto da sociedade.

Os antigos comunas, ao menos, tinham lá sua idéia de universalidade, que se revelou estúpida, brutal, homicida. As minorias de agora não são menos autoritárias, não! Apenas não dispõem dos mesmos instrumentos e não podem aderir à mesma forma de luta. Mas a sua determinação de destruir valores universais — porque, supostamente, expressões de uma sociedade burguesa, reacionária — é, no que respeita à filiação de idéias, ainda que não o saibam, caudatária do lixo leninista. A tal lei que quer punir a homofobia não vê problema nenhum em golpear junto a liberdade de expressão. A causa justificaria. A dona Iriny considera que uma forma de censura é o caminho mais curto para ela proteger o direito das mulheres. A conclusão é inescapável: para o PT, Valdemar Costa Neto é parte da democracia, mas aquela propaganda ofende gravemente.

Gente sem humor, sem inteligência, sem referência
Já escrevi aqui certa feita que, se Swift (1667-1745) reencarnasse no Brasil e escrevesse hoje, quase 300 anos depois, o seu “Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República”, seria denunciado pela ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos). Afinal, ele recomendava que os irlandeses resolvessem o problema da fome comendo as crianças dos pobres. Sim, era uma ironia. Mas não para quem Swift é só uma marca de salsicha.

Posso estar enganado, claro! — vai que o obtuso seja eu, e Iriny, uma iluminista —, mas entendo que o filme da agência Giovanni+DraftFCB ironiza o machismo ao colocar no papel de submissa, de “loura desfrutável”, uma mulher inegavelmente bem-sucedida, que enriqueceu pelo próprio esforço (à diferença de pilantras que livram a cara de pilantras), que há muito não precisa pedir autorização para homem nenhum para fazer o que bem entende. Essa agência já fez a propaganda de uma TV por assinatura. Víamos a mesma Gisele, ajoelhada, com um balde do lado, a limpar o assoalho. Um maridão meio pançudo, feioso, assistindo a um jogo de futebol, de papo pro ar, pede que ela interrompa o serviço para pegar mais um cervejinha na geladeira… E ela cobra que ele, ao menos, peça “por favor”. Houvesse só uma “gostosa” desempenhando um papel ou outro, talvez a polêmica fizesse algum sentido — ainda que o pedido para tirar a propaganda do ar continuasse estúpido. Mas se recorre a Gisele justamente para fazer com que o machismo, um dado da realidade, passe a girar em falso.

Não é mesmo incrível que os petistas acreditem que um comercial de lingerie seja ofensivo às mulheres, mas não a proteção ao tal deputado? Quem, no fim das contas, quer tratar as mulheres como idiotas?

Como disse aquele ministro, os idiotas, definitivamente, perderam a modéstia. Se não tomarmos cuidado, em breve, teremos de sair à rua munidos com um manual de instruções para não apanhar de vara das “polícias das minorias”. A ministra Iriny deveria dedicar os seus melhores esforços para criar a calcinha e o sutiã politicamente corretos. Não que homens liguem muito para isso, como sabem todos aqueles que me lêem. Quase sempre, quando essas peças têm alguma importância, a gente está pensando em outra coisa. Alguma das moças que me lêem já ouviu o gajo a dizer coisas como: “Mas essa sua rendinha, hein?” Só se foi o melhor amigo… Mas tá. Talvez Iriny devesse reunir o Comissariado do Povo para Assuntos de Calcinha e decidir que tipo de peça íntima deve usar a mulher para que não seja tratada como mero objeto. Ceroulas talvez…

Encerro
Eles não estão apenas tornando o país mais corrupto. Eles também o deixam mais burro e o querem mais feio. À imagem e semelhança do criador.

Por Reinaldo Azevedo
Haddad e Chalita na fila do beija-mão do “chefe de quadrilha”
O petista José Dirceu lança o livro 'Tempos de Planície', de sua autoria, no restaurante Carpe Diem, em Brasília. Na foto, ex-deputado José Genoíno cumprimenta Dirceu (Foto: André Coelho/Agência O Globo))

O petista José Dirceu lança o livro "Tempos de Planície" no restaurante Carpe Diem, em Brasília. Na foto, o mensaleiro José Genoíno cumprimenta o "chefe de quadrilha" (Foto: André Coelho/Agência O Globo)

Às vezes, José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria-Geral da República), também pode ser visto em locais públicos. Ontem, ele lançou um livro que já nasce como piada: “Tempos de Planície”. É uma referência ao fato de que ele está, ao menos oficialmente, fora do poder. Pois bem! E onde se deu o lançamento? Em Brasília, no Planalto. E vários poderosos estavam lá para demonstrar a altitude de sua planície. Este que vocês vêem acima, cumprimentando-o, é o mensaleiro José Genoino, atualmente assessor do Ministério da Defesa. Os dois são réus no processo que corre no STF. Mas se nota que estão cheios de autoconfiança.

Conspiradores de quartos e corredores de hotel também estavam lá, como CAndido Vaccarezza (PT), líder do governo na Câmara, e o ministro Fernando Pimentel. Eles visitaram o Zé naquele momento em que se articulava a queda de Antonio Palocci e a nomeação do seu substituto. Pimentel até resolveu fazer piadinha com a reportagem da VEJA, que o flagrou no lugar errado, durante o expediente. Segundo o Globo, ele afirmou: “A turma do hotel chegou. Agora vou ser fotografado com boa definição. No hotel, estava muito desfocado.” Pimentel não tem com o que se preocupar: foco não muda caráter.

Cheio de graça, o ministro decidiu propor fotos de mais estatura e peso: “Quem não entrou na turma do hotel agora vai entrar”, afirmou, dirigindo-se ao deputado e pré-candidato a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB), que também fez questão de posar ao lado de Dirceu, acompanhado da assessora Lurian Lula da Silva, filha do Apedeuta.

Chalita não era o único pré-candidato à Prefeitura presente. Lá também estava o leninista light Fernando Gugu Dadá Haddad. Outra petista de peso crescente era a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Na categoria dos ministros de prestígio magro, viu-se Luiz Sérgio, da Pesca. Abrilhantava ainda a noite a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, aquela que se empenhou muito para instalar a “Comissão da Verdade”. Pensem bem: em que outro recinto  e em companhia de quais outras pessoas poderia a verdade ser mais bem-servida?

Paulo Pereira da Silva, vulgo “Paulinho da Força”, deputado do PDT, decidiu ser hiperbólico: “O Zé Dirceu é como Che Guevara. É um sujeito polêmico, mas que tem muito prestígio. Não tem constrangimento, não. Metade da República está aqui.” Quem já leu alguma biografia séria de Guevara sabe que o “polêmico” era, antes de tudo, um assassino frio. Paulinho exagera: o Zé nunca quis saber de se embrenhar na mata. Preferiu mudar de cara e, corajosamente, enganou um monte de gente se fazendo passar por quem não era, inclusive a própria mulher. Aprovada a Lei da Anistia, que o PT tentou revogar 30 anos depois, ele disse um simples: “Benhêêê, eu não sou eu. Quem ama você é o outro”. E se mandou.

Eu tenho uma boa pegada de marketing para os que vão disputar a Prefeitura de São Paulo com o PT e, eventualmente, com o PMDB: há quem beija a mão de José Dirceu e há quem não beija. Um diabinho fescenino fica aqui do lado: “Pô, faz uma metáfora mais anatomicamente adequada às personagens”.

“Não posso, diabinho, não posso!” O leitor já entendeu.
*

Ah, sim: o local de lançamento foi um bar de Brasília chamado “Carpe Diem”. É fragmento de um poema de Horácio. A expressão quer dizer, literalmente, “aproveita o dia”. Simbolicamente, é um convite à fruição do presente. Uma tradução possível seria “curta a vida”, “curta o presente”. Era um convite ao gozo, mas com moderação, porque ela fazia parte do decoro, inclusive o poético. Petistas não são decorosos, como se vê. O seu “carpe diem” vale por um “Caia na farra”.

Os brasileiros pagam a conta.

Por Reinaldo Azevedo

A CONSPIRAÇÃO DOS ÉTICOS

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No dia em que os petistas livraram a cara do mensaleiro Valdemar Costa Neto no Conselho de Ética da Câmara, outro mensaleiro, José Dirceu, apontando pela Procuradoria como o “chefe da quadrilha”, lançava um livro. Muito bem! O PT achou isso tudo lindo demais! Feio, imoral e indecente é Gisele Bündchen fazendo propaganda de lingerie. Por isso o partido se mobilizou para tirar a propaganda do ar. Muito bem!

Num post desta manhã, informei que Fernando Pimentel (ministro da Indústria e Comércio), um dos convivas do gabinete clandestino de Dirceu, tinha ido ao lançamento do livro. E ainda fez gracinha. Afirmou que queria, desta vez, uma foto com foco. Conseguiu. Pimentel era o chefe daquela turma que havia montado um bunker de espionagem no início da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Tem uma certa paixão pelo clandestino não é de hoje.

O post também informava que ele deu um “chega-pra-cá” no deputado federal Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Na foto acima, de André Coelho, de O Globo, a gente vê aquele momento precioso da conspiração dos éticos. Chalita saiu dali inspiradíssimo. Chegou em casa, escreveu 367 poemas, 2.559 cartas, 7 livros de auto-ajuda e plantou 35 notas em colunas de fofoca. Ainda teve tempo de importunar o Altíssimo com seus clichês subteológicos e de fazer exercícios aeróbicos para cuidar do peitoral.

Por Reinaldo Azevedo

Eles gostam é de cueca com dólares

Essa história de petistas invocarem com propaganda de lingerie é coisa de memória histórica. A turma entende mesmo é de cueca. Recheada de dólares.

Por Reinaldo Azevedo

Você já transou com um tratado sociológico que não depila o sovaco?

Propaganda de lingerie com mulher bonita ofende a luta das companheiras, “enquanto” cidadãs conscientes e posicionadas “a nível” de ideologia. Em breve, todo homem será obrigado a se deitar ao menos uma vez com um tratado sociológico que não depila o sovaco porque se nega a servir de tratado sociológico-objeto…

Por Reinaldo Azevedo

Querem estatizar também a calcinha e o sutiã

Ah, os fascistas querem falar a sério? Então vamos lá.

Qual é a diferença entre atribuir ao “povo” a virtude da persistência — “Sou brasileiro e não desisto nunca” — e afirmar que as brasileiras são naturalmente dotadas de charme? A rigor, são duas generalizações que certamente comportam exceções: há brasileiros preguiçosos, que desistem, e há brasileiras com, digamos, charme negativo — e ninguém precisa ir muito além da Esplanada dos Ministérios para encontrá-las. Se nem Deus daria jeito, não seria uma lingerie. Ser feia não é pecado; ser estúpida é.

E há, sim, uma diferença importante: o lema oficial tem aquele apelinho fascistóide, né?, de ordem unida, sustentando a existência de uma certa índole natural, que estaria a serviço do estado petista, e o outro remete mais aos jogos amorosos.

Quando um partido explora uma generalização e quer censurar a outra — “em nome das mulheres ofendidas” —, estamos diante da evidência da tentativa de estatização do corpo, da sensualidade, do tesão alheio.

Em Dois Córregos, a gente diz que isso é falta de serviço. Não vou mandar dona Iriny lavar louça porque diriam que é coisa de machista — eu, como sou feminista, quando necessário, lavo numa boa. Ela pode, sei lá, dirigir ônibus, quebrar pedra ou caçar sapo.

Por Reinaldo Azevedo

É, queridos!

A Bolívia de Evo Morales já roubou uma refinaria do Brasil, criou campos de plantação de folha de coca perto da fronteira e, recentemente, decidiu “legalizar” carros brasileiros que foram, digamos assim, roubados. Mas vocês sabem: nós falamos grosso com os EUA e fino com a Bolívia, conforme recomendou o Chico Jabuti.

Esse falar fino incluiu um empréstimo do BNDES para financiar uma estrada conhecida, vejam que simpático, por Transcoca. Como é sabido, 80% da cocaína consumida no Brasil vem do país vizinho, que não move uma palha para combater o narcotráfico. Ao contrário: Evo aumentou a produção da Folha, muito acima do que os bolivianos precisam para o dito “consumo ritual”…

Pois é. Evo desceu o sarrafo em algumas comunidades indígenas que não queriam que a estrada cortasse suas terras. Seus próprios aliados ficaram indignados, passaram a demonizá-lo e, de quebra, a atacar a “ganância” dos nossos empresários, que constroem a estrada com dinheiro… brasileiro!

O discurso do “oprimido” é sempre uma coisa fascinante, não é mesmo?

Alguns cartazes criticavam os “fascistas” do governo de Banânia pelos dissabores experimentados por lá… “Fascistas” no governo de Banânia??? Não é que esses bolivianos até podem ter um pouquinho de razão?

LULA ESTÁ QUE NÃO SE CABE DE ORGULHO! FINALMENTE ELE SABE O QUE É SER UM IMPERIALISTA!


Por Reinaldo Azevedo

Segurança pública no Rio: Caíram os heróis do Morro do Alemão

Leia uma boa matéria na VEJA Online (íntegra aqui) sobre a segurança pública no Rio.

Por João Marcello Erthal. Comento no próximo post.
Mário Sérgio foi o comandante que montou, pelo lado da PM, a ocupação do Alemão. Pela Polícia Civil - primeira equipe de agentes a entrar na favela no dia da invasão - o homem forte de José Mariano Beltrame era o delegado Allan Turnowski, o então chefe de polícia

exoneração do comandante-geral da PM fluminense mergulha a política de segurança do governador Sérgio Cabral um pouco mais fundo em uma crise que mistura corrupção policial, banditismo dentro das instituições e dúvidas sobre a eficácia do principal projeto do governo, a pacificação de favelas. O coronel Mário Sérgio Duarte, hospitalizado, assumiu integralmente a responsabilidade pela escolha do tenente-coronel Cláudio Luiz e Silva de Oliveira para comandar o batalhão de São Gonçalo. Oliveira é apontado pela Polícia Civil como mandante da morte da juíza Patrícia Acioli.

Ao sacrificar o cargo, o agora ex-comandante tenta fazer pelo governo o que não conseguiu para ele próprio: isolar a parte doente da polícia do corpo completo da segurança. Mário Sérgio, um ‘caveira’ - policial formado nos quadros do Bope - assumiu tendo a disciplina como uma de suas bandeiras. E esperava, com a prisão de três policiais acusados de atirar contra Patrícia Acioli, separar as ‘frutas podres’ do resto do cesto. A descoberta de que um tenente-coronel em cargo de comando planejou o crime fez cair por terra essa tese, e expôs para o Brasil que a corrupção, os desvios de conduta e o banditismo, infelizmente, ainda não são casos isolados na PM fluminense.

A partir da queda de Mário Sérgio estão fora da cúpula da segurança os policiais que comandaram a histórica tomada do Complexo do Alemão, em novembro do ano passado. O episódio, marcado pela colaboração entre Forças Armadas e polícias estaduais, foi um ‘case’ de relações públicas: transformou o Alemão, uma pedra no sapato dos governantes do Rio, em exemplo de ação de segurança pública. Aos poucos, os exageros que cercaram a ação se desmancharam, e hoje sabe-se que o Alemão ainda tem traficantes armados e efetivo policial insuficiente para ser considerado uma área pacificada.

Mário Sérgio foi o comandante que montou, pelo lado da PM, a ocupação do Alemão. Pela Polícia Civil - primeira equipe de agentes a entrar na favela no dia da invasão - o homem forte de José Mariano Beltrame era o delegado Allan Turnowski, o então chefe de polícia. Turnowski foi catapultado da cadeira pela Operação Guilhotina, que descobriu a ligação de policiais, inclusive alguns heróis do Alemão, em um esquema de vazamento de informações, venda de armas e drogas para traficantes. O inquérito contra Turnowski foi arquivado e nada se provou contra ele - a acusação era de que ele teria avisado a um policial investigado que ele estava sendo monitorado.

Por Reinaldo Azevedo

Ao conjunto dos leitores, mas muito especialmente aos cariocas! Ou: De “copabacanas” e “sampáticos”

Na semana passada e começo desta, alguns leitores do Rio, de boa-fé, sugeriram que tenho má vontade com a cidade. É uma injustiça. Eu adoro o Rio — é, noves fora os estragos provocados pelo acúmulo de políticas públicas desastradas ao longo da história, um dos lugares mais bonitos do mundo. Não vou aqui cantar as glórias do “povo carioca” porque vocês sabem que não acredito nisso. Há cariocas muito copabacanas, como há paulistanos sampáticos. Mas há também os chatos nas duas cidades. Eu não acredito nesse negócio de “índole”… Há, por exemplo, indivíduos do Rio que trabalham muito, como há em São Paulo os vagabundos, na contramão dos estereótipos.

O que motivou os protestos foi uma ironia que fiz. Uma UPA teve de ser fechada, enquanto rolava o Rock In Rio, por causa do ataque da bandidagem. E boa parte da polícia estava garantindo a segurança da festa. Eu não tenho nada contra festas. Ao contrário! Acho legal o evento grandioso. Mas como deixar de apontar o óbvio? Noticiei o episódio colocando no título a expressão “Shot in Rio”. Ora, meus caros, não se trata de um título contra a cidade, não, mas a favor dos cariocas — ao menos daqueles que deixarão de ser atendidos na UPA por causa da bandidagem. Também não era um ataque ao Rock In Rio, por mais que eu ache constrangedor roqueiro com mais de 25 anos… Mas isso é idiossincrasia. Eu só fazia um contraste óbvio.

Todos sabem que sou crítico da política de segurança do Rio de Janeiro. O arquivo está aí à disposição de todos. Ela tem, antes de mais nada, uma falha de natureza conceitual. Fui um dos primeiros — e bem antes deste blog — a afirmar que o combate ao crime nas grandes cidades tem uma face de guerr: retomada de território. Por isso sou favorável, sim, a que as Forças Armadas atuem, desde que sob rígido controle, para “levar a bandeira do Brasil onde está a bandeira do Comando Vermelho” — usei essa imagem num texto há uns 12, 13 anos.

Ocorre que o secretário José Mariano Beltrame, em parceria, obviamente, com Sérgio Cabral, conseguiu criar uma CONTRADIÇÃO onde deveria haver, no mínimo, uma CORRELAÇÃO: para ele, a prioridade é a retomada do território, não o combate ao narcotráfico. Resultado: as áreas dos morros estão sendo “pacificadas”, mas os traficantes ou ficam por ali mesmo, fazendo o seu “trabalho”, ou, no caso dos mais agressivos, fogem. É uma política de combate ao crime que não prende quase ninguém. ORA, MEUS QUERIDOS, ISSO NÃO EXISTE! Há, assim, um excesso de marketing, adotado passivamente por amplos setores da imprensa, sobre a tal “pacificação”. E é isso o que tenho apontado desde o começo.

Não é por acaso que (vejam post anterior) já caíram os “dois heróis” da pacificação — FALSA!!! — do Morro do Alemão. A política de segurança do Rio está excessivamente contaminada pelo marketing e muito pouco comprometida com um trabalho de Inteligência, ou Cláudio Luiz e Silva, preso sob a acusação de ter tramado a morte da juíza Patrícia Acioli, não teria sido nomeado comandante do batalhão de São Gonçalo.

Trata-se, meus caros, tão-somente de a gente ser um pouco mais exigente com os homens públicos e as políticas públicas. A política de segurança pública do Rio, cuja face visível são as UPPs, traz implícita uma troca inaceitável: “Daremos a paz, mas não vamos nos confrontar com os bandidos”. Dirão: “Não exagere, Reinaldo!” Não exagero. Onde estão os presos?

“E de São Paulo, não fala nada?” Perguntem ao secretário de Educação se não… Mas não critiquei uma proposta do dito-cujo para demonstrar que não sou bairrista ou sei lá o quê.  Eu não sou mesmo! Já disse que nasci na Fazenda Santa Cândida — não foi em “São Paulo” nem “no Brasil”… É que tenho a mania de dizer “sim” para as coisas com as quais concordo e “não” para aquelas de que discordo, venham de onde vierem, estejam onde estiverem. Elogiei, por exemplo, a decisão da Prefeitura do Rio de tirar compulsoriamente das ruas, encaminhando para tratamento, as crianças viciadas em crack. Acho que se deve fazer o mesmo com os adultos, diga-se, no Brasil inteiro.

Que a crise na Secretaria de Segurança do Rio sirva para uma apreensão mais realista e menos publicitária da questão. A única forma de combater o crime de maneira sustentada, duradoura, é enfrentando-o e tirando de circulação os bandidos. Eu gosto da política de segurança pública de São Paulo porque adotou esse caminho há quase 15 anos.  O resultado é visível. O número de homicídios caiu quase 80%. O resto é marquetagem.

Por Reinaldo Azevedo

TCU paralisa uma das obras da Copa no Rio. Chamem Ana Arraes!

“A licitação para a obra de construção de um novo píer de atracação de navios de passageiros no Porto do Rio de Janeiro foi paralisada ontem pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por indícios de irregularidades”, segundo a Folha Online, que informa ainda: “A concorrência estava marcada para o próximo dia 10 de outubro. A obra é estimada em cerca de R$ 300 milhões e faz parte dos compromissos assumidos pelo Brasil para a Copa de 2014. A estimativa é que a construção dure dois anos e quatro meses. De acordo com o relator do processo, ministro Valmir Campelo, há indícios de sobrepreço de R$ 45 milhões na licitação. O órgão de controle já havia apontado o problema no ano passado, quando o primeiro edital de licitação foi lançado.”

Pô, chamem Ana Arraes! Como ela mesma diria, é preciso zelar pelo dinheiro público, “MAS” de olho na política, né?

Por Reinaldo Azevedo

Por Jailton Carvalho, no Globo (íntegra aqui)
A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), provocou um racha no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao afirmar esta semana que há bandidos escondidos atrás de togas . A declaração pode ter parecido surpreendente para alguns, mas não para quem conhece de perto a corregedora nacional de Justiça. De temperamento forte e incisivo, a ministra tem uma carreira marcada por declarações e decisões de combate à corrupção quase sempre impactantes.

Não por acaso, a ministra se manteve firme diante da tentativa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, de fazê-la se retratar numa reunião do Conselho Nacional, na terça-feira. Eliana se recusou a pedir desculpas e, fiel ao seu estilo, criticou a decisão do conselho de divulgar uma nota de repúdio às declarações que fez sobre bandidos que se “escondem atrás da toga”. A ministra disse que não teve a intenção de generalizar as acusações.

“Houve uma reação desproporcional”
A expressão “bandidos de toga” seria direcionada a casos específicos de magistrados comprovadamente envolvidos em irregularidades.”Acho que houve uma reação desproporcional do Conselho”, disse ao GLOBO.

Eliana chegou ao STJ em 1999 e, entre seus padrinhos políticos, estava o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já falecido. Mas não demorou muito para a ministra mostrar que os laços com o mundo político eram só contingência de um magistrado a caminho de um tribunal. Em 2006, Eliana assinou as ordens de prisão de todos os investigados na Operação Dominó.

Entre os presos estavam dois togados: o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, e um de seus juízes auxiliares, José Jorge Ribeiro da Luz. A decisão quebrou um tabu. Era a primeira vez no país em que um desembargador, presidente de um tribunal, experimentava um par de algemas sob a acusação de corrupção. (…)

Por Reinaldo Azevedo
Se STF acatar ação contra CNJ, 115 investigados serão beneficiados

Por Flávio Ferreira, na Folha:
Ao menos 35 desembargadores são acusados de cometer crimes e podem ser beneficiados caso o STF (Supremo Tribunal Federal) decida restringir os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão que fiscaliza o Judiciário. Os desembargadores são juízes responsáveis por analisar os recursos contra sentenças nos tribunais de Justiça. Formam a cúpula do Judiciário nos Estados. O Judiciário foi palco de uma guerra esta semana após declaração da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que o Poder sofre com a presença de “bandidos escondidos atrás da toga”. A corregedora tenta evitar que o Supremo restrinja a capacidade de investigação do CNJ ao julgar uma ação proposta pela AMB (Associação dos Magistrados do Brasil).

O caso seria analisado na sessão de ontem, mas os ministros adiaram o julgamento para buscar uma saída que imponha limites ao CNJ sem desgastar a imagem do Judiciário. Dentre os 35 desembargadores acusados de crimes, 20 já foram punidos pelo conselho -a maioria recorre ao STF para reverter as punições. Os demais ainda respondem a processos no âmbito do CNJ. Dependendo do que decidirem os ministros do STF, os desembargadores acusados poderão pedir em juízo a derrubada das punições e das investigações em andamento. Os casos envolvem suspeitas de venda de sentenças, favorecimento a partes pelo atraso no trâmite de processos e desvios de recursos, entre outras acusações.

Considerando também os juízes de primeira instância, cerca de 115 investigados podem ser beneficiados caso a ação da AMB seja vitoriosa. A entidade defende a tese de que o CNJ não pode abrir processos contra juízes sem que eles antes sejam investigados pelas corregedorias de seus próprios tribunais. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Entidade de juízes sai em apoio a corregedora que criticou “bandidos de toga”

Por Fausto Macedo, no Estadão:
“Na cultura política brasileira há longa e nefasta tradição de impunidade dos agentes políticos do Estado, dentre os quais estão metidos a rol os membros do Poder Judiciário, notadamente os desembargadores dos tribunais estaduais e federais, e ministros dos superiores”, declarou ontem a Associação Juízes para a Democracia (AJD), em comunicado público de defesa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Subscrita pelo juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo da AJD, a carta é um manifesto de apoio à cruzada da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, que sofre ataques de magistrados desde que apontou para “bandidos da toga” e denunciou resistências ao CNJ.

“Reações corporativas, animadas por interesses particulares, e manifestações das cúpulas dos tribunais, que a pretexto da preservação de suas atribuições, objetivam garantir seus poderes arbitrários, não podem prevalecer sobre o relevante papel desempenhado pelo CNJ na apuração de desvios de conduta funcional e responsabilização dos magistrados faltosos com seus deveres de probidade”, assevera Torres.

A AJD, “entidade não governamental e sem fins corporativos”, assinala que a competência disciplinar do CNJ está prevista na Constituição, artigo 103, e “constitui uma salutar conquista da sociedade civil para efetivar o princípio republicano”. “Os mecanismos de controle da moralidade administrativa e da exação funcional dos magistrados em geral garantem legitimidade social ao Poder Judiciário e a independência judicial”, observa Torres. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Ex-ministro usa dinheiro do Senado para pagar copeiro

Por Natuza Nery e Andreza Matais, na Folha:
Ex-ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) usa recurso público para manter funcionário que atua como copeiro de sua casa, em Manaus. Desde 2007, Jackson Carlos Gomes Soares, conhecido como Aroeira, recebe R$ 2.042,14 do Senado como assistente parlamentar, mas empregados da casa e do condomínio de Nascimento confirmaram que Aroeira trabalha na residência particular do ex-ministro. Políticos do Amazonas disseram à Folha que ele é conhecido como o “garçom de Nascimento”. Ao ser procurado, ontem, Aroeira afirmou que servia ao gabinete do senador no Estado. O nome dele, no entanto, não consta entre os funcionários do escritório. Já o Senado informa que o servidor está lotado no gabinete de Brasília e que não está dispensado de atestar presença diária.

Pelas normas, no escritório dos Estados só podem ser mantidas “ações ligadas ao exercício do mandato”. Nas últimas duas semanas, a Folha telefonou para o escritório de apoio do senador. Só ontem, após a reportagem ter falado com Aroeira, alguém atendeu. O funcionário Carmo Ali-Khan de Oliveira, também lotado no gabinete de Brasília, disse que Aroeira estava “em missão” na rua. E teve dificuldades de informar o endereço do escritório. “Eita, me enrolei”, disse, encerrando a ligação. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Comandante-geral da PM do Rio, Mário Sérgio Duarte, é exonerado

Por Fabíola Leoni, Vera Araújo e Osvaldo Soares, no Globo:
Dois dias depois da prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, comandante de dois batalhões acusado de ser o mentor do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 11 de agosto , o comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, deixou o cargo, no fim da noite de quarta-feira. Mário Sérgio, de 52 anos, também comandou o Bope - a tropa de elite da PM.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que ele enviou uma carta ao secretário José Mariano Beltrame, reconhecendo “o equívoco” de ter nomeado o tenente-coronel Cláudio para o 7º BPM (São Gonçalo), o primeiro cargo de comando dado ao oficial, que está preso desde quarta-feira em Bangu 1 com outros sete PMs. Na carta com o pedido de exoneração, enviada a Beltrame pelo BlackBerry do hospital onde está internado, se recuperando de uma cirurgia na próstata, ele disse estar “ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha”.

“Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli, e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim”, escreveu Mário Sérgio.

A exoneração, pedida, segundo a nota da secretaria, “em caráter irrevogável”, aconteceu um dia depois de Beltrame ter afirmado, em entrevista coletiva, que Mário Sérgio gozava de sua “plena confiança”. Ainda segundo o texto, o secretário lamentou a saída do oficial.

Beltrame visitou Mário Sérgio na tarde de quarta-feira à tarde no Hospital Central da Polícia Militar. A nota da secretaria não informa quem substituirá o comandante. Porém, comenta-se nos bastidores do QG da PM que haveria uma lista tríplice sendo analisada por Beltrame com os nomes dos coronéis Aristeu Leonardo, Pinheiro Neto e Ricardo Quemento como possíveis sucessores.

Procurado pelo GLOBO, o comandante-geral interino, coronel Álvaro Garcia, afirmou que se acha preparado para ocupar o cargo: “Sim, aceitaria, qualquer coronel da PM se acha pronto para isso.” Indagado se a crise que atinge a imagem da PM é permanente, Garcia respondeu:”A polícia viveu outras crises e as superou.”

Uma gestão marcada por crises
As crises enfrentadas por Mário Sérgio à frente da PM foram muitas. Só nos últimos três meses, três casos arranharam ainda mais a imagem da corporação, que havia melhorado com o programa de pacificação das favelas iniciado em 2008. Além do caso da juíza Patrícia, que já levou à prisão dez policiais militares, em junho o menino Juan, de 11 anos, foi morto a tiros durante uma ação da PM na Favela Danon, em Nova Iguaçu. Este mês, mais um escândalo: 11 policiais da UPP do Fallet, Fogueteiro e Coroa, em Santa Teresa, foram acusados de receber propina de traficantes. Neste episódio, caíram o comandante e o subcomandante da UPP.

Outra crise durante sua gestão ocorreu em 2009, quando policiais do 13º BPM (Praça Tiradentes) foram flagrados por câmaras prendendo e liberando logo em seguida ladrões que haviam acabado de assassinar, no Centro, o coordenador de projetos sociais do AfroReggae, Evandro João da Silva. Na época, Mário Sérgio, foi a público pedir desculpas: “Estamos envergonhados. A PM errou.”

Por Reinaldo Azevedo
Este homem foi condenado à morte no Irã por ser cristão. Ele pode se salvar: basta renunciar a Cristo
Pastor Yousef Nadarkhani, condenado à morte no Irã. Motivo: ele é cristão

Pastor Yousef Nadarkhani, condenado à morte no Irã. Motivo: ele é cristão

Não há um só país de maioria cristã, e já há muitos anos, que persiga outras religiões. Ao contrário: elas são protegidas. Praticamente todos os casos de perseguição a minorias religiosas têm como protagonistas correntes do islamismo — ou governos mesmo. Não obstante, são políticos de países cristãos — e Barack Obama é o melhor mau exemplo disto — que vivem declarando, como se pedissem desculpas, que o Ocidente nada tem contra o Islã etc. e tal. Ora, é claro que não! Por isso os islâmicos estão em toda parte. Os cristãos, eles sim, são perseguidos — aliás, é hoje a religião mais perseguida da Terra, inclusive por certo laicismo que certamente considera Bento 16 uma figura menos aceitável do que, sei lá, o aiatolá Khamenei…

O pastor iraniano Yousef Nadarkhani foi preso em 2009, acusado de “apostasia” — renunciou ao islamismo—, e foi condenado à morte. Deram-lhe, segundo a aplicação da sharia, três chances de renunciar à sua fé, de renunciar a Jesus Cristo. Ele já se recusou a fazê-lo duas vezes — a segunda aconteceu hoje. Amanhã é sua última chance. Se insistir em se declarar cristão, a sentença de morte estará confirmada. Seria a primeira execução por apostasia no país desde 1990. Grupos cristãos mundo afora se mobilizam em favor de sua libertação. A chamada “grande imprensa”, a nossa inclusive, não dá a mínima. Um país islâmico eventualmente matar um cristão só por ele ser cristão não é notícia. Se a polícia pedir um documento a um islâmico num país ocidental, isso logo vira exemplo de “preconceito” e “perseguição religiosa”.

Yousef Nadarkhani é um de milhares de perseguidos no país. Sete líderes da fé Baha’i tiveram recentemente sua pena de prisão aumentada para 20 anos. Não faz tempo, centenas de sufis foram açoitados em praça pública. Eles formam uma corrente mística do Islã rejeitada por quase todas as outras correntes — a sharia proíbe a sua manifestação em diversos países.

Há no Irã templos das antigas igrejas armênia e assíria, que vêm lá dos primórdios do cristianismo. Elas têm sido preservadas. Mas os evangélicos começaram a incomodar. Firouz Khandjani, porta-voz da Igreja Evangélica do Irã, teve de deixar o país. Está exilado na Turquia, mas afirmou à Fox News que está sendo ameaçado por agentes iranianos naquele país.

Por Reinaldo Azevedo
Demóstenes faz o certo e apresenta PEC que garante competência do CNJ

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tomou uma decisão que remete àquele Demóstenes que estou acostumado a admirar: apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garante ao Conselho Nacional de Justiça a competência para investigar juízes e aplicar punições quando achar necessário. Agora sim: na minha opinião, esse Demóstenes interessa à democracia, não o senador que andou dizendo inconveniências porque o TSE se mostrava propenso a tomar uma decisão com a qual ele não concordava. Foi um escorregão numa trajetória meritória.

“Nós precisamos deixar o CNJ com poder de investigar e punir e não de forma supletiva. Esse era o espírito da lei. Não havia a hipótese do CNJ atuar como órgão revisor das corregedorias locais. Essa emenda é para deixar claro que o CNJ pode processar e julgar originariamente”.

Perfeito! É isso mesmo! Já que os partidos como entes da democracia silenciam sobre o embate, que os parlamentares que perceberam a importância do tema se manifestem.

Por Reinaldo Azevedo
STF encerra sessão sem julgar limite de fiscalização a juízes

O STF percebeu que poderia estar se metendo numa fria. O debate sobre a limitação de competência do Conselho Nacional de Justiça tem o cheiro inequívoco do corporativismo. E decidiu que… não decidiria nada hoje.Leiam o que informa Débora Santos, no Portal G1 (íntegra aqui).
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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta quarta-feira (28) sem julgar o alcance do poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de punir e fiscalizar juízes, que estava na pauta para esta quarta. O CNJ, criado para fazer o controle e garantir a transparência do trabalho dos magistrados, teve sua competência contestada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

O G1 apurou que o julgamento da ação foi adiado para que os integrantes da Corte pudessem buscar uma solução intermediária entre apenas restringir a atuação do CNJ e manter o trabalho como está.

A ação da AMB estava na pauta do Supremo desta quarta (28), mas quem decide a ordem dos julgamentos é o presidente do STF, Cezar Peluso, e ele não chamou o tema para discussão. O tema não será analisado na quinta, pois as sessões de quinta são destinadas às matérias penais.

Durante o intervalo da sessão desta quarta, o ministro Marco Aurélio, relator do processo sobre o CNJ, previa o adiamento do julgamento. O motivo, segundo Marco Aurélio, seria a “celeuma” criada com as declarações sobre o “cerceio” da atuação do CNJ. “O momento não é adequado para este julgamento. Vamos deixar até que os fatos estejam mais esclarecidos”, disse.

Ao final da sessão, o ministro Marco Aurélio voltou a dizer que estava pronto para julgar. Segundo ele, durante o intervalo da sessão dessa quarta foi citado que seria “preferível aguardar” para decidir sobre o tema fora do que ele chamou de “pico da crise”. “Eu, por minha forma irrequieta de atuar, já teria julgado”, disse o relator do processo.

Para o ministro Luiz Fux a polêmica que se criou sobre a limitação de poderes no CNJ não influencia na decisão de Corte a respeito de quando o processo deve ser julgado. “Acho que esse caso se resolve com serenidade, independência e votação, que é o que estamos aqui para fazer. Com o processo pautado já está todo mundo maduro para decidir”, afirmou o ministro.

Por Reinaldo Azevedo
Alckmin deixa claro ao secretário Herman Voorwald: NÃO HAVERÁ REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA DE PORTUGUÊS E MATEMÁTICA. OU: Cuidado com “a rede”!!!

O governador Geraldo Alckmin lançou hoje um programa de incentivo ao ensino técnico — estou tentando saber mais detalhes da proposta — e comentou, por iniciativa própria, uma idéia que circula da Secretaria de Educação, que prevê a redução das aulas de português e matemática em benefício de disciplinas como sociologia, artes, espanhol e física… Enfim, é o samba-do-educador-doido. Alckmin estava acompanhado do secretário da área, Herman Voorwald. Leiam o que disse. Volto em seguida:

“Só mais uma colocação: saiu uma matéria, em alguns jornais e na imprensa, de que a Secretaria da Educação iria reduzir o número de aulas de português e matemática. Não! O que está sendo feito é uma discussão na rede em relação à grade curricular. Então, não tem nenhuma decisão quanto a isso, e, aliás, já que vai haver um debate, eu já quero dar a minha contribuição, dizendo que, se nós pudéssemos, nós deveríamos aumentar as aulas de português e de matemática.”

Voltei
Eu entendi o recado. Espero que o secretário Herman Voorwald tenha entendido também — ou será inútil eu tentar decorar o nome dele… Segundo as palavras do governador, se mudanças houver no que diz respeito a essas duas disciplinas, será para ampliar a carga horária, não para diminui-la. Alckmin tem o seu estilo. Está dizendo que a “rede” pode opinar, sim, mas quem decide é o governo. E a decisão de redução da carga não será tomada.

“Rede”… O governador recorre a um jargão porque certamente seus auxiliares na área estão usando — e, quem sabe?, abusando… — a palavra.  Rede, teia, trama… Eu não gosto da palavra. Ela tem um inequívoco apelo corporativista. Qualquer mudança que ocorra na educação tem de buscar melhorar a situação dos alunos, com base naquele que é o objetivo da escola: instruir. A tal “rede” é infiltrada pela outra “rede”, aquela de inequívoco sotaque ideológico. Acho que Voorwald deve “ouvir” mais os números das provas sobre proficiência do que “a rede”, com sua pauta de caráter mais sindical do que educacional.

De todo modo, as palavras de Alckmin soam tranqüilizadoras. O secretário deveria pôr desde já um anúncio na “rede”: “Vocês proponham o que bem entenderem, mas o governador já disse: NÃO HAVERÁ REDUÇÃO DA CARGA DE PORTUGUÊS E MATEMÁTICA. Comecem a pensar a partir daí”.

Certo, Voorwald?

Por Reinaldo Azevedo
Estão querendo castrar o CNJ; para tanto, não precisam de motivos, bastam os pretextos

A Comissão quer que ministro e corregedora falem sobre recentes embates. O STF pode redefinir hoje, para pior, o papel do Conselho Nacional de Justiça. Leiam o que informa o Portal G1. Volto em seguida:

Por Sandro Lima:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (28) convite ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, e à corregedora-nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon para falarem sobre os recentes embates em torno do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta quarta se limita a atuação do conselho. Está na pauta do plenário uma ação proposta pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) que questiona resolução do CNJ sobre punições a juízes. Na terça (27), a publicação de uma entrevista com Eliana Calmon em que ela dizia que há “gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”, abriu uma crise no Judiciário. O presidente do CNJ e do STF, Cezar Peluso, emitiu nota de repúdio. Entidades de magistrados, como a AMB, criticaram as declarações.

Nesta quarta, Eliana Calmon, afirmou nesta quarta-feira (28) ao G1 crer que a discussão para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tenha liberdade para apurar irregularidades praticadas por magistrados esteja “perdida”. “Vamos perder no STF. Vai ser um retrocesso. Vai esvaziar o CNJ”, afirmou. Segundo ela, uma limitação ao conselho trará impunidade. Desde que foi instalado, em junho de 2005, o Conselho Nacional de Justiça condenou em processos administrativos 49 magistrados acusados de irregularidades no exercício da profissão, segundo dados da assessoria do conselho. Desse total, 24 foram punidos com aposentadoria compulsória, que é a pena máxima do órgão administrativo. Outros 15 foram afastados pelo CNJ em decisões liminares. Além disso, seis juízes foram colocados à disposição, dois foram removidos de seus postos originais e outros dois apenas censurados.

Comento
O assunto se tornou sério o bastante para que o Parlamento brasileiro faça o convite. Esse debate assumiu características lamentáveis. Avalio, já escrevi, que Eliana Calmon exagerou um tantinho na retórica, mas é evidente que estão tentando atribuir a ela o que não disse para fazer o que já queriam fazer ainda que ela não tivesse dito nada. Em suma: estavam em busca de pretextos, não de motivos.

A Associação dos Magistrados Brasileiros recorreu ao Supremo contra a competência da Corregedoria do CNJ para abrir processos investigativos contra os juízes. Acha que isso não pode ser feito sem uma ação prévia das corregedorias regionais. É claro que se trata de um retrocesso.  Na prática, elimina-se essa instância já pálida de controle externo do Judiciário. Até parece que o CNJ está se comportando como o Torquemada do Judiciário. Os números demonstram que não.

Nesta quarta, Gilmar Mendes, ministro do Supremo e ex-presidente do CNJ, defendeu o trabalho de Eliana Calmon. Sob a sua gestão, o CNJ avançou bastante, sobretudo no ordenamento da Justiça dos estados. Ele se mostrou menos permeável à pressão corporativista do que Cesar Peluso.

Vamos ver. Se o Supremo cortar as prerrogativas do CNJ, estaremos diante de uma clara, óbvia e insofismável reação corporativista da Justiça. Será um sinal evidente de que esse Poder da República escolheu mais se proteger do que proteger a Constituição e as leis.

Por Reinaldo Azevedo

Líder do PSD agradece, mas recusa convite para participar de reunião de partidos da base governista, diz líder na Câmara

Por Maria Clara Cabral, na Folha Online (mais aqui)

O líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos (SP), afirmou que não deve aceitar o convite para participar das reuniões semanais realizadas pelos líderes da base aliada ao governo. O motivo: a “independência” da nova legenda, comandada nacionalmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.”Agradecemos o convite, essa é um atitude elegante e respeitosa ao PSD, mas nós somos independentes. Se aceitássemos esse convite cairia por terra tudo que temos falado, pela simbologia de participar desses encontros”, disse Campos. Mais cedo, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), havia dito que convidaria Campos para participar dos encontros, que acontecem tradicionalmente durante os almoços das terças-feiras.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 Do Blog de Lauro Jardim: Congresso

Dura realidade das vassouras

Soou como uma triste piada pronta o caso do furto das vassouras da corrupção que estavam pregadas ontem à tarde na frente do Congresso. 

Tão feio quanto o sumiço das vassouras foi a cena de deputados indignados com os colegas que aceitaram receber o presente dos integrantes do movimento contra corrupção. Deveriam ficar ofendidos por outro motivo. Mas…

Por Lauro Jardim
O problema do PT no Senado

Humberto Costa anda descontente com a produtividade das reuniões semanais da bancada do PT no Senado. Argumenta que metade dos colegas “chega tarde” e a outra metade “sempre sai cedo”.

A solução? Costa consultou os colegas para mudar o horário das reuniões nas terças-feiras de 13h para 20h. O problema pode parecer banal, mas um observador ponderou:

– O PT com problema pra fazer reunião? É um fato histórico.

Por Lauro Jardim
Superclássico nas alturas

Vitória do Brasil alavancou a audiência da Globo

O segundo jogo entre Brasil e Argentina ontem rendeu mais audiência para a Globo do que o empate sem graça entre as seleções duas semanas atrás. A vitória em Belém alcançou 33 pontos na Grande São Paulo, segundo o Ibope, bem à frente de Record (11 pontos) e SBT (6 pontos). Em 15 de setembro, a partida teve 32 pontos de audiência.

Por Lauro Jardim
Na mesma

A entrevista ao vivo de Dilma Rousseff ao Hoje em Dia, da Record, na manhã de hoje (leia mais em Sem omelete) não mexeu na audiência da emissora. E acordo com dados prévios do Ibope para a Grande São Paulo, a entrevista – previsivelmente chocha – rendeu à Record cinco pontos (no horário, a Globo ficou com oito pontos) – a mesma audiência de ontem.

Por Lauro Jardim
Sobrou para Maia

Os líderes da Câmara firmaram acordo em sigilo para resistir ao impacto da chegada do PSD na Casa. Nenhum partido vai aceitar reduzir estrutura para gerar gordura suficiente para acomodar o PSD. Diz um líder:

– O Marco Maia vai ter de criar novos cargos para distribuir ao PSD. Ninguém vai aceitar perder estrutura.

O assunto representa um dilema para Maia, que sempre evitou admitir a ampliação dos quadros da Câmara.

Por Lauro Jardim
Oportunidade na crise

O BTG Pactual inaugurou anteontem um novo (e mais amplo) escritório em Londres. A crise ajudou o banco brasileiro: o imóvel, em plena Mayfair, era ocupado por um hedge fund que foi para o buraco e abriu espaço para a expansão do BTG. Com sua sede em NY, aconteu a mesma coisa.

Por Lauro Jardim
Nem na pauta

Apesar das promessas, nem sequer entrou na pauta de julgamento do STF desta tarde o inquérito que pode transformar Paulo Maluf em réu por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ou seja, pela terceira semana seguida, Maluf se livrou (Leia mais em Maluf ganha nova sobrevida).

Por Lauro Jardim
Então, tá…

Num texto que escreveu sobre a reforma política para o site de Paulinho da Força (PDT-SP), José Dirceu afirma que o “maior desafio é aprovar um modelo que seja capaz de reduzir o espaço à corrupção e impor barreiras ao caixa dois”.

Por Lauro Jardim
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

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